Promessas, capítulo 2

Promessas, capítulo 2.

Death Note não me pertence!!

Nem seus personagens e nem sua trilha sonora.

Fic yaoi.

Sim, há cena de beijo... Mas o lemon, ainda não... Deixemos os nossos meninos cozinharem um pouco mais!

Ah, ta, tenho que explicar uma coisa também: o Near é falante pra cacete! Claro que nós temos uma visão fria dele e tal, mas no anime e no mangá, ele fala muito. Partindo desse pressuposto, que eu o "criei" aqui na minha fic.

Agradeço aos comentários estimulantes! Arigatou! Vocês são lindas!

Sem mais... Espero que gostem!

Boa leitura pra vocês!

o/

Promessas

Capítulo 2

No dia seguinte, Mello buscou meios de se manter ocupado. Ele não queria pensar em nada. Não queria se lembrar da noite anterior. Não queria recordar da sensação estranha que tomou seu corpo.

"Como sou idiota! Como posso perder meu tempo com uma coisa dessas?!"

Ele já tinha acabado com seu estoque de barras de chocolate devido apreensão que lhe acometeu desde a noite anterior. Desde lá, não tinha se encontrado com Matt, que ainda permanecia no quarto de Ray, o menino era muito frágil e tinha uma devoção imensa pelo rapaz ruivo, que não saiu do lado de sua cama um minuto sequer. Mello angustiado por manter-se ocupado resolveu ir atrás de Matt. Encontrou-o dormindo com o menino, que enlaçava o pescoço de Matt com uma das mãos. Mello reparou e viu que aquela criança devia ter uns quatro anos.

-Que cena... – murmurou sentando na poltrona ao lado da cama.

Recostou a cabeça na poltrona. Seus olhos ficaram cansados. Fechou-os tentando dissipar os pensamentos...

"Se eu ao menos tivesse uma barra de chocolates...".

...

-Ah! Encontrei-te! – uma voz infantil chegou-lhe aos ouvidos. Quem quer que fosse, não estava falando com ele.

Abriu os olhos preguiçosamente... À porta do quarto, uma garotinha sorria pra ele.

Mello levantou uma das sobrancelhas.

-Hum?

O sorriso dela se tornou ainda maior. Entrou e fechou a porta, olhando-o.

-Hum?

-Encontrei-te! Procurei-o por todos os lugares... Não te agradeci por ontem... Obrigada por ter me levado de volta pra cama... – a garotinha adentrou o quarto e sentou-se na frente de Mello.

-Ah... – Mello ficou um tanto confuso e ligeiramente envergonhado. Ele não esperava por isso. – Não foi nada. Não faça mais isso. Pode pegar um resfriado. – disse completamente sem graça.

-Sim. – A menina continuava olhando-o com uma expressão que Mello não conhecia muito bem. Ela estendeu as mãos.

– Toma, é pra você. – disse mantendo o sorriso no rosto e um brilho nos olhos.

Mello era só surpresa. Olhou para as mãos da menina e viu que tinha pilhas e pilhas de chocolate.

-Pra mim? – perguntou meio bobo.

-Ah, sim. – respondeu sorrindo.

Mello ficou quieto. Estendeu as mãos e pegou os chocolates. Abriu um imediatamente e continuou fitando a menina, reparando, detalhadamente, na figura à sua frente. Os cabelos negros molduravam a face. O corpo magro e pequeno fazia com que parecesse ainda mais nova. Os olhos acinzentados lembravam os olhos de Near...

Mordeu com força pra tirar o pensamento da cabeça.

-Menina, qual é o seu nome?

- Sou Jimmy... – ela ficou quieta por uns segundos. – Desde pequena eu tenho medo de você. Não por uma razão própria. Mas, por causa da maioria. Contudo ontem você me mostrou que eu, além de não precisar ter medo, ainda posso chegar perto de ti. – Com isso, levantou-se. – Obrigada por ter me tratado com tanto respeito e delicadeza ontem, Mello... Foi um gesto simples, mas floriu o meu dia.

