Capitulo II – Remoendo.

Seu longo vestido perolado arrastava-se descuidado e sujando-se aquela superfície de madeira empoeirada.

Seus olhos castanhos seguiam os quadros e retratos pendurados em ambos os lados naquele imenso corredor.

Rostos felizes ou contrariados por terem sidos pegos de surpresa; Ora tímidos, ora oferecidos, contentes ou risonhos...

E lá estavam eles. Sua família. Seus irmãos. Seus pais. Seus amigos antigos... Alguns que há anos não se tinham mais noticias. Seus colegas de trabalho... Amigos mais leais, queridos...

E ele.

Ele quando criança, na primeira vez que se encontraram ainda na casa que morava anteriormente com sua família. Ele nas festas que aconteciam na escola, sua formatura no colegial, sua entrara na faculdade tão sonhada, quando ganhara o primeiro carro... Quando começaram a namorar...

Toda uma história se refazia em sua memória.

Encostou-se em uma das paredes e deixou seu corpo escorregar pelo chão. Seu vestido amassando-se e tornando-se ainda mais sujo.

Seus olhos castanhos encheram-se de lágrimas e um soluço lhe escapou pela boca antes que a mesma fosse fortemente fechada por uma de suas mãos.

Seu coração sangrava. Seu peito retorcia-se. Seu orgulho ferido, desrespeitado, despedaçado implorava por um descanso. Um novo âmago, um consolo.

Repassou novamente seu olhar por aqueles retratos, desta vez reparando em um pequeno detalhe – fazendo seu espírito preencher-se de um sentimento que jamais achara que pudesse prestar-se a sentir. Ódio.

Sublime ódio. Tomando rapidamente lugar a todos os outros sentimentos, a todas as outras emoções.

Na maior parte das fotos ele também estava lá! Discretamente, quase imperceptível. Difícil de ser reparado na primeira olhada, mas observando atentamente...

Desgraçado!

No último baile do colégio, aquele rosto deforme aquela postura irritantemente aristocrata e segura, um corpo escondido diante de mais dois ou três corpos percebia-se atento a observar com muita atenção alguma coisa... Harry!

Harry tentando a todo custo esconder-se das lentes da câmera nem percebera que estivera sendo tão estupidamente fitado por aquela...

Cobra imunda e nojenta!

Outra, nas primeiras semanas da faculdade, ela mesma havia tirado aquela foto! Harry estava distraído encostado em um dos pilares e sorria. Um sorriso leve, sonhador, sincero. Até que algo havia feito seu sorriso aumentar, o fazendo soltar um suspiro suave logo depois.

Ela seguiu o olhar dele e se deparou com um grupo de meninas sentadas em volta a um delicado chafariz; Pareciam atentas a estudar. Lembrou-se que sentiu o sangue ferver, por achar que aquele sorriso sonhador pertencia a alguma daquelas meninas.

No entanto, alguns poucos passos ao lado delas havia também Malfoy. Com seu novo grupo de "amigos". Eles riam alto e mexiam ridiculamente infantis com quem passassem perto deles.

Até que Malfoy levantou os olhos claros e eles diretamente caíram sobre a figura do moreno, como se já soubessem onde ele se encontrava. Presenciou com uma ligeira surpresa aquele rosto pontiagudo e arrogante atingir uma coloração avermelhada para logo em seguida voltar à conversação com seus companheiros como se nada tivesse acontecido.

Na época nem quisera dar importância a isso, teve certeza que aquela coloração surgida do rosto do outro havia sido apenas raiva. Afinal, todos sabiam que aqueles dois se odiavam firmemente, mas agora... Pensando bem...

Traidores! Os dois!! Imundos! Pervertidos!!

Num completo ataque de histeria e descontrole se levantou rápido do chão. Gritando em plenos pulmões enquanto tentava a todo custo rasgar ao próprio vestido.

- Malditos!! Depravados!! Eu os odeio!! Odeio! Odeio! Odeio!

Alguns pedaços de pano flutuavam até atingirem o chão. Alguns colares de pedras preciosas se desgrudaram do vestido criando um pequeno barulho e espalhando-se pela madeira.

Desprendia enlouquecida o penteado; fazendo os cabelos ruivos escorregarem pelas costas, rebeldemente bagunçados.

E então já não se importava mais com as lágrimas. E elas passaram a rolar por sua face vermelha e cheia de sarnas. Seus lábios contraíram-se e ela voltara a gritar, enquanto puxava os retratos da parede e os arremessava contra o chão.

Um olhar doentio formou-se em seu rosto. E ela se esforçou para se acalmar.

Eles pagarão por isso. Eu juro por tudo que é mais sagrado. Eles pagarão.

E a doce e delicada Vírginia Weasley passaria a ser esquecida.

Ela não existiria mais...

E logo, eles também não.

Não se joga com o amor de uma mulher.

As conseqüências podem ser mortais.


Um capítulo só de sofrimento para a Gina. Por quê? Porque eu adoro vê-la sofrer.

Obrigada por acompanhar e até o próximo capitulo.