Visitas importantes

Susan teve a impressão de que seria largada numa cela escura tão logo estivesse dentro do palácio esplendoroso. O que mais ela poderia pensar ao ser obrigada a permanecer naquele lugar estranho? Entretanto, sua surpresa foi indescritível ao se deparar com o quarto imenso que lhe foi oferecido.

Uma câmara ampla, com um quarto de vestir, uma saleta para estudos, quarto de dormir, lareira, penteadeira, poltronas e uma escrivaninha com papel, tinta e penas. Tudo muito bem decorado e limpo. A cama era enorme e tinha aspecto aconchegante. O guarda-roupa estava abastecido com capas, luvas, alguns casacos e camisolas brancas. Aquilo era mais do que suficiente para que ela se aquecesse.

O Grande Rei deixou-a sozinha logo que chegaram ao palácio. Susan foi colocada no quarto e a porta foi mantida fechada por um tempo até que uma dríade veio atendê-la. A garota não sabia exatamente o que deveria fazer, muito menos o que aconteceria com ela, mas acreditava que não seria nada grave, já que ela estava sendo tratada como uma convidada de fato.

A dríade providenciou comida e informou à Susan que em breve ela teria novas roupas, mais apropriadas à vida em Cair Paravel. Ainda um pouco ansiosa ela acabou caindo no sono muito mais cedo do que poderia imaginar.

Seus sonhos foram agitados, mas ela não saberia distinguir uma cena da outra. Tudo não passava de um emaranhado de sensações e ações incertas que acabavam por causar grande angustia e estresse. Não foi um sono relaxante como ela gostaria, tão pouco ela acordou na casa do professor como esperava. Ao invés disso Susan foi acordada cedo por uma jovem princesa e um grupo de ninfas e dríades que ela não conhecia.

A princesa Lucy nem mesmo esperou ser anunciada. Invadiu os aposentos de Susan com um sorriso no rosto e uma disposição invejável. Sem pedir permissão, ela sentou-se na cama de Susan, enquanto a convidada real ainda estava sonolenta de mais para ter uma reação.

- Bom dia, Lady Susan! – a princesa disse entusiasmada – Espero que tenha tido uma boa noite de sono e esteja descansada.

- Bom dia, alteza. – Susan respondeu no meio de um bocejo. Lucy riu.

- Papai pediu para que eu a ajudasse com suas novas roupas. – a princesa disse num tom empolgado e hiperativo – O Grande Rei acha que será mais apropriado que nossa convidada use roupas narnianas enquanto estiver aqui, principalmente por causa das outras visitas.

- Visitas? – Susan esfregou os olhos ainda sonolentos e tentou entender o que a princesa dizia.

- Devem aportar no fim da tarde de amanhã, por isso não há muito tempo para providenciar algo mais elaborado. – Lucy respondeu meio a contra gosto – O rei de Telmar e o filho estão vindo pra cá.

- Não gosta deles? – Susan perguntou num tom simpático ao ver a expressão contrariada de Lucy.

- São telmarinos, é claro que não gosto deles. Gosto ainda menos do príncipe Edmund, que é famoso por suas brincadeiras maldosas. – ela respondeu.

- Alguma vez ele fez uma dessas brincadeiras contra você? – Susan perguntou de uma maneira paciente e afetuosa, diante da indignação da pequena princesa.

- Não. Eu nunca o vi, pelo menos não em pessoa. – Lucy disse encolhendo os ombros – Mas não pode ser boa gente.

- Não devia julgar as pessoas sem conhecê-las, alteza. – Susan respondeu de forma gentil – Talvez se tornem bons amigos quando se conhecerem. – Lucy riu sem graça.

- Não faz diferença se ele vai ser meu amigo ou não, vou ter que me casar com ele do mesmo jeito. – a princesa disse emburrada e Susan não pode evitar uma expressão de espanto ao ouvir aquilo – Mandaram-me um retrato dele, mas eu não quis ver. – Lucy entregou a Susan um relicário que trazia no bolso do casaco. Dentro dele estava a pintura em miniatura de um garoto de olhos escuros, cabelo preto e pele clara, vestindo roupas finas.

- Ele não me parece feio, pelo menos. – Susan tentou dizer de forma leve – Mas não está nova de mais para casar?

