014 - Necessário

Estava sentada com as pernas cruzadas e, a que estava por cima, se mexendo inquietamente. Meu tronco estava encostado no apoio da poltrona e meus braços cruzados, não só pelo frio, mas também pela minha impaciência. Malfoy continuava andando de um lado para o outro, como um idiota, desde que eu cheguei na biblioteca.

Depois daquela conversa na sala, ontem, eu tinha contado pra Lisa que nós tínhamos nos acertado e ela ficou toda sorridente. A verdade é que eu não estava tão sorridente assim, se quer saber. Talvez só um pouco, ok? De qualquer maneira, hoje de manhã Scorpius tinha me enviado uma carta (não sei qual é o problema de parar um segundo e falar comigo, mas continuando...) combinando um encontro na biblioteca. Dizia a carta que ele tinha a solução, mas até agora ele não falou nada. Na verdade, parecia que ele estava pensando agora em uma solução.

Ou talvez estivesse pensando em um jeito de falar sobre ela. Talvez fosse algo vergonhoso. Me senti corar sem nem ao menos uma palavra quando ele me olhou por um momento, quase como se lesse meus pensamentos. Mas ele apenas virou e voltou a andar.

De novo.

- Tenho a ideia. - ele sorriu, se virando pra mim.

- Continue.

- Ótimo. - ele parou na minha frente - Precisamos fazer você se sentir confortável.

Franzi a testa.

- Estou confortável na poltrona, obrigada.

- Não agora, Weasley! - ele revirou os olhos - Quando você for transar.

- Fazer sexo. - ela corrigi. Transar era vulgar. E só não falava fazer amor porque era Malfoy.

- Tanto faz. - ele revirou os olhos - Mas a questão é essa. Você tem que ficar confortável, relaxada. Entende? Sua mente tem que ficar vazia e você tem que confiar na pessoa com que você está fazendo.

- Isso quer dizer você. - bufei.

- É. - ele sorriu - E você sabe o que ajuda na confiança entre as pessoas? Revelações.

- De ambos os lados. - sorri.

- Feito. - ele cruzou os braços e puxou a poltrona que ficava ao lado da minha para ficar de frente a mim - Quer começar contando alguma coisa interessante?

Mordi os lábios e descruzei os braços. Na verdade não tinha nenhuma ideia boa de como começar uma confissão. Ainda mais quando você não faz a menor ideia do que começar a falar.

- Que tal você perguntar alguma coisa? - dei de ombros - Não sei muito bem o que dizer.

- Ok. - ele sorriu e apoiou os cotovelos nos joelhos - Como era o cara?

- O cara?

- O que você já tinha tran-

- Feito sexo? - perguntei revirando os olhos.

-É. - ele revirou os olhos, como corrigi-lo por isso fosse algo idiota. Era, mas eu tinha que me sentir confortável, certo? Não ia me sentir nem um pouco assim se ele continuasse falando transar.

- Bem, ele era alto, cabelo castanho, olhos azuis acinzentados. Seu sorriso era grande e ele usava óculos. - eu falei como se fosse algo a qual eu fosse indiferente, mas não era muito bem assim.

- Um perfeito nerd. - ele revirou os olhos - Então ta. Sua vez.

- Com quantas garotas você já fez sexo? - perguntei apoiando meus cotovelos no joelho também.

- Ciúmes? - o sorriso dele aumentou.

- Só pensando em quantas DSTs eu posso contrair com esse jogo de curar meu trauma e enquanto você entra nas minhas calças. - Scorpius riu de jogar a cabeça pra trás, limitei a dar uma risadinha. Depois que ele se recuperou, voltou a ficar na mesma posição que eu, nossas cabeças separadas por um palmo.

- Vou te contar um segredo. - ele murmurou - Consigo contar nos dedos.

- Com os do pé, certo? - perguntei agora me encostando na poltrona de novo.

Pela fama dele é como se ele tivesse comido toda a ala da sonserina do quarto ano para cima. E algumas extras da Corvinal, Grifinória e Lufa-Lufa.

- Só as mãos. - ele disse rindo.

- Wow. - murmurei e depois ri - Não esperava por essa. Mas eu ainda quero saber o número exato. - sorri e ele desviou o olhar.

- Nove. - ele revirou os olhos - Quer os nomes também?

Eu dei uma risada.

- Não, obrigada. Sério que foram nove? - perguntei meio desconfiada ainda, mas se fosse mais ele provavelmente teria falado.

- Nossa, eu tenho toda essa fama mesmo? - ele perguntou se encostando na poltrona, como eu.

- Bem, eu acho que sim. - falei - Pelo que falam você parece ter comido metade das garotas de Hogwarts, Malfoy. Mas é bom saber que eu não vou ter que me preocupar com DSTs, se quer saber.

- Ok, minha vez. - ele mudou de assunto, provavelmente perceber que ele não era nada parecido com o que falavam deixou seu ego um pouco menos inflado - Você já... Já teve um orgasmo com penetração?

