Disclaimer: Naruto não me pertence, pertence à Masashi Kishimoto.

Nome da Fanfic: Profissões

Tema: Uma coletânea de one-shots, two-shots e three-shots sobre profissões diferentes. Raramente uma das one-shots é interligada com as outras. Tudo o que têm em comum é que abordam uma profissão.

Shipper da fanfic: ItachixNaruto

Notas especiais: Nessa fanfic aparecerá Yaoi (relação homemxhomem) e Yuri (relação mulherxmulher), aparecerá Lemon (relação sexual entre homens) e talvez Orange (relação sexual entre mulheres) e incesto (relação amorosa entre parentes, pais e filhos, irmãos, primos, etc...) todas as one-shots são U.A. (universo alternativo) até segunda ordem. Talvez a última profissão seja 'ninja', então talvez entre na linha de tempo de Naruto. Como esta fic é U.A., eu posso mudar o sexo dos personagens, ou seja, nem sempre Itachi ou Naruto serão homens. Talvez eu faça um yuri com os dois como mulheres e um hétero com um como mulher. E sim, Itachi poderá ser uke nesta fanfic. Poderá ter shota-con (relação entre um homem e um garoto/adolescente/jovem/criança, pederastia) também nesta fanfic. Tudo depende da vontade de vocês.

Advertências do capítulo: Este capítulo contém incesto, não sexual, mas sentimental, interligação com Doncéis, seres que são uma espécie de mutação. Homem e mulher ao mesmo tempo. Ou um homem que possa engravidar. Neste capítulo há certo abordamento sobre os feitos da igreja católica, além de um pouco sobre a Opus Dei. Não tenho a mínima intenção de ofender alguém. Isto é somente uma história, e eu nunca afirmei que nada do que escrevi é real. Eu me inspirei não só no Código da Vinci, também na revista 'Sexto Sentido', num livro 'Sociedades secretas: Templários' e no meu professor de filosofia, que sempre fala muito sobre simbologia de números na bíblia e sobre alguns fatos filosóficos, aquelas perguntinhas sem resposta de machucar o cérebro. Este capítulo terá uma continuação. Escrevi a primeira parte, agora a segunda. Eu não pretendo fazer mais long-shots além desta. O próximo capítulo provavelmente abordará mais a fundo o Opus Dei, prelazia do Vaticano que realmente existiu – e acho que existe até hoje. No próximo capítulo talvez haverá algo de lemon, e o ritual de Hieros Gamos. Também há algo sobre a Grécia e o início e fundamento principal da filosofia. Alguns hits de história do Santo Ofício também acompanham este capítulo. O motivo de eu abordar a parte dos doncéis é que seria bem polêmico se fosse verdade, e eu adoro abordar assuntos difíceis. Também, a parte do doncel vai ter algo de significado simbológico na história. Para aqueles que gostaram do Código da Vinci, acho que vão gostar disso daqui. Já os que odiaram... Os que nunca leram, talvez gostem também. À todos, boa leitura.

Comentários da autora: PQP!! O.O esse cap demorou, mas são 45 pags X.x vocês não sabem como deu trabalho de escrever isso X.x e ainda tem mais O.O se eu fosse esperar pra acabar pra postar, vocês ficavam velhinhos e não viam o fim disso XD Bem, boa leitura, meus amores, e espero que gostem, porque deu trabalho ;D Não sei porque, mas foi um dos capítulos que eu mais gostei de escrever, entre todos os de todas as minhas fics. Na minha opinião, ficou legal e.e

Tipo: Three-shot

Shippers do capítulo: ItachixNaruto, uma menção de SasukexTemari muito leve. NagatoxMinato, FugakuxMikoto, MadaraxDeidara ultra leve, SasukexNaruto com direito a beijo.

Profissão do capítulo: Curador de Museu e Simbologista (Itachi).

O sorriso de Mona Lisa II

Paris sempre parecia uma luz no meio da escuridão, que era o mundo atual para os que eram diferentes do resto, mesmo que Paris fosse vista à noite. Escondido num beco da bela capital da França, um garoto loiro andava apressado. O lugar de Paris em que se encontrava não era realmente um dos mais lindos. Um parque, no qual mulheres e homens ofereciam seus corpos de maneira clara a qualquer um que passasse e pudesse pagar bem. O loiro olhou de relance uma garota, e logo baixou novamente a cabeça, preferindo olhar o chão. Ele tinha nascido em uma família rica, e estava acostumado a nunca passar por lugares assim. Mas, naquela vez, ele tinha ficado tão irritado que saiu correndo do hotel onde se hospedara com os pais. Provavelmente os dois estariam loucos procurando seu filho por cada canto de Paris, e foi por esse motivo que o loiro foi para um dos lugares que seus pais nem sonhariam em lhe procurar.

Naruto tinha uma idéia de lugar para ir, mas não sabia se a pessoa que procurava naquele instante lhe reconheceria. Claro, Naruto tinha 8 anos quando o viu pela última vez, e invadir um museu tarde da noite, era um belo crime. E Naruto duvidava que seu primo mais velho estivesse naquele museu, pelo menos não deveria estar àquela hora.

Naruto ainda lembrava porque saiu tão aterrorizado e furioso de casa.

Naruto descia as escadas, que ligavam o primeiro andar ao térreo. Seus pais estavam sentados em duas poltronas, um de frente para a outra, e levemente inclinadas em direção à enorme lareira que ficava encrustada na parede. Minato usava um pijama branco, cheio de coraçõezinhos vermelhos como estampas. Usava pantufas de coelhinho. Tinha uma caneca de chocolate quente em mãos, e tomava o líquido fumegante de vez em quando. Nagato usava um pijama negro, com pequenos leques japoneses desenhados, metade vermelhos, metade brancos – o símbolo do seu clã, o clã Uchiha. Nagato usava pantufas de cachorrinho. Tinha uma caneca de chá em mãos, e raramente bebia o líquido de cor âmbar. A caneca de Minato era banca, e de porcelana. A de Nagato era preta, e de mármore.

Naruto se escondeu atrás da escada, vendo seus pais em um raro momento de contemplação mútua. Naruto sorriu. Depois de anos de casados, os dois ainda tinham aquele fogo no olhar quando se olhavam. Mesmo que fossem jovens e tivessem casado muito cedo, aquele fato era memorável. Naruto tinha lido uma pesquisa que dizia que a média de duração dos casamentos era de 4 anos. Isso realmente não acontecia com seus pais, que estavam casados à 17 anos. Seu pai doncel lhe disse que estava grávido quando os dois casaram. Naruto lembrava que sorrira ao pensar em seu pai, barrigudo, entrando na igreja de véu e grinalda. 'Bem que seu pai quis que eu entrasse de véu e grinalda, mas eu quase dei uma surra nele e disse que não ia entrar vestido de mulher nem ferrando, apesar de ser quase uma', foi o que disse seu pai doncel. Naruto rira do comentário de seu pai. Naruto ficou mais atento ao ver os dois começarem uma conversa.

Minato: Temos que contar a ele – completamente diferenciada da maneira meiga que o corpo de Minato ficava com aquelas roupas, seu semblante estava inflexível.

Nagato: Ele vai se enfurecer, eu sei – Nagato suspirou, como se tivesse falado do mesmo assunto muitas vezes, e já estivesse cansado disso.

Minato: Maldita lei! Esses desgraçados acham que somos aberrações, mas o meu filho não! Eles estão loucos pra pegar o meu pequeno, mas nem ferrando eu vou deixar! - Minato levantou da poltrona, e andou até ficar em frente à lareira, a luz tremeluzente deixando o rosto de Minato iluminado e à vista de Naruto. Minato estava chorando, o rosto contorcido em raiva.

