OoOoO
Destinos Selados Por Um Olhar
––x––
Capítulo V – A noiva de Syaoran
OoOoO
Ela tentou se desculpar assim que entrou em casa.
– Ah, me desculpem! Eu não esperava ficar assim tanto tempo falando com a Tomoyo!
– Hoje passa, monstrenga, mas não se acostuma, não! – disse Touya do fogão.
– EU NÃO SOU MONSTRENGA! – ela devolveu, irritada.
– Se continuar gritando desse jeito, todos vão pensar que é sim! – ele retrucou, rindo.
Syaoran adorava presenciar as discussões dos dois irmãos. Gostava do jeito que ele a provocava e a reação que isso causava nela. Sakura era uma pessoa que se estressava fácil. Pena que em sua casa ninguém agia desse jeito, todos eram frios e insensíveis, sem nenhuma demonstração de amor ou de carinho. Às vezes, ele sentia falta de um beijo ou de qualquer outro gesto como esse. Até uma discussão de brincadeira serviria.
– Bom, vamos parar com as discussões e comer! Além do mais, vão acabar deixando o nosso convidado com uma má impressão – disse Fujitaka, indicando a mesa.
As panelas permaneceram no fogão, assim eles poderiam pegar a comida mais à vontade.
A mesa redonda tinha quatro lugares e os três Kinomoto já tinham seus lugares pré–definidos, sendo que Touya e Sakura ficavam um de cada lado de seu pai, mas como hoje o convidado era Syaoran Li, Touya não iria permitir que eles se sentassem lado a lado, então tratou de se sentar no meio dos dois, ficando de frente para Fujitaka.
Durante a refeição, todos conversaram animadamente sobre vários assuntos, mas não há quem discorde de que Syaoran foi o assunto principal, ainda mais se as perguntas eram feitas por Touya.
Estavam quase acabando de comer quando Kero, que estava enrolado entre as pernas de Sakura correu para fora, em direção ao portão. Sakura, que até então era a única que tinha terminado o almoço, pediu licença e saiu atrás dele.
Lá fora, ela encontrou o vizinho do lado direito parado em frente ao portão, depois de ter soado o sino que servia como campainha.
– Desculpe incomodá–la, senhorita Kinomoto, mas o seu pai ou o seu irmão está em casa? – perguntou o senhor Asazuki, que deveria ter uns 70 anos ou mais.
– Os dois estão, sim. Só um minuto que irei chamá–los! – e correu de volta para a casa, percebendo que o assunto era urgente. – Papai, o senhor Asazuki está aí e fora e quer falar com o senhor. Pela cara dele, o assunto é sério.
Mais do que depressa Fujitaka foi até o portão para falar com o senhor e, depois de alguns minutos de conversa, ele voltou na mesma velocidade, parecendo perturbado.
– E então? – quis saber Touya.
– A esposa dele está passando mal e nenhum dos filhos deles está em casa hoje. Vou levá–la ao hospital – disse, enquanto pegava um casaco e as chaves de seu carro. – Sakura, abra o portão para mim, por favor.
– Sim, senhor – e foi correndo pegar a chave do portão para abri–lo.
– Touya, acho que precisarei de ajuda para colocar a senhora Asazuki no carro – disse Fujitaka ao filho.
– Está bem – ele concordou derrotado depois de hesitar por um tempo, afinal, não queria sair e deixar aqueles dois sozinhos. – Mas eu já volto! – e fez um sinal com as mãos que dizia "eu estou de olho em vocês dois".
Assim que Sakura abriu o portão, os dois saíram rápido, parando na frente da casa ao lado e colocando com dificuldade a gorducha senhora Asazuki no carro. Depois de uns cinco minutos, mais ou menos, eles saíram, deixando Touya. E este estava fazendo o caminho de volta para a chácara, quando uma garota, vinda do nada, apareceu de repente e correu na direção de Li e Sakura, que estavam parados próximos à calçada. Aparentemente nenhum dos dois viu quando ela se aproximou, porque ela pulou sobre ele, fazendo com que os dois fossem ao chão.
– Ah, Syaoran! Finalmente eu te achei! – ela quase gritava. – Tive que esperar até que você saísse! – e abraçou seu pescoço tão forte que faltou pouco para sufocá–lo.
Touya e Sakura olhavam para aqueles dois caídos ali, ambos sem entender nada.
– Meiling! Você... está... me sufo... cando! – ele dizia com dificuldade.
