Título: Encontro Cósmico.
Autora: Lilly Angel (mas podem me chamar só de Lilly).
Beta: Sakura Mars.
Retratação: Como vocês devem imaginar Sailor Moon não me pertence porque se não eu tava de férias em alguma ilha paradisíaca e não trabalhando em pleno feriado… Enfim voltando a realidade Sailor Moon é da sortuda e talentosa Naoko Tekeichi e essa estória aqui sim é minha.
Aviso: Essa fic é UA ou AU como preferirem, trocando em miúdos as meninas não vão bater… talvez a Serena ocasionalmente, em todo o caso qualquer alusão é uma mera tentativa de ironia da autora.
Agradecimentos para: Joyce Mamoru, Brilyance, Nathoca Malfoy (melhoras pra dona Elenita!!!) e pra todos que estão acompanhando a fic.
Ps.: Peço desculpas pela demora com o cap. mas eu estou super atolada de trabalho e não tive tempo pra escrever.
Ps².: Ah! E antes que eu esqueça Sakura Mars - que me encheu de inspiração com a sua review e que betou esse capítulo em tempo record - avisou a novata aqui, pra liberar o review anônima simplesmente porque só quem é cadastrado no site pode mandar review, então quem tentou (se é que alguém realmente fez isso) me mandar uma review já entendeu porque não conseguiu desculpa gente!!! Agora ta tudo liberado - porque aqui é uma democracia - então podem perguntar, criticar, elogiar, sugerir ou se absterem que eu serei toda ouvidos.
Bjs Lilly
Capítulo especial dedicado a Sakura Mars, sem você esse capítulo não existiria - literalmente - já que ele não estava em meus planos.
Orgulhosamente apresentamos a vocês o segundo capítulo de uma fic que promete: Encontro Cósmico. Não se esqueçam de dar review, pois todo autor fica MUITO feliz de saber que seu trabalho é apreciado. Essa escritora é muito legal e só tenho elogios à sua fic. Vamos lá, né, gente!
Sakura Mars, a beta.
Vocabulário:
Serena - Usagi
Darien - Mamoru
Lita - Makoto
Mina - Minako
Andrew - Motoki
Capítulo 2: Princesa
No começo não passava de uma silhueta, porém quanto mais se aproximava mais clara ficava a imagem à sua frente. Era uma mulher, agora podia dizer com certeza, contudo continuava longe o suficiente para não distinguir os traços de seu rosto, continuou se aproximando até que a viu perfeitamente na sacada daquele suntuoso castelo, podia vê-la iluminada pela luz da lua.
Era ela com seu vestido branco, cabelos presos num coque perfeito e fios dourados caindo delicadamente por sua nuca e rosto, além é claro da máscara que ocultava boa parte da sua beleza delicada, parecia realmente uma princesa, com toda a sua elegância, graça e delicadeza. Sorriu diante dela que retribuiu com um sorriso doce e radiante assim como ela própria, se aproximou até ficar a distância de um passo, viu o sorriso dela se alargar ainda mais com a sua atitude.
A observava com atenção, enquanto ela tirava a mascara que usava, em um sinal claro de confiança, não conseguiu deixar de se surpreender por ver aquele rosto por inteiro e principalmente aqueles olhos de um azul raro e profundo. Ela parecia mais que uma princesa, parecia um ser sobrenatural, uma criatura divina, uma deusa talvez com toda aquela aura de mistério, pureza e paz. Contudo a ele não importava se ela era uma princesa, uma criatura sobrenatural, uma deusa ou sequer se ela era desse planeta, a única coisa que importava era o quão perfeita era para ele.
Estava tão absorto em gravar cada detalhe do rosto dela, que só notou que ela tinha acabado com qualquer distância entre os dois quando sentiu a mão delicada dela sobre seu peito e a outra tirando uma mecha de cabelo que caia insistentemente sobre seus olhos. Como se fosse possível, aproximou-se ainda mais dela, fazendo seus narizes se encostarem, seus hálitos já se misturavam e respirar ou ter qualquer pensamento coerente se tornava uma difícil tarefa e quando seus lábios roçaram, ansiando por um toque mais profundo, uma luz poderosa invadiu todo o local.
