Capítulo 11 – O Plano

Hermione, mais uma vez, olhou para a fotografia que misteriosamente havia aparecido em seu bolso e fitando os rostos de Harry e Ron, ela a levou até a boca, dando um pequeno beijo na fotografia. 'Não se preocupe, Harry, eu vou cumprir o prometido!' Então, guardou a fotografia no bolso da calça e deu as costas para aquele corredor, caminhando na direção contrária.

Descendo ás escadas que se moviam, foi para o Grande Salão a fim de comer alguma coisa. Estava sem se alimentar apropriadamente por três dias, de acordo com Riddle, e ela realmente precisava sentir o gosto de comida descendo pela garganta. Estava mesmo se sentindo com fome. Ao chegar, sentou-se na mesa da Grifinória e em silêncio colocou sobre o prato, um pouco de purê de batatas, carne e frango.

Enquanto jantava, Hermione passou a observar o Grande Salão e os alunos que ali estavam. Não muito tempo depois, seus olhos desviaram-se para a mesa dos professores e pôde perceber os Professores Slughorn, Hildegard e Flitwick conversando. Se Slughorn estava ali, o Clube já havia acabado. Hermione se perguntou se Slughorn ao menos desconfiava do que fizera Tom Riddle, roubando uma de suas poções e colocando não só ela, mas vários alunos em perigo naquela noite. Muito provavelmente não.

Hermione percebeu os amigos grifinórios entrarem no salão. Hugo, Rose, Presto e Leslie. Ela engoliu em seco e piscou os olhos, tentando agir naturalmente. Eles não se lembravam do que havia acontecido em Glast Heim e nem ela queria que eles tivessem problemas com aquilo. Então de certa forma, ela realmente agradecia Riddle por ter feito aquilo com eles. Foi um mal necessário.

'Ah, finalmente te achei, Hermione.' Disse Hugo já sentando ao lado da menina. 'Professor Slughorn me pediu para convidá-la para participar do Clube.'

'Não estou interessada.' Ela respondeu sem entusiasmo. Hugo piscou os olhos um pouco surpreso.

'Sério? Sabe, o clube é ótimo! Conversamos sobre várias coisas lá. E são praticamente os melhores alunos da escola!'

'É, Hermione. Ser chamada para o Clube do Slugue é quase uma honra!' Finalizou Eric à frente de Hermione e ao lado de Rose. 'Todos querem fazer parte dele.'

'Eu não estou interessada.' Ela repetiu. 'Peça desculpas para o Slughorn por mim, Hugo, mas não farei parte desse grupo.'

'Acho que seria uma boa você fazer parte.' Continuou Hugo. Hermione respirou fundo e Rose pareceu perceber. 'Todos lá estão curiosos para saber mais sobre você, Durmstrang e a Alemanha.'

'Bom, diga a eles que eu sou britânica, que Durmstrang é uma escola magnífica e que a Alemanha está sendo destruída e perderá a Guerra.' Ela respondeu friamente logo se levantando da mesa. Ela soube que foi um pouco rude com Hugo, que não tinha a mínima ideia do que havia acontecido, mas ela não queria ser pressionada a fazer algo que poderia perturbá-la mais do que já estava. Hermione, sem nem mesmo terminar a tão necessitada janta, levantou-se da mesa e se encaminhou para o Salão Comunal sozinha.

Quando Hermione chegou ao terceiro andar, ouviu mais uma vez alguém chamando por ela. Ela respirou fundo em raiva quando percebeu que era Lethar Malfoy. Parecia ter saído da biblioteca, pois levava nos braços uns três livros. Hermione não lhe deu atenção e voltou a subir as escadas, mas ele logo a bloqueou, deixando os livros caírem no chão e colocando as mãos sobre os corrimões.

'Não sabia que iria sair tão cedo da Enfermaria, Granger. Seu vigor realmente me espanta.'

'Não jogue os livros por aí!' Ela reclamou irritada.

'Não me importo com livros.' Ele rebateu com uma careta. 'Mas sério, achei que você ia ficar na enfermaria pelo menos uma semana.'

'Eu não tenho tempo para isso, Malfoy. Saia da minha frente!' Reclamou com seriedade, deixando de lado os livros caídos.

'Oiy, oiy, não seja tão durona. Sabe do que sou capaz de fazer, não sabe?' Malfoy levantou uma das sobrancelhas finas em um tom de diversão.

'Não banque o todo-poderoso. Você só fez aquilo comigo, pois estávamos em Glast Heim. Jamais faria algo assim embaixo do Diretor Dippet. Diferente de Riddle, ele não parece gostar de você.' Ela retrucou seca.