Nagato: Eu e você podemos ser ricos, mas a massa popular, doutrinada pela igreja, acha que vocês são aberrações – Nagato suspirou novamente, e baixou a cabeça.

Minato: Não, aberração não é a palavra certa – Minato virou-se, olhando para Nagato, de maneira que Naruto nunca tinha visto antes – Monstros, demônios, é assim que nos chamam. Sabe como os doncéis são chamados pelos anti-doncéis?

Nagato: Filhos de Lúcifer – Nagato virou o rosto, não querendo olhar para seu marido.

Minato: E o que se faz com bruxas? - Nagato escondeu o rosto entre as pernas, e as abraçou, não querendo encarar os fatos – Anda, Nagato! O que a inquisição fazia com as bruxas?! O QUE ELES FAZIAM?! - Minato foi até uma estante da sala, e pegou de lá um papel. Andando como se quisesse matar o chão com os pés, andou até Nagato e esfregou o jornal do dia no rosto do Fuuma – O que fazem conosco, os demônios, Nagato? - Minato falou com a voz mais gélida que poderia, e Nagato olhou o jornal.

Nagato: Queimam na fogueira – Nagato sentenciou, como se fosse uma verdade irredutível.

Minato: Isto mesmo.

Naruto pôde ver o jornal, quando, por alguns instantes, a luz da lareira iluminou a primeira folha. Duas lágrimas escaparam de seus olhos, ao ver a foto enorme, estampada na capa, com um garoto de 18 anos sendo queimado em uma fogueira. O cabelo estava completamente queimado, assim como parte da pele. Naruto mordeu o lábio, chorando em silêncio. Na capa, sobre a foto, letras garrafais anunciavam: 'Voltem ao inferno, filhos de Lúcifer!', as letras em francês, que Naruto conhecia porque tivera uma educação que incluía falar espanhol, inglês, português, francês e japonês fluentemente. Naruto nunca frequentou escolas, sempre teve professores particulares, e os melhores possíveis.

Nagato: Tudo está resolvido, Minato. Nosso filho não vai ter o mesmo futuro.

Minato: Mas e os outros doncéis? Precisamos fazer algo, e logo! - Minato jogou o jornal na lareira, e Naruto pôde ver as folhas se dobrando e ficando negras ao serem queimadas.

Nagato: Primeiro o nosso filho, depois nós arranjaremos um jeito de mostrar que vocês não são nem aberrações, e muito menos demônios.

Minato: Mas precisamos falar para Naruto da nova lei. Ele não pode saber no dia da cerimônia, pô! - Minato franziu o cenho, e apontou o dedo, em riste, para o rosto de Nagato – Vamos falar com ele hoje mesmo! Estivemos planejando no escuro faz muito tempo, e foi patético o jeito em que fizemos ele conhecer o prometido dele – Minato voltou a olhar para a lareira.

Naruto arregalou os olhos. Prometido? Naruto não tinha nem ao menos notado que havia conhecido esse tal 'prometido' seu. Depois de limpar as lágrimas, e fazer um rápido sinal da cruz, pedindo em silêncio pela alma do doncel queimado, e pelas almas de todos os que haviam sofrido o mesmo destino, Naruto encaminhou-se para a sala, sendo visto pelos pais.

Minato: Você estava aí, Naruto? - Minato tremeu, visivelmente assustado.

Naruto: Sim, e ouvi tudo. Que lei é essa? Quem é esse prometido aí? - Naruto olhou de um para outro, sentindo-se traído de ter a verdade ocultada de si à bastante tempo, pelo que os dois falaram.

Nagato: Você tem que entender que... - Nagato foi brutalmente interrompido por Naruto.

Naruto: Não tenho que entender nada! Eu não sou mais um pirralho de 5 anos, então eu quero a verdade! - Naruto silvou, como uma cobra pronta para dar o bote.

Nagato: Sente – o Fuuma não mencionou a insolência do filho, como se desse razão à alteração de humor dele. Na verdade, Nagato esperava uma reação muito pior, e estava contente de que o filho somente levantasse a voz em alguns decibéis.

Minato: Bem, Naruto, você deve saber que nós doncéis somos considerados aberrações.

Nagato: E como o mundo atual é patriarcal, maioria considera os doncéis como homens, que têm um sistema reprodutor feminino dentro de si. Ovários, útero, trompas... Até hormônios como estrogênio e progesterona, típicos femininos. Claro, não lhes falta a testosterona, a próstata, os canais deferentes, etc. Mas eles somente têm o órgão externo masculino, e não o feminino. Com pênis, sem vagina. A fecundação de doncéis acontece com um canal, que é localizado ligado ao canal anal, bem perto do aparelho reprodutor masculino. Na verdade, os dois aparelhos reprodutores são quase que enroscados um no outro. O feminino localiza-se mais acima, enquanto o masculino fica mais abaixo. Mas os dois aparelhos ficam quase colados, como o coração e os pulmões. Os cientistas acham quase absurdo, e até milagroso, que os hormônios ajam com tanta harmonia dentro do corpo dos doncéis. Por causa do órgão masculino externo ser visível nos doncéis, é que tem essa palhaçada de ser homem e não mulher. Na verdade, não é nem um, nem outro. É um ser andrógeno. Homem e mulher, vivendo em harmonia dentro de um só ser. Para mim, é o ser mais perfeito da criação – Nagato sorriu amorosamente para Minato, que corou e sorriu, envergonhado. Naruto sentiu, fugazmente, uma lembrança de um menino falando sobre certa Mona Lisa, e sobre a androginia escondida nela, além de outros assuntos, que o pequeno Naruto achou fabuloso na época. Naruto sacudiu a cabeça, afastando esses pensamentos e se focalizando no que interessava naquele momento.

Naruto: Se vocês não notaram, eu já sei das partes técnicas, já que eu estudei sobre isso, e também sou um doncel – Naruto bufou, irritado.

Nagato: Durante a puberdade, os espermatozóides e óvulos atingem o estado de amadurecimento. Nos doncéis, pode-se engravidar uma mulher, ou ficar grávido como se fosse uma. Existem muitos doncéis que fingem que são homens, mas acabam por não poder esconder da companheira quando menstruam. Muitos doncéis são casados com mulheres, e vivem como homens normais. Outros, vestem-se como mulheres e fingem não ser doncéis, o que é muito mais difícil do que fingir ser homem, já que é óbvio que é um doncel. Outros casam com homens, o nosso caso. Um doncel pode casar com quem quiser, homem, mulher ou doncel, e pode procriar do jeito que quiser. Muitos gostariam de ser doncéis, principalmente gays e lésbicas, mas os doncéis em si odeiam ser o que são. A descoberta da existência dos doncéis é recente, e apavora as pessoas, principalmente os homofóbicos.

Minato: A igreja, esperta demais, ou confusa demais, resolveu dar uma cartada que se tornou o pesadelos dos doncéis, e a volta da estruturação e do poderio da igreja.

Nagato: Provavelmente os cardeais, padres, bispos, e até o próprio Papa, estão confusos e acham que estão fazendo o melhor. A igreja disse que os doncéis são uma ameaça à Deus, o que os denominam como servos do Mal, se é que me entende. Coisa de Inquisição, sabe. E eles acolheram os aflitos, e propulsaram uma 'caça às bruxas' em torno dos doncéis. Você tinha apenas 5 anos quando isso aconteceu. Depois disso, a igreja caiu em conta do seu erro. Acho que os padres não estavam realmente mal intencionados. Eles somente queriam tentar achar uma resposta. Eles se arrependeram do que fizeram, ao ver mais e mais doncéis queimando em fogueiras, armadas em praças públicas, sendo apedrejados e chutados até a morte.