Acordou subitamente sentindo a camisa molhada de suor, o pensamento ainda disperso. Passou as mãos nos cabelos em um sinal claro de irritação, quando se deu conta de que havia sonhado com ela mais uma vez. O mesmo sonho, o mesmo lugar, a mesma pessoa... Sempre a mesma situação. No começo achou que se entendesse o significado dos sonhos pararia de tê-los, mas agora que tinha descoberto o que eles significavam... Porque ainda os tinha? Sabia que aquele sonho queria dizer que ao mesmo tempo em que estava perto o suficiente para tocá-la, havia uma barreira invisível que os separava e deixava aquele assunto inacabado, por isso o sonho nunca tinha fim, porque a história deles estava em aberto, como um livro com paginas em branco.
Parecia que ela tinha entrado em seus poros e tomado todo o controle que tinha sobre si, já não se reconhecia mais: andava o tempo inteiro disperso e perdido em pensamento e em dúvidas, sempre pensando nela. Nunca uma mulher tinha tomado tanto a sua mente, nunca tinha desejado ter alguém como desejava tê-la a seu lado, nunca tinha sonhado em ter sua vida invadida por quem quer que fosse, mas era mais forte do que ele, simplesmente não podia evitar que ela fosse seu primeiro pensamento ao acordar e o ultimo antes de dormir... Ela tinha invadido a sua vida de modo arrebatador e completamente marcante. Tanto que, mesmo depois de tanto tempo, ela ainda não saía da sua cabeça.
Se pudesse voltar no tempo! Não teria permitido que aquilo acontecesse se soubesse que estaria naquela situação agora, se ao menos soubesse que era ela... A quem ele estava tentando enganar? Mesmo que soubesse de tudo antes não mudaria nada, ou melhor, mudaria sim, mas apenas uma coisa: não a teria deixado ir antes que tirassem as mascaras um do outro, assim não teria que fingir que aquela noite não tinha existido e ela saberia quem ele era e já teriam resolvido esse impasse há muito tempo.
Depois do banho gelado que tinha tomado, pra espantar o calor anormal daquela noite de primavera, tentou voltar a dormir, porém sem sucesso algum, a imagem dela novamente tirando o seu sono. Até quando tudo aquilo duraria, até quando a imagem, a presença tudo e qualquer coisa que tivesse a ver com ela continuaria o atormentando? Suspirou cansado, se ao menos não a tivesse conhecido...
Flashback
Era mais uma festa idiota, em que um monte de garotas se jogaria em cima dele e onde, depois de sair com algumas delas, iria querer ficar sozinho, porque todas elas eram fúteis demais e se preocupavam demais em se mostrar a ele ou então em agradá-lo de todas as formas possíveis. Estava cansado de joguinhos, de gente tentando agradá-lo por interesse, de encontrar garotas sem personalidade, cansado de festas como aquela que só serviam para proporcionar esses tipos de encontros vazios e superficiais e talvez também estivesse cansado de estar sozinho sem ter alguém de verdade ao seu lado, alguém que realmente valesse a pena. Nunca fora uma pessoa romântica ou que tivesse pensamentos desse tipo, mas havia momentos como aquele em que gostava de sonhar. Acreditava no amor - seus pais se amavam muito, porém aquilo ou qualquer sentimento relacionado com ele lhe parecia tão distante.
Foi com esses pensamentos que resolveu pular todas as etapas cansativas daqueles joguinhos de sedução, e agora estava ali em cima daquela ponte. Sozinho. Essa era a palavra: solidão. Era assim que se sentia - só e estranhamente triste. Estava acostumado com a solidão, até gostava dela, era uma pessoa solitária e esse fato ele não podia negar não que lhe incomodasse é claro, afinal fazia parte da sua natureza... Mas sendo filho único e tendo pais tão ocupados, apesar de muito amáveis, era impossível não ser solitário principalmente com a personalidade que tinha. Sempre introvertido, discreto, introspectivo e quase frio - apesar de educado - como muitos diziam.
