VI – Trevas e Estrelas (parte final)
Se existisse alguém que melhor expressaria o sentimento de irritabilidade-intensiva e por muito pouco quase-homicida, este alguém seria Draco Lucious Malfoy, com absoluta certeza.
Havia partido apressado de seu modesto refugio que passaria em companhia de Harry por mais algumas duas semanas antes de voltarem para casa e também voltarem à vida cheia de trabalhos e serviços...
Estava temporariamente de férias. Férias que ele merecia! E que exigia dispor delas. Mas não... Uma simples discussãozinha era o bastante para que lhes viessem atestar a paciência e como se ainda não bastasse, mal falara com Harry. Não pôde explicar o ocorrido pessoalmente. Antes isso...
Quando chegara ao campo onde decolaria não estava se sentindo muito bem. Um mau estar instalou-se sobre o estomago e achou melhor esperar, dar uma pequena volta por lá para disseminar a sensação ruim.
Ela não se esvaziou inteiramente, mas ele estava sem tempo a perder. Desejava ir o quanto antes para poder voltar ainda antes do crepúsculo.
Entrou na hélice e decolou. Com segurança, um bom piloto e a rendição de sua dor de estomago. A única infelicidade foi ter que desligar o celular. Segurança nunca é de mais – segundo ele próprio, já que o piloto lhe disse que não teria problemas se quisesse ligar ou atender alguma chamada.
Não. Ele pensou. Harry provavelmente ainda está com Granger e só voltará para o Hotel quando já estiver demasiadamente tarde.
Não tinha porque se preocupar; Até a maquina necessariamente começar a apresentar alguns problemas, como por exemplo... No rotor. Aquilo que ficava encima do helicóptero fazendo-se girar freneticamente.
Sim. Problemas no rotor. Percebendo o giro diminuindo lentamente na medida em que voavam Alex – piloto, decidira um vôo de aterrissagem a tempo antes que algo de mais trágico acontecesse. E para finalizar, a descida no meio do nada. Tiveram que caminhar por horas a fio até acharem alguém que pudesse ajudá-los na travessia.
Alex sugeriu o caminho proposto, ou seja, que fossem de uma vez para a Itália. Draco por outro lado, gritou-lhe várias sórdidas palavras – das quatro línguas que conhecia- e que não combinavam com seu porte nobre e sua educação de alta linhagem. Ao contrário; Usando uma linguagem simplificada, pediu ao miserável Alex que este fosse para outros lugares de "acessos" inacessíveis.
E no fim de tudo, bem mais tarde, quando regressasse as cidades da Alemanha, descobriria que perdera o celular em meio ao caos que se encontrara.
Quando conseguira milagrosamente pedir por um táxi o sol na Alemanha frígida se punha a longe, abrindo espaço para a noite ansiosa que chegava. Restando a ele apenas seguir viagem para regressar o quanto antes ao Hotel e deixar-se consolar pelo péssimo dia aos braços quentes e confortáveis do seu moreno.
Seu estado estava nocivo, mas logo antes chegara ao Hotel, demorando mais que o previsto por causa de um tolo acidente que interditou seu caminho de volta. Nada mais estressante que bêbados dirigindo; Pelo menos fora o que pensou deitado sobre o banco dos passageiros e descansando, não se deu ao trabalho que visualizar o acidente...
Talvez realmente não o devesse ter feito.
Quando felizmente pisou sobre o piso envernizado e impecavelmente limpo, sorriu aliviado. Sentindo-se mais leve. Para sentir-se inteiro novamente, somente com ajuda de Harry. Esperava que ele já estivesse se livrado de Granger e rumado ao Hotel.
Precisava de um ombro companheiro para lamuriar o mau dia.
A espera do elevador acabou, porém deixando-o ansioso e irritado. Decidiu que mesmo totalmente acabado ele iria subir até o sexto andar pelas escadas. O foi o que fez.