- Só vai acontecer quando eu tiver catorze anos. – a princesa respondeu – Até lá somos noivo e isso garante a paz entre os dois países, mas eu não quero ir para Telmar, nem quero casar com esse príncipe idiota! Dizem que ele foi o responsável por infestar a cozinha do palácio com rãs no ultimo verão! E se ele colocar sapos nos meus vestidos? – a princesa perguntou ansiosa.

- Tenho certeza de que ele vai se comportar enquanto estiver aqui. – Susan tentou acalmá-la – O que o rei pensa disso tudo?

- Papai costuma dizer que gosta da idéia tanto quanto eu, mas uma guerra com Telmar é uma idéia ainda pior e ele confia no bom julgamento do rei Caspian. – Lucy respondeu mais calma – Ele diz que vou gostar do príncipe, mas e se eu não gostar?

- Eu não sei o que dizer, alteza. – Susan disse sincera – As coisas são muito diferentes no meu mundo.

- Como acontece lá? – Lucy encarou-a esperançosa.

- Bem, pessoas se casam por amor, porque escolhem, e só acontece depois que se tem alguma chance de futuro. Moças casam depois dos vinte, algumas antes, outras bem depois. – Susan disse sem entender muito do assunto. Casamento era uma idéia ainda vaga em sua cabeça, algo que eventualmente aconteceria, como acontece pra todo mundo.

- Vinte anos? – a princesa se espantou – Papai tem vinte e cinco, é muito tarde! – Lucy não parecia muito certa de que aquela era uma boa referência para seu problema – Deve ser bom pelo menos. Pessoas se casam porque gostam, não por causa de um acordo idiota, com um país idiota, que tem um príncipe idiota!

As servas que ouviam tudo dentro do quarto não pareceram muito felizes com o rumo que a conversa de Lady Susan e da princesa Lucy estava tomando. Todos no reino tinham a esperança de ver toda a ameaça de guerra afastada com o casamento, sem mencionar na diminuição dos impostos e todo tipo de vantagem política que a aliança traria. Um sonho precioso de mais para ser ameaçado pela idéia infantil de amor.

Enquanto as duas conversavam e tratavam de providenciar para lady Susan um guarda-roupa apropriado para os padrões narnianos, o navio Peregrino da Alvorada estava a caminho de Nárnia, trazendo o rei Caspian X e seu filho, o príncipe Edmund.

Desnecessário dizer que Edmund apreciava o acordo tanto quanto a princesa, mas seu pai continuava repetindo que aquilo era necessário. O príncipe tinha quase catorze anos e seria considerado um pouco velho para um primeiro casamento quando Lucy atingisse a idade.

O príncipe estava certo de que ela não seria nada além de uma garotinha irritante com idéias muito distorcidas de romance e de sua própria importância. O Grande Rei Peter tratava-a como a coisa mais preciosa e adorável do mundo, todos sabiam disso, e o príncipe não estava disposto a tratá-la da mesma forma. Ela seria simplesmente inconveniente.

Caspian X observava o filho no convés, olhando para o mar como se do outro lado uma forca o aguardasse. O rei se lembrava bem da sensação de ter de aceitar como companheira uma pessoa totalmente desconhecida, mas sua esposa havia sido uma mulher adorável e merecedora de toda consideração e respeito. Amá-la não era realmente importante, quando ambos sabiam de seus deveres, mas ao menos ele podia alegar que gostou dela tanto quanto se julgava capaz.

Ele tinha esperanças de que Edmund entendesse a importância da aliança um dia, mas o temperamento difícil do filho poderia ser um grande obstáculo para a sabedoria. Tudo o que sabiam sobre a princesa Lucy era muito mais do que Caspian poderia ter sonhado para o próprio filho. Ela era uma garota adorável, de temperamento doce e todos a amavam em Nárnia. Por tudo o que ouviu sobre a noiva, o rei só poderia supor que ela era a nora ideal.

Sabia que Peter, O Grande Rei, teria problemas em aceitar o acordo como um todo. Para um homem viúvo que criou a filha como uma jóia rara, desfazer-se de tal tesouro não seria tarefa fácil. Um bom exemplo disso foi o dote exigido pela mão de Lucy, mesmo que o costume ditasse que a noiva deveria apresentar o dote e não o noivo. Toda aliança de paz tem seu preço, e diante de tudo o que se poderia esperar, Caspian preferia pagar por uma noiva do que por uma guerra marítima.

O rei desceu até o convés e, assim como o filho, observou as ondulações no mar.

