7. Mal entendido
Um vulto ágil se move no meio da noite, pelos corredores do palácio. Pára em frente à porta de um dos quartos e a abre com cuidado, para não despertar a jovem que está dormindo.
Ele pára e começa a observar ela dormir. Aproxima-se mais e encosta aos pés da cama. Com olhos gentis e apaixonados ele a vê. Como se estivesse decorando cada detalhe do rosto dela.
- Então você está aqui?
Ele virasse ao ouvir o sussurro do homem que acabou de chegar à porta do quarto. E vendo-a aberta, entra.
- O que você quer?
Ele responde também em um sussurro ao homem. Para assim não acordar sua amada.
- Heero, você está nervoso?
- O que você acha?
- Não deveria... Ela já está aqui!
- Agora... Mas, só eu sei o que passei esperando por esse momento!
- Venha... Vamos sair antes que ela acorde.
- Sim...
Heero e o homem saem juntos do quarto de Relena. Ela não havia despertado. Eles entram no quarto de Heero e fecham a porta para conversarem.
- Heero... O que irá fazer? Contará a verdade?
- ...
- Já se decidiu?
- Não sei...
- Bem. E se descobrirem?
- Paciência... Que isso só ocorra, após meu casamento! Antes não.
Heero dirigiu uma mirada ameaçadora ao homem. Podia-se ver claramente que ele não estava para brincadeiras. E suas ordens deveriam ser cumpridas, custe o que custar.
- Como queira... Que seja feita sua vontade! Agora se me der licença... Retiro-me.
Heero respirou fundo, após a saída do homem. Ele estava cansado. Mas seu cansaço não era físico e sim psicológico. Caminhou até a cama e caiu pesadamente sobre ela. Fechou os olhos na tentativa de dormir, torcendo para não pensar em mais nada naquela noite.
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O dia amanhece chuvoso. A chuva que caia dava uma sensação de moleza nas pessoas. Ninguém queria levantar de suas camas. Com exceção de uma pessoa que já estava de pé... Heero estava em sua banheira, com água fria. Seu desejo era poder esquecer tudo o que o atormentava.
- Não consegui dormir a noite toda... O que devo fazer? Não consigo esquecer o que houve... Muito menos te...
Ele falava em voz baixa, só para ele escutar. Essa era sua forma de desabafo. A água fria o acalmava. Mas, havia deixado de ser suficiente...
Ele sai de sua banheira e se veste. Suas roupas habituais, uma camisa branca, uma calça preta, com botas pretas e seu cinturão que suspendia sua espada. Penteou o cabelo, para em seguida, passar a mão o deixando esvoaçado. Era assim que lhe agradava. Ele já estava pronto, quando batem em sua porta.
- Entre... – Falou sem emoção.
- Heero? – Disse Zechs ao entrar no quarto. – Precisamos de você!
Heero assentiu com a cabeça e saiu com o amigo.
-/-/-
Eles caminhavam apressadamente pelos corredores do castelo, desceram as escadas e entraram no salão principal do trono. Ali estavam presentes os amigos pessoais que também eram tropa de elite dele. Também havia um homem de joelhos e amarrado no chão.
- O que aconteceu? – Heero perguntou para seus amigos.
- Ele é o cara que você estava procurando. – Disse Trowa sem rodeios.
- Como? – Heero não havia entendido. – O cara que eu procurava?
- Sim... O namorado perfeito... Aquele que gosta de espancar sua mulher. – Disse Duo com sarcasmo.
- Hum... Agora entendi! Finalmente nos encontramos... – Heero estava insensível.
O homem estava com medo. Heero era conhecido por muitos por ser um rei excelente, mas frio. A paciência e a pena, não fazem parte do seu perfil. Heero olhou para Wufey, quem entendeu de imediato o recado.
Wufey foi até a porta do salão e a fechou. Quando Heero queria punir alguém era assim que ele agia. E as únicas pessoas que sempre estavam presentes eram seus amigos e soldados de confiança. Zechs, Duo, Trowa, Quatre e Wufey.
Heero se aproximou mais e agachou perto do homem. Seu olhar era frio e sua expressão, desprovida de bondade.
- Seu nome... – Perguntou ao homem.
