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Destinos Selados Por Um Olhar

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Capítulo IV Mais importante do que se imagina

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Ambos sentiram uma sensação agradável, de extrema felicidade, mesmo que não soubessem o porquê disso tudo. Haviam se conhecido há apenas algumas horas, mas parecia que eram velhos amigos.

O som de um carro em alta velocidade, perto dali, chamou a atenção dos dois, que resolveram se soltar e, momentos depois, o carro de Fujitaka parou em frente à garagem. Touya havia descido e foi abrir o portão. Deparou–se com Syaoran do lado de dentro, depois de tê–lo expulsado.

– O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO AQUI DE NOVO?? – ele gritou.

Fujitaka estacionou o carro e desceu.

– Acalme–se Touya. Vamos conversar lá dentro. Todos nós – disse com uma voz fria e, sem nem olhar para Sakura ou para Syaoran, caminhou para a sala da casa de madeira.

Touya esperou os dois entrarem na frente dele e foi logo atrás. Nem morto iria deixar aqueles dois sozinhos de novo.

Sakura sentou–se em uma das pontas do sofá de três lugares, Syaoran sentou–se no de dois lugares, Touya sentou–se na outra ponta do mesmo sofá que Sakura e Fujitaka permaneceu de pé, de frente para sua filha.

– Muito bem, jovem, quem é você? – Fujitaka dirigiu–se a Syaoran, ainda olhando para Sakura.

– Sou Syaoran Li e moro em uma casa aqui mesmo, dentro do condomínio.

– Já ouvi falar da família Li. Moram em uma mansão, estou certo? – só então olhou para ele e, diante do aceno positivo com a cabeça, continuou. – O que justifica a sua permanência em meu terreno? – a voz ainda era fria.

– A minha família é muito grande e a maior parte dela mora em minha casa. É praticamente impossível ficar sozinho lá, por isso, comecei a vir para cá. Enquanto nado na piscina, tenho um tempo sozinho, para pensar e concluir qualquer coisa, me sentir livre. O caseiro e eu ficamos amigos, e ele me convidava para vir aqui. Eu até o ajudava com o trabalho, de vez em quando. Mas nunca fiquei quando ele não estava, assim que ele saía, eu também saía.

– Ele está mentindo! Veio aqui para se aproveitar da Sakura! E ela sabia disso e deixou que entrasse! – Touya acusou, em um tom de voz mais alto que o normal.

– Isso é verdade, Sakura? – seu pai voltou a encará–la.

– Não! Eu podia jurar que estava sozinha com o Kero quando o senhor saiu hoje de manhã, mas quando fui nadar na piscina, eu o encontrei – ela defendeu–se.

– E ele ficou com você o tempo todo? – Fujitaka perguntou.

– Sim – ela olhou para Syaoran e seus olhares se encontraram. – Ele se recusou a me deixar sozinha no meio daquela tempestade, mesmo que eu tivesse gritado muito e atirado objetos nele.

– Por que não me disse que estava com ele quando eu te liguei?

– Porque queria evitar que isso tudo acontecesse. O senhor e Touya entenderiam errado e não achei que me dariam tempo para explicar. Eu ainda tentei expulsá–lo quando soube que Touya estava a caminho, mas era tarde demais e eu acabei caindo enquanto o perseguia e levando–o junto comigo, em uma pose nada inocente. E justamente nessa hora Touya nos flagrou e deduziu tudo errado – virando–se para o irmão. – Sinto muito por esse mal–entendido. Não acontecerá de novo.

– Sakura, eu acredito em suas palavras e sei que é inocente – Fujitaka sorriu para ela e depois olhou para Syaoran. – Mas também sei que o senhor fez uma coisa muito errada, senhor Li. Contudo, admiro a sua coragem de vir até aqui e me enfrentar, ao lado de Sakura. Considere a sua dívida paga, mas que isso não se repita sem o meu consentimento. Estamos entendidos?

– Sim, senhor Kinomoto – ele respondeu, sendo invadido por uma onda de alívio.

– Touya, você fez muito bem de ter me contado o que presenciou, porém acho que deveria ter dado a Sakura uma chance para que ela se explicasse – ele continuou, virando–se para o filho.

– Me desculpe... monstrenga – ele disse à irmã.

Sakura imediatamente amarrou a cara.

– Eu não sou monstrenga!

– Certo, não vamos iniciar outra discussão aqui. Senhor Li, pelo pouco que conheço de sua mãe, Yelan Li, ela não gostará nada de saber que o senhor ficou fora esse tempo todo sem lhe dar as devidas explicações, portanto, vá para a casa e volte amanhã. Teremos o maior prazer em recebê–lo para almoçar – Fujitaka disse, sorrindo.

