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Destinos Selados Por Um Olhar
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Capítulo III – Conclusões precipitadas
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– Touya! – ela empurrou Syaoran para o lado e se levantou rapidamente, ignorando o protesto de dor do rapaz. – Não é o que parece, eu juro!
– NÃO É O QUE PARECE?! – o Kinomoto mais velho estava furioso. – VOCÊ TINHA DITO AO PAPAI QUE ESTAVA TUDO BEM E QUE VOCÊ ESTAVA COM O KERO! SOZINHA COM O KERO! Puxa, Kero, você cresceu! E VIROU UM HOMEM!!
– Touya, por favor! Eu juro que não aconteceu nada, ele é o culpado da história! – e apontou um dedo acusador para Syaoran. – Se vai gritar e tentar matar alguém, escolha ele!
– Ei! Eu não tive nada a ver com isso! – ele tentou se defender.
– Como não?! – Sakura olhava para ele, incrédula. – Você foi o culpado de tudo! Se não estivesse aqui, eu não teria esse tornozelo roxo e inchado!
– Ah, por favor! Não vamos entrar nesse assunto de novo! – o chinês reclamou, revirando os olhos.
– Claro que vamos, porque se não fosse você, eu ainda estaria bem feliz, colocando os pensamentos em ordem e nadando, sem me preocupar com nada! – Sakura estava perdendo o pouco que restava de seu autocontrole.
– Se eu não estivesse aqui, você poderia ter morrido naquela tempestade – ele devolveu, alterando–se ainda mais.
– Não teria! Porque eu não estaria com um pé machucado, ou seja, poderia sair correndo para me abrigar em casa! – esse era seu limite.
– Já chega! – Touya fez–se presente depois de ter ficado olhando de um para o outro como num jogo de pingue–pongue. – Você, moleque, vai ter muito o que explicar para a polícia, invasão é crime! – disparou, fuzilando–o com o olhar. – E quanto a você, Sakura, estou muito desapontado. Sempre acobertei os seus erros e fiz papai aprender a confiar em você, mas você teve a capacidade de jogar fora esses dezesseis longos anos em apenas três horas. Deveria se envergonhar de si mesma – ele a olhou, não com ódio, nem com rancor, mas com pura decepção.
Ela finalmente perdeu o controle. Lágrimas de desespero rolavam por sua face enquanto escutava a bronca injusta do irmão. Ela, que tanto se esforçou no colégio para tirar boas notas. Ela, que tanto ralava para passar na faculdade direto. Ela, que tinha sempre tudo planejado para atender a todos. Ela, que nunca negava ajuda a ninguém. Tudo isso para que sua família, em especial seu pai, tivesse orgulho dela. Tudo jogado fora por causa de um rapaz. Alguém que ela nem fazia questão de conhecer e o fez por um mísero acaso, da maneira mais estranha, no lugar mais improvável. Tudo por causa de uma cena, de alguns segundos e de uma conclusão precipitada e errada.
Não queria mais ficar ali, sob o olhar acusador do irmão e tendo que levar a culpa por algo que ela nem tinha feito, por isso, ela correu da forma que podia pelo corredor do lado direito da propriedade, aquele que ia até o fim dela, até chegar a uma cerejeira, sua árvore favorita. Sakura subiu nela e sentou–se no galho mais alto que podia, ficando camuflada por entre as folhas e flores. Aquele costumava ser o seu esconderijo secreto desde pequena e ninguém nunca o havia descoberto, exceto sua mãe.
– Ah, mamãe! Queria tanto que a senhora estivesse aqui agora! – ela pedia em meio à torrente de lágrimas que insistiam em cair.
Acabou por se lembrar do dia em que sua mãe lhe revelou que seu nome significava "flor de cerejeira" e que uma das razões pela qual ela escolhera esse nome era porque aquela sempre fora sua flor preferida. Então, desde que sua mãe se fora, Sakura subia naquela árvore quando precisava de consolo ou quando sentia saudades dela.
Uma vez, sua mãe havia dito que chorar ajuda a desabafar quando não se tem alguém que possa escutar e, naquele momento, desabafar era o que Sakura mais precisava fazer, então ela encolheu–se, abraçando os joelhos e neles encostando a testa. E desatou a chorar.
Ela não sabia dizer quanto tempo ficou ali olhando as flores naquela fria tarde de primavera, até que suas lágrimas secaram e por mais triste que estivesse, não conseguia chorar.
Sakura certificou–se de que não havia ninguém por ali e resolveu descer da árvore. Cabisbaixa e com os olhos inchados, ela caminhou até seu quarto, na casa de madeira. Entrou e não achou Touya e nem a chave do portão.
"Ele deve ter levado o Syaoran...", pensou com pesar.
Já não estava mais chovendo e Sakura decidiu trocar de roupa para ficar mais à vontade quando tivesse que explicar o que realmente aconteceu para seu pai e irmão.
Colocou uma calça jeans azul–clara, uma camiseta de mangas curtas rosa, meias mais finas, calçou seu tênis e sentou–se no sofá da sala, nervosa.
"Touya não devia ter ficado tão bravo. Ele mal me deu chance para explicar! O que ele fez foi injusto, me acusar daquele jeito, sendo que eu era a vítima! Ah, mas isso não fica assim, não! Ele e papai vão ter que me ouvir!", ela planejava enquanto fazia carinho em Kero, que estava deitado no sofá, ao seu lado, "Se papai souber dessa história, nunca mais vai me deixar sozinha de novo. E isso eu não posso deixar acontecer!".