- Pensando em sua noiva até agora, meu filho? – o rei comentou com um sorriso amistoso.

- Só se o pensamento incluir afogamento ou outra forma desagradável de assassinato. – Edmund respondeu contrariado – Depois que o casamento acontecer, tudo deve se parecer com um acidente e então o tratado não será desfeito.

- Não deveria falar assim da princesa, principalmente se Peter estiver por perto. – Caspian o repreendeu rapidamente – Não precisa levar tudo isso como se estivesse a caminho da forca. Todos dizem que é impossível não se apaixonar por ela.

- A garota tem dez anos! – o príncipe exclamou – É claro que todos a amam. Ela deve saber dançar, tocar piano, usar fitas no cabelo e tudo parece lindo porque ela tem dez anos! Até o senhor pensará assim, porque ela é exatamente como uma princesinha deve ser, mas e quanto a mim? O que eu devo fazer com ela? Paparicá-la e mimá-la como todo mundo?

- Ela não terá dez anos pra sempre, meu filho. – Caspian disse sorrindo paciente – E assim como você, ela foi educada a vida toda para um acontecimento como este. Tudo o que você pode esperar é que ela seja habilidosa com administração, seja paciente pra lidar com o estresse da vida na corte e lhe dê pelo menos um filho.

- Foi o que aconteceu com o senhor e com a mamãe? – Edmund o encarou de uma forma dolorosa.

- Eu passei pelo que está passando agora, Edmund. Sua mãe, que ela descanse em paz, foi muito melhor para mim do que eu poderia imaginar e eu a respeitei muito. Eu gostava dela e ela de mim, mas não esqueça que nós dois sempre amamos você. – Caspian disse num tom solene, que deixava claro ao príncipe que tal insolência não seria tolerada uma segunda vez.

- Pelo menos o senhor pode se casar novamente, agora que minha mãe não está mais aqui. Pode escolher uma mulher que conheça e goste, enquanto isso estou atado à "pequena e adorável princesa Lucy". – Edmund disse num tom debochado e Caspian riu.

- Não vai pensar assim daqui a quatro anos. Ela terá seios e a idéia de acariciá-los vai se mostrar bem atrativa. – Caspian riu ainda mais – Quanto a mim, pode ser que eu encontre outra esposa, pode ser que não. Isso só Aslam pode dizer.

- O senhor tem noção que a idéia de seios e garotas de dez anos são bem opostas na minha cabeça, não tem? – Edmund disse sarcástico – Se espera que eu tenha apetite para jantar com a família real de Nárnia não mencione isso outra vez.

Pai e filho aportariam em Nárnia no dia seguinte e seriam recebidos em Cair Paravel pela corte de Peter, O Magnífico. Enquanto o Peregrino da Alvorada deslizava pelo mar narniano, Susan encarava seu reflexo no espelho com grande espanto.

Usando aquelas roupas narnianas ela nem poderia ser considerada uma garota inglesa de classe média. Estava muito mais parecida com uma das gravuras dos livros de história do que com uma jovem comum. Lucy olhava para ela com aprovação e logo pediu para que Susan a acompanhasse até a sala de jantar, onde o rei jantaria na companhia delas.

Mesmo tendo perguntado se poderia jantar no quarto, Susan logo entendeu que quando o Grande Rei diz que jantará com alguém este é um convite que não pode ser recusado. A verdade é que ela não queria encontrar com aquele homem estranho outra vez. A forma como ele olhava para ela era desagradável e a deixava sem jeito.

Quando elas chegaram à sala de jantar, Peter já esperava por elas. O Grande Rei levantou-se e fez uma pequena reverencia para ambas. Lucy respondeu ao gesto do pai fazendo uma reverencia delicada e rindo em seguida. Susan curvou-se, mas por muito pouco não perdeu o equilíbrio diante do monarca.

Elas se sentaram logo após o rei permitir e então os criados serviram o jantar.

- Devo dizer, madame. As novas vestimentas lhe caem mutíssimo bem. – o rei elogiou antes de tomar um gole da taça de vinho.

- Obrigada pela gentileza, majestade. – Susan agradeceu como era esperado.

- Não há de que. É a mais pura verdade. – Peter encarou-a satisfeito – O rei Caspian X por certo ficará surpreso com uma presença tão distinta em nossa recepção. A presença de uma dama é sempre muito bem vinda e a princesa Lucy não se sentirá tão só, não é mesmo querida?

