Noites de Delírio
Please die Ana
For as long as you're here we're not
You make the sound of laughter
and sharpened nails seem softer
Quando ela retornou para seus aposentos no palácio as damas já esperavam por ela. Susan achava aquela rotina exaustiva e depois de um dia como aquele ela sentia seus nervos em frangalhos. Daria tudo para poder se jogar na cama e dormir por cem anos, como a Bela Adormecida dos contos de fadas. Oh, mas aquele não era um conto de fadas, era um pesadelo.
Havia uma caixa grande, forrada em cetim, sobre a cama dela. Ananda, a chefe das damas, sorriu para ela como se aquilo se tratasse de algo esplêndido. Não podia ser um bom sinal e Susan desconfiava do que se tratava tudo aquilo. Mais um presente, mais uma tentativa vulgar de conquistá-la.
Havia jóias espalhadas sobre a cama, dentro de caixas decoradas. Várias delas. Como se fossem uma grande vitrine. Era tudo deslumbrante, como o sonho mais ensandecido de qualquer garota. Susan gostava de presentes e jóias tanto quanto qualquer pessoa, mas ela sabia muito bem o preço que teria que pagar por elas.
De uma forma peculiar, ela sabia o que Lucy estava passando, mas a princesa parecia encarar o dever de se casar com Edmund de uma maneira muito mais tranqüila e resignada do que ela. Não bastasse o Grande Rei estar tão interessado, ela agora tinha que lidar com o rei Caspian e seus galanteios.
- Sua Majestade lhe envia estes presentes e pede humildemente que madame os aceite como sinal de estima. – Ananda falou com um sorriso.
- Eu tenho alguma opção, Ananda? – Susan respondeu – Algum dia ele vai entender que eu não estou interessada em nada disso?
- Oh senhora, não seja tão dura com ele. – Ananda riu da expressão dela, como se Susan fosse uma criança birrenta – Sua Majestade está se esforçando tanto para agradá-la. Isso não a deixa nem um pouco balançada?
- Como poderia? Eu me sinto perdida neste lugar, não sei o que fazer a maior parte do tempo e tudo o que eu mais quero é voltar pra minha casa. – ela disse sentando-se a beira da cama – Ninguém reparou que eu tenho pai e mãe. Meu pai está lutando em uma guerra e eu tive que deixar a cidade porque tudo ficou muito perigoso. Eu freqüentava a escola, tinha amigos e tudo mais. Este lugar não é o meu lugar.
- Há quem pense diferente, senhora. – Ananda respondeu simpática – Madame anda pelo palácio, fala com todos, porta-se como se toda sua vida não tivesse feito outra coisa. Os narnianos reparam isso, consideram um bom sinal. Talvez se estivesse em seu mundo, seu futuro acabasse se perdendo no meio da guerra. Talvez não houvesse esperança lá de qualquer maneira. Aslam sabe o que faz.
- E quem é Aslam? Falam tanto dele, de sua bondade, mas eu não sei quem é, ou o que planejou para mim. – Susan secou uma lágrima insistente.
- Aslam é todo amor e toda bondade que existe. Ele é o grande leão, que nos inspira a coragem e a força. – Ananda respondeu de forma reconfortante – Ele a trouxe pra nós, por certo algo grande espera por você aqui.
- Estou certa de que pensam que é o Grande Rei quem me espera. – Susan resmungou – Ele é tão insistente!
- E é bonito. – Ananda sorriu maliciosa – Forte. Simpático, agradável, sedutor, gentil e dizem as más línguas que é muito atencioso quando quer agradar uma dama. É um pai amoroso e aposto que como companheiro ele seria ainda melhor.
- Por tudo o que é mais sagrado, parem de agir como um bando de alcoviteiras! – Susan riu – Ele é bonito sim, mas irritante com toda essa insistência e com seus modos autoritários.
- Ele nunca teve muita dificuldade pra atrair a atenção de uma mulher. – Ananda riu – Menina, ele é rei e viúvo há quase dez anos, mesmo sendo tão jovem. Qualquer mulher se jogaria aos pés dele, mas você mostrou que é diferente das outras e por isso merece a atenção. É muito tempo para que um país fique sem rainha.
- Você também acha que eu, a pobre Susan Pevensie, deveria ocupar o cargo? Hah! Isso é uma piada, sinceramente. – Susan desdenhou.
