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Despedida de Solteiro

"Hinata foi contratada para ser a moça que sai do bolo numa despedida de solteiro, mas coisas muito estranhas acontecem e ela acorda nua, num quarto desconhecido e junto com o noivo."


Adaptação da obra de Karen Kelley.

Disclaimer: Uchiha Sasuke não me pertence, mas eu pertenço a ele, e é tão prazeroso quanto.


Capítulo 7.

— Você não tem que ser minha babá — informou Hinata a Naruto. – Sasuke já voltou, não preciso de você aqui.

— A maioria das minhas aulas são à noite neste semestre, de forma que não há problema. E não estou sendo sua babá. Estou aqui apenas para ajudar você — disse ele, dirigindo-se ao refrigerador e, retirando uma cenoura, começou a mastigá-la.

— Eu já prometi a ambos que não iria mais caminhar no parque sozinha, portanto, não há razão de você estar aqui.

— E quem ajudará você a levantar-se do sofá?

Ele sorriu e, por um momento, Naruto a fez lembrar-se de Sasuke. Os dois irmãos tinham o mesmo sorriso cativante. Mas era aí que a semelhança terminava. Ela se sentia bem junto a Naruto, mas Sasuke... bem, ele ainda a deixava um pouco nervosa.

Estava ficando cada vez mais difícil pensar no dia em que teria que se mudar. Suspirou. Sasuke vinha sendo gentil e amável com ela, e preocupado com sua saúde, porém, Hinata sabia que era por causa do bebê que carregava. Tudo acabaria quando ele chegasse ao mundo.

— Qual é o motivo desse olhar tão triste? — perguntou Naruto.

— Triste? Engano seu. E quero que saiba que posso levantar-me do sofá sozinha.

Ele a seguiu quando ela entrou na sala de estar, espanador na mão, embora não houvesse sombra de poeira em lugar nenhum. Talvez fosse para mantê-la ocupada e sem encará-lo. Precisava ser mais cuidadosa para não deixar transparecer suas emoções. Naruto era perspicaz e bom leitor de faces.

— Então, como meu irmão a está tratando?

— Otimamente.

— Não foi bem essa a minha questão. Ela parou de espanar e fitou-o.

— Se você quer perguntar alguma coisa, seja mais direto.

— Muito bem. Quando é que vocês dois vão cair em si e acabar com esse fingimento de que o casamento não é verdadeiro?

Hinata voltou a espanar.

— Não estamos fingindo. Nosso casamento não é real. Tão logo o bebê nasça, eu me mudarei daqui.

— Isto é a coisa mais tola que você já disse.

Naruto colocou as mãos no ombro dela e girou-a para si. Não havia maneira de Hinata evitar o contato ocular, agora.

— Na manhã que vim para casa da faculdade, vocês dois estavam na cama juntos -— disse ele. — Não foi difícil imaginar o que estavam fazendo.

— Naruto! — exclamou ela, libertando-se das mãos dele e dando-lhe as costas. — Isso não é algo que quero discutir com você.

Movendo-se para um aparador, Hinata pegou uma estatueta de latão e começou a espanar furiosamente. Esperava que Naruto entendesse a dica que aquele assunto era íntimo demais para compartilhar com um cunhado.

— Você pode afirmar que não há nada acontecendo entre vocês?

Ele não ia mudar o rumo da conversa. Naruto era tão persistente quanto Sasuke no que dizia a esperar respostas. Nunca desistiam.

— Sentimos atração física um pelo outro. Até admito — começou ela.

— Uh-huh. Eu sei isso.

— Mas é apenas atração física. Seu irmão é bonito. E bom. Era normal que terminássemos nessa... situação bizarra.

— Não vejo nada de bizarro em um homem e uma mulher se atraírem mutuamente. Bizarro seria se vocês dois fossem do mesmo sexo.

— Você sabe que está sendo preconceituoso com esse comentário — murmurou ela, tentando ver se conseguia mudar o assunto. — Mas é somente atração física. Você pode perder as esperanças que nosso casamento de faz-de-conta venha a ser algo mais real — Obviamente Naruto não estava convencido.

