Harryminhavida: Hahahaha essa fic me surpreendeu bastante no final,
e durante também. Aborda um assunto que raramente é abordado em romances,
e eu simplesmente amei. Acho que você teria que se preocupar com a
reação de James o.O hahahaha. Bom, leia e comente, ok? Obrigada!

Monika Granger: Ah eu adoro Portugal! Principalmente as músicas,
são as mais bonitas! Espero que continue acompanhando até o final então,
muito obrigada pelo seu comentário Monika! :D


Pessoal, desculpa pela demora, mas quando as coisas acontecem, acontecem tudo de uma vez!
Com certeza eu não vou demorar mais ok?
Espero sinceramente que gostem desse capitulo, que junto desde risos à lágrimas, e comentem pessoal!
Beijos e romance a todos.


Capítulo V - The xerif and the cat...

Harry precisava descansar. Hermione arrumara uma cama para ele dormir. Ainda não a aproveitara, embora cada músculo de seu corpo implorasse por isso. Tinha quase certeza de que estava com febre. Às vezes, sentia-se lento e grogue. Mas em outros, sentia-se perfeito. Os sintomas não pareciam estar diminuindo como esperara. Tinha esperanças de que as pesquisas que estava fazendo, enquanto esperava o aparelho recarregar, lhe trariam as respostas para evitar que esse tipo de doença o acometesse na viagem de volta.

O aparelho. Estava na mesa de James ao lado do computador, e Harry o pegou e colocou na palma da mão. Era difícil acreditar que algo tão pequeno pudesse significar a diferença entre a vida e a morte de seu filho. Já estava começando a carregar. Talvez já tivesse até potência para abrir o portal, mas como não estava com força total, teria algo diferente esperando-o do outro lado. Poderia voltar mais do que pretendia, o que não seria tão terrível. E também poderia não voltar tempo suficiente. E isso seria um desastre. Nunca arriscaria. De qualquer forma, ainda não tinha o remédio. Mais dois dias. O aparelho estaria com potência máxima, e isso o mandaria de volta para o momento exato do qual viera. E salvaria a vida de Ben.

Estava feliz por não ter a viagem no tempo afetado sua inteligência. Aprendera as lições sobre computador com James bem rápido, e passara metade da noite "inserindo dados", como o menino chamou, transferindo todas as suas anotações e cálculos para o computador. Com a ajuda de James, entrara em contato com um físico de Detroit e fizera o download de um programa que habilitava o computador a fazer as tarefas que precisava. Era absolutamente incrível.

Quase terminara de colocar suas anotações nessa máquina. James já caíra no sono em sua cama. Harry se sentia mal por estar com a luz acesa e clicando nas teclas enquanto a criança tentava dormir. Em todo caso, estava na hora de um intervalo. Seus olhos estavam começando a ficar vidrados.

Foi até a cama, inclinou-se e gentilmente passou os braços por debaixo do menino adormecido. Quando o pegou, lembrou-se de Benjamin, tão fraco que mal conseguia sair da cama sem a ajuda de Harry. Comparando, James era pesado, e a diferença de idade não era a única responsável por isso, o que Harry sabia bem demais.

Olhou para o rosto sardento e os cachos ruivos de James. E seu coração se apertou. Abaixando a cabeça, beijou a testa do menino. Harry se perguntava se o pai de James estava realmente morto, ou se simplesmente abandonara o filho como Gina abandonara Benjamin. Se fizera isso, pensou Harry cruelmente, era um idiota. Ter um filho como James e uma mulher como Hermione… Qualquer homem mataria para ter isso. Não fugiria.

Foi para o corredor, carregando James para o quarto de hóspedes que Hermione preparara, e o deitou na cama. Dormiria melhor aqui, sem a luz e os clique das teclas. Cobriu James, e o menino se agitou, abriu os olhos e fitou Harry.

— Eu gostaria — disse ele com a voz sonolenta — de ter um pai como você.

