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Despedida de Solteiro
"Hinata foi contratada para ser a moça que sai do bolo numa despedida de solteiro, mas coisas muito estranhas acontecem e ela acorda nua, num quarto desconhecido e junto com o noivo."
Adaptação da obra de Karen Kelley.
Disclaimer: Uchiha Sasuke não me pertence, mas eu pertenço a ele, e é tão prazeroso quanto.
Capítulo 5.
- Não vejo graça alguma — disse Sasuke por entre os dentes.
— Você tem razão — concordou Hinata, contendo-se para não mais rir.
Com expressão séria, cruzou os dedos sobre o colo. Pelo canto dos olhos, percebeu que Sasuke começou a relaxar.
— Além do mais, isso durará apenas alguns meses. Então suas alterações emocionais pararão.
— Que alterações?
Ela não deveria continuar, mas alguma força invisível a forçava:
— Oh, você sabe, rompantes de choro, altos e baixos emocionais. Depois disso, há a dor nas costas, suas mãos e pés incham, você tem que ir ao banheiro a cada cinco minutos — Neste momento, ousou exagerar: — E então há o parto. Pelo que ouvi falar, não é somente um trabalho muito difícil, mas é...
Ela o fitou. Aquele tom esverdeado estava colorindo as faces dele novamente.
— O médico explicou bem que esses sintomas no homem são apenas questão de empatia — murmurou ele.
— Você acha isso?
A voz de Sasuke era um pouco rouca:
— Tenho certeza que passará dentro de poucos dias. E darei um jeito de você comer bolachas de água pela manhã quando se levantar. Ajudará a cortar a sensação de enjôo — arrematou ele.
— Sim, obrigada pela dica.
O resto da corrida foi em silêncio, cada um perdido nos próprios pensamentos. Hinata não conseguia entender por que Sasuke estava tendo aquele tipo de sintomas. Afinal, eles não tinham um casamento típico.
Por que ele sentia qualquer empatia, então? Depois que o bebê nascesse, eles se divorciariam.
Engraçado, mas tal pensamento a deixou com vontade de chorar.
Sasuke estava se transformando em mais do que ela esperara. Claro, ele insistira em muitas coisas, mas fora para o próprio bem dela.
Alguns dos conselhos dele eram sólidos. O bebê realmente precisava conhecer o pai, e a gravidez seria menos estressante se ela não precisasse preocupar-se com dinheiro.
Ela o olhou novamente de soslaio.
Ele era um homem bonito. Os cabelos negros e espessos apenas tocavam o colarinho. O peito era largo e musculoso e a barriga reta e firme.
Hinata alisou o próprio abdômen. Ainda estava chato, mas sabia que muito breve, começaria a arredondar-se. Então, o que ele pensaria dela? Ficaria desgostoso? Chegaria a desejar que ela nunca tivesse se mudado para o apartamento dele?
Ela meneou a cabeça para afastar tais idéias. O casamento deles era de conveniência, não do tipo "felizes para sempre". Por que se preocupava com o que ele pensava sobre sua aparência? Eles nunca tiveram qualquer espécie de relacionamento.
Sasuke nunca se apaixonaria por alguém que pulava de dentro de bolos em festas de despedida de solteiro.
Na verdade, ela não se importava nem um pouco por quem ele se apaixonaria.
Sasuke rolou na cama, estendendo a mão para o pacote de bolachas de água e sal que colocara sobre o criado-mudo. Parecia estar havendo uma revolução em seu estômago. Ele mastigou o biscoito vagarosamente. Com cuidado, atirou as pernas para o lado da cama e sentou-se nela por alguns minutos. Tudo bem, pode fazer isso.
Afinal, não era ele que estava grávido, portanto, não havia razão para sentir-se tão mal.
— Olá, você está acordado? — gritou Hinata do lado de fora da porta.
— Sim. Irei num momento — Ele já se sentia melhor. Indisposição matinal de gravidez... Nada disso. Sasuke poderia acabar com aquilo.
— Ótimo, eu fritei bacon. Como você gosta dos seus ovos? Moles ou duros?
Ele voou para o banheiro. Vinte minutos depois, Sasuke juntou-se a ela.