— Ouça, estou certa que você já teve relações com uma... uma garota.

— Não sou virgem, se é o que você quer saber — declarou Naruto com um sorriso maroto.

Hinata franziu o cenho.

— Muito bem, então por que você não é casado, já que faz sexo com elas?

Ele ficou em frente dela.

— Sim, mas há uma diferença nos meus relacionamentos. E sabe qual é? Eu e as garotas com quem faço sexo não estamos apaixonados.

— Seu irmão e eu não estamos apaixonados — replicou ela, cerrando os dentes.

Para um estudante de faculdade, Naruto não era lá muito inteligente. Se houvesse algum amor, era apenas de um lado, e isso não era suficiente para fazer um casamento dar certo. Não, decididamente, quando o bebê nascesse, ela sairia da vida de Sasuke e estava certa que superaria seus sentimentos por ele.

Naruto pegou seus livros e dirigiu-se à porta da frente.

— Como você quiser — disse ele, aparentemente não convencido pela negação dela. — Vejo você mais tarde, irmãzinha.

Naruto conseguia ser tão exasperante quanto o irmão. Para descarregar os nervos, Hinata atirou o espanador contra a parede. Sasuke estava entrando na sala e foi atingido em cheio.

— O que foi que eu fiz?

— Nada —- respondeu ela, reorganizando peças de decoração sobre o aparador da lareira. — Sabe, não preciso de Naruto tomando conta de mim quando você não estáem casa. Estougrávida, não inválida.

— Tudo bem. Eu lhe direi que você não precisa mais dele.

Hinata não esperava que ele cedesse tão fácil e estava ainda zangada, o pior, sem saber porquê.

— Houve alguma coisa mais? — perguntou Sasuke.

Ela começou a andar de um lado para o outro, sem dizer nada. Quando ele sorriu, ela perdeu o pouco controle que tinha.

— Você e seu irmão são loucos. Você me trata como se eu não tivesse juízo. Será um alívio partir depois que o bebê nascer. Se eu nunca mais precisar vê-los novamente, será melhor ainda. Só espero que o bebê não puxe seu lado da família. E outra coisa...

— Sim? — perguntou Sasuke calmamente, levantando uma pequena sacola que estava segurando.—Se você acabou, eu trouxe bolinhos de chocolate. Mas só se você terminou.

Hinata ficou com a boca cheia d'água.

— Bolinhos de chocolate?

— E recheados, como você gosta. O ar furioso dela esvaeceu-se.

— Eu não estava realmente furiosa com você. Era com Naruto, que está um pouco confuso sobre algumas coisas — contou ela.

— É a idade dele. A maioria de sua geração está confusa. Ele lhe entregou o pacote com os bolinhos de chocolate.

Sem perder tempo, Hinata começou a comer, um atrás do outro.

— Humm, é delicioso.

— Diga-me sobre o que Naruto estava confuso.

Ela quase se sufocou com um pedaço de bolo.

— Oh, não foi nada.

— Não acredito. Caso contrário, você não teria ficado assim tão nervosa que quase quebrou minha testa com o espanador.

— Desculpe-me por isso — ela suspirou. — Bem, foi sobre a vidaem geral. Eletem algumas noções preconceituosas sobre relacionamentos.

— Principalmente sobre o nosso — apontou ele.

— Mais ou menos isso — Ela não queria falar a respeito, mas o olhar de Sasuke era incisivo e ele dificilmente deixaria o assunto morrer. — Naruto acredita em contos de fadas, você sabe, do tipo "eles foram felizes para sempre". Eu lhe disse que não funcionaria dessa forma no nosso relacionamento.

A expressão de Hinata tornou-se solene. Será que Sasuke pensaria que ela queria um final feliz no conto de fadas deles? Não suportaria se obtivesse a empatia de Sasuke, em vez de seu amor.

Respirando fundo, ela continuou:

— E claro que tentei fazê-lo entender, mas ele não me escutou. Você e eu pertencemos a mundos diferentes. Nossos caminhos foram cruzados por um infeliz incidente. Um verdadeiro casamento jamais daria certo entre nós. De fato, se você pensar nisso, a idéia é realmente muito engraçada.

