Capítulo 14 - Previsível
'Rose, não se esqueça que o efeito da poção demora apenas uma hora.' Avisou novamente Hermione-Prince para a amiga ao lado. As duas andavam juntas, utilizando-se Lumus com as varinhas respectivas de Price e Black. Haviam deixado suas próprias varinhas na Sala Precisa como medida de precaução.
'Eu sei, não precisa se preocupar com isso. ' Ela disse já sabendo daquilo. 'Além disso, quando estivermos juntas me chame de Emilie.'
'Por quê?'
'Porque Black não gosta do nome Lyzander e os mais próximos dela a chamam de Emilie por ser seu segundo nome.' Explicou. Hermione confirmou com a cabeça. 'Hm, você sabe onde fica o Salão da Sonserina?' Perguntou Rose já curiosa.
'Harry me disse que ficava nas masmorras.'
'Sim, mas que lugar das Masmorras?'
Hermione negou com a cabeça. 'Não sei.'
'Não sabemos nem a senha...'
'Black!' Hermione congelou. Sentiu seu coração bater desesperado dentro do peito, embora fosse capaz de senti-lo quase na goela.
'É o Riddle...' Disse Rose desviando os olhos para Hermione em busca de ajuda. Hermione engoliu em seco. O que ele queria ali? Será que suspeitaria delas?
As duas viraram-se e o viram aproximar-se delas. 'O que está fazendo aqui? Deveria estar no dormitório.' Falou Riddle de forma firme.
Hermione olhava para o chão. Não fazia idéia do que faria se olhasse nos olhos cinzas do garoto. Tinha medo de dizer besteiras e ele descobrir sobre aquilo. Como ela se comportaria como Eileen Prince? Ela nem a conhecia! Hermione sentiu suas mãos começarem a suar. Não queria nem pensar o que ele poderia fazer se descobrisse que elas eram na verdade Rose e Hermione.
'Malfoy me mandou uma carta marcando um encontro na sala de Transfiguração ás dez.' Rose-Black respondeu piscando os olhos. Hermione percebeu que ela estava um pouco nervosa, mas conseguia se manter lúcida. Pelo menos de maneira mais natural que ela.
'Malfoy está em detenção.' Ele respondeu franzindo as sobrancelhas desconfiado.
'Exatamente.' Hermione respondeu ainda contemplando o chão. Sentiu o olhar de Riddle em cima dela. Ela levantou os olhos. Olhava para todos os pontos possíveis, menos para os olhos de Marvolo.
'Volte para o dormitório, Black, ou tirarei pontos da Sonserina. ' Completou Riddle. Ele se aproximou de Rose. 'E eu não gosto quando a Sonserina perde pontos!'
Rose afirmou com a cabeça. 'Já estava por ir, Riddle.' Ela seguiu o caminho e Hermione logo foi atrás da amiga, sem atrever-se a olhar para trás para encará-lo.
'Como vamos para a Sonserina sem nem sabermos onde fica?' Quis saber Hermione perguntando baixo para a amiga.
'Boa pergunta. Mas continue andando. Iremos para as masmorras ou Riddle desconfiará.'
'Sinto que isso não dará certo.' Ela rebaixou nervosa. Hermione piscou os olhos quando viu Tom Riddle passar por elas, caminhando com certa velocidade. 'Nós o seguimos?' Ela indagou a Rose.
'Oiy, Riddle...' Chamou a menina. Tom virou o rosto para ela. 'Está indo para o Salão Comunal?' Hermione achou muito pretensiosidade de Rose perguntar aquilo, mas nada fez.
'Sim.' Ele respondeu tranquilo.
'Já acabou a ronda, é?'
'Sim. Embora não possa dizer o mesmo de Prince, não é?' Hermione levantou os olhos verdes-azeitonas para ele.
'O quê?' Hermione sentiu um incômodo no estômago.
'Sua ronda não deveria ser pelo Salão Principal e adjacentes?'