Harry lutou contra as inexplicáveis lágrimas que surgiram em seus olhos.

— Se eu pudesse, faria de você meu filho.

James sorriu e caiu em sono profundo. Mas Harry continuou lá, parado, chocado pelas palavras que acabara de pronunciar. Fazer de James um filho seu? E Hermione também? Meu Deus, que tipo de idéia boba era essa? Por um instante apenas, o pensamento lhe ocorreu e agora não conseguia tirá-lo da cabeça. O pensamento de que poderia levá-los com ele quando abrisse o portal. Fazer seu filho ficar bom e dar-lhe a mãe que desejava. E um irmão mais velho. Que poderia ficar com Hermione, aquela mistura incrível de mulher moderna e menina antiquada, fazê-la parte de sua vida, para sempre…

Ridículo. Além de não ter lugar para uma mulher em sua vida, não tinha ilusões de que Hermione concordaria com isso. Deixar as conveniências modernas, microondas, carro? Afastar James do computador e dos jogos de Nintendo? Metade do que o menino aprendera nem existia na época de Harry. Não, era um capricho tolo que ficaria melhor se esquecido. Tinha seu filho e seu trabalho. E era tudo do que precisava. Tudo de que sempre precisara.

Voltou para a tela do computador de James, para trabalhar um pouco mais e esperar, como esperara a noite toda, pelo som dos passos de Hermione quando passasse para seu quarto. Olhou para a anotação que fizera mais cedo, quando perguntara a James se sabia o nome do remédio que curava a quinaria. E, claro, o gênio rapidamente lhe informou. Triptonina. Tinha tudo de que precisava para continuar. Mas não podia fazer nada até Hermione dormir. Ao olhar para o relógio, viu que já eram onze horas e ela ainda não se recolhera. O que ela estava esperando?

A porta se abriu, e Hermione apareceu com uma xícara de café fumegante na mão.

— Vi que a luz ainda estava acesa. Pensei que devia estar precisando de comida. — Quando ela entrou, ele viu um prato de biscoitos na outra mão. E seu estômago roncou agradecendo.

— Obrigado, Hermione.

— Vai ficar fazendo isso a noite toda?

— Quando o aparelho estiver recarregado, preciso estar pronto para usá-lo. Se conseguir encontrar uma explicação para esses efeitos colaterais, melhor.

— Sei disso, Harry, mas não fará nenhum bem ao Benjamin se trabalhar até ter um colapso. — Ela levantou a xícara, e ele a pegou, as mãos se encostando. Então Hermione se aproximou e colocou a mão na testa e depois na bochecha dele.

Gostava de tê-la assim tão perto. Gostava de sentir o toque dela.

— Você está ardendo em febre!

— Que exagero! E só uma febre fraca.

As sobrancelhas formaram dois lindos arcos acima dos olhos, que ele poderia passar horas admirando.

— O que é isso? Pegou febre quinaria também?

— Não, eu tive quando era criança e, de alguma forma, sobrevivi, então sou imune. É apenas… Outro efeito colateral, acho.

Ela colocou o prato com biscoitos em cima da mesa e saiu, voltando segundos depois com dois pequenos comprimidos brancos que entregou a ele.

— Tome. Vão ajudar a passar a febre.

Ele tomou. Depois pegou um biscoito e o molhou no café.

— Harry, já pensou no que vai acontecer quando voltar através daquele… portal? Digo, se não encontrar uma maneira de evitar os efeitos colaterais.

— Não há como dizer. Estou tentando entender exatamente por que o portal me causou essas reações, mas até agora não sei.

— Você não parece nem um pouco melhor do que quando chegou. Na verdade, pior.

— Não, não estou pior. Nem muito melhor, só um pouco. Talvez tenha criado uma tolerância de modo que, quando voltar, os efeitos serão menos acentuados.