'Você não deveria irritar sonserinos por aí. Nós somos perigosos, sabia?'

'Sei. Só o que você sabe fazer é chamar os outros de idiotas...Ah, por favor, me deixe passar!'

Mas ele não deixou. Ele continuava bloqueando a passagem. Hermione olhou para baixo e chegou a bufar de raiva. Fitando os livros grossos no chão, ela conseguiu ler o título de um deles. Legitimência.

'Você por acaso está sabendo sobre o Baile de Halloween?'

Hermione levantou o rosto em descrença. 'Baile de Halloween?'

'Sim, professor Slughorn deu a ideia ao Diretor Dippet de fazer um Baile de Halloween para os alunos do sétimo ano. Foi dito hoje no Clube.'

'Mas será que ele só tem ideias para essas coisas idiotas?' Ela indagou indignada. Malfoy riu. Quem iria se importar com um baile acontecendo uma Guerra lá fora? Como ela iria se importar com isso quando tinha muito mais coisas importantes a se fazer e levar em consideração?

'Não deixa de ser verdade. Bom, parece que o Baile será daqui a 10 dias.'

10 dias? Já? 'E o que tem?'

'Você por acaso já tem um par?' Ele perguntou levantando uma das sobrancelhas. Hermione contorceu o rosto.

'Esqueça, Malfoy. Jamais iria a um baile com você!'

'Não é isso. Claro que eu não iria a um baile com você.' As sobrancelhas voltaram a altura normal e o rosto pálido do garoto se tornou mais sério. 'Refiro-me ao Riddle.'

Hermione prendeu a respiração instantaneamente. Piscou os olhos umas três ou quatro vezes e ouviu um zumbido chato em seu ouvido direito. 'Quê?'

'Ir a festa de Halloween com Riddle.'

'Não estou interessada num baile de Halloween, muito menos indo com Riddle! Você enlouqueceu? Saia logo da minha frente, Malfoy!' Ela mandou com certo nervosismo.

'Sabe, Riddle não tem um par.'

'E eu com isso?' Ela perguntou completamente nervosa. 'Isso não me interessa!'

'Você é a que melhor se dá com ele.' Hermione estancou no mesmo instante. O que ele estava dizendo? Ela era a melhor pessoa que se dava bem com Riddle?

'Ele quase me matou! Isso é o que você chama de se dar bem com alguém?' Ela perguntou um pouco alterada. Malfoy era louco, só podia ser.

'Sim.' Ele afirmou com a cabeça. 'Se ele não se desse bem com você, você teria morrido naquele dia.'

'Muito bom saber!' Ela ironizou. 'Saia da minha frente, Malfoy. Pare de falar asneiras! O sentimento que Riddle e eu temos um pelo outro não é nada exceto o ódio, e ele seria o último homem com quem eu iria em uma festa!'

'Então prefere ficar no dormitório, sozinha, chorando em vez de ir a uma festa?' Ele indagou curioso.

Hermione, estranhamente, lembrou-se do que Ron havia comentado com Harry sobre ela ficar sozinha no Baile de Inverno no seu quarto ano. Acabou que Hermione foi com Viktor Krum enquanto Ron foi quem pareceu ficar a maior parte do baile sozinho. Hermione não havia aceitado ir com o Krum para o baile porque ela iria ficar sozinha, mas porque Krum havia realmente a encantado. Ele havia sido educado e bem gentil com ela, e partilhavam conversas interessantes na biblioteca. Dizer sim a Krum foi um acúmulo de situações que ocorreram naquele ano e não por um simples capricho de não querer ficar sozinha. Ela sabia diferenciar as coisas. E principalmente as que estavam acontecendo ali em 1944.

'Eu não me importo de estar sozinha.' Ela respondeu firme.

'Verdade?'

'Antes só do que mal acompanhado.'

Lethar afastou a cabeça um pouco para trás, enquanto estreitava os olhos claros. Hermione percebeu que ele estava desconfiado. Não só pelo que ela dissera, mas como estava se comportando. Estava obviamente querendo sair do assunto Riddle, e isso intrigava Malfoy. Ela sabia. Malfoy desviou os olhos dos castanhos de Hermione quando ouviu alguém o chamar. Hermione olhou para a direção da voz e viu uma garota de cabelos castanhos escuros, ondulados e longos; os olhos eram verde cor de azeitona e era um bem mais alta do que Hermione. A castanha notou o brasão de Monitora-Chefe no uniforme sonserino da menina.