—Imagino que você não quer o café da manhã, ainda - murmurou ela em tom de empatia.
— Apenas café preto — disse ele, sentando-se e evitando se movimentar muito.
— Está indo — replicou ela, alegremente.
Apoiando os cotovelos sobre a mesa, ele descansou a cabeça nas mãos. Pelo menos, a sensação de enjôo se fora, por enquanto. Hinata estava errada quando disse que provavelmente aquilo duraria alguns dias. Duas semanas já haviam passado e ele ainda era acometido de indisposição matinal de gravidez.
E havia uma outra coisa. Por que chamavam os sintomas de indisposição matinal? A sensação de náusea aparecia a qualquer hora do dia. Sua secretária estava começando a lhe dar olhares estranhos.
Sasuke levantou a cabeça quando Hinata lhe serviu uma xícara de café. O aroma peculiar do café flutuou no ar. Ele fungou. Nenhum enjôo. Com precaução, tomou um gole. Era bom e não sentiu mal-estar algum. Talvez sobreviveria, afinal.
Depois de alguns minutos, Hinata pôs um prato de torradas secas sobre a mesa.
— Você poderia experimentar algumas. Isso não lhe revolverá o estômago.
Pegando uma torrada, Sasuke começou a mordiscar enquanto ela deixou a copa de novo. Ele começou a relaxar. Sentiu-se melhor. A sensação de vazio foi diminuindo, gradualmente. Hinata reentrou na copa, carregando seu prato com ovos. Os ovos fritos pareciam dois imensos olhos, mirando-o. Ele não ousou prová-los.
— Temos um jantar para ir amanhã à noite — anunciou Sasuke, mordendo a torrada.
Ela parou de passar geléia de morango na torrada.
— Eu preciso ir? Ele suspirou.
— Venho tentando trazer a conta de Uzumaki Jiraya para minha firma de publicidade há anos. Ele dá muita importância a valores familiares. Ajudaria muito se você fosse.
— Haverá muitas pessoas importantes lá?
— É apenas uma pequena reunião. Provavelmente vinte e cinco ou trinta convidados, no máximo.
— Pequena reunião? Cristo amado, imagina se fosse grande — exclamou ela. — Não estou certa se serei de grande ajuda.
Começou ter engulhos quando a observou misturar geléia de morango com ovos. Podia até sentir o suor começar a gotejar na sua testa. Fechou os olhos e procurou concentrar-se na festa iminente.
Abrindo novamente os olhos, em vez de olhar para o prato de Hinata, olhou-a no rosto.
— Tudo que você tem a fazer é sorrir muito e fingir que estamos loucamente apaixonados. E o único meio de convencermos as pessoas de que este casamento não é uma farsa.
— Mas não deixa de ser — apontou ela.
— Eles não precisam saber. Se não quiser fazer isso por mim, então pense no nosso filho. Algum dia, ele tomará seu lugar na sociedade. Fofoca maldosa pode nos atingir. Se ele descobrir a verdadeira razão pela qual nos casamos, isso pode causar um prejuízo emocional.
Ela parou o garfo no seu caminho para a boca.
— Acho que você tem razão.
Hinata continuou comendo sua mistura de geléia com ovos e Sasuke teve que sair correndo da cozinha, direto para o banheiro.
O que Sasuke estaria pensando?, perguntou-se Hinata, observando a rápida retirada dele. Será que a idéia de os dois fingirem que estavam apaixonados lhe era repugnante? Bem, certamente não era mais fácil para ela. Pelo menos, ele ainda vivia na própria casa, enquanto a vida dela dera um giro de trezentos e sessenta graus.
Ali estava ela, num ambiente estranho, grávida, casada com um estranho, e agora deveria fingir que estava apaixonada por ele. Ela ficou matutando com os cotovelos fincados na mesa e as mãos na cabeça.
Seria tão difícil para Sasuke apaixonar-se por ela?
Ele quisera alguém como Karin. Alguém sociavelmente aceita no seu rico círculo de amigos. O passado de Hinata não incluía festas suntuosas e vôos de helicóptero para fins de semana em ilhas paradisíacas particulares.