'Sim, mas achei suspeito Emilie ter um encontro com Malfoy tão longe de nosso Salão. Não pude deixar de vir conferir.' Ela respondeu tentando se postar firme.
'Entendo. E descobriram algo?' Ele perguntou dando as costas e voltando a andar. As duas o seguiam.
'Não. Não havia ninguém. Talvez zelador Pringle tenha pego quem quer seja e levado a um dos professores.'
'É. Talvez.' Hermione teve a forte sensação que Riddle desconfiava de algo. Além disso, dizer a ele que alguém supostamente tenha tentado enganar Black possa ter-lhe feito achar que Rose e Hermione tinham algo a ver com aquilo. Ele sabia que ela o espionava também e aquilo era uma brecha. Hermione xingou-se mais uma vez de burra por não ter pensado naquilo.
Hermione seguia Tom Riddle sentindo-se cada vez mais desesperada. Não tinha como ela manter as aparências pra alguém tão manipulador, detalhista e atencioso quanto Riddle. Andava sobre o chão apenas se deixando levar pela força das pernas, pois sua mente negava-se a fazer aquilo.
Desceram os degraus e foram para as masmorras ainda seguindo Riddle. Os três estavam calados e isso fazia Hermione se sentir melhor. Quanto mais conversavam mais Riddle podia notar as diferenças entre elas e as verdadeiras Lyzander Black e Eileen Prince.
Dobraram o corredor já nas masmorras e viram Riddle parar em frente à parede. As duas piscaram os olhos.
'Elfos berrantes!'
Hermione fechou a cara. Até em senhas os elfos eram marginalizados... Uma porta secreta apareceu de repente e logo se abriu para a passagem dos alunos. Hermione entrou primeiro, seguida por Rose e por último Riddle. Hermione viu dezenas de alunos conversando no salão comunal. Era bem diferente do Salão Comunal da Grifinória. Era fria, diferente da Grifinória que era quente e acolhedora, mas bastante luxuosa. Além do salão ser bem grande, havia sofás e poltronas de couro preto, velas e tochas com fogo verde pendiam do teto. Tapeçarias e flâmulas verde-pratas enfeitavam o local junto com castiçais e objetos bruxos.
Os estudantes conversavam, riam e pareciam beber cerveja amanteigada, whiskey de fogo e até mesmo hidromel. Ela se perguntou se faziam aquilo todos os dias, pois era apenas quinta-feira e supostamente não se podia fazer festas.
'Ah, olha só quem chegou!' Comentou um garoto percebendo a entrada dos três. Ele segurava uma garrafa de hidromel na mão direita.
'Não vim para participar das suas festas.' Avisou Riddle e Hermione viu o garoto ir para o lado esquerdo subindo umas escadas, provavelmente indo para o dormitório masculino.
'Não estava falando dele.' Disse o garoto soltando uma careta. Então ele abriu um sorriso largo e olhou para as duas meninas. 'Ei, Emilie, Alden quer saber se é verdade o que consegue fazer com a língua.' Disse piscando um olho para a menina e não só Rose como Hermione ficou extremamente corada.
'O quê?' Indagou Rose completamente atônita. 'O que andou dizendo a ele?'
Todos ao redor riram e Rose ficou ainda mais vermelha.
Hermione percebeu que o salão comunal parecia de certa forma uma ambiente bem parecido com uma taverna. Não só pelo ambiente de pedras, mas pelas pessoas bebendo ao redor da lareira para se aquecerem.
'E por que você não bebe, Prince?' Perguntou um garoto que Hermione não conhecia.
'No dia que a Eileen beber, Avery, eu charlo a Granger só de cueca.'
Hermione arregalou os olhos assustada com o que ele havia dito. Percebeu Rose rir. Ela fechou a cara para amiga. 'Pare de rir! Não tem graça!' Mandou completamente sem graça.
'Quem é ele?' Ela perguntou baixinho.