— Hilária — foi o comentário dele.

Hinata colocou o pacote de bolinhos no balcão.

— Acho que todo esse chocolate foi demais. Vou me deitar um pouco.

É claro que ele pensava que a idéia era jocosa. Eles eram dois estranhos que haviam sido presos numa armadilha impensada. Caminhando para o quarto, ela pensou: Três meses mais e tudo estará acabado. As únicas vezes que veria Sasuke seria quando ele pegasse o bebê. Talvez ele até mesmo mandasse uma babá buscar a criança.

Ela entrou no quarto e olhou para a coruja empalhada.

— Seremos somente eu, o bebê e você, Bernard.

Sasuke continuava inclinado contra a lareira. Bem, o que Hinata comentara sobre o casamento deles não era nenhuma surpresa.

Então, por que ele deveria se importar? Não sabia. Ou talvez soubesse. Sua casa seria solitária quando ela partisse, mas Hinata tinha o direito de fazer o que lhe agradasse. A família dele já lhe causara problemas suficientes até agora.

Desde que Hinata entrara no seu caminho, a vida de Sasuke mudara. Parecia mais brilhante, mais excitante, mais cheia de risos. Ele riu. Sim, sua vida era muito embaçada e Hinata a iluminara. Ela era, portanto, seu ponto luminoso.

Ele caminhou para o quarto e olhou-se no espelho por sobre a cômoda. Outras mulheres haviam se apaixonado por ele... por que não Hinata? Não era um homem feio. As mulheres costumavam dizer que era atraente. E ademais, procurava, geralmente com sucesso, satisfazer as mulheres na cama, e tinha boas qualidades.

Ele zombou de si mesmo. A quem estava querendo enganar? As primeiras impressões eram as mais duradouras e as suas não tinham sido muito louváveis.

A verdade era uma só, sua visão e conceito de casamento mudaram desde que conhecera Hinata. Ele queria que este casamento fosse para valer.

Sasuke sentou-se no canto da cama. Muito bem, poderia dar um jeito nisso. Afinal de contas, era um homem de negócios.

O problema era que Hinata não o amava. Sua principal ação era clara: fazê-la apaixonar-se por ele. Conquistar-lhe o coração.

Ele poderia fazer isso... não poderia?


Ele a estava enlouquecendo! Sasuke nunca ficara em casa nos sábados. Sempre passava os sábados no escritório, mas, aparentemente, não hoje. Todas as vezes que ela se virava, lá estava ele, seguindo-a.

— Você não vai para o escritório hoje?

— Não.

— Por quê?

— Tiro um dia de folga de vezem quando. Alémdo mais, pensei que poderíamos fazer algo juntos hoje.

Ele estava agindo de maneira muito estranha. Ela não percebera exatamente quando a transformação começara, mas alguma coisa estava acontecendo. Seria a gravidez? Talvez fosse um sintoma que somente os homens adquirissem.

— O que você tem na mente? — perguntou ela. — Temo que não há muito que eu possa fazer agora.

— Você pode dar um passeio de carro?

— Um passeio?

Num carro, sozinha com Sasuke? Sobre o que eles falariam? As palmas de suas mãos começaram a transpirar.

— Sim, um passeio. Vamos, vai lhe fazer bem sair um pouco do apartamento.

Ela não podia pensar em desculpa alguma que não soasse ingratidão. Mesmo antes de ela concordar, ele tirara uma jaqueta leve do armário e ajudou-a a vesti-la. As mãos fortes tocaram-lhe o pescoço enquanto ele ajustava a gola da jaqueta.

Hinata ofegou. O aroma masculino era como o de um bosque, como o orvalho da manhã e aquilo a estonteava. O aroma definido de um homem saudável. Os sentidos de Hinata pareciam levitar.

— Você está se sentindo bem, não está? Parece um pouco ruborizada e sua respiração um pouco presa.

— Estou ótima, pode crer.

Se ficava descontrolada por estar próxima dele por alguns segundos, como conseguiria esconder as emoções, o resto do dia ao lado de Sasuke?, perguntou-se.