Minato: Um dos doncéis hostilizados ficou célebre ao conquistar vários para a nossa causa à favor dos doncéis. Ele iria ser apredejado, mas respondeu da maneira que nenhum esperava.

Nagato: 'Quem nunca pecou, que atire a primeira pedra'.

Minato: E um dos manifestantes atirou uma pedra, mas os outros não o seguiram, esperando que o doncel falasse.

Nagato: E ele falou.

Minato: 'Mentiroso. Segundo sua igreja, todos nós nascemos pecadores, porque fomos concebidos por um pecado. O sexo que nossos pais fizeram, que muitos, envergonhados em proferir estas palavras, chamam de 'fazer amor', não é considerado como um ato de amor, e sim um ato pecaminoso. Vossa igreja acredita que amar alguém, e unir seu corpo ao dela para mostrar esse amor, é um ato de pecado. Vocês são tão pecaminosos quanto eu. Todos nós fomos trevas, e, depois de Cristo, viramos luz. Mas vocês lembram o que Cristo disse a nós? Amem uns aos outros, como amam a si mesmos, e como amam a mim. Não lembro exatamente, com as mesmas palavras, o que ele disse, mas ele ficou sua vida inteira ensinando como fazer verdade estas simples palavras. E o que o povo fez? Crucificaram-no. Por quê? Até hoje não entendem isto. Crucificaram-no por dois crimes. O primeiro, foi por ser diferente. Quantos de vocês acham um absurdo ser julgado pela cor? Quantos acham um absurdo ser julgado por uma doença? Quantos acham absurdo ser julgado pela condição sexual, ou social? Quantos acham absurdo ser julgado pelas idéias, ou pelos pais, ou pela criação que tivemos? Isto tudo, coisas das quais os outros nos julgam, não estão ao nosso alcance interferir ou mudar. Somos o que somos. Homem, mulher ou doncel, somos seres humanos. Não somos vindos do inferno, porque nascemos de um ato de amor, assim como Jesus nos amou. E esse foi o segundo erro de Cristo. O segundo pecado, pelo qual ele pagou com a própria vida. Amar demais. Ele nos amou, e não teve medo da morte. Na verdade, morreu de bom grado. E eu, aqui, morro de bom grado também, se puder mudar, nem que seja em alguns de vocês, a idéia que vocês têm em mente sobre os doncéis. Nós escolhemos nascer do jeito em que nascemos? Não, esta é uma coisa que nenhum de nós pode escolher. Eu tenho a esperança de que, no futuro, as crianças, ao olharem seus livros de história, e verem o que está acontecendo hoje, achem um absurdo matar seres que são denominados filhos de Lúcifer, por amarem demais, e por serem diferentes. Assim como hoje achamos um absurdo o Cristo Jesus em que vocês, e eu mesmo, acreditamos, ter sido morto por amar demais e ser diferente. E eu me sinto orgulhoso, compartilhando o mesmo 'pecado' de meu Deus comigo. Ser diferente, e amar demais.'

Nagato: Mulheres, crianças e homens começaram a chorar depois daquele discurso. Depois que aquilo passou nos jornais, os casos de fogueira com doncéis diminuiu drasticamente. O doncel hostilizado viveu para contar a história, e mudou a vida de milhões de outros de seu sexo.

Minato: A igreja foi desmoralizada de maneira arrasadora.

Nagato: Recentemente, um doncel foi morto. Agora, quase sempre são os homofóbicos que fazem isto, além de alguns ramos da igreja.

Naruto: A igreja está envolvida nisto?! - Naruto se sobressaltou.

Nagato: Não a igreja em si. Na verdade, a igreja até que é bem pura nos dias de hoje, impressionante se for comparada com o passado da mesma.

Minato: A questão é: a igreja católica tem muitos braços, e um deles se chama Opus Dei.

Naruto: Obra de Deus?

Nagato: Afiado no latim, Naruto. A Opus Dei é uma prelazia do Vaticano, independente do próprio. Se você olhar o livro 'o caminho', vai ficar assustado.

Naruto: E esse livro é de que?

Minato: É como se fosse uma bíblia para os membros da Opus Dei. Maioria das pessoas lá de dentro podem estar sendo ameaçadas, coagidas, ou sofrendo doutrinação quase parelha com lavagem cerebral.

Nagato: O interessante do livro é a doutrinação sobre a dor. Eles acham que devemos, caso queiramos, infligirmos dor em nós mesmos, para assim, chegarmos mais perto de Cristo.

Minato: Nunca vi Jesus dizer que a dor é boa.

Nagato: O caso é que a Opus Dei cresceu de maneira rápida, e tem muitos membros. Esta prelazia é perigosa, já que está envolvida com a moralização do mundo. Voltar a regra da mulher cuidando dos filhos no fogão e do marido saindo pra trabalhar.

Minato: Ou seja, mulheres de capacho, homens no topo. Doncéis mortos ou presos.

Nagato: Acham que as mulheres devem sofrer mais que os homens, porque elas devem pagar pelo pecado original. E os doncéis devem sofrer mais, porque são aberrações, não estavam no plano de Deus. Homens idiotas, acham que podem dizer o que Deus quer!

Minato: E um dos pagamentos pelo pecado original, que até hoje as mulheres pagam por causa de Eva, é a dor do parto.

Nagato: Os doncéis são considerados um pecado, e também uma tentação, e esse é um dos argumentos do porquê dos doncéis terem que pagar na dor do parto o fato de serem um 'fruto proibido'.

Minato: Alguns chamam os doncéis de As Maçãs, a tentação feita carne.

Nagato: E ainda teve um doncel que, ao ser queimado, gritou como suas últimas palavras 'Perdoai eles, ó Senhor, porque eles não sabem o que fazem'. Isso também calou fundo nos anti-doncéis. Agora, eles vêem suas vítimas como se fossem ramificações de Jesus, porque os doncéis são anormalmente piedosos e calmos, a calma que os fiéis vêem em Deus. E por isso, toda essa violência diminuiu, mas ainda estamos em eras conturbadas.

Minato: A igreja não poderia voltar atrás e dizer que os doncéis não eram filhos do Mal. E os doncéis se mostravam cada vez mais católicos e extremamente religiosos. Eles diziam que não eram filhos do Mal, que eram, como todos, filhos de Deus.

Nagato: Mas a igreja resolveu 'absolver' os doncéis, e deixar seu julgamento à Deus.

Minato: Claramente, eles não queriam mais fazer merda.

Nagato: E os da igreja conseguiram algo inesperado e completamente ardiloso: todo doncel que cumprisse a maioridade teria que se casar, para constituir família e seguir as regras de Deus. Seja com homem ou mulher. Nessa parte até eu me surpreendi, vendo que os padres não eram bobos. Os doncéis não são nem homens, nem mulheres. São doncéis. E os governos aceitaram a proposta, porque assim teriam o número total de doncéis, registrados nas certidões de casamento. O casamento de doncéis não pode ser desmanchado, a não ser que o marido ou esposa acuse o doncel de magia negra ou maquinação com o Mal – Naruto sentiu um frio na barriga – aí o marido ou esposa fica como se fosse solteiro, e o doncel morre sem sequer julgamento. Isso é para que as autoridades possam controlar o número dos doncéis maiores de 18 anos com perfeição, porque um doncel não casará duas vezes. Todo e qualquer doncel que não casar até cumprir dezoito anos será considerado herege, e violador das leis de Deus, e será queimado na fogueira. O objetivo da igreja é institucionalizar e valorizar ainda mais a igreja. Além disso, depois dos fiéis ficarem desacreditados da 'causa', eles tinham que fazer alguma coisa pra calar a boca dos desacreditados e valorizar mais a igreja. Agora, eles se acham os senhores do mundo, os julgadores da veracidade da bondade dos doncéis. Alguns doncéis, que não são católicos, ou que foram imprudentes, ou que acreditam no amor acima de tudo, e não encontraram quem amar, acabaram queimados ou guilhotinados.

