Capítulo 13 – Paradoxo

'Então, está namorando a Javert?' Perguntou Abraxas para Tom Riddle ao seu lado enquanto esperavam as ordens de Dumbledore na sala de aula. Professor Dumbledore estava ensinando a transfigurar partes do corpo, como rostos, orelhas, nariz, para ser possível se passar por outras pessoas. Tom Riddle havia transfigurado o rosto de Malfoy, mas ele já havia voltado ao normal. E enquanto os outros alunos testavam-nos, os dois sonserinos conversavam sentados.

'Não.' Ele respondeu sem querer conversar sobre aquilo.

'Ela está dizendo aos quatro ventos que anda namorando com você.'

'Eu não me importo com o que ela diz, Malfoy.'

'Sabe... Sei que não gosta dela, mas ela vai achar estranho você não se interessar por ela. Van der Alden me contou o que aconteceu naquele dia, e as garotas são mais sensíveis a isso, Riddle, ela vai querer uma explicação por você nem procurá-la.'

'A culpa não é minha.' Ele respondeu sem alterações. 'Se Alden tivesse seguido o plano, não precisaria me preocupar com bobagens como essa.'

'Não acho que é bobagem. Sabe, ela pode vir a ser um obstáculo para você.'

'Acho que devia se preocupar mais consigo mesmo, Malfoy.' Riddle cruzou os braços. 'O que eu tiver de fazer a Javert, hei de fazer.'

Lethar soltou um sorriso desdenhoso. 'Eu sei. Só estou pensando a respeito.'

'E você? O que vai fazer quanto a Black?' Perguntou Tom Riddle sem a mínima curiosidade.

'O que quer dizer?' Ele indagou estreitando os olhos verdes.

'Parece que o interesse de Rosier nela está crescendo.'

'Eu não me importo com isso. Estou dando um tempo a libertinagem.'

'Você dando um tempo a libertinagem? Estranho ouvir isso vindo de você.'

'Ela só está querendo me causar ciúmes. Todos sabem disso. Mas eu não me importo.' Ele disse parecendo irritado.

'Você é bem paradoxal...Diz não se interessar por ela, mas ao mesmo tempo não gosta quando ela se interessa por outros garotos.'

'Você não entende desses assuntos, Riddle...'

'Acho que isso é mais psicológico do que concreto.' Comentou Tom Riddle percebendo os alunos transformarem uns aos outros. 'Você se acha superior o suficiente para ter quantas garotas quiser, mas não se aceita que elas façam o mesmo com você, pois borra sua imagem de macho-alfa.'

'Com você é assim?' Ele perguntou curioso.

'Eu não me envolvo com garotas, Malfoy. Não tenho tempo para elas.'

'Heh? Você tem 17 anos, Riddle, de verdade, não se interessa por nenhuma garota?'

Tom ignorou a pergunta do companheiro como uma negatória.

'Vão acabar achando que você é um daqueles que apóiam a diversidade.¹' Ele comentou com uma careta. 'E se for, afaste-se urgentemente de mim'. Mandou nervoso.

'Eu realmente tenho a necessidade de calar-te a boca, Malfoy.'

'Entendo perfeitamente você não gostar da Javert ou qualquer outra garota da nossa casa. Mas e quanto a Granger?' Ele perguntou levantando as sobrancelhas finas. Tom Riddle nada respondeu. Seu dedo mindinho involuntariamente se mexeu levemente para a direita.

'Bem paradoxal, não acha?' Ele indagou sorrindo.

'O quê?'

'Seus sentimentos pela Sangue-Ruim'.

'Não sinto nada por ela, Malfoy.'

'Você não me engana, Riddle. Tenho olho para essas coisas.'

'Tome cuidado ou vai perder esse seu olho se continuar falando disso.' Malfoy parou de rir com o timbre de voz usado pelo garoto. Então, ele desviou os olhos para a aula e percebeu que de fato fora um pouco idiota.

Tom Riddle continuou ignorando o garoto. Sentiu-se um pouco estranho, mas logo ignorou aquilo e voltou a atenção na aula. Já estava próxima de acabar e ele agradecia por aquilo. Ter que ouvir Malfoy falar aquelas baboseiras lhe dava nos nervos.


Hermione saiu do dormitório feminino vestida com mais uma roupa que Dumbledore havia lhe dado. Ela havia deixado Fenrir na Sala Precisa depois de ter ido á cozinha para se alimentar enquanto decidira ir ao dormitório feminino trocar de roupa. Ela estava vestindo o uniforme da Grifinória e se ela fosse ficar sem atender as aulas, ela não deveria estar de uniforme. Não fazia muito sentido. Então aproveitou o horário de aula para trocar o uniforme.

Hermione disse a senha para o quadro da Mulher Gorda. O retrato abriu para o lado direito e Hermione saiu da Grifinória. Literalmente. Naquele dia e no próximo, deveria fazer parte da Sonserina.

