2. Onne

O rei Peacecraft estava em seu escritório analisando alguns documentos, quando é interrompido por batidas na porta. Apos ele conceder permissão, a porta se abre, dando espaço para a entrada do duque...

- Bom dia majestade!

- Bom dia duque. Em que lhe posso ser útil?

- Bem... O senhor já me ajudou muito, permitindo minha hospedagem em seu castelo, por causa disso vim me despedir...

- Ah sim... Não há de que. Mas, creio que tem algo a me falar.

- Como sempre um rei sábio. Sim. Na realidade, tenho uma pergunta e um pedido.

- Pois diga. Talvez eu possa respondê-lo. E quem sabe conceder seu desejo?

- Pois... Eu fiquei muito interessado nesse jovem, a quem chamam de Onne... Ele me disse não ter família. Estou certo?

- Corretamente. Onne foi encontrado por nós há quatro anos. Perdido e machucado no meio da floresta. Desde então eu o trouxe para o castelo, minha filha se apegou muito a ele e ele a ela!

- Sim... Pude perceber...

- Ainda não sei aonde quer chegar duque...

- Bem... Como eu disse, tenho um grande interesse nesse rapaz. Qual a função dele em seu reino, majestade?

- Bem. Onne ajuda os capatazes às vezes, faz alguns serviços de entregas ou compras para nós... Mas a maior e mais importante função dele é fazer companhia para minha filha...

- Eu estou interessado em comprá-lo do senhor majestade!

- Como?

- Gostaria de levar Onne embora comigo!

- Desculpe duque, mas, primeiro eu não vendo ninguém e segundo não sei se seria do agrado de minha filha!

- Eu farei o que o senhor quiser majestade. Mas, por favor, me permita levar o Onne comigo!

A atitude do homem estava deixando o rei muito intrigado...

- Posso saber o motivo de tanto interesse no rapaz?

- Bem... Digamos que ele tem o perfil exato que eu procurava.

- Perfil? Para que?

- Ele é forte, determinado, guerreiro. Preciso de alguém como ele, para trabalhar para mim!

- Mas ele é só um rapaz. Uma criança de dez anos...

- Ótimo. Melhor ainda. Poderei moldá-lo do meu jeito. Permitirá que ele venha comigo, majestade?

- Bem... Isso quem deve decidir é ele. Não eu... Agora se me der licença!

- Sim. Desculpe tomar tanto de seu tempo majestade... Retiro-me.

O rei observou o duque partir. Ele realmente ficou intrigado com a conversa. Mas, ir contra a vontade de sua filha... Seria perigoso demais!

- Acho que eu preferiria enfrentar um exercito inteiro a enfrentar minha filha nervosa! – O rei pensou e respirou fundo antes de voltar a olhar os documentos...

-/-/-

Relena estava em sua aula de piano. Por causa disso Onne ficou a espera do termino, para poder sair com ela. Ele se encontrava na cozinha. Pensativo, encostado no batente da porta. Pensando no tal duque...

- Onne? Onne? Acorda...

- Hãn? Que foi?

- Eu quem pergunto... Você parece estar no mundo da lua. – Disse uma das empregadas.

- Ah sim... O que deseja?

- Bem... Jovem Otho acaba de chegar. Vá recebê-lo.

- E porque eu?

- Bem... A princesa ainda não terminou sua aula... Sabe que ele detesta esperar.

- Sim... Mas, porque tem que ser eu? Eu o detesto.

- Você não é ninguém aqui para detestar o filho do conde. Então vá agora mesmo recebê-lo.

- Hum...

Onne foi contrariado. Ele sabia muito bem que não era ninguém no reino, que um dia, Relena cresceria e se casaria com outro. Possivelmente Otho. E isso fazia com que ele o odiasse mais ainda. Fora o fato de Otho ser arrogante e menospreza-lo o tempo todo.

-/-/-

Onne entra na sala e encontra-se com Otho. Otho tinha 11 anos, cabelo e olhos negros. Ele olha para Onne com descaso.

- Bom dia? – Onne tenta ser cortez.

- O que tem de bom? – Otho responde com arrogância.

- Realmente, depois de te ver não tem nada de bom...

- Como ousa me desrespeitar se insolente?

- Ai... Vai começar com o chilique?

- Você realmente não passa de um qualquer, que fica mendigando a atenção de Relena...

- Seria melhor, o senhor, medir suas palavras. Afinal, não aceitarei seus insultos Otho. Você não é nada da Relena!

- Princesa Relena para você. E futuramente, posso vir a ser seu esposo!

- Isso. Só por cima do meu cadáver!

Nesse momento. Puderam ouvir o som do piano cessar. Onne então, encarou novamente Otho antes de sair da sala e ir de encontro a Relena para avisar-lhe sobre a visita de Otho.

Nem Onne e nem Otho, perceberam a presença de uma outra pessoa no locar. O duque observou claramente toda discussão, escondido atrás da porta. Seu olhar era de satisfação e um leve sorriso no rosto.

Após Onne sair. O duque se aproximou de Otho...

- Você não se acha muito arrogante, para um garoto?

- Quem é o senhor?

- Desculpe... Sou o duque J... E pude presenciar sua discussão com o rapaz!

- Desculpe minha rudez senhor. É que eu o considero muito intrometido.

