Capítulo 12 – Alquimia

Hermione e Rose desceram as escadas para o Salão Principal a fim de tomarem café. Além disso, Hermione lembrava constantemente a Rose para que não dissesse sobre o plano ali nos corredores, pois os quadros de Hogwarts poderiam ouvir e de certo modo delatá-las. Ali em Hogwarts, a expressão 'As paredes têm ouvidos e os matos têm olhos' fazia todo o sentido.

Os outros alunos estavam em aulas e por isso a escola estava quase que deserta, e isso era ainda mais evidente nos Salão Principal, em que as mesas estavam vazias, sem alunos ou professores.

'Não tem ninguém, está tudo vazio. Até as mesas...' Reclamou Rose olhando para as mesas das casas sem nem mesmo um prato de refeição.

'Os elfos da cozinha sabem quando os alunos chegam no Salão Principal. Então não se preocupe, assim que nos sentarmos, as refeições irão aparecer.' Respondeu Hermione se colocando a frente da menina e sentando na mesa pertencente a Grifinória. Não demorou muito para a mesa inteira da Grifinória fosse carregada de pratos do mais variados tipos.

'Eles são realmente muito úteis.' Comentou a menina sentando-se à frente de Hermione e começando a fazer o prato, colocando croissants, torradas, ovos e geléia. 'Não sei como viveríamos sem os elfos.'

'Eles são tratados como escravos, sabia disso?' Indagou Hermione levantando as sobrancelhas um pouco irritada. 'Não ganham salário, são obrigados a trabalharem e se não o fizerem o serviço bem-feito são castigados. Isso é horrível. Alguém tem que fazer alguma coisa!'

Rose levantou os ombros sem saber muito bem o que responder. 'Eles nasceram para isso, não? Deve ser o instinto deles...'

'Ninguém nasce para ter como instinto trabalhar dessa forma!' Rebateu Hermione na mesma hora.

'Você parece aquelas pessoas que fazem movimentos para a libertação dos elfos...' Adicionou a monitora sem parecer levar a sério o comentário de Hermione.

'Bom, eu sou.' Hermione confirmou, e ela achou estranho o fato de Rose parecer se assustar com aquilo. 'Se tivesse no meu tempo, você poderia fazer parte do F.A.L.E...'

'Fale?'

'Não é Fale. É F.A.L.E. Fundo de Apoio a Libertação dos Elfos.' Ela levantou com um ar de soberania. 'Um projeto criado por mim... mas que infelizmente conta com apenas quatro integrantes. Sendo que três deles só estão dentro, pois são meus amigos.'

'Ninguém se interessa para libertar os Elfos, Hermione. Principalmente se forem bruxos. Sendo nascida-Trouxa, você consegue ver isso por um outro ponto, que pode vir a ser válido, mas o mundo bruxo nunca iria se inclinar para a libertação total dos Elfos. Precisamos dele. E eles precisam de nós.' Terminou Rose bebendo um pouco de suco.

'Eu só quero que eles sejam tratados de forma melhor. Sem sofrer abusos, castigos ou coisas do tipo. Não custa nada ser gentil com eles.' Rose fez um aceno com a cabeça que parecia representar concordância com o que Hermione havia dito.

'Bom, quem sabe as coisas mudem a partir dos anos, não é?'

Hermione deixou o assunto de lado e comeu um pouco do waffle que tinha posto no prato.

'Sobre o plano, como vamos fazer?' Perguntou Rose puxando o assunto. 'Como vamos atrair Prince e Black? E como podemos ter certeza que elas não nos atrapalhará na hora em que estivermos lá? E como vamos pegar as poções sem que professor Slughorn desconfie?'

Hermione tomou um pouco de suco de abóbora e de forma natural respirou fundo. 'Eu não faço ideia.'

'Hermione!'

'Não sei, Rose. No meu segundo ano, fiz uma Poção Polissuco, mas as pessoas que Harry, Ron e eu íamos nos transformar eram idiotas. Black não deve ser idiota e Prince também não, visto que é Monitora-Chefe e está no Clube do Slugue. A única opção que temos é pensar em algo a fazer hoje à noite, ás oito horas, quando Malfoy estiver na detenção com Professor Binns, mas não sei como isso nos ajudaria a atrair as duas sonserinas.'

'Talvez não precise ser ás oito horas da noite. Podemos fazer isso mais cedo.'

