Capitulo I – O inicio da primavera.
Entrou sem cerimônias. Afinal não fora convidado, mas este seria apenas um detalhe a parte naquele dia.
Não se importava. Não estava ali por nenhum deles. Suas miradas surpresas, ameaçadoras, ressentidas não o atingiam. Não o inflamava. Ele continuava seu caminho de queixo erguido e passos calmos. Pisoteou com certo deleite uma vasta marcha de pétalas brancas e vermelhas e por fim parou.
Seus olhos mesclados azuis e cinzas mantinham-se decididos; Seu corpo reteu-se tolerante. Parecia certo daquilo que viera fazer. Entretanto, por sob as onerosas luvas de seda por quais vestia, suas mãos pálidas tremiam em sintonia constante.
Refletidos em sua frente estavam os dois futuros cônjuges, que foram obrigados a interromper sua cerimônia de casamento pela entrada ordinária daquele individuo – que permanecia sem dúvida, muito mal recebido.
- Como ousa interromper nosso casamento sua serpente traiçoeira?! Saia daqui antes que alguém lhe mate! E não desejo que ninguém aqui suje as mãos com seu sangue imundo!
Seus lábios finos não se moveram, nem seu rosto contorceu-se para responder aquele insulto. Não estava ali para vê-la. Porque ela não existia. Era tão insignificante quanto todos os outros. Seu campo de visão retinha-se a apenas uma única pessoa. E era a essa que ele fora buscar.
Fora por essa pessoa que ele pegara o primeiro vôo que chegaria a Londres pela manhã. Fora por ela que ele mandara as favas o jantar na mansão de seus pais; junto com todos os empresários e futuros grandes clientes e fora pela mesma que ele engolira o orgulho, a indiferença e a intolerância...
Fora por essa única e específica pessoa por quem ele se apaixonara irreversivelmente.
E era apenas a ela que existia naquele momento.
- Draco, o que diabos acha que está fazendo?!
- Estou te resgatando Potter. E lhe aviso que não sairei desta maldita convenção de mortos de fome sem você.
Burburinhos, desmaios, faces chocadas, desgostosas e arrebatadas por uma raiva desmerecida. Palavras desconexas, atrapalhadas, que veemente foram aumentando de volume à medida que os longos minutos daquela situação passavam livres por sob os olhos de todos ali presentes.
Uma igreja enriquecida de detalhes e história, escolhida a dedo para servir de palco ao inicio de uma mais nova vida com o famoso e único herdeiro Harry James Potter e sua encantada – e indignada - noiva Virgínia Weasley.
Parados ainda em frente ao altar os noivos e o presente invasor não pareciam se incomodar com os outros corpos as suas voltas. Pessoas entre familiares e amigos; procurando mutuamente algo ou alguém que lhes pudessem explicar o que estaria acontecendo.
- Como se atreve a ameaçar meu marido, Malfoy?! E como se atreve a pronunciar o nome dele nesta boca imunda?!
- Por favor, Gina. Cale a boca!
- Mas, Harry?...
A expressão segura do jovem loiro ameaçou-se desfazer-se diante daquelas primeiras palavras que ouviu, seu peito doeu e seu coração passara a bater em ritmos desconcertantes.
- Não me importa que já tenha se casado. Muito menos se cheguei tarde mais. Conheço excelentes advogados que o farão divorciado logo pela manhã. Agora se despeça de sua medíocre esposa que temos um avião nos esperando.
Sua voz inclinavelmente rouca mantinha-se segura. Mas aquele a sua frente o conhecia melhor que ninguém jamais se atreveu a conhecer. Sabia que o outro vacilara e apesar da pose que se esforçara para manter, estava tenso apenas esperando por qualquer reação sua.
- Mais é muita cara de pau!
Virgínia exclamou enquanto alguém segurava alguns dos padrinhos que queriam partir para a violência. Harry em compensação apenas se colocou em frente à noiva – deixando jamais de quebrar o contato visual estabelecido desde sua entrada.
- Eu terei que concordar com a Gina, Draco. Você não poderia ser mais cara-de-pau. O que o faz pensar que irei abandonar todos os presentes aqui, minha família, meus amigos e minha noiva sem olhar para atrás, apenas para te acompanhar?
E sorriu quase imperceptível se o mesmo de sua frente não fosse Draco Lucious Malfoy e se seu olhar não estivesse tão fixo em suas expressões.
Ousado, o jovem loiro colocou-se na rasa distância que os separavam e enlaçou um de seus braços na cintura do moreno de smoking, trazendo para perto, consequentemente fazendo seus corpos se colarem enquanto com a outra mão lhe acariciava a face morena e macia.
Aproximou seus lábios rosados sob os ouvidos do outro e pôs-se a sussurrar como uma confissão.
Gina corava com a cena que se estendia em sua frente. Sentia-se confusa, traída, magoada, mas acima de tudo, estava com raiva. Uma raiva descrente! Não era possível que depois de tantos anos esperando... Desejando... Atiçando... Estando ao lado dele, se esforçando para que a idéia de uma oficialização fosse finalmente aceita e... Depois de tantos preparativos, tanto trabalho, no fim tudo fosse deixado para trás! Sem a menor consideração, sem o menor apreço por sua dedicação e pela sua pessoa!
Sem perceber suas lágrimas já rolavam. Em seu íntimo já sabia como aquela tragédia terminaria.