Saiu do Salão Comunal da Grifinória e foi para a cozinha novamente ver Fenrir. Caminhava de forma lenta e despretensiosa, olhando para os ambientes tranquilamente enquanto passava por eles.

Hermione estancou de repente no corredor em que estava quando ouviu Pirraça. Ela soltou um palavrão. Justo naquela hora tinha que encontrar aquele Poltergeist?

'Granger, Granger... seu pai é dono de granja?' Pirraça soltou uma risada alta irritante. Hermione cerrou os punhos com raiva.

'Pirraça, faça silêncio!' Mandou Hermione com a voz baixa.

'Se não falar alto, não escuto.'

'Faça silêncio!' Falou um pouco mais alto.

'Se não falar alto, não escuto.'

Pirraça repetiu o que tinha dito e Hermione respirou fundo com certa raiva quando notou que ele estava brincando com ela. Ele dava gargalhadas e saltos pelo ar.

'Vá embora, Pirraça, por favor!'.

'Pirraça, fale baixo!' Hermione ouviu uma voz atrás de si. Virou o rosto para encontrar o dono da própria, que não lhe parecia muito familiar. Arregalou os olhos castanhos assustada ao ver que o garoto era extremamente parecido com Harry Potter. Tão extremamente parecido que Hermione não se conteve e o abraçou forte prestes a chorar.

'Me perdoa, Harry, por favor! Me perdoa. Eu não queria...eu não...' As mãos de Hermione agarram o uniforme do garoto com tanta força que chegava a amassá-lo. Hermione lembrou-se do que já fizera até ali e escondeu o rosto sobre o ombro do garoto sentindo-se completamente mal. Havia beijado Tom Riddle, havia machucado Rose, por causa dela, Leslie havia sido raptada, havia se deixado deliberadamente 'morrer'... 'Por favor... me perdoa!'

'Tudo bem. Eu te perdôo.' Ele disse sem jeito.

'Sério?' Ela indagou levantando o rosto e logo percebeu o que estava fazendo. Ela afastou-se dele e completamente envergonhada abaixou os olhos para o chão, virando o rosto para o lado contrário. 'Desculpe... eu me confundi...'

'Não sabia que namorava a Granja, Lezado!' Emendou Pirraça dando gargalhadas. Hermione cerrou os punhos.

'Saia daqui, Pirraça!'

'Heh? Quer ficar a sós, é?'

'Se não sair daqui, chamarei o Barão Sangrento.' Emendou o garoto seco.

'Quando ele te obedecer, Lezado, andarei pelo castelo só de cueca!'

'Você não pode sair de cueca, é um poltergeist.'

'Exatamente, Lezado!'

Ele negou com a cabeça e fez um sinal com a mão chamando Hermione para acompanhá-lo. Ela franziu as sobrancelhas um pouco desconfiada... Mas depois pensou que talvez precisava explicar o que tinha feito. Ainda se sentia um pouco envergonhada. Acompanhando-o percebeu que embora ele se parecesse com Harry, tinha lá suas diferenças. Os óculos de armação redonda eram dourados, os olhos do garoto eram castanhos e ele vestia um uniforme da Corvinal com o emblema de Monitor. Isso fez Hermione chamar a si mesmo de burra por mais de seis vezes.

'Me desculpe, de verdade. Eu me confundi...' Ela tentou sem jeito com o rosto corado.

'Tudo bem. Me desculpe passar por seu amigo, mas você parecia tão desesperada que achei que ia ajudar se a desculpasse.' Ele disse com um sorriso singelo. Hermione apenas confirmou com a cabeça. Não soube o que dizer.

'Hm, por que me chamou?' Ela perguntou curiosa.

'Achei que queria se livrar do Pirraça.' Ela riu e disse mais um 'obrigado'. 'Você é a novata, né? Que veio de Durmstrang?'

'Sim. Sou Hermione Granger.' Estendeu a mão direita e ele a cumprimentou.

'Lezard Valeth, a seu serviço.' Hermione chamou-se de burra mais uma vez ao ver que ele não tinha nada a ver com Harry Potter. Harry nunca seria tão educado. 'Estou curioso sobre você.'

Hermione piscou os olhos surpresa. 'Sobre mim?'

'Sim, como por exemplo, por que está sem uniforme?'

'Ah... eu estou um pouco mal, então passarei hoje e amanhã na Enfermaria. Achei que não precisaria estar de uniforme por isso.'

'Entendo. E por que está se sentindo mal?'

'Ah, eu fui atacada por um Kappa.' Ela respondeu levantando os ombros.

'Bom, Sr. Rush é um ótimo curandeiro, aposto que cuidará bem de você.' Ele disse sorrindo. 'Embora pareça meio estranho um Kappa querer machucar você..'