O mais perto que chegara do ato de voar foi quando caiu de uma grande árvore do quintal de sua avó. E o "vôo" durou cinco segundos.
A única coisa que poderia citar era a sua quase formatura em música. Vovó Tanashi desejara que Hinata se formasse na faculdade. Levou mais tempo que a maioria das pessoas, mas, aos tropeções, ela se formaria.
O sr. Sasuke Uchiha podia não considerá-la boa o suficiente para ele, mas ela não se importava realmente. Algum dia teria seu diploma e seria capaz de lecionar.
Hinata sabia que não ficaria rica, contudo, dinheiro não era importante. Contanto que estivesse fazendo o que amava e pudesse prover um lar decente para seu filho, nada mais importava.
Ela ergueu o olhar e franziu o cenho quando observou que Sasuke deixava o quarto. Ele estava vestido à perfeição. Terno escuro, gravata de seda pura vermelha, cabelos bem penteados. Parecia um pouco pálido, mas ela não deu importância ao fato.
— Deixei um dos meus cartões de crédito na gaveta do camiseiro. Achei que você poderia ir às compras esta tarde e encontrar algo que possa usar no jantar íntimo.
Ela deixou cair o garfo sobre o prato com um estrépito. Ele pensava que porque possuía sua própria empresa era o único que tinha alguma coisa de valor? Ela quase perdeu o controle de seu temperamento, usualmente equilibrado.
— Quero que você saiba que tenho um guarda-roupa muito bonito e se quiser comprar algo novo, usarei meu próprio dinheiro.
Então passou por ele, nem sequer se importando com o olhar intrigado, e entrou no seu quarto.
Hinata tinha que admitir que estava super nervosa pelas circunstâncias. Olhou para seu reflexo no espelho de corpo inteiro do quarto. Tudo parecia bom. Embora simples, o vestido era elegante e novo.
Ela mentira quando dissera a Sasuke que seu guarda-roupa era adequado. Os poucos vestidos que possuía já estavam um pouco apertados na cintura. Como usava calças de agasalho na maioria das vezes, não notara que a barriga estava começando a aparecer.
Mordendo os lábios, inspecionou seu reflexo uma última vez. Os cabelos estavam puxados para trás e presos no alto da cabeça com uma presilha de pérolas falsas. Cachos curtos emolduravam seu rosto, dando-lhe uma aparência Vitoriana. Ela esperava muito que Sasuke não achasse que sua aparência era de madona renascentista.
O vestido azul brilhava quando a luz o atingia. A frente era um pouco curta, mas Hinata adorava o modo como o tecido caía em suaves pregas até os tornozelos.
Tentou colocar um colar ou uma gargantilha como complemento, mas, entre suas bijuterias, não encontrou nada adequado e, jóias, não possuía nenhuma.
O vestido fora a coisa mais cara que jamais comprara, e tinha quase esvaziado suas economias. Mas valera a pena. Sasuke não teria razão para envergonhar-se dela. Dando um profundo suspiro, saiu do quarto.
Seu passos vacilaram e ela parou. Sasuke estava de pé ao lado da lareira. O smoking escuro que usava tinha, sem dúvida, sido confeccionado sob medida. Ela de repente sentiu-se barata no seu vestido de duzentos dólares que achara numa liquidação. Como podia esperar competir com as mulheres que ele usualmente saía ou namorava?
Ainda podia fingir uma dor de cabeça. Dizer-lhe que não poderia ir, que não estava se sentindo bem. Começou a virar-se quando ele a viu. Seus olhos se encontraram. Então, vagarosamente, o olhar de Sasuke a envolveu de cima a baixo. Seus olhos a queimaram como uma carícia ardente. Hinata tremeu quando ele começou a andar em sua direção, os olhos fazendo-a prisioneira. Quando ele estendeu-lhe a mão, ela quase teve medo de tomá-la.
— Você está deslumbrante — sussurrou ele.
Foi o melhor elogio que ela recebera, porque ele já dissera aquilo, primeiro com os olhos.
— Há apenas mais uma coisa que você precisa. - Ela entristeceu. Do que poderia ter se esquecido?