- Lady Susan é uma ótima companhia, papai. – a princesa confirmou.

- Estou certo disso. – Peter sorriu para a filha indulgente.

O jantar transcorreu em paz, mesmo que Susan sentisse os olhos do rei pensando sobre seus ombros, vigiando seus movimentos como os olhos de um falcão de caça. A princesa Lucy, assim que terminou seu jantar, foi ordenada a se recolher em seus aposentos e declara seu dia encerrado.

Uma vez sozinhos, o rei se levantou e ofereceu o braço para lady Susan, na esperança de que ela entendesse que aquele era um convite para que ela andasse com ele. Susan obedeceu, incerta sobre o que aconteceria se ela recusasse o convite silencioso.

Peter conduziu-a a uma sala de estudos, onde a lareira estava acesa e o ar era quente a agradável. Ofereceu a ela uma poltrona junto ao fogo e solicitou que os criados não entrassem no local. Susan não gostou daquilo. Não considerava adequado ficar sozinha com ele e muito menos queria manter um dialogo com ele.

O Grande Rei serviu para ambos um cálice de vinho e estendeu a bebida a lady Susan.

- Sinto muito, majestade. – ela disse – Eu não bebo bebida alcoólica.

- É apenas vinho temperado, asseguro que vai agradar o vosso paladar, madame. – Peter permanecia com o braço estendido, oferecendo a bebida.

- Não, obrigada. – ela tentou mais uma vez.

- Eu insisto, madame. – ele disse num tom um pouco mais ríspido e Susan se viu obrigada a aceitar. O rei tomou assento em uma poltrona ao lado da dela, diante da lareira. – Soube que minha filha esteve em sua companhia por todo dia e eu agradeço por sua atenção a amabilidade para com ela.

- Foi um prazer, majestade. – Susan disse sentindo suas bochechas corarem diante da inesperada cordialidade.

- Imagino que ter uma dama humana por perto, conversando e oferecendo distração, seja uma forma de minha filha saber como é ter uma mãe por perto. – o rei continuou em seu discurso – Entretanto, o que ouvi a respeito da conversa de ambas me preocupa um pouco.

- Não entendo, majestade. – Susan deixou o copo de lado ao ouvir isso.

- Permita-me esclarecer o assunto, madame. – o rei disse num tom sério – Espero que guarde suas idéias a respeito de amor e casamento para si. Minha filha, como já sabe, está noiva do príncipe Edmund de Telmar e esta é uma aliança de grande importância, tanto para o país, quanto para ambas as casas reais envolvidas. Suas idéias podem sugerir à Lucy que um acordo como este pode ser evitado em prol de um sentimento tão nobre quanto o amor e isso não é algo desejável no presente momento.

- Com todo respeito, majestade. Sua filha ainda é uma criança e está sendo usada como um objeto no cenário político. Isso não só me parece errado, como moralmente reprovável. – Susan disse enquanto encarava o fogo. A expressão de Peter endureceu imediatamente.

- Minha filha é uma princesa de Nárnia e infelizmente este tipo de arranjo faz parte do rol de obrigações inerentes ao título. – Peter respondeu com dentes serrados – Estou ciente de que minha filha é muito jovem e por isso jamais sugeriria que o casamento ocorresse agora. Só acontecerá em quatro anos.

- Ainda me parece um destino cruel. – Susan insistiu – Imagino que a rainha não gostaria de ver a filha numa situação como esta.

- A rainha, que Aslam permita que descanse em paz, passou pela mesma situação. – Peter manteve o tom ultrajado em sua voz – Swan White sabia de seus deveres e sempre os cumpriu muito bem, ela encorajaria Lucy a fazer o mesmo.

- Talvez por ter vivido algo parecido, a falecida rainha, mais do que ninguém, evitaria um absurdo como este. – Susan parecia ganhar cada vez mais coragem e Peter não estava habituado a ser desautorizado por ninguém.

- Entendo que nossos costumes e nossos deveres lhe pareçam estranhos, madame. – Peter tentou manter o tom calmo a todo custo – Mas espero que entenda o que está em jogo e não insista em sabotar o tratado de paz. Se quer bem à minha filha como me faz crer, encoraje-a a se apaixonar pelo príncipe Edmund e assim estará servindo tanto ao bem estar dela quanto ao futuro de Nárnia. Fui claro, madame? – Peter perguntou por fim.