'Não pode perder aulas. Você é monitora e as pessoas estranhariam faltar todas as aulas do dia. Além disso, temos que fazer com que não só Hugo, Fox, Presto e Leslie nos vejam, mas também Malfoy e Riddle, pois se nós sumíssemos de repente, ficaria evidente que algo estranho está acontecendo.'

'Faz sentido.' Disse Rose concordando com Hermione. 'Mas precisaríamos pegar as poções mais cedo. Ás nove horas começam as rondas pelo castelo e não sabemos quando acabará a detenção de Malfoy.'

'Onde fará a ronda, hoje?' Perguntou Hermione curiosa.

'No sétimo andar da Torre. Não tem como eu ir para as masmorras.'

Hermione piscou os olhos, se pondo a pensar. 'Não podemos pegar no horário de aula, na frente de Slughorn. E pelo que sei o encontro do Clube foi ontem, e não haverá outro esta semana. Também não sabemos quem estará nas masmorras fazendo as rondas...É, complicado.' Ela finalizou com um sentimento que aquele plano podia realmente não dar certo.

'Só se enganarmos o professor.' Tentou Rose, mas logo descartou a ideia. 'Mas não acho Slughorn tão burro assim. Além disso, não podemos pedir ajuda de Hugo, que se não me engano, estará no jardim.'

'Seria bom se tivéssemos alguém para nos ajudar. Mas não podemos colocá-los em perigo. Acho que temos que em uma hora, atrair as meninas e pegarmos as poções. Só não sei como.' Complementou Hermione.

'Você disse que Black queria falar com Malfoy, não foi?' Indagou Rose e Hermione confirmou com a cabeça. 'Podemos usar isso a nosso favor. Talvez se nós marcássemos alguma coisa com ela, passando-nos por ele...'

'Mas para isso precisaríamos da Poção.'

'Não, não precisamos. Apenas marcamos algo com ela, tipo um encontro, certamente ela irá.' Hermione até que achou uma boa ideia. Rose continuou. 'Marcamos algo com ela, uma hora antes da detenção do Malfoy com o Professor Binns, ou depois, e aí é só ir atrás da Prince. Quando as prendermos, aí vamos atrás da Poção Polissuco.'

'É meio arriscado, mas parece ser nosso único ponto de partida.' Hermione analisou friamente. 'E como vamos marcar algo com Black?'

'Mandamos uma coruja.'

'Hm, e a letra?' Indagou Hermione para a menina segurando uma torrada. 'Tenho certeza que minha letra não tem nada a ver com a do Malfoy.' Rose olhou um ponto inexistente ao seu lado, pensativa. Depois, levantou os olhos, deixando claro que havia pensado em algo.

'Você ainda tem aquele pergaminho que ele te mandou marcando nosso duelo?' Ela perguntou ansiosa.

'Acho que sim.' Disse Hermione soltando a torrada repentinamente, limpando as mãos, e abriu a mochila que estava ao seu lado. 'Deve tá aqui por algum lugar...' Mexendo os vários bolsos que havia naquela bolsa de couro que Dumbledore havia gentilmente lhe dado no primeiro dia de aula. Ela encontrou depois de alguns segundos. 'Aqui.' E então as duas afastaram os pratos e Hermione jogou o pergaminho em cima da mesa.

'Certo. Com isso é fácil. Basta lançarmos um feitiço que troque as letras e faça parecer um convite a Black.' Rose disse tirando a varinha de dentro do cinto e apontando para o pergaminho. 'Só precisamos decidir o horário.'

'Bom, acho que pode ser depois da detenção do Malfoy. Se for antes, será muito cedo, e poderá haver gente percebendo. Mas a que horas pode terminar a detenção dele?' Ela perguntou curiosa.

'Eu não acho que o Professor Binns dará uma detenção muito severa a ele. Independente da punição, Malfoy deve terminar a detenção uma ou duas horas depois. Então podemos marcar ás dez, na sala de Transfiguração, já que fica no mesmo andar de História da Magia.'

Hermione confirmou. Ela realmente achou um bom horário. 'É. É um bom horário. E teremos das oito ás dez para tentarmos pegar as poções. Se caso não conseguirmos, tentamos depois de atrairmos Black e Prince.'

Rose apenas confirmou com a cabeça. Ela se ajeitou na mesa e leu o pergaminho já desgastado escrito por Malfoy.

"Combinado então, Srta Granger. Sexta-feira, nas sala quatro das masmorras, ás dez. Esteja lá com seu/sua padrinho/madrinha.

