Havia duas semanas que raramente se encontravam; Draco evitava Harry a todo o custo. Não tomava sequer o pequeno almoço, preferia mandar um dos seus elfos trazer-lhe comida; durante as aulas afastava-se o mais possível de Potter e até as provocações haviam parado.

OoO

Duas semanas antes, na Torre do Relógio

seus lábios uniram-se com paixão, com desespero, com necessidade, desejo, saudade, amor…

Draco prensou Harry contra a parede mais próxima sem se descolarem por um segundo. O seu beijo era urgente, apaixonado, sôfrego. Ambos precisavam daquilo. Fluíam naturalmente, como se seus corpos já se conhecessem na perfeição. Estiveram colados durante vários minutos, e quando contrariadamente devido à falta de ar se largaram, o verde mergulhou no cinza, e o cinza perdeu-se na imensidão daqueles olhos verdes.

Triiiiiiiiiiimmmmmmmmm - (som de alarmes)

Os rapazes assustaram-se com os toques dos alarmes mágicos e ouviram meio atordoados a voz firme de Dumbledore:

- Retirem-se para o jardim imediatamente, por favor. Não entrem em pânico. Saiam do castelo rapidamente. O problema já está a ser resolvido….

-MERDA! – Pensaram Draco e Harry depois do discurso do director.

Ficaram ligeiramente embaraçados, mas sorriam timidamente um para o outro, até que Harry como se tivesse acabado de sair de um transe, saiu porta fora o mais rápido que pôde, sentindo a face encarnada e os lábios a latejar.

Para trás deixou um loiro um tanto cabisbaixo e envergonhado. Draco sentia-se humilhado e abandonado, mas ao mesmo tempo sabia que tinha sido correspondido com igual ânsia e paixão.

No final do dia quando puderam entrar de novo no castelo descobriram que Neville Longbottom havia deixado cair uma caixa cheia de poções altamente tóxicas durante uma detenção, ganhando assim mais uns dias de castigo e perdendo pontos para a sua equipa.

Nessa noite nem Potter nem Malfoy conseguiram dormir, pensando no calor do corpo do outro, nos seus lábios molhados, tímidos e tão doces…..

OoO

Harry evitava-o, pensado que ele estaria arrependido, Draco evitava-o pensando que talvez não fosse correspondido.

Era domingo, e depois de cumprir o seu castigo Harry que disse aos amigos não ter fome, foi passear pelos jardins, levando a sua mochila. Os amigos estranharam, mas apenas pensaram que Voldemort o havia atormentado em seus pesadelos, e que agora o Rapaz que sobreviveu só queria estar um pouco sozinho, entretido com os seus afazeres. Depois de espairecer um pouco Harry sentou-se perto do lago, admirando a beleza e a calma dele.

Pegou na sua mochila e dela retirou uma lata vermelho vivo. Abriu-a deu um gole apreciando a sensação da bebida fresca.

OoO

Também Draco depois do seu castigo, estava puto da vida e só queria aliviar o stress.

- Maldita MacGonagal! Eu sou um Malfoy, não devia fazer tarefas que competem a elfos ou a muggles idiotas! - Draco estava zangado e quando deu por si estava nos campos de Hogwarts. Acalmando-se um pouco olhou em volta e viu que estava praticamente sozinho ali, havia alguns casais que namoravam, algumas raparigas que conversavam e pouco mais.

Resolveu dar um passeio para afastar a frustração toda que tinha acumulada.

- Ele está ali! – pensou surpreso, nervoso. As suas pernas começaram a tremer. – És um Malfoy ou és um sangue de lama? Vai lá! Qual é o pior que pode acontecer? – o loiro sofria um conflito interior, mas arriscou e aproximou-se de Potter.

Viu que este bebia alguma coisa satisfeito, de uma lata vermelha que ele jamais havia visto. Sentiu-se intrigado, e imediatamente aquela bebida foi o motivo de inicio de conversa.

- Hey Potter! Então, a aprontar de novo?

- Que foi Malfoy? – Disse Harry, já ruborizando recordando aquele dia.

- Meu Deus, que amoroso quando cora – OMG! Controla-te Draco Malfoy! Não ajas como um idiota! – O que estás a beber? – Perguntou finalmente, com ligeiro nervosismo na voz, no entanto bastante perceptível para o moreno.

- Coca-Cola. Queres?

- Coca-quê? Nunca ouvi falar disso….

- Coca-Cola. Pois, um puro sangue, um Malfoy não conhece bebidas muggles, seria um ultraje! – Harry disse com um pouco de arrogância, mas logo se arrependeu.

- -importante-Potter! – Malfoy cuspiu as palavras começando a andar para o castelo.

-Draco….Des-..Desculpa. Não era minha intenção ofender-te. Fica por favor. – Foi quase uma súplica.

- Hummm, Draco; estamos a chegar a algum lado. – Está bem. Posso provar uhhn ..- Coca-Cola?

Harry riu, acenando que sim com a cabeça, e logo conjurou um copo. Num ápice Draco pegou no copo e colocou-o de lado. Harry olhava-o curioso e apreensivo.

