Primeiro dia Ignorado: Salve-se quem puder

Diário, se tem uma coisa que eu realmente não esperava era que minha prima tão inteligente estudasse no mesmo colégio destinado a delinqüente juvenil aqui. Aquilo foi um baque e tanto e para dizer a verdade, foi sufocante. Tivemos que pegar o mesmo ônibus, escutar as mesmas conversas sem graça de suas amiguinhas certinhas e chegar à tal escola juntas. Mirian fez questão de me contar quais eram seus professores preferidos e quais matérias eu deveria ter cuidado para não pegar exame no final do ano. Muito bem, eu não estava nem ai. O que me chamou a atenção mesmo foram as pessoas que freqüentavam o colégio. Nipônicos, nerds, nerds nipônicos, nerds de qualquer jeito, garotas mimadas, um cara com o topete do Elvis, garotas mimadas correndo atrás do garoto com o topete do Elvis... E Mirian. Uma garota de dezesseis anos, cabelos e olhos negros, magrela e inteligente. Tenho que admitir que ela não era feia. Nada que um guarda-roupa novo e algumas cervejas não ajudassem...

Passamos pela entrada e eu estranhei a parada súbita que a Bárbie e sua turma de bonecas biônicas (sim, era assim que eu as chamava – em voz baixa, é claro) deram. Perguntei qual era o problema e para a segunda surpresa do momento, recebi um XXXII em coro. Aquilo foi demais! Segurei firme minha mochila e continuei o caminho para dentro do prédio. Não vi nada de mais, na verdade, não prestei atenção também... Apenas passei por alguns alunos – entre eles, o garoto do topete do Elvis – e procurei minha sala. Minha prima era uma retardada mesmo...

A sala de aula não tinha nada de anormal. A não ser, óbvio, os alunos dentro dela. Tirando os nerds, nerds nipônicos e os nerds de qualquer outra espécie, tomei um susto ao esbarrar em um garoto. Eu não faço idéia de como isso aconteceu, mas eu tinha acabado de bater no garoto sósia do Elvis. Como isso era possível se eu o vi passando para o outro lado do colégio? Sinceramente, não tenho a resposta. Aliás, não tenho tantas outras respostas para tantas outras perguntas, por exemplo:

1°) Por que eu estava estudando naquela merda de colégio?

2°) Como eu fui esbarrar no garoto do topete do Elvis?

3°) Por que ele usava aquele topete ridículo?

- Desculpa.

-...

- Você está bem?

-...

- Olha, se eu te machuquei, desculpa...

Eu não escutei nenhuma frase que ele pronunciou... E mesmo que escutasse, eu ia responder o quê? "Ah, não foi nada... É que eu me distrai com o topete...".

- Er... Não... Eu estou bem.

- Que bom. Então, a gente se vê por ai.

- Ok...

Depois do susto, comecei a olhar para os lados procurando uma cadeira vaga e para minha decepção, a única que estava vazia era, oh Deus, a que fazia dupla com a minha prima...

A minha sorte é que a nossa primeira aula era de Física e como eu odeio essa matéria, fiquei desenhando bonequinhos nas folhas do meu caderno e pensando em algumas hipóteses sobre o suposto poder sobrenatural do garoto do topete do Elvis. Eu tinha que achar um jeito de descobrir... E eu iria, nem que isso custasse outro ano naquele colégio infernal.

xxXXxx

Gostaria de agradecer aos reviews – fiquei tri feliz ao ver que alguém estava lendo \o/

Obrigada mesmo, gente^^

Beijos gaudérios