– Ah! Tinha me esquecido! Estarei aqui, obrigado! – e saiu correndo para a sua casa antes que a situação ficasse ainda pior, se é que isso era possível.

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Fujitaka fez o jantar e todos comeram em paz como se aquela confusão nem tivesse acontecido. Sakura estava radiante, embora não soubesse explicar o motivo dessa enorme felicidade.

Mais tarde, naquela noite, ele foi até o quarto dela e, ao verificar que estava dormindo, cobriu–a e encostou a porta do quarto. Depois, foi até a sala, onde encontrou Touya assistindo à tv (a luz havia voltado enquanto estavam jantando).

– Ela já dormiu? – ele perguntou, sem desgrudar o olho do jogo de futebol que um canal estava transmitindo.

– Sim, e mais, ela dormiu sorrindo – o pai revelou, logo em seguida recebendo um olhar de confusão do filho. – Sabe, Touya, tente pegar mais leve com o jovem Li. Talvez ele seja mais importante do que você imagina. Bom, agora eu vou dormir. Boa noite – e se retirou.

– Boa noite – o filho respondeu.

"O que será que ele quis dizer com 'importante'?", pensou Touya, ainda mais confuso.

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Fujitaka acordou e espreguiçou–se demoradamente. Colocou seus óculos e olhou para o relógio, 8h37.

Levantou–se, arrumou a cama e vestiu o roupão por cima do pijama, como fazia todas as manhãs. Porém, quando chegou a cozinha, a fim de preparar o desjejum, encontrou algo que não estava ali todas as manhãs: uma Sakura já de roupas casuais, tomada banho e terminando de preparar a comida.

– Bom dia, papai – ela o cumprimentou, com um sorriso estampado no rosto.

– Bom dia. Mas o que está fazendo de pé a uma hora dessas? – ele perguntou, ligeiramente surpreso por encontrar a filha acordada tão "cedo".

– É que eu perdi o sono e como já estava de manhã, resolvi fazer o café... mesmo esta sendo a semana do Touya prepará–lo.

E sem mais delongas ele sentou–se à mesa, para ser surpreendido mais uma vez naquela manhã. Um prato com arroz e pepino o esperava, junto com uma xícara de chá, uma tigela de sopa e o seu jornal matinal.

– Sakura? – ele chamou ainda sem desviar os olhos da mesa.

– Hum? – ela respondeu do fogão, terminando de esquentar mais sopa para Touya.

– Está acordada a quanto tempo?

Ela pareceu pensar um pouco e, por fim, respondeu.

– Acho que desde umas 6h30, por quê?

– Não... por nada – disse, depois de disfarçar a cara de espanto. – E você não vai se juntar a mim?

– Ah, obrigada, mas eu já comi – ela agradeceu, colocando a sopa em uma tigela e levando–a até a mesa.

Touya, que acabara de sair do quarto e rumava para a cozinha, parou abismado no meio do corredor ao ouvir a frase da irmã.

– O que aconteceu com você hoje, monstrenga? – perguntou e foi sentar–se, ao lado do pai.

– Por quê? Não posso acordar mais cedo em um domingo e fazer o café? Eu, hein! Vocês dois parecem que nunca me viram fazer isso!

– Mas nunca mesmo! – exclamaram os dois Kinomoto mais velhos, ao mesmo tempo.

– Bom saber! Da próxima vez, eu não me darei ao trabalho! – ela virou–se e saiu marchando. – E eu não sou monstrenga! – gritou do corredor.

"Hunf! Eu tentando agradar aqueles dois e só recebo um questionário em troca! Nem um 'obrigado por fazer o café, Sakura!' ou um 'parece delicioso!'. Quer saber? Também não faço mais!", ela pensava quando ouviu o celular tocar.

– Mas que coisa! Eu nunca acho esse celular! Onde ele foi parar dessa vez? – ela resmungava enquanto corria pela casa, tentando achá–lo.

Fujitaka e Touya seguiam os movimentos dela com os olhos enquanto comiam. Era sempre a mesma história, ela nunca sabia onde o aparelho estava.

– Alô? – fez ela ao encontrá–lo sob uma das almofadas do sofá.

– Bom dia, Sakura, espero não ter te acordado! – ela reconheceu a voz como sendo de sua amiga Tomoyo.

– Não, não. Eu já estava acordada. Ah, Tomoyo! Você não sabe como eu fico feliz que você tenha ligado!

– Feliz? Como assim? Não era você quem estava sempre cansada de ir para Tomoeda? E tinha a voz entediada quando eu te ligava, porque dizia que não tinha nada para fazer? – Tomoyo perguntou, confusa com a excitação de Sakura.

