Dani Jane Granger: Acho que depois desse capitulo você não vai ter tanta pena do Harry assim, hahahaha.
Harry realmente se espanta, mas não tanto quanto Hermione no fim desse capitulo.
Espero que continue gostando, e obrigada pela review.

Monika Granger: Essas também são minhas partes favoritas!
Quem dera eu tivesse no lugar de Hermione, acho que eu ia pedir pra ter um dele em casa! hahahahaha
Obrigada Monika, e continue lendo que eu tenho certeza de que vai gostar!


Primeiro, obrigada por lerem e comentarem!
Eu gosto desse capitulo, mas prefiro o próximo,
portanto comentem se gostaram da fic para que
eu poste o próximo capitulo e ver se vocês vão gostar tanto quanto eu!
(Mas duvido que não vão gostar! ;) )
Romance à todos e comentem!


Capítulo II - The Cure...

Hermione procurou o taco de beisebol no chão e o agarrou enquanto observava o homem olhar ao redor do quarto em aparente confusão, como se não acreditasse.

— O que é isso? — gritou ele. — Onde está o quadro-negro? Minhas anotações? Meu Deus, quem instalou esse maldito lustre elétrico aqui, e o que a senhorita fez com as minhas anotações?

— Olhe — disse ela, segurando o taco bem a sua frente. — Não faço idéia de quem o senhor seja, ou sobre o que está falando, mas…

— Minhas ferramentas! — gritou ele, virando-se e passando a mão pelo cabelo negro. — Que diabos a senhorita fez com as minhas ferramentas? E minha escrivaninha? Onde está a mesa de tia Hattie?

O homem estava desorientado. E não era só mentalmente. O rosto estava pálido e muito magro, e circulas escuros envolviam seus olhos,

— Graças a Deus — disse ele caindo de joelhos, segurando a pequena caixa. — O aparelho está a salvo. — Ficou com a aparência ainda mais confusa do que antes. — Mas ainda não tinha terminado.

Ela queria fugir do quarto, naquele instante, correr pelo corredor para agarrar James e tirá-lo de casa. Mas como o homem de joelhos no meio do quarto estava olhando para ela, achou que ele poderia estar se lembrando… A dor que sombreou seu rosto disse mais do que palavras. Mesmo assim, ele falou, olhando para ela.

— Seu nome é Hermione.

Ela assentiu. Dizia para si mesma que deveria fugir, chamar ajuda. E repetia em seu íntimo que não deveria ir até ele e tentar ajudá-lo a resolver a confusão que estava estampada em seu rosto.

— E o menino… É seu filho… Não é Benjamin.

— Isso mesmo. Você se lembra, então.

— Lembro de Benjamin… Meu pequeno Benjamin… — Envergou a cabeça, e os ombros tremiam. — Ele está… morrendo. Como pude me esquecer disso, mesmo por um momento?

Hermione piscou. Morrendo? Ele tinha um filho, que se parecia com o seu, e aquele filho estava morrendo?

— Meu Deus — sussurrou ela, deixando o taco cair, produzindo um barulho. — Meu Deus, dá para imaginar por que está tão confuso. — Cautelosamente, ela andou para frente. E quando chegou perto dele, tocou-lhe o cabelo, tirou mechas do rosto e sentiu as lágrimas.

Os braços envolviam as pernas, a cabeça descansando nas coxas.

— Queria voltar para poder salvá-lo. Para antes de ele ser exposto ao maldito vírus. Mas falhei. Um erro de cálculos. Fracassei, e agora vou perdê-lo para sempre.

Mais uma vez essa conversa louca. Mas será que ficaria sã se perdesse James? Um leve arrepio passou por sua espinha, mas continuou lhe afagando o cabelo. Essa situação lembrava a de Harry Potter. Essa confusão era surpreendente.

— Está tudo bem — sussurrou ela, já que um nó na garganta a impedia de falar mais alto. — Tudo vai ficar bem. Vou ajudá-lo. Ok?

Ele não disse nada. Mas ela sabia que estava arrasado. Ele olhou para ela, tremendo, chorando, confuso e sentindo uma dor terrível.

