005 – Consciência Pesada
Eu não fiz nada de errado! Não matei, não roubei, não usei magia fora de Hogwarts e nem pelos corredores, não colei em nenhuma prova e não arrumei encrencas! Ok, eu andei pelo corredor depois do toque de recolher, admito. Mas não era por isso que eu estava me sentindo culpada.
Estava me sentindo culpada por deixar Scorpius me tocar daquela maneira, no meio do corredor, enquanto minha amiga – que eu acho que gosta dele – estava no dormitório me esperando voltar do meu lanchinho noturno. Por ela se preocupar comigo enquanto eu nem pensei nela, eu não pensei em nada enquanto estava com Scorpius.
E essa bosta de lanche noturno nem aconteceu.
Meus sapatos de boneca estavam batendo no chão do corredor deserto. O barulho ecoava nas pedras e me fazia ter um arrepio.
Eu precisava acabar com aquilo. Precisava tanto quanto eu precisava daquilo de novo... Sentia tanta saudade de...
Fechei os olhos e balancei a cabeça para tirar aquilo dos meus pensamentos.
Não deveria estar sendo tão fraca. Lisa era minha amiga desde o meu primeiro dia nesse castelo e Scorpius era um conhecido provocador e sexy. Isso antes de nós nos beijarmos e percebermos que queríamos fazer aquilo de novo um com o outro. Aquilo e bem mais.
Não tenho raiva dele. Tenho raiva de mim. Ele é apenas um adolescente com hormônios demais e eu, Rose Weasley, deveria saber quando e onde parar, ou melhor, nem começar alguma coisa. E um corredor deserto às duas da manhã se encaixava nessa descrição.
Cheguei no Salão Principal e procurei um lugar perto de Lisa.
-Rose! Como foi a aula de Aritmância?
-Ótima. – respondi tentando sorrir.
Lisa apenas sorriu e continuou comendo. Fiz o mesmo. Comemos o jantar e a sobremesa em silêncio.
-Lisa. – falei quando terminei meu bolo com mel – Tem algo que eu queria te perguntar.
Ela me olhou curiosa.
-Pode perguntar, Rose.
-Aqui não. – falei sorrindo – Quem sabe no dormitório... Vamos subir mais cedo, assim temos tempo pra conversar.
Lisa apenas sorriu e me seguiu no caminho até o Salão Comunal da Grifinória.
-Então, o que gostaria de perguntar? – ela sorriu.
Lisa já estava sentada na sua cama e eu na minha. Uma ficava ao lado da outra e com a lareira acesa eu podia ver um pouco de Lisa.
-É que... Sabe o Albus? – sorri.
Ia tentar fazer parecer que tudo era por Albus.
-Seu primo? Mas é claro que sei, Rose! – ela sorriu.
-E-ele... Parece gostar de você, não acha?
-Albus gosta de mim? Você acha? – ela perguntou pegando a camisola.
-É! – sorri – Ele me parece interessado em você! O que acha do meu primo?
Lisa tirou a roupa e botou a camisola. Parecia pensativa com a resposta.
-Ele é um menino legal. – ela sorriu meio triste – Parece ser gentil e é até um pouco engraçado.
-Lisa, quero dizer o que você acha do meu primo como um... "namorado". – fiz aspas.
Era claro que eles não seriam namorados, mas queria que ela pensasse nele de um jeito romântico.
-Apesar dele parecer ser ótimo... Não consigo vê-lo com algum interesse romântico. – ela suspirou.
Levantei da cama e resolvi trocar de roupa. Peguei minha camisola e botei. Aquela pequena peça me lembrava Scorpius de uma maneira absurda.
-Algum outro plano romântico? É isso? – perguntei sorrindo e me jogando na cama.
Queria que aquela conversa fosse calma e que ela se sentisse à vontade.
-Talvez. – ela sorriu – Mas acho muito difícil que vire realidade. Gosto de ter uma coisa meio platônica me parece bem melhor que sofrer uma desilusão.
-Não é bom viver assim. – suspirei, tendo quase certeza de que era realmente Scorpius o objeto de sua afeição – Pode estar perdendo tempo . Já pensou se esse menino gosta de você? E você fica com essa ilusão e amor platônico enquanto podia ser real? Pensar dessa maneira é errado.
-Apenas os covardes pensam dessa maneira, Rose. – ela sorriu depois de chamar-se de covarde – Mas eu sei o que ele quer, ou melhor, sei quem ele quer e estou muito bem assim.
-Mas e se a menina não o quiser? – falei já não sabendo muito bem se essas pessoas eram incógnitas ou estava na cara de que o menino era Scorpius e essa menina, eu.
-Acho que ele pode convencê-la. – ela sorriu me olhando nos olhos, como se fosse uma mensagem indireta.
Antes que eu pudesse retrucar, pois estava me sentindo estranha com essa afirmação e tinha quase certeza de que não era mais uma incógnita, a porta foi aberta e Catherin Dyngley entrou no quarto. Paramos de conversar por ai.
-Boa noite! – foi a última coisa que Lisa sussurrou antes de virar de costas pra mim e ir dormir.
Não consegui responder, a voz me parecia presa na garganta. Uma parte do meu cérebro gritava que deveria por um fim nisso com Scorpius pela minha amiga, mas outra parte, essa bem mais tentadora e egoísta, dizia que ela já tinha entregue a guerra e não me restava fazer nada, a não ser vencer.
Tentando tirar esses pensamentos perturbadores da cabeça apenas fechei os olhos e tentei dormir, me sentindo mais culpada do que nunca.
[lado safadinha mode on]
O próximo tem NC *-* kkk
Me divirto demais com as NCs; devo ter algum problema... x3
whatever... até a próxima.