Kero, então, correu para fora da casa, aparentemente algo havia chamado a sua atenção, e Sakura foi atrás dele. Seu tornozelo não estava mais inchado, permitindo que ela corresse.
Mas ela não precisou correr demais, já que o que encontrou no portão fez com que parasse de repente: Syaoran o estava escalando para entrar na chácara. O coração de Sakura começou a bater rápido e descompassado.
– O que você está fazendo aqui de novo? – ela perguntou assim que ele desceu, já dentro da propriedade. – Se o Touya te pega mais uma vez aqui, aí sim, estaremos os dois encrencados de verdade...
– Sakura? – ele tentou se explicar, mas a jovem continuou falando como se fosse uma metralhadora de tão rápida.
– Além do mais, ele já deve ter contado para o meu pai e se eu o conheço como acho que conheço, ele vai vir literalmente voando para cá.
– Sakura, eu... – mais uma tentativa frustrada.
– E o pior, para me passar um sermão! Um sermão pior do que aquele que o meu irmão me passou. E se ele trouxer algum dos meus tios junto? Ah, Deus! Eu não quero nem pensar nessa hipótese! E se for o meu tio...
– SAKURA! – ele finalmente conseguiu a atenção dela. – Eu voltei aqui porque não queria que enfrentasse seu pai e seu irmão sozinha, afinal, a culpa disso tudo foi minha. E se o seu pai for só um terço do que o seu irmão é, você realmente vai precisar de ajuda com isso. Mas se você não quer a minha ajuda, não tem problema, é só me dizer! – ele terminou, levemente irritado.
Ela paralisou. Será que tinha entendido certo? Syaoran Li estava preocupado com ela? E tinha voltado só para ajudá–la? Então, por baixo de toda aquela arrogância e teimosia ele era um cavalheiro. Um cavalheiro que vinha salvar a donzela em perigo, assim como nas histórias que ela lia quando pequena.
– E então, vai aceitar ou vai me expulsar? – ele perguntou, ainda com a pose de durão.
– Obrigada – foi tudo o que ela lhe respondeu.
Os olhos dela estavam marejados, mas o olhar era de sincero agradecimento.
"Ela está... feliz por eu ter vindo. Nunca tinha reparado no sorriso dela... tímido, doce, lindo...", ele pensava e sorriu involuntariamente de volta.
– Eu estou muito agradecida, de verdade, por você ter vindo. Não sabia se conseguiria segurar a barra sozinha – as lágrimas voltaram, mas dessa vez, eram de felicidade.
– Eu tinha que vir. O motivo de seu irmão não confiar mais em você sou eu. Precisava consertar esse erro e também, eu odeio me sentir culpado – ele disse, ainda sorrindo para ela.
Ter conhecido Syaoran foi a melhor coisa que aconteceu naquele dia. E ele pensava do mesmo modo sobre ela.
Um tanto comovido com a emoção da jovem, Syaoran a abraçou. Sakura sentiu as pernas virarem gelatina e o abraçou de volta.
CONTINUA...
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N/A: Olááá!
Bom, em primeiro lugar, esse capítulo saiu quase duas horas atrasado... sim, nós sabemos que prometemos postar aos sábados, porém estamos bastante ocupadas com o colégio e a Kimi–cabeça–de–vento é quem iria poder postar essa semana e ela só lembrou agora!
Enfim, aqui está mais um capítulo, que ficou mais curto que o outro, mas que esperamos que gostem igualmente!
Agradecemos as reviews e não se esqueçam de mandar mais!
Kissus,
Mizu e Kimi
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Respostas às reviews
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Natsumi Shimizudani: Oii! Que bom que você está gostando da fic, e também do Syaoran, claro! Afinal, o que seria da história sem ele? Bom, esperamos que tenha gostado desse capítulo tanto quanto do outro! Kissus!
Bruna cm Yamashina: Olá! Também gostamos muito da parte que eles caem... nos divertimos aqui. É muito bom saber que você gostou! Obrigada por ter nos adicionado aos favoritos! Ah, e sobre o Touya matar o Syaoran, realmente, coitadinho dele... Kissus!
Isabella–Chan: Oiee! Ficamos muito felizes com a sua review! Rimos bastante com ele também e é muito legal ver que você também se divertiu. Agradecemos os elogios e também, pedimos desculpas pelo pequeno atraso, como explicamos acima... esperamos que goste do capítulo! Kissus e até sábado que vem, sem falta!
hellen ferraz: Oii! Que bom que você gostou... tomara que aproveite esse também! Kissus!
Cami–Li: Olá! Pois é... pegou mal a posição, né? Ainda mais o Touya que é tão protetor! Sobre a personalidade do Syaoran... bom, a Kimi concorda veementemente com você! Fica ótimo de qualquer jeito. Tomara que goste desse capítulo. Kissus!
Vick.y Pirena: Oiee! Sério? Hahaha, a cena dos arremessos de objetos é a nossa preferida, também. Demos muita risada! E realmente, é péssimo... você já quase saindo e tem que voltar só pra atender o bendito do telefone... coisas de Touya! Falando nele, um pouco comprometedora a posição, né? Que bom que você gostou da fic! Esperamos que também goste desse capítulo! E pedimos desculpas pelo pequeno atraso. Kissus!
Shinoda Yuki: Oii! Que bom que gostou da história e muito obrigada pelos elogios! Tomara que tenha gostado desse capítulo aqui também. Kissus!
Jump27: Olá! Aqui está o novo capítulo! Muito obrigada pela review, é bom saber que gosta da fic e esperamos que goste também desse capítulo. Kissus!