— Qual é o seu nome? — perguntou ela.

— Harry. Harry Potter.

O corpo dela enrijeceu, e ele deve ter sentido, pois se afastou. Ele esfregou a mão na testa, como se tentando fazer passar uma dor de cabeça latejante, e então, lentamente, levantou-se.

— Eu sinto muito. Estou caindo aos pedaços. O que deve estar pensando?

— Estou pensando — disse ela, escolhendo as palavras — que o senhor passou por algo terrível e que isso o deixou confuso.

— Louco, a senhora quer dizer.

— Claro que não.

— Você me olha como se fosse louco.

— Bem… Eu… Olhe, é que Harry Potter teria quase 150 anos hoje.

Ele parou de andar, brincando com a caixa preta.

— Harry Potter tem 35 anos. Ele nasceu em 1862.

— Isso não faz o menor… Em que o senhor está mexendo? — Ele olhou para cima e piscou.

— Então a casa pertence a você agora?

— Sim, a mim e ao meu filho.

— O seu marido… Ele está em casa? Posso falar com ele?

— Eu não tenho… — Ela mordeu o lábio, desviando o olhar. Desde quando o manual de sobrevivência do século XIX aconselhava as mulheres a dizerem que estavam sozinhas? — Ele não está agora.

O homem que dizia ser Harry Potter baixou o olhar. Para a mão esquerda dela, o que ela percebeu.

— Você não é casada, é?

Ela não respondeu e ele balançou a cabeça, pensando, e olhou para a caixa mais uma vez. E então, ele oscilou, piscou como se a visão estivesse embaçada.

— O senhor não está bem.

Ele respirou fundo para fortalecer-se e sentou-se na beirada da cama.

— Não. Fisicamente não estou bem. Efeitos colaterais, suponho. Não esperava que fossem tão fortes.

— Efeitos colaterais… Por quê?

— Você vai correr para chamar o hospício se seu disser. Mas acho que não tenho muita escolha. Preciso de você, Hermione. Mas não sei como fazê-la entender. Venha cá.

Ela piscou e deu um passo para trás, olhando enquanto ele dava tapinhas na cama ao seu lado.

Ele franziu o cenho, e depois as sobrancelhas se arquearam e ele assentiu.

— É verdade. Acho que não fui um cavalheiro quando a encontrei aqui mais cedo, não é mesmo? — E os olhos dele, por alguma razão, fixaram-se nos lábios dela, e ficaram lá por um instante. — Não sei o que foi aquilo, Hermione. Algum tipo de lapso de memória. Efeitos colaterais, como eu disse. Fiquei lembrando de uma época em que dois colegas contrataram uma… Não importa. Peço desculpas. Por favor, venha até aqui. Se ficar aí, pode se machucar quando lhe mostrar o que este aparelho faz.

— O que é isso, algum tipo de arma?

— Não, não é isso. Só quero mostrar como cheguei aqui, porque se eu contar, vai achar que sou louco e me jogar para fora antes que eu possa provar.

Ela deu em um passo em direção a ele, que estendeu uma mão.

— Sou Harry Potter, Hermione, e se vier até aqui, provarei isso.

Suspirando, ela pegou o taco de beisebol. Ele olhou para o taco, levantando uma sobrancelha. Hermione foi até ele e sentou-se ao seu lado.

— Suponho que vai me dizer que viajou cem anos no tempo, e que este pequeno controle remoto é a máquina do tempo.

— Como você poderia saber…

— Ah, todo mundo aqui sabe sobre Harry Potter. Ele foi um gênio. Um homem anos-luz à frente de seu tempo. Mas ficou um tanto louco depois que… — A voz dela falhou e ela perdeu o fôlego.

— Depois que o filho dele morreu. É, acredito que fique mesmo se isso acontecer. Mas, não tenho nenhuma intenção de deixar isso acontecer. — Ela arregalou os olhos enquanto o encarava. Ele olhou para as próprias roupas. — Estou com essas roupas a noite toda, tal como me deitei com ele. Não é de se admirar que esteja com medo de mim. Pareço um vagabundo qualquer. Não esperava encontrar ninguém aqui… Exceto Ben e talvez a Sra. Haversham.