Quando eles caminharam para o carro, foi ainda pior. Sasuke insistiu em segurar-lhe a mão, dizendo que o chão do estacionamento era irregular. Ela ficou aliviada quando entrou no veículo, até que ele inclinou-se sobre ela.

— Deixe-me afivelar o cinto de segurança para você.

A face de Sasuke roçou os lábios dela enquanto ele se esticava para fazer a tarefa. Ela afastou-se, mas apenas alguns centímetros. Era demais. Temia que ele ouvisse as fortes batidas do seu coração. Infelizmente, aquela ação terminou e ele fechou a porta.

Quando deu a partida, Hinata baixou o vidro da janela. O ar frio certamente clarearia sua cabeça.

— Você não vai querer deixar essa janela aberta muito tempo — murmurou ele. — Não quero que fique arrepiada de frio.

Arrepiada? Aquilo era uma piada. Um toque dele já a deixara arrepiada até a medula.

— Onde estamos indo? — perguntou ela, mudando o assunto.

— É uma surpresa.

Uma surpresa. Meu Deus, era tudo que ela queria, mais surpresas.

Hinata relaxou contra o encosto do banco e preparou-se para aproveitar o passeio.

Uma hora depois, Sasuke saiu da estrada onde casas haviam sido construídas num loteamento privativo, perfeitamente visíveis através de fileiras de altos carvalhos. Era uma bela vista.

Ela quase podia imaginar como seria viver ali, somente eles três. Fechou os olhos, tentando apagar a imagem. Não adiantava querer algo impossível.

Então ela empertigou-se no banco quando ele pegou um dos caminhos de pedregulhos que levava a uma das casas.

— Sasuke, não estou adequadamente vestida para fazer visitas. Ele riu.

— A casa está vazia. Quero sua opinião. Um apartamento não é um lugar muito bom para criar uma criança.

O larem estilo Tudorera perfeito. Pequeno o suficiente para ser confortável, mas grande o bastante para receber visitas e até dar festas.

Hinata cairia como uma luva no estilo de vida dele. Então por que se sentia tão aborrecida? Provavelmente porque nunca seria capaz de competir com aquilo. Por que o seu filho iria querer viver num apartamento apertado com ela, quando poderia ter tudo aquilo?

Não, não pensaria desse jeito. Hinata não tivera uma criação portentosa, todavia, sua avó fizera tudo que pudera com muito amor. Ela nunca tivera o dinheiro que Sasuke possuía. Seu filho teria que aceitá-la do jeito que era.

— É linda, Sasuke — murmurou.

Eles entraram na casa. O aquecedor fora ligado e o ambiente estava acolhedor. Sasuke ajudou-a tirar a jaqueta. Subiram a escada para o segundo andar.

— Pensei em fazer o quarto do bebê aqui, porque aquela porta dá para a suíte do casal — ele apontou para a porta divisória.

— É perfeito. Você poderia pintar as paredes de amarelo-clarinho e colocar uma faixa decorativa. O berço deveria ser perto da janela para pegar o sol da manhã e... — ela parou, subitamente constrangida. — Sinto muito, não tive a intenção de dizer-lhe como decorar.

Ele riu e o quarto pareceu mais iluminado.

— Esta é a razão pela qual eu quis que você visse a casa. Esperava que você me ajudasse com a decoração, isto é, se não for muito incômodo.

— Não, eu adoraria.

Um giro pelo resto da casa provou que ela era bonita por inteiro. Hinata a amou mais do que ousava admitir. Especialmente, a sala de estar. A lareira era magnífica, imponente. Porém, o que mais lhe chamou a atenção foi uma área anexa à sala. Ela quase podia ver um piano de cauda colocado em frente das janelas que iam do chão ao teto. Hinata meneou a cabeça para afastar os pensamentos. Não era sua casa e seria perigoso fingir o contrário.

Sasuke viu a expressão sonhadora no rosto dela. O primeiro estágio de sua corte fora, evidentemente, um sucesso.

