Sentidos Opostos
por Ann Cashew
TRACK 2:
Co-come on, baby
- Eu não sabia que você era tão romântico, Pad. – James brincou, enquanto relia a letra da música.
- A gente faz o que pode, meu caro Prongs. – o moreno rebateu pomposo. Remus sorriu.
- Onde está o Peter, James?
- Ih, nem perca seu tempo procurando ele, Moony. Aquele malandro conseguiu alguns bolinhos na cantina e provavelmente só vai aparecer depois que devorar todos eles.
- Típico. – Sirius soltou. – E então, James, o que você acha?
- Cara, eu preciso ouvir você tocando isso. A letra é... incrível. – o moreno de óculos e o castanho sorriram cúmplices, enquanto a folha era devolvida ao seu dono. – Até me animei, sabia?
- Como assim, 'animou'? – Black perguntou, recolhendo a folha.
- Bom, vocês sabem que o meu coroa vive insistindo que eu preciso aprender a tocar piano porque minha mãe gosta e tal... – ele fez um gesto dramático com a mão. – Mas, vocês também estão cientes que minha paixão são as cordas e... – o de óculos fez uma pausa, rodeando os ombros dos amigos, um de cada lado. - Acho que consigo convencê-lo a me pagar um professor de guitarra... E a não ser que você queira fazer carreira solo...
Os garotos sorriram entre si.
- Já quer formar uma banda, é? Eu só compus uma música, assim vou me sentir pressionado... – Sirius disse, manhoso.
- Deixa disso. Mas, Pad, o que o Moony vai fazer? – James alfinetou. Os morenos riram alto da carranca que imediatamente se formou no rosto do menor.
- Ele pode bater palmas, o que acha? – provocou Sirius.
- Ou então posso bater a minha palma em vocês, o que acham?
- Ui, isso soou tentador... – Potter brincou, desviando-se em seguida do pontapé que Remus tentou inutilmente dar. Os mais altos seguiram o menor rindo, quando o mesmo começou a andar na frente, resmungando 'depravados' repetidas vezes.
As aulas do dia já haviam encerrado e o fim de tarde seguia mais fresco, os garotos estavam liberados para fazerem o que desejassem.
- Imagine o tanto de garotas que vão babar por nós...
- Como se eu precisasse disso... – o moreno recebeu um tapa na nuca pelo comentário arrogante. - Ai! – ele fingiu ter doído. - Moooony, olha o Prongs me batendo outra vez... – ele repetiu o tom manhoso de outrora.
- Ninguém mandou ser a mulher da relação... – Remus resmungou, seguindo seu caminho como se não se importasse.
James soltou um 'toma!' entre as risadas.
Sirius se fez de ofendido, mas apenas por alguns segundos, logo estava entrando na brincadeira, recitando coisas como "posso fazer você ver quem é a mulher da relação".
Eles seguiram animados para a ala de dormitórios da escola, prontos para guardarem os materiais e curtirem a noite juntos, como quase sempre faziam.
O Centro de Ensino Hogwarts era uma escola de nome e muito respeitada por todo o país. Alunos de vários lugares e praticamente todos os jeitos se encontravam ali. Alguns bolsistas, como Remus; outros, pagantes de uma mensalidade bem digna para uma escola de tanto prestígio, como Sirius.
Todos os alunos recebiam a educação necessária para se tornarem indivíduos de peso no mercado de trabalho. Eram instruídos desde aulas de Etiqueta a Relações Humanas e várias outras matérias e atividades extra-curriculares.
Os dormitórios, divididos em prédios, subdividiam-se por ano. Sirius e James dividiam um quarto, o 205; Remus e Peter dividiam outro, o 211. A sorte – ou falta dela, para todos os que gostavam de dormir cedo freqüentemente – era que ambos os quartos ficavam no mesmo andar.
Os três amigos haviam chegado à porta do quarto 205 e apenas James ficou para tomar banho. Sirius seguiu junto com Remus para o outro quarto. Ele acusara o de óculos de passar décadas no banho, se arrumando para garotas que nem sequer olhavam para ele, já que sua ilustre e digníssima pessoa sempre estava por perto para atrair os olhares de tais garotas. James apenas bateu a porta na cara dos amigos.