— Pare de falar desse jeito. Parece…

— Louco? Eu sei É o que todos os meus colegas ficam dizendo. Que viajar no tempo é impossível. Que eu estava desperdiçando meu talento trabalhando nisso. Eu estava perto, bem perto há meses. Quando Benjamin ficou doente… Mudou algo em mim, me deu uma força… Extra.

Ela balançava a cabeça, ainda afastada. Mas a mão dele se aproximou, pegou o pulso dela e a trouxe para perto de si. Com aquele controle remoto engraçado, ele apontou.

— Aquele ponto ali, aproximadamente um metro acima do chão, em volta do qual esta casa foi construída… Ali há uma dobra invisível no tecido do tempo. Um portal. E eu posso abri-lo.

O polegar dele tocou o botão no controle remoto, e ela escutou um zumbido. Uma faísca apareceu no ar, no centro do quarto.

— Minha intenção era voltar no tempo. Apenas alguns meses. Queria ir até Benjamin antes de ele ser exposto ao vírus, e levá-lo para longe antes de ser infectado. Queria salvá-lo. É claro que você consegue entender isso, não consegue? Apenas algumas horas atrás, você queria me atingir com um taco para salvar seu próprio filho. Faria qualquer coisa por ele. Você sabe que faria.

Ela não gostava do brilho nos olhos dele, ou a força com que apertava seu braço. Ela tentou puxar o braço, mas ele se levantou, a puxou e apertou contra si. O braço livre agarrou a cintura dela e a manteve imóvel. Os dedos da outra mão mexiam no mostrador da pequena caixa, que começou a zunir. Mas a luz permaneceu a mesma.

— Eu o estraguei — disse ele, enquanto virava o mostrador com a mão livre. Meus cálculos deram errado e eu vim para o futuro em vez de para o passado. E não só alguns meses, mas um século.

Virou o mostrador mais uma vez, aumentando a força com que segurava a cintura dela. Ela balançou a cabeça, mas desistiu de lutar.

— Não pode ser.

Harry virou o mostrador mais uma vez, mas a luz só acendeu mais forte por um instante e depois apagou. Por um longo momento, Hermione apenas observou o lugar em que a luz estivera.

Ele mexeu na caixa, mas nada aconteceu.

— Droga. Estava esquecendo… Não estou maluco — murmurou ele, e ela percebeu que ele ainda estava segurando-a. Suas costas aninhavam-se intimamente ao corpo dele, cuja mão permanecia em sua cintura. — O aparelho precisa de tempo para recarregar. Como pude esquecer disso? Não sei. Três dias e lhe mostrarei algo que nunca vai esquecer. Sou exatamente quem digo ser. Juro. E preciso de você. Preciso que deixe eu ficar aqui até que o aparelho recarregue e eu possa voltar para o meu filho.

Ela virou-se nos braços dele e o encarou bem nos olhos e soube, sem dúvida, que esse homem acreditava completamente em cada palavra que dizia. Esse pobre louco — e lindo.

— Você não vai me expulsar. Sei que não vai. Posso ver bondade em seus olhos.

— Você precisa de ajuda. Deixe-me ajudá-lo.

Ele fechou os olhos, e os ombros caíram para frente como se estivesse muito exausto para continuar.

— Pelo menos — murmurou ele — deixe-me ficar até de manhã. Até lá, pensarei em um jeito de fazê-la acreditar. Estou muito cansado agora. Não consigo pensar.

— Tudo bem. — Burra, disse para si mesma. Burra por deixar esse louco ficar a noite toda. Mas não podia expulsá-lo, não com aquele sofrimento nos olhos.

O alívio no rosto dele foi inacreditável. Ele a puxou para mais perto e a abraçou.

— Obrigado, Hermione.