Mas aquela tristeza definitivamente não combinava com ele, é claro que ele não se considerava a pessoa mais feliz do mundo, nem alguém que ria ou brincava com facilidade, mas sentir tristeza, apesar de crer que havia um motivo, era chegar a um extremo que naquele momento lhe era incompreensível.
Estava concentrado em seus pensamentos quando sentiu um olhar sobre si, provavelmente o olhar era muito incisivo para fazê-lo notar a presença de outra pessoa no jardim. No momento em que se virou para ver quem o olhava com tanta insistência, quase prendeu a respiração ao ver quem era, não a conhecia e, se conhecesse não saberia dizer de onde, porém duvidava muito que seus caminhos já tivessem se cruzado, porque se isso tivesse acontecido tinha certeza que se lembraria, afinal nunca tinha visto em toda a sua vida uma mulher tão linda.
O vestido longo e branco, com detalhes em dourado, os cabelos presos de maneira quase artística e a máscara combinando perfeitamente com todo o conjunto, sem dúvida, qualquer descrição nunca poderia colocar em palavras a perfeita harmonia que incidia em sua imagem. Qualquer pensamento coerente se dissipava de sua mente, enquanto a contemplava, totalmente encantado. Encantamento era o sentimento que pareciam compartilhar, pois ela também o olhava intensamente, como se pudesse desvendar todos os seus segredos.
A viu se aproximar de maneira calma e constante, seus passos tão leves que lhe davam a impressão de que flutuava; nunca em todo o pequeno trajeto eles desviaram seu olhar. Quando sentiu o calor do corpo dela próximo ao seu, sentiu uma forte necessidade de descobrir se ela era real ou apenas uma doce fantasia do seu subconsciente. Tocou seu rosto, um pouco receoso de que com isso ela desaparecesse, alguém como ela simplesmente não podia ser real, contudo ignorando toda e qualquer lógica, ela não se desfez ao seu toque. Pelo contrário, se mostrou extremamente real e palpável, não saberia explicar, se lhe perguntassem, a total sensação de satisfação, alívio e conforto que percorreram seu corpo quando a sua lógica se mostrou totalmente equivocada.
Concentrou-se mais na sensação que o contato da pele macia e quente dela causava contra sua mão tão fria... Contrastavam-se tão bem e aquele pequeno toque lhe causava um sentimento de felicidade que poucas vezes experimentara e que aumentava por não ver nenhuma recusa da parte dela a seu toque.
No momento em que ela fechou os olhos a pouca racionalidade que existia nele foi totalmente reprimida e não conseguiu resistir em tornar o contato entre eles mais intimo, parou de acariciar o rosto dela e o segurou com carinho, depois colocou sua outra mão na cintura dela. Fazia de tudo de forma lenta, querendo tornar aquele momento o mais longo possível, encostou seus lábios frios nos quentes dela e sentiu um choque com isso, precisava senti-la mais então fez a única coisa que lhe veio à mente: aprofundou o beijo e sentiu com satisfação ela entreabrir os lábios numa permissão muda para que ele continuasse. A beijava como nunca havia beijado nenhuma outra, ela definitivamente era uma mulher muito especial para conseguir mexer tanto com ele... Sentiu-a corresponder o beijo e segurá-lo pela nuca, aproximando-os ainda mais. Não soube dizer ao certo, mas algo quente começou a preencher o seu peito, algo bom e reconfortante... Se pudesse teria feito aquele beijo durar a eternidade, porém a necessidade de respirar foi mais forte.
Respirava com dificuldade assim como ela, que não desviava o olhar do dele um único segundo como se quisesse, assim como ele, não acabar com o que quer que fosse que os unia de forma tão profunda. Toda a tristeza ou solidão havia sido deixada para trás, naquele momento ele a tinha só pra si e não estava mais solitário, ou sequer triste.
