- Mas que droga! – Dean reclamou ao conferir os bolsos da calça, saindo do alojamento.
-O que foi?
- Acho que perdi as chaves do carro, Sam – continuava procurando até pelos bolsos da mochila. – Não está em lugar nenhum!
Ambos sentiram o coração acelerar e correram para conferir o porta-malas do Impala que, para alívio geral, encontrava-se trancado como o haviam deixado.
- Graças a Deus... – o mais velho passou a mão pelo cabelo, recostando-se sobre o capô do automóvel.
- Cara, vamos sair daqui. – Dean puxou o caçula pelo braço – Preciso de um banho e tem que ser já.
- Qual é, Dean?! Mal consigo dar um passo. Não vamos chegar à cidade a pé...
- Não acredito que vou fazer isso... – Dean retirou uma lâmina da mochila e preparou-se para arrombar a porta do Chevy quando foi interrompido pelo irmão.
- Dean... Olha aquilo. – Sam apontou o chaveiro na ignição – Essa é boa...
- Como as minhas chaves vieram parar aqui?! - o rapaz estava intrigado e, ficou ainda mais quando pressionou a maçaneta da porta, destrancando-a com facilidade – Cara, eu tenho certeza de que coloquei as chaves no bolso antes de sairmos hoje cedo.
- Vai ver você se distraiu. – o caçula contornou o carro e tomou seu lugar no banco do carona.
- Não, de jeito nenhum. – Dean franzia o cenho por trás do volante – Eu jamais daria esse mole com o que temos lá atrás. Não mesmo!
- O importante é que as encontramos antes que algum curioso, você sabe... – o jovem recostou-se no banco e suspirou, abatido – Podemos ir agora?
O mais velho dos Winchester atendeu ao pedido do irmão prontamente. Estava cansado demais e faminto para insistir no assunto, mas aquele episódio não lhe saía do pensamento.
Na cidade, registraram-se num pequeno motel à beira da estrada interestadual.
Sam dirigiu-se diretamente ao quarto enquanto seu irmão atravessou a rua para buscar comida num restaurante de refeições rápidas próximo dali.
Não muito depois, Dean retornou com os pacotes que continham a tão esperada refeição do dia.
O caçula vinha saindo do banho e atirou para o irmão uma toalha que apanhara sobre a cama.
Cada qual havia feito suas descobertas durante o dia, mas ambos estavam por demais esgotados para pensar em mais trabalho. No momento, só desejavam saciar a fome e descansar o máximo que pudessem numa cama decente.
Por volta das nove da noite, o alarme do celular de Samuel soou, despertando-os. Segundo foram alertados pelo capataz, deveriam estar de volta antes das dez ou ficariam na rua, pois os portões da fazenda estariam trancados.
No galpão dos empregados, uma movimentação chamou a atenção dos irmãos que chegavam.
No andar inferior, vários homens cercavam Ramirez e o inquiriam sobre os últimos acontecimentos. Alguns ameaçavam abandonar o trabalho caso não lhes dessem garantias quanto à sua segurança.
O que os rapazes Winchester ouviram das conversas paralelas, só veio corroborar o que haviam descoberto durante o expediente: Dois homens estavam desaparecidos e ambos trabalhavam no setor 5 da fazenda.
Na manhã seguinte, Dean empenhou-se em conseguir a transferência de ambos para a área em questão, mas em vão. Fora-lhes dito que apenas funcionários experientes eram admitidos para o serviço, no que Samuel concordou que, experiente deveria significar "de confiança". Eles precisavam descobrir o que estava sendo feito naquela região.
Por dois dias inteiros Sam e Dean buscaram informações e pistas enquanto trabalhavam no canavial, mas nada era de relevância para encontrarem Henrique.
- Cara, tenho o pressentimento de que alguma porcaria está rolando naquele lugar. – Dean reclamava contrariado, ao volante do Chevy.
- Você sempre disse que acontece muita porcaria na Flórida...
- Sério, Sam. Não o nosso tipo de porcaria, mas porcaria da grossa, entende?
- Não sei não, Dean. Até agora ninguém conseguiu explicar o que aconteceu com aqueles homens. Pode muito bem ser um dos nossos casos.
- Tenho as minhas dúvidas, maninho. - O mais velho dirigia rumo ao motel – Não há registro de atividade eletromagnética, ectoplasma, enxofre nem nada de sobrenatural. Ninguém relatou nenhum fenômeno, Sam.
- Não, mas os homens podem ter se calado por medo de serem ridicularizados...
- Ou por medo de acabar com uma bala no meio dos olhos. – Dean apanhou o celular e digitou um número – Quer saber? Precisamos de ajuda profissional.
- Você vai chamar o Bobby? – o caçula quis saber.
Dean gesticulou para que o irmão fizesse silêncio e aguardou que a pessoa, do outro lado da linha, atendesse. Caixa postal. Deixou um recado breve e o endereço de onde estavam hospedados.
Ambos concordaram que seus dias como cortadores de cana estavam acabados. Não conseguiriam naquele lugar nada que não pudessem descobrir sem que suas mãos ficassem mais furadas do que um queijo suíço.