– Por que não me avisou que ia sair? E não deixou nem um bilhete! Ontem eu quase morri de preocupação com você! Chegou tarde e nem um "me desculpe, Meiling! Não farei de novo!". No meio daquela tempestade toda! Eu ia chamar a polícia se você tivesse demorado mais um pouco! Quando sua mãe me disse que você tava fazendo isso há alguns dias, eu me apavorei! Com tantos assaltos e seqüestros e drogas por aí! Meu Deus, eu pensei o pior! Syaoran Li eu realmente não esperava... – ela falava muito rápido e em tom de bronca, mas foi interrompida por Syaoran.
– Quer parar, por favor? Mas que coisa! Já não basta a minha mãe ter me enchido a paciência ontem e agora você! Eu já sou maior de idade e não devo satisfações a ninguém! – ele quase gritou para ela. Os dois se levantaram.
– Não quer dizer que possa sair por aí sem dizer nada! Preciso saber onde você está, Syaoran! Sabe que me preocupo! – ela defendeu–se.
– E se preocupa até demais – ele resmungou baixinho para que ela não ouvisse.
Enquanto isso, Touya e Sakura ficavam olhando os dois jovens discutirem no meio da rua, olhavam de um para o outro e de volta para um.
– Alguém quer fazer o favor de me explicar o que está acontecendo aqui? – o Kinomoto mais velho exigiu.
– Esta é Meiling Li, minha prima. Estes são Touya e Sakura Kinomoto – Li fez as honras.
– Prima e noiva! – ela corrigiu Syaoran. – Muito prazer! – e estendeu a mão direita a Touya e depois a Sakura.
– N–noiva? – Touya e Sakura estavam boquiabertos.
– É só por um curto período – ele resmungou novamente. – até eu achar alguém com quem realmente possa me casar.
– Mas me diga Syaoran – Meiling ignorou o último comentário feito. – o que você estava fazendo aqui?
– Vim almoçar. Algum problema?
– Claro que sim! Você é meu noivo e não pode almoçar na casa de outra garota qualquer! – ela disse em tom acusador.
– Ei! Eu não sou uma qualquer! – Sakura rebateu.
– Se eu não conheço, então você é!
– Pois fique sabendo que Syaoran e eu nos divertimos muito hoje! Não é Syaoran, querido? – Sakura disse, piscando para ele, sedutoramente.
– Isso... isso é verdade, Syaoran? – Meiling perguntou, a raiva crescendo em seu interior.
– Bem... é sim – respondeu, corando e desviando o olhar de Sakura.
– Ora, sua... – e não terminou o que ia dizer, pois voou no pescoço de Sakura e começou a bater nela. – Como você se atreve a falar assim do MEU Syaoran?
Ela não respondeu porque estava concentrada demais em desviar dos socos, tapas e puxões de cabelo. Depois, ela desistiu de apanhar e começou a revidar.
– Parem com isso, vocês duas! – Syaoran tentou separar as duas, colocando–se entre elas, mas tudo o que ganhou com isso foi um chute por parte de Meiling e um tapa por parte de Sakura – Dá pra me ajudar aqui? – ele dirigiu–se a Touya.
Li agarrou Meiling pelos braços, mantendo–a imóvel, mesmo que esta continuasse a se debater. Ela podia ter feito aulas de luta, mas ele também fizera.
Touya segurou Sakura, quase do mesmo jeito que Syaoran, porém, um pouco mais desajeitado. A sorte era que Sakura não se debatia, porque quando alguém a prendia de modo que ela não gostasse, ela virava uma espécie de ninja e dava um jeito de se soltar.
"Ainda bem que papai não deixou Sakura continuar a ter aulas de caratê!", pensou Touya, aliviado.
– Me solta! Eu vou fazê–la retirar o que disse! – Meiling ainda se debatia.
Sakura, controlada, fez sinal para que Touya a soltasse, e foi o que ele fez ao perceber que a irmã já não representava mais uma ameaça à saúde de Meiling.
– Meiling! Olha pra você! Está armando um barraco no meio da rua! – Syaoran tentava pôr um pouco de juízo na cabeça da prima. – Vamos embora! – e virando–se para Touya e Sakura. – Obrigado pelo almoço, estava ótimo. Até mais! – e foi embora, levando Meiling consigo, muito bem presa, enquanto ela continuava a gritar e a se debater.
– Credo! Que gente mais esquisita! – Touya falava para a irmã. – Primeiro o Li, nadando na piscina da casa dos outros. Agora a prima dele, que aparentemente o segue para todos os lados e arma barracos no meio da rua por puro ciúme estúpido!
– É... – Sakura tinha que concordar que a primeira impressão que a família Li lhe causou fora um tanto quanto estranha.