Minato: Por isso, já te arranjamos um prometido.

Naruto: Quantos anos eu tinha quando essa lei ridícula entrou em vigor?

Minato: Quase 8.

Naruto: E vocês nem ao menos mencionaram isso?! - Naruto se enfureceu, olhando de um para o outro.

Nagato: Você era apenas um menino!

Naruto: E agora sou um homem. Ou melhor, um doncel. Eu vou embora, refrescar as idéias, pra pensar melhor – Naruto saiu pela porta, ouvindo, ao longe dois gritos.

Minato: Naruto!! Onde você vai?!

Nagato: Deixa ele, Minato! Ele vai voltar...

Naruto saiu do hotel onde estavam hospedados, e mal sabia onde ir, mas sabia que queria, por enquanto, ficar bem longe dos pais.

E ali estava o loiro, andando por uma cidade que só conhecia por fotos, andando pelos lugares mais sujos e escondidos de Paris. O loiro, em uma decisão um tanto estranha e impulsiva, escalou uma das árvores, chegando ao cume depois de alguns minutos. Olhou os pontos brilhosos que indicavam as partes mais movimentadas de Paris, e os monumentos. Ao ver um monumento em forma de ferradura, ao longe, com uma pirâmide de vidro e chafarizes iluminados por luzes tremeluzentes, resolveu a que lugar deveria se dirigir.

Andando rapidamente, olhando para todos os lados, Naruto chegou a frente do Museu do Louvre. Fazia anos que não via aquele museu, pelo menos não pessoalmente. O horário de visitas havia acabado a tempos, mas isso não significava que o loiro não tentaria entrar e localizar uma pessoa que não via a anos. Naruto olhou a entrada do Louvre fechada, e inspirou profundamente. Dando uma volta pela fachada em forma de ferradura, Naruto achou um segurança que o olhou com censura. Em francês, o guarda lhe perguntou:

Guarda: O que você faz aqui? - Naruto resolveu responder em francês também.

Naruto: Procuro Uchiha Itachi, você sabe se ele está lá dentro? - o loiro tinha quase certeza que Itachi não estaria, e, quando o guarda ia responder, de maneira ríspida, um homem o interrompeu.

-Calma aí, Carrow. Itachi sabia que o garoto viria. O garoto vem comigo – o tal Carrow suspirou, e se afastou dos dois. Naruto sorriu, e se virou para o homem – Olá, meu nome é Kakashi.

Naruto: Meu nome é... Naruto... - o loiro olhou com atenção para o outro homem.

O homem de olhar bondoso era um tanto quanto peculiar nas vestimentas. Usava roupas típicas inglesas, com um sobretudo por cima. Todas as vestimentas eram negras, assim como as botas. Sob a camisa, uma máscara aparecia da gola da camisa até o rosto, tampando-o até o nariz. O homem usava uma boina francesa, também negra, que cobria o olho esquerdo. O olho direito o olhava com aparente desinteresse. Um livro repousava na mão direita do homem, e Naruto percebeu que livro era só de olhar para a capa e a intitulação 'Icha Icha Paradise'.

Naruto: O LIVRO PERVERTIDO DO ERO-SANNIN!! - Naruto apontou para o livro, como se fosse um fantasma.

Kakashi: Ero-sannin? - o homem olhou para Naruto como se o loiro tivesse acabado de botar um ovo – Bem, você me conta isso no caminho, não é? - Kakashi sorriu e deu as costas para Naruto, guiando-o para a pirâmide de vidro. Quando chegaram nela, Kakashi abriu o portal para o saguão subterrâneo do Louvre.

Naruto: É que o Ero-sannin que escreve essas coisas pervertidas! - Naruto apontou novamente para o livro – A obaa-chan que diz isso, hunf! - Naruto olhou para o livro, franzindo o cenho. Pela expressão, parecia que esperava que o livro tomasse vida, que suas folhas formassem um casal fazendo coisas pervertidas a sua frente. Talvez esperasse algo pior.

Kakashi: Eu não entendi o 'sannin', e o 'ero' também – Kakashi rolou os olhos – E o obaa-chan, agregando agora.

Naruto: Hehe! Eu tinha esquecido que estava na França. São palavras japonesas. 'ero' é pervertido, 'obaa-chan' é vovó, com certa entonação carinhosa, e sannin vem de duas palavras, 'san' e 'nin'. 'San' é três, e 'nin' é ninja! - na escuridão do saguão, um pessoa observava a cena, e sorria. Logo depois, saiu correndo, fazendo o menor barulho possível, tanto que os dois observados não perceberam sua presença.

Kakashi: Três ninjas pervertidos? - Kakashi arqueou as sobrancelhas.

Naruto: Não! Ero é referido só ao Jiraya. Sannin é o trio do qual o Jiraya faz parte – Naruto fechou os olhos momentaneamente, e assentiu com força, dando convicção a suas palavras.

Kakashi: Trio? - Kakashi estava cada vez mais enrolado em entender o japonês de Naruto e suas explicações estranhas.

Naruto: Os três ninjas, Tsunade, a obaa-chan, Jiraya, o ero-sannin, e Orochimaru, o Orochi.

Kakashi: Orochi?

Naruto: Cobra, em japonês.

Kakashi: E por que ninjas?

Naruto: Porque eles eram ninjas' ttebayo! - Naruto exclamou, e deu um pequeno pulinho. Andando pelas luzes vermelhas tremeluzentes, ele nem notava pra que lugar se dirigia.

Kakashi: Ninjas? Que eu saiba, os ninjas não existem faz tempo, pelo menos não do jeito de antes.

Naruto: Mas eles abriram uma espécie de academia, para reavivar a cultura ninja no Japão, e também tem filial na China! Na filial da China trabalham Shisune, Kabuto e meu pai... Meu pai doncel... - Naruto baixou a cabeça, como que esperando algum gesto de violência, o que não ocorreu.

Kakashi: Conte mais! - o outro percebeu o quanto Naruto ficou nervoso, por isso resolveu mostrar, mesmo que indiretamente, que não se importava pelo fato dele ser doncel.

Naruto: Sabe, meu pai, mesmo sendo doncel, é muito bom! Ele dá uma surra em qualquer um! Ele dá uma surra até nos meus avós!

Kakashi: E quem são seus avós? - Kakashi conhecia o garoto, sabia quem era, mas queria que o menino se sentisse à vontade com ele.

Naruto: O Jiraya e a Tsunade, mas o Orochimaru é como um vô puxado também! - Naruto sorriu.

Kakashi: Como assim? Os dois dividem a mesma mulher? Então você pode ser neto do tal Orochi também...

Naruto: Aí é que tá! O ero-sannin não divide a Tsunade com o Orochimaru, e sim pega os dois! O Orochimaru e a Tsunade dividem o ero-sannin dattebayo! - Naruto riu, dando pulinhos, como uma criança se divertindo às custas dos outros.

Kakashi: Ah... - dessa Kakashi não sabia. Então o escritor do Icha Icha Paradise era meio yaoi? Como se Kakashi realmente se importasse... Desde que continuasse a fazer livros do jeito que fazia, podia pegar quem quisesse, até resfriado – Chegamos.

Foi com certa surpresa que Naruto se viu novamente na Salle des États. Anos separavam a última visita de Naruto àquele lugar do presente, mas Naruto ainda podia ver o pequeno Naruto olhando curioso para a ambígua Mona Lisa, tentando procurar algo de especial nela, antes de que um garoto lhe explicasse com detalhes o porquê da Mona Lisa ser assim tão misteriosa. Sob o quadro da 'mulher' pintada por Leonardo da Vinci, luzes vermelhas piscavam, dando um ar misterioso ao lugar. Sob todos os quadros essa luz estava presente. Com a ajuda desses pequenos faróis, Naruto pôde ver alguém sentado no divã octogonal, de frente para a Mona Lisa.