'Se fosse você, ele o mataria, não é?' Perguntou alguém atrás deles. Hermione não precisou virar o rosto para ver quem era. Aprendera naquele tempo a reconhecer aquele timbre de voz. No entanto, a forma como ele dissera aquilo a intrigou, e ela fitou o garoto em curiosidade.

'Se metendo na conversa dos outros, Riddle?' Indagou sorrindo o corvino.

'Eu não me importo com conversas idiotas, Valeth, mas faço questão de me intrometer quando são do meu interesse.'

'E por que isso é do seu interesse?' Ele perguntou ainda parecendo divertido. Hermione desviou o olhar para Tom e sorriu internamente ao vê-lo não responder. 'Desculpe, Hermione, mas eu não pretendo aturar Riddle em meu tempo livre, já me basta ter que aturá-lo no Clube.' Lezard respirou fundo e virou as costas para sair dali. 'Espero que melhore.' Disse fazendo um aceno com a cabeça. 'E que nos encontremos mais por aí'.

Hermione piscou os olhos e confirmou com a cabeça vendo-o se afastar. 'Ele parece ser uma ótima pessoa, não é?' Ela indagou a Tom sorridente.

'Não se aproxime dele.' Hermione franziu as sobrancelhas e olhou para ele.

'Por que não?'

'Não confio nele.'

'E eu não confio em você.' Ela respondeu retrucando o sonserino. Tom piscou os olhos grafites. 'O inimigo do meu inimigo é meu amigo, Riddle. Se você não gosta dele, quer dizer que ele é uma boa pessoa.'

'Você é bem extremista.' Ele comentou.

'E você é muito cabeça aberta, não é?' Ironizou a grifinória, Riddle sorriu. 'Por que não confia nele?' Quis saber Hermione.

'Ele está sempre sorrindo. Isso é irritante.'

'Essa é a coisa mais ridícula que eu já ouvi!' Negou com a cabeça não acreditando que o motivo era aquele.

'Tom!' Ele trancou os dentes parecendo com raiva. Hermione achou aquilo curioso e olhou para trás para ver quem o havia chamado. Viu uma garota loira, um pouco menor que ela, com o uniforme da Sonserina; estava com as bochechas coradas e os olhos verdes brilhantes. Ela correu até ele e o abraçou forte. Ele mordeu os próprios dentes enquanto ficava imóvel. 'Você nunca mais falou comigo depois daquele dia...'

Ah, parecia que Malfoy tinha razão. Aquele idiota, por acaso só tinha razão para aquele tipo de coisa?

Hermione franziu a testa curiosa. Depois, entendeu. Aquela garota havia ficado com Van der Alden enquanto ele estava com a Poção Polissuco transformado em Tom Riddle. Então ela achava que o verdadeiro Tom Riddle gostava dela.

'Hein? Você nunca mais se interessou por mim... não me procurou mais... Você deixou de gostar de mim?' Ela perguntou com a voz chorosa.

'Eu nunca gostei de você.' Hermione arregalou os olhos.

'O quê?' A menina perguntou levantando o rosto atônita. 'Você só me... usou?'

'Sim'.

Hermione levantou as sobrancelhas assustada com a sinceridade do garoto. Como ele conseguia dizer aquilo para ela? Então ela percebeu a mão da garota levantar-se e preparar-se para um tapa. Antes que ela o fizesse, Hermione, por instinto, ou outro sentimento indeterminado, segurou o braço da garota.

'Não faça isso.' Ela recomendou séria. A garota sonserina olhou para Hermione. Parecia irritada de ser impedida a fazer aquilo. 'Está querendo atacar o Monitor-Chefe na frente de toda a escola?'

'Você ouviu o que ele fez?' Perguntou a sonserina se alterando.

'E a escola inteira não precisa saber. Além disso, a culpa foi mais sua do que dele.' Respondeu analisando a situação. 'Não seja ingênua de achar que homens nesta época se preocupem com seus sentimentos ou o quer que seja. Você quis ter o relacionamento, mesmo sabendo que ele não gostava de você. Não culpe os outros por seus erros.'

Hermione arregalou os olhos quando a menina usou a outra mão para dar-lhe o tapa que reservava para Riddle. Ela olhou assustada para a menina sentindo a rosto arder. Mas o que diabos? Por que ela que fora o alvo? A sonserina ainda chegou a empurrá-la com força.

'VOCÊ NÃO TEM O DIREITO DE FALAR ASSIM COMIGO!' Gritou nervosa fazendo os outros alunos se assustarem. 'Merda!' Ela xingou chorando e correndo para longe dali.

'Eu não gosto dela.' Disse Riddle se aproximando de Hermione.

'Nem eu.' Emendou sentindo certo desprezo pela garota.