- Só a senhora pensa desta maneira. – Ananda fez sinal para que Susan se levantasse a as outras damas ajudaram-na a se despir e colocar o vestido novo que estava dentro da caixa grande. – Está em idade de se casar, é jovem, bem educada, decidida, inteligente, bonita e tem um rei disposto a cobrir-lhe de jóias, além de poder ter quantos filhos quiser.
- Isso me parece surreal de mais. – Susan negou com a cabeça enquanto as damas abotoavam o vestido de veludo vermelho sangue.
Prenderam-lhe o cabelo num coque, com apenas alguns fios caindo displicentes, marcando a linha do pescoço longo e o rosto de porcelana. No topo da cabeça colocaram uma tiara com pedras vermelhas, lindos rubis. Brincos longos pediam como gotas em suas orelhas. Uma gargantilha ao redor do pescoço.
Susan se olhou no espelho quando terminaram de perfumá-la e maquiá-la. A pobre Susan Pevensie estava em algum lugar dentro daqueles olhos azuis, mas todo resto compunha a figura de algo totalmente novo.
- Se esta não é a imagem de uma rainha, então eu não sei o que poderia ser. – Ananda sorriu satisfeita. – Madame deve ir agora. Devem estar lhe esperando no salão de baile.
And I need you now somehow
And I need you now somehow
Susan deixou o quarto e sentiu o peso do mundo em suas costas. O peso das jóias, das roupas, do preço que deveria pagar por tudo aquilo. Se pudesse sairia correndo, se perderia no meio das florestas frias por causa do fim do inverno, na esperança de encontrar a passagem que a levaria a sala vazia na mansão do professor.
Seus passos ecoavam no chão, reverberavam nas paredes, afirmavam que ela estava presa naquele lugar e que era até bem provável que sua casa já não existisse. Havia uma princesinha que contava com o apoio e a companhia dela. Pessoas esperavam que ela cumprisse um destino brilhante, esperavam que ela os guiasse como um sinal divino. E havia ele...
Estava na entrada do salão, ao lado da princesa Lucy. A coroa dourada parecia fazer parte dele, uma extensão legítima. As vestes num tom de vermelho mais fechado do que o tom usado nas roupas dela. A forma como a encarava fazia com que Susan se sentisse nua. Depois de tudo o que ele havia dito naquela tarde, ela tinha certeza de que era exatamente isso que ele queria. Susan...Nua.
Estendeu a ela o braço e Susan aceitou silenciosamente. Do outro lado do pai, Lucy sorria confiante, ostentando um belo vestido rosa. A imagem dos três era perfeitamente clara, perfeitamente harmoniosa...A imagem de uma família real.
Todos os presentes no salão encararam Susan e o Grande Rei quando eles cruzaram o caminho até seus assentos. Todos alimentavam uma esperança intensa de que Nárnia estava prestes a conhecer uma nova era, uma nova etapa de um reinado que já havia nascido de forma gloriosa.
Peter sentia o coração cavalgando dentro do peito. Achava que era impossível, mas ela estava ali, ao seu lado, mais linda do que nunca. Lucy parecia animada com todas as fofocas que ouvia a respeito dele estar interessado em Lady Susan, o que era animador. Se sua filha aprovava a união, então havia muito pouco a ser discutido.
Seus conselheiros, em especial Tumnus, o alertaram para a necessidade de uma rainha. Quando Lucy estivesse casada, o trono de Nárnia estaria sujeito a influencia direta dos telmarinos, a identidade do povo narniano estaria ameaçada e não havia nenhuma garantia de que Edmund mantivesse sua boa vontade em respeitar a autonomia de governo da esposa. Entretanto, se o Grande Rei tivesse um filho, o trono poderia ser passado para a criança e então o futuro do país estaria resguardado.
Se Susan lhe desse um filho, todos os temores seriam passado e o futuro de Nárnia seria grandioso.
Ele queria que aquilo não fosse um salão de baile, que eles estivessem a sós nos aposentos reais e então ele poderia despi-la. Afastar as camadas de roupa como que despetala uma flor...Beijar a pele expostas, traçar seus contornos, sentir a textura sedosa contra seus dedos. Ouvi-la sussurrar e gemer em seu ouvido, a medida que ele a tocasse, a medida que ele a rendesse com carícias, até que ele a clamasse como sua, indiscutivelmente sua.