Abraxas Malfoy."

Rose fez o feitiço de forma não-verbal, e as letras começaram a se embaralharem no pergaminho degastado. Logo, o nome de Hermione havia sumido, assim como padrinho/madrinha e, no final, havia um combinado que realmente parecia ter sido escrito por Malfoy.

"Black,

Prince me disse que gostaria de falar comigo. Esteja hoje na sala seis do quarto andar, ás dez.

Abraxas Malfoy."

'Acho que está realmente bom.' Comentou Hermione segurando o pergaminho e lendo-o com atenção.

'Agora só temos que ir ao Corujal e deixá-lo lá para que o correio entreguem hoje ao entardecer.'

Hermione concordou e então as duas terminaram de tomar café. Hermione colocou a mochila sobre o ombro direto e com o pergaminho nas mãos saiu do Salão Principal ao lado de Rose. Saíram dos portões do castelo e logo foram caminhando pelos terrenos de Hogwarts em direção ao Corujal.

'Estava pensando, Rose...' Ela começou caminhando ao lado da morena. 'O que vamos fazer lá?'

Hermione franziu as sobrancelhas e olhou para a menina. 'Como assim, o que vamos fazer lá? Vamos nos aproximar de Riddle, não é? Saber o que ele planeja?'

'Sim, mas como saberemos isso em uma noite?' Ela perguntou curiosa. 'Riddle não nos diria e não podemos nos transformar em Prince e Black por todo o tempo, as pessoas sentiriam nossa falta. E não podemos ter Prince e Black presas para sempre, sentiriam falta delas. Então o que vamos fazer lá?'

Rose parou de andar no mesmo instante e Hermione acompanhou o movimento da garota. A mão direita da castanha ainda segurava o pergaminho desgastado. Rose estava calada e não sabia o que dizer. Hermione esperava que a monitora viesse com alguma ideia para aquilo.

'Acho que um dia pode ser suficiente.' Rose disse levantando os ombros. 'Não acho que sentiriam nossa falta ou delas por apenas um dia.'

'Sério? Acha que Leslie não estranharia ficarmos desaparecidas por um dia inteiro?' Indagou Hermione em um tom sarcástico. Rose fez uma careta.

'Se fosse pelo menos ela, ainda tem os outros...' Emendou a monitora com um pouco de insatisfação. 'Então, o que vamos fazer? Vamos abortar a missão?'

'Eu não sei. Mas não sei como, à parte disso, podemos nos aproximar de Riddle.' Ela respondeu sincera.

Hermione respirou fundo e logo virou o rosto para o lado esquerdo, pensando em algo. Aquele era de fato um bom plano se visto no geral, mas na prática não parecia dar certo por outros fatores. E Hermione certamente não queria se aproximar de Riddle por outro jeito, menos ainda indo com ele para um baile, ou levando em consideração o que Rose havia dito, ter um relacionamento com ele.

Ela franziu as sobrancelhas quando percebeu que algo parecia encará-las dentre as árvores que se juntavam a Floresta Proibida. Era um aluno? E poderia ele ter escutado?

'Rose... acho que tem alguém ali.' Ela disse baixo para a menina. Rose virou o rosto para onde Hermione se referia e repentinamente saiu correndo em disparada para o local. Hermione esbugalhou os olhos.

'Oiy, Rose!' Ela chamou e ajeitando o pergaminho dentro da mochila sobre os ombros, saiu correndo atrás da amiga também. 'Ei, espera!'

Hermione tentou correr mais rápido, mas o peso da mochila a atrapalhava. Ainda conseguia ver Rose quando as duas entraram naquela parte da Floresta.

'Droga!' Reclamou a monitora já parada entre as árvores. Hermione caminhou para chegar até ela. 'Perdi-o de vista...'

'Não viu quem era?' Perguntou respirando rápido.

'Não. Ele correu no mesmo instante que eu.'

'Acha que ele escutou nossa conversa?'

'Não sei. É meio longe de onde estávamos, mas ele pode ter usado algum feitiço para escutar melhor.'

'Se ele tiver escutado, pode dar tudo errado.' Disse Hermione olhando em volta a procura de alguma evidência. 'Ele pode dizer a um dos monitores ou professores.'

'Qual é? Não confiam em mim?' Perguntou uma voz em meio às árvores. Hermione e Rose se entreolharam e buscaram a voz. Dentre as brechas das árvores, saiu um garotinho. Hermione e Rose o reconheceram.