Naruto: I.. Itachi? - o loiro perguntou para o nada, esperando que alguém lhe respondesse.

A pessoa sentada no divã ergueu o braço, e a luz carmim iluminou fracamente o braço alvo-avermelhado. Naruto seguiu para onde o ser estava sentado, e se sentou perto dele. O sentimento de apreensão e suspense encheu o ar. Mesmo perto, Naruto ainda não podia ver claramente o outro, já que este usava um chapéu inglês, de cor preta. O homem tirou o chapéu, mas a penumbra não ajudava Naruto, que nunca teve boa visão no escuro. Repentinamente, o rosto o homem ficou de cor branco-perolado, sendo iluminado fortemente por algo embaixo do rosto do homem, que revelou ser Itachi. Itachi segurava uma lanterna na mão, direcionando sua luz para o próprio rosto.

Itachi: Olá – Itachi respondeu simplesmente, e, logo depois de olhar brevemente para Naruto, voltou a olhar para a Mona Lisa.

Naruto: Er... Como você sabia que eu viria aqui? - Naruto se aproximou de Itachi, que agora apontou o foco da lanterna para o rosto de Naruto, que semicerrou os olhos. Itachi passou a observar Naruto de esguelha.

Itachi: Só sabia.

Naruto: Er... Você tá diferente... - Naruto sabia que a pergunta era estúpida, já que se passaram 9 anos desde a última vez que viu o primo, mas a mudança de humor dele era simplesmente... enervante.

Itachi: Acho que deveria estar diferente. Afinal, passaram-se 9 anos.

Os dois caíram num silêncio incômodo.

Naruto: Eu chorei quando nós tivemos que ir embora, e você não foi me visitar. Eu fiquei esperando a madrugada inteira daquele dia você aparecer – Naruto confessou, mordendo o lábio inferior. Aquilo, Naruto tinha certeza, não teria importância para Itachi. Afinal, um garoto 5 anos mais velho nem se importaria com o que seu priminho chorão estaria fazendo, não?

Itachi: Sinto muito – Naruto olhou para o primo, que agora apontava o feixe de luz para a Mona Lisa.

Naruto viu com horror o vidro que protegia a Mona Lisa quebrado, pedaços cintilando no chão contra as luzes vermelha e branca. Mas o que chamou a atenção do loiro nem foi o vidro, e sim o quadro. Estava rasgado à facadas em algumas partes, e rabiscado em outras com símbolos desrespeitosos a qualquer ser que tinha um pouco de inteligência e conhecimento histórico. O pior do quadro era que, sobre toda aquela pixação, estava escrito com tinta de pichar, com letras garrafas, bem sobre o quadro: 'Filhos de Lúcifer, 'Da Vinci' do presente, voltem de onde vieram, o inferno!'. Algo a se notar era que as palavras não estavam escritas em francês, e sim em inglês.

Itachi: Tiveram o trabalho de traduzir para o inglês para que todos os povos entendessem a mensagem, sem uma necessidade gritante de tradução. Descerebrados, não sabem o que fazem. Certamente ouviram alguma palestra minha sobre a Mona Lisa e sua androginia, e ficaram furiosos por eu defender os doncéis com tanto afinco. Provavelmente o ''Da Vinci' do presente' se refere a mim. Pobres de espírito – Itachi fechou os olhos, com cansaço.

Naruto: Como... COMO ELES FAZEM ALGO ASSIM COM A MAIOR OBRA DE ARTE DE TODOS OS TEMPOS?! - Naruto se levantou abruptamente, e correu até a obra. Tocou-a, como se tocasse alguém doente – Como?! - Naruto correu até Itachi, e o segurou pela gola da camisa, fúria aparecendo em seus olhos celestes.

Itachi: Hun... Não era tããão importante assim, sabe... - Itachi deu de ombros, como se o esfaqueamento e pixação da Mona Lisa não fosse nada.

Naruto: O QUE VOCÊ DISSE?! - Naruto ergueu um punho, pronto para socar o curador do Louvre dentro do Museu que o próprio administrava.

Itachi: Naruto, olhe para a pintura.

Naruto, a contragosto, olhou para a Mona Lisa. Analisou a pintura por algum tempo, tentando achar alguma diferença, como se não fosse a original. Androginia, OK. Aparência, OK. Coloração do fundo, OK. Linha do horizonte... Não OK. O loiro notou o que Itachi queria dizer. Naquela pintura tão maltratada, o lado direito da pintura é que era menor, fazendo a ilusão de que o lado masculino, o direito, fosse o lado em que a Mona Lisa fosse vista maior. E outro detalhe: a técnica sfumato daquela pintura não era tão boa quanto o jeito de Da Vinci.

Naruto: Não é a verdadeira. É vista maior do lado masculino. Na verdadeira, era do lado feminino – o loiro sentenciou, como se o que dissesse fosse uma verdade absoluta.

Itachi: Verdade. Somente alguém observador veria esse detalhe. Eu troquei a tela verdadeira por uma falsa.

Naruto: E por que colocou justo o lado direito mais baixo? - Naruto parou de olhar a tela, e voltou a olhar para Itachi, sentando-se ao lado de seu primo.

Itachi: Sei lá. Talvez eu quisesse ver quantas pessoas que passam por aqui que realmente entendem de pintura.

Naruto: Alguém entendeu?

Itachi: Nem os depredadores dela. Eles fizeram esse ato de vandalismo somente para se vingar de mim, e olha que eu nem fiz mal pra eles! - Itachi olhou para Naruto, e sorriu docemente, aproximando-se perigosamente do loiro – É um bálsamo para meus ouvidos poder escutar o seu timbre de voz novamente, Naru-kun – Naruto corou com a proximidade do primo, mas logo Itachi se afastou, e voltou a olhar para a pintura depredada, mas não tirou o sorriso do rosto – Eu estava ajudando na excursão de um grupo de turistas um tanto importantes, e eu vi o ódio de dois irmãos ao me olharem falar sobre os direitos dos doncéis, usando a Mona Lisa como parte do fundamento, e logo esquecendo dela depois. Eu sabia que eles tentariam algo. Portanto, mandei que os guardas se escondessem e deixassem os garotos entrarem. Previamente troquei as pinturas, e deixei que depredassem a Mona Lisa falsa. Pena, paguei uma nota para a falsificarem – Naruto riu baixinho – E eu vou deixar essa 'linda' obra de arte exposta, para mostrar aos turistas o quão descerebrados podem ser os anti-doncéis. Os idiotas pichadores nem notaram que estavam me ajudando e dando mais argumentos a mim para lutar pelos doncéis.

Naruto: Você tem algum doncel na família? Além do meu pai, claro...

Itachi: Não, mas pretendo ter... - Itachi sorriu misteriosamente, e olhou para o loiro de maneira intensa – Sabe, estou cobiçando um faz muito, muuuuito tempo – Itachi sorriu, olhando de esguelha para Naruto.

Naruto: Ah... Você quer casar com um? - Naruto baixou a cabeça, desanimado – Acho que, com essa nova lei, você deve correr para que ninguém te ultrapasse na fila de candidatos para desposá-lo. Parece que os doncéis dependem do marido para não morrer, depois que se casam. Se o marido quiser, pode mandar queimarem o seu doncel, e fica solteiro para casar novamente. Então o doncel vai ser capaz de fazer tudo pelo marido, sob o perigo de ser enviado à fogueira.