- Se me permite dizer, madame. – ele sussurrou para ela quando estavam sentados – A senhora está deslumbrante.
- Obrigada. – ela respondeu corando – É muito gentil.
- E madame é modesta. – ele sorriu – Gostou dos presentes?
- São lindos, mas insisto que tudo isso é desnecessário. – ela insistia naquela fala irritante.
- Quando for primavera substituirei as jóias por flores, então não se sentirá tão desconfortável com meus presentes. – ele murmurou – Madame dormirá em um jardim.
- Meu senhor é muito poético em seus atos. – ela tentou desviar o assunto.
- Eu gostaria que a estranheza que sente em relação a minha pessoa fosse posta de lado. – ele disse enquanto segurava a mão dela discretamente – Diga-me o que fiz para que madame se sinta tão desconfortável em minha presença.
- Sinto muito. – ela sussurrou – No meu mundo é tudo muito diferente.
- Um homem não demonstra interesse por uma mulher que lhe agrada? – o rei perguntou.
- Demonstra sim.
- Então qual é a diferença? – ele sussurrou rouco. A música soava por todo salão.
- Uma garota de respeito só demonstraria seu interesse por este homem se o amasse. – ela respondeu. A respiração dele se tornou pesada.
- E diz que sou poético em minhas ações. – ele sorriu – Madame, amor é uma coisa misteriosa. O que jovens pensam sobre isso é tão fantasioso. Hoje milady me evita porque sabe que me sinto atraído, acha que estou meramente interessado em prazer fácil e banal porque lhe dou jóias, roupas, presentes caros. Madame, eu estou usando apenas as armas que disponho e meu afeto é genuíno. – ele dizia num tom calmo – Sei que está inclinada a me recusar porque do contrário estaria ferindo seus ideais românticos, mas o amor que tanto presa pode nascer e florescer com a convivência.
- Eu acredito em escolhas, senhor.
- Não se escolhe a quem amar, senhora. – ele respondeu – Pode se escolher viver contra ou a favor deste sentimento, mas não se escolhe o objeto dele.
- Não lhe passa pela cabeça que posso gostar de outra pessoa, alguém que esteja em meu mundo?
- Mas a senhora não retornará ao seu mundo. Imagino que seja difícil aceitar, mas devia começar a pensar em suas perspectivas. – ele parecia tão seguro de que ela não tinha opções.
- E se eu escolhesse outro? Se eu me apaixonasse? – ela testou. Os dentes dele rangeram.
- Madame ignora que está em terreno perigoso.
- E o senhor é tão tirano agora quanto me pareceu no primeiro minuto. – ela respondeu firme.
- Susan, por favor não me teste de forma tão cruel. Eu continuo sendo um homem, e um homem apaixonado tende a fazer coisas estúpidas, principalmente se não está habituado a provas como estas.
- O que pretende fazer?
- Me casar com você e torná-la Grande Rainha de Nárnia. – a forma como ele sussurrou aquilo fez sua pele arrepiar – Quero que descubra que pode amar um rei e que isso está longe de ser algo ruim.
- E se eu recusar?
- Farei com que mude de idéia e deseje isso. – a voz era tão intensa que Susan sentiu suas pernas fraquejarem.
Open fire on the needs designed
On my knees for you
Open fire on my knees desires
What I need from you
Ela ficou muda por um instante, absorta pelos olhos azuis dele, sentindo seu coração disparar e a boca ficar seca. Suas mãos tremiam entre as mãos dele. Era um rosto tão bonito, tão confiante, ainda que ela sentisse que devia se manter firme contra todas as tentativas dele de seduzi-la. Um som chamou a atenção do casal, fazendo Susan voltar a realidade. Caspian estava diante deles, com a mão estendida a Lady Susan e um sorriso simpático. Peter rangeu os dentes novamente.
- Madame me concederia a honra desta dança? Com a permissão do Grande Rei, é claro. – ele era um homem diplomático.
- Não sei dançar. – ela sussurrou, ainda meio atordoada com tudo aquilo. Peter estava tenso ao seu lado que tentava, inutilmente, esconder sua raiva.
- É uma pena. – Caspian não pareceu decepcionado com a resposta – Talvez em uma outra oportunidade. – ele se virou para Lucy sorrindo – Quem sabe eu consiga uma dança com minha futura nora. O que me diz, Alteza?
- Seria um prazer. – Lucy sorriu e aceitou a mão que o rei lhe oferecia.
