A semana passou calmamente. O ambiente na escola estava visivelmente mais leve. Tinha acabado a grande Guerra. Já não havia o poderoso Lorde das Trevas para perturbar a paz. Agora o maior medo de Harry passava por aquele jantar em casa dos Malfoy. Chegado o fim de semana, Dumbledore deu de bom grado autorização a Harry e Draco para irem a casa, afinal eles mereciam.
- Nervoso moreno? – perguntou Draco brincalhão.
- Não Draco… é só impressão tua! Óbvio que estou uma pilha loiro! Nem acredito que estou a fazer isto.
- Harry! Por favor! Tem calma sim. Vai correr tudo bem.
Algumas horas depois os dois rapazes chegaram a Londres, onde já Lucius os esperava na estação. O Malfoy que sempre aparentava ser frio com a família era na verdade um marido e pai carinhoso e exímio. Adorava a família, e na verdade só seguiu os princípios do Lorde para não "desonrar" o nome de seu pai. Agora que tudo acabara, Lucius podia ser carinhoso com o filho em público. Já não havia ninguém a quem devesse alguma coisa.
-Draco – disse o loiro mais velho abraçando o filho – a viagem correu bem?
- Sim pai. Correu tudo bem.
- Senhor Potter, está tudo bem? – Harry afirmou polidamente, mas estava branco como cera.
Imediatamente apartaram para a mansão.
- Bem-vindo à nossa casa Sr. Potter. – disse Narcissa na beirada da porta.
- Obrigada Senhora. – Harry tremia cada vez mais. Draco reparando apertou de leve os dedos do moreno, o que o fez sentir seguro, mas não mais calmo.
- Calma moreno. Eles vão tratar-te bem, não tenhas medo – o loiro sussurrou ao ouvido do namorado.
OoO
O jantar decorreu calmamente, os quatro conversavam sobre amenidades à mesa. Harry sentia-se já mais calmo, até que…
- Senhor Potter, importa-se de me acompanhar até à biblioteca? – Harry assentiu e seguiu Lucuis, sentido o medo entranhar-se debaixo da sua pele.
- Sr. Potter, sinta-se à vontade. Chamei-o aqui por nada mais do que uma conversa esclarecedora. Obviamente eu amo a minha família, o meu filho é a coisa mais valiosa que tenho. Não me oponho em nada à sua orientação sexual, nem ao companheiro que ele escolheu. Mas quero que saiba que quem magoa o meu filho não se ri durante muito tempo. Senhor Potter, o que eu estou a tentar dizer é que eu quero que o meu filho seja feliz, ele merece. Portanto enquanto assim for o Sr. é bem-vindo à nossa família,
Harry estava atónito. Mas por fim aliviado. Sabia agora que era aceite e que não havia qualquer entrave à sua relação com Draco. Os dois apertaram as mãos, selando assim um acordo silencioso.
- Senhor Potter, tem intenções de voltar ainda hoje para Hogwarts?
- Humm, bem Sra. Malfoy eu de facto não tenho sítio algum para ficar—
- Harry! O que a mãe está a tentar dizer é que podemos dormir cá esta noite.
- Oh , ah, sim com certeza, quer dizer se não incomodar…
- Obviamente que não Senhor Potter. Podem dormir no quarto do Draco, que já está a ser devidamente preparado para os dois.
Narcissa disse que já era tarde e retirou-se da sala, deixando os rapazes sozinhos. Os dois trocaram olhares que diziam todas as palavras que eles não conseguiam expressar. Beijaram-se apaixonadamente.
- Eu amo-te Draco.
- E eu a ti cabeça de cicatriz. – Riram brevemente e subiram para o quarto, onde se amaram louca e apaixonadamente durante toda a noite.
OoO
Meses se passaram, Hermione estava presa em Azkaban, enlouquecendo mais de dia para dia. Num momento de quase-lucidez escreveu uma carta.
Querido Ron,
Sei que já não tenho o direito de te chamar isso, mas sinto tanto a tua falta. Sempre gostei muito de ti, e sei que também gostavas de mim. Entendo a tua escolha quando eu não o quis apoiar, mas não me arrependo de nada do que fiz. Eles mereciam morrer.
Quando eu era mais nova entrei no consultório do meu pai. O que vi? Ele estava a violar um menino, talvez de 13 anos. Eu era muito nova, e este acto deixou-me com nojo da homossexualidade. Achei que ele devia morrer, que todos os que se envolviam com pessoas do mesmo sexo deviam morrer. Ainda acho. Não consigo ver beleza ou sentido algum em acto tão hediondo como estar com uma pessoa do mesmo sexo. E volto a repetir, eles deviam ter morrido, eu própria os devia ter matado. Eu sei que uma violação é diferente de uma relação consensual, mas a homossexualidade não é natural, é uma aberração, nem devia existir.
Mais uma vez Ron, tenho pena que as coisas não tenham sido diferentes. Podíamos ser todos amigos, e viver felizes para sempre. Mas não. Ele estragou tudo. Foi ele que estragou a nossa amizade, não eu. A culpa é dele.
Com amor
Hermione
Com isto, ouviu-se a última batida do coração da rapariga, que se suicidara, tão louca que estava. Quando foi encontrada, a carta que ela deixara foi entregue a Ron. O ruivo despedaçou. O trauma não era razão para ela repudiar o amigo de anos. Eles haviam de a conseguir ajudar a ultrapassá-lo. Mas ela quis assim. E não se arrependeu nem por um segundo.
Foi Pansy Parkinson que esteve sempre com o ruivo, apoiou-o até este já não ter forças. "Com amor, uma ova"
OoO
6 anos depois…
Pansy e Ron, já casados estavam perto de uma espécie de altar. Estavam elegantes, ele com um belo fato de cerimónia bruxo e ela com um lindo vestido púrpura até aos pés que lhe realçava a barriguinha de 5 meses. De facto o casal esperava pelos noivos. Draco e Harry casariam naquele dia.
A cerimónia começou. Era um casamento simples e discreto, só com os amigos mais chegados. Em várias mesas dispostas pelo salão podia ver-se os Malfoy, os Weasley, alguns professores de Hogwarts, Blaise Zabini, agora comprometido com Ginny e pouco mais.
- Eu Draco Malfoy, te aceito a ti Harry Potter como meu esposo, e prometo estar lá seja em paz ou na guerra, na saúde ou na doença. Prometo ser-te fiel, amar-te e ter por ti o maior respeito do mundo. Prometo ser sempre o teu marido, o teu melhor amigo, o teu irmão, para o resto da minha vida. – Draco disse emocionado, colocando a aliança no dedo do companheiro.
- Eu Harry Potter, te aceito a ti Draco Malfoy como meu esposo. Prometo amar o teu bom e o teu mau, amar-te na saúde ou na doença, estar a teu lado em qualquer lugar e em qualquer tempo. Prometo ser-te fiel, pois só a ti te quero pelo resto dos meus dias. Prometo pôr-te acima de tudo e todos e respeitar-te até ao fim de tudo. – Uma lágrima escorria pelo rosto do moreno, uma lágrima que confirmava tudo o que ele acabara de dizer.
Selaram as promessas de amor eterno com um beijo puro.
oOo
E pronto chegou ao fim! Ela ficou fluffy mas eu sou assim, gosto MUITO quando os dois meninos ficam juntos. Eu gosto de pensar que o Lucius não precisa de ser mau em todas as histórias, então eu decidi mostrar o seu lado bom. :D
Espero que gostem e continuem a deixar Reviews, mesmo que estejam a ler isto em 2013!
Obrigada aos que acompanharam.
Beijos
Patt'