Harry refletia que ela talvez fosse a mulher mais generosa que já conhecera. Ela sugerira que ele devia descansar e expressara preocupação com a saúde dele antes de se recolher. Verdade seja dita, estava mais do que apenas um pouco preocupado consigo mesmo. Aquele lapso de memória… E essa fraqueza incessante, e a vertigem recorrente. Passar pelo portal lhe causara alguma alteração física, e ainda não tinha certeza da extensão do dano. Pegara no sono instantaneamente e só acordou agora, com o sol já nascido. E ainda se sentia exausto e doente. A cabeça doía. Mas não tinha tempo a perder deitado, esperando melhorar. Pelo que sabia, devia piorar, e não melhorar. Decidiu que seria melhor trabalhar imediatamente.

Trabalhar? Mas que trabalho? O que poderia fazer? Nada, a não ser esperar. Não poderia voltar para sua época até que o aparelho fosse recarregado. Então ficaria aqui por três dias, incapaz de fazer algo pelo filho.

Não era motivo para perder as esperanças, apenas um imprevisto. Esperaria e depois voltaria para o momento exato do qual viera. A saúde de Benjamin não teria tempo de piorar. E de lá, Harry simplesmente recomeçaria. Faria alguns ajustes e tentaria de novo. Enquanto isso, havia muito pouco que pudesse fazer. Parecia que sua tarefa principal seria provar a Hermione quem ele era, convencê-la a deixá-lo ficar, visto que não tinha outro lugar.

Isso. Teria de convencer Hermione a deixá-lo ficar. Felizmente, pensou, influenciar mulheres era uma de suas especialidades. Perdendo só para a ciência, claro. Ou pelo menos, fora assim um dia. Imaginou se conseguiria reunir charme suficiente para dominá-la. Teria de tentar. Havia mais em jogo do que uma conquista. Havia Ben. Benjamin estava a salvo… Por enquanto. Então Harry estava livre para lidar com o problema que tinha em mãos.

Olhou para suas roupas amarrotadas. Primeiro tomaria um banho e trocaria de roupa. Sua bolsa ainda estava no chão, onde a jogara assim que chegou. Então, pelo menos, tinha as anotações mais recentes, que rasgara do diário Para o caso de precisar delas, algumas ferramentas básicas, uma muda de roupa e alguns artigos de toalete. Carregou esses últimos consigo até o banheiro, e depois pensou nas maravilhas que encontraria lá.

Primeiro, perguntou-se como se viraria sem vela ou lampião. Mas depois lembrou da luz elétrica no quarto de Ben… Quer dizer… De James, e procurou o local na parede perto da porta onde o dispositivo deveria estar. Encontrou o interruptor, moveu-o, e o banheiro se encheu de luz. Harry ficou surpreso com o que viu e explorou mais. A banheira era enorme, com tubos fixados nela. Água quente e fria correu para dentro dela com um simples toque. Ainda mais avançado do que seu próprio banheiro, que já era o que havia de mais moderno. A julgar pelo ímpeto com que a água saía dos tubos, sabia que tinha de ter uma força por trás disso, que não era a mera gravidade. A pia também estava limpa e cheia dágua. Ar quente saía de um registro na parte baixa da parede. Não cheirava à fumaça de madeira. Alguma outra coisa estava esquentando a água e a casa. A essência básica do dia-a-dia mudara drasticamente.

Encheu a banheira e ficou lá deitado por um longo tempo, enquanto tentava imaginar que outros avanços descobriria nessa nova era. Automóveis… Teriam se provado práticos ou foi uma moda passageira, como tantos de seus amigos prognosticaram? Teria essa nova geração da humanidade se livrado das doenças? Teriam conseguido a paz mundial? E essa mulher, Hermione, dona de uma casa cheia de maravilhas modernas e criando um filho sozinha. Seria isso comum hoje? Harry franziu a testa ao pensar nisso. Alguma coisa dizia a Harry que nada nela era comum.