'FENRIR!' As duas exclamaram alto e ele sorriu de orelha a orelha. Fenrir estava parecendo mais sujo e tinha alguns machucados no rosto e nas pernas, já que suas calças estavam rasgadas na altura dos joelhos. Haviam olheiras bem profundas embaixo dos olhos do garoto e a cicatriz sobre o olho direito estava mais acentuada.

'Por que está aqui?' Perguntou Hermione se aproximando do garoto e deixando a mochila sobre o chão. 'Não acha perigoso ficar aqui na floresta?'

'Não.' Ele respondeu negando com a cabeça. 'Na verdade é o lugar mais seguro. Não posso ficar com vocês no dormitório, eu vou morrer de tédio.' Ele reclamou. 'E fome.'

'A quanto tempo está aqui?' Perguntou Rose se colocando ao lado de Hermione.

'Uns dois dias. Consegui comida, algumas frutas...tentei entrar no castelo antes, ver se encontrava alguma de vocês, mas não achei. Daí decidi ficar aqui. Só tenho medo dos centauros, mas os outros animais não parecem perigosos.' Ele acrescentou sentando sobre o chão.

'Você tá machucado.' Disse Hermione percebendo sangue escuro sobre topo da cabeça de Fenrir. 'Não pode ficar com ferimento aberto, Fenrir, pode pegar doenças.'

'Já está estancado, eu acho.' Ele disse levantando uma das mãos e passando em cima da região machucada. Fez uma careta de dor. Hermione retirou a varinha e fez um feitiço de cura. 'Aquela pedrada doeu.'

Hermione se lembrou que Fenrir esteve em Glast Heim com eles. Ele havia tentado ajudá-la, mas acabara desmaiando quando Riddle acertou uma pedra em sua cabeça. Percebeu então que assim como Rose, Fenrir não teve suas memórias alteradas. Talvez Riddle não soubesse quem ele era e por isso não se importou com o garoto.

Fenrir havia sozinho voltado para Hogwarts? De Glast Heim para lá?

'Como veio para cá, Fenrir?' Ela perguntou curiosa. Fenrir colocou a mão direita dentro do bolso e retirou de lá um giz branco. Então, entregou a Hermione. 'Um giz? Veio para cá com um giz?'

'Eu já deveria saber.' Acrescentou Rose. Fenrir pareceu encher o peito de orgulho.

'Ainda não entendi.'

'Fenrir tem um ótimo olfato, sabia?' Indagou Rose para Hermione, que apenas franziu as sobrancelhas. 'Quando eu percebi que talvez você estivesse certa sobre Leslie em Glast Heim, decidi que deveria ir também, mas não sabia como iria chegar até lá. Fenrir havia encontrado esse giz nas coisas de Leslie e então me disse que com aquilo, ele podia me levar até vocês. Daí peguei a vassoura de Hugo e fomos a Glast Heim.'

'E como Fenrir pode encontrar Leslie por este giz?' Hermione ainda perguntou não entendendo.

'Esse giz tem o cheiro de Leslie.' Respondeu Fenrir naturalmente.

Cheiro? Hermione piscou os olhos e rapidamente a aula que tivera com Professor Dumbledore veio à sua mente. Leslie havia se transformado em um Lunático e Dumbledore havia mostrado aos alunos sobre o giz feito de pêlo de Lunático. Então, ela entendeu.

'Se utilizou do cheiro de Leslie para levar Rose até Glast Heim e fez o mesmo processo para retornar a Hogwarts.'

'Exatamente.' Ele disse sorridente mais uma vez.

'Foi esperto.' Elogiou a castanha ainda olhando o tal giz com curiosidade. 'Bom, parece que você tem os sentidos apurados, não é, Fenrir?' Ela indagou um pouco ansiosa. Isso poderia ser um mal sinal. Poderia ser uma característica do lobo dentro dele, mas Hermione preferiu pensar que não era.

'Sim.' Ele confirmou.

'Seus ouvidos também, né?' Ela levantou as sobrancelhas. 'Você escutou o que Rose e eu estávamos conversando?'

'Só a partir da onde você diz 'O que vamos fazer lá, Rose?'

'Isso é desde o começo!' Rebateu Rose indignada.

'Não pude evitar.' Ele se desculpou no mesmo instante. 'Então o que vão fazer lá?'

'Isso não lhe interessa!' Revidou Rose novamente.

'Hm... Fenrir?' Chamou Hermione pensativa. Ele olhou para a castanha. 'Você pode nos ajudar em algo?'