Ela adorara a casa, e divertira-se, trocando com ele detalhes sobre a decoração. Os dois passariam horas incontáveis sozinhos, com suas cabeças curvadas sobre as amostras de pisos, papéis de parede e cores. Como Hinata poderia não se apaixonar por ele?

Sasuke quase riu alto. Ela jamais saberia de que forma se envolvera.


Três meses? Sasuke acreditara que seu charme fosse tão grande que Hinata estaria loucamente apaixonada por ele em somente três meses? Que estaria extasiada pelos seus encantos?

Quem ele pensava que era? Brad Pitt? Antônio Banderas?

Sasuke não gostava de desistir, mas temia que era exatamente o que ia fazer. Tentara de tudo, sob o sol e sob a lua, para fazer Hinata apaixonar-se por ele, mas nada parecia funcionar. O modo que ela o tratava era como se ele fosse um estranho, não o pai do filho dela.

O bebê nasceria em duas semanas e Sasuke não fizera nenhum progresso. Para ser honesto, existia mesmo até mais distância entre eles.

Todos os toques sutis que deveriam acender a chama da paixão dentro de Hinata não eram sequer o suficiente para acender uma vela.

O ardor dele fora testado até o limite. Quantas duchas frias foram tomadas para não fazê-lo passar por bobo? Incontáveis vezes.

Talvez fosse melhor desistir e encarar o fato de que Hinata não se importava o mínimo com ele.

— Qual é o problema com você? — perguntou Naruto quando entrou no escritório de Sasuke.

Espantado, Sasuke o encarou. Não havia nem mesmo ouvido a porta abrir-se.

— O quê?

—Você parece arrasado emocionalmente. O que está acontecendo?

— Eu estava aqui pensando sobre um projeto de negócio — mentiu ele, sem querer admitir, mesmo para Naruto, que se apaixonara por sua esposa.

— Então, por que você queria me ver?

— É sobre Hinata.

Naruto sentou-se em frente à mesa de Sasuke.

— Ela está bem, não está? — inquiriu com expressão preocupada.

— Sim, Hinata está bem.

Sasuke estava um trapo, mas sua esposa estava ótima.

— Excelente — Naruto relaxou. — Então, vocês dois finalmente voltaram ao juízo normal?

Zangado, Sasuke levantou-se e caminhou até a janela.

— Você sabe desde o início que o casamento terminaria tão logo o bebê nascesse. Quero que você ache um apartamento para Hinata. Um bom apartamento.

— Você vai assumir a conta? Sasuke voltou-se para encarar o irmão.

— É claro. Ela dificilmente teria condições de pagar um apartamento, não um como o que quero que tenha.

Quando Sasuke viu a expressão de interesse do irmão, acrescentou:

— Filho meu não vai viver na pobreza.

— Ela não vai gostar que você pague as contas.

— Ela não tem nada que dizer sobre esse assunto. Não quero um filho meu vivendo do que ela ganharia. Quando Hinata terminar a faculdade, será capaz de arcar com suas próprias despesas.

— Você sabe — começou Naruto, levantando-se —, para um homem que se sai tão bem nos negócios quanto você, certamente não é muito bom no amor. Se eu fosse você, eu diria a Hina como realmente se sente em relação a ela.

Sasuke franziu o cenho. O que Naruto sabia sobre amor?

— Amor não entra nisso. E pela milionésima vez, lhe digo que o nome dela é Hinata, não Hina. Gostaria que se lembrasse disso.

Naruto deu uma gargalhada e dirigiu-se à porta, sem mais nenhuma palavra.

Duas semanas mais. Seu bebê tinha que chegar em tempo, pensou Hinata. Não sabia se poderia suportar estar perto de Sasuke por mais tempo sem deixar transparecer seus sentimentos por ele através de palavras contidas há tanto tempo.

Felizmente, a casa estava terminada. Se Sasuke a tocasse mais uma vez, se ela aspirasse o perfume da sua colônia novamente, não se responsabilizaria pelas consequências.

Era tudo que poderia fazer para manter as mãos longe dele.

A situação era ridícula: ali estava ela, quase no dia de dar a luz, e tudo que podia pensar a respeito era fazer amor louco e apaixonado com seu marido. Seria muita sorte se o bebê se tornasse um ninfomaníaco quando crescesse.