— Ou talvez piore cada vez mais e chegue lá mal.

— Nem penso nisso, Hermione. Se eu conseguir chegar lá com o remédio para Benjamin, não ligo para o que vai acontecer comigo.

— Eu sei. — Ela fechou os olhos por um instante. Um segundo depois, abriu os olhos e respirou fundo. — Mas há alguns outros efeitos colaterais, repercussões, para o que planeja fazer que você não considerou, Harry. E acho que está na hora de considerá-los.

Harry franziu o cenho para ela.

— Algo a está preocupando nisso tudo. Percebi hoje de manhã. Mas, Hermione, meu filho está morrendo. O que mais pode importar?

Hermione abaixou a cabeça, e Harry pegou em seu queixo e o levantou, alcançando seus lindos olhos.

— Você não quer que eu volte, Hermione. Por quê? — Ela abriu a boca, mas fechou logo.

— Está certo. Acho que sei por quê. — E, então, bem devagar, ele abaixou a cabeça e tocou os lábios dela com os seus. Eles tremeram com o toque de sua boca, e o desejo que sentira por ela o inundou de novo, e o fez vibrar por dentro. Deslizou seus braços pela cintura dela e a puxou para si. Seus lábios envolveram os dela quando eles se abriram. Ela deixou escapar um suspiro trêmulo, que ele inspirou, extasiado, enquanto Hermione o abraçava, as mãos espalmadas em seus ombros, o corpo se arqueando contra o dele.

Atordoado e excitado além da razão, Harry levantou a cabeça.

— Eu quero você, Hermione. Loucamente.

Ele levantou a mão para enrascar os dedos nos cabelos dela, enquanto a outra permanecia em suas costas, segurando-a perto de si.

— Eu… — Ela respirou, e então seu corpo se enrijeceu, os olhos se arregalaram enquanto o encarava. — Não — disse ela docemente, e não havia dúvidas no que via em seus olhos. Era medo. — Não vou me… Não de novo.

E então ela se virou e saiu do quarto. Algo obrigou Harry a ir atrás. Foi até a porta e viu Hermione correr pelo corredor até entrar no próprio quarto. Observou-a passar pela porta e fechá-la com força. Depois, escutou os sons gentis do colchão dela estalando enquanto deitava. Fechou os olhos e disse para sua imaginação que deveria se comportar. E enquanto sentia isso, dizia ao coração para voltar a dormir, como fizera nos últimos seis anos, e parar de ansiar por algo que nunca poderia ter.

Deus, devia estar com problemas mentais também, a exaustão por esses pensamentos tomava conta dele. Precisava dormir. Mas ainda não. Tinha uma missão esta noite, e nada, nem Hermione e o desejo cheio de medo em seus olhos, faria com que deixasse de concluí-lo.

(X__________X__________X)

Ele não era o homem que ela desejava. Não era o pai que queria para James e nem o homem de seus sonhos. Era um mulherengo, considerado o Don Juan da época. E mesmo que fosse um exagero, um fato não podia passar despercebido. Ele ia deixá-la. Assim como Rony. Não se entregaria aos sentimentos que a inundavam, como ondas em câmera lenta atingindo a areia. Não deixaria seu coração se partir de novo. Não deixaria.

E ainda assim ficou acordada por horas, desejando que houvesse algum jeito de…

Deus, nem falara porque ele não poderia seguir com o plano. E mesmo quando ele percebesse a impossibilidade disso, ainda assim desejaria voltar para o filho, estar ao lado dele no final. Esse pensamento trouxe lágrimas aos olhos de Hermione. Ele a odiaria pelo que teria de falar. Odiaria por ela ser a pessoa que o faria perceber que era o destino do filho morrer, e, desse modo, salvar inúmeras vidas. Ele a odiaria. E seria muito doloroso ver esse sentimento nos olhos dele quando falasse.