'Anthony Rosier. É artilheiro da Sonserina. É do sétimo ano também.' Devolveu Rose no mesmo tom de voz.
'E então vão ficar paradas aí?' Ele perguntou levantando as sobrancelhas. Hermione percebeu que os cabelos do garoto estavam desarrumados, um pouco espetados, pela brilhantina já tirada do cabelo. Eram castanhos, bem marrom, e curtos. Os olhos eram da mesma cor dos cabelos. Hermione o achou bonito.
'Hm, nós só vamos trocar o uniforme.' Disse Rose de uma vez puxando Hermione para as escadas que levaria ao dormitório. Era uma escada em espiral, escura e alta. As duas subiram e quando chegaram ao topo viram que estavam no meio de um pequeno corredor. Em cada fim do corredor, havia uma porta. As duas se entreolharam. E se elas fossem acidentalmente para o dormitório masculino?
'O que vamos fazer?' Hermione perguntou.
'Temos que escolher uma.'
'E se entrarmos no dormitório dos meninos?'
'Inventamos uma desculpa.'
Hermione acenou. Ela deixou que Rose escolhesse a porta. Sentia-se completamente tensa. Seguiu Rose e engoliu em seco quando ela abriu a porta escolhida. Viu Rose respirar aliviada. Então ela chamou Hermione com a mão esquerda.
As duas entraram no dormitório e viram que as camas estavam vazias. Eram apenas duas camas. Hermione se sentiu melhor com aquilo. Na verdade, ela nem se perguntara se havia mais meninas estudando no sétimo ano com Riddle, mas aquilo indicava que não.
Hermione e Rose aproveitaram para beber mais um gole de Poção Polissuco. 'O que fazemos?' Perguntou Rose. 'Nós vamos para a festa?'
'Eu não sei. Acho arriscado.' Ela se sentou na cama próxima da parede. 'Mas até que poderia ser útil. Saber o que conversam, de quem falam. Talvez possam falar algo relevante de Riddle.'
'Bom, pelo que entendi, Black costuma participar das festas.' Rose indicou ainda corando. 'Já disseram que Eileen não é muito de beber, o que pode significar que você só vai para lá quando realmente acha necessário... então não estranhariam você deixar de ir hoje. Ainda mais depois da suposta ronda.'
'Faz sentido.'
'Então, acho que vai ser assim.' Ela disse estalando os dedos. Hermione franziu a testa. 'Você fica aqui se quiser, enquanto eu fico lá, observando a todos e ouvindo as conversas.'
'Ainda acho perigoso. Se Black costuma ir as festas, supostamente bebe. E você deverá beber, mas se beber, acabará se esquecendo de tomar a poção e todos saberão da verdade.'
'É só misturar a poção com a bebida.' Respondeu levantando os ombros.
'E como vai fazer isso sem eles verem?'
'Eu dou um jeito. A coisa mais fácil é enganar bêbados, Hermione.'
Hermione levantou as sobrancelhas e concordou com o 'plano'. Rose procurou o malão de Black e encontrou quando viu as iniciais L.E.B. Ela trocou de roupa, colocando uma mais de frio, e desceu do dormitório para o salão. Hermione respirou fundo e se deitou na cama que pertencia a Eileen Prince, apoiando a cabeça nos braços. Ela encarou o céu negro estrelado. Ali, a um corredor de distância, estava Tom Riddle.
O que ela iria fazer? Será que deveria agarrar a chance e matá-lo enquanto dormia? Ela teria coragem para aquilo? Era coragem que precisava? Coragem ou Desumanidade? Hermione passou as costas das mãos na testa que começava a suar, embora fosse quase seis graus lá fora.