Saiu e deixou pra trás um Mello chocado.

-A máscara de menino mau ta caindo, né Mello? – Matt se ajeitava nos travesseiros e puxava a coberta pra cima dele e de Ray.

Mello encarou-o.

-Até parece... – falou mal-humorado. Matt limitou-se a rir.

-Mello, depois terei que fazer uma instalação eletrônica em um dos quartos, não quer vir comigo? É que tem um monte de aparelhagem pra ser carregada... E eu preciso de seus braços fortes pra isso! – disse piscando os olhos e sorrindo.

-Matt, desde quando eu ti acompanho nessas coisas? Quer que eu seja seu auxiliar, é isso?

-Bem, não chega a tanto – disse Matt rindo abertamente. – É só uma ajudinha pra levar o Ray pro quarto...

-Que? – perguntou incrédulo.

-Eu não posso deixar o menino aqui sozinho enquanto estiver fora, não é mesmo?

-Matt, cai na real! Isso aqui é um orfanato! Chama alguém pra ficar com ele! Não se sinta tão responsável por essa criança! – disse Mello.

-Que coisa horrorosa de se dizer, Mello. Bem, você quem sabe... Vou ligar pro Near e dizer que farei a instalação em outro dia... – disse Matt virando o rosto pra esconder um sorriso maldoso.

"Near? A instalação é no quarto do Near? Matt maldito! Falou de propósito! Bem, mas eu nunca fui no quarto do Near...".

Matt aguardou alguns segundos para que Mello pudesse ponderar a situação. Observava o loiro com o canto dos olhos. Por fim falou com voz de cãozinho abandonado.

-Mas é uma pena... O Near estava extremamente empolgado... Terá que esperar mais um dia...

"Near estava empolgado? Extremamente? Que cena rara! Não posso perder isso!". Pensou o loiro.

-Ah, já que é assim, então ta. Eu ti ajudo. – disse Mello fingindo mal-humor.

"Você fica tão engraçado quando tenta mentir, Mello" Matt ria disfarçadamente.

Matt levantou-se imediatamente. Ray acordou na hora ao perceber que o rapaz não estava ali. Matt botou um casaco no menino e o pegou no colo. Desceram as escadas e foram para a sala de Roger.

-Segura ele. - disse Matt estendendo Ray pro braços de Mello.

-Ora Matt, eu posso levar a aparelhagem. Não tenho muito jeito pra crianças... – antes que Mello pudesse terminar a frase, Ray já se agarrava ao seu pescoço e descansava a cabeça lentamente no seu ombro.

Matt riu. Não era uma cena comum ver Mello assim...

-Para de reclamar... Você disse que ia ajudar. – disse o ruivo seguro. Mas na verdade, ele estava se divertindo muito com toda aquela situação.

Mello respirou fundo e permaneceu quieto. Era a segunda vez que segurava uma criança nos braços. Ele sentia-se estranho, mas o abraço daquela criança era muito confortável... Elas simplesmente sentiam-se protegidas por estarem ali, seguras, nos braços fortes.

"Agora entendo o porque que Matt se preocupa tanto com elas... Aliás, como será um abraço de Ne - -...? O que eu estou pensando?".

Matt catou algumas caixas e os três voltaram a subir os degraus que os levavam de volta ao andar do quarto dos meninos. Mello estava um tanto ansioso. Ele não sabia como agir depois que... Depois que sentiu coisas estranhas ao ter Near tão perto de si.

Matt caminhava na frente deles. Não hesitou nenhum segundo ao escancarar a porta do quarto de Near.

-Olá, Matt.

-Oi Near, desculpe a demora.

-Por favor, não precisa se desculpar. Obrigada mais uma vez.

Mello ainda não tinha alcançado a visão do quarto e apenas ouvia a conversa. Quando parou à frente do quarto Near olhou-o. Ficou sério por alguns segundos e de repente, abriu um sorriso.