Não conseguia dormir. Sentia o estômago revirar, e depois de se debater sem descanso, levantou com a intenção de descer, talvez andar um pouco e ensaiar as palavras que usaria para jogar a bomba que poderia muito bem destruir Harry.

Passou pelo corredor na ponta dos pés, mas quando se aproximou da porta do quarto onde Harry estava dormindo, percebeu que seu pé não iria a lugar algum. Era estúpido. Ele estava dormindo agora. Nenhuma luz saía por baixo da porta fechada. Mas não poderia passar sem pelo menos dar uma olhada, observá-lo enquanto dormia, se deleitando com a imagem dele, desejando que as coisas pudessem ser diferentes.

Como esse homem conseguira penetrar por sua pele tão profundamente em tão pouco tempo?

Fechou a mão em volta da maçaneta, e a abriu suavemente. Mas a cama estava vazia. Entrou no quarto, acendeu a luz, mas Harry não estava lá. E uma sensação desgastante dentro do estômago dizia que ele também não estava em qualquer outro lugar da casa. Tinha uma boa idéia de onde ele fora. Depois de ter falado expressamente que ele não deveria. Ao consultório do Doutor Mulligan, a poucos quilômetros dali. Provavelmente a pé.

Hermione fechou os olhos e colocou a mão na testa. Maldito. Ele não tinha o direito de ficar sozinho e tentar invadir o consultório, na condição em que estava. Poderia ter um colapso na rua e aí, o que aconteceria? E se acordasse sem memória de novo, divagando sobre 1897 e a escrivaninha da tia Hattie? Seria levado para um hospício.

Chegou ao andar de baixo, embora já soubesse muito bem que não o encontraria lá. Passou pela sala de estar. Deveria ir atrás dele. Poderia estar em algum lugar machucado ou passando mal. Ou na cadeia. Ah, pelo amor de Deus, o que falaria quando o encontrasse? Como explicaria que soubera que ele saíra. Confessaria que estava se sentindo sozinha e sem sossego, incapaz de dormir? Admitiria que saíra da cama e que atravessara o corredor na ponta dos pés, no meio da noite, e que abrira a porta do quarto silenciosamente para poder observá-lo dormindo?

De jeito nenhum.

Mas também não podia deixar James sozinho para ir atrás dele. E não podia acordar o filho, ou o pequeno travesso ia querer seguir o rastro criminoso de Harry.

Uma sensação estranha subiu por sua espinha, chegando até a nuca. Uma sensação que só outra mãe entenderia. Franzindo a testa, balançou a cabeça e estreitou os olhos. James…

Correu para o quarto de hóspedes onde James estivera dormindo e entrou, e então teve o que parecia claramente uma taquicardia.

A cama de James estava vazia.

(X__________X__________X)

— Harry, preste atenção!

Harry caiu de joelhos no mesmo instante em que ouviu o sussurro rouco. E então virou-se, procurando na escuridão o pequeno corpo que caíra ao seu lado. Um automóvel passou, os faróis iluminando o matagal em frente a eles e depois sumindo a distância.

Harry agarrou os ombros de James, encarando seu rosto sardento com completa incredulidade.

— O que você está fazendo aqui?

— Eu segui você, Harry. Achei que poderia ajudar. Conseguiu?

— Se sua mãe descobrir…

— Conseguiu? — perguntou James de novo.

— Consegui.

— Como? — James sacudia o braço de Harry. — Como, Harry?

— Quebrei uma Janela, atravessei e destranquei a porta. O armário estava exatamente onde você falou.

— Você devia ter me esperado! Maldição, Harry, tem um alarme na porta. O Doutor Mulligan tem de digitar um código, mesmo tendo a chave. Se você não… Acho que o xerife…

— Vamos sair daqui. — Pegando o braço de James, Harry correu em volta do edifício, pela grama molhada. Atravessou a rua na escuridão. Soltava fumaça ao respirar.