Hermione virou o rosto e viu a mesa-de-cabeceira de Prince. Ela sabia que aquilo era errado, mas não se podia deixar levar-se por princípios. Talvez tivesse algo ali que a pudesse ajudar. Ela levantou-se da cama e abriu a primeira gaveta. Viu apenas alguns pergaminhos. Redações de Herbologia, Aritmancia e Trato de Criaturas Mágicas. Ela guardou novamente os pergaminhos e fechou a gaveta. Então abriu a segunda gaveta e viu mais pergaminhos. Ela achou estranho Prince não guardá-los juntos com os outros, talvez não fossem sobre aulas. Ela os tirou para analisá-los e seus olhos castanhos caíram sobre o que parecia um livro pequeno de capa preta e dura que estava lá.
Ela a pegou, deixando de lado os pergaminhos. Não tinha nada escrito. Nem na capa ou contracapa. Todo o livro estava em branco, como se fosse novo para ser escrito. Hermione pensou que ele estava mais próximo de uma agenda que um livro, mas não havia nada ali. Mas como pode? Hermione tirou a varinha que estava presa no cinto e utilizou o feitiço de revelação. Letras começaram a aparecer em uma cor prateada. Ela sorriu orgulhosa. Então Hermione fechou o sorriso quando leu: Tom Marvolo Riddle.
Hermione pelo susto jogou-o longe de si. Tom Marvolo Riddle? Harry havia lhe falado que ele fizera um diário. Diário que ficou com Gina por todo o segundo ano antes do próprio Harry destruí-lo com o dente de basilisco. O que o diário de Tom Riddle estava fazendo ali? Prince sabia daquilo? Ela o estava guardando? Prince e Riddle eram partidários? Poderia ser aquele diário uma Horcrux? Já naquele tempo? Riddle já havia matado alguém naquele tempo para criar aquela Horcrux?
"Murta". Sua própria mente respondeu. Mas Murta não foi morta por Tom. Segundo Harry, quem a matou tinha sido o Basilisco. Não tinha como ele conseguir a alma de Murta sem ter a matado diretamente, tinha? E se tinha por que então Murta continuava no banheiro feminino?
Com as mãos trêmulas, pegou novamente o diário caído e segurou com ambas as mãos. Analisava se seria uma boa ideia ler o que tinha escrito ali. Poderia ter algo relacionado ás trevas, já que Harry tivera que destruí-lo. Mas ela precisava descobrir coisas, não? Hermione engoliu em seco, ansiosa.
Tomando coragem, se aquilo era de fato coragem, abriu o diário para ler o que tinha escrito na primeira página. Mas ela franziu a testa ao não ver nada escrito. Estava vazio. Como se fosse totalmente novo. Achou aquilo estranho. Por que Prince guardava o diário de Riddle se não havia nada escrito?
Hermione piscou os olhos. Talvez tenha. Mas o feitiço de proteção usado por Riddle fora superior ao 'Revelius' usado por Hermione e por isso não fora descoberto. Mas Hermione só conhecia aquele feitiço revelatório, como Tom Riddle poderia esconder sob um feitiço tão forte a ponto de anular o 'Revelius'? Já seria uma feitiço das trevas? Como faria para descobrir o feitiço que revelasse as anotações?
Hermione levantou o rosto pensativa. Depois, teve um estalo. Os pergaminhos. Deveria haver uma razão para Prince guardar aqueles pergaminhos junto ao diário. Hermione pegou os pergaminhos que soltara e começara a ler. Conseguia ler as anotações de Eileen sem muita dificuldade pela letra caprichada da garota.
Revelius
Revelius Maxima
Abafecian
"Alocse avon ahnim an ossergni euq aid o e ejoh. Orbmetes ed oriemirp e ejoh."
Hermione coçou a cabeça sem entender aquilo. A frase escrita por Prince parecia outra língua. Não fazia sentido. Havia outras anotações no pergaminho, mas Hermione ficou a pensar mais sobre aquilo. Então, percebeu que Prince havia escrito três feitiços, sendo inclusive um deles o que Hermione tentara, o Revelius. Talvez precisasse usar aqueles feitiços em conjunto... Ela pegou a varinha mais uma vez e recitou os três feitiços.