'Professor Binns mandou-me dizer que ganhaste uma detenção pelas constantes faltas. Encontre-o amanhã, ás oito, na sala de aula!' Disse a menina. Ela então desviou os olhos para Hermione. 'Não deveria estar com o uniforme da escola, garota?'

'Não.' Respondeu Hermione friamente. 'E meu nome é Hermione Granger.'

A garota ignorou Hermione e voltou sua atenção a Malfoy. Hermione fechou a cara para a monitora. 'Black está te procurando também, Malfoy. Disse que precisa discutir a relação de vocês.'

Malfoy bufou. 'Diga a ela que não me interessa, Prince.'

'Bom, não é assunto meu. Ela quer falar com você. E se a conheço bem, deve ser sobre o baile de Halloween.'

'Não pode me livrar dessa?'

'Não me importo com idiotas, Malfoy.' Prince deu de ombros e desceu os degraus para o provavelmente ás masmorras. Hermione ficou a mirar a garota sair.

'Quem é ela?' Perguntou a Malfoy curiosa.

'Eileen Prince. Monitora-Chefe. É do nosso ano. Faz três cadeiras conosco.' Respondeu Malfoy diferente. 'Ela é bem bonita, mas parece não gostar de mim.'

'Ninguém seria louco de gostar de você.' Rebateu Hermione com um sorriso.
Eles se entreolharam estranhos. Então percebeu que Malfoy havia parado de bloquear a passagem. 'Ahm... Eu vou ao dormitório!' Ela disse começando a subir as escadas novamente.

'Não precisa anunciar o que vai fazer, Sangue-Ruim, não me interessa!' Malfoy deu as costas, pegou os livros grossos do chão e desceu as escadas também.

Ao chegar no dormitório, Hermione apenas se trocou de roupa, colocando o pijama, e deitou-se na cama quase que instantaneamente. Sua cabeça doía e ela tentava se acalmar. Ir ao baile com Riddle...Pff, quanta idiotice. Ela não tinha tempo pra bailes e clubes idiotas precisava de um plano rápido e seguro de como destruir Tom Riddle.

'Hermione?' Alguém a chamou e ela se virou para ver quem era. Reconheceu Rose Lestrange. Lestrange...'Posso falar com você?' Ela perguntou piscando os olhos. Rose estava vestida com o uniforme, mas não parecia também ter ido à primeira aula daquele dia.

'Pode ser depois? Estou com um pouco de dor de cabeça.' Não era bem uma mentira. Ela realmente estava com dor de cabeça. Desde que voltara para aquela época, Hermione estava tendo enxaquecas que nunca tivera antes e não importava o que fazia, não pareciam acabar.

'Não. É importante.' Ela finalizou em um tom sério, quase mandão. Hermione franziu a testa e, ainda deitada, deu atenção ao que ela tinha a dizer.

Rose pareceu pensar bastante antes de falar algo. Ela piscava os olhos azuis um pouco inseguro, olhava para o chão do dormitório e ás vezes parecia morder o lado interno da bochecha direita. Então, depois de mais ou menos três minutos de completo silêncio, ela falou.

'Ele é realmente Voldemort, não é?'

'Heh? Acredita em mim agora?' Hermione indagou revirando os olhos.

'Achei que não fizesse sentido. Nunca havia notado que ele poderia se comportar daquela forma...'

Só então um estalo pareceu fazer dentro da mente de Hermione. 'Espera aí.' Ele sentou-se na cama e fitou o rosto da monitora. 'Você se lembra disso?' Rose apenas confirmou com a cabeça. 'Riddle não havia distorcido suas memórias?' Hermione pensou em como aquilo era possível. Depois, lembrou-se que havia dito a Rose que Tom Riddle era Voldemort antes de irem a Glast Heim. 'Ou então Riddle alterou apenas o que sucedeu no cemitério naquela noite e não antes. Assim, Leslie pode se lembrar de como foi raptada...'

'Ela não lembra.' Rose interrompeu. Hermione levantou o rosto e ficou a encará-la. 'Esqueça. Leslie, Hugo, Fox e Presto não se lembram de nada.'

'E por que você se lembra?' Perguntou curiosa.

'Riddle não alterou minhas lembranças.'

'Por quê?'

Rose levantou os ombros sem saber a resposta. 'Não sei dizer. Acho que ele pensou que não somos mais amigas pelo que aconteceu entre nós. E se tivesse apagado minhas memórias, eu poderia voltar a ser sua amiga. E talvez ele quer que você esteja sozinha então me deixou com as lembranças para ver o que aconteceria conosco daqui em diante.'