––x––
– Alô? – atendeu o Kinomoto mais velho.
– Touya, estou ligando para avisar que a senhora Asazuki teve um ataque cardíaco e está sendo operada agora. Vou ficar aqui até alguém da família chegar, ok? Por favor, avise a Sakura – Fujitaka disse ao filho.
– Certo. E como está o senhor Asazuki? Os parentes moram longe?
– Ele está abatido... e preocupado. Não quero deixá–lo sozinho. Bem, ele disse que um dos filhos mora a duas horas daqui. Vou esperar que ele chegue. Você vai ter que levar Sakura para casa. Amanhã ela terá aula.
– Faz bem, pai. Não quer que o esperemos?
– Não precisa, vão sem mim. Encontro com vocês em casa. Agora tenho que ir. Até mais.
– Está bem. Até! – e desligaram.
Touya foi procurar a irmã pela casa, para dizer que já iam partir.
– Onde ela se meteu? – ele pensava alto. – Sakura? – ele a chamou, não obtendo resposta.
Foi encontrá–la deitada em uma das espreguiçadeiras da piscina, observando as cores alaranjadas que o pôr–do–sol provocava no céu.
– Até que enfim achei você! Papai ligou e disse que a senhora Asazuki está sendo operada agora e que ele vai ficar lá até alguém da família chegar.
– Sem problemas – ela respondeu, sem emoção alguma, ainda encarando o céu.
– E que é para eu levar você pra casa, pois tem aula amanhã.
– Certo – ela continuava sem muitas palavras.
– Então vamos, Sakura! – ele apressou–a, batendo palmas. – Ainda tem que arrumar a mala e me ajudar com as coisas da casa!
– A mala está feita e a casa está em ordem, só estou esperando você.
– O que aconteceu para você ficar desse jeito?
– Que jeito? – ela finalmente olhou para ele, em seus olhos, dúvida.
– Assim, toda sem emoção, falando frases curtas – ele sabia que a irmã estava triste.
– É que estive pensando na senhora Asazuki. E em como o senhor Asazuki ficaria arrasado se ela morresse.
– Que pensamento mais negativo! – ele brincou, tentando, em vão, arrancar um sorriso dela.
– Não é pensamento negativo, é realidade.
– Ok, agora você tá me assustando. O que você fez com a minha irmã? Traga a Sakura de volta!
– Tudo bem, eu só tava pensando um pouco...
– Hum... – ele estudou o seu rosto. – Se você diz! Eu vou fazer a mala e colocar tudo no carro. Te aviso quando estivermos prontos.
– Tá – e voltou a encarar o céu, que passava para uma tonalidade mais arroxeada.
"Alguma coisa não tá certa... mas ela não quer falar. O que será que é?", Touya perguntava–se.
––x––
Quando ele voltou para a piscina, a fim de avisar Sakura de que estavam prontos, viu que a jovem estava sentada em uma das bordas, com os pés dentro d'água, olhando para um ponto qualquer na superfície azul escura.
– Já estamos prontos! Vamos? – ele informou a ela.
– Sim – e tirando os pés da piscina, ela secou–os com as mãos e calçou suas sandálias.
Sentou–se no banco da frente do carro, com a mesma expressão que tinha quando chegara no dia anterior.
Touya amarrou Kero no banco traseiro e fechou a porta. Deu a volta e sentou–se no banco do motorista. Estava decidido a arrancar alguma coisa de Sakura. Nem que para isso levasse a viagem inteira.
Contudo, mal se passaram quinze minutos desde que deixaram a chácara e Sakura estava dormindo, com a cabeça apoiada no ombro.
Pelo menos, ela fingia que estava dormindo. Sabia que Touya faria perguntas durante o caminho inteiro, então decidiu que iria "dormir" o caminho todo, assim, escaparia das investidas dele.
Ele parou o carro no acostamento por um instante e baixou o encosto do banco de Sakura, para ela dormir em uma posição mais confortável. A jovem fingiu acomodar–se sem nem mesmo abrir os olhos.
Então, seguiram viagem de volta para casa, para Tóquio.
CONTINUA...
OoOoO
N/A: Hello!
Como vão? Bem, aqui está o quinto capítulo...
Sabemos que hoje não é sábado... ainda é sexta–feira, mas resolvemos postar esse capítulo um dia antes do previsto para compensar os dois últimos atrasos. Esperamos que aceitem esse gesto como um pedido de desculpas.
Bom, a Meiling apareceu do nada, né? Concordamos que não tinha um bom contexto para a entrada dela na história, mas precisávamos de uma desculpa para acabar a parte do almoço... Em todo caso, mandem reviews nos contando o que acharam!