'Ajudar?' Ele indagou inseguro.

'Oiy, Hermione, o que está pensando?' Perguntou Rose não entendendo o que Hermione queria também. 'Como Fenrir pode nos ajudar?'

'Temos que pegar poções, não é? Fenrir pode nos ajudar com isso. Escute, Black talvez será a mais fácil parte do plano. E acho que você deveria lidar com ela, Rose.' Argumentou Hermione olhando para a monitora. 'Assim que vir que Black está na sala de Transfiguração, faça-a desmaiar. Espere lá por mim e Fenrir.'

'O que vai fazer?' Ela perguntou curiosa.

'Prince é Monitora-Chefe, mas ainda tem a ronda como um de seus deveres. Preciso saber onde ela estará. Fenrir pode me ajudar com isso. Entregarei algo a ele pertencente a Prince e ele pode se guiar pelo cheiro. Depois disso, vamos ao armário de poções do professor Slughorn. As poções não são etiquetadas, e não temos tempo para ver a consistência de cada uma para saber quais são as poções. Fenrir também pode fazer isso por nós, daí só precisamos duplicar uma delas e levá-la conosco.'

'Como vai conseguir algo pertencente a Prince?'

'Nós temos o dia inteiro para conseguir. Malfoy me disse que ela faz umas três matérias conosco, talvez Prince esteja em uma delas hoje. Podemos no utilizar de um momento para conseguir algo dela.'

'Hm, então assistiremos aulas, hoje?' Ela perguntou interessada.

'Você sim. Eu não.' Hermione respondeu, depois, ao ver o rosto da monitora, continuou. 'Tenho uma desculpa para não ir as aulas, nem hoje e nem amanhã. E talvez essa desculpa possa fazer com que Leslie não suspeite de nada por um dia inteiro.'

'Qual?'

'Eu acabei de sair da enfermaria. Posso fingir que ainda estou mal pelo que aconteceu quando fui envenenada pelo tal Kappa. Talvez isso funcione com os meninos também. O problema será a sua ausência.' Ela terminou com a voz já um pouco baixa.

Rose também pareceu preocupada com aquilo. Ela não tinha motivo para não ir ás aulas ou 'desaparecer' por um dia sem ninguém notar. Ela ainda era monitora. 'Talvez podemos pensar nisso depois.' Ela tentou rapidamente. 'Tenho certeza que vou conseguir pensar em algo viável.'

'Está decidido. Vamos realizar o plano. Se conseguirmos agir com naturalidade e sem fazer com que mesmo Prince e Black entendam o que aconteceu, podemos fazer isso mais algumas vezes. Vamos para a Sonserina hoje à noite, e passaremos o dia de amanhã observando Riddle.' Disse Hermione confiante.

'Hum, eu realmente tenho que fazer isso?' Perguntou Fenrir levantando as sobrancelhas grossas.

'Você não quer nos ajudar?' Indagou Hermione agora olhando para o garoto. 'Precisamos de você para isso dar certo, Fenrir. Será o nosso herói.'

'Eu não quero ser um herói.' Ele disse sério. 'Heróis são legais, mas não quero ser um. Eu sou um órfão.' Ele disse batendo o dedo indicador no chão.

'E o que tem a ver? Ser órfão não te impede de ser um herói...' Respondeu Hermione negando com a cabeça.

'Você sabe o que é um herói, Hermione?' Ele perguntou com a voz firme. 'Supomos que temos carne, certo? Um órfão iria comer a carne inteira. Um herói dividiria com os famintos. Eu quero a carne inteira!'

'Ué, se você quer carne, posso te dar.' Ela respondeu levantando os ombros.

'Sério?' Ele perguntou levantando a cabeça. Hermione acenou, sorridente. 'Tá legal!'

'Está resolvido?' Indagou Rose espantada.

'Vamos fazer isso direito! Oiy, Rose, vá atrás de Black!' Mandou Fenrir.

'Cale a boca!' Disparou Rose irritada. Hermione riu.

'Bom, então está resolvido. Fenrir irá nos ajudar em troca de carne. Não importa os tempos, uma criança sempre será criança.' Ela comentou levantando-se do chão e limpando o uniforme da sujeira. 'Fenrir, não saia dessa parte da floresta. Voltarei mais vezes aqui para vê-lo, certo?'

'Não se esqueça da carne!' Ele emendou logo temendo que ela se esquecesse.