Um lindo sorriso.

Mello sentiu seu corpo tremer de baixo a cima. Sentiu as maçãs do rosto queimarem. Near estava sorrindo pra ele. Lentamente adentrou o quarto, ainda fitando o menino de cabelos brancos.

Tirou os olhos dos olhos de Near e reparou o quarto. O aposento era pequeno, mas incrivelmente confortável. Muitos aparelhos eletrônicos forravam as paredes. Mello estava visivelmente chocado com o tanto de coisas e parafernálias que tinha no quarto de Near. O quarto se assemelhava muito ao dele próprio e ao de Matt.

-Você tem bastante de coisas aqui... – disse baixo.

Matt virou-se e encarou Mello.

-Ah! É mesmo! É a primeira vez que você vem no quarto de Near...

-Ora Matt... Eu não sabia que você freqüentava o quarto de Near... – falou Mello sarcástico.

-Humpf! Quem você acha que instalou tudo isso? – perguntou Matt visivelmente ofendido.

-Sim. – Near se pronunciou. – Matt tem sido de uma gentileza imensurável se dispusendo a instalar todas essas coisas... – a voz de Near era suave e tranqüila. – Mello, você pode colocá-lo na minha cama se quiser. – disse apontando para Ray.

-Sim. – respondeu Mello.

Cruzou o aposento e deitou o menino na cama. Sentiu o cheiro de Near ao puxar as cobertas pra cobrir o corpo do garotinho. O coração de Mello bateu acelerado, mas ele logo o fez voltar ao normal. Levantou-se e pos as mãos nos bolsos. Observou que Near ajudava Matt enquanto analisava entre os dedos pálidos e finos as peças e os equipamentos que eram tirados das caixas. Mello limitava-se a observar a cena. Sim, realmente, Near estava extremamente empolgado. Conversava com Matt distraído.

"Esse, definitivamente, não é o Near".

Os minutos se passavam. Near tentava acalmar as batidas do próprio coração. Sentia o perfume de Mello invadindo o seu quarto. Sentia o peso do olhar de Mello sobre si. Ele tentava se mostrar indiferente. Indiferente ao que ambos sentiram na noite anterior. Mas, Near sentia-se leve. Como jamais se sentira em sua vida. Parecia que algo tinha sido desenterrado do fundo da sua alma. Um segredo, uma ânsia, um desejo que o consumiam lentamente... Parecia que o que antes era oculto, agora dançava diante da mente do menino gênio.

"Será se eu estou sentindo tudo isso por causa de Mello?".

Sim. Não havia outra resposta aceitável. Mello despertou um Near adormecido. Mello despertou um sentimento trancado a sente chaves. Com um simples olhar, Mello foi capaz de abrir tudo o que Near durante anos manteve em secreto, bem no fundinho de seu espírito. Mello instigava-o. Mas, Near precisava manter a mente vazia, para não confundir os sentimentos... Para não se precipitar nas conclusões...

-A propósito, Near, para que você quer tudo isso? – perguntou Mello entrando no jogo do não-aconteceu-nada-ontem-a-noite.

-Pelo mesmo motivo que você e Matt. Investigar o caso Kira... Lápis e papel são impossíveis. – Virou o corpo e sorriu mais uma vez.

-Bem, mas como você conseguiu tudo isso? Afinal de contas, eu e o Matt conseguimos de forma...

Near dessa vez deu um sorriso com dentes. Mello reparou na beleza do alinhamento perfeito dos dentes brancos. Um sorriso tão escancarado que os olhos se fecharam brevemente. O coração de Mello falhou uma batida.

"Mas quem é você, Near?".

Matt levantou-se.

-Esqueci uma coisa. Já volto – falou saindo do quarto.

Near ainda sorrindo disse:

-Foi o L quem me deu. – respondeu por fim.

-O L? – indagou Mello.