- Eu vou primeiro! – Black informou assim que chegaram no 211. A porta do banheiro ficou aberta, de modo que os dois amigos pudessem conversar.
- Eu recebi uma carta da minha mãe hoje... – o castanho disse, enquanto brincava com os fios da colcha da cama de Peter.
- Ela está melhor? – a voz do moreno estava sendo abafada pelo som da água que caía. Remus não respondeu de imediato, o que preocupou Sirius.
- Bom, ela está melhor, mas foi estranho... – Remus disse, seu cenho se franzindo. – Ela pediu que eu me cuidasse e que fosse vê-la no próximo feriado.
Dentro do banheiro, Sirius imitou o amigo, franzindo a testa.
- Não perguntou sobre a escola?
- Não... – o castanho respondeu fracamente.
- Não deve ser nada, Remmy... – Black disse confiante, tentando convencer a si mesmo. Ele ouviu então o barulho de uma porta sendo fechada e um "oi, Wormtail" ao mesmo tempo.
- Peter chegou, Sirius. – Remus informou. – Saia logo! – o moreno apenas riu e até teria demorado mais, só para provocá-lo, se não estivesse assim tão ansioso para mostrar a letra para Peter.
Os três garotos estavam sentados no chão, sobre um tapete, todos com seus banhos devidamente tomados quando James apareceu.
- Claro que vai fazer alguma coisa – Sirius respondia, dando um tapa na nuca de Peter.
Potter se sentou ao lado de Remus, que estava com as costas apoiadas na cama.
- Então a donzela finalmente ficou pronta! – Sirius notara sua presença e virara em sua direção, James então respondeu com um gesto que Minerva McGonnagal, professora de matemática e geometria, condenaria completamente.
- O Peter aqui estava preocupado com o que ele vai fazer, Prongs. – Black explicou, dando batidinhas mais leves nos ombros gordinhos do garoto.
- Você não contou das palmas? – Potter perguntou, mordendo as bochechas em seguida, para conter a vontade de rir, fazendo Remus lhe direcionar um olhar de poucos amigos.
Black, tentando não rir de um Remus raivoso e um Peter confuso, mudou o assunto.
- Então... Eu estava pensando que todos nós poderíamos compor... – ele coçava uma barba imaginária, como se ainda ponderasse o assunto.
A sua frente, James Potter pareceu ser iluminado. Seus olhos brilharam e ele quase beijou os pés de Sirius pela idéia, se perguntando o porquê de ainda não ter pensado nisso.
- Mas é uma idéia ótima! – Sirius sorriu triunfante, como se tivesse ganhado algo com o elogio. – Assim não teremos somente músicas ruins no repertório. – o de óculos brincou.
- Há, há, James. Da hora, hein? – Black fez pouco caso. – O que você acha, Remus?
Lupin mirou o amigo por alguns segundos antes de responder, vingativo:
- Acho ótimo também. Só assim alguém para corrigir os erros das letras. – declarou, maroto.
- Vocês estão engraçadinhos hoje, hein? – o moreno resmungou ofendido, cruzando os braços.
- E que tal se compuséssemos agora? – James ofereceu, imaginando que, se risse do amigo em uma hora como aquela, talvez não ganhasse presente no próximo natal.
Os garotos olharam-se entre si. Sirius abriu a boca, mas Peter perguntou mais rápido:
- Tá, quem começa?
- Não é fácil assim, galera. A inspiração vem e... Bom, a música nasce. – Sirius explicou, ainda um pouco emburrado, tendo sua vasta experiência de apenas uma música como base.
- Então o que vamos fazer? – um fio de desânimo transpareceu na voz de Potter.
- Daqui a pouco temos que descer para comer... – Peter avisou, como se deixasse bem claro que se eles fossem fazer algo, que fizessem logo. Sirius estava relembrando como fora compor, os lábios comprimidos, quando James soltou:
- Remus, tudo bem?
O castanho levantou o rosto, e os outros três passaram a mirá-lo, esperando uma resposta. Seus olhos piscaram repetidas vezes, notando entre cada abrir e fechar os olhares preocupados de seus amigos. De repente a lembrança da carta surgiu na mente de Sirius.