— Nunca vamos conseguir, Harry. O alarme deve ter tocado assim que você abriu a porta. Cara, você devia ter trazido minha bicicleta.

— Ah, Cristo — disse Harry, vendo a distância um veículo com luz vermelha piscando em cima. — É o…?

— Isso, é o xerife 0'Donnel. Cara, estamos encrencados! Minha mãe vai nos matar. — James deu meia volta e depois parou ao ver outro veículo se aproximando rapidamente vindo da direção contrária. — Olhe, Harry! Acho que é… É a mamãe! Vamos!

Agarrando a mão de Harry, James correu até o carro que se aproximava e para longe do outro com luzes vermelhas. Estava escuro e os faróis do carro do xerife ainda não os tinha alcançado. Harry achava que o xerife não os tinha visto. Ainda.

— Ela vai ficar furiosa por termos saído — disse James ofegante, ainda correndo e puxando a mão de Harry. — Mas pelo menos vai nos livrar da cadeia!

Ela não podia acreditar nisso. Não podia acreditar no que estava vendo. Seu filho. Seu gênio, de dez anos de idade, fugindo do carro da polícia no meio da noite, como um fugitivo qualquer. Pisou no acelerador, correndo até lá e derrapando para parar.

James abriu a porta do carro, e os dois mergulharam no banco de trás quando o xerife se aproximava do carro de Hermione.

— Sentem-se e façam cara de inocente — ela mandou. Abriu o vidro ao ver Quigly atravessando a rua, parecendo sério.

— Olá, xerife — disse ela, tentando soar alegre, o que era difícil, dado o fato de que estava morrendo de raiva por trás daquele sorriso.

— Bem, Hermione Granger, aqui! O que está fazendo dirigindo pela cidade a esta hora? — Colocou a mão na porta do carro e se aproximou.

— Não conseguia dormir — falou abruptamente. Quigly franziu o cenho.

— Ah, é? E eles também não? — Apontou com a cabeça para os dois no banco de trás.

— Ah, bem… Não. Nenhum de nós. E que minha… gata desapareceu hoje e ficamos preocupados. Então decidimos dar uma volta e ver se conseguíamos encontrá-la. — Achava que era a resposta perfeita. Todos sabiam que Quigly 0'Donnel era apaixonado por animais. Viu o sorrisinho de James pelo espelho retrovisor e se deu conta de que ele a pegara mentindo de novo. Belo exemplo de mãe ela estava se transformando.

— Isso é muito ruim — disse o xerife, cocando o queixo. — E eu nem sabia que você tinha uma gata. Algum sinal dela?

— Não, ainda não. .

— Bem, não se preocupem. Só me dêem a descrição e ficarei de olho.

— Claro. Ela é, hum…

— Preta — ajudou James. Infelizmente, ele soltou isso no mesmo momento em que a mãe falava:

— Branca. — E Harry:

— Parda.

Hermione lançou um olhar para os dois linguarudos e se virou para o xerife de novo, sorrindo:

— Malhada.

— Sei. Ela está usando coleira?

— Isso não pode esperar até outra hora, xerife? Não quero lhe atrapalhar. É claro que está ocupado. — Ela apontou as luzes vermelhas ainda acesas.

— É, mas nada muito urgente. O alarme do consultório do Doutor Mulligan disparou de novo. Terceira vez neste mês. Tenho de ir até lá para verificar, mas acho que tem algum bicho morando lá. Desarma o detector de presença quando cruza o facho de luz. Um rato, um esquilo ou algo parecido. Por que veio para esse lado? Viu alguma coisa?

— Hum… Não. Quero dizer só as luzes vermelhas. Achei que fosse lei, sabe, parar quando…

— Bem, não quando está indo na direção contrária.

— Ah.

Enfiou a cabeça pela janela:

— Você deve ser Potter. Ouvi dizer que estava… ficando na casa da Srta. Granger.