Foi pego de surpresa pelo beijo dela, contudo não foi preciso mais que meio segundo para que ele correspondesse a mais esse contato, que agora parecia muito mais urgente e caloroso que o primeiro. Agora que conhecia aquele território e que ela tinha iniciado dessa vez o beijo, se sentia mais à vontade para explorar sem receios a sua boca. Era tão familiar como se já se conhecessem há anos, como se já tivessem se beijado muitas vezes antes daquele encontro, como se ela sempre tivesse feito parte da sua vida... Mais uma vez, tiveram que se separar, tinha certeza que aquele tinha sido o melhor beijo de sua vida, nunca antes tinha se sentido tão bem ao lado de alguém como se sentia ao lado dela, definitivamente ela era uma mulher muito especial e sendo assim merecia ver algo tão especial quanto ela.
Queria vê-la feliz, talvez por ela tê-lo feito feliz com a sua simples presença, ou talvez porque a idéia de vê-la feliz já o deixava feliz. Conhecia bem aquela casa, tinha morado lá por dois anos com seus pais e a levava para o seu lugar preferido naquela casa, um lugar que por acaso nunca tinha levado ninguém, mas ela era diferente. Tapou seus olhos num gesto de intimidade que não combinava com ele, mas que estranhamente combinava com aquele momento, combinava com eles. Não demorou muito para chegar ao local, e logo que isso aconteceu tirou, apesar de um pouco relutante, as mãos dos olhos da jovem, interrompendo o contato. Contudo sentiu-se muito feliz por ver os olhos dela brilhar de alegria e um sorriso, que parecia encher de luz todo o lugar, preencher seu rosto maravilhado.
Ficaram sentados naquele banco por alguns momentos ali ela apreciando a beleza do lugar e ele apreciando a beleza dela e os seus olhos que brilhavam com uma vivacidade surpreendente. Nunca tinha apreciado a beleza de uma mulher como admirava a dela. Ela conseguia encantá-lo de uma forma única e isso ele tinha que admitir. Quando ela se voltou novamente para ele, pôde ver o quanto ela o tinha enfeitiçado. Nunca fora impulsivo, pelo contrário, era muito contido e controlado, mas tendo ela o olhava com tanta intensidade e familiaridade, que não conseguiu resistir. Voltaram a se beijar com maior intensidade, sentia-a mais próxima de si, como nenhuma outra havia sido capaz de chegar e, enquanto se beijavam, sentia como se aprendesse a conhecê-la: a forma como deveria tocá-la, a maneira como deveria beijá-la, o jeito de olhá-la... Fazia tudo por instinto, pois mesmo sem trocarem uma só palavra, sabia exatamente o necessário sobre ela e sabia que o mesmo acontecia com ela.
Ficaram assim por muito tempo: se sentindo, se beijando, se olhando, se conhecendo... Sem que palavras pudessem atrapalhar o momento mais intimo que já havia compartilhado com uma mulher. Logo percebeu que passar um instante com alguém como ela era muito pouco para ele, e que mesmo tendo ficado juntos por tanto tempo ainda sim lhe parecia insuficiente, mas agora havia chegado a hora da verdade, a hora em que finalmente poderia ver o rosto daquela com quem tinha compartilhado um dos melhores momentos de sua vida... Porém foram interrompidos no exato momento em que tudo se revelaria.
Pôde ouvir as vozes que se aproximavam sem, contudo identificá-las. Notou quase no mesmo instante a face dela mudar de expressão - pelo que dava pra ver do seu rosto coberto pela máscara - passar de confusão a reconhecimento e logo depois hesitação. Parecia que, fosse quem fosse, a chamava, e teve sua suspeita confirmada no momento em que ela se levantou abruptamente. Ela vai embora, foi o que a sua mente lhe disse e, ao invés de impedi-la, a única coisa que fez foi lhe dar uma rosa que, para ela seria uma lembrança daquela noite, mas que para ele era uma promessa de que aquela não seria a última vez que se veriam. E quando o simples toque no pulso dela pareceu pequeno demais a beijou, um beijo apaixonado e o último daquela noite e desejava, ou melhor, também prometia a si mesmo que esse não seria o último beijo deles, que dessa vez ela havia interrompido para sair apressada ao encontro de quem a procurava.