'Revelius, Revelius Maxima, Abafecian."
Os olhos castanhos de Hermione se arregalaram quando palavras, frases e textos apareceram e preenchiam páginas e mais páginas do diário de Tom Riddle. Ela sorriu animada e encantada com aquilo.
Então voltou a primeira página do diário e leu a primeira frase.
"Alocse avon ahnim an ossergni euq aid o e ejoh. Orbmetes ed oriemirp.
Então ela entendeu o que Prince tinha feito. Havia anotado a primeira frase do diário em ordem de analisá-la e descobrir do que se tratava. Ela voltou ao pergaminho e viu as outras anotações.
Ejoh possui apenas quatro letras. Podendo ser anagrama, pode-se ler Hejo, Ojeh, Oejh, Eohj e Hoje.
Se assim seguir, não está escrito em anagramas, mas apenas espelhado. Então a frase não começa em 'Alocse', mas em 'Primeiro'.
Então precisa-se apenas desembaralhar as letras.
Hermione sorriu de orelha a orelha. Ela nunca havia se sentido tão ajudada em toda sua vida. Agradeceu mentalmente por Eileen Prince ter feito aquilo. Então voltou a atenção ao diário. Lembrou-se do feitiço utilizado por Rose para embaralhar as letras e fazer o convite de Black se passando por Malfoy, então fez o mesmo, com o propósito de desembaralhar as letras e colocando-as na ordem natural das palavras. Assim era possível ler o diário sem muitas complicações.
Ela passou a ler o diário com toda a atenção.
"Primeiro de Setembro. Hoje é o dia que ingresso na minha nova escola."
Moro no orfanato da Sra. Cole. Fica em Edimburgo, Rua Greens River, casa 204. Faz algum tempo que Alvo Dumbledore me visitou.
Alvo Dumbledore é um bruxo. E parece ser dos melhores. Não sei bem explicar, mas me sinto confortável quando olho nos seus olhos. Ele veio me visitar há três semanas. Em todos esses anos, foi a primeira visita que recebi. Ele disse que eu sou um bruxo também, por isso consigo queimar e explodir coisas.
Eu não tinha dinheiro algum, mas ele comprou pra mim todas as coisas que precisava para a escola. Uniforme, varinha, caldeirão, livros, tudo. Desde então, passei a ler sobre magia. Saber que não fazia parte desse mundo patético de pessoas comuns me fazia feliz. Eu sou melhor que eles! E eles não podem mais judiar de mim!
Estou, agora, a bordo do expresso de Hogwarts. É o nome da escola. Ela foi criada pelos maiores bruxos da época. São Godric Gryffindor, Rowena Ravenclaw, Helga Hufflepuffle e Salazar Slytherin. Assim, a escola é dividida em quatro casas, cada uma delas tendo o nome de seu respectivo criador. Eu não sei qual ficar, também não me importo muito com isso. Acho que elas não têm diferença alguma, só os nomes mesmo.
Escuto o pino do trem. Olho para a janela e vejo que chegamos. Já é de noite. As coisas parecem durar mais quando esperamos ansiosamente. Hoje, me torno um bruxo. Assim como Dumbledore.
Ingressei em Hogwarts.
1º de Setembro de 1938. Primeiro Registro."
Hermione passou a mão nuca tentando aliviar o torcicolo que acabara de ter por ter ficado olhando pra baixo por muito tempo. Hermione achou aquilo meio cômico, não achara necessário Riddle ter tanto cuidado com aquela narração, não havia nada demais. Ela desviou os olhos mais uma vez para os pergaminhos de Prince. Eileen havia anotado datas e passagens curiosas. Passagens que Hermione nem chegara a ler ainda.
"15 de março de 1942.
Diretor Dippet diz que ia fechar a escola caso os ataques continuassem a acontecer. A partir de amanhã, não ocorrerão mais e Rubeus Hagrid deverá ser expulso por manter a fera dentro do castelo."