Andando pelo corredor viu seu quarto e mais que depressa ele foi entrando. Esperando encontrar Harry assistindo alguma coisa na televisão ou deitado na cama enchendo o estomago de doces. Entretanto, o que presenciou foi apenas o ápice do dia que estava tendo.
Estático ele mal entrou no quarto, permanecendo na porta mesmo. Que diabos ela estava fazendo ali?!
- Granger.
Ela também permaneceu alguns instantes parada sem saber como agir e de certa forma surpresa por realmente vê-lo depois de tantos anos... Até se lembrar de Harry.
- Malfoy! Harry finalmente te encontrou.
- Harry? Ele não está com você?
Aquela pergunta a deixou confusa e ao mesmo tempo tenebrosa.
-... Vocês não voltaram juntos?
E os toques estrondosos do telefone que anteriormente era tão aguardado finalmente tocaram... E Granger fora quem o atendeu em expectativa.
Doce e amarga expectativa.
This time, This place
Esta vez, este lugar
Misused, Mistakes
Maltratado, erros
Too long, Too late
Tempo demais, tão tarde
Who was I to make you wait?
Quem era eu para te fazer esperar?
Just one chance
Apenas uma chance
Just one breath
Apenas uma respiração
Just in case there's just one left
Caso reste apenas um
Cause you know,
Porque você sabe,
you know, you know...
você sabe, você sabe...
That I love you
Que eu te amo
That I have loved you all along
Eu te amei o tempo todo
And I miss you
E eu sinto a sua falta
Been far away for far too long
Estive longe por muito tempo
I keep dreaming you'll be with me
E eu fico sonhando que você estará comigo
and you'll never go
E você nunca irá
Stop breathing if
Pararei de respirar se
I don't see you anymore...
Eu não vir mais você...
Draco estava quieto sentado em uma acanhada poltrona Korino ao lado da cama onde jazia o corpo de Harry. Fazia quatro semanas que ele permanecia ali. Não se alimentava direito, obrigando-se a viver a base de água e noites não dormidas. Mesmo com as exigências dos médicos e das enfermeiras e surpreendentemente até de Granger, ele não conseguia sair dali. Ele não queria sair dali.
Então ficava junto ao corpo imóvel e quase dolorosamente sem vida. Draco Malfoy estava vegetando... Definhando... Maldizendo-se... Sempre com a mesma pergunta...
Por que, Harry? Por quê você não acorda?
- Ele está sofrendo de Nevralgias. E infelizmente elas são dores freqüentemente intensas que aparecem e reaparecem em algumas regiões do corpo, causando muita dor e desconforto. No entanto, ainda sim... É o de menos, pois pode ser tratado diretamente com alguns medicamentos. O que realmente está nos preocupando é a sua recuperação do Hematoma epidural. O rompimento do vaso sangüíneo sob o crânio o fez perder uma significante quantidade de sangue e apesar da cirurgia que fizemos não podemos ter qualquer certeza de seu resultado.
Coma induzido para privá-lo que sofresse em demasiado.
Coma induzido Harry Potter permaneceu por quase três anos.
On my knees, I'll ask
De joelhos, eu pedirei
Last chance for one last dance
Última chance para uma última dança
Cause with you, I'd withstand
Porque com você, eu confrontaria
All of hell to hold your hand
Todo o inferno para segurar sua mão
I'd give it all
Eu daria tudo
I'd give for us
Eu daria tudo por nós
Give anything but I won't give up
Dou qualquer coisa, mas eu não desistirei
'Cause you know,
Porque você sabe
you know, you know...
Você sabe, você sabe...
That I love you
Que eu te amo
That I have loved you all along
Eu te amei o tempo todo
And I miss you
E eu sinto a sua falta
Been far away for far too long
Estive longe por muito tempo
I keep dreaming you'll be with me
E eu fico sonhando que você estará comigo
and you'll never go
E você nunca irá
Stop breathing if
Pararei de respirar se
I don't see you anymore...