— Na verdade, alugando um quarto. Prazer em conhecê-lo, xerife. — Harry estendeu a mão para apertar a de Quigly.

— Alugando um quarto, é? — Era óbvio que o homem duvidava daquela conversa. — Bem, foi um prazer, Potter. É melhor eu continuar meu trabalho e dar uma olhada no consultório. — Tocou a aba do chapéu. — Vou ficar de olho na gata, Hermione.

— Boa noite — disse ela, passando a marcha.

(X__________X__________X)

Ela andava de um lado para o outro na sala de estar, passando entre a confortável poltrona de Harry e o brilho alaranjado na lareira. E ele apenas a observava, quieto, se sentindo como daquela vez em que a diretora o pegara levando um hamster escondido para a escola, muitos anos atrás. Embora a Srta. Landon não fosse tão atraente quanto Hermione, que ficava ainda mais bonita quando estava brava, algo que lhe parecia pouco comum em mulheres. Os olhos dela brilhavam de raiva. Seu rosto suave tinha um brilho avermelhado, e os lábios estavam ligeiramente abertos.

Sabiamente, James decidira obedecer sem questionar quando ela o mandou direto para a cama. Aquele pequeno capeta o colocou no fogo e escapou na primeira oportunidade, deixando-o sozinho para enfrentar a fera.

Garoto esperto.

Ah, pelo menos isso lhe dera a chance de ver Hermione assim. Não era uma imagem da qual se esqueceria facilmente.

Ela parou de andar e olhou para ele, que decidiu enfrentar a fera.

— Não sabia que James estava me seguindo. Ela virou os olhos e balançou a cabeça.

— Saí muito silenciosamente, Hermione. Achei que vocês dois estivessem dormindo. Nunca envolveria o menino em um roubo. Acredite.

Os olhos dela se estreitaram.

— Eu tenho um filho, Hermione. Também sou pai.

O queixo delicado abaixou, a tensão no maxilar aliviou e o ar saiu de sua boca num suspiro.

— Eu sei. Tudo bem, Harry. Acredito em você. Mas eu disse para você não…

— Tente se colocar no meu lugar, só por um minuto. — Os olhos de Hermione se fecharam com força, como se não quisesse se imaginar nessa situação. Mas, talvez, estivesse. — Seu filho, James, deitado na cama, morrendo com a febre. A um quilômetro de você, trancado a chave, está o remédio que pode salvá-lo. Não iria pegá-lo? — Já estava de pé e foi até ela, pegou seu queixo e o ergueu gentilmente para que pudesse fitar aqueles olhos formidáveis. — Você me aconselharia a não fazer isso, Hermione, mesmo sendo essa pessoa linda e sábia?

Ela manteve o olhar fixo no dele.

— Você sabe que não.

Ele sorriu, deixando a mão cair.

— Eu sabia que responderia honestamente. Agora tenho isso, Hermione. — Tirou do bolso um pequeno pote de plástico marrom com comprimidos, colocou em cima da mesa e o contemplou, quase sem conseguir conter a alegria. — Posso salvar meu Benjamin. Se puder voltar para ele, posso…

— Não, Harry — sussurrou ela. — Você não pode. — Ele franziu a testa e o sorriso se apagou.

— É claro que posso.

— Harry… Olhe, tem algo que não lhe contei. Achei que pudesse esperar até que estivesse se sentindo melhor, mais forte… Não, isso é mentira. Estava esperando porque não queria contar. Não conseguia encontrar as palavras e não queria ver ódio em seus olhos quando eu…

— Hermione.

Ela parou com a perambulação, olhou para ele e, para surpresa de Harry, havia lágrimas em seus olhos. Seu próprio reflexo brilhava nelas. A imagem daquelas lágrimas o deixaram em alerta. Tanto que se viu segurando nos ombros dela, pesquisando seu rosto.

— Meu Deus, Hermione, o que é?

Ela fungou uma vez, e então pareceu se recompor.