Beijara-a. É verdade que estava delirando quando fez isso, mas não tanto que não conseguisse lembrar de cada instante do beijo. E a resposta sonolenta. A respiração suave em sua boca, as mãos espalmadas em seus ombros. Ela atiçara um fogo que há muito não sentia. Talvez nunca. Houvera paixão entre ele e Gina, mas suspeitava estar baseada mais em sua juventude e energia do que em qualquer outra coisa. Tinham pouco em comum. E, mais tarde, ele percebeu que não passara de uma mera diversão para ela. Gina não dava a mínima para ele, que era jovem, tinha pouco dinheiro e poucas perspectivas. Ela era casada com um homem rico, tinha uma posição social notória, e não podia colocar tudo em risco admitindo seus freqüentes casos. Muito menos admitir que ficara grávida de um deles.

Viajara para fora do país a fim de visitar uma tia. Pelo menos essa foi a história. Meses depois, Benjamin foi deixado na porta de Harry, com um bilhete prometendo que Harry estaria arruinado social e financeiramente se abrisse a boca sobre a mãe da criança. Nunca mais quis ver a criança nem o pai de novo.

Harry refletia que fora o melhor aprendizado que tivera. Ah, aprendera tudo sobre mulheres. Eram criaturas práticas. Nenhuma mulher se interessaria por um homem que não fosse rico, principalmente se fosse menos rico do que ela. Os interesses de Gina mudaram recentemente. Sem dúvida, devido ao fato de o marido rico ter morrido e deixado a maior parte de sua fortuna para um sobrinho. E nos anos entre esses acontecimentos, Harry adquiriu sua própria riqueza e posição social. Mas não estava mais interessado nela. Por um tempo usou as mulheres, como um dia fora usado por uma delas. Uma vez aprendido como funcionava o jogo, não teve mais desilusões sobre romance ou amor.

Talvez a amável Hermione tenha aprendido a lição também. ou talvez fosse uma viúva solitária. Embora a maioria das viúvas que Harry conhecera continuasse a usar a aliança de casamento.

Hermione. Linda, corajosa, apaixonada. Parecia um anjo. Mas beijava como uma mulher que estava há muito tempo sem um homem. Pensou que poderia resolver esse problema. Esses pensamentos o surpreenderam, já que desistira da vida mundana há bastante tempo. Mas estava há muito tempo sem o toque de uma mulher, e o dela era… inacreditável. Tinha três dias aqui, e pouco a fazer a não ser esperar.

Uma sedução bem planejada provavelmente ajudaria muito a convencê-la de que ele era quem dizia ser. Ou, pelo menos, a deixá-lo ficar.

Não podia acreditar nos pensamentos que passavam por sua cabeça. Seria isso mais algum efeito colateral da viagem no tempo o deixando confuso — ou era ela? Não importava. Achava que arranjara um meio mais simples de convencê-la.

Enquanto estava deitado lá, ouviu uma batida na porta seguida pela voz de Hermione.

— Você está decente?

Algum demônio despertou dentro dele e o fez responder:

— Pode entrar.

Talvez quisesse julgar suas reações, então poderia sondar o tipo de mulher com o qual estava lidando. Um teste, como muitos outros que fizera hoje. Ignorou a voz fraca em seu cérebro que dizia que essa teoria não era nada além de enganar a si mesmo. Essa mulher o atingira de um jeito que o perturbava muito mais do que queria admitir, até para si mesmo.

A porta do banheiro abriu-se, e ela entrou. Exceto por uma surpresa inicial, ela não mostrou nenhuma reação. Desviando o olhar, andou pelo banheiro e tirou grandes toalhas verde-esmeralda do armário, e um pequeno objeto de plástico rosa e uma lata de alguma coisa.

— Se estava tentando me chocar, escolheu a maneira errada. — Colocou a toalha e os outros itens perto da banheira e, sem olhar, virou-se para sair, ignorando-o.

— Hermione? — Ela parou, de costas para ele. Usava um robe agora, por cima da camisola. Mas aqueles cabelos ainda caíam soltos pelas costas, fazendo-o ansiar por passar as mãos neles. — O que é isso?

— Achei que ia querer fazer a barba. — Ainda estava de costas.

Franzindo a testa, Harry inclinou-se e pegou a coisa rosa.

— Essa coisinha é um aparelho de barbear? — Conseguia ver claramente, sob inspeção detalhada, que era exatamente isso.

— É claro que é.