Entre o loiro e o moreno. Contrastes que se refaziam se encaixavam e se formulavam. Seus lábios se afastaram e encostaram-se nos daquele que tanto amava.
Esperou por palavras que nunca vieram. Harry fora mais rápido desta vez. Antecipando um beijo profundo e delicado, ali, na frente de quem quisesse vê-los. De quem quisesse ser ou não testemunha daquele selo, daquela aberta declaração de aceitação.
Seu beijo, porém não pôde durar mais que alguns segundos. Logo o moreno sentiu suas mãos serem fortemente seguras enquanto aos poucos se distanciavam até atingirem maior velocidade.
E corriam o mais rápido que podiam! Corriam com as mãos fortemente dadas, unidas e companheiras como jamais o deixariam de ser.
Novamente Draco pôde deleitar-se intimamente por pisotear com gosto aquela miserável passagem de flores espalhadas pelo chão e trazendo consigo o que decididamente fora buscar.
Seu amor...
Fora da Igreja instalada sobre a cidade de Londres alguns pedestres observavam curiosos à corrida que faziam dois homens enquanto alternavam entre risos cúmplices ou beijos intensos e roubados.
Partiram sem olhar para trás, numa promessa mútua de viverem o presente ao menos uma única vez na vida. Sem tensões, sem preocupações, sem pensarem em ninguém mais; Sem transtornarem a própria felicidade, a própria vida em prol a vida e felicidade de outros.
Depois de tantos anos vivendo para agradar, para alinhassem ao "normal", ao "aceito", ao banal que todos queriam que fizessem, que todos esperavam que vivessem, estava mais que na hora de pensarem neles mesmo. De viverem suas vidas.
Draco avistou mais a frente feliz e ofegante, o carro que os esperava a alguma distancia de onde estavam.
- Venha, Harry.
E o moreno o seguiu sem pestanejar. Diminuindo os passos desta vez e puxando o corpo do outro contra o seu para lhe roubar mais um beijo.
- Eu irei com você para onde quiser.
- Iria comigo até ao fim do mundo, Potter?
- Iria ao inferno junto com você Malfoy. E não me importaria com as chamas desde que seu corpo se mantivesse junto ao meu...
E nada mais precisou ser dito dali adiante. Se abraçaram aconchegantes e Harry passou a roçar e distribuir leves beijos sobre a face daquele homem que tanto amava.
Ficaram desta maneira durante poucos minutos até ouvirem as estrondosas buzinas do carro mais a frente.
- Andem logo vocês dois! Não queremos ser linchados pela linhagem Weasel no meio da rua!
A voz aborrecida de Pansy Parkinson acertara cheio em seus ouvidos; fazendo se soltarem e levemente ruborizados voltaram a andar.
Chegaram até onde eram esperados por Pansy e Blaise Zabini. Blaise ao contrário da companheira não se dera ao trabalho de sair do carro, mantinha fixo seu pé encima do acelerador e pisaria fundo sem pensar duas vezes.
Estava ansioso e apesar da certeza que morreria pelo amigo e por sua causa de fosse necessário, não poderia negar que eram muitas cabeças vermelhas para enfrentar, caso resolvessem se revoltar contra o casal fugitivo e viessem ao seu enlaço a procura de uma retaliação sanguinária!
Apesar dos pesares, estava compactuando com tudo aquilo e não se arrependia. Se era aquela coisa magricela e sem graça que Draco queria, então por ele não fazia diferença.
Só queria deixar bem claro, se caso morresse, morreria por estar fazendo uma boa ação! E que sua história teria que ser contada em algum filme.
Tudo porque Draco adorava complicar as coisas mais simples. Até se sua paixão fosse por uma Weasley seu medo não estaria sendo tanto!
- Estou devendo a vocês por nos esperar!
- Querido, você já estará nos pagando se pararmos de enrolar e sairmos daqui ainda vivos antes que aquela cambada venha atrás de nós!
Finalmente entraram no veículo e se acomodaram. Blaise suspirando mais aliviado pisou fundo no acelerador e seguiu a toda velocidade pelas ruas de Londres. Até Pansy gritar em seus ouvidos o acusando de tentar matar a todos eles.
Fora obrigado a realmente se acalmar e seguiu mais tranqüilo até o destino que haviam combinado.
Enquanto isso, Draco mantinha a cabeça de Harry apoiada em seu ombro enquanto sentia sua mão ser acariciada por ele.
O moreno se levantou e observou aos próprios dedos. Retirou o anel de ouro e prata de seu dedo anular e abriu um pouco a janela. Sentiu os olhos claros de Draco seguindo suas ações.
Sorriu para o loiro tento uma retribuição discreta.
Voltou seu olhar para o caro anel antes de finalmente joga-lo pela janela do automóvel ainda em movimento.
Deixou-se suspirar aliviado e encostou-se novamente sob os ombros do loiro.
Iniciaria uma nova vida, junto ao inicio daquela primavera.
Ao lado daquele a quem mais amava.
N/A:
Acreditem se quiser, eu escrevi esse capitulo ouvindo: Nickelback, Racionais MC, Life and House, Seal, de Menos Crime, Josh Groban, Facção Central e Alicia Keys.
Acho que depois disso não é preciso dizer mais nada.
Obrigada a todas as pessoas corajosas que chegaram até aqui!
Até o próximo capitulo.