Hermione piscou os olhos castanhos e se pôs a ficar calada. Rose e Hermione haviam discutido e brigado no cemitério em Glast Heim. Haviam xingado uma a outra, machucado uma a outra, e quem visse de fora poderia muito bem imaginar que as duas jamais se falariam novamente. E Riddle assim pensara também. Parecia realmente o jeito de Riddle fazer as coisas.

Embora as duas estivessem conversando ali, Hermione achava muito difícil haver um acordo mútuo entre as duas. As duas não seriam tão amigas quanto eram antes do ocorrido naquela noite. Hermione sabia disso. E, de certa forma, sentia-se mal por isso.

'Então, o que vai fazer?' Rose perguntou levantando as sobrancelhas.

'Como assim o que vou fazer?'

'Você disse que precisa destruir Voldemort, não? E para destruí-lo, precisa matar Tom Riddle...Então, como vai fazer?'

'Não sei!' Ela disse exasperada. 'Estou tentando o melhor que posso, mas não consigo.'

'Não, não está.' Respondeu Rose franzindo as sobrancelhas negras. Hermione levantou o rosto para olhá-la. 'Não seja ingênua, Hermione. Não se engane. Você está longe de tentar o melhor que pode.'

Hermione sentiu o peito ficar acelerado. Perguntou-se se era de raiva, de confirmação ao que ela tinha dito ou a desespero interior. 'Não. Estou realmente tentando.'

'Não está. Você tem medo de machucá-lo. Não só a ele, mas a qualquer outra pessoa. Você tem medo dele te machucar. Não só a você, mas também a qualquer outra pessoa.'

'E daí? É inatural não querer machucar ninguém? É inatural querer que ninguém se machuque?' Ela indagou aumentando um pouco a voz.

'Você não está brincando de ser bruxinha, Hermione. Está enfrentando um cara que vai ser o responsável pela destruição do mundo. O problema é que você tem medo dele. Fica se tremendo a cada vez que se encontra com ele. O problema é que você quer enfrentar um bruxo sem a mínima disposição necessária!'

'E qual seria a disposição necessária? Matar pessoas?' Ela levantou-se da cama, jogando a pergunta para a monitora.

'Não. A de apostar a sua própria vida.'

Hermione calou-se."Como consegue ser tão frio?É a disposição necessária." Lembrou-se de Riddle dizer. Ela não tinha resposta. Ela não tinha nenhuma outra pergunta para jogar. Ela sabia que Rose tinha razão. E ela já havia tantas vezes apostado a vida com Harry e Ron, por que então naquele tempo ela não conseguia? Seria por que ela estava só? Por que poderia morrer sem ver Harry e Ron de novo?

'Eu não quero morrer.' Ela disse baixinho com os olhos lacrimejados. Rose abriu um pouco os olhos, insegura. 'Eu não quero morrer sem vê-los de novo, Rose. Eles são meus melhores amigos. Jamais poderia imaginar minha vida sem eles. Eu... Eu não quero morrer antes de nascer. Eu não quero... deixar de conhecê-los.' Lágrimas desciam dos olhos âmbares de Hermione. 'Eu não quero apostar a minha vida nesse lugar, sozinha.'

'Apostar apenas a sua vida ainda pode não ser suficiente.' Disse Rose olhando para os sapatinhos pretos. Hermione fechou os olhos e respirou. Rose não precisava dizer aquilo. Ela sabia.

'E o que você quer que eu faça? Apostando ou não a minha vida, tudo pode ainda dar errado, não é?'

'Tente apostá-la comigo.' Ela respondeu. Hermone abriu os olhos ainda lacrimejados e a fitou. 'Sou sua amiga, não sou?'

Hermione soltou um soluço e se pôs a chorar. Os ombros se levantavam num ritmo descordenado, e o peito se enchia de algo muito forte que ela própria desconhecia. Rose estava falando sério? Ela havia a perdoado? Havia deixado de lado a briga que tiveram? Estava querendo ser amiga dela novamente? Ainda se considerava amiga de Hermione depois daquilo?

E quanto a Hermione? Estava realmente deixando que uma amizade acabasse com Rose por causa de algo que ela não havia feito? Estava transferindo a raiva de Bellatrix para Rose que nada tinha a ver com a história? Bom, talvez Rose viesse a ser da família de Bellatrix ou coisa parecida, mas ela não deveria ser culpada por crimes que não fez.