-Sim. Conversamos pelo telefone esses dias e eu pedi pra ele.

Mello olhou espantado.

-Estou feliz por L ter atendido o meu pedido... Ele esta tão ocupado com o caso e mesmo assim, ainda se disponibiliza.

-O L é um grande cara, não é mesmo? – perguntou Mello.

-Sim. – respondeu Near docemente.

Mello estava absurdamente confuso.

"Near esta conversando comigo? Assim... amigavelmente? Depois de toda a indiferença? Depois de todos os anos de competição? Depois de eu ter quebrado metade dos seus brinquedos ao longo dos anos? Depois de ontem... Depois de... Depois de..."

-Quanta música. Não sabia que você gostava tanto de música assim... – Mello falou numa tentativa de calar seus próprios pensamentos.

-Na verdade, já veio assim... – respondeu Near.

Ambos olhavam a aparelhagem quase totalmente instalada.

-Então isso quer dizer que L é quem gosta de música... – comentou Mello.

-Não totalmente. – respondeu Near. – L me disse certa vez que só havia uma música que ele realmente gostava.

-Uma música... Típico dele... Por acaso ele tem noção de quantas músicas há nesse mundo?

Near virou-se pra encarar Mello.

-É... E ele fez disso um desafio... – falou Near.

-Sério?

-Sim. – Near ficou sério. – Disse pra eu descobrir qual música que ele gosta.

-E você tem algum palpite? – perguntou Mello devolvendo o olhar penetrante de Near.

-Nenhum. – falou Near gravemente. Os dois se encararam por mais alguns segundos e Near sorriu.

Quando Mello se deu conta, também estava sorrindo com ele. A risada sonora de ambos se misturou no aposento.

Quanto tempo Mello não sorria daquele jeito? Quanto tempo Mello não sorria? Mas estava tão fácil sorrir ali, ao lado de Near.

-Esse L... Vive nos testando... – comentou Mello ainda sorrindo.

Um vento impetuoso adentrou a janela e jogou os cabelos de Mello contra seu rosto. Num ato involuntário, Near estendeu o braço e colocou o cabelo do loiro pra trás da orelha. Ambos tremeram àquele gesto.

Mello olhou profundamente nos olhos de Near e o que viu lá, surpreendeu o nosso loiro: vida! Vida em abundância naquele ser que sempre julgara frio, calculista, indiferente... O ar ao redor deles voltou a ficar pesado. Mello enrubesceu levemente ao sentir as sensações fluírem com um rio dentro de si.

-Pronto. Aqui esta. – disse Matt entrando no aposento e tirando-os da hipnose.

Os olhos de Near foram atraídos pelo que Matt trouxera. E Mello continuava olhando pra Near, com uma vontade quase que incontrolável de tocá-lo.

"Tsc, o que eu estou pensando?".

Esse tipo de pensamento estava ocorrendo com mais freqüência do que podia admitir. Mello estava angustiado por estar tendo pensamentos desse tipo. Estava angustiado pelas novas atitudes de Near...

"Quer saber? Sinto falta do velho Near, não precisava lidar com tantas confusões na minha própria cabeça.".

Mello acreditava que se o velho Near voltasse, o velho Mello também voltaria. Que continuariam a jogar e a disputar o posto de número um. Apenas isso. Nada mais... Sem sentimentos indefinidos...

"Sei que é um pensamento covarde, mas é mais fácil...".

Após o serviço estar concluído, Mello voltou a pegar Ray nos braços e saiu do quarto de Near, deixando Matt dando algumas dicas pra ele. Mello ainda teve tempo de olhar pra trás para encontrar os olhos de Near.

"Tenho que fazer o velho Near voltar... E precisa ser logo... Antes que...".

...

Assim que Matt saiu, Near deixou-se cair na cama. Estava exausto pela presença sufocante de Mello. Fechou os olhos ainda sentindo o cheiro de Mello em seu quarto.