– Bem, sim, era eu mesma, mas... – e parou de falar quando se lembrou de que seu pai e irmão estavam ali, olhando para ela e muito provavelmente escutando a conversa. – espera só um pouco, Tomoyo. Deixa eu ir para um lugar onde eu tenha mais privacidade.

"Mas nem ao telefone eu tenho um pouco de paz!", e saiu da casa, indo até a área do pomar/horta que ficava bem no fundo da chácara.

– Prontinho! Como eu dizia, dessa vez, eu não tenho motivo algum para ficar cansada e muito menos entediada! – disse com alegria contagiante.

– Verdade? Pode ir contando tudo o que aconteceu, então! – pediu Tomoyo, ansiosa pela resposta.

E Sakura contou tudo o que tinha acontecido, desde a sua chegada no dia anterior até o convite para o almoço daquele dia, não se esquecendo de um detalhe só. E Tomoyo, como boa ouvinte e amiga, fazia comentários. Ao fim, era a própria Tomoyo quem falava.

Ah! Mas que lindo! Digno de um conto–de–fadas!

– É... mas o estranho é que não sei porque isso tudo é tão bom. Não sei explicar o motivo de tanta felicidade. Deve ser porque essa história realmente parece com os filmes, ou então porque eu sou uma romântica assumida, ou pode ser...

Mas em Tóquio, Tomoyo já não escutava mais o blábláblá sem sentido da amiga. Ela não precisava mais escutar. Sabia a resposta a todos os porquês de Sakura, mas parecia que a própria dona dos sentimentos não sabia. E não seria ela, Tomoyo Daidouji, quem iria esclarecê–los, afinal, Sakura sempre fora muito distraída com certos assuntos que a envolviam... mas também sempre os desvendava por conta própria. Não seria diferente dessa vez, talvez, só demorasse um pouco mais. E decidiu por cortar o monólogo da Kinomoto mais jovem.

– Bem, Sakura, agora eu tenho que ir. Minha mãe e eu vamos fazer algumas compras e eu ainda tenho que me arrumar – mentiu a morena.

– Ah, está certo! Divirta–se! – acreditou a garota de olhos verdes.

Obrigada. E você também! Beijinho e até amanhã!

– Outro! Até amanhã – e elas desligaram.

"Amanhã...", uma palavra que doeu em Sakura. Inexplicavelmente a jovem colegial se entristeceu ao pensar que partiriam ainda naquele dia.

"De volta para Tóquio. Isso deveria soar animador... como sempre soava. Mas por que dessa vez eu sinto que não quero voltar para lá? Por que decidi que agora eu poderia morar aqui pelo resto de minha vida sem reclamar de tédio? Por quê?", e pensando assim, ela olhou para a cerejeira, pedindo por uma resposta, uma luz que clareasse as suas idéias. Encarava a árvore profundamente, como se pudesse enxergar o que havia por dentro dela, como se tudo o que precisava saber estivesse enterrado ali, naquela planta que sempre escutara o que tinha a dizer, que sempre a acalmara nos dias mais tempestuosos, que sempre despertara um sentimento bom quando ela se sentava em um dos galhos, como se a cerejeira fosse a sua própria mãe, consolando–a... Sakura, então foi até ela e encostou sua mão no grosso tronco, onde Nadeshiko havia entalhado os dizeres "Princesa Sakura, eu te amo".

Uma mão apoiou–se em seu ombro, de repente.

Sakura pulou de susto e gritou, ao mesmo tempo.

– Ei, calma. Não sou nenhum monstro que vai te comer, não – Syaoran disse, rindo, alheio às emoções da jovem.

Mas Sakura não ria. Seu coração ainda estava batendo rápido demais devido ao susto.

– O que foi? – ele perguntou alarmado e parando de rir ao ver a reação de Sakura.

Ela respirou fundo duas vezes, tentando se acalmar.

– Não foi nada... é só que eu realmente não esperava que ninguém viesse aqui agora. Estava refletindo um pouco e me assustei quando você me tocou.

– Bom, eu te chamei três vezes antes de fazer isso, mas aparentemente você não ouviu... – ele disse, imaginando no que ela estaria tão concentrada a ponto de não ouvi–lo chamar seu nome e de se assustar tanto assim. – Me desculpe.

– Não, tudo bem, mesmo – ela respondeu, sorrindo, tentando transmitir confiança. – Aliás, o que você tá fazendo aqui? Eles sabem que você desceu aqui? Por favor, me diz que eles sabem! – começou a ficar aflita.

– Nossa! Que bicho te mordeu hoje? E sempre que você me vir por aqui vai fazer a mesma pergunta? Eu tô aqui pra almoçar com vocês, lembra? Seu pai me convidou ontem. E sim, eles sabem, pois me disseram que era aqui que você estava.