E no afã de sair, a jovem havia deixado em suas mãos uma lembrança dela que, ao olhar mais atentamente, pôde ver que era mais que uma simples lembrança, pois nela havia o nome da dona e, dessa forma, poderia cumprir sua promessa mais cedo do que esperava. Serena... Era esse o nome gravado na simples pulseira de ouro e não pode conter sua surpresa depois de lê-lo, olhou novamente para o caminho que ela havia seguido, notando a semelhança dos fios dourados dela com os da única Serena que ele conhecia. Definitivamente elas não poderiam ser a mesma pessoa.
Fim do Flashback
Suspirou novamente depois de se lembrar de tudo que tinha acontecido naquela noite. Se ao menos tivesse deixado toda história de lado, se ao menos tivesse esquecido os acontecimentos daquela noite, mas não, ele precisava saber a verdade, precisava saber quem realmente ela era e esse foi seu segundo pior erro.
O seu pior erro foi ter metido Andrew nessa história primeiro, por ele ter sido obrigado a contar tudo sobre seu encontro no baile e segundo por Andrew ter descoberto - a seu pedido - que a Serena do baile era a mesma Serena cabecinha de vento que eles conheciam.
Para ele, teria sido infinitamente melhor ficar na ignorância, do que ter a certeza nua e crua diante de seus olhos. Antes, pelo menos, ele poderia fingir que tudo havia sido uma alucinação, um sonho ou algo que o valesse, mas agora sabia que ela não era uma miragem ou um anjo, era pior, ou melhor - não saberia dizer ao certo naquele momento - ela era real e o primeiro encontro deles depois dessa descoberta havia sido desastroso, pelo menos pra ele.
Flashback
Ainda não conseguia acreditar no que Andrew havia lhe dito, ou melhor, confirmado - afinal, apesar de não querer enxergar, todos os indícios lhe diziam isso -, mas ainda assim cultivava esperanças de que suas suspeitas estivessem equivocadas, no entanto contrariando todos as suas expectativas, agora ele sabia que elas eram a mesma pessoa. De que maneira se comportaria perante a loira de agora em diante, se toda vez que cruzasse com ela correria o risco de se lembrar de tudo o que havia acontecido entre os dois. Estava tão perdido em seus pensamentos, que acabou esbarrando em alguém, ou melhor, em uma mulher que teria caído se não tivesse sido rápido o suficiente para segurá-la pelos ombros.
Sabia em quem tinha esbarrado antes mesmo de olhá-la, sentia a sua presença mais forte que nunca, não queria olhá-la, porém parecia que qualquer escolha lhe tinha sido negada no momento em que a ouviu lhe pedindo desculpas - provavelmente não percebendo com quem falava - não pode deixar de olhar para a dona daquela voz doce e melodiosa. Naquele instante, era como se olhasse pela primeira vez. A garota que estava diante de si não era a mesma com quem sempre implicava, não era mais a cabecinha de vento que adorava irritar... Naquele momento, ela era a mulher com quem havia se encontrado há uma semana atrás.
Sentia em suas mãos a mesma pele macia, o mesmo perfume, o mesmo corpo frágil e delicado, a mesma respiração cadenciada e os mesmo olhos - que constatou logo após ela voltá-los para os seus - que já achava lindos antes, mas agora com a luz do sol iluminando-os, pareciam ainda mais azuis e brilhantes, pareciam perfeitos... Ficaram algum tempo com olhar perdido nos olhos um do outro, até que o contato foi quebrado por ele, que passou a percorrer os traços do rosto dela com extrema atenção, tendo que, por fim, admitir ao menos para si mesmo o quão linda ela era.
Parou sua análise dirigindo agora total atenção a seus lábios rosados, que estavam entreabertos se tornando extremamente convidativos. Por um instante sentiu uma vontade imperiosa de sentir o gosto deles novamente, e teria se deixado levar por esse impulso se ela não tivesse afastado seus rostos - que se encontravam perigosamente perto - com as costas da mão em sua testa parecendo medir sua temperatura e o olhando com seriedade.
- Você está doente por acaso, Darien baka? - indagou num misto de curiosidade e confusão.
- Do... do que você está falando, cabecinha de vento? – disse, recompondo e tirando as mãos dos ombros da loira, enquanto fingia ajeitar os cabelos para trás. Afinal o que estava fazendo!? Quase havia beijado Serena Tsukino como sua loucura podia ter ido tão longe... Ela era apenas uma criança!
