VII – Traga-me de volta...
Ele se sentira sufocado e sem ar. Aspirou fundo abrindo os olhos e logo os fechando novamente para acostumá-los aquela escuridão de pouquíssimo clarão que se encontrava.
Sentiu-se perdido e um pouco dolorido. Não sabia onde estava e também demorou alguns segundos para se mexer. Levantou a cabeça e pôde por fim notar estar sendo abraçado e que de fato havia mais um corpo ao seu lado.
Decaiu seu olhar sobre aquele homem junto a si e sentiu seu coração pulsar, aquecendo seu peito. Sabia quem ele era... De certa forma sabia...
Deitou-se novamente, agora de lado, ficando frente a frente com ele e contornando seu rosto com a ponta de seus dedos. Familiaridade. Passando seus dedos pelas sobrancelhas... Por olhos fechados... Eram azuis. Contornando-o as maçãs do rosto e os lábios... Doces. A face tranqüila e em plena quietude... Mesmo transparecendo algumas peculiaridades cansadas... Ou talvez pouco descuidadas. Os fios dourados produziram sua presença casta e inocente em meio aquele semblante delicado, macio... Conhecido.
Draco.
Sorriu faceiro. Sentindo-se melhor. Aspirou o perfume natural que exalava de seu corpo, algo tão característico e marcante que dificilmente esqueceria novamente.
Admirou-o por mais alguns segundos antes de juntar mais seus corpos, abraçando-o protetoramente pela cintura e beijando-o nos lábios diversas vezes a desejo que ele despertasse.
Entretanto... Não compreendeu no inicio. Draco não respondera em nenhuma das vezes.
Reparou em seus lábios... Seus lábios estavam ligeiramente... Frios...
Passou suas mãos sob o corpo do outro, tateando e apertando de leve para acender alguma reação. Percebeu que este também estava com baixa temperatura no corpo todo, mesmo sob a quentura e conforto do cobertor sobre eles.
- Draco... Draco acorda. Acorda amor.
Levanta o tronco e apóia-se em um dos cotovelos. Chacoalha moderadamente o outro começando a se sentir angustiado. Ainda sem obter respostas se movimenta, sentando-se sob os joelhos na cama, puxando o corpo de Draco para si e balançando-o afim que este despertasse de vez.
Chamava-o pelo nome diversas vezes. Um bolo formava-se em sua garganta e seus olhos preenchidos de duas safiras verdes enchiam-se de lágrimas, criando passagens húmidas por sua face.
- Não faça isso comigo... Por favor, Draco...
Abraçou o corpo do loiro com toda sua força, achando que desta forma ele fosse despertar apenas com o calor de seus braços ou com a seiva do amor impregnado em seu coração e partilhado por sua alma.
Soluçava mordaz afastando as poucas mechas da franja loira para distribuir beijos carinhosos por toda sua face antes de voltar a abraçá-lo, desta vez sendo ele á guardar o corpo desfalecido junto ao seu protetoramente.
Fitou as expressões imóveis do outro... Desejou não ter despertado.
- Draco... Eu te amo. Eu te amo mais que qualquer outra coisa em minha vida. Eu te amo... Mais que este nascer do sol. Mais que uma tarde de outono no parque... Mais que um sorriso em meio à tristeza... Mais que um consolo em meio à dor.
Sussurrava baixinho para apenas e somente ele ouvisse, tudo, atentamente...
Não importava as lágrimas... Os dolentes soluços... A chegada do vazio.
Não importava a menos que ele escutasse.
- Lembra da nossa promessa, Draco? Lembra?... Juntos até o fim. Não importa o que acontecesse. Não importa se nos separassem. Não importa se nos machucassem. Juntos até o fim.
- Você tem que cumprir Draco. Eu quero você de volta.
- Volta para mim. Volta para mim, meu amor.
- E cantaremos e dançaremos juntos a nossa música...