Pelo menos, a saída de hoje incluiria Naruto, portanto, ela não estaria completamente só com Sasuke. Ela parou de escovar os cabelos. Engraçado, mas Naruto nunca dissera onde os estava levando.

— É uma surpresa — fora tudo que ela conseguira arrancar dele. Bem, se eles não fossem para muito longe, poderia até ser bom o passeio. Suas costas andavam doendo ultimamente. Talvez fosse um sinal do parto iminente e ela não queria estar longe do hospital.

— Você está pronta? — perguntou Naruto com expressão excitada, quando ela entrou na sala de estar.

Hinata olhou-o desconfiada.

— Onde estamos indo, afinal?

— É um segredo, mas é algo que acho que ambos gostarão.

— Você sabe que tenho uma reunião importante pela manhã e gostaria de estar de volta a tempo de examinar alguns papéis — declarou Sasuke.

— Sem problemas — murmurou Naruto, ajudando Hinata a caminhar até a porta de saída.

No carro, Hinata insistiu que os dois homens fossem na frente para que ela ficasse mais confortável atrás, sozinha. Pelo menos dessa maneira, apenas tinha que olhar para a nuca de Sasuke.

— Aposto que ambos estão animados. Só mais duas semanas e o bebê estará aqui — disse Naruto, puxando conversa. — Sua casa deverá estar quase pronta para ser habitada na ocasião, certo, Sasuke?

— Sim, deverá.

Hinata achou que Sasuke não parecia nada animado. Estaria lamentando-se de ter comprado a casa?

— Sasuke, você já pensou o que vai fazer quando for sua vez de ficar com o bebê? Pode ser difícil contratar uma babá de meio período.

Sasuke voltou-se para Naruto:

— Temos que discutir isso agora?

— Você terá que decidir rapidamente.

— Bem, não tenho que decidir agora — resmungou Sasuke.

— E você, Hina? — Naruto olhou de soslaio para o irmão, a fim de ver sua irritação pelo apelido carinhoso que usava com a cunhada. — Já decidiu onde o bebê ficará quando você estiver na escola? Há algumas creches muito boas por um dia, perto da faculdade.

— Creches para tomar conta de bebês por um dia! — Sasuke voltou-se para Hinata e perguntou: — Você certamente não planeja deixar estranhos criarem nosso filho?

— E o que você pensa que uma babá faria? — perguntou ela. — Além do mais, há realmente alguns centros de cuidados maternais por um dia, perto da faculdade. Naturalmente, pedirei referências.

— Escuta, irmãozinho, você não tem que se meter muito nesse assunto, quero dizer, esta criança não é só sua, você sabe. Hina será capaz de ter uma opinião também.

— Obrigada, Naruto — Não que ela quisesse deixar seu bebê numa creche maternal por dia. Se pudesse escolher, ficaria em casa até que o bebê pudesse freqüentar a escola. Todavia, sua situação financeira tornava isso impossível.

O silêncio reinou durante os quilômetros seguintes, e Hinata finalmente conseguiu relaxar um pouco. Não gostara do rumo que a conversa tomara. Se fosse esperta, teria seu futuro garantido, mas preferiria ser boba a aproveitar-se da situação.

Ela fechou os olhos e relaxou. Então teve um sobressalto quando Naruto começou a falar novamente:

— Pelo menos, diga-me que você não está planejando reatar com Karin outra vez. Ouvi dizer que ela dispensou seu último namorado e está de espreita, rondando. Quando descobrir que você é um homem livre, avançará as garras na sua direção.

Hinata prendeu a respiração à espera da resposta de Sasuke.

— Alguém já lhe disse que você fala demais, Naruto?

— Você — respondeu Naruto, sorrindo.

— Bem, não planejo vê-la nunca mais. Duas vezes na vida é o bastante para qualquer homem.

Hinata soltou a respiração. Pelo menos, aquela era uma preocupação a menos.

— E quanto a você, Hina? Algum homem esperando de prontidão?

Ela sentiu enrubescer-se.