"Ele... Ele... Ele viu, através dos meus olhos... Ele pôde compreender... Notou a diferença... Mas é claro! Quem não notaria? Preciso me afastar de Mello urgentemente, antes que...".

...

A segunda-feira amanheceu chuvosa. Eles também não precisaram cumprir a punição no fim de semana, o que fez que Mello e Near não se encontrassem.

Cada um ficou em seu refúgio, mergulhados nos próprios pensamentos e inseguranças. Near tentava se concentrar nas informações que L lhe passava no caso Kira. O mesmo acontecia com Mello. Mas nenhum dos dois conseguia afastar os pensamentos que lhe insistiam...

Mas Mello sentia-se muito mais leve. Ele acreditava que tinha extirpado qualquer vestígio de Near de sua mente. O loiro estava particularmente satisfeito consigo mesmo. Ele tinha o controle sobre o que sentia.

-Só perdi o meu tempo. – murmurou à si mesmo. – Nada melhor do que usar a razão.

Mello sentia que nada tinha mudado. O ódio que sempre sentiu pelo Near voltou com força total. Ele sorriu realizado ao ver que tudo não passou de um imenso mal entendido.

-Agora que as coisas estão claras de novo... Preciso testá-las...

Com esse pensamento, saiu do quarto em busca de Near. Se Near o olhasse com aquela cara de novo, com aquele olhar cheio de sentimentos, Mello tiraria sangue de seu nariz, boca, olhos...

Mello estava determinado a apagar qualquer resquício da noite em que os dois se olharam e o mundo pareceu parar... Mello também tentava apagar os momentos dos dois no quarto, a conversa descontraída, o sorriso escancarado de Near...

-Humpf, definitivamente, eu tenho que pôr um fim nisso... E do meu jeito.

Mello cruzou corredores e mais corredores procurando pela figura que roubava a sua paz. Até que avistou Near passar pelo corredor. Viu-o entrar na sala de convivência.

-Que garoto patético! Com certeza vai ficar aí até a hora de dormir... – Falou seguindo-o.

O garoto de cabelos brancos escolhera um lugarzinho no canto da sala, sentou-se no seu jeito de sempre e montava inúmeras pistas de carrinho. Mello aproximou-se.

-Que cena! Não tem nada melhor pra fazer não? – perguntou Mello rispidamente. Near continuou fazendo o que estava sem olhar pra ele. Mas sentiu a diferença... Mello voltara a ser o quer era...

-Que irônico você dizer isso, Mello. Pelo que vejo, quem não tem nada pra fazer aqui, és tu. – disse secamente.

"É isso aí, Near, voltemos a ser quem éramos...".

Mello perdeu a calma na hora. O seu sangue fervia muito rapidamente em se tratando do Near. O garoto número 1 era sua pedra no sapato. O seu maior incômodo. Num ato impulsivo, chutou com força os brinquedos de Near. Riu sadicamente.

- Eu não gosto que chute meus brinquedos. Então acho melhor, conter-se. Não quero ter que bater em você de novo, Mello. – falou Near sem levantar os olhos.

"Ter que bater em mim de novo? Odeio esse moleque...".

-Eu também não gosto que você seja o número 1... Estamos quites. Nós nos odiamos. Você é tão arrogante, Near...

-Pensa que é o número 1 em tudo, é? – indagou Mello.

Near permaneceu em silêncio.

-Hoje você esta no topo, Near, mas amanhã serei eu. Eu serei o número 1! Eu sucederei L!

Near continua de cabeça baixa.

"Eu queria ser o número um em seu coração, Mello, mas não posso...".

-Não Mello. Eu não sou o número 1 em tudo.

Mello irritou-se.

-Como é prepotente! Sua arrogância me enoja! – o loiro praticamente cuspiu essas palavras em cima de Near.