'Parece que sua opinião extremista não faz mais sentido agora.' Ele comentou. Hermione olhou para ele e não conseguiu segurar o sorriso. 'Não precisava me ajudar.'

'Eu não o ajudei. Ajudei a ela.' Respondeu já tirando o sorriso do rosto. 'Pelo menos era minha intenção. Senti que se ela o espancasse, você faria algo com ela.'

'Eu não me importo com ela. É insignificante.'

'Tome cuidado com ela quando for para seu salão comunal.'

'Por quê?'

'Suponho que suas partes baixas são significantes para você.' Ela comentou levantando as sobrancelhas. Ele apenas se deixou piscar os olhos grafites. Hermione passou a mão direita sobre o local dolorido.

'Então decidiu voltar a enfermaria?' Ele indagou curioso. Hermione engoliu em seco antes de confirmar. 'É realmente a melhor coisa a se fazer. Pode demorar para que se recupere totalmente.'

Hermione sentiu um incômodo no estômago. Parecia oco, enquanto o próprio peito pareceu apertado. Ela tentou entender aquilo, mas não conseguiu.

'Algum problema?' Ele perguntou curioso.

"Você é a melhor que se dá com ele."

Ela olhou para o chão do castelo. Aquilo não estava certo. Como ela podia se dar bem com ele? Como conseguiam conversar sobre aquilo e tudo mais? Como ela conseguia aturá-lo? Como ela conseguia ficar ao lado dele de foma tão... natural? Meu Deus, estava até rindo com ele! "Aproxime-se dele!" Ela tinha que se afastar dele! Mas como ela poderia se afastar se ao mesmo tempo tinha que se aproximar? Por que ela tinha que se aproximar? Por que ela tinha que conhecê-lo? Aquilo só estava a atrapalhando.

Hermione recuou dois passos assustada. Ela não podia fazer aquilo. Ela não podia continuar com aquele plano. Ela não podia se aproximar daquele garoto. Precisava encontrar Rose e cancelar o plano.

'E-eu...Eu vou a Enfermaria.' Ela disse sem jeito, impedindo os próprios olhos de encarar os dele.

Tom ajeitou a própria mochila nos ombros e deu as costas para Hermione, caminhando para longe do corredor. Ela subiu os olhos castanhos e encarou as costas do garoto. O que estava acontecendo com ela? Por que estava sentindo aquilo?

Ela realmente precisava se afastar dele. Tinha que achar Rose e convencê-la a não fazer aquele plano. Hermione teve a sensação que Rose estaria esperando por ela na biblioteca. Se ela não estivesse, Hermione a esperaria. Então rumou para lá, pedindo aos céus que Riddle não estivesse indo para a biblioteca também.

Rose encontrou Hermione encostada na parede próxima a entrada da biblioteca. Estava sem uniforme e com a cabeça baixa, como se esperando que o chão fosse se abrir sob os pés. Ela aproximou da castanha e estendeu a mão direita. Um lenço verde-musgo com as iniciais EP em tons prateados presenteava Hermione.

'Aqui.' Ela disse sorrindo.

'Rose, acho que devemos cancelar o plano.'

Rose arregalou os olhos azuis. 'O quê? Hermione, sabe o sacrifício que foi pegar isso? Era a aula de Dumbledore! Acha que é fácil pegar algo na frente dele? Principalmente com uma aula tão interessante como aquela?'

Hermione piscou os olhos. Ela se desencostou da parede e puxou Rose com a mão, fazendo-a segui-la.

'Oiy, está tudo bem?' Rose perguntou preocupada.

'Apenas venha comigo.' Rose piscou os olhos e seguiu Hermione. Foram até as escadarias e começaram a subir os andares, até chegarem ao sétimo andar. Rose pensou que estavam indo para a Grifinória, mas achou estranho quando passaram do Retrato da mulher-Gorda e continuaram pelo corredor, até chegarem em frente a uma parede.

Rose levantou as sobrancelhas. 'Hm. Temos que responder alguma outra equação novamente?' Ela perguntou pedindo que não.

Hermione não respondeu. Depois, a porta dupla apareceu na parede e Rose recuou um pouco assustada. 'Wow, o que é isso?'

'Sala Precisa. Deve-se pensar três vezes naquilo que se precisa e ela lhe dará.'

'Hogwarts é tão mais legal na sua época, Hermione!'

'Pode-se dizer que não, já que a escola sempre foi a mesma desde 980.'

As duas entraram na sala e Rose reconheceu Fenrir dormindo numa das camas ali presentes. 'É o único lugar seguro para ele.' Hermione foi logo dizendo antes que ela perguntasse.

'Escute, Rose... Nós não podemos fazer isso.' Disse encarando os sapatos.

'Por que não?'

'Eu preciso me afastar dele. Tudo está saindo de controle!'

'Por quê?' Ela perguntou sem entender.