Itachi: A última coisa que eu pensaria em fazer com quem cobiço seria mandá-lo para a fogueira, a guilhotina ou a forca. São tão antiquados esses métodos... - Itachi sorriu – De qualquer maneira, posso matá-lo eu mesmo caso me desobedeça, e depois eu alego que estava aterrorizado porque ele estava fazendo magia – Itachi riu ao ver o rosto horrorizado do loiro – É brincadeira. A última coisa que eu pensaria seria em matá-lo. E você não precisa se preocupar com a 'fila', porque eu já combinei o casamento com os pais dele, e logo ele cumpre 18 anos, então nos casamos antes. Mesmo se aparecerem outros candidatos, eu elimino-os.

Naruto: Ah... Felicidades... - Naruto falou com tristeza, que ele próprio não entendia porque possuía.

Itachi: Pra você também! - Itachi riu, e Naruto não entendeu.

Naruto: Hã...?

Itachi: Esquece. E o que traz meu adorável priminho para o Museu do Louvre a estas horas? É hora de criancinha estar dormindo! - Itachi sorriu, e Naruto bufou, lembrando muito aquele Naruto de 8 anos que, 9 anos atrás, estava sentado no mesmo lugar que o atual Naruto de 17 anos.

Naruto: Eu não sou mais criança! - o loiro mostrou a língua para Itachi.

Itachi: Não é o que parece, e quem mostra a língua pede beijo! - Itachi sorriu, e fez biquinho e fechou os olhos, como que esperando um selinho. Quando não recebeu, abriu os olhos e olhou Naruto com repreensão e leve divertimento – Vamos lá! Eu não tenho uma doença infecciosa que possa passar pra você pela boca! Bem, eu acho que não... - Itachi riu, e voltou a fechar os olhos e fazer biquinho.

Naruto sentiu o sangue se acumular em sua cabeça, fazendo seu rosto adquirir uma coloração escarlate, e fechou os olhos com força. Com rapidez, ele tocou os lábios de Itachi com os seus, e logo se separou.

Itachi: Viu, não te matou, não é? Mas você ainda não me contou o que faz aqui.

Naruto: Eu tava com saudade – Naruto, de certa forma, não estava mentindo. Mas aquela não era nem metade da verdade.

Itachi: Oh, fico tããão lisonjeado! - Itachi colocou uma mão na testa, e fez uma pose dramática, fazendo Naruto rir – Mas você não está me contando o motivo inteiro, não é? - Itachi parou com a palhaçada, e sorriu bondosamente para o loiro.

Com lágrimas nos olhos, Naruto se atirou sobre Itachi, fazendo os dois ficarem deitados no divã. Naruto não parava de chorar, e Itachi dava pequenas palmadinhas nos ombros do outro, abraçando levemente o primo pela cintura. Depois de alguns minutos, Naruto parou de chorar, mas não largou Itachi. O corpo do loiro ainda tremia, pequenos espasmos pós-choro.

Naruto: Maldita lei! Eu vou ter que casar com um prometido que arrumaram pra mim! E eu já vi esse tipo de cena em filme! O cara vai ser estúpido, gordo, feio, fedorento, entediante, idiota, burro e grosso! Vai me violar todo dia e me fazer de escravo, e pra que eu possa continuar vivendo, terei que trabalhar pra ele e fazer todos os seus caprichos! - Naruto agarrou-se em Itachi, que arregalou os olhos, e logo mordeu o lábio inferior, próximo de ter um infarto de tanto rir.

Itachi: "Geralmente as garotas não usam esses adjetivos pra me caracterizar..." Já passou pela sua pequena cabecinha que talvez seus pais tenham escolhido alguém bom pra você? Sei lá, alguém culto, inteligente, bonito, esperto, calmo, divertido, e meio magro, mas nem tanto – Itachi sorriu prepotente – Mas eu posso garantir que é limpo! - Itachi pontualizou com certa expressão de terror, e Naruto riu ao ver a expressão do Uchiha.

Naruto: Sei lá, é tão estranho casar com alguém que eu nem conheço... - o loiro olhou melancólico para a lanterna, que estava jogada no chão, iluminando com sua luz branco-perolada uma parede, entre duas obras de arte.

Itachi: E quem te disse que você não conhece? Os seus pais disseram isso? - Itachi sorriu ao ver o rosto pensativo de Naruto, e, logo, o ar de quem descobriu algo fundamental para o futuro da humanidade.

Naruto: Não! Eles disseram, justamente, que eu conhecia! Meu pai disse isso...

Itachi: E que pai foi? O doncel ou o meu tio de sangue? - Itachi olhou intensamente para Naruto, os olhos negros estudando cada mudança facial do garoto com extrema atenção.

Naruto: Sabia que eu não sei? - Naruto riu, e Itachi deu um meio sorriso, mas um sorriso sincero, ao ver o rosto do loiro, novamente alegre, como sempre deveria ser. Lutaria até o fim para manter aquele sorriso.

Itachi: Então o que está esperando para sair de cima de mim e correr até o hotel para pedir desculpas para seus pais e dizer que você foi um idiota insensível? Ora, eles queriam te proteger! E as coisas não são tããão ruins assim. O cara pode ser legal, não é? E se não for, eu mesmo parto a cara dele! - Itachi tentou animar Naruto, para que o loiro voltasse logo para casa, para seus pais.

Naruto: É isso aí'ttebayo! - Naruto deu um beijo na bochecha de Itachi, e saiu correndo. Quando chegou à porta, gritou – OBRIGADO, ITACHI-ONIICHAN! - o loiro saiu da sala, deixando Itachi sozinho, olhando para a parte iluminada da parede pela lanterna.

Itachi: Ah... Naruto... E nem percebeu as indiretas... - Itachi sorriu, e lembrou-se de um acontecimento, 9 anos atrás, que mudaria o seu futuro bruscamente.

Itachi, de 13 anos, acompanhava o pai para o parlamento inglês. Dentro do parlamento, ele avistou alguns de seus parentes mais importantes e influentes do Japão, França, Estados Unidos da América, e Inglaterra. Seu irmãozinho menor, Sasuke, segurava firmemente sua mão, com medo de tantas pessoas naquele enorme lugar. Todos estavam trajados com roupas formais. No lugar, havia dois andares. No primeiro andar se encontravam os parlamentares. O segundo andar tinha uma divisão no piso de parquê que permitia ver o andar inferior. As únicas partes que tinham piso no segundo andar eram as que estavam até 10 metros perto da parede esquerda, direita, e a da porta de entrada. Do outro lado da porta de entrada, no primeiro andar existia um palco, onde tinha uma bancada e algumas cadeiras, que serviam para os parlamentares mais destacados e o primeiro-ministro.

Itachi e Sasuke foram guiados por Fugaku e Mikoto para se sentarem na fila de cadeiras que ficava de frente para o palco, dando uma boa vista para eles. Fugaku, por um motivo incompreendido para Itachi, guardou duas cadeiras ao seu lado, como se esperasse alguém. De fato, o homem esperava certas visitas, que entraram com furor pela porta principal. Só aí que Itachi notou que a sala estava, no andar superior, apinhada de doncéis, e também de anti-doncéis.

Os homens que Fugaku tanto esperava foram reconhecidos imediatamente por Itachi. Ele vira uma foto dos dois na sala de estar de sua própria casa. Eram, segundo a informação de Itachi, Fuuma Nagato e seu consorte doncel, Fuuma Minato, de sobrenome anterior Namikaze.

Fugaku: Aqui! - o pai de Itachi levantou uma mão, e com a outra apontou os dois lugares vagos.

Minato: Que gentileza de sua parte guardar lugar para nós, Uchiha-san – Minato sorriu docemente para Fugaku, que não mostrou sentimentos.

Fugaku: É um prazer revê-los, meu irmão e seu adorável consorte – Fugaku respondeu formalmente, como se não estivesse falando com sua própria família.