Eu engasguei com minha saliva e comecei a tossir. Ele começou a rir alto. Aquilo era a vingança, eu tive certeza.

- Como? - perguntei meio tensa e começando a achar que essa ideia de confiança foi uma grande merda. Também pensei que eu preferia que ele falasse transar cem vezes ao invés de perguntar isso.

Ele ainda ria e eu tive certeza de que o ego dele voltou a inflar. Que ótimo, pelo menos alguém tem que se sentir bem, né?

- Você realmente quer que eu repita? - ele perguntou rindo.

- Não. - murmurei.

- Esse não foi pra qual das perguntas? - ele disse parando de rir aos poucos.

- Para as duas. - murmurei com meu rosto escondido nas mãos.

Não fiquei assim por muito tempo, porque a mão dele bateu no apoio do cotovelo e eu quase caí de cara. E quando levantei fui obrigada a olhar para seu sorriso.

- Pelo menos eu vou ser o primeiro em alguma coisa. - ele falou ainda sorrindo e eu aposto que corei.

- Ótimo. - tentei parecer melhor - Agora é minha vez de perguntar.

Eu queria pensar na coisa mais maldosa possível para perguntar para ele, mas decidi ser mais sensato deixar as coisas calmas. Ele ia ter muito mais armas contra mim, eu acho.

- Você já namorou? - perguntei qualquer coisa.

- Não. - ele respondeu rápido - Imagino que você e o cara eram namorados, certo?

- Um ano de namoro. - respondi rápido - E o nome dele era Dominico.

Malfoy começou a rir e eu ri junto. Era mesmo um nome estranho.

- Nossa, além dele parecer um nerd ele também tem um nome estranho! Realmente, Weasley, seu gosto está melhorando.

Me inclinei e ele também, os dois rindo. Eu olhei por um momento para os olhos de Malfoy e percebi que, se naquela noite em que contei tudo, eles me lembravam os azuis de Dominico era só pelo medo. Os olhos de Scorpius eram bem mais claros. E gelados. E excitantes. E eu devo estar igual a uma retardada olhando para os olhos dele. Mas eu não me importava, na verdade.

Também não me importei quando percebi que ele estava se aproximando ou quando ele me beijou. Meu corpo foi atraído para o dele como um imã e, sem pensar, eu me senti botando uma perna de cada lado das coxas dele, sentando em seu colo. Uma mão dele bagunçou meus cabelos e a outra ficou na curva do meu quadril. As minhas estava no cabelo dele, empurrando ele na minha direção.

Eu sabia que eu devia estar falando com ele sobre... Sobre o que nós estávamos falando mesmo? Eu não conseguia me lembrar. E aquilo era ruim. Quando eu voltei a controlar meu corpo (era óbvio que ele estava sendo controlado por um espírito que queria sentar no colo de Malfoy e beijá-lo) deslizei minha perna direita para sair da poltrona aos poucos. Acho que ele percebeu isso porque a mão que estava no meu quadril foi para a parte de trás do meu joelho e me puxou de volta para ele. Minhas mãos foram para os ombros dele e eu empurrei ele levemente, tentando me afastar, mas ele continuou grudando sua boca na minha. Só que uma hora eu fiquei muito longe e ele não conseguiu alcançar minha boca, então uma das mãos dele foram para o meio das minhas costas, me fazendo arquear um pouco e ele atacou meu pescoço. Minhas mãos subiram para o cabelo dele de novo e meu quadril foi de encontro ao dele sem a minha permissão.

- M-malfoy, - eu tentei começar a falar, buscando ar - isso não f-faz parte do acordo.

- Encare como um bônus. - ele disse contra a minha pele.

Empurrei mais ele e não percebi que eu podia cair. Só percebi quando isso aconteceu. Eu estava muito inclinada e meus joelhos apoiados na ponta da almofada da poltrona. Escorreguei e Malfoy veio comigo para o chão. Ele caiu de joelhos e eu com minha bunda no chão. A cabeça dele já não estava no meu pescoço, mas de frente para a minha.

- Isso é necessário, não me faça essa cara como se você não quisesse. - ele se aproximou e colou a testa na minha e empurrou, me fazendo deitar no chão enquanto ele empurrava com um braço a poltrona onde eu estava antes, me dando espaço - Você tem que me beijar e não querer nunca mais parar, vai ajudar muito na hora, vai te acalmar e distrair. Então temos que treinar.

- Eu não quero parar. - só me dei conta da idiotice que eu disse quando ele sorriu.

- Não vamos. - ele me beijou novamente.

Bem, se ele falou que era necessário, quem sou eu para descordar? Afinal, era ele quem estava me ajudado. O mínimo que eu podia fazer era obedecer.


Sabadão! :D

HAHA. Postei porque não resisti até terça. E porque o capítulo está pequeno e eu me senti culpada. Mas eu não sei se o próximo post vai ser no sábado ou na terça, então estou pensando.

Quando eu postar de novo vocês devem saber, certo? haha.

;*