- We'll do it all
Nós iremos fazer tudo
Everything
tudo
On our own
Do nosso próprio jeito
We don't need
nós não precisamos
Anything
de nada
Or anyone
ou de alguém
If I lay here
se eu me deitar aqui
If I just lay here
Se eu simplesmente me deitar aqui
Would you lie with me and just forget the world?
Você deitaria comigo e iria somente esquecer o mundo?
I don't quite know
Eu ainda não sei
How to say
bem como dizer
How I feel
como eu me sinto
Those three words
aquelas três palavras
Are said too much
são ditas muitas vezes
They're not enough
e elas não são o bastante
If I lay here
Se eu me deitar aqui
If I just lay here
se eu simplesmente me deitar aqui
Would you lie with me and just forget the world?
Você deitaria comigo e iria somente esquecer o mundo?
Forget what we're told
esqueça de tudo que nos contaram
Before we get too old
Antes que fiquemos muito velhos
Show me a garden that's bursting into life
Mostre-me um jardim que esteja estourando em vida
Let's waste time
vamos perder tempo
Chasing cars
perseguindo carros
Around our heads
em volta de nossas cabeças
I need your grace
Eu preciso da sua graça
To remind me
Para me lembrar
To find my own
De achar a mim mesmo
If I lay here
Se eu me deitar aqui
If I just lay here
se eu simplismente me deitar aqui
Would you lie with me and just forget the world?
você deitaria comigo e iria somente esquecer o mundo?
Fechei os olhos e me deixei envolver pela cálida sintonia; A voz firme, porém suave e as palavras e frases proferidas cheias de emoção e sentimentalismo barato... No momento, nesta hora, não me parece incomodar.
Meus lábios se moveram lentamente e em pequenos sussurros eu acompanhava a nossa música.
Não me sentia mais predominantemente perdido.
Suspirei ao fim das últimas melodias.
Finalmente o conforto...
... E nós descansaremos em paz.
Você e eu.
Poderia estar sendo imaginação sua, uma leve ilusão criada por seu subconsciente em razão as suas descontroladas emoções sob o impacto daquele trauma. Ver o homem que amava sem vida abraçado a seu próprio corpo.
Queria acreditar... Queria desejar... Ter sido real.
Ter visto os lábios de Draco se mexerem vagamente, quase como se quisessem acompanhar a canção cantada por ele.
- Draco... Draco você está me ouvindo? Volta para mim, meu amor. Volta para a minha vida.
Esperou ansioso... Esperou pelos poucos segundos que pareceram eternidades...
Acariciou-lhe a face novamente e encostou-o sobre seu peito. Alisando seu cabelo e costas.
Suspirou deprimido, afundando-se no silencio. Amargo e sozinho...
- Harry.
Ilusão. Não aceitava a perda. Aquilo não passava de ilusão.
- Harry...
E levantou delicadamente aquele rosto em direção ao seu, sem saber que pensar.
E ele viu... Duas Iris azuis brilhando com vida diante de seu olhar, assumindo o semblante confuso e perdido. Tentando buscar uma explicação para tudo aquilo.
Harry deveria dizer... Explicar... Confortá-lo. Mas a única coisa que conseguiu foi trazê-lo para perto e beijá-lo novamente e dizer entre risos e choros de alegria o quanto o amava.
Desta vez não demorou para que ele fosse prontamente correspondido. E um novo pulsar fosse sentido. Não apenas de seu próprio coração, mas também...
Quando o sol se mantinha ao ápice do dia, Harry e Draco se encontravam sob o estado de observações e cuidados dos mais experientes médicos e enfermeiras do Hospital.
Draco foi enviado com urgência à sala de desintoxicação, os mais céticos ainda não acreditavam que ele pudesse ter sobrevivido a um envenenamento tão poderoso quanto aquele que ingeriu. Simplesmente não havia explicação. Nada que se encaixasse a lógica da realidade.
Harry fora tratado com a mesma urgência. Saído do coma de quase três anos ainda ficaria algum tempo internado até que fossem avaliados seus condicionamentos físicos e psicológicos. Outro grande assunto aos interessados, apesar dos testes realizados até agora não houve maior indicio de anormalidade. O que por si só era demasiadamente raro naquele lugar ou quem sabe em qualquer outro lugar.