Hermione piscou os olhos. 'Você não entende? É perigoso demais! Ficar próximo a ele só me causa problemas!'

'Por quê?' Ela repetiu ainda sem entender.

Hermione não soube o que responder. Ou como responder. 'Olhe, não me sinto bem ficando próxima dele... já aconteceram tantas coisas...nós até já conseguimos conversar informalmente.'

'Heh? Isso é ótimo!'

'O QUÊ?' Hermione indagou levantando o rosto olhando assustada para Rose. 'Como isso pode ser ótimo?'

'Não percebe, Hermione, pode começar a ter laços com ele.'

'ESSE É O PROBLEMA!' Ela falou assustando desta vez Rose. 'Eu não quero ter laços com ele! Eu não quero ficar próxima dele! Isso está fazendo ficar mais difícil do que sempre foi!

'Mas se você ficar distante, também não será capaz de fazer nada.'

Hermione xingou a si mesmo por ter aceitado aquela promessa. 'Não posso viver nesse paradoxo infernal!'

'Hermione, ter laços com ele não se implica se envolver com ele de forma afetiva. Sabe disso. Use esse laço para destruí-lo...'

'Como eu poderia fazer isso? Toda hora que chego perto dele fico pensando no Harry, no que diabos estou fazendo aqui, na maldita promessa..eu não aguento mais.'

'Não pense nisso então.' Ela disse levantando os ombros. 'Deixe as coisas acontecerem naturalmente. Se ficar se pressionando mentalmente só está te causando mal, então não o faça.'

'Eu juro que quero desistir.' Disse Hermione sem força, sentando em uma das poltronas do quarto.

'Pressão mental é a pior que existe. Sei que é perigoso e é algo que você não aguenta por ter que viver com isso por tanto tempo, mas não pode desistir porque está cansada Hermione. Você nem tentou fazer algo. Está tentando arrumar motivos na sua cabeça para impedir a si mesmo de matá-lo porque tem medo.'

'Ah, não me venha com essa!' Ela se irritou. 'É fácil dizer isso, porque não é você que tem que matar alguém! Eu dizia a mesma coisa para Harry antes de estar na mesma situação que ele! Eu juro que quando voltar a primeira coisa que direi é desculpas a ele.' Reafirmou abaixando o rosto. 'Eu realmente agradeço por você estar tentando me ajudar, Rose, é muito importante pra mim. E tem seu lado reconfortante. Mas ainda assim, sou eu que tenho que matá-lo, e isso torna nossas visões diferentes. Eu não consigo suportar isso.'

'Tem que se livrar dos seus pudores, Hermione.'

'Você já matou alguém, Rose?' Ela perguntou levantando o rosto novamente para a monitora.

'Hum, não.' Respondeu piscando os olhos. 'Mas nós matamos aqueles Zenorcs em Glast Heim.'

'Não compare Zenorcs com Humanos, Rose.' Ela rebateu irritada.

'Por que não? Ambos possuem vidas, não é?'

'Mas é diferente.' Realmente era? Hermione se perguntava aquilo. 'Qual a diferença? Qual a diferença entre meu Crucius e o seu aspersio? Ambos foram feitiços para nos proteger, ambos mataram aqueles Zenorcs.'

'Hermione.' Chamou Rose com a voz baixa. Hermione deu atenção a menina. 'Se decidir ficar se lamentando, podemos cancelar o plano. Você fala com Dumbledore, talvez ele possa enviá-la de volta.'

Hermione pensou sobre aquilo. Contar a Dumbledore? Ele a faria retornar? E se retornar, por acaso Harry a perdoaria? Ele a perdoaria por ter falhado naquilo de forma tão miserável? Sem nem ao menos tentar?

'Como posso tentar matá-lo, Rose?' Ela perguntou pedindo que a amiga a respondesse.

'Não é tentar, Hermione. É fazer ou não fazer.'

Hermione fechou os olhos. Não sabia dizer se aquilo ajudava ou a pressionava ainda mais. 'Peço que, se vir que estou saindo do controle, por favor me ponha de volta no Lado Bom da Força.' Rose, mesmo sem entender, confirmou com a cabeça. 'Vamos, vamos fazer isso.'

'Então como vai ser?'

'Fenrir e eu ficaremos aqui. Quando você conseguir pegar Black, traga-a para cá. Depois, Fenrir e eu iremos atrás de Prince e as poções.'

'Tá okay.' Rose entregou o lenço pertencente a Prince para Hermione, e saiu da Sala, indo para a próxima aula do dia, que já havia começado há alguns minutos. Hermione ficou a mirar o lenço de seda da sonserina. Rezava para aquilo realmente dar certo.

Ela respirou fundo e aproveitou a cama de Fenrir para também deitar-se e dormir.