Eu não vir mais você...
- Draco... Eu sei o quanto você ainda está sofrendo por causa dele... Mas por favor... Pense bem... Você pode livrá-lo deste sofrimento. Livrar a vocês dois... Pense em você... Na vida que está deixando para trás...
Eutanásia.
Assassinato.
Como poderiam estar sugerindo que ele...? Depois de três anos acompanhando de perto todas as maneiras e alternativas para que o ajudassem... Lutando, viajando, rodando o mundo inteiro por algum médico que o ajudasse. Já estivera nos Estados Unidos, Inglaterra, Ásia, Brasil, Japão, China, Áustria, Polônia, França, Veneza, Chile e muitos outros; Apenas aguardando alguém que viesse ao seu socorro e livrasse Harry daquele sono permanente por tanto tempo...
Malfoy atualmente estava com vinte e sete anos, assim como também estava o homem adormecido frente a ele. Alugava a casa em que moravam na Itália e mudara-se praticamente pra Alemanha, a um simples apartamento que ficava a umas duas quadras do hospital que residia e mantinha a hospedagem de Harry.
Mudou-se para uma empresa no mesmo país, praticando a antiga profissão nela mesma. Afundar-se no trabalho grandes horas do dia e da noite o ajudava provisoriamente a esquecer. E esquecendo-se ele não sangrava tanto quanto normalmente fazia.
Agora estava ali, novamente retornando aquele quarto cheio de enfeites e pintado com paisagens bonitas para camuflar o ar de desesperança já instalado e rodeado por aquelas quatro paredes de gesso.
Mas algo nesta noite a tornaria contrária a tantas outras noites.
Malfoy retirou o casaco e jogou-o em qualquer parte do chão, aquilo não importaria mais. Depois, desabotoou uns três botões de sua camisa social. Tirou os sapatos escuros e desfez-se da carteira do bolso de trás da calça, também a levando para o mesmo destino que tempos antes tivera seu casaco.
Com passos calmos e tranqüilos se caminhou enfrente a porta de madeira que dava passagem ao corredor do lado de fora do quarto. Caminhou até lá e o trancou. Ninguém entraria. Ninguém sairia.
Depois de tê-lo feito, vira lentamente o corpo e desta vez se dirige a janela que tomava grande parte de toda parede ao lado do leito. Revestida de vidro e cristal, ela permitia a entrada completa de luzes bastante claras e pálidas. Com a Lua em alto penetrando sua energia sob o leito do doente, rodeado por leves clarões pequeninos e demasiadamente brilhantes...
- Nós estaremos juntos, amor.
Sussurra baixinho enquanto seus passos o levam até o espaço em que ficava o leito. Potter permanecia da mesma maneira que há três anos atrás. Não estava melhor ou pior.
Ao lado estava as maquinas que até aquele instante o estavam ajudando a respirar e a continuar vivendo. Malfoy levantou uma das mãos enquanto seus olhos observavam sonhadores o rosto do adormecido moreno, seus dedos tatearam calmos por ela até encontrarem o que procuravam.
Malfoy apertou os botões. Ele desligara as máquinas.
Sua mão caiu pesada ao seu lado e ele a levou até o rosto de Harry. O acariciou como em todas as vezes que estivera ali. Abaixou o corpo e aproximando-se mais, aninhou-se ao lado dele, contornando o peito do moreno com um seus braços e passando outro de modo que Harry mantivesse a cabeça descansada nele e bem perto de si.
Beijou-lhe toda a face carinhosamente como uma última despedida. De ambos.
Apertou o corpo mais perto de si e fechou os olhos, agora desvanecidos em grossas lágrimas.
Perdoa-me Harry...
So far away
Tão longe
Been far away for far too long
Estive tão longe por tanto tempo
So far away
Tão longe
Been far away for far too long
Estive longe por muito tempo
But you know, you know, you know...