Deixando o Hospital há duas semanas atrás, Harry ainda tinha que voltar a pelo menos mais dois dias por semana até a data de dois anos para poderem estar analisando e acompanhando seus desenvolvimentos e seus maiores pregressos.
Eles mantiveram o apartamento de Draco, morando nele provisoriamente até poderem regressar e viverem em paz na Itália. Mas não estavam muito preocupados com isso no momento. Haviam perdido muito tempo. Poderiam se preocupar com o mundo lá fora mais tarde. No momento só existia ele e Draco corados, deitados abraçados e quentes no tapete de pele na sala de estar e travesseiros e almofadas espalhadas aos seus redores, ligeiramente cansados e suados depois de tantas seções de amor.
Draco deitou-se sob o peito do moreno, aconchegando-se ali e sentindo os toques gentis circularem suas costas e nuca. Soltou um longo suspiro jubiloso e sorriu visualizando as feições de Harry, percebendo que este também lhe sorria abertamente com o olhar sonhador.
- Você é tão lindo...
O loiro aceitou o elogio, quase rindo. Estava se sentindo feliz e nada poderia ser melhor que isso.
- Você é perfeito.
Desta vez Harry assentiu, concordando, para logo rir livre da sua falsa falta de modéstia.
- Eu não sou perfeito, meu amor. Você diz isso porque é apaixonado por mim.
- Depois de tudo que passamos Potter, não vejo mais motivo para discordar de você... Por enquanto.
- Então confessa ser apaixonado por mim?
- Confesso que sou apaixonado por você.
E Harry sorriu ainda mais, puxando-o para beijá-lo novamente. Jamais se cansaria de fazê-lo.
Ainda tinham muito sobre que conversar, muitas coisas aconteceram nesse tempo ao longo dos três anos e não sentiam-se receios de discutir. Felizmente o acidente de carro ocorrido há anos atrás não deixara grandes estragos no outro carro, sendo que apenas bateu nele ainda de lado antes de capotar e bater no muro de concreto fixado na estrada.
Hermione e Ronald chegariam amanhã pela tarde trazendo seus filhos para visitarem e conferirem o estado de progresso de Harry. Malfoy lhe contara dos milhares de vezes que a sua família o visitara e o que de certa forma originara-se entre eles – Weasleys e Malfoys – uma respeitável tolerância e com o passar dos meses, certa afeição.
Eles puderam presenciar o estado que Draco ficara e a maneira como se preocupava e cuidava diariamente de Harry. Surgiu a sensibilidade, seguida de um perdão mutuo. Um passo para o convívio em harmonia e civilizado.
Há males que dizem vir para o bem. Para Draco e Harry, ainda tinham muitos anos pela frente e com vontade e certeza fariam valer estes três anos separados para uni-los demasiadamente e confirmar ao mundo e a eles mesmos que o amor é o maior remédio para todos os caprichos do destino... E do ser humano.
Fim.
Acabou!
Muito obrigada aos que se deram ao trabalho de ler e acompanhar! E um obrigada e um carinho muito grande a todas que tiveram trabalho-duplo de comentar!
mfm2885 (obrigada linda, por todos os comentários e por acompanhar ; Adorei! Principalmente porque foi à primeira ameaça de morte direta que eu recebo depois de tanto tempo! Rsrsrs..).
DW03 (muito obrigada pelos comentários Srta! Eu sou totalmente contra mortes em fic... Com exceção a Virginia. risada diabólica).
Maris Johnson (Obrigada pelos comentários, Maris! Eu fui cruel com a Gina, me desculpe... Mas Draquinho sofreu também, ela por certo tempo até foi vingada! L³³)
Fleur ( Obrigada pelos comentários, Fleur! Blaise e Pansy agradecem! XD)
Srta.Kinomoto (Obrigada pelo comentário Srta! Sempre tive um desejo mórbido de fazê-la sofrer de algum modo XD)
Até Mais Breve!
P-chan