— Não, não há ninguém — sussurrou.

— Bem, não se preocupe. Tenho certeza que o homem certo surgirá. Ele provavelmente amará o bebê tanto quanto Sasuke.

— Podemos mudar de assunto, por enquanto? — Sasuke estava visivelmente irritado.

— Não sei por que você está ficando tão melindrado. Com certeza, nenhum de vocês espera que o outro fique solteiro. E normal que ambos encontrem alguém, apaixonem-se e casem-se. Mas seria duro para o bebê. Vocês sabem, mudar de uma casa para outra e esquecer qual é a sua mãe e quem é o seu pai, mas...

— Naruto!—falaram ambos em uníssono.

Eles passaram o resto da viagem em abençoado silêncio.

Finalmente, depois de uma hora e meia, tomaram uma estrada rural que levava ao campo. Hinata nem notara que já haviam deixado a parte urbana, tão perdida que estava nos pensamentos e profundamente aborrecida com a idéia de Sasuke casando-se com alguém.

— Onde estamos? — perguntou Sasuke.

— Não é muito longe — respondeu Naruto.

Hinata sorriu quando ajeitou o corpo no assento. Estivera sentada por tanto tempo que suas costas estavam reclamando.

A cabana de toros de madeira era aninhada entre altas nogueiras, e, à esquerda, havia um imenso lago. Era bonita, como uma gravura de um livro de história. Tão logo o carro parou, Hinata desceu.

— É maravilhoso, Naruto. Que bela surpresa. Alguém mora aqui?

— Um colega meu da faculdade, mas sei onde ele deixa as chaves.

— Ele não se importará?

— Shika? Não, eu uso a casa o tempo todo — ele deu um sorriso travesso e malicioso. — Esta casa impressiona as garotas.

Ela deu uma risadinha.

— Pensei que pudéssemos fazer um piquenique — acrescentou Naruto.

— Não está um pouco frio para um piquenique? — Sasuke franziu o cenho para o irmão.

— Não onde planejo fazê-lo — ele galgou os degraus e pegou a chave da casa embaixo do capacho.

— Um esconderijo muito engenhoso. Quanta criatividade — debochou Sasuke.

— Vim mais cedo e deixei a lareira acesa — Naruto dirigiu-se para a lareira com as chamas quase extintas. A sala ainda estava aconchegante. — Podemos pôr os apetrechos para o piquenique sobre a mesa e, com a vista do lago, será como se estivéssemos do lado de fora.

— E onde está a comida? — indagou Sasuke.

— Você pensou que eu me esqueceria? Está no porta-malas do carro. Vocês dois dão uma olhada por aqui que irei buscar.

Depois que Naruto saiu, Hinata caminhou até a lareira e começou a aquecer as mãos. Sasuke chegou a seu lado.

— Você não está com frio, está? Ela sorriu.

— Eu acho que é automático aquecermo-nos quando estamos em frente de uma lareira.

Ele devolveu o sorriso.

— Sim, você tem razão, mas acho que se não pusermos mais lenha, logo, logo, ficaremos sem fogo.

— Você sabe o que ele está tentando criar, não sabe? — perguntou-lhe Sasuke.

Ela suspirou. Sabia exatamente o que o cunhado estava armando.

— Sei. Um final feliz. Sasuke sorriu.

— É um pouco difícil quando há uma terceira pessoa, a menos que ele planeje ficar lá fora no frio. Afinal, como diz o ditado: Um é pouco, dois é bom e três é demais.

Hinata sorriu à imagem que surgiu na mente.

— Parece que ele não sabe como tocar violino, sabe?

— Jesus! Detestaria ouvi-lo tentar.

Ambos riram, mas o riso desapareceu rapidamente quando ouviram o barulho do carro partindo.

— O que você supõe que ele vai fazer?—murmurou Sasuke quando ela foi até a porta. — Meu Deus! — exclamou quando correu para fora. — Naruto, volte aqui!

Hinata o seguiu devagar, parando na varanda da casa, porque havia uma cesta de vime bem no meio dela.

Naruto já estava pegando a curva da estradinha e ficando fora da vista.