Quando Hermione acordara, percebera que já era tarde. Fenrir já estava acordado e ele brincava com uma pequena haste de metal que brilhava na ponta quando passava por cima de algo suspeito.

'O que está fazendo, Fenrir?'

'Vendo o que são essas traças aqui.' Ele respondeu enquanto caminhava pela sala. 'Quando poderei ir a cozinha?'

'Você já está com fome?' Ela indagou assustada.

'Um pouco. Mas é mais por saber mesmo. Sei que vocês não vão poder ficar comigo por todo o tempo, tem que assistir aulas, e então não poderei sair daqui, não é?'

'Você acabou de responder sua pergunta.' Ela disse sorrindo. Fenrir olhou pra Hermione sem entender.

'Você sabe onde fica a cozinha. Sabe chegar lá sozinho?' Ele confirmou fortemente com cabeça.'Então, pode ir para lá quando estivermos em aula, já que os outros alunos também estarão. Além disso, você ainda tem o giz da Leslie, pode-se criar passagens secretas com ele por alguns instantes. Então se tiver correndo perigo de ser visto, crie uma, assim estará tudo bem.'

Fenrir sorriu feliz. 'Heh? Sério! Aha!' Hermione riu com a felicidade inócua do garoto. Ele era realmente apenas criança. Só se preocupava em se alimentar praticamente. Não tinha que ficar escondendo segredos, nem ter medo de matar pessoas ou ainda se preocupar se ficaria preso para sempre num espaço de tempo.

'Não pense nisso.'Ela se martirizou tentando seguir o conselho de Rose e não se pressionar com aquilo.

Hermione piscou os olhos e lembrou-se do lenço de Eileen Prince. 'Hum, Fenrir. Pode ver isso?' Ela pediu aproximando-se dele, ajoelhando-se no chão e entregando a ele o lenço.

'Ah, é...esqueci que tenho que fazer isso.' Ele falou um pouco sem graça. Ele colocou o lenço embaixo das narinas e respirou forte, inalando o máximo que conseguia. 'Tem cheiro bom.' Ele disse sorrindo e devolvendo o lenço para Hermione.

'É só isso?' Ela perguntou.

'É, ué. O que você espera que eu faça?'

'Não sei dizer.' Ela respondeu sem graça, mas certamente esperava algo diferente de apenas aquilo. Ela percebeu Fenrir fungar mais.

'Está perto daqui.' Ele disse virando o rosto para a porta. Hermione franziu a testa e acompanhou o olhar do garoto para a porta dupla.

'Muito perto?' Perguntou ansiosa.

'Aproximando-se. Rose também.'

'Rose?' Ela indagou sem entender. Será que aquele lenço era realmente de Prince? Rose era para ficar encarregada de trazer Black...

A porta dupla da Sala em que estavam foi se abrindo e Fenrir por instinto se jogou embaixo da cama. Hermione achou que aquilo não era realmente necessário por parte dele. Rose entrou na Sala trazendo as duas meninas. Black e Prince. Hermione piscou os olhos sem entender.

'Bom, aparentemente, Prince achou estranho Black se encontrar com Malfoy. Segundo suas palavras: "Malfoy tinha me dito que não queria conversar com você. Aí, do nada, você recebe uma carta escrita por ele marcando um suposto encontro logo na sala de Transfiguração? É muito longe das masmorras. Se eu ou o Riddle os pegassem lá, provavelmente a gente relevaria, mas tão longe assim não teria como. Ademais, a detenção de Malfoy não terminaria dez horas, mas lá para meia-noite! Tem alguma coisa estranha..."' Ela disse levantando os ombros. 'Então aparentemente, matamos dois coelhos com uma cajadada só.' Disse sorrindo.

'Isso realmente facilita nosso trabalho.' Hermione comentou levantando-se do chão.

Fenrir saiu debaixo da cama aliviado. 'Vamos, Fenrir. Temos ainda mais uma coisa a fazer.'

Ele confirmou com a cabeça e seguiu Hermione.

'Quem está vigiando as masmorras, Rose?' Ela perguntou.

'Não faço ideia.'

'Hm, temos que ser rápidos.' Hermione e Fenrir saíram da Sala Precisa e pegaram o caminho para as escadarias. Andavam rápidos, mas não chegavam a correr, pois a velocidade dos passos podiam deletá-los. Quando chegaram ao Térreo pegaram o caminho que levava ás masmorras.

Hermione entrou na primeira sala do corredor e Fenrir entrou logo atrás. A sala estava completamente escura e gelada, e Hermione utilizou-se de Lumus para iluminá-la o suficiente.

'Dê-me o giz, Fenrir?' Ela pediu com a voz baixa.

Fenrir tirou novamente o giz de dentro dos bolsos e a entregou. 'Certo, faremos passagens secretas pelas paredes até chegarmos a Sala de Poções.' Ela explicou.