- Acho que meu filho não vai gostar muito disso. Ele esperava ter uma chance de dançar com a senhorita. – o rei disse num tom divertido e Lucy ficou constrangida.
- Oh, ele vai ter outras oportunidades. Vai ter que dançar sempre comigo depois do casamento. – ela disse conformada.
- É verdade.
Enquanto Lucy e Caspian se afastava para dançar. Peter permaneceu calado ao lado de sua acompanhante. Não podia se dar ao luxo de ser rude com os convidados, mas Caspian estava sendo um estorvo inesperado. Depois de todos os esforços pra evitar uma guerra, o rei de Telmar tinha que arriscar tudo por causa de um flerte?
O pior não era isso. Era notar a forma como Susan reagia à investida de Caspian. Ela aceitava, com graça e gentileza, um toque de timidez e reciprocidade. O que o telmarino oferecia que o tornava mais aceitável do que o Grande Rei? Talvez ela preferisse homens morenos. Talvez fosse a barba. Talvez fosse a forma distinta que ele tinha de falar, um legítimo manipulador. E Susan era ingênua de mais para notar o quão calculista o rei de Telmar era.
E se aquilo se tornasse algo mais do que apenas uma vaga inclinação, e se tudo evoluísse para algo mais sério? Caspian também era viúvo, apenas três anos mais velho que o Grande Rei e ainda disponível para um segundo casamento.
Lançou a ela um olhar aflito. Logo ele, o homem que venceu a Feiticeira Branca, que derrotou gigantes, que conquistou territórios, temido por seus inimigos, estava com medo. Medo de perder uma mulher que nem mesmo admitia a idéia de se entregar a ele.
Ela o chamava de tirano e talvez estivesse certa. Ele não sabia o que fazer quando estava perto dela, não sabia simplesmente confessar que estava com medo de ser rejeitado. Não sabia dizer que ela o deixava atordoado, que mexia com a paz de espírito dele e que fazia seu coração acelerar. Ele não era um estudioso das artes, como Caspian. Era um homem de ação e pouca poesia.
No fim das contas, ele era um rei que não tinha palavras, nem coragem para abrir a boca e dizer que estava se apaixonando. Tinha medo que ao dizer isso acabasse dando a ela um poder infinito sobre ele e seu próprio discernimento. Tinha medo de se tornar fraco. E tantas inseguranças levavam a mente de um homem a ter idéias desesperadas e irresponsáveis.
Imagine pageant
In my head the flesh seems thicker
Sandpaper tears corrode the film
- Madame gostaria de me acompanhar na próxima viagem diplomática a Telmar? – ele perguntou inseguro. Susan se assustou por um momento.
- Eu não sei. – ela respondeu surpresa – Por que eu deveria?
- Não precisa aceitar se não quiser, mas acho que Lucy gostaria de apoio e Telmar é um lugar agradável na primavera. – ele disse sem jeito – Acho que madame apreciaria a viagem.
- Penso que seria interessante. – ela respondeu porque achou que era a única reação possível. Ele parecia tão constrangido por perguntar se ela gostaria de acompanhá-lo, sem realmente obrigá-la a isso.
- Eu gostaria muito de sua companhia. – ele disse um pouco aliviado – Espero que saiba jogar cartas e xadrez, eu e Lucy sempre temos nossas pequenas competições quando temos de viajar por mar. – eles riram juntos.
- Cartas? Xadrez? – ela perguntou incrédula – Isso parece divertido.
- Não ria, minha filha é uma peste quando joga. Acho que alguém a andou ensinando a trapacear. – ele respondeu rindo – Ela gosta de você.
- E eu gosto dela. Uma coisinha risonha, alegre e divertida. – Susan disse enquanto observava a princesa dançando.
- Ela é. – ele concordou orgulhoso – Queria que ela tivesse mais irmãos. – aquilo saiu num tom melancólico e com uma ponta de esperança.
Então a conversa morreu. Susan sabia o que estava implícito naquelas palavras. Ele insistiria no assunto, é claro, mas ela não se sentia preparada para lidar com tanta informação.
Ele ainda não se sentia totalmente confortável com aquela situação, mas aquela pequena conversa lhe deu uma pista de que ela não necessariamente o rejeitaria se desse a ela uma opção. Entretanto, não era o bastante. Peter a queria e contornar essa necessidade estava se tornando cada dia mais e mais difícil. Precisava fazer algo a respeito e logo.