— Eu vou matá-lo quando puser as mãos sobre ele.

— Você acha que ele se esqueceu de alguma coisa e foi buscar?

— Não seja ingênua. O que ele esqueceu foi de seu juízo — disse Sasuke, pegando a cesta de vime e entrando na casa.

— Você não quer dizer que...

— Tenho certeza. Ele nunca quis ser a terceira pessoa.

Sozinha com Sasuke? Sem televisão para se distrair? Pelo menos, ela não viu nenhuma. Sem papéis de negócios para ele examinar?

— Como ele pode ser tão inconsequente? Com você tão perto da data de dar a luz, qualquer coisa pode acontecer.

— Ainda faltam duas semanas. Os primeiros bebês geralmente atrasam.

Sasuke colocou a cesta sobre a mesa e abriu-a. Sua risada não tinha muito humor.

— Se isso não lhe disser o que ele pretende, nada mais dirá. Caviar, queijo, frutas, uma garrafa de vinho — murmurou Sasuke, pegando uma lata e começando a rir.

— O quê? — perguntou Hinata, chegando mais perto.

— Ostras. Não sei o que ele espera que nós façamos, especialmente na sua condição.

O rosto dela corou, e não pelo calor do fogo.

— Seria difícil fazer alguma coisa... uh... desta natureza.

O sorriso de Sasuke foi malévolo.

— Você acha que o bebê protestaria? — Ele vasculhou novamente dentro do cesto. — E, é claro, velas.

— É claro. Como alguém pode criar uma perfeita atmosfera romântica sem elas?

Ele franziu o cenho quando puxou o último item do cesto.

— Um gravador de fitas? — Hinata olhou para Sasuke. — O que devemos fazer com isso?

— Mais do que provável que é música romântica.

Ele apertou o botão play, mas, em vez de música que esperavam ouvir, a voz de Naruto surgiu alta e clara. Ele não parecia feliz em absoluto com os dois.


Continua...


Yo minna!

Sim, eu voltei. E vou terminar de postar essa fanfic para vocês por uma questão de honra. Bom, muita coisa aconteceu. A primeira que me fez sumir foi que eu perdi totalmente o capítulo sete que estava pronto, aí eu fiquei muito deprimida.

E então veio vestibular, depois aquela louca espera. A matrícula e a mudança. Bom, resumindo, fui ter tempo para lembrar de fanfic somente na semana passada onde as coisas estão mais ou menos estabilizadas (mentira, mas eu preciso achar um jeito para relaxar). O problema é que eu não consegui recuperar o capítulo 7. Este aí é o oito. O livro original não tem para download ou exibição em lugar algum, e olha que eu procurei super no Google. Depois daquelas frescuras da SOPA e a PIPA e o site MegaUpload fora do ar, download ultimamente andam impossíveis.

Bom, então eu dei uma editada na história, vocês ficaram sem saber o que aconteceu na viagem do Sasuke, apesar de não ter acontecido nada de importante. Continuarei a postagem a partir daqui, e fiquem feliz porque a história está quase no fim. Se não me engano é mais ou menos dois capítulos e o epílogo já.

Agora, sem mais, vou responder as reviews anônimas:

jhe: upeeeeei! kkkk :3

Carol: Sim, reviews são fundamentais flor, mesmo que às vezes haja outras coisas atrapalhando! Beeijos.

Miih: Sim flor, esse Naruto está MARAVILHOSO! hahahaha Beeijos.

Pri H. U. Hikari: Flor, fico muito feliz que esteja gostando da fic. Realmente é uma história super engraçada, mas como tá escrito lá no cabeçalho, a fanfic não é de minha autoria, apesar da grande maioria disponível do meu perfil ser. De SasuHina, eu tenho várias, como a long Senhora Fada e a one-shot Curioso. :) Beeijos

Mari: Demorei, mas continuei! :P

O resto será respondido por MP. :)

Lembrem-se: Reviews movem montanhas, ou melhor, capítulos.

Deixe seu email ou comente com sua conta e receba cenas do próximo capítulo em até 48horas!

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Beeijos.