Hinata deixou-o conduzi-la para a lareira. Ele largou sua mão e o calor de um momento atrás rapidamente desapareceu. Ela ficou surpresa quando ele retirou o quadro do índio e apareceu um cofre. Sasuke girou o segredo da fechadura e o cofre se abriu.
Curiosidade a atingiu quando ela o viu tirando uma caixa preta longa e fina. Quando ele abriu, o que estava dentro a deixou sem fôlego. Sobre o veludo negro, havia um colar de diamante e pérolas. Era a coisa mais bonita que ela jamais vira.
— Gostaria que você usasse isso esta noite. Pertenceu à minha mãe.
Ela podia ouvir o coração batendo tão alto que ele certamente ouvia também.
— Não posso, Sasuke, deve valer uma fortuna.
Ele colocou a caixa na abóbada sobre a lareira e tirou o colar.
— Tolice. Este colar precisa de uma pessoa especial para usá-lo, e não posso pensar em ninguém mais adequada do que você.
Sasuke colocou-se atrás dela.
A jóia era fria contra a pele, mas os dedos hábeis eram quentes como fogo quando ele prendeu o fecho. E quando falou, a respiração quente deixou-a com calafrios de prazer pelo corpo inteiro.
— E se eu perder isso? — perguntou ela, tocando o colar com os dedos e voltando-se para encará-lo e perder-se no sorriso do homem elegante a seu lado.
— Você não perderá. Oh, e no caso de eu me esquecer de lhe dizer mais tarde, você é a mulher mais bonita na festa esta noite.
Ela sentiu as faces corarem violentamente.
— E fica ainda mais bonita quando enrubesce.
Hinata sentia-se a própria Cinderela quando se sentou ao lado dele no carro. Podia quase acreditar que eram um casal feliz de verdade. Não seria muito difícil fingir, apenas por aquela única noite, que eles eram.
Seu nervosismo voltou quando ele pegou a estradinha particular que levava à propriedade de Jiraya Uzumaki.
A casa era nada menos do que uma mansão, totalmente iluminada pelo lado de fora. Colunas elevavam-se, apoiando uma sacada em forma de balcão imenso no segundo andar. Arbustos podados artisticamente completavam a estrutura da mansão.
Ela sentiu-se uma ave fora do ninho quando Sasuke parou em frente de portas duplas.
Um jovem de uniforme vermelho apressou-se para abrir a porta. Hesitante, Hinata desceu do carro e imediatamente protegeu o colar com a mão.
— Você se sairá muito bem. Não se preocupe tanto — sussurrou Sasuke.
Ela tentou sorrir, mas sentia-se mal internamente e preocupada que o enjôo voltasse.
As portas já estavam abertas quando eles subiram os largos degraus. Risadas enchiam o ar, mas, em vez de dar-lhe confiança, somente fez suas pernas tremerem mais.
Hinata pendurou-se no braço de Sasuke quando entraram. Seu olhar varreu a sala e imediatamente focalizou Karin Winthrop. Ela quase não ouviu a exclamação sussurrada de Sasuke quando Karin os viu.
Não fora há pouco tempo que se sentira uma Cinderela? Bem, estava no baile, o príncipe estava a seu lado, mas esquecera-se de um detalhe importante. A madrasta má também recebera um convite. E justo agora, Karin parecia pronta para destronar Hinata.
Bem, dê o melhor de si, disse a si mesma. Então se empertigou e ergueu a cabeça. Se era uma luta final que Karin queria, ela a teria.
O lado irlandês de Hinata estava pronto para a batalha.
— Não faça nada de modo intempestivo. Lembre-se, estamos aqui para causar boa impressão — disse Sasuke.
— Por que você pensa que eu faria alguma coisa incivilizada?- Hinata quis que ele se preocupasse um pouco. Sasuke podia pelo menos ter lhe dito que Karin estaria ali. Ela estaria preparada, mais bem capacitada para lidar com a situação. Mas não, ele lhe impingira sua ex-noiva, inesperadamente.
Ino uma vez lhe dissera que ela deveria aprender a representar. Bem, agora era a sua chance de seguir o conselho.
— Eu não...