-Então afaste-se! Afaste-se de mim Mello! – disse Near com a voz um pouco alterada. Ficou surpreso com sua própria reação. Os olhos abriram-se. As íris diminuíram. Levantou-se ficando de frente pro loiro. Permaneceu em silêncio por alguns segundos. Respirou fundo. E com a voz normalizada, sussurrou. - Por favor! Afaste-se!

Com isso virou-se e saiu. A passos rápidos cruzou os corredores.

"Merda! Merda! O que eu estou pensando? Por que fiquei tão vulnerável de uma hora pra outra?".

Near descia os degraus da instituição apressado. Ele não queria chegar em lugar algum. Ele só queria fugir. Fugir de si. Fugir de Mello. Coisas estranhas estavam acontecendo... Ele não podia permitir os pensamentos que insistiam em aparecer... Se continuassem assim...

"Isso é loucura!! O que eu estou pensando? Pareço um idiota! Cheio de sentimentos... Sentimentos são inúteis..."

E continuou a correr.

Mello viu algo nos olhos de Near. De relance passou por aqueles olhos cinzentos... Nervosismo? Ansiedade? Relutância? Ou algo mais...?

-Mas que diabos esta acontecendo aqui? – perguntou surpreso. Percebeu que também estava estranho. Um peso pareceu afundar em seu estômago. Suas mãos suavam frias... Ele não estava indiferente como julgava estar. Por mais que sua mente tentasse desesperadamente esquecer do que ocorrera na biblioteca, o corpo de Mello fora incapaz de esquecer, reagindo de forma involuntária à presença do menino.

"De novo essa sensação estranha? E só quando fico perto do Near... Near... Near... Argh... Preciso encontrar um outro jeito de me livrar disso... Bem, se eu entender claramente quais são as motivações de Near, logo deixará de ser um enigma... Logo perderá a graça... Logo eu deixarei de me interessar... É isso! Tenho que entendê-lo para extirpá-lo de vez da minha mente..."

Mas não seria tão fácil assim... Por mais que Mello tentasse provar indiferença à si mesmo, seu corpo, seu coração e sua alma, clamavam pela presença de Near...

...

O relógio voltou a marcar 22 horas e, indisposto, Mello encaminhou-se para a biblioteca. Near estava lá. O loiro sentiu o peito tremer levemente quando viu a figura inconfundível de Near destacando-se na penumbra do aposento.

Percebeu que o serviço estava muito mais adiantado do que tinham deixado na noite de sexta-feira. E, Near tinha o rosto ligeiramente suado. Mello olhou-o espantado. Near estava suando? Ele nunca vira Near fazer nada que pudesse exigir esforço físico. E ele frágil do jeito que é, na sexta-feira organizava os livros calmamente, sem se exceder.

- Será se Roger mandou alguém aqui durante o dia para nos dar uma ajuda? As coisas estão bem adiantadas – perguntou Mello coçando a cabeça.

-Não. Estou aqui desde cedo. – respondeu Near. – Quero acabar com isso logo.

"Esta tentando fugir de mim?... Sim... é isso que ele esta fazendo". Pensou o chocólatra.

-Ora, ora, quanta disposição...

-Dispenso o seu cinismo. A propósito, aonde esta o Matt? – Indagou Near.

-Com o menino doente ainda... Ele também não vem hoje.

-Ah... Lamentável... Com a ajuda dele acabaríamos muito mais rápido... – "E também, eu me sentiria mais seguro... Seguro de mim mesmo" Completou mentalmente.

Os meninos começaram a trabalhar. Cada um submerso no próprio pensamento. Near sentia seu coração batendo acelerado... Ele não conseguia se acalmar. Parecia que uma sombra poderosa cobriu o seu coração. Pela primeira vez, ele estava confuso e perdido. Não sabia o que pensar. Não sabia a resposta para o seu problema.

Mello trabalhava distraído. Seu pensamento vagava nas ações de Near. Ele estava tentando entender o que ocorrera...

"Por que essa mudança drástica de atitude?"