Hermione não deixou de sentir raiva ao ler aquilo. 'Idiota'. Xingou ao lembrar-se que Hagrid havia sido expulso sendo inocente por causa de Riddle. Então, decidiu voltar a atenção ao diário e virou a segunda página para lê-la.
"São duas horas da manhã agora.
Fui sorteado para a Sonserina e não posso dizer que não me sinto em casa. Conheci as pessoas que vão estudar comigo. Os meninos são três.
O mais importante deles é Anthony Rosier. Ele é neto da sétima duquesa de Mandelborough. O único título passado por mulheres. Ela trabalha para o Ministério da Magia e muitos acreditam que ela pode vir a se tornar a primeira ministra da história. Rosier é muito orgulhoso e parece se importar muito com o título que pode ter no futuro. Além disso, parece ser boa pessoa.
O segundo mais importante é Lethar Abraxas Malfoy. Ele é o herdeiro da família mais rica da Grã-Bretanha. Também tem linhagem co-sanguinea com os Grenuille, grande família bruxa francesa. É bem tagarela, o que me faz odiá-lo cada vez que abre a boca. É o mais sensato e o que mais odeia os não-bruxos. Acho que vamos nos dar bem.
O menos importante é Brewster Van der Alden. Não parece ser muito inteligente, mas tem orgulho por ser bruxo. Acho que por isso está na Sonserina. Diz que quando for adulto, vai criar a lei que tornar possível a escravização dos Trouxas. Malfoy é a favor, já que os elfos domésticos parecem não trabalhar bem.
As meninas são somente duas. Eileen Prince e Lyzander Emilie Black.
Eileen é bruxa mesmo. Ela me disse que os nascidos bruxos são chamados de Puro-Sangue e os Trouxas de Sangues-ruins. Eu sou um mestiço. Acho que por isso eles não me odeiam tanto. Prince se parece com Rosier. Pensa bastante no futuro e no que pode vir a tornar-se, já que a família dela não é influente no mundo Bruxo. Além disso, os parecem próximos.
Lyzander Black não gosta do nome porque diz que é nome de homem, por isso pede que a chamam de Emilie. Ela é uma Black, grande família tradicional. Vive a gabar-se dos elfos que tem a sua disposição e de toda sua família. Malfoy diz que ela pode vir a se tornar muito poderosa se seguir os passos da família.
São três horas agora. Não consigo dormir por alguma razão. Amanhã, terei minha primeira aula com Dumbledore. Ele é professor de Transfiguração. Talvez seja por isso. Mal posso esperar...
Primeiro de Setembro de 1938, Segundo Registro."
Hermione não deixou de achar aquilo curioso. Parecia que Riddle admirava Dumbledore quando chegara em Hogwarts. Então, o que fizera ter parado de admirá-lo para seguir os passos de Salazar Slytherin?
Hermione achou que era preferível ler as últimas narrações de Tom Riddle. Se por acaso ele estivesse planejando algo, escreveria ali. Não tinha como Hermione descobrir coisas pelo ano de 1938. Então foi para as últimas páginas do Diário. O diário estava muito longe de ser completo, talvez por ser mágico, mas certamente Riddle não escrevia nele com tanta frequência quanto costumava. Os olhos de Hermione caíram em seu próprio nome em uma das páginas. Ela leu a narração com o coração em sobressalto.
"Hermione Granger ingressou em Hogwarts. Ela é de Durmstrang. É boa em Defesa Contra as Artes das Trevas, Transfiguração, Poções e Feitiços. Mas isso não é pra ser surpreendente já que Durmstrang é uma escola de alto nível.
Surpreendente nela é o fato de saber demais das coisas. De todas as coisas. Relacionadas até áquilo que parece não acontecer. Estou curioso sobre ela. Tem algo nela diferente do que costumo ver em outras pessoas, mas não sei bem o que é.