Mas você sabe, você sabe, você sabe...
I wanted
Eu queria
I wanted you to stay
Eu queria que você ficasse
Cause I need
Porque eu precisava
I need to hear you say
Eu preciso ouvir você dizer
That I love you
Que "eu te amo"
That I have loved you all along
Eu te amei o tempo todo
And I forgive you
E eu te perdôo
For being away for far too long
Por estar longe por tanto tempo
So keep breathing
Então continue respirando
Cause I'm not leaving you anymore
Porque eu não irei embora
Believe it Hold on to me and, never let me go..
Segure-se em mim e nunca mais me solte..
Virginia Weasley jamais se sentira tão bem disposta em toda a vida! Fazia alguns anos que se sentia como se o Universo finalmente resolvera abrir os olhos e agora estava juntando-se a seu lado, fazendo de seus dias mais alegres e bem mais proveitosos.
No entanto... Quando ia saindo de uma sofisticada loja de roupas e suspensórios, foi atacada por um aperto desconfortável e dilacerante no peito. Levou ambas as mãos rapidamente em seu corpo, derrubando as sacolas de compras na calçada.
O aperto foi aumento, originando uma nova dor. E esta dor foi se tornando mais forte a obrigando se jogar de corpo todo no chão.
As pessoas que passavam a sua volta começaram a se assustar e a se aproximarem para fornecer auxilio ou por saciarem a curiosidade.
- O que... O que está... Acontecendo?... O que?...
Virginia estava agonizando. A dor somente aumentava e seu rosto começara a transpirar. Ora gritava e gemia implorando por ajuda.
Ainda naquele estado ela vê uma rasa figura ultrapassar o pequeno grupo de pessoas sem realmente tocá-los e ajoelhar-se ao seu lado.
Ela pôde reconhecê-lo naquele mesmo instante, apesar de aparentar estar bem mais velho e hostil desde a ultima vez há quase três anos que o vira.
- Me... Ajude... Riddle...
E o feiticeiro vendo-a naquele estado nada disse, nem se mexeu. Aquilo fez nela nascer um sentimento alarmante. Procurava olhar ao redor apenas para notar que ninguém além dela mesma estava vendo o homem ajoelhado perto de si.
- Me.. Ajude...
Retornou a pedir desta vez juntando alguma força na voz. Tom Riddle como se desta vez se prestara a ouvir aproxima seus finos lábios ao ouvido daquela mulher deitada na calçada.
- Eu sinto muito, Virginia. Mas não poderei atender ao seu pedido.
Aquelas palavras a arrepiaram e arqueou as costas tentando a muito custo livrar-se um pouco daquela aflição. Voltou-se novamente para ele, buscando algum consolo.
- Por favor... Eu... Eu não... Agüento... Mais...
Ele manteve-se controlado apesar dos murmúrios e implorações por parte dela. Sem mais se levantou e se preparou para partir. Mas antes lhe dirigiu seu olhar pela ultima vez.
- Lembra-se do nosso acordo, Virginia? Duas almas arruinadas por troca de uma. Eu realizei meu trabalho esperando que ao menos você também cumprisse com a sua parte. E, no entanto, tem andando de cidade em cidade... De país em país... Fugindo de mim. Se escondendo de seu destino. Eu lhe avisei naquela noite que não haveria volta.
- Não... Não...
- Eu viajei por muito longe, vim a procura do que me pertence.
- Não... Por... Por favor...
E ele sorriu, pela primeira vez desde a sua visita a ela. Ele sorriu e desta vez ela pôde visualizar seus dentes afiados e predadores. Ela sentiu medo. Medo, pânico e dor.
Sacudia o corpo freneticamente... Gritava... Implorava...
Até que não lhe restasse nada mais.
Nem lágrimas ou lamentações...
Além da escuridão...
Além das trevas.