- Jô... Jonathan... Majestade.
- Jonathan... O que devo fazer com você? Você é famoso pelos maus trados com sua esposa. Agressão física em vários sentidos da palavra. Alcoolismo. Entre outros... Seu curriculum está grande não?
- Perdoe-me majestade... Por favor, perdoe-me.
Por incrível que pareça, o pedido de perdão do homem só estressou mais ainda a Heero. Se tinha uma coisa que ele detestava era pessoas covardes. Principalmente homens que eram corajosos com mulheres, mas perto de outro homem se acovardavam. Cada palavra que Heero pronunciava era dita em uma calma aterrorizante.
Heero deu um tapa com as costas da mão no homem, tão forte que o fez cair e sangrar. Os demais assistiam a cena com satisfação.
- Como ousa me implorar perdão? Você realmente é um covarde! Seu frouxo.
- Eu não tive culpa senhor... Ela... Ela me desobedeceu.
- Ela te desobedeceu? – Os olhos de Heero eram mortais. – Como pode ser tão ridículo?
Heero deu um chute com força no estomago do homem. Esse gritou de dor e cuspiu sangue.
- Pare... – Disse o homem, quase chorando.
- Pare? – Heero sorriu maldosamente. – Por acaso você pára quando sua mulher pede?
Nesse momento o homem arregala o olho e olha com terror para o rei. Ele sabia muito bem que seu castigo seria terrível.
- Eu farei você se arrepender de tudo que fez a sua mulher ou a qualquer pessoa que estava em condições abaixo da sua.
- Se... Senhor?
- Pessoal... Dê-lhe o que ele merece!
Os cinco se entreolharam com satisfação. Levantaram o homem e começaram a arrastá-lo para fora. Heero os seguiu calmamente. Quando eles saíram do salão, imediatamente a equipe de limpeza entrou para poder limpar qualquer vestígio de sangue do local.
Todos sabiam que apesar de toda atenção de seu rei, Heero também sabia ser muito mau, quando queria. Os empregados, vendo o homem sendo arrastado, começaram a cochichar entre si. Tinham certeza que o homem ia morrer.
O que ninguém percebeu, é que ao longe estava uma bela mulher de cabelos curtos vendo toda a situação. Noin olhava a cena pasma. Ela não sabia o que estava ocorrendo, mas sabia que o tratamento com o homem não estava sendo nada gentil. Ela sobe as escadas correndo.
-/-/-
- Relena! – Diz Noin entrando aflita no quarto da princesa.
- Que foi Noin? O que aconteceu? – Relena ficou preocupada com a atitude da amiga.
- Eu acabei de ver o rei e seus homens de confiança arrastar cruelmente um homem...
- Como assim? – Relena ficou confusa com o que ouviu.
- Isso que acabei de dizer... Não sei o motivo, mas, o tratamento era cruel... O homem estava machucado e era arrastado sem nenhum cuidado por eles... Heero estava com um olhar frio.
- Tenho que ver isso!
Relena sai do quarto às pressas sendo seguida pela Noin. Elas descem as escadas e começam a perguntar para onde eles haviam ido. Mas, os empregados não queriam responder a pergunta delas. Sabiam que se Relena não gostasse do que visse, o noivado poderia acabar.
Mesmo assim, elas continuaram a procura pelo castelo, até que ouviram gritos. Seguindo o som, chegaram a uma porta que estava fechada. Não se dando por vencidas, Relena bate firmemente na porta e é atendida por um soldado.
Ao vê-la o homem se põe pálido. Relena e Noin com fúria abrem à porta e a cena não lhes agrada. O homem estava amarrado a um tronco, sendo fortemente chicoteado por Wufey. Zechs, Duo, Trowa, Quatre estavam de pé assistindo a cena com satisfação, enquanto Heero estava calmamente sentado, tomando um copo de vinho. Ao verem as duas, eles não sabiam o que fazer. Zechs ficou pálido e Heero só pode pensar em matar a pessoa que as guiou até ali.