Ela tem um raciocínio apurado, o que me faz forçar a ser mais cauteloso do que costumo. Ás vezes, tenho a impressão que ela me conhece. Outras vezes, tenho a impressão que nunca vamos nos conhecer. Não sei dizer qual me incomoda mais.
Tenho que descobrir o segredo dela e por isso preciso me aproximar. Mas essa aproximação pode ser perigosa. Terei que ficar bem atento. Talvez ela esteja querendo se aproximar de mim também.
Tom Riddle, 5 de Outubro de 1944."
Hermione molhou a garganta apreensiva. Ela não sabia o que fazer. Virou a página seguinte e viu mais sobre si.
"Não gosto dela. Acho que deve ser porque ela está no mesmo nível que eu, afinal, quando odiamos algo, odiamos porque é superior ou igual a nós.
Ela admira Alvo Dumbledore mais do que qualquer outro bruxo. Isso me incomoda um pouco. Não sei o porquê, mas tenho vontade de mostrar a ela que Alvo Dumbledore não é o que ela pensa.
Ela acredita na bondade e na maldade. Isso a torna frágil, ingênua e previsível. Se ela soubesse que eles são apenas um ponto de vista...
Descobri que ela é Sangue-ruim. E isso me faz odiá-la mais ainda. Como ela pode ser Sangue-ruim e ser uma das melhores alunas da escola? Como pode ela ser Sangue-ruim e estudar em Dumstrang? E por que não consigo descobrir o segredo dela? As coisas estão começando a sair do controle.
Tom Riddle, 19 de Outubro de 1944. Último Registro."
Começando? Já tinha saído do controle há muito tempo! Hermione não viu mais nada escrito, realmente tinha sido o último registro. A apreensão, a ansiedade, o medo e a solidão de Hermione aumentou de forma considerável depois de ler aquilo. Ela deixou o diário de lado e enterrou o rosto no travesseiro de penas do dormitório. O peito estava tão apertado, parecia que um balão estava inflado dentro de seus próprios órgãos. A um corredor dali, Riddle estava dormindo tranquilamente, enquanto Hermione sentia-se estranha, oca e cinzenta.
Ela nem mesmo se importou quando a porta do dormitório foi aberta e Rose-Black surgiu, com o rosto um pouco corado e os olhos quase fora de órbita. Ela olhou para Hermione.
'Por gue voxe está assim?' Ela perguntou sem parecer notar a bebedeira.
'Não é nada. Dorme de uma vez, Rose.' Hermione teve a sensação de mesmo que Rose tenha descoberto alguma coisa, ela não se lembraria então não adiantaria de nada. E Hermione já havia descoberto o diário de Tom. Mais ajuda que aquilo, talvez não conseguisse.
'A vesta foi óbima. Devia ter ido, Hermionini.' Ela disse se jogando na cama vazia. Hermione não se importou com o seu nome dito errado, nem mesmo que a amiga estivesse bêbada. Ter lido o diário de Tom a fizera se sentir mal. Embora não conseguisse achar a razão para aquilo.
'Todos já se foram, Rose?' Ela indagou para a menina enquanto estudava as anotações de Eileen Prince.
'Xim.'
Hermione respirou fundo. Ela usou a varinha mais uma vez e guardou os pergaminhos e o diário onde antes estavam. Ter o Diário era de extrema importância, ela sabia, mas com Prince fazendo anotações, delatava que a monitora da Sonserina estudava o Diário e se Hermione o pegasse, certamente Prince sentiria falta.
Hermione só achou realmente estranho aquele diário estar com ela em vez de estar com o próprio Riddle. Ele precisaria do diário quando lhe fosse útil... Hermione teve um estalo na sua mente. Só quando lhe fosse útil.
Era isso.
Utilizando-se de um feitiço de segredo poderoso, pediu para Eileen Prince guardar o livro. Sabia que os meninos não podiam entrar no quarto das meninas, então ninguém encontraria nada do Tom no quarto de Tom! Mesmo no quarto dos monitores-chefe, não deve ter nada lá, pois suspeitariam que ele guardasse algo importante.