Ele suspirou alto e alcançou o resultado esperado. Ela virou-se, mas manteve os olhos grudados em seu rosto.

— Poderia me mostrar como funciona? Mudaram drasticamente nos últimos cem anos.

Os olhos dela estreitaram-se ao procurar os dele, e ele tentava ao máximo esconder sua travessura. Ele começou a levantar.

— Fique onde está — ordenou ela.

— Vou precisar de um espelho…

— Não se eu fizer a sua barba. — Então ela ajoelhou-se ao lado da banheira, pegou uma das toalhas e deu a ele. — Cubra-se.

— E molhar essa linda toalha?

Olhando com cara feia para ele, Hermione jogou a toalha ia água, de forma que caiu bem no colo dele, sem dúvida cobrindo as partes da anatomia dele que ela preferia não ver. Então pegou a lata, sacudiu e apertou um botão no topo. Espuma branca jorrou do bico para a mão dela. Harry sentiu os olhos arregalarem. Então ela inclinou-se e passou a espuma no rosto dele. O toque dela era quente e trêmulo, e tão bom que ele fechou os olhos e aproveitou.

Quando terminou, ela mergulhou as mãos na água para enxaguá-las. As pontas dos dedos encostaram-se à coxa dele, e ele percebeu que aquelas funções do corpo não tinham sido afetadas pelos efeitos colaterais da viagem no tempo. Esperava que ela não percebesse a mudança na forma escondida embaixo da toalha.

— Agora, é só pegar o aparelho de barbear e… — Ela demonstrou passando a lâmina com cuidado pelo rosto dele. — Assim, viu?

— Hum, hum — respondeu ele. Então abriu os olhos e encontrou-a olhando feio para ele. — Quer dizer, sim, claro. Mas… E se eu me cortar?

— Se você é quem diz ser, então já lidou com problemas bem maiores no seu tempo. E se pode lidar com eles, pode lidar com isso. — Ela deixou o barbeador na borda da banheira e levantou-se para sair.

— Sou quem digo ser. E você vai acreditar antes do café da manhã. Prometo.

Ela olhou para ele, e dessa vez seus olhos a traíram, descendo e olhando para o peito e para a barriga. Às pressas, virou-se e saiu do banheiro, fechando a porta com firmeza.

Hermione encostou-se na porta do banheiro e tentou controlar a respiração. Quem quer que fosse, o lunático na banheira era inacreditável. E isso o tornava perigoso. Quanto antes ele saísse da casa dela, melhor. Fechou os olhos, mas a imagem do peito musculoso e molhado voltava a sua cabeça.

— Quanto antes, melhor — murmurou ela e desceu para começar a preparar o café da manhã.

Quando já tinha feito o café e colocado os pãezinhos preferidos de James no forno, Hermione subiu para acordar o filho. Mas James não estava mais na cama quando ela entrou no quarto. Por um segundo, a ausência dele a deixou alerta. E então escutou os ruídos do Nintendo vindos do início do corredor. Enquanto se vestia, olhava para o retrato que estava pendurado na parede acima de sua cama… Então ficou parada, mergulhada naqueles olhos do retrato. O inventor. O viajante do tempo. Saíra diretamente de um romance de Júlio Verne e aterrissara no meio de sua vida.

Ou, então, o homem que de alguma forma se transformara em seu hóspede conquistaria sua confiança. No mínimo, isso era perturbador. A coincidência disso. Ele parecia tanto o homem do retrato. Até as roupas…

Mas é claro que era impossível. Mas ainda assim, algo sobre aquele homem mexia com ela. Queria ajudá-lo. E hoje faria isso. Tentaria convencê-lo a deixar que o levasse a um médico. Talvez tenha levado uma pancada na cabeça, ou algo assim.

Não avisara Harry para não contar a James de onde achava vir, ou quem pensava ser, e deveria ter avisado. Deus, podia imaginar a chamada que levaria quando James começasse a contar essa história para os amigos da escola. Além disso, isso só o confundiria. Era muito jovem para entender um conceito desses, mesmo sendo mais inteligente do que a média.