— A cura para a febre quinaria foi encontrada por causa da morte de Benjamin. Quando você desapareceu, Harry, seus colegas, Waterson e Bausch, se juntaram. Em vez de competirem um contra o outro, trabalharam juntos para descobrir a cura e conseguiram. Eles fizeram isso em homenagem a você, Harry, e a sua perda. A perda de outras vidas nunca os inspirou como a perda de um homem que eles consideravam a melhor mente científica da época. Eles acharam que você tinha enlouquecido quando Benjamin morreu e por isso desapareceu. Culparam a febre.

Harry olhava para ela, balançando a cabeça, sem acreditar.

— Está tudo aqui — disse ela, virando-se para pegar um livro grande que estava na mesa. — Harry, se você salvar seu filho, esses homens não descobrirão a cura. Talvez ninguém descubra. Se você mudar o passado dessa maneira… então, o que será do presente? Quantas centenas de pessoas morrerão? E quantos milhares de descendentes nunca nascerão? E…

— Pare! — Harry deu-lhe as costas e tampou os ouvidos com a mão. Não conseguia suportar escutá-la e saber que estava certa. Tão certa e nem tocara ainda na magnitude das implicações. O modo como a vida, ou a morte, de um pequeno menino podia mudar o mundo que ela conhecia. A sucessão de pesquisas que provavelmente se desencadeou a partir do que a ciência aprendeu com a cura de uma doença com certeza levou à cura de várias outras. Tudo isso poderia ser perdido. E as vítimas que essas doenças fizessem… algumas delas podem se tornar uma das pessoas mais influentes da atualidade. Como seria o mundo de Hermione se eles nunca tivessem nascido porque seus ancestrais morreram de alguma doença cuja cura já deveria ter sido descoberta?

Mãos macias chegaram por trás. E então a cabeça de Hermione recostou suavemente em suas costas.

— Sinto muito.

— Não posso… — disse ele. — Não posso simplesmente desistir, Hermione. Tem de haver um jeito.

— Você não pode mudar a história sem causar impacto no presente e no futuro. Qualquer coisa que fizer no passado terá repercussões. É como jogar uma pedra na água parada. As ondas vão se espalhando.

Ele virou-se para encará-la.

— Não vou permitir que meu filho morra tendo os meios de salvá-lo.

— Sei que é…

— Não posso, Hermione. E não vou.

— Você é um cientista. Pense no que pode acontecer, pense na humanidade.

— Não ligo a mínima para a humanidade! — gritou ele. — Quero meu filho! — E então seus joelhos pareceram dobrar e ele se viu no chão, a mão segurando na poltrona para se manter ereto. Fechou os olhos e deixou o queixo cair porque não conseguia suportar que essa mulher forte o visse chorar. — Só quero meu filho.

Antes que ele percebesse, ela estava ajoelhada na sua frente e o encarava. Os braços o envolviam como aço embrulhado em seda. Ela o puxou para perto, como uma mãe embalando o filho, e o apertou contra o seu peito, balançando lentamente enquanto sua mão lhe acariciava os ombros e as costas.

— Eu sei, Harry. Eu sei — murmurava ela.

O rosto dele estava molhado, mas ele não sabia ao certo se as lágrimas eram dele ou dela.

— Não posso desistir dele, Hermione. Santo Cristo, perdoe-me, mas não posso. — Ele passou os braços em volta dela, se agarrando a ela, como se fosse a salvação.

— Talvez haja uma maneira… — Ela virou o rosto para ele, beijou a sua boca, provou suas lágrimas. Levantou a cabeça, procurando os olhos dele. — Estou ficando maluca de tanto buscar um jeito… e se houver, Harry, nós o acharemos. Mas se não houver…

— Tem de haver! — Ele a abraçou mais forte.