- Perfeitamente, majestade. – Susan respondeu num tom tímido.

- Muito bem. – o rei parecia mais satisfeito – Agora passemos a um assunto mais brando. – ele declarou – A recepção ao rei de Telmar começa amanhã e haverá uma série de jogos, bailes e banquetes. Acredito que madame apreciará muito toda movimentação.

- Estou certa disso, majestade. – Susan disse apática.

- Posto que não há uma grande dama na corte e apenas alguns embaixadores humanos e suas esposas, o rei e seu filho se sentirão mais a vontade com uma presença feminina por perto. – Peter disse seguro – Lucy adoraria isso, é claro. Por tanto eu espero que madame conceda a graça de sua companhia durante as festividades.

- Isso não pareceria estranho, majestade? – Susan perguntou, visivelmente desconcertada pelo convite inesperado – Digo, estou no palácio na condição de convidada real e este é um posto destinado à rainha, ou qualquer dama que goze da predileção do Grande Rei. – ela tinha jeito com as palavras, Peter notou sem grande esforço. Ela estava inclinada a recusar uma gentileza outra vez, mas ele não aceitaria um não como resposta.

- Madame é uma Filha de Eva, um sinal claro de que Aslam favorece Nárnia, isso deixaria nossos convidados impressionados. – Peter respondeu de forma calma e ponderada – Lucy ficaria satisfeita com isso. Eu não tenho uma rainha para preencher o posto e, se milady não notou, talvez eu devesse deixar minha predileção mais óbvia.

- Não sei se conseguirei lidar com todos os olhares sobre mim. – Susan tentou disfarçar o tremor na voz. Suas mãos estavam geladas – Mas agradeço a gentileza.

- Tomarei isso como um aceite. – Peter disse satisfeito – Acho que já tomei muito de vosso tempo. Permita-me escoltá-la até seus aposentos, madame. – o rei se levantou e estendeu o braço para ela.

Em silêncio, Susan aceitou e foi guiada pelos corredores iluminados por candelabros e velas, até a câmara que ela ocupava. Peter deixou-a a porta, não demonstrando qualquer intenção de entrar nos domínios dela. O Grande Rei apenas se curvou e beijou-lhe a mão em sinal de respeito.

Susan entrou no quarto e trancou a porta atrás de si enquanto sentia uma onda de pânico tomar conta de si. De todas as coisas estranhas vividas até agora, de todos os seres fantásticos que acabou conhecendo naquele país de sonhos, de todas as coisas que poderia enfrentar, aquela era uma situação que jamais desejaria para ninguém.

O Grande Rei declarou seu interesse por ela, mesmo que mal a conhecesse! O que ele sabia a respeito dela e como poderia notar qualquer coisa digna de atenção nela quando a conhecia a menos de vinte e quatro horas? Homens não precisam de tempo para ter atração por alguém, era o que sua mãe dizia. São todos movidos por impulsos e pelo desejo de ter aquilo que agrada aos olhos.

Se fosse um dos rapazes do colégio, Susan o teria dispensado sem grandes problemas. Teria ignorado qualquer demonstração de favoritismo ou interesse. Mas ele não era qualquer rapaz de colégio ou universidade, ele era um rei! Senhor absoluto de todas as terras de um país fantástico e seu anfitrião naquele palácio. Ela não sabia até onde ia o poder dele, nem os limites de sua cortesia e honra. Como ela poderia pará-lo se ele decidisse investir?

Nota da Autora: Hello people! Acham que eu estou correndo de mais com esses dois? Bem, isso é um pseudo conto de fadas, pessoas se apaixonam e casam em um dia neles XD. Bem, não vai ser tão rápido e nem tão fácil assim. Como eu disse, Peter está sendo inspirado no Henry VIII (vide The Tudors), só que ele não vai casar 6 vezes e sair por ai decapitando geral. O Caspian terá mais espaço nos próximos capítulos e podem esperar risadas de Lucy e Edmund. Quanto as minhas outras fic's, minha inspiração vem e volta, uma hora eu acabo (ou não, sei lá). Vou tentar terminar Curiosidade, a pedidos.

Bjux

Comentém (amo todas as meninas que comentam, vc's realmente fazem meu dia mais feliz. Isso não é Fiukagem, é verdade. Não me torre a paciência Filipe Neto!)