– Almoçar? Mas já é tão tarde assim? – ela espantou–se.

– Bom... são 11h54 – ele informou olhando para seu relógio de pulso.

– Essa não! Perdi a noção da hora! Era a minha semana de fazer o almoço! O Touya vai me matar! – ela dizia enquanto subia correndo para a casa de madeira com Syaoran atrás dela.

CONTINUA...

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N/A: Heeey!

Bom... atrasamos outra vez. Acabou que sábado se revelou um dia bem complicado para postarmos o capítulo, e esse fim de semana a Mizu viajou e a Kimi passou o dia inteiro fora... Enfim, desculpas novamente! Não nos matem, aqui está o capítulo bonitinho para vocês, antes tarde do que nunca!

Esperamos que gostem do capítulo e não desistam da fic!

Até semana que vem (sem falta dessa vez!).

Kissus,

Mizu e Kimi

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Respostas às reviews

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Natsumi Shimizudani: Oii! Sim, realmente, ainda era um pouco cedo para um beijo... mas tranquilize–se, porque ele ainda virá! Tomara que goste desse capítulo e obrigada pelos elogios! Kissus!

Vick.y Pirena: Olá! Ficamos muito felizes que tenha gostado do capítulo! É, né, a pose não estava nada bonita... E não é que o Fujitaka seja bravo, é que, venhamos e convenhamos... a situação não estava das melhores! Mas ele é um pai legal sim, só é protetor. E CLARO que o Syaoran voltou, tinha que ter essa comparação, afinal, foi tudo ele voltando... enfim, esperamos que goste desse também e não deixe de opinar! Kissus!

IsabellaChan: Oiee! Ai meu Deus, desculpa mesmo! Atrasamos novamente, não é? Não fique chateada, nós podemos até atrasar, mas não deixaremos de postar! Esperamos que goste desse capítulo e, como sempre, dê boas risadas. Kissus!

Ma Ling Chan: Oii! A Kimi concorda plenamente com você sobre o Syaoran! Muito fofo, né? Muito obrigada pelos elogios e que bom que está gostando! Obrigada pelos votos de sucesso e também por ler a fic. Ah, e ainda não passamos na sua fic porque não tivemos muito tempo essa semana, já que estávamos com provas e outros afazeres do colégio. Enfim... mas não se preocupe que nós passaremos lá, sim! Kissus!

Ana Pri Chan: Olá! Pois é né, foi meio injusto mas... também a cena não ajudava muito! Bom, realmente, a partir de agora eles estão mais cúmplices justamente por essa iniciativa dele... porém, ainda temos chão pela frente... vamos ver o que vem por aí! Kissus!

Yume Tsukishiro Kinomoto: Oiee! Que bom que se divertiu com a cena de atiração de objetos. Nós também demos muitas risadas aqui, especialmente com a colher de pau e a imitação de Matrix! Muito obrigada pelos elogios e pedimos desculpas por ainda não termos passado lá na fic, mas estivemos meio ocupadas essa semana, tanto que até o capítulo saiu um dia depois do previsto... mas passaremos lá! Kissus!

hellen ferraz: Oii! Ficamos felizes que tenha gostado do capítulo. Foi muito fofo ele voltando, não é? Bom, tomara que goste desse capítulo. Kissus!

CamiLi: Olá! Realmente, você comentou que ele estava rebelde, e agora aí está ele todo fofo... o Syaoran é imprevisível! Ah, coitadinha da Sakura se o Touya chegasse... já foi ruim ele ter aparecido, imagina se fosse no abraço? Ele matava o Li! Enfim, esperamos que goste do capítulo! Kissus!

Bruna cm Yamashina: Oiee! Ficamos muito contentes com a sua review. E com certeza, o banho é o melhor lugar para pôr os pensamentos em ordem, nós concordamos com você! Segunda é péssimo, né? Muito bom que a fic conseguiu te alegrar em um dia ruim! Então, na realidade, não é faculdade de direito, nós mencionamos que ela queria passar direto para a faculdade, mas sem especificar o curso, pois ela está no terceiro ano e tem 16 anos. Já o Syaoran é um pouco mais velho e tem 19. Esperamos que tenha gostado desse capítulo. Kissus!

marieta: Oii! Sim, coitada dela, foi muito mal entendida, né? Mas as coisas irão melhorar. Tomara que tenha gostado desse capítulo também. Kissus!

Lara: Olá! Que bom que está adorando e achando a fic engraçada! Também gostamos da parte do mal entendido, mas só em fic para isso se tornar uma coisa legal, não é mesmo? Sim, nós sabemos que o capítulo atrasou e sentimos muito por isso, mas pelo menos ele foi publicado! Bom, prometemos que na próxima semana o capítulo novo sairá no tempo certo! Kissus!