- Por favor, não se desculpe. Isso me será muito útil.

Otho observou o duque sem entender nada. Que ele não gostava de Onne era fato. Pois em sua opinião, os plebeus não deveriam se misturar com a realeza. Mas, fora isso ele não tinha nada contra Onne, ao contrario, sabia o quanto ele era de confiança para a família real...

- Creio não ter entendido senhor...

- Não necessita entender meu jovem...

Nesse instante, eles são interrompidos por Onne e Relena que entram na sala...

- Bom dia Otho... – Disse Relena sorridente.

- Bom dia princesa. Como tem passado?

- Muito bem obrigada! E você?

- Bem.

Onne observava os dois conversarem, com pesar. Tinha medo de um dia ser trocado por Otho. O duque não perdia de vista nenhuma expressão de Onne. Ele estava com um plano em mente e não perderia a oportunidade...

- Desculpe-me... – Todos se voltaram para o duque. – Eu acho que estou a mais aqui. Devo terminar de prepara minhas coisas para a viagem. Se me permitem...

- Claro duque, sinta-se a vontade. – Respondeu amavelmente Relena.

- Obrigado princesa. É... Será que Onne poderia me acompanhar? Precisava de sua ajuda...

- Hum... Por que eu? – Onne não gostou da conversa.

- Por favor... – Disse o duque.

- Se quiser pode ir Onne... Estarei aqui quando você voltar! – Relena sorriu.

- Está bem. Mas, que seja rápido.

Dito isso, Onne se retira juntamente com o duque...

-/-/-

Ao entrarem no quarto de hospedes, Onne pode notar que todas as malas do duque já estavam prontas. Então desconfiado, perguntou.

- Porque me trouxe aqui? O senhor não necessita de mim para nada!

- Ai que você se engana meu rapaz... Preciso muito de você...

- O que quer dizer?

- Tenho uma proposta a lhe fazer...

- Que tipo de proposta?

- Uma que vai mudar sua vida...

- Hum...

- Preste atenção!

- Hum...

- Você não tem família nenhuma. Nem mesmo um verdadeiro nome. É apaixonado pela princesa, mas nem status tem para competir em igualdade com Otho. Tem complexo do seu passado e medo de no futuro, não poder ficar com a princesa... Estou certo?

- Aonde quer chegar?

- Eu posso mudar esse quadro!

- Hum...

- Se você quiser... Posso mudar tudo isso. Mas, para isso, terá que ir comigo!

- Como posso saber que você não está me enganando...

- Não tem como. Terá que confiar em mim...

- E por quanto tempo eu teria que ficar com o senhor?

O duque deu as costas para Onne. Respirou fundo e esboçou um leve sorriso, cheio de idéias... Até que respondeu:

- Dependerá do seu desempenho...

- Que garantia terei de voltar a ver Relena?

- Voltará... Pode ter certeza que voltará a vê-la!

- Hum...

- Se você estiver disposto a aceitar minha oferta. Prepare-se, pois sairemos hoje mesmo de viagem. E não deve contar nada a ninguém!

- Como assim? Não posso ao menos, me despedir de Relena?

- Pode se despedir de quem você quiser. Mas, não pode contar o motivo de sua partida... Confie... Não se arrependerá!

- Hum...

- O que me diz rapaz... Não se preocupe você não passará necessidade alguma e muito menos trabalhará como um escravo...

- Eu... Eu... – Onne respirou fundo. Pensou. O fato de ter uma chance de estar apto para ficar com a princesa no futuro, pesou muito. – Bem... Eu aceito.

- Ótimo. – O duque sorriu. – Prepare-se. Partiremos em duas horas...

- Está bem... – Onne se retira.

-/-/-

Onne se encontra perante o rei, pedindo desculpas e permissão por sua partida.

- Onne você tem certeza?

- Sim majestade...

- Mas, por quê? Tem algo que eu deveria saber?

- Não senhor. Só pretendo partir por um tempo. Logo estarei de volta!

- Partir? – Perguntou Relena, que havia acabado de entrar no escritório do rei.

- Princesa... – Disse Onne.

- Que historia é essa de partir? – Ela estava perplexa. E o medo começou a se apossar dela.

- Majestade? – Onne voltou a olhar para o rei, a espera de uma resposta. – O que me diz?

- Permissão concedida... – Disse o rei. – Espero vê-lo novamente logo. Não demore!

- Obrigado...

Onne saiu apressado do escritório, sendo seguido por Relena...

- Espera Onne... Por favor... Espera... – Ela já estava em lagrimas.

Ao chegarem do lado de fora do castelo, onde o duque já o esperava dentro da carruagem, Onne se vira para falar com Relena...

- Princesa eu tenho que ir...

- Não... Por favor... Não vá... – A voz dela quase não saia devido ao choro.

- Eu voltarei um dia. Por favor, não me esqueça...

- Eu não... Poderei... Nunca... Te esquecer!

- Eu te amo, minha princesa!

Onne depositou um leve beijo nos lábios dela. Após se separarem, ele correu para dentro da carruagem e partiu. Relena tentou inutilmente correr atrás dele. A ultima coisa que Onne ouviu foram as ultimas palavras que ela gritou...

- ONNE! ONNE VOLTA...

...Continua...

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