Hinata não o deixou terminar o que quer que ele fosse dizer e dirigiu-se para Karin. Se não fizesse a inevitável confrontação naquele momento, não teria sossego pelo resto da noite.
— Karin, que bom ver você novamente — O tom de voz de Hinata era doce, porém, frio.
O rosto de Karin mudou de rosa brilhante para um vermelho escaldante. Ela engoliu sua raiva e sorriu maliciosamente.
— Estou surpresa que sua esposa o deixe fora da cama tempo suficiente para comparecer à festa de Jiraya — Ela falou para Sasuke, ignorando a presença de Hinata.
Quando Sasuke abriu a boca para responder, Hinata o interrompeu bruscamente:
— Oh, querida! Você não sabe nem a metade. Pensei que a lua-de-mel deveria terminar em poucos dias, mas — ela baixou os olhos —, bem, você sabe como é quando estamos apaixonadas — As próximas palavras foram ditas quase aos sussurros: — E nós duas sabemos o quanto Sasuke é fogoso na cama.
— Como você se atreve! — exclamou Karin, avançando suas unhas para Hinata, mas Sasuke interpôs-se entre as duas.
— Não vamos monopolizar o tempo de Karin, querida. Além do mais, há alguém que quero que você conheça.
— Se você acha que terá Jiraya como cliente, está completamente enganado — disse Karin.
hinata perguntou-se se Sasuke estava lamentando-se por tê-la levado consigo. O modo que ele apertava-lhe o cotovelo era tão forte que chegava a ser dolorido. Ele a conduziu para os fundos da sala.
Tão logo estavam a uma distância segura, voltou-se para ela:
— O que você está tentando provar? Qual das duas tem as garras mais afiadas?
— Se não me falha a memória, Karin fez alguns comentários indevidos a meu respeito. Se eu não tivesse me confrontado com ela...
Como se ela não tivesse falado, Sasuke continuou:
— Ela estava certa, você sabe. Foi uma perda de tempo vir aqui esta noite. Jiraya Uzumaki jamais será um dos meus clientes. Terei muita sorte se ele for o único que perderei.
Ele andava de um lado para outro no assoalho de lajotas. A cada passo, sua raiva aumentava.
— E você acha que ela lhe entregaria esse tal de Uzumaki numa bandeja de prata depois que você a esnobou para casar-se comigo? Ela está louca por vingança e furiosa porque venci o primeiro round.
— Isto não é uma luta de box. Karin é civilizada, entendeu a situação.
— Oh, e eu não sou?
— No momento, não estou muito certo.
Hinata colocou as mãos nos quadris e o encarou.
— Bem, você disse que queria convencer todos de que esse casamento era verdadeiro. Quer coisa melhor do que começar com a única pessoa que tentaria provar o contrário?
— Há maneiras melhores para provar essas coisas — murmurou ele menos raivoso agora.
— E você podia ter me avisado que ela estaria aqui.
— Como é que eu saberia?
— Oh, você não tinha idéia de que Karin compareceria — zombou ela.
— Eu não tinha... oh, esqueça isso — disse ele, puxando-a para seus braços e beijando-a ferozmente.
Hinata quase caiu de costas. O beijo inesperado deixou-a sem fala. Antes que pudesse pensar em empurrá-lo, os lábios de Sasuke comprimiram os seus. Ela envolveu-lhe o pescoço com os braços e ondas de prazer a invadiram.
O beijo era possessivo e exigente. Correspondendo com paixão, Hinata pressionou o corpo contra o dele, pedindo por mais. Sasuke não a desapontou. Sua língua provocava enquanto as mãos escorre gavam pelas costas e apalpavam-lhe as nádegas, a fim de puxá-la para mais junto de si.
Quando se separaram, só puderam se entreolhar. Os risinhos de outro casal próximos afastaram sua atenção de Sasuke. Obviamente, o casal vira o beijo apaixonado, mas, sem demora, desapareceram da vista.
— Como eu disse, há melhores maneiras para fazer as coisas. Aquela era Sakura Haruno, uma das maiores fofoqueiras por aqui. Ela não levará muito tempo para espalhar que nos pegou beijando no jardim.