Ao ver a cena. Relena e Noin olham incrédulas para eles. Relena então, respira fundo e seu semblante muda para raiva e fúria. Noin, apesar de estar incrédula, se assusta muito mais, com o olhar que Relena da para Heero. Era uma cena muda. Ninguém tinha coragem de dizer nada. Todos estavam apreensivos com o que iria acontecer. Relena da meia volta e sai andando. Seus passos eram firmes e decisivos. Heero sai correndo atrás dela.
- Relena... Relena espera!
Ela não parava e a cada momento aumentava o ritmo dos passos. Ele se enfurecendo com a atitude dela, ordena.
- Princesa Relena Peacecraft! Eu ordeno que pare imediatamente!
Ao ouvir as palavras dele, ela entendeu que já não era o Heero, mas, sim o rei que falava com ela. E ao rei ela devia respeito e submissão. Relena pára bruscamente em frente à porta da sala do trono. Heero se aproxima, a agarra pelo braço com força e sujeita a entrar.
Após entrarem, ele tranca a porta atrás dele. Para então se virar e exigir uma explicação...
- O que estava fazendo?
- ... – Ela não respondeu. Limitou-se a continuar em sua pose de princesa.
- Eu perguntei o que você pensa que estava fazendo? – Ele estava muito nervoso. Seu tom de voz era ríspido, mas, ele tentava não gritar.
- Eu faço-lhe a mesma pergunta majestade! – Ela disse com altivez.
- Quem você pensa que é para me enfrentar, princesa?
- Eu sinceramente não sei. Até ontem era sua noiva... Hoje já não sei!
- Hoje, assim como ontem e durante as próximas duas semanas continuará sendo minha noiva. Daqui duas semanas, será minha esposa!
- Será?
Relena faz uma pergunta que desagrada imensamente a Heero. Ele a segura pelo braço e olha dentro dos olhos dela.
- Eu não estou perguntando. Estou afirmando!
- O que você estava fazendo àquele homem?
- Isso não é problema seu...
- E por que não? Afinal, não sou sua noiva?
- É sim... E em duas semanas estaremos casados. Por isso, deixe os problemas do reino comigo!
Ele a solta e vira de costas para ir embora quando ela continua.
- E qual foi o pecado que ele cometeu para ser tratado tão cruelmente?
- Isso não é problema seu!
- Eu me recuso a casar com um homem que não me conta as decisões dele!
A ultima frase dela o surpreendeu. Ele esperava tudo, menos que ela pusesse o noivado deles em jogo. Heero sentiu um medo incontrolável de perdê-la. Virou-se para ela e respondeu.
- Você... Você seria capaz de me largar por causa disso?
- Sim... Se não sou importante, nem para saber o motivo de tanta crueldade... Seria capaz!
- Tudo bem... Quer saber? Eu estou dando para ele, o mesmo tratamento que ele da para a própria esposa.
- Como? – Relena estava atônita.
- Isso mesmo que você ouviu. Mas isso, era problema meu. Não seu... Eu pretendia te contar sim... Mas, não agora! Não era a hora. Mas, já que você queria saber... Esse é o motivo da minha crueldade. Está feliz?
- Eu... Não imaginava... – Ela ficou cabisbaixa.
Heero passou a mão pelo rosto, tentando espantar a irritação. Respirou fundo e se aproximou novamente dela. A abraçou e encostou a cabeça dela em seu peito...
- Nunca mais duvide de mim, meu amor... Eu nunca te machucaria... Minha princesa!
- Desculpa... Mas... Tive medo de...
- Confie em mim!
Relena o olhou surpresa. - "Minha princesa... Confie em mim..." Eram palavras do Onne. Palavras que ele me falava direto". - Pensou
- Algum problema? – Ele perguntou ao ver o olhar dela.
- Você me lembra alguém...
Heero não disse nada. Seu olhar se fixou no dela e seu semblante se misturou com medo, conforto, surpresa, tristeza e alegria. Ela notou a hesitação dele.
- Eu... Te lembro alguém?
- Sim... Muito!
- Quem?
- O homem que amei...
- Não ama mais?
- Não sei...
Heero respirou fundo. E concluiu...
- Então... Esperarei até que saiba.
Dito isso, depositou um beijo nela e saiu. Relena ficou na sala. Confusa, sem entender o que havia passado. E o que ele havia querido dizer.
...Continua...
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Senão, acho que vou parar de publicar as fics... O que acham?