O peito dela se mexia com os soluços, e ela enterrou o rosto no pescoço dele. Ficaram ajoelhados assim por um longo momento, se segurando um no outro, enquanto Hermione chorava. Finalmente, ela se aprumou.

— Por enquanto, Harry, só por enquanto, descanse. Você está doente, exausto e meio fora de si. Descanse.

Harry levantou a cabeça para fitar os olhos de Hermione. Não podia odiá-la, não podia nem ficar furioso com ela pelo que dissera, pois não era nada menos do que a verdade. Os olhos recém-enxugados dela encontraram os seus e se fixaram neles como em um abraço espiritual. Ela se levantou, pegou as mãos dele e o levantou também. Dando três passos para trás, Hermione parou quando estava ao lado do sofá, ainda sem conseguir continuar. Então Harry deixou suas pernas entorpecidas o levarem para onde ela guiasse. Ele se sentou quando ela conduziu seu corpo para isso. Ele se sentia atordoado, chocado. Sua cabeça rodava, enquanto tentava buscar uma solução, mas estava muito devastado para ver alguma.

Ela se ajoelhou na frente dele. E se ele… Não, isso não funcionaria. Hermione pareceu sumir, só para retornar um segundo depois com comprimidos na mão. Ela os enfiou entre os lábios dele. Seus dedos estavam salgados e frios. Ele bebeu o que ela lhe deu, engoliu os comprimidos, sua cabeça ainda transbordando de possibilidades. Parecia que Hermione tinha um comprimido para tudo. Mas nenhum para curar esse pesadelo.

Hermione sentou-se na ponta do sofá, pegou seus ombros e os puxou até que a cabeça descansasse em seu colo. E ele pensou muito rapidamente nas coxas macias que estavam embaixo de seu rosto, e de como teria gostado de tocá-las… beijá-las. Qualquer coisa para esquecer essa dor terrível.

Ela pressionou os indicadores em suas têmporas e começou a friccionar em pequenos círculos. O sono veio lentamente, enquanto ele a via olhando para ele. O rosto dela se transformou no rosto de um anjo, e depois ficou embaçado e se dissolveu no nada.

(X__________X__________X)

James estava sentado no topo das escadas e tentava não chorar como um bebê, como os adultos fizeram. Toda sua vida, o que mais quis foi um irmão caçula. Alguém de quem pudesse tomar conta, com quem pudesse brincar, a quem pudesse ensinar. E desde que Harry chegara, começara a sentir como sé realmente tivesse um. O pequeno Benjamin, só poucos anos mais novo, doente e precisando de ajuda. É claro que ele estava além do seu alcance, mas, mesmo assim, James sentia-se próximo dele. Sentira-se como um irmão mais velho ao ajudar Harry a encontrar um jeito de salvar o pequeno Ben. E então esses adultos estúpidos tinham de vir e arruinar tudo isso com esse papo de "para o bem da humanidade".

Uma criança estava morrendo, pelo amor de Deus! Haveria tempo suficiente para se pensar no bem da humanidade mais tarde. Mas neste momento… aquele garotinho de 1897 precisava de alguém. E agora parecia que James era a única pessoa que ele tinha.

Não. Não ficaria sentado deixando os adultos decidirem o que era melhor. Eles simplesmente… não entendiam.

James desceu as escadas, em silêncio. Sorrateiramente, se aproximou da mesa de centro, e esticou-se, mantendo os olhos grudados na mãe. Harry não acordaria. Estava longe dali, roncando como um leão. Entretanto, a mãe poderia. Tinha o sono leve. Mas apagara também, e não se mexeu quando ele se aproximou. As mãos de James fecharam-se em volta do pote de plástico. Subiu as escadas e finalmente chegou ao seu quarto. Só soltou um suspiro de alívio quando a porta fechou.

Uh! Essa foi a parte mais difícil. O resto seria mole feito pudim. Foi até a mesa e pegou o aparelho de Harry. Muito simples. Dois botões.

Virou um deles.