Terminou de se vestir e foi até a porta de James, e ficou olhando por um instante. James estava de pé perto da escrivaninha rindo copiosamente enquanto o homem que dizia ser Harry Potter, o gênio, manejava o controle e levava o pequeno Mário na tela direto para um penhasco e para o esquecimento.

— Não se sinta mal — disse Hermione. — Tenho tentado há meses e ainda não consegui passar da fase dois.

Ambos se voltaram para ela e estavam sorrindo. Os olhos de Harry brilhavam com espanto.

— Isso é impressionante!

— E vicia. Tome cuidado ou vai se ver grudado nessa coisa como uma mosca em uma teia de aranha. — O sorriso dele se abriu e ela prendeu a respiração. Limpo e barbeado, ele era ainda mais lindo. Principalmente quando sorria. Sua mente escolheu aquele momento para lembrar daquela boca a beijando na noite passada, e logo desviou os olhos. Tarde demais, porém. Ele percebera. Ela viu o modo que o olhar dele desceu até seus lábios. E sentiu o ar entre eles pesar.

— James, o que eu disse sobre Nintendo antes do café da manhã?

— Eu sei, mãe. Mas Harry nunca viu nada parecido com isso. Viu, Harry?

— Com certeza, não.

— Mãe, eles não tinham nem televisão em 1897. — Ela fez uma careta e lançou um olhar para ele:

— Você não contou para ele…

— Ele percebeu tudo sozinho. É claro que fez muitas suposições. Pelo que lembro, a primeira foi se eu era um viajante de outro planeta. Depois, se eu era um fantasma. E, por último, se eu era um… Como você chamou, James?

— Um policial do tempo — respondeu James.

— Sabia que não devia ter deixado você alugar aquele filme do Van Damme.

— Hermione, honestamente — disse Harry. — Sua linguagem —

— O café estará pronto em quinze minutos. Estejam lá.

— Estaremos, mãe.

Ela olhou para os dois, questionando se era seguro deixar James sozinho com esse homem, delirante como estava.

— Não vá ainda, Hermione — disse Harry colocando o controle no chão e levantando. — Tenho algo para lhe mostrar. — Foi até a cama, pegou a bolsa, desafivelou-a e enfiou a mão. Tirou um jornal e se virou para encará-la, segurando-o.

— Prometi que provaria quem sou antes do café da manhã. Vamos lá, pegue.

Hermione deu um passo à frente e pegou o jornal. Era tão novo que ainda conseguia sentir o cheiro da tinta. O Rockwell Sentinel, 31 de agosto de 1897.

Ela piscou e olhou para ele. James esquecera completamente o jogo e estava bem ao seu lado.

— Uau! É verdade mesmo — disse ele espantado.

— James, essas coisas podem ser feitas por encomenda. Você sabe disso. — Os olhos dela encontraram os de Harry.

— Sinto muito, mas isso não é suficiente.

— Achei que não seria. Felizmente, tenho mais. — Chegou mais perto, virou-a levemente, apontando. — Tem uma tábua solta, a quarta a partir daquela parede. Embaixo dela está o meu diário. Anotações que guardo do trabalho que estava fazendo. Coloco-as lá para protegê-las. A minha área é muito competitiva, nem todos são honestos. As anotações estão lá, com exceção de uma página, que rasguei para trazer comigo. Anotações e desenhos que eu usaria se o aparelho precisasse de ajustes ou consertos.

Ela olhou para ele e depois para a tábua.

— Vamos olhar. Precisamos tirar seu ceticismo do caminho para que eu possa continuar.

— Olhe, mãe — implorou James. — Ele está falando a verdade.

Hermione foi em direção ao lugar indicado. Abaixou-se, pressionou a tábua solta com as mãos, respirando entrecortado, soltou quando ela se moveu. Olhou para ele e, então, tentou puxar a tábua.

— Se me permite. — Harry abaixou-se ao lado dela e puxou a ponta da tábua até que levantasse uns poucos centímetros. Segurou-a assim enquanto ela passava as mãos por debaixo e tirava um diário pesado com encadernação de couro, que colocou no colo ao sentar-se no chão.