Idéias de um homem apaixonado...Nem sempre são idéias felizes.
Ela tentou dançar um pouco com o príncipe Edmund, quando o Grande Rei achou que aquilo poderia ser algo adequado. Depois ele mesmo tentou conduzi-la, mas ela precisava aprender muito. Quando a noite estava quase no fim, o Grande Rei sumiu por alguns segundos e então retornou ao salão.
Caspian ignorou os motivos de Peter, mas aproveitou o instante para falar com ela. Sorrateiro, ele a conduziu até um canto mais reservado do salão. A esta altura os cortesãos estavam mais interessados na bebida do que em qualquer fofoca. Sentia-se um criminoso por ter de trocar palavras sussurradas longe dos ouvidos dos demais convidados. Susan pareceu desconcertada com toda situação, mas não o afastou.
- Parece que ele a está cercando, como um cão de guarda. – ele disse simpático – Isso é muito inconveniente.
- Por que seria inconveniente? – ela questionou e ele não sabia dizer se aquilo era ingenuidade ou malícia.
- Porque eu gostaria de ter uma chance de conquistar seu afeto, mas acho que meu caro anfitrião não está disposto a aceitar uma competição amigável. – ele disse sorrindo – Aceitaria me acompanhar em um passeio a cavalo pela manhã?
- Seria adorável. – ela respondeu sorrindo.
- Então procure por mim nos estábulos. Estarei esperando milady. – ele tinha realmente um sorriso lindo. Caspian segurou a mão dela e depositou ali um beijo – Seria melhor voltarmos para o centro do salão antes que ele chegue.
Caspian aproveitou que Lorde Sopespian estava se aproximando e fingiu ter algum assunto urgente para tratar com o homem. Susan voltou para o centro do salão, se esquivando entre casais que dançavam. Peter a seguia com os olhos e parecia estranhamente satisfeito com qualquer coisa que estivesse acontecendo.
And I need you now somehow
And I need you now somehow
Ela teve a sensação de que estava sob os holofotes de um grande teatro, sendo analisada pelo mais implacável dos críticos. Perderia a cabeça ao menor deslize. Estava brincando numa zona perigosa. Entre os desejos de dois reis havia um caminho curto para a guerra.
Ele esperou para que ela voltasse para perto dele para que pudesse se despedir e desejar-lhe boa noite. Não era tolo ou desatento a ponto de não notar que ela havia aproveitado aqueles minutos para trocar palavras com Caspian. Aquilo tinha que acabar, antes que sua Lady Susan decidisse que um telmarino era mais digno de atenção do que ele. Ela não se importou em ter de permanecer sozinha no salão por mais algum tempo. Aquilo estava se tornando um jogo de gato e rato, só ela não havia percebido isso.
Ele deixou o salão na calada da noite. Esgueirou-se pelos corredores que levavam até os aposentos dela. Caspian movia suas peças com a frieza de sempre. Ele os viu conversando em sussurros, mas ele não dividiria Susan com ninguém. Ele não podia e não queria perdê-la. Sua honra foi deixada de lado, sua própria imagem, tudo.
Por Susan ele deixaria tudo.
Entregou aos guardas a chave dos aposentos da convidada real e ordenou que trancassem a porta do quarto pelo lado de fora quando Lady Susan entrasse e só abrissem pela manhã. Entrou nos aposentos e deixou de lado sua espada. Retirou as botas, a capa, a túnica...
Uma a uma as peças foram deixadas pelo chão até que ele usasse apenas a camisa longa. Ouviu o barulho da porta sendo aberta e os paços leves contra o chão. Então veio o som da porta se fechando e a chave sendo girada no trinco. Ele sorriu com uma satisfação intima ao ouvi-la bater contra a madeira, pedindo para que os guardas destrancassem a câmara.
Ela não entendeu o que estava acontecendo, até sentir os dedos frios deslizando por sua nuca, provocando arrepios. Beijos pousaram sobre seus ombros e os olhos dela se arregalaram de pânico. Os laços do vestido eram afrouxados, ela devia gritar, queria gritar, mas a voz parecia presa na garganta seca, a medida de o corpete deslizava por seus ombros até que seu troco estivesse livre.