'Não irei. Vamos, Rose, temos que ir ao Corujal.' Rose acenou e também se levantou do chão, limpando a saia do uniforme. As duas deram mais algumas instruções a Fenrir e saíram da floresta em direção ao Corujal.

Hermione não sabia se o plano daria certo ou não, nem se realmente iriam conseguir se aproximar de Riddle, mas ela tinha que tentar algo. Havia percebido que Rose estava certa. Ela não estava tentando. Ela estava empurrando aquela promessa, pois tinha a esperança de voltar ao seu tempo sem ter que realmente matar Tom. Ela achou que quando mais tempo passava naquela época, mais o feitiço Chronum Extracto se extinguia, fazendo com que ela volte para Harry e Ron sã e salva. Só que voltar sem ter, ao menos, tentado algo, a fazia sentir-se culpada e com remorso. E ela não podia viver com aquele sentimento. Ela era a melhor aluna de Hogwarts, e ela não falhava em seus deveres e em seus planos, e era evidente que ela não podia falhar ali, naquele lugar, com aquela missão.

Hermione retirou o pergaminho de dentro da mochila e entregou a Rose que chamou uma coruja parda para fazer a entrega. Então, ela amarrou o pergaminho numa das patas da coruja. 'Entregue isso a Lysander Black, da Sonserina, ao entardecer.' A coruja soltou um baixo pio, mas que demonstrara entendimento e logo voou o corujal para se colocar novamente no poleiro em que estava.

Rose juntou-se a Hermione, que estava na entrada do local, e as duas grifinórias fizeram o caminho de volta para o castelo. Elas conversavam e trocavam informações ainda sobre o plano.

'Então, você quer que eu tire algo pertencente a Prince?' Rose indagou acompanhando os passos de Hermione.

'Sim. Eu não poderei. Eu só não sei quais matérias ela faz conosco. Nunca prestei muita atenção nos alunos, a exceção de nós e Riddle.'

'Ela faz Poções, Transfiguração e Feitiços. Defesa Contra as Artes das Trevas ela faz com a professora Merrythought.'

'Por quê?' Perguntou a castanha interessada.

'Porque ela escolheu. Professora Merrythought é a professora de Defesa Contra as Artes das Trevas até o quinto ano. Depois disso, os alunos podem escolher entre ela e o Professor Hildegard. A maioria das meninas fazem com ela, enquanto os meninos fazem com o Hildegard.'

'Não sabia disso. Bem que estranhei não terem muitas meninas na aula de DCAT.'

'É. Eu estou lá porque os meninos também estão. Não queria ficar com Leslie tendo aula com Merrythought, embora ela seja uma boa professora. Só acho que ela ensina pouca prática e mais teoria, mas tem gente que prefere assim.'

'Eu não tive que escolher entre os professores.' Comentou Hermione achando aquilo um pouco estranho.

'Não tinha como você escolher. Você nem os conhece. Só teve que dizer para qual ramo queria fazer seu N.I.E.M's e aí provavelmente Professor Dumbledore lhe colocou conosco.'

'É, faz sentido.'

'Ei!' Rose parou de andar instantaneamente. 'Você não acha que ele pode nos ajudar?'

'Não quero falar com ele sobre isso.' Ela disse convicta. 'Não quero que ele saiba disso. Não conte a ele, Rose. Além disso, se contarmos a ele, nós estaríamos nos colocando em perigo de sermos expulsas. Mexer no tempo é ilegal e principalmente pelo feitiço que fiz.'

'Tá, entendi.' Ela confirmou com a cabeça.

'Você tem alguma matéria com ela hoje?' Perguntou Hermione.

'Transfiguração. É com a Sonserina. Riddle e Malfoy provavelmente estarão lá.' Rose respondeu pensando sobre aquilo.

'Tente pegar algo dela então. Qualquer coisa pode ser útil. Se Dumbledore perguntar sobre minha ausência, tente se mostrar desinteressada e diga que estou me recuperando do veneno do Kappa.'

'Como vai fazer para que Malfoy e Riddle não desconfiem de nada?'

'Eu não preciso fazer algo. O máximo que pode acontecer é Malfoy e Riddle virem até mim me perguntarem o real motivo de não ter ido as aulas e eu posso responder que é por realmente não estar me sentindo bem. Os dois sabem que eu tenho motivo para isso.'