'Por que não vamos pelo corredor? As salas são mais frias...' Ele disse abraçando o próprio corpo pelo frio que sentia.

'Podem nos ver pelos corredores. E se não me engano, a Sala de Poções é a terceira sala a partir daqui.'

Fenrir confirmou apenas com um aceno. Hermione se aproximou da parede e usando o giz fez uma passagem secreta desenhando um retângulo alto, do seu tamanho, na parede de pedras. As pedras se moveram para o lado, lembrando a Hermione os tijolos do Caldeirão Furado que levava ao Beco Diagonal. Quando a passagem se abriu por completo, os dois passaram por ela. E fizeram o mesmo mais duas vezes em ordem para chegar na sala de poções de forma segura.

Quando chegaram na sala de poções, Fenrir estancou e tampou o nariz com as duas mãos. Hermione franziu a testa. 'O que foi?'

'Tem algo que cheira mal aqui.' Ele disse enjoado.

Hermione não ligou e foi direto ao armário de poções para abri-lo. 'Oiy, Fenrir, venha até aqui!' Ele negou com a cabeça recuando. Hermione franziu as sobrancelhas. 'O que está sentindo?'

'Tem algo me deixando enjoado. Quero ir embora!'

'Vamos embora daqui a pouco. Agora venha até aqui.' Ele continuou parado onde estava.

Hermione foi até ele e se abaixou para ficar a sua altura. 'O que foi? O que está sentindo?'

'Enjoo.' Disse ainda tampando o nariz. Hermione percebeu que ele ainda prendia a respiração.

'Você consegue sentir o cheiro de ararambóia?'

'Eu não sei nem o que é isso! Sinto cheiro de algo podre. Quero ir embora, Hermione!'

Hermione respirou fundo e trancou os dentes. 'Espere aqui.' Ela deixou Fenrir onde estava e voltou ao armário. Começou a procurar por Poção Polissuco pela própria consistência. Toda a situação a deixou nervosa e ela não conseguia se concentrar direito. 'Droga.' Irritava-se por dentro. 'Posso perder a noite inteira aqui'. Ela começou a pensar sobre os ingredientes da Poção Polissuco. Hemeróbios, sanguessugas, descurainia, pó de chifre de bicórnio, pele de ararambóia...Fenrir não conhecia nenhum daqueles ingredientes. Talvez precisasse ser mais específica. Ela pensava no que podia usar. Hemeróbios eram um tipo de insetos... Hermione teve um estalo.

'Oiy, Fenrir, consegue sentir o cheiro de insetos queimados?'

Fenrir ainda fez uma careta pelo suposto cheiro que o enjoava. Hermione se perguntou o que o fazia sentir-se tão mal. Ela sentiu-se aliviada quando ele confirmou com a cabeça.

'Está no alto. Na quarta prateleira.' Ele disse com a voz fina pela respiração prendida. Hermione sorriu e utilizou o Wingardium Leviosa para uma poção da quarta prateleira. A Poção Polissuco flutuou no ar e foi parar nas mãos de Hermione. Fez o feitiço Geminio e para sua não surpresa a poção se multiplicara em mais uma. Ela sorriu. Devolveu a poção ao local em que estava e fechou o armário de poções.

Com a Poção Polissuco entre as mãos, Fenrir e Hermione saíram das salas pelas mesmas passagens secretas que entraram. Logo após usá-las, as passagens se fecharam completamente, mostrando a parede de pedras como sempre fora.

Fenrir respirou fundo e aliviado por estar fora daquele lugar. Hermione e ele rapidamente foram voltando ao Sétimo Andar para a Sala Precisa. Os dois conseguiram chegar em segurança ao local, mas respiravam com dificuldade.

'Eu nunca mais volto para aquele lugar!' Reclamou Fenrir correndo e se jogando na cama, embaixo das cobertas.

'O que houve?' Perguntou Rose curiosa.

'Fenrir passou mal. Sentiu náuseas por alguma poção desconhecida.' Informou Hermione. Ela sentiu-se mal um pouco por ele ter passado por aquilo.

'Desculpe, Fenrir, não sabia que você era sensível a certos aromas.'

'Quero vomitar.' Ele disse embaixo do cobertor.

'Tem um banheiro ali se quiser...' Emendou Rose apontando para o suposto banheiro.

'Certo, Rose, vamos fazer isso logo'. Rose confirmou.

Hermione usou mais uma vez o feitiço Geminio e a poção em sua mão se multiplicou. Ela entregou a Rose. As duas deixaram as poções em cima de uma mesa e com suas varinhas trocaram as roupas com as duas sonserinas que ainda estavam desacordadas. Vestiram-se com os uniformes da Sonserina. Hermione não deixou de sentir-se um pouco estranha.