O beijo era apenas um artifício, então? Sasuke era ardiloso, pensou ela.
— Eu... eu... espero que você vomite! — declarou ela. Hinata afastou-se, e então saiu correndo para dentro da casa. Era apenas um jogo para ele. O beijo não significara nada. Como pudera ser tão tola? Fora burrice sua apaixonar-se por alguém que nunca poderia retribuir seus sentimentos.
De súbito, parou. Será que se apaixonara de verdade por Sasuke? Não era possível. Eles ainda não tinham tido tempo de se conhecer. Eram estranhos. Não, precisava tirar aquilo da cabeça. Mas, como?
Tinha que haver um modo, mas ela não podia imaginar o que era certo agora. Só precisava de um lugar sossegado para refletir.
Uma vez dentro da casa, soube que não seria ali naquela sala barulhenta e cheia de sons de risadas. A vozearia fez sua cabeça doer. Mas, onde poderia ir?
As chaves do carro estavam com Sasuke e um táxi estava fora de questão. Ela não levara um centavo na bolsa.
Talvez fosse menos barulhento no andar de cima. Se pudesse controlar suas emoções, poderia ser capaz de encarar Sasuke. Começou a subir a escada.
Sasuke teve que cerrar os dentes para não chamar Hinata de volta. Não soubera que o outro casal estava lá até que ouviu a risada deles. E não tinha idéia por que dissera tudo aquilo.
Ele começou a andar pelo jardim, afastando-se da casa.
Talvez o ar da noite clareasse sua cabeça. Hinata estava deixando-o louco. Que mulher era aquela que o fazia sentir-se como que atado por um nó?
Ele sorriu. Não podia evitar. Ela tinha um temperamento forte, sem dúvida. Se Hinata não tivesse enfrentado Karin da maneira que fizera, sua ex-noiva a teria arrasado com observações maldosas. Ele deu uma gargalhada. Era a primeira vez que vira alguém levar a melhor sobre Karin.
A situação era até mesmo engraçada. Hinata revelava-se, dia a dia, uma onça selvagem que seria dura de domar. Mas ele tentaria domá-la. Não que fosse gostar das conseqüências. Hinata não era do tipo que gostava de jogar.
Sasuke temia que ela quisesse um compromisso emocional que ele não poderia dar. Não sabia ao certo por que até mesmo a beijara. Talvez porque ela fora terrivelmente sedutora.
Ele voltou para a casa. Teria que se desculpar. Dessa vez, ela tinha boas razões para estar furiosa.
Se ele lhe dissesse que não se importava em não ter Jiraya como cliente, ela poderia ser um pouco razoável. Sasuke tinha mais dinheiro agora do que precisava. O desafio era o que ele gostava.
Quando entrou na casa, um garçom passou com uma bandeja de comida. O cheiro o atingiu em cheio. Começou a suar na testa e voltou para o jardim, sentando-se num banco de cimento.
Certamente, não era a hora para desculpas.
O corredor no andar acima que Hinata atravessou tinha uma luz difusa. Ela viu uma porta fechada e bateu antes de entrar para certificar-se que não estava sendo inconveniente. Não houve resposta e ela entrou num ambiente escuro. Tateou a parede e acendeu a luz.
Encontrara seu refúgio. No meio da sala, havia um piano de cauda. Deixando a porta entreaberta, dirigiu-se a ele. Seus dedos dedilharam as teclas. Começou a se sentir relaxada imediatamente. O que não daria para ter tal instrumento?
Hinata sentou-se no banco enquanto memórias de sua avó tocando o velho piano vieram à sua mente. Uma irlandesa de sangue quente, ela tocara uma porção de velhas melodias, mas, uma em particular, era a favorita de Hinata.
Fora a primeira música que Hinata aprendera. E foi essa melodia que começou a tocar agora.
O som era doce e ela acompanhou o ritmo, cantando a letra que tinha palavras cheias de paixão e tristeza. Quando terminou, teve que enxugar uma lágrima cadente.
O aplauso foi suave, porém assustou-a. Ela virou-se e olhou para o homem na soleira da porta. Calculou que ele estava perto dos cinqüenta anos. Um cavalheiro com aparência muito distinta.