Minato: Que gracinha de crianças. Qual é o nome deles? - Minato e Nagato se sentaram, e olharam para Sasuke e Itachi.

Sasuke: Eu não sou criança! - Sasuke fez bico.

Nagato: Então o que você é? Um ramster? - Mikoto riu, e Sasuke franziu o cenho.

Sasuke: Eu não! Eu sou um homem! - Sasuke virou o rosto.

Nagato: Oh! Achei que o homem da família fosse você, Fugaku – Nagato riu, e Fugaku olhou Sasuke com censura. O menor se encolheu na cadeira, e olhou com tristeza para o chão – Ei! Eu estava brincando, não precisa tratar o moleque assim.

Minato: E quem é o maiorzinho?

Itachi: Não fale comigo como se eu fosse um bebê.

Minato: Outro com complexo de grandeza... Acho que é mal de família – Minato e Mikoto sorriram.

Mikoto: Eu é que sei. Esse aí – Mikoto apontou um dedo para Fugaku – fica com essa cara de quem comeu e não gostou o tempo inteiro enquanto saímos, mas quando chegamos em casa se derrete e fica doce que nem chocolate! - Fugaku corou fugazmente com o comentário da própria esposa.

Minato: O Nagato perdeu essa mania de cara feia, mas ele continua azedo quando fala com gente meio 'importante', sabe. Diz que não pode mostrar falhas – Minato mostrou a língua para Nagato – Desde quando ser feliz é falha? - Minato sorriu, e Nagato corou.

Nagato: Você não entende porque é doce demais, Minato. Fique um dia com aqueles urubus do escritório que você vai ver como é. Eles vão comer as suas tripas fritas e preparadas ao molho madeira.

Minato: Você fica achando que pra ser ninja tem que só ficar batendo nos outros! Pra ser ninja tem que ter técnica, e tem muita gente que tem inveja de você e quer fazer você se ferrar.

Itachi: Ninja?

Minato: É! Eu sou um ninja! - Minato ergueu o punho para o alto, e uma pequena gota de suor desceu pelo rosto de Itachi, que olhava com ceticismo para Minato.

Nagato: E é verdade. Bem, na verdade ele é uma espécie de mistura de samurai com ninja. Um negócio bem estranho, em minha humilde opinião.

Minato: Que humilde o que! De humilde você não tem nada, senhor Fuuma Nagato! - Minato apontou um dedo para Nagato, rente ao nariz do Fuuma.

Fugaku: Parem com o escândalo, vai começar.

Todos se empertigaram nos assentos, para verem melhor o anúncio do parlamento inglês.

Primeiro-Ministro: Em nome da Inglaterra, monarquia parlamentar que faz parte da Europa e preza pelo bem da humanidade, em conjunto com todos os parlamentares e alguns órgãos...

Nagato: Leia-se Igreja – Nagato sussurrou para Itachi e Sasuke.

Primeiro-Ministro: Podemos tomar como um marco na história da humanidade o que acontecerá neste estabelecimento público. Conforme sabemos, os doncéis são assunto de controvérsias nos últimos 50 anos. Sua existência ou inexistência? Direitos para eles? Serão realmente humanos? Enquadram-se no estatuto universal dos direitos humanos? Em várias assembléias que decorreram por estes longos 50 anos, nós do parlamento inglês, em conjunto com o poder executivo, legislativo e judiciário de várias nações soberanas, criamos um estatuto de leis para os doncéis.

Todos aplaudiram, mas o ar na câmara ficou tenso. Esperavam saber algo das leis sobre doncéis.

Primeiro-Ministro: Sei que devem estar ansiosos para saberem as leis que entrarão em vigor em todos os Estados que aceitaram o referido estatuto. Portanto, fizemos uma cartilha com uma prévia sobre o assunto, que será distribuída por nossos funcionários na porta. Boa tarde para todos – o primeiro-ministro saiu do estabelecimento, suando frio. Itachi só naquele momento notou que o segundo andar estava cheio de repórteres e câmeras, filmando cada palavra que o primeiro-ministro dizia.

Com impressionante calma e tranquilidade todos se dirigiram para a porta, e cada um pegou uma das inúmeras cartilhas que estavam sendo distribuídas por funcionários. Os Fuuma e os Uchiha se dirigiram para o carro de Fugaku, e o patriarca da família disse para o motorista levá-los para a mansão dos Uchiha em Paris. Enquanto todos, dentro da limusine negra, liam a cartilha com a prévia do estatuto dos doncéis, as expressões dos rostos deles mudavam de leve apreensão para total fúria e indignação.

Nagato: Que absurdo é esse?! - o Fuuma jogou no chão a cartilha, e pisou encima.

Minato: Meu Deus... O que nós fizemos para merecer isso? - Minato tinha lágrimas nos olhos. Não estava chorando por si, e sim pelo seu filho.

Itachi: Artigo n° 1: Todo doncel, a partir da seguinte lei, deve casar-se antes dos 18 anos. Caso a devida norma não seja obedecida, o doncel em questão sofrerá grave punição como traidor da nação e dos princípios humanos.

Mikoto: Que horror!

Sasuke: Artigo n° 2: A partir de dada lei, todo doncel casado será impedido do direito de divórcio, assim como seu marido ou esposa. Esta lei somente será refutada caso haja grande necessidade da separação, e o motivo deverá passar por juizado.

Fugaku: Loucos! E provavelmente estão mentindo! O motivo não vai passar por juizado coisa nenhuma! - Fugaku amassou a cartilha, e a jogou no chão.

Itachi: Eu não quero mais ler, isso me dá enjôo.

Sasuke: Nossa, pobre dos doncéis.

Minato: Meu filho é um doncel! - Minato exclamou, horrorizado.

Nagato: Calma, Minato. Nós ainda temos 9 anos para arranjar um bom noivo ou uma boa noiva para o nosso filho.

Fugaku: Se quiserem, podem pegar um dos meus filhos. Assim, isso fica entre família- Fugaku disse como se isso não fosse nada.

Mikoto: Então, quantos anos ele tem?

Nagato: 8 anos.

Mikoto: Perfeito! A mesma idade do Sasuke! Então, o Sasuke e o Naruto se casam!

Sasuke olhou para a mãe como se, repentinamente, tivesse nascido outra cabeça do pescoço dela.

Minato: Perfeito! - Minato e Mikoto se abraçaram, e sorriram um para o outro, cúmplices.

Fugaku: Eu não acho o melhor...

Mikoto: O Fugaku e sua mania de me contradizer... - Mikoto olhou feio para o marido.

Fugaku: Eu só tenho alguém mais indicado para o cargo – Fugaku rolou os olhos.

Mikoto: E quem seria esse?

Fugaku: O Itachi, oras!

Itachi olhou para o pai de maneira ilegível.

Fugaku: Sasuke tem a mesma idade de Naruto, portanto, não terá autoridade sobre o doncel quando ele se rebelar contra o casamento arranjado. O Itachi é responsável, um gênio, e eu vou passar a minha faixa de curador do Louvre para ele na próxima semana.

Nagato: Eu concordo com o Fugaku.

Mikoto: Mas o Sasuke vai se entender melhor com o Naru-chan, os dois têm a mesma idade.

Minato: Sasuke e Naruto na cabeça! - Minato levantou os braços, e Mikoto e Nagato riram.

Fugaku: Então fazemos assim, Sasuke como titular, Itachi como reserva. Caso o Sasuke não queira, então decidimos pelo Itachi.

Minato: E se os dois se apaixonarem pelo meu adorável e fofo filhinho?

Mikoto: Daí a gente tira no par ou ímpar! - Mikoto riu.

Minato: Ou no palitinho!