- Você estava... - começou com o olhar perdido ainda incerta e com as faces levemente coradas parecendo ficar desconcertada - Peraí - disse parecendo voltar a realidade - Do que você me chamou? - indagou começando a ficar nervosa.
- Ora eu te chamei de cabecinha de vento - disse com um ar pensativo aproveitando a oportunidade para desviar a atenção dela.
- Ai! Quantas vezes eu vou ter que repetir - começou a entrar na pilha agora com o rosto extremamente vermelho de raiva - MEU NOME É SERENA TSUKINO, SERENA TSUKINO - gritou, ou melhor, berrou. Mas ele já sabia muito bem quem ela era.
- Mas você tem que admitir que cabecinha de vento combina muito mais com você, não acha? – falou, querendo irritá-la ainda mais para fazê-la esquecer completamente qualquer coisa que havia acontecido há minutos atrás.
- Ai! - bufou uma, duas, três vezes até o tom de vermelho em seu rosto se suavizar – Sabe, eu não vou ficar aqui perdendo um dia lindo como esse - fez um gesto amplo com as mãos - discutindo com um baka feito você - disse tudo ainda num tom acima do normal, saindo logo em seguida pisando duro.
A viu seguir o caminho oposto ao seu, aliviado por ela não ter percebido nada... Ela era mesmo muito inocente e se irritava com facilidade, para sua sorte. Da próxima vez teria que tomar cuidado redobrado e se controlar na frente dela, senão faria uma besteira.
Fim do Flashback
Depois daquele dia as coisas só pioraram isso porque ele conscientemente, ou não, começou a observá-la. E como não poderia, depois do encontro deles no baile e do seu reencontro, quase desastroso, cara a cara com ela? Parecia que a encontrava em tudo quanto era lugar, mesmo que não discutissem de fato, pois ela na maioria das vezes sequer notava a sua presença, mas ele começara a notá-la até demais pro seu gosto.
Primeiro o seu jeito alegre, doce, gentil, inocente e generoso. A forma como tratava a todos, ou como não parecia dar tanta importância à opinião alheia. Sempre com um sorriso radiante, marcando sua presença por onde quer que passava, sempre preocupada com o bem estar de todos ao seu redor, sempre atrapalhada e distraída, sempre sendo verdadeira, sem fazer jogos, sem fazer tipo, só sendo ela mesma e isso ele descobriu, o atraía muito.
Em seguida, veio a consciência de que, apesar do seu jeito de menina e da sua tenra ingenuidade, ela não era como ele gostava de afirmar - apenas como pretexto para afastá-la de seus pensamentos - uma criança. De certo que ela era mais jovem que ele e que havia uma diferença considerável entre as suas idades, mas ele também não era nenhum velho. Percebia como os rapazes olhavam pra ela, e como não poderiam? Ela era mesmo linda, no entanto, admitir isso não abrandava o crescente ciúme que sentia toda vez que alguém a olhava. Passou até mesmo a notar o quanto os uniformes, principalmente as saias dela, haviam diminuído, pois sabia que não era o único a reparar nesse fato, ela estava crescendo afinal e tinha certeza que se tornaria uma mulher incrível em todos os sentidos.
Mas, acima de tudo, ele adorava seus olhos e seu sorriso. Definitivamente eram o que mais o fascinavam nela. Seus olhos, por serem tão luminosos e vívidos, e seu sorriso por ser radiante e sincero. E tanto seus olhos como seu sorriso pareciam definir exatamente toda luz que parecia irradiar da sua essência. E, sem que se desse por isso, foi descobrindo e desvendando quem era Serena Tsukino com todos os seus gestos, olhares, e sorrisos.
Ela o tinha conquistado sem que se desse conta disso, mesmo antes daquele baile, ele já a tratava diferente de todos com quem ele convivia: falava, brincava e implicava com ela sem motivo aparente, contudo agora ele sabia que desde a primeira vez que haviam se cruzado havia percebido o quão especial ela era. Ela o havia envolvido de uma maneira tal, que agora ele se via completamente rendido aos encantos genuínos da sua princesa.