Open fire on the needs designed
On my knees for you
Open fire on my knees desires
What I need from you
- O que está fazendo aqui? – o timbre dela foi fraco e ela tremia de medo. Ele enlaçou a cintura dela com seu braço forte, mantendo-a colada ao corpo dele e pressionada contra a porta.
- Acho que sabe a resposta. – a voz dele era rouca enquanto ele beijava o pescoço exposto dela. Susan tentou afastá-lo, tentou se livrar daquele braço que mais parecia uma amarra. A outra mão dele cuidou de afrouxar a saia pesada, junto com as anáguas. As peças escorregaram até os pés dela, deixando Susan cobertas apenas por um longo camisolão preso pelo espartilho apertado. Com horror ela notou o quão rápido ele era em despir uma mulher.
- Me solte! Vou gritar até que todo palácio esteja de pé! – ela socou a porta mais algumas vezes, na esperança de que alguém a ajudasse. Ele riu e num movimento rápido Peter a pegou no colo, como se ela não tivesse peso algum e jogou-a sobre a cama.
Ela bateu com as mãos espalmadas no tórax dele, numa tentativa vã de impedi-lo de forçar todo seu peso sobre o corpo dela, imobilizando-a contra a cama, enquanto seus olhos mapeavam cada detalhe do rosto apavorado dela. Ele parecia inabalável em seu objetivo, decidido a não permitir que ela esquecesse que ele era o Grande Rei.
Ele tinha o domínio sobre ela, ele diria se ela deveria viver ou morrer.
- Grite o quanto quiser. – ele sussurrou, mantendo os braços dela imobilizados sobre a cabeça – Todos sabem que isso acabaria acontecendo cedo ou tarde.
- Não faça isso... – ela suplicou – Por favor. – ele beijou a face dela, sentindo o sabor das lagrimas que escorriam pelo rosto de mármore.
- Não chore. – ele sussurrou enquanto uma de suas mãos buscava uma forma de suspender a barra da camisola que ela usava. Peter estremeceu ao sentir a textura da pele das coxas dela roçando contra as dele. – Ninguém virá abrir a porta até o amanhecer. – ele beijou-lhe o pescoço, descendo lentamente até a clavícula – Ninguém agiria contra mim para tirá-la deste quarto.
- Por que? – a voz embargada dela soou dolorida.
- Porque eu preciso de você e eu não sei perder. – ele olhou bem no fundo dos olhos dela. Não conseguiu achar um motivo que o fizesse para com aquela loucura. Ela choraria, o odiaria com toda certeza, mas seria dele. Isso seria o bastante? Ele realmente não se importava naquele momento – Não resista, madame. – ele sussurrou mais uma vez antes de beijar-lhe a boca com voracidade.
Ele soltou os braços dela para tentar desatar o espartilho que ela usava. Susan aproveitou o momento para lançar um ataque desesperado e afastá-lo. Acertou alguns tapas nos braços dele, socou o peito rígido, mas nada conseguia afastá-lo. Peter perdeu a paciência com as tentativas dela de se defender e segurou ambos os punhos de Susan com uma das mãos, enquanto a outra alcançava um punhal que ele havia deixado sobre o criado mudo.
Com o punhal ele cortou os laços, arrancando um grito assustado dela.
Os lábios dela tremiam e ela murmurava palavras, súplicas desesperadas para que ele parasse. O rosto manchado por lágrimas. Aquilo o deteve por um momento. Ela parecia tão jovem...Tão pequena contra toda força dele.
Soltou os punhos dela e beijou o rosto molhado, sentindo o sal na ponta de sua língua, de uma maneira muito mais controlada. Seus dedos afundaram na vasta massa de cabelos negros, sentindo a textura dos fios.
And you're my obsession
I love you to the bones
And Ana wrecks your life
Like an Anorexia life
- Não chore... – ele pediu junto ao ouvido dela – Permita-me seguir em frente e amá-la. – suspendeu a camisola até a cintura dela, deixando-a parcialmente exposta a ele.
- Por favor... – ela sussurrou – Não.
- Susan... – ele sussurrou rouca ao ouvido dela – Aceite o que eu lhe ofereço. Farei com que seja bom, prometo.
- Eu não sou uma... – ela não conseguiu terminar a frase. Ele a calou com um beijo desesperado, pressionando o corpo dela ainda mais contra o seu.
- Não ouse concluir esta frase. – ele sussurrou em seguida – Você não é uma qualquer e ninguém dirá isso enquanto eu viver. – ele afastou-se um pouco dela, apenas para retirar a própria camisa e então remover a camisola dela e jogá-la longe.