Kissus,
Mizu e Kimi
––x––
Respostas às reviews
––x––
Natsumi Shimizudani: Oii! Que bom que gostou do capítulo anterior! Esperamos que tenha gostado desse aqui também... Obrigada pelos elogios! Kissus!
Ma Ling Chan: Olá! Ficamos felizes que esteja gostando da fic! É, a Mizu tem uma história parecida com a da Sakura... ela precisa viajar todo fim de semana para uma cidadezinha no interior... e ela não agüenta mais! Pena que AINDA não apareceu um Syaoran por lá para salvá–la... Enfim, agradecemos os elogios e tomara que tenha matado a sua curiosidade! Kissus!
Isabella–Chan: Oiee! Bom... o capítulo anterior atrasou mesmo... mas esse, em compensação, veio adiantado! Pois é, o Fujitaka é um pai legal, o problema é que ele é um pouco super–protetor com a Sakura... e imagine só o jeito com que o Touya deve ter falado para o pai sobre os dois! Do jeito que o irmão dela é exagerado, só podia ter dado em confusão, mesmo! Kissus!
marieta: Oii! Que bom que gostou do capítulo! É... ele tava meio curto, mesmo, e este, muito provavelmente, está do mesmo tamanho do anterior... Quanto aos sustos da Sakura, é verdade, um dia ela ainda acaba morrendo! Mas fique tranqüila, ela não baterá as botas antes do final da fic! Kissus!
Cami–Li: Olá! Você já imaginou o que seria da Sakura se o Touya chegasse no momento do abraço? A coitada morria ali mesmo e a fic não teria continuação, portanto, para o bem maior da fic, eles se separaram! Se bem que eu acho que o Touya esfolaria o Syaoran primeiro... mas isso não vem ao caso! Mizu concorda com você! Quem não gostaria de ter um pai como Fujitaka? A Tomoyo é tudo como amiga... só mesmo a Sakura para demorar a entender os próprios sentimentos! (Torcida gritando ao fundo: Syaoran perfeito!) Kissus!
hellen ferraz: Oiee! É, com a questão de sentimentos, fica difícil escrever o que eles sentem o tempo todo... e achamos que se a história tivesse muita descrição sentimental, ela ficaria meio parada e as ações demorariam a acontecer... Mas ainda assim esperamos que aprecie a nossa fic! Pois é, não foi bem ela que cozinhou, já que ela perdeu a hora, mas o Syaoran gostou mesmo assim... afinal, depois de tudo aquilo, poder almoçar na casa da Sakura se tornou um tremendo golpe de sorte, não? Kissus!
Vick.y Pirena: Oii! Ficamos felizes em saber que está amando a nossa fic! Bom, o Touya é muito legal, mesmo, mas aqui é unânime a nossa preferência pelo Syaoran! Hahaha! Concordamos com a parte do "sogro perfeito"! Só que a Sakura é meio desligada e não entendeu porque ela está tão feliz... Apoiado! Não dormiríamos se encontrássemos um Syaoran por aí! Bem, na fic não mencionaremos nada com relação ao clã dele... mas é bem provável que ele esteja sendo treinado. Com relação a Yelan, não, ela não tem fama de má, apenas é uma pessoa mais séria e que aprecia a pontualidade. Bom, não colocamos um beijo nesse capítulo, mas tenha certeza de que ele acontecerá em algum lugar do futuro! Kissus!
Bruna cm Yamashina: Olá! Hehe, distrações acontecem, mas não se sinta envergonhada de perguntar qualquer coisa que não tenha entendido! Bem, tentamos ser fiéis às personalidades de cada um, mas depois percebemos que teríamos de mudar algumas delas, caso contrário, os acontecimentos não teriam a intensidade que queríamos. Bem, o Fujitaka continua sendo um ótimo pai e amigo, mas temos que concordar que qualquer pai que se preze ficaria bravo ao encontrar a filha sozinha com um desconhecido... ainda mais se essa história fosse contada pelo Touya... A Sakura e o Syaoran tiveram alguns traços de suas personalidades um pouco acentuados, mas é tudo em prol dos acontecimentos. Sim, a Tomoyo continua sábia e esperta... Hum, com relação à Nerine e à Izumi, você descobrirá por si mesma! Obrigada pelos elogios! Kissus!
patilion: Oiee! Que bom que está gostando da nossa fic! Aqui está o mais novo capítulo! Esperamos que tenha sido tão bom quanto os anteriores! Kissus!