— Desculpe-me. Estava tão barulhento lá em baixo que pensei que aqui fosse mais tranqüilo. Quando abri a porta e vi o piano, não pude resistir.
— E qualquer pessoa que toca e canta tão maravilhosamente como você não resistiria à tentação. Foi um prazer ouvi-la.
Hinata corou.
— Obrigada.
— Minha mãe era irlandesa — contou ele. — Ela costumava tocar e cantar velhas baladas. — Lágrimas brotaram nos olhos do homem. — Você não conhece algumas outras, conhece?
—Algumas - respondeu ela, sorrindo.—Minha avó era irlandesa.
—Bem, parece que tivemos a mesma idéia de fugir da festa. Tanto barulho me incomoda. Você poderia? — perguntou ele, apontando para o piano.
Hinata sentiu-se maravilhosamente bem depois de mais algumas melodias. Voltou-se para seu novo amigo depois de terminar a última:
— Acho que esgotei meu repertório de canções irlandesas.
— Está ótimo. Pelo menos a tristeza desapareceu de seus olhos.
— Era tão óbvio assim? — perguntou ela. Ele assentiu.
— Sou bom ouvinte, se você quiser conversar sobre sua tristeza. - Ela hesitou, mas ele lhe inspirava confiança.
— Temo que custei ao meu marido um cliente muito importante.
— E quem é seu marido?
— Sasuke Uchiha. Entenda, ele ia casar-se com Karin Winthrop, mas acabou se casando comigo. Quando chegamos esta noite e eu a vi, não procedi muito bem. Então ela jurou que Sasuke jamais obteria a conta de Jiraya Uzumaki. Acho que a culpa é minha. Ele jamais me perdoará.
— Se ele a ama, e aposto meu último dólar que sim, estou certo que a perdoará.
Hinata sabia que não podia contar a um estranho as circunstâncias de seu casamento.
Impulsivamente, tomou a mão dele na sua num gesto de carinho.
— Obrigada por me ouvir.
Ela sentiu empalidecer quando viu Sasuke na porta com expressão zangada.
— Eu estava imaginando para onde minha esposa fugira.
— Sasuke, entre e junte-se a nós.
Os olhos de Hinata arregalaram-se.
— Vocês dois se conhecem?
—Nosso anfitrião foi negligente. Hinata, este é Jiraya Uzumaki. Engraçado, pensei que vocês tivessem se apresentando, uma vez que você estava segurando a mão dele.
Hinata não sabia por quem estava mais constrangida, por si mesma ou por Jiraya. Ou talvez por Sasuke, porque ele estava sendo um tolo. Ela não entendia o motivo do sarcasmo. Tudo que queria no momento era ir para casa.
—Foi um prazer conhecê-lo, sr. Uzumaki. De repente, não estou me sentindo bem. Espero que me perdoe por abandonar sua festa cedo.
O sorriso de Jiraya foi cheio de calor e ela podia jurar que vira um toque de humor nos olhos dele. Estranho. Por que ele acharia divertido a maneira que Sasuke estava agindo?
— Eu mesmo não me preocupo muito com festas — disse Jiraya. — Diverti-me muito mais com uma audição de piano. Espero que venha à próxima festa.
Ela ignorou o olhar sombrio de Sasuke.
— Eu adoraria — replicou, saindo da saleta sem mesmo olhar se Sasuke a seguia.
Na saída, ao abrir a porta para ela, o semblante dele era de pura raiva contida. O homem estava furioso e ela não sabia porquê.
O silêncio dentro do carro foi pesado durante o trajeto.
Ao chegar em casa, a vontade de Hinata era correr para a cama, mas, para que Sasuk não pensasse que o furor dele a amedrontava, dirigiu-se para a cozinha.
Abriu o refrigerador à procura de comida, como se não comesse há uma semana.
Esperava muito que a vista do espaguete o deixasse enjoado.
A voz era fria e dura quando ele falou:
— O que você pensa que estava fazendo com Jiraya?
— Bem, achei que acabaria no leito dele.