Ele só não suspeitava que Prince havia conseguido quebrar o feitiço revelatório, mas obviamente Riddle poderia ter pensado nisso, caso contrário nunca teria deixado o seu diário com alguém tão inteligente quanto Prince. Talvez ele não tivesse medo do que ela poderia encontrar lá.
Então ele realmente não escrevia nada de importante no diário. Pelo menos não o que poderia lhe condenar! Seus planos não estavam naquele diário. Aquilo era uma maneira de se livrar de Malfoy, Rosier e Alden, assim como as duas meninas.
"Ele é muito astuto." Pensou Hermione consigo enquanto trocava o uniforme de Eileen Prince para outra roupa. Ao término, Hermione percebera que a poção havia perdido o efeito. Ela havia voltado a ser o que sempre fora.
Ainda assim, Hermione bebeu mais um gole da poção. 1/3 da poção já havia ido embora. Ela memorizou em duplicar a poção quando fosse de manhã. Então, já voltando a ser Eileen Prince, decidiu sair do dormitório.
Estava sem sono. Estava sem ânimo para qualquer tipo de ação. O motivo nem ela sabia. As narrações escritas por Tom voltavam à sua mente. "Não gosto dela..."
Hermione começou a ouvir um zumbido chato em seu ouvido. Ela desceu a escadaria em espiral indo para o Salão luxuoso da Sonserina. Viu as garrafas de cerveja, hidromel e whiskeys jogadas pelos lugares. Geralmente, ela se irritaria com aquilo, mas ela não se incomodara. Queria sair dali, dar um tempo.
Ela percebeu a silhueta de alguém sentado no sofá de couro preto. E ela engoliu em seco quando a reconheceu. Era Tom Riddle. Estava acordado, lendo um livro em cima das pernas.
'Está estudando a essa hora?' Ela indagou curiosa aproximando-se dele.
'Sim. Mas não estou estudando há muito tempo.' Ele respondeu sem desviar os olhos.
'Por que está aqui? Por que não estuda no quarto?'
'Alden está passando mal e eu não gosto disso.' Ele respondeu sério.
'Você não bebe?'
'Não. A bebida faz com que perdemos o controle dos nossos atos. Não gosto da ideia de não saber o que estou fazendo.'
'Sim, mas você poderia estudar no quarto dos Monitores, não?'
'Sim, mas não quero. Além disso, estava esperando por você.'
Hermione arregalou os olhos assustada. O coração bateu forte e ela começou a se arrepender de ter saído do dormitório. 'O que quer de mim?'
Ele fechou o livro que lia e o deixou de lado. 'Preciso dele.' Disse aproximando-se dela. Hermione levantou as sobrancelhas e engoliu em seco com a aproximação do garoto. Dele? Ele estava falando do diário? Por que ele estava tão próximo dela?
'Está querendo o diário?' Ela indagou quase certa que ele se referia aquilo.
Ele deu um sorriso torto. 'Não.' Então a beijou. Ligeiramente encostou os próprios lábios nos de Hermione. Hermione ficou imóvel, enquanto ele aproximava o corpo ainda mais, chegando a pressionar contra o dela. Hermione sentia as mãos dele sobre sua cintura e o movimento dos lábios dele, e os dela, ficarem mais rápidos.
"Hermione, você está sendo tão irresponsável."
Hermione empurrou o garoto com força para longe. Ele piscou os olhos grafites. Ela respirava ofegante e temerosa.
'O que deu em você?' Ela perguntou sentindo a garganta travar. Riddle e Prince tinham um 'affair'? Por isso ele confiara a ela o seu diário?
'Você é realmente muito previsível... senhorita Granger...'
Continua no próximo capítulo
n/a: Sim, o nome Emilie de Lyzander tirei de Emilie Autumn. Mas quem se importa não é? (depois do que houve no capítulo). =]