Rose havia dado um pulseira que pertencia a sua própria família a Hermione – que ainda usava no seu pulso direito –, havia a salvado contra Tom Riddle em Glast Heim quando estava sendo torturada... Não se pode fazer certas coisas sem gostar um do outro. E ela não podia desgostar de Rose apenas por ser Lestrange.

'Desculpe, Rose.' Ela disse olhando nos olhos azuis da menina. 'Eu não deveria ter agido daquela forma. Eu estava chateada, estava nervosa, estava com medo. Tudo isso se juntou dentro de mim naquela hora. Não importa se você é ou não é uma Lestrange, ainda não é culpa sua. Você não pode ser culpada pelo que sua família fez..-'

'Pare de falar!' Reclamou a menina interrompendo. Hermione piscou os olhos assustada com a resposta de Rose. 'Eu não ligo pelo que você sentiu. Também não me importo com o passado ou o futuro. Não me importa o que minha família fez a você, não estou a fim de escutar. Então pare de falar sobre isso!'

Hermione soltou um sorriso no canto da boca e sentou-se na própria cama, começando a se sentir melhor. Talvez fosse o melhor a se fazer. Deixar aquilo de lado. Não se importar com aquilo. Não naquele momento.

'Então, quem é ele?' Rose perguntou se sentando ao lado de Hermione. 'Quem é esse Voldemort?'

'Você disse que não se importa com o futuro.' Retrucou.

'Com pessoas que não conheço. Mas estudo com Riddle desde o primeiro ano, acho que realmente devo saber sobre ele.'

Hermione coçou a cabeça meio sem jeito. Ela tirou a fotgrafia que estava guardada dentro do bolso da calça e deu a menina. Rose franziu a testa enquanto observava a fotografia bruxa.

'São seus amigos do seu tempo de Hogwarts?'

'Não bem amigos. São mais conhecidos...eu só tenho de três a cinco amigos de verdade. O menino de óculos e com a cicatriz de raio na testa é o Harry. Rony é o ruivo do lado dele, são meus melhores amigos.'

'Hmm... por que seu amigo tem uma cicatriz de raio na testa? É de nascença? Nunca vi isso.' Ela perguntou juntando as sobrancelhas.

'Não, não é uma cicatriz normal.' Respondeu respirando fundo. 'Tom Riddle, agindo como Voldemort, descobriu através de uma profecia que Harry poderia destruí-lo. Então, ele foi atrás dele quando soube da profecia. Harry tinha um pouco mais de um ano de idade.'

'Pra matá-lo?' Rose indagou seguindo a linha de raciocínio.

Hermione confirmou com a cabeça. 'Ele matou o pai de Harry, James Potter, e quando foi tentar matar o Harry, Lily, a sua mãe, não deixou. Ela se jogou na frente do feitiço e acabou morrendo também. Com isso, ela liberou um feitiço antigo causando a proteção de Harry pelo amor que ela sentia por ele. O feitiço de morte de Voldemort atingiu Harry, mas não foi capaz de matá-lo, causando essa cicatriz em forma de raio.'

'O feitiço voltou para Voldemort?'

'Foi. Daí, Harry descobriu que na profecia dizia que nenhum dos dois podem viver simultaneamente, um deve morrer para o outro viver. Só que ele teve medo de falhar, e eu prometi a ele que se ele falhasse em deter Voldemort, eu voltaria no tempo para impedir que Tom Riddle virasse Voldemort, ou seja, para que eu matasse Tom. ' Completou Hermione respirando forte.

'Ele morreu?' Perguntou Rose.

'Quem?' Perguntou Hermione surpresa.

'Seu amigo. Você disse que ele pediu pra você voltar no tempo se ele falhasse em deter Voldemort, e você voltou, então, seu amigo morreu?'

'Não. Eu só encontrei Voldemort primeiro do que ele...' Respondeu encarando seus sapatos. 'Fui só um pouco covarde.'

'Não confunda coragem com burrice, Hermione. Se não tivesse voltado, teria morrido nas mãos de Voldemort, e a promessa não poderia ser cumprida.'

'Talvez.' Ela confirmou sem jeito.

'E agora não pode mais matá-lo porque ele salvou sua vida no cemitério.'

'É.' Comentou com certa raiva. Não de Rose, mas de toda a situação.

'Então como vai fazer para impedí-lo de ser Voldemort?'

'É aí que eu empaco.' Respondeu levantando-se da cama. 'Eu tenho medo do que ele pode fazer comigo. Eu tenho medo de matá-lo, pois se eu fizer vou para Azkaban! Não posso contar a todo mundo que vim do futuro para destruí-lo, chega a ser ridículo!'