Delicadamente Draco retirou a lata da mão do moreno, olhou-a com atenção para ver como ela o objecto, e sem hesitar levou a lata à boca e bebeu um gole. Sentiu o fresco da bebida e o gás a correr na garganta. Com susto engasgou-se e deixou cair a lata derramando o seu conteúdo.

- Estás bem? – Perguntou Harry preocupado.

- Coof, Coff… S-siim. Que raio! Porque não me disseste que isto tinha bolhas que picam?

- ahahaha, desculpa Draco, não foi por mal. Esqueci-me que nunca bebeste bebidas com gás!

-Potter não tem graça! Gás? Isso é tóxico? – Draco olhou para baixo e viu que tinha vertido toda a bebida do moreno.

- Era a minha última lata…. – disse Harry tentando parecer aborrecido.

-Oh! Pot..—Harry, desculpa, não foi de propósito, assustei-me e deixei cair…

- Shhhh, não tem problema, nas férias de natal trago mais, para os dois se quiseres….

- Oh. – Draco olhou nos olhos verdes, que brilhavam como esmeraldas.

Harry olhou para o relógio de pulso, e levantou-se rápidamete.

- Eu tenho de ir entrando, ahh –hummm, gostei de estar contigo…

- ohh,hunmm,… eu também – disse cabisbaixo.

-unhhh, olha, eu tenho mesmo que ir, mas podemos ver-nos mais logo se quiseres…..

- ahhhhhhhhh, siiiim claro que quero – Oh! Sim Pott—Quer dizer, Harry, pode ser, posso enviar-te uma coruja mais logo?

- Claro Draco – era tão bom dizer o nome dele, como se já fosse seu….

- Então até logo.

-Adeus – Harry lançou-lhe um olhar profundo e um sorriso rasgado. E num ímpeto que não soube controlar, aproximou-se do outro muito rápido, e roubou-lhe um selinho. Sentiu nos seus lábios o seu gosto doce, misturado com o sabor da Coca-Cola.

Afastou-se rapidamente, sorriu de forma tímida e desapareceu em direcção ao castelo, deixando o loiro para trás com um sorriso meio idiota nos lábios e com as pernas a tremer.

OoO

Draco,

Eu sei que disseste que me enviavas uma coruja, mas não resisti. Apesar de termos estado pouco tempo juntos, gostei de todos os segundos. Não queria deixar-te ali pendurado, não foi qualquer desculpa. Espero ansiosamente pela tua resposta,

Sempre,

HP

Draco leu a carta mais de 10 vezes, e cada vez sorria mais.

Harry,

Eu disse que enviaria uma coruja, e mesmo que não te estivesse a responder, cumpriria a minha palavra. Gostei igualmente daqueles momentos no lago. Se ainda me quiseres ver, coloca o teu manto da invisibilidade e encontra-me nas masmorras, à entrada da Sala Comum de Slytherin, pelas 23h. Espero-te.

Sempre,

DM

OoO

Depois do jantar, Harry foi para a Sala Comum, um tanto cabisbaixo. Não havia recebido qualquer resposta de Draco. Esteve um pouco com os seus amigos, e quando ia subir para o dormitório Ron disse-lho.

-Harry, desculpa esqueci-me de te dizer que recebeste uma coruja. A carta está em cima da tua cama.

Harry ficou de repente alegre e nem ralhou com Ron por não lhe ter dito antes. Sabia de quem era, esperara por aquilo a tarde toda.

Depois de subir leu a carta atentamente e olhou para o relógio. – Boa! 22h30min! Ainda tenho tempo!

Vestiu uma roupa casual e colocou o manto. Iria sair invisível, não queria que o enchessem de perguntas desnecessárias.

Andou o mais depressa que pode, estava tão ansioso, que nem se lembrou de passar em corredores menos movimentados.

Felizmente não encontrou ninguém no seu caminho, e quando chegou às masmorras, caiu no chão. Sem forças devido ao cansaço e também a todo o nervosismo. Não conseguia respirar…

Draco que já estava fora da Sala Comum, ouviu barulho e foi espreitar, vendo apenas uns pés.

-Harry! – Disse destapando-o – Estás bem?

-Ahh…. Sim, estou só cansado.

- Vieste cedo.

-Não consegui esperar mais... – Confessou corando. – Mas também estás aqui mais cedo….

- Oh pois sim…Já não conseguia ver a Pansy e o Blaise aos amassos como se a Sala fosse toda deles….

Harry riu – Para onde vamos?

-Para o meu dormitório. Sou monitor, tenho um só para mim – Falou orgulhoso.

- Sim, ok, está bem… quando quiseres…

- Vá põe o Manto.

Entraram para a sala comum, Harry não viu sinal de Parkinson e Zabini, apenas Crabbe e Goyle a lambuzarem-se com bolos de chocolate. Riu interiormente. – O loiro estava tão nervoso quanto ele.

oOo

Bem está aqui mais um capítulo. Espero que gostem, e que deixem reviews.

Um beijo

Patt'