Mello sabia, entretanto que Near teve sua primeira atitude diferente quando ficou ao lado dele. E depois disso, foi uma seqüência de atitudes que o surpreenderam... Near mostrou-se falante... Mostrou-se ativo, mostrou até um sorriso... Mello estava confuso. Ele definitivamente não conseguia traçar uma linha lógica às últimas reações do menino gênio. Mas Mello estava, terrivelmente curioso. Tudo o que supunha saber sobre Near estava caindo por terra. E, tudo o que com muito esforço tentara extirpar de sua mente, voltava a lhe assombrar...

O clima ao redor deles estava tenso. Mello podia até mesmo sentir o ar mais pesado. Passou a mão nos cabelos e olhou Near.

-Near... Por que esta fugindo de mim? – Mello espantou-se em ouvir sua própria voz.

Near congelou. Largou os livros no chão. O barulho abafado ecoou na biblioteca silenciosa

"Que pergunta mais indiscreta...".

-Do que você esta falando? Não seja ridículo... – respondeu Near fingindo naturalidade.

-Near, não subestime a minha inteligência! – devolveu Mello seguro. – Eu quero saber... O que aconteceu. Você esta estranho.

-Mello... Eu sou estranho! Todas as pessoas, num raio de 1000 km, acham isso! Não acredito que você só percebeu isso agora!

"Irônico. Piadista? O que esta acontecendo com você, pirralho?".Pensava o loiro

-Não se faça de bobo! – disse Mello.

Os olhos se encontraram. Loiro e albino petrificaram.

-Eu exauri minhas forças pensando no porque de sua mudança e não encontrei resposta. Então, diga-me você, número 1, o que houve.

-Será mesmo que você não encontrou resposta? Ou você, destruidor de brinquedos, não a quis aceitar?

O coração de Mello falhou uma batida. A garganta deu um nó.

-Do que você esta falando? – perguntou hesitante.

Near balançou a cabeça.

-As coisas estão confusas. Chega de ficarmos jogando com palavras distorcidas... – Com isso abaixou-se e pegou os livros que tinha deixado cair no chão.

-Então explique. – Pediu Mello. Mas Near virou as costas.

-Argh!! Não vire as costas pra mim Near! Eu ainda não acabei de falar! – rosnou Mello indo em direção à Near.

- Não se aproxime! Fique aí... – falou ímpeto.

Mello levou um choque com as palavras firmes de Near. Parou hesitante por alguns segundos. Mas logo se recuperou.

-Não me aproximar? É isso que você diz? Tem medo de mim, Near? É isso? – falou o loiro, debochando. Parou a centímetros de Near. O perfume de Near chegou-lhe novamente às narinas... Mello estava um tanto confuso com suas próprias reações, mas ele não estava conseguindo resistir. Ele não queria resistir.

-Olha pra mim, Near.

-Eu pedi pra você se afastar de mim... É só o que preciso... Só o precisamos é nos manter afastados... –disse Near numa voz baixa, quase como numa prece.

O silêncio envolveu-os.

-Por que? – Mello ouviu sua própria voz sair séria e grave. Nem ele esperava um tom tão maduro de si mesmo.

Near fechou os olhos lentamente.

"Ele não entende... Como é que pode ser tão cego? Como?"

-Olha pra mim, Near.

-Mello, por favor...

-Diga-me. Eu preciso saber. – sussurrou Mello. – Por que tem fugido da minha presença, Near? Por que quer me afastar de ti?

A voz de Mello, engasgada, rouca, cruzou o peito de Near como se fosse uma lâmina afiada. O garoto fechou os olhos lentamente.

-Diga-me. Nos tire dessa aflição. – pediu o loiro.

-Tá.- respondeu baixo.

Near virou-se lentamente. Os olhos miravam o chão. Respirou fundo ouvindo as batidas do próprio coração. Como que em câmera lenta, Near levanta os olhos cinzentos e fita os azuis de Mello.