— Não posso acreditar…

— Você tem de acreditar, Hermione. Por favor, abra-o. Veja. Ela limpou a poeira da capa de couro e abriu o livro. As páginas estavam amareladas do tempo. Mas ainda era possível ler o que estava escrito. Ela balançou a cabeça, demonstrando espanto.

— Encontre o ponto onde uma página esteja faltando.

Hermione concordou e virou as páginas rapidamente, sendo cuidadosa com elas devido à condição frágil. Encontraram o lugar onde pontas amareladas e rasgadas era só o que restava, e olhou nos olhos dele. Harry puxou uma página do bolso, alisou-a e entregou a ela. Estava branca, nítida e nova. Pegou a página, olhou para ela questionando-se, e então a colocou contra o lugar amarelado e rasgado no livro.

E as pontas encaixavam-se perfeitamente. Examinou as páginas e percebeu que a caligrafia era idêntica.

— Meu Deus — sussurrou ela. — É verdade.

Suas mãos, que ainda seguravam o livro, começaram a tremer.

— Sinto muito por assustá-la desse jeito. Mas tinha de convencê-la a me deixar ficar. Trabalhar aqui até descobrir o que deu errado no experimento tenho de voltar.

— Para salvar seu filho.

— Isso. Tenho de evitar que ele morra. Se puder voltar para uma época antes de Benjamin ser exposto ao vírus, posso tirá-lo de lá. Ele não ficará doente e não morrerá. E tenho de fazer isso aqui, neste quarto.

— Por quê? — perguntou ela, e começou a perceber que estava acreditando naquele homem. Chocada com o que ele dizia, mas ainda acreditando.

— Existe algo aqui, alguma força, algum tipo de dobra no tecido do tempo, como disse antes. Meu aparelho abre esse portal e me permite viajar através dele. Já tentei abrir o portal de outros lugares, do lado de fora, no solo, em outros quartos. Não funciona. Só aqui. Neste quarto.

Ele suspirou e abaixou a cabeça.

— E devo admitir que existe a possibilidade de o portal ser limitado. Que minha viagem só me levará de volta a minha própria época. Talvez só volte para presenciar a morte de meu filho e não consiga fazer nada.

Ele pareceu surpreso ao olhar para Hermione e ver lágrimas escorrendo de seus olhos.

— Não sei o que faria se perdesse James. Acho que isso acabaria comigo.

— Então você entende o quanto isso é importante para mim

— E claro que entendo. Sou mãe. Como poderia não entender?

— Então…

Hermione molhou os lábios, tomou fôlego e depois viu o apelo nos olhos de James, o mesmo que tinha nos olhos de Harry.

— Tudo bem. Pode ficar, por quanto tempo precisar. Ele suspirou, cada músculo do corpo relaxando de uma só vez, enquanto a tensão sumia.

— Obrigado. Não é suficiente, eu sei, mas… — Ele balançou a cabeça, como se as palavras lhe escapassem. — Obrigado.

Hermione levantou-se e entregou o jornal para ele.

— Só espero que você consiga fazer isso… Quero dizer, voltar o suficiente.

Ele fechou os olhos enquanto a agonia de um possível fracasso tomava conta dele.

— Tenho de conseguir.

— Talvez não — disse James rapidamente. — O que foi que matou seu filho, Harry?

Ele suspirou.

— Febre quinaria.

James abriu um sorriso forçado, mas o coração de Hermione quase parou. Esquecera. Meu Deus, como pôde esquecer? Segurou o braço de James para impedi-lo.

— James, não…

— Temos a cura para isso agora. Não precisa se preocupar em tentar voltar para a época antes de Benjamin ficar doente. Só precisamos arranjar o remédio para você, aí vai conseguir deixá-lo bom de novo.

Ele encarou James. E então o agarrou e abraçou com força.

Hermione ficou lá, parada, observando os dois e tentando respirar, embora sentisse o peito apertado e pesado. Sabia que não podia deixar isso acontecer. Tinha de impedir Harry de salvar seu filho doente.

Porque se fizesse isso, existia a chance de perder o seu.