— Não permitirei que você me faça de bobo. Ela virou-se para encará-lo.
— Oh, não se preocupe com isso. Você mesmo se fez de bobo com sua atitude naquela sala de música. E já que quer falar em fazer alguém de bobo, o que me diz do show que armou para a fofoca da cidade? Como acha que me senti? — indagou ela, batendo a porta do refrigerador.
— Pensei que você tivesse gostado. Na verdade, se não houvesse a presença da alcoviteira oficial da cidade, você teria rasgado minha roupa. A maneira que se pendurou em mim, deixou-me saber exata mente o que você queria.
— Pendurei-me? Você superestima seu ego, sr. Uchiha. Eu não me abaixaria para rastejar para sua cama.
— Claro que não, você é do tipo que entra furtivamente na cama de um homem.
—Você é um verme—esbravejou ela, voltando a abrir a geladeira, pegando um punhado de espaguete e atirando nele.
Sasuke empertigou-se e seu rosto mostrava surpresa.
Hinata não acreditou no que fizera. Nunca na vida procedera assim. Todavia, em vez de alarmar-se, quando viu os fios do macarrão escorrendo pela face dele, não pôde evitar uma risada.
— Você acha que foi muito engraçado, não acha? — disse ele, pegando na geladeira um punhado de geléia de morango.
— Não, Sasuke, não faça nada de que possa se arrepender.
— Oh, eu não me arrependerei — retrucou ele, atirando uma boa porção da geléia na testa dela, que escorreu sobre o rosto como se fosse lava de vulcão.
— Aposto que pensa que foi hilário.
Ela pegou uma lata de creme de chantilly e atirou com força sobre ele. Sasuke desviou e a lata espatifou contra a parede.
— Na próxima vez, não errarei — gritou ela.
— Você não devia comer sua sobremesa de morango antes do prato principal — Ele apanhou a tigela de espaguete e derramou sobre a cabeça dela.
— E você não comeu o suficiente — Hinata alcançou o prato com bolo e esfregou-lhe no rosto.
— O que você acha disso?
— Eu estava com mais apetite para geléia — respondeu ele, raspando um pouco de geléia do rosto dela e lambendo o dedo.
— Você está louco — exclamou ela, com um súbito tremor de desejo a invadindo.
— Estou? — perguntou ele, puxando-o para os braços. Então pegou um pano de prato, limpou-lhe o rosto e depois o seu próprio.
— Vamos para o quarto. Você usou todo o creme de chantili? - Ela assentiu, tristemente.
Continua...
Caramba, eu adoooooooro este capítulo! Quase choro de tanto rir nele! "Você usou todo o creme de chantili?" kkkkk
Então amores, desculpem a demora, é que agora estou com três adaptações e três longs para atualizar e tempo deveras escasso. Aliás, quem quiser conhecer uma fanfic SasuHina de minha autoria, leia Senhora Fada: /s/6884879/1/Senhora_Fada
É um romance de época bem legal, se querem saber... rs
Enfim, não vou falar muito. As férias estão bem aí e tentarei adiantar bastante serviço. Responderei as reviews anônimas por aqui e as que tem conta, será por MP:
Nath: Hey floore! Eu adoro o Sasuke com indisposição de gravidez, é tão... anti-sasuke. oaksoaksoaksoa Fico feliz que tenha gostado, esse capítulo também é comédia, o que achou? Beeijos.
jhe: Hey! Que bom que gostou, o que achou deste? Beeijos.
violak: Yoo! Desculpe pela demora, as coisas estão meio atribuladas por aqui. :x Fico feliz que esteja gostando. Beeijos.
Sue-san: Heey florr! Fico feliz que tenha dado boas risadas, o que achou deste capítulo? Eu também adoro ele. rs Beeijos.
Hyun: Yoo! Realmente, o Sasuke com indisposição é impressionante, nesse capítulo ele passou muito maal né? Eu achei super cômico! Espero que tenha gostado também. Beeijos.
gesy: Hey! Que bom que gostou, o que achou deste capítulo? Beeijos.
O resto será respondido por MP. :)
Lembrem-se: Reviews movem montanhas, ou melhor, capítulos.
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Beeijos.