'Hm, certo.' Concordou a monitora. Hermione e Rose entraram no castelo e não demoraram a ver os alunos saindo das salas para encher os corredores, masmorras e outros lugares. As aulas haviam sido terminadas por aquele horário e as próximas só seriam em meia hora.

'Vá atrás dos meninos, Rose. Quanto mais cedo isso for contado, mais verdade parecerá. Além disso, diga a Leslie que dormirei na Enfermaria hoje à noite.' Ela indicou já se pondo à frente da menina.

'Onde vai?'

'À biblioteca. Riddle gosta de estudar as matérias dadas em salas de aula no intervalo, provavelmente ele estará lá.' Ela disse não se sentindo muito bem por saber que parecia estar realmente próxima de Riddle.

Se ela tinha que se aproximar do garoto, ela não conseguiria apenas se utilizando de Poção Polissuco, sabia disso. "Você é a melhor que se dá com ele." Se aquilo era realmente verdade, não tinha como transformada em outro alguém ficar próxima dele. Ela estava usando aquele plano de forma despretensiosa, apenas para se aceitar que está fazendo algo , do que realmente achando que iria descobrir tudo que deveria em apenas uma noite.

Ainda assim, um dia inteiro perto do garoto, poderia realmente fazê-la ver o que ele poderia estar tramando. Se ele estivesse por ter um plano tão louco quanto raptar alguém novamente, ela iria descobrir.

Hermione entrou na biblioteca e com os olhos rápidos procurou por Riddle, mas não o encontrou. Talvez, ele ainda não havia chegado no recinto. Sem demonstrar descontentamento, ela se dirigiu a uma estante, de Historia da Magia, e ficou a procurar algum livro interessante para passar o tempo ali. Anotou mentalmente que não poderia passar mais de horas naquele lugar.

Passando pelas estantes, conseguiu ver um livro que tinha como título "A Alquimia Perdida" e sentindo o peito bater forte sem (aparente) razão, pegou o livro e o levou para uma das mesas redondas da biblioteca. Sentou-se, colocando a mochila em cima da mesa, e se pôs a ler o livro. Ela passou uma página e seus olhos castanhos brilharam. Havia anotações, rabiscos, desenhos, observações escondidas e esquemas em várias partes. Eram escritas à mão, e a tinta ainda estava presente embora enfraquecida na página. No canto esquerdo da página havia uma espécie de livrinho com um pentagrama na capa.

Seus olhos piscaram-se. Hermione abriu o livrinho, que não tinha mas de cinco páginas, e começou a lê-lo.

"A Alquimia foi estudada na Idade Média com seu inicio por volta do século V. Alguns bruxos e cientistas trouxas tinham a certeza que havia um elemento comum entre todos e através dele era possível a transmutação: O Sal.

O Sal ao misturar-se com o Mercúrio, elemento feminino, e o Enxofre, elemento masculino, era capaz de transmutar todas as coisas. A partir do século VIII, alquimistas descobriram que através da transmutação era possível criar a Pedra Filosofal, pedra possuidora do Elixir da Vida que dá ao usuário a imortalidade. Além de outros feitos, poderia transformar chumbo em ouro.

No século XIV, Nicolas Flamel desvendou o segredo da Alquimia e foi o único a conseguir a tal admirada Pedra Filosofal.

Em meados do século XV, os Bruxos se viam ofuscados pelos alquimistas. Muitos bruxos não aceitavam a Alquimia como parte da Magia afirmando que os procedimentos realizados não são mágicos, mas apenas misturas simples que os Trouxas chamam de Química. A partir daí, bruxos deduravam os alquimistas para as fogueiras, pois sabiam que diferentes deles, alquimistas não realizavam magia e morreriam queimados pelas chamas.

Os alquimistas então decidiram se calar e passar por Trouxas comuns.
Guardavam suas anotações em sete chaves e utilizando o círculo da Transmutação transformavam em outros objetos.

Não há muito conhecimento sobre Alquimistas a partir do século XIX. Muitos acreditam que morreram guardando seus segredos e mistérios."

Hermione sentiu o coração bater ainda mais forte. Pentagrama. Símbolo da Bruxaria. Símbolo da Alquimia. Em que aqueles dois campos estavam ligados? Apenas suas leis e princípios? Teoria da Conservação de Massa, Troca Equivalente...São leis presentes nos dois mundos.

"Como? Como ele dividiu a alma dele em partes, Hermione?"

"Magia."

Não, não era magia. Era Alquimia. Pura e simples.