Ele beijou a clavícula dela, descendo lentamente pelos seios, enquanto os massageava com cuidado, segurando o mamilo entre os dedos e apertando, para então cobri-lo com a boca.
A língua dele deslizou pelo abdômen plano de Susan, fazendo-a arrepiar e arquear as costas. Aquilo o incentivou a explorar-lhe a região do baixo ventre, enquanto ela virava o rosto para não encará-lo. As mãos pequenas dela se agarravam aos lençóis da cama, ela mordia o lábio inferior para que eles não a traíssem com sons desconcertantes.
Ele afastou as pernas dela uma da outra, desceu sua boca até encontrar o ponto de prazer escondido ali. Tocou-o de leve com a língua e ela não conteve um gemido de espanto. Ele gostava do som, queria ouvi-la cantar aquela canção tão peculiar. Sugou-a, primeiro gentil e então aplicando mais força. Susan jogou os braços para trás e agarrou-se a um travesseiro, enquanto mordia o braço para conter os sons.
Queria senti-la, ter certeza de que estava no caminho certo para levá-la ao prazer. Estava quase certo de que seria o primeiro homem de Lady Susan, e sua vaidade insistia para que fosse o único. Tocou-a com dois dedos, sentindo a contração imediata, o calor e a umidade oculta ali. O corpo era incapaz de mentir.
Continuou lambendo-a e sugando-a, enquanto movimentava os dedos de forma ritmada. A respiração dela estava pesada e ele sentiu as pernas dela apoiadas sobre os ombros nus dele. Ela não resistiu muito mais tempo e Peter sentiu sua boca ser inundada pelo gosto marcante dela.
Deixou de se concentrar unicamente no prazer dela e então posicionou-se entre as coxas de Susan, roçando contra a entrada quente e convidativa. Sentiu como ela encolheu os ombros em resposta a rigidez.
Ele não permitiu que isso o parasse. Beijou- a com vontade, enquanto deslizava para dentro dela aos poucos, sentindo a contração dos músculos e o gemido se formar na garganta dela. Era o primeiro, teve a certeza quando sentiu a resistência dela romper e as unhas dela cravadas em suas costas nuas com toda força que ela possuía.
Deu a ela tempo para acostumar-se e para que ele tivesse a chance de durar mais tempo. Lentamente ele começou a se movimentar. Os gemidos dela ainda transmitiam a idéia de dor, não algo insuportável, mas incomodo. Aos poucos a umidade permitia que ele se movimentasse de forma mais fluida e assim Susan não sentia a dor de forma tão pronunciada quanto antes.
Ele tentou beijá-la outra vez, mas ela desviou o rosto. A velocidade aumentou como forma de punição pela recusa e o que era para ser lento e amoroso acabou se tornando mais intenso e descuidado, até que Susan não conseguisse mais conter um gemido longo de prazer ao atingir o orgasmo pela segunda vez.
Peter a agarrou com força contra o próprio corpo enquanto se lançava dentro dela num ultimo movimento.
Ele deitou-se na cama, sentindo-se exausto e a puxou para seus braços. Ainda que o corpo de Susan estivesse mole e ela ainda sentisse o efeito poderoso do prazer, seu rosto tinha uma expressão tristonha. Peter olhou pra o braço, exatamente para onde estava a marca dos dentes dela e a tocou. Tanta determinação para negar que ele era capaz de fazê-la ceder, mas não importa.
Aquilo era apenas mais uma marca, um atestado de que ela pertencia ao Grande Rei de Nárnia.
Open fire on the needs designed
On my knees for you
Open fire on my knees desires
What I need from you
Open fire on the needs designed
Open fire on my knees desires
On my knees for you
Nota da autora: Pois é gente, olha só que bafão que foi esse capítulo! Acho que alguém não sabe lidar com concorrência XD. Mas calma, pra quem é fã do Caspian ele vai dar o ar da graça no próximo capítulo. Aviso aos navegantes, tentarei postar ainda essa semana, mas se não der então só vai ter capítulo novo depois do dia 23 (a titia aqui vai viajar e não vou nem olhar pros meus arquivos de Word). Então, não se desesperem.
Musica do capítulo se chama Ana's Song, do Silverchair (senti até o cheiro do flashback agora).
Bjux
Comentém!