Mikoto: Ou mandamos os dois para missões mortais, e o cavaleiro que voltar vivo irá desposar meu já proclamado genro!

Nagato: E se os dois morrerem?

Mikoto: Pena, daí eu vou gastar o dobro no funeral! - Mikoto e Minato riram como loucos, Sasuke e Itachi olharam pra eles com receio e se afastaram o mais que puderam.

Nagato: Ótimo, e quando os dois conhecerão seu amado futuro consorte?

Sasuke: Eu tô fora! - Sasuke gritou, como se daquilo dependesse sua futura integridade física.

Fugaku: Eu disse que ele não está preparado...

Mikoto: Cala a boca, Fug-chan – todos olharam para Fugaku, chocados pelo apelido. Mikoto riu e Fugaku corou – Ele sempre parece um tomatinho quando eu chamo ele de Fug-chan, dá vontade até de morder – Mikoto e Minato riram.

Minato: O Nagato também, né Na-chan? - desta vez, quem corou foi Nagato.

Itachi: Ok, parem com a idiotice. Quem é esse futuro consorte? - Itachi citou o tema em que todos antes estavam engajados, e alguns segundos se passaram, em silêncio.

Minato: É meu filho. Você viu o jeito em que vão tratar os doncéis. Ele é um doncel. Preciso achar um marido para ele.

Itachi: E quando poderá vir para nos ver?

Minato: Imediatamente. Eu só volto para casa, eu e Nagato damos uma desculpa na escola e trazemos ele para cá. Mentimos para ele também, já que não quero que meu pequeno saiba do futuro terrível que lhe aguarda.

Sasuke: Não quero conhecer esse dobe – Sasuke fez bico.

Itachi: Eu conheço ele, e depois falo com o Sasuke.

Minato: Ok.

Nagato: Então... Eu vou ter algo para resolver aqui, de extrema urgência. Digo na escola que tenho um tio morrendo, e o Naruto deve vir comigo para vermos ele vivo pela última vez – Nagato fez pose dramática, fazendo o doncel rir – E deixamos o Naruto no Louvre, com o Itachi.

Fugaku: Daqui a um mês, quando o Itachi já for o curador do Louvre.

Mikoto: Acho ainda isso muito precoce.

Fugaku: O Itachi é precoce.

Minato: Ótimo, então depois o Itachi fica de falar com o Sasuke sobre meu filho.

Todos: Ótimo.

Depois daquele retorno ao passado, mais uma lembrança apareceu na sua mente.

Itachi estava voltando do Museu do Louvre, e entrava em casa. Mal abriu a porta, já tinha Sasuke agarrado à sua cintura.

Sasuke: Ne ne nii-san, eu conheci uma menina tão linda! Eu vou namorar com ela! Ela é meio nervosa, e é alguns anos mais velha. O nome é Temari!- Sasuke riu, e Itachi olhou para seu irmãozinho com o cenho franzido.

Itachi: E o seu prometido?

Sasuke: Casa você com ele! E como ele é? - Itachi se desgrudou de Sasuke, e foi sentar no sofá. Quando ele estava de costas para Sasuke, sorriu maliciosamente.

Itachi: Horrível. Nunca vi um doncel mais feio. Ele tem cheiro ruim, se veste mal, é feio, burro, desajeitado, etc – Itachi sabia que seu irmãozinho não suportaria um noivo assim, e Sasuke nem sabia que Itachi estava mentindo descaradamente.

Sasuke: Que horror! Eu não vou casar com esse bicho papão! Prefiro casar com as meias do tio Kakashi, quando ele volta da aula de esgrima – Sasuke mostrou a língua, mostrando enojo.

Itachi: Eu também – Itachi mentiu, e sorriu internamente – Mas um de nós vai ter que casar com ele... Sabe, pelo meu irmãozinho eu faria tal sacrifício de dispensar as belíssimas meias sujas do Kakashi e ficar com o doncelzinho, mas você é o preferido e...

Sasuke: Deixa que eu convenço o papai! - Sasuke saiu correndo, e Itachi pegou o telefone sem fio do gancho, andando em direção ao escritório, onde estavam seu pai, sua mãe, e Sasuke – Papai! Eu não quero casar com o bicho papão!

Mikoto: Que bicho papão? De novo o Itachi assustando o Sasuke...

Fugaku: Refere-se ao seu prometido? - Fugaku sorriu.

Sasuke: Eu que não caso com ele! E o Itachi quer casar, então deixa ele ficar com o pirralho!

Mikoto: Ele tem a sua idade, Sasuke...

Fugaku: Ahhh... Tudo bem...

Sasuke: Yeeeeeeeeeah! - Sasuke saiu correndo, rindo infantilmente.

Mikoto: Como você fez isso, Fugaku?! Como aceitou o que o Sasuke disse?!

Fugaku: Com a boca, oras... - Mikoto ia tentar estrangular Fugaku quando Itachi interrompeu o 'lindo' casal.

Itachi: Eu ouvi a conversa. Posso ligar para o tio Nagato para avisar?

Fugaku: Pode.

Itachi saiu da sala, deixando que Mikoto voltasse a estrangular o próprio marido. Ao chegar na sala, sentou-se no sofá, pegou a agenda de telefones e procurou o do seu tio, do Japão. Discou o número e esperou algum tempo, logo sendo atendido.

Nagato: Moshi moshi?

Itachi: Yo, tio.

Nagato: Itachi! A que devo a honra?

Itachi: O Sasuke pulou fora. Eu sou o novo e oficial prometido do seu filho.

Nagato: Que bom! Era o que eu queria. Sei que meu filho estará bem nas suas mãos. Tchau, querido.

Itachi ouviu o som da ligação sendo encerrada, e pousou delicadamente o telefone no gancho de suporte.

Itachi: Sasuke é realmente, realmente idiota – Itachi sorriu. Oh, o futuro prometia.

Itachi sorriu. Parecia que aquele era um dia para relembrar.

oooooooooooooooo

Naruto ia em direção ao hotel onde seus pais estavam hospedados. Um sorriso melancólico brotou em sua face. Se fosse casar, queria que fosse com Itachi. Corou ao pensar em casar com o primo. Era incesto, ora!

ooooooooooooooooo

Dia da apresentação do casal para a sociedade. Naruto tentava se arrumar, já estava se cansando de seu pai doncel, que lhe dizia para trocar de roupa a cada 5 minutos. Para a festa de noivado, vieram até seus três avôs, do Japão. Tsunade ficou junto com os doncéis, para ver como seu neto se vestia, assim como Orochimaru. Jiraya ficou fazendo companhia para Nagato, que estava ficando mais que irritado com tamanha demora. Nem era o dia do casamento! Naruto tentava ao máximo adiar a data de partida, porque tinha a pequena esperança de que seus pais mudassem de idéia ou algo do tipo. Inevitavelmente, Naruto ficou pronto. Ele vestia uma camisa larga, que lhe dava um toque fofo, e uma calça um tanto justa nas coxas, delineando cada traço daquela parte do corpo do loiro. Por cima da camisa, vestia um colete, e um sobretudo sobre o conjunto. O colete, a calça e o sobretudo eram cor cinza-claro, a camisa era branca. Os sapatos de Naruto eram cinza também, e não eram feitos de couro, exigência do próprio loiro. Naruto tinha horror a matar algum tipo de animal se fosse somente para tirar a pele, e esse era o motivo de gostar de coisas feitas com lã de ovelha. As ovelhas não precisavam ser mortas para que a lã fosse tirada, e nem se machucavam muito.

Ao descer as escadas, Naruto viu seu avô e seu pai impressionados com o jeito que o loiro estava vestido.

Naruto: Que foi?

Nagato: Você está...

Jiraya: Lindo! Vou usar você como personagem do Icha Icha Paradise! - Jiraya riu