Sua estrutura enfraqueceu diante da beleza daquele olhar.

O garoto de cabelo prata vence a distância entre os dois. Estende as mãos levemente e toca o cabelo de Mello.

-Eu sempre quis saber... Qual era a textura do seu cabelo... - Fala rouco ao pé do ouvido do chocólatra.

O coração de Mello explodiria dentro do peito. Ele tinha certeza de que sim!... Seu corpo era atingido por sensações e sentimentos desconhecidos.

Near aproxima-se ainda mais de Mello e, vagarosamente, repousa os lábios nos lábios do loiro. Abriu-os um pouco mais e passou calmamente a língua sobre os lábios de Mello.

-Como eu supus... Chocolate... – falou.

Mello podia sentir o hálito doce de Near atingindo-lhe os lábios sedentos. Ficou ensandecido!

"Como ele ousa interromper um início de beijo pra fazer um comentário?"

Enlaça Near com os braços e com infinito desejo tomou-lhe os lábios. Um beijo suave. Um beijo lento. Demorado. Explorando cada parte daquela boca rosada... Quando Mello sentiu a língua quente de Near encontrar-se com a sua, soltou um gemido rouco.

As mãos pálidas de Near percorriam as costas do garoto subindo e descendo...

-Mello... - sussurrou quando o ar fez-se necessário. – Acho que isso explica tudo. – disse, olhou pro chão e afastando-se. – Acredito que agora você vá me odiar ainda mais...

-Near...

-Não Mello, não precisa dizer nada... Eu entendo. Por favor...

-Mas... – tentou argumentar.

-Por favor! – Near fitava as caixas empilhadas e o serviço que tinham feito até ali. – Bem, acho que podemos terminar por hoje, já que eu adiantei as coisas mais cedo. – Com isso, saiu da biblioteca deixando Mello na mesma posição, ainda sentindo o gosto de Near em sua boca...

...

Near andou desorientado até seu quarto.

"Eu o beijei... Mello, como é doce o seu beijo..."

O garoto toca os lábios levemente com as pontas dos dedos.

"Mello... Mello... Que delicia te beijar..."

Deitou-se na cama ainda fora de si. Parecia que uma represa havia sido aberta no interior do menino, inundando todo o seu ser...

"Mello... Eu... Eu... Te beijei..." falou com um fraco sorriso no rosto.

Lentamente fechou os olhos... Ainda podia sentir a pele de Mello sob suas mãos.

"Mello... Obrigado por existir...".

...

Mello estava zonzo. Sua mente estava vazia e ele não sabia o que pensar sobre o que acabara de acontecer. Ele não sabia o que pensar sobre o que acabara de sentir.

"Near...".

Mello tentou acalmar seus batimentos cardíacos respirando fundo.

"Near... O que eu estou pensando? Eu sou um menino! Ele também! Isso é loucura! Se ainda fosse uma garota..."

Repassou em sua mente as garotas que conhecia. Fez uma cara de nojo.

"Nenhuma delas é mais interessante que o Near... Não há ninguém mais interessante que ele...".

Mello apagou as luzes da biblioteca ainda cismando no último acontecimento... Lembrou-se da frustração que sentiu quando Near interrompeu o beijou e se afastou...

"Mas eu sou um garoto... Isso é proibido! Foi por isso que ele se afastou?"

Mello continuou pensando.

"Não. Ele se afastou porque pensa que eu o odeio... Opa, mas eu o odeio! Argh que droga! Não sei o que esta acontecendo!!"

O sono não veio para nenhum dos dois. Viram a lua passear pelo céu e o sol despontar ao leste e, eles nem se quer, cochilaram...

...

Enfim, o primeiro beijo!

Quanta teimosia, né?

Pra que quebrar a cabeça, meninos? Pra que?

Então, mereço reviews?

Sim?

Eba!

Você acabou de fazer uma escritora feliz!

Bjs e até os próximos capítulos!

o/