- Sim, está tudo bem. – ele respondeu.
- É que você está tão calado...
Ele voltou a garantir que estava tudo bem, mesmo que sua voz não demonstrasse toda a certeza que desejava ter. James pedira a Sirius que explicasse como havia conseguido compor, novamente, o que fora atendido mais do que depressa, já que ele não estava fazendo realmente questão de esconder toda sua animação. De vez em quando Remus sentia olhares sorrateiros de Sirius em sua direção, olhares preocupados. O castanho sabia que seu amigo estava pensando na história da carta, assim como ele próprio não conseguia parar de fazer. Não poderia confirmar, no entanto, quanto tempo ficou vagando em pensamentos, onde a letra bonita de sua mãe rondava, até que ouviu aquela risada meio latida tão conhecida o trazer de volta a realidade.
- O que foi?
- Eu conto, mas você precisa prometer não brigar conosco por isso... – os lábios rosados, juntamente com os olhos cinzas, brilharam em um sorriso ingênuo, completamente contrário as suas intenções, já que, caso Remus não concordasse, ele faria do mesmo jeito. O castanho o mirou sem entender.
- Ele promete, diz aí! – Potter declarou, a curiosidade falando alto demais para sequer esperar uma resposta. Ele e Peter também não sabiam qual fora a idéia maravilhosa que Sirius acabara de declarar ter.
Ele pigarreou, a mão fechada em frente a boca, tentando esconder um sorriso.
- Remus, nós vamos tentar compor para animar você.
- Mas você disse que não... – o gordinho ia dizendo antes de receber um 'Shh' de ambos os outros dois garotos que, como se fossem capazes de comunicação telepática, sorriam em concordância.
Remus tentou resistir por um tempo, dizendo a si mesmo que as idiotices que seus amigos estavam inventando somente para animá-lo – de algo que ele nem sabia o que realmente era – não eram tão engraçadas assim. Eles haviam começado a ritmar frases com rimas simples e forçadas, como uma sobre o cabelo de Remus: I think about you all day long, uh oh, your hair is so straight and strong, uh oh.¹
James se contorcia no chão enquanto Sirius realmente se empenhava em frases mais elaboradas. Peter só ria e vez ou outra soltava um 'ohhh' no final de algumas frases, o que só servia para arrancar mais risadas dos dois compositores.
No final da noite, eles tinham mais uma música composta e um Sirius fazendo 'co-come on baby' repetidas vezes.
Mas tudo estava bem, porque Remus Lupin havia voltado a sorrir.
o0oo0oo0o
¹ A frase em inglês: "I think about you all day long, uh oh, your hair is so straight and strong, uh oh", não comporta a rima para o português, então para quem não entende, pode ser: "Eu penso em você o dia todo, uh oh, seu cabelo é tão liso e sedoso, uh oh".
N/A: Mais um capítulo curto, eu sei, eu sei... ;-; Mas o próximo vai ser maior. Promessa. Esses estão pequenos porque é uma outra linha temporal, são coisas que já aconteceram. Mas são necessárias.
Agradeço às meninas que deixaram review (Suu-Chan, Tha Madden, Felpa, Jann), vocês são verdadeiros amores! Não vou responder um por um dessa vez porque nesse exato momento estou viajando! Yeah! Curtindo uma praia em pleno inverno, haiuheae! É só que minha fixação é um pouquinho grande demais... Morram de inveja, ao menos posso tremer em frente ao mar (?)!
Agora, com vocês, quem vos posta a fic:
N/B: É sempre assim, a gente oferece a mão e pegam o rim u.ú Mas o que uma beta adorável como eu não faz, né? Mas que triste, eu não deixei review a tempo de ter meu nome no capítulo Ç.Ç Então eu mesmo vou agradecer por meu review mental: "Ann: Senpai, obrigada pelo review maravilhoso!" (#foge#) Ah, sim, gente, se vocês quiserem que SRS continue é melhor deixarem muitos reviews, porque até onde eu sei, não tem muitos capítulos mais já prontos . Depois a Ann vem de papo que a inspiração dela se foi e já viu, né? Mas, então, é isso. Bye-bicycle! (??) xD