Rose olhou pra foto em suas mãos sem responder a castanha. Ela franziu a testa. ' Ainda não entendi uma coisa.'

'O quê?' Perguntou virando para ouvi-la.

'Se o feitiço Avada Kedavra voltou para Tom Riddle, por que ele não morreu?' Perguntou perplexa.

'Ah, Tom criou Horcruxes. São objetos que atuam como portadores de alma. Ou seja, elas guardam partes da alma de Tom Riddle e isso o deixa "imortal".' Respondeu dando de ombros.

'Guardam partes da alma?' Indagou perplexa. 'Como assim?'

'Tom Riddle divide a alma dele em partes e as guarda nesses objetos.'

'Como? Como ele divide a alma dele em partes?' Perguntou a menina completamente atônita.

Hermione olhou pra Rose curiosa. 'Magia...' Respondeu com uma voz enfeitada de felicidade.

Rose negou com a cabeça. 'Não, Hermione...mesmo no mundo da magia, é impossível dividir a alma de uma pessoa.'

'Não é não. Se fosse, Tom não teria conseguido.'

'E isso é que é estranho!' Falou de uma vez. Ela pegou o livro "Animais Fantásticos e onde habitam" de cima da escrivaninha e mostrou a Hermione. 'Se eu rasgar esse livro, não estarei dividindo ele em dois iguais. Estarei destruindo ele e fazendo duas metades que se completam.'

'Mas você pode dividi-los em dois iguais usando magia.' Completou Hermione.

'É, sabe por quê?' Ela emendou. 'E não diga que é porque é magia!'

'Bom, meu palpite era o "porque é magia."' Disse sem graça.

'Porque esse livro possui uma coisa que mesmo na magia não se pode desconsiderar...dentro desse livro compreende uma lei que permite dividi-los em quantas partes quiser, duplicá-lo, aumentar seu tamanho ou diminuí-lo, destruí-lo e reconstruí-lo de novo!'

'O quê?' Hermione perguntou completamente interessada.

'Conservação de massa.' Hermione arregalou os olhos. Conservação de massa? Aquilo se aplicava a magia? 'Esse livro possui uma massa definida e uniforme que permite a magia fazer efeito pois sua massa nunca é perdida. Você pode transformar água em vinho, pode transformar um coelho num copo e ainda fazê-lo comer uma cenoura. Mas não pode transformá-lo se o coelho estiver morto. Não se pode separar duas moléculas de hidrogênio de uma de oxigênio e se o fizer, não será mais água e assim não poderá transformá-la em vinho porque...

'A massa conservada não existe mais, pois a essência se esvairou.' Completou entendendo pensamento de Rose. 'Não sabia que no mundo da magia tinha leis entre própria magia.'

'E a alma não é um objeto, muito menos um coelho, ou água. É algo que não sabemos o que é, sem massa definida, sem forma, mas que através dela sobrevivemos. E não podemos perder metade dela porque ela é indivisível. Ou você a perde completamente ou você a tem completamente. Acredite, Tom Riddle não dividiu a alma dele, apenas fez algo inimaginável que causa sua "imortalidade".'

Hermione tinha o cérebro trabalhando a mil. Ela entendia o que Rose estava dizendo e naquilo ela tinha razão. Se Tom Riddle não dividiu a alma dele, então como faz para se tornar imortal e ter sua alma dentro das Horcruxes? E se não era as almas dele que estavam dentro de tais relíquias, então o que era? E porque agiam como se fossem parte de Riddle? Rose parecia pensar nisso também. Hermione teve um estalo. Parecia loucura, mas foi o único pensamento que lhe veio.

'Rose, se o principio da conservação de massa pode ser aplicada a magia...' Começou Hermione devagar, tentando acompanhar o raciocínio. 'Então a lei da troca equivalente também, não é?'

'Lei da troca equivalente?' Indagou-se Rose.

'Há a lei da troca equivalente, ela atua junta a lei de conservação de massa. Na natureza, nada se perde, nada se cria, tudo se transforma! É o principio da Alquimia. Você não cria algo do nada, você o transforma, utilizando algo de valor equivalente ao reagente e assim ocasionando o produto!'

Rose pareceu não entender de principio, mas depois compreendeu. 'Então, ele utilizou algo de valor equivalente a alma dele para criar esses horcruxes?'

'Exatamente!'

'Mas o que pode ser de valor equivalente a alma de Tom Riddle?'