'Um gole é o suficiente para nos transformarmos, Rose. Tente não beber muito, pois só temos uma. Caso sinta necessidade, multiplique-a.' Aconselhou Hermione e a morena acenou.

As duas pegaram as poções em cima da mesa. Então, brindaram, batendo o vidrinho da poção levemente contra o outro. Hermione tampou o nariz com os dedos e bebeu a poção. Ela começou a sentir seu estômago embrulhar. Ela enchera a boca de ar e fechou os olhos com força. Seu corpo começara ter espécies de bolhas por todo o corpo. Como se tivesse sendo fervida. Viu suas mãos ficarem um pouco maior, seus dedos ficaram finos e as unhas deram lugar a unhas bem feitas graças ao trabalho dos elfos domésticos que supostamente Eileen teria em casa e (como todo bruxo naquela época) não dava a mínima para os pobres criados.

Ela viu os olhos azuis de Rose se transformarem em castanhos claros e os cabelos pretos de Rose não mudaram de cor, apenas de cumprimento, enquanto Hermione percebeu que seus cabelos ficaram mais compridos e mais claros. Quando a transformação estava completa, seu corpo terminara de ferver. Olhou suas mãos como se elas fossem sobrenaturais, e percebeu que Rose fazia o mesmo. Elas sorriram.

Hermione não teve sorte na sua primeira tentativa de Poção Polissuco. Ela havia roubado um fio de cabelo das vestes de Emilie Bulsstrode no seu segundo ano, a fim de espiar Malfoy com Harry e Rony, mas no final, o fio se revelara pêlo de gato e Hermione acabou se transformando em um meio gato. Até hoje, a lembrança de como aquele rabo nasceu doía.

'Funcionou!' Exclamou Rose. 'Rá, funcionou.' Comemorou feliz.

'Vamos, vamos para as masmorras... Fenrir?' Chamou Hermione e ele abaixou o cobertor. 'Você vai ter que ficar aqui por um tempo sozinho, tudo bem?'

'Sim.' Ele disse.

'Você pode me dizer algo?' Ela perguntou olhando para o garoto. 'Qual o meu cheiro?'

'Baunilha.' Ele respondeu piscando os olhos. 'E pergaminho. Por mais que esteja com a aparência dessa garota, seu cheiro continua o mesmo.'

Hermione sorriu e não pareceu muito preocupada com aquilo. Fenrir era o único capaz de descobrir a identidade de alguém somente através pelo cheiro. Ela pegou o giz , aproximou-se de Fenrir e o entregou. 'Se por acaso quiser sair, use isto.' Ele acenou.

Hermione e Rose respiraram fundo e juntas saíram da Sala Precisa para as masmorras, local onde ficava a Sonserina. Hermione tinha feito a primeira parte do plano. Estava tentando quebrar seus pudores e libertar-se dos seus medos. Libertar-se daquele paradoxo infernal que tanto a maltratava. Era hora de realmente mostrar a Tom Riddle o que ela era capaz de fazer.

Continua no próximo capítulo...


'Vão acabar achando que você é um daqueles que apóiam a diversidade.¹' Aqui Malfoy se refere a diversidade sexual. Ou seja, chamando Tom de homossexual.

N/A: Engraçado, eu passei muito tempo sem poder escrever essa fic. Por vários motivos. Mas bastou eu ter escutado apenas três músicas da Emilie Autumn (Juliet, Shalott e Misery Loves Company) para poder escrever mais de cinco capítulos de uma vez. Mas enfim, isso não interessa QQQ.

Uma bala pra quem acertar o que fez Fenrir ficar enjoado.

Ryuni Uchiha: Obrigada pelo seu review. Fiquei super feliz. E não se preocupe, não tenho intenção de fazer uma fic em que impedem as pessoas de fazerem algo, isso não é muito saudável. Pelo menos eu acho. Enfim, espero que goste dos novos personagens.

Amie Malfoy: Não tem porque eu te chamar do outro nome já que o seu agora é esse... Hm, sobre os palavrões, não é que não goste, acho eles importantes quando usados na hora e na entonação certa. Mas tenho certa relutância em colocar em certas histórias porque, não sei, seria a mesma coisa de ver o Legolas dizendo 'porra' em Senhor dos Anéis e eu acho estranho. Mas não ligo quando é dito informalmente. Mas se você gosta, =] beleza.

Laress S. M.: Vamos ter que ver como vai desenrolar a história sobre o Fenrir. Vocês vão começar a entender a fic realmente daqui a uns três capítulos e vai responder todas essas suas perguntas. Hahaha,sobre Beauty eu realmente peço desculpas pela demora a TODOS. Mas estou passando por uma crise de criatividade imensa para continuar aquela fic. Já escrevi o Ato VI umas oito vezes e não gosto. Mas não se desesperem que ainda termino. Ou então coloco um FIM no final do Ato V QQQ.