"É isso. A resposta é Pentagrama." "Você é muito inteligente. Por mais que o Pentagrama seja o símbolo da bruxaria, eu jamais pensaria nisso como resposta."

"Mas quem iria construir um Salão de Ossos?"

"Há algumas poções ali e provavelmente não deram certo. Era comum fazer experimentos com ossos para fazer poções. Algumas delas eram feitas para tentar vida eterna."

"Nicolau Flamel não foi o único a tentar vida eterna. Teve outro também. Salazar Slytherin."

Hermione por um ínfimo segundo, pareceu compreender aquilo. Ou ao menos aquela situação. Era Alquimia disfarçada de Magia. Salazar Slytherin usava o Salão de Ossos para estudos e experimentos, sem ao menos os outros Fundadores saberem, e pôde ter tentado construir Horcruxes utilizando-se poções, que obviamente nunca deram certo. Então, Salazar decidiu partir para Alquimia e com Círculos de Transmutações realizou novos experimentos. Ao abandonar a Escola, o que já deveria ter descoberto o segredo da imortalidade, escondeu o Salão com uma equação matemática com princípio na Alquima, coisa que poucas pessoas ou mesmo ninguém saberia.

De acordo com Harry, Riddle havia feito a primeira de suas Horcruxes ainda ovem e tudo indica que tenha sido em Hogwarts. Muito provavelmente, Riddle usou o Salão de Ossos para criar a tal Horcrux. Fazia sentido. Fazia total sentido!

Hermione levantou o rosto e respirou fundo, massageando a nuca, tentando tirar a dor que se instalara ali. Ela sentiu um leve sentimento de orgulho próprio e de repente sentiu-se como realmente pudesse fazer algo contra Voldemort. Não sabia bem o quê, mas já ter descoberto sobre Alquimia, Salão de Ossos e as Horcruxes era algo a que se considerar. E se ela descobriu aquilo, talvez ela realmente pudesse pará-lo.

Percebeu que a biblioteca esvaziara-se com os alunos indo para a próxima aula. Riddle não havia aparecido na biblioteca, mas isso não a preocupou. Colocou a mochila sobre o ombro, levantou-se da mesa e saiu do local um pouco aliviada. Seu coração batia forte, e não era de ansiedade ou medo, sentimentos tão frequentes naquele tempo, mas de uma fina esperança.

Vendo que a escola estava deserta, ela fez o caminho para a saída do castelo, e então foi até a altura da floresta em que antes havia encontrado Fenrir. Chamou por ele e após uns dois minutos, Fenrir saiu de dentro das árvores, levantando os braços e sorrindo de orelha a orelha.

'CARNE!' Ele parou e estancou quando viu que Hermione não tinha carne. 'Cadê a carne?'

Hermione sorriu. 'Vamos, vou te levar a cozinha.' Ela chamou fazendo um movimento com a mão. Fenrir voltou a sorrir e acompanhou Hermione para o castelo.

'Cozinha? Quer dizer que posso comer mais coisa? Quero carne, frango, linguiça, coração, bacon, salsicha, presunto...' Disse contando nos dedos os mais variados tipos de comida que queria.

'Você é bem faminto, Fenrir.' Comentou a menina assustada com o estômago do garoto.

'Estou em fase de crescimento.' Ele respondeu parecendo orgulhoso. 'Vai ver como vou ficar alto e forte!'

Hermione não respondeu. Lembrou-se de como Fenrir seria no futuro. Um lobisomem. Um adulto alto, forte, perigoso e partidário de Voldemort.

'Está tudo bem, Hermione?' Ele perguntou percebendo que a menina se calara.

'Sim. Só lembrei de algo, não é importante.' Ela logo respondeu.

'Então... eu vou realmente ter que ajudar vocês?' Fenrir perguntou levantando o rosto para Hermione.

'Sim. É só por hoje, prometo.'

'Tá. Mas e se me pegarem?'

'Não vão te pegar. Além disso, sei de lugar em que você pode ficar aqui no castelo sem ter problemas.'

'É? E qual é?' Ele perguntou ansioso e curioso. 'É perto da cozinha?'

'Não. Vamos deixar isso pra depois. Temos que ir primeiro à cozinha.' Ela respondeu sorrindo.

Os dois subiram o campo, entraram no castelo e foram juntos, sem muitas preocupações, à cozinha de Hogwarts. Hermione começava a pressentir que aquilo realmente poderia dar certo.

Continua no próximo capítulo...


N/A: Fenrir está de volta, :D