'A alma de uma outra pessoa!' Respondeu de uma vez falando um pouco mais alto. 'Todas as mortes que ele causou foram de uso para conseguir essas Horcruxes.'

'Mas se não é a alma dele que está dentro desses objetos, e sim de outras pessoas, como essas almas se comportam como se fossem a alma dele?'

'Não sei.' Ela respondeu de forma sincera. 'Talvez tenha outra lei dentro disso que permita que isso aconteça. Olhando pelo ponto científico, não tem como uma alma se comportar como outra, mas na magia pode haver um meio para isso. E Riddle descobriu como isso era possível.'

'Agora já sei o que ele faz tanto na biblioteca.' Completou Rose coçando a cabeça. Depois, ela esbugalhou os olhos. 'Ei, você não acha que pode tentar impedir dele criar essas coisas?' Ela perguntou com os olhos brilhando. Sentia que era uma boa ideia.

'O quê?'

'Se você impedir que Riddle crie essas coisas, ele morrerá quando for tentar matar seu amigo. Não é?' Hermione piscou os olhos e pensou naquilo com calma. Depois percebeu que não daria certo.

'Não dá. Não tem como eu impedi-lo de fazer isso. Ele construiu essas Horcruxes em tempos diferentes e em objetos que eu nem sei quais são.'

Rose se emudeceu rapidamente e voltou a sentar na cama que pertencia a Hermione.

'Não tenho escolha, Rose. Tenho que matá-lo.' Ela afirmou.

'Acha mesmo que não pode fazer isso de outro jeito?' Rose tentou. 'Você disse que tinha prometido ao seu amigo Harry que impediria Riddle de ser Voldemort, impedir não quer dizer matar.' Ela levantou o rosto e olhou para a amiga.

Hermione franziu a testa. 'O que quer dizer?'

'Não sei. Você parece se dar bem com ele.' Ah, mas aquilo de novo? Como as pessoas naquela época achavam que 'quase matar um a outro' era se dar bem? 'Digo, ele aparenta gostar de conversar com você. Ele a salvou naquele dia e ele disse achar você interessante...' Os olhos azuis caíram sobre o edredom vinho da cama. Hermione continuou não entendo. 'E sabe, Hugo me disse ontem à noite, que haverá um Baile de Halloween e-'

'Tá legal, já entendi.' Ela reclamou jogando os braços para cima. 'Esqueça. Eu tenho que matá-lo. Cortar-lhe o pescoço. Triturar os ossos. Eu não vou a um baile idiota com aquele garoto!'

'A questão não é ir ao baile com ele.' Ela tentou se corrigir. 'Bom, também. Mas você poderia tentar ir para um caminho diferente. Por que você não tenta aproveitar o baile para se aproximar de Riddle? Ficar próximo a ele pode fazer com que você o conheça melhor e saber o que ele está pensando em fazer, assim podendo bolar um plano.' Finalizou. Hermione não sabia o que fazer ou responder. Deixou-se a pensar e esperou que não tivesse que realmente fazer aquilo.

'Eu não sei o que dizer.' Hermione adicionou.

'É uma alternativa válida, não é? Você tem dois caminhos a seguir, Hermione. Ou você o mata, e, acredite, precisará de um plano bem feito para isso ou você vai para o caminho oposto.'

'Que caminho oposto?'

'Aproximar o suficiente dele e fazê-lo desistir da ideia de ser Voldemort. Considerando o jeito de Riddle, há uma possibilidade bem pequena disso acontecer. Mas há uma, e pelo que consigo ver você é a única que pode realizá-la.'

'Por que eu sou a pessoa que mais se dá bem com ele?' Ela tentou ironicamente. Rose confirmou com a cabeça.

'Tenha um relacionamento com ele.'

A traquéia de Hermione fechou instantaneamente e ela começou a tossir forte. Rose usou a própria varinha para fazer parar a tosse de Hermione. Os olhos ficaram lacrimejados pela falta de ar e ela respirava com certa dificuldade. 'O quê? Você endoidou?'

'Não estou inferindo que você se apaixone por ele, sabe disso. Mas causar o efeito contrário. Ter um relacionamento com ele pode fazer com que ele tenha um laço forte com você e aí pode ser que ele desista da ideia de ser Voldemort.'

'Isso é ridículo. É a coisa mais absurda que eu já ouvi na minha vida!' Hermione rebateu de forma quase violenta. 'Acho que tenho mais coragem para matá-lo do que para ter um relacionamento com ele. '

'Bom, então vai precisar de um bom plano.' Complementou a monitora. Hermione ainda se recuperava do ataque de tosse.

'O problema é que eu não sei quanto tempo vou levar.' Ela disse já agindo naturalmente. 'Ter um plano infalível requer várias opções e não posso ficar fazendo suposições. Tenho que realmente entendê-lo melhor... Mas eu não vou ao baile com ele!' Ela adicionou antes que a monitora falasse algo sobre aquilo. 'Deve haver outro jeito de me aproximar dele, sem que dependa desse baile. Algo que chame menos atenção. Ele certamente desconfiaria se eu o chamasse para esse baile.'

'Eu tenho uma ideia'. Informou Rose. Hermione pediu para que não fosse tão ridícula quanto ter um relacionamento com ele. 'Eu não sei como Riddle levou Leslie a Glast Heim, mas você tinha me dito que ele estava como Brewster van der Alden. Ou seja, hava usado a Poção Polissuco.'

Hermione olhou pro chão, lembrando-se do seu segundo ano. Ela fez uma careta, sua primeira tentativa com poção polissuco não dera muito certo. Hermione piscou os olhos e deixou que Rose continuasse, ao mesmo tempo que pensava sobre a ideia.

'Então, podemos usar o mesmo plano para isso. Transformarmo-nos em estudantes sonserinos para espioná-lo'.

'Podemos? Transformamo-nos?'

'Eu disse para apostar comigo, não disse?' Disse levantando as sobrancelhas. 'Além disso, você não saberia passar por uma sonserina perfetamente. Precisa de ajuda.'

Hermione olhou para a janela do quarto enquanto pensava se acarretava a ideia de Rose. Não parecia ser má ideia. E pelo menos era um começo de um plano. E era um plano. Coisa que Hermione ainda não tinha.

'Não é má ideia... Mas como vamos fazer isso de forma certa? Não podemos ser pegas pelos professores ou alunos. Além disso, precisaríamos nos tansformar em pessoas próximas de Riddle, não tão próxima quanto Malfoy, já que fatalmente perceberia.'

'Sim, verdade. E não acho que dará certo com o Van der Alden também, ele não é muito próximo a Riddle e deve ser dfícil se passar de burro tão naturalmente quanto ele é, e só sobra o Rosier- que anda sempre com um bando de garotas idiotas do sexto ano.'

'E quanto as meninas?'

'De meninas as mais próximas são Eileen e Lysander. Elas são do sétimo ano e participam do clube do Slugue junto com Riddle.'

'Hm, Eileen Prince e Lysander Black?' Ela perguntou esperando a resposta afirmativa. 'Por acaso Black tem algum relacionamento com Malfoy?'

'Como é que vou saber? Mas não me espanta se for verdade...Por quê?' Ela perguntou curiosa.

'Porque ouvi Prince, ontem à noite, dizer a Malfoy que Black gostaria de conversar sobre a relação deles. E também que Malfoy tem uma detenção hoje à noite ás oito horas com o Professor Binns.'

'Acha que podemos nos aproveitar disso?' Perguntou Rose ansiosa.

'Sim. Podemos pensar em algo sobre isso.'

'Certo e então iremos nos transformar nessas meninas e espionaremos Tom. Temos que pegar muitas poções.'

'Não precisamos. Basta apenas uma. Podemos utilizar o feitiço Geminio para duplicá-las quando necessário. Além disso, Slughorn não sentirá falta de Poções Polissucos no seu estoque.'

'Certo. Acho que é um bom plano. Mas se formos pegas, seremos expulsas.' Relembrou Rose.

Hermione se deixou respirar fundo. 'Eu sei... mas temos que apostar, não é?' Rose sorriu e afirmou com um aceno.

'Vamos, precisamos tomar café.' Chamou Rose levantando-se da cama.

'Ei, preciso tomar banho, primeiro.' Ela disse indo em direção ao banheiro.

'Hermione?' Chamou a menina mais uma vez. A castanha virou para olhá-la. 'Então estamos bem? Somos amigas de novo?'

'Promete não me chamar de Sangue-Ruim?' Considerou Hermione para a menina.

'Só se você prometer que não vai me chamar de Lestrange.'

'Acho que posso fazer isso facilmente.' Ela respondeu sorrindo. Rose também sorriu e as duas apertaram as mãos. Hermione então foi ao banheiro para tomar banho. Hermone naquele momento notou que ela estava errada. Ela não estava sozinha.

Continua no próximo capítulo.


N/A: As coisas ficando cada vez mais interessantes.

(Não vou comentar sobre o atraso, vocês não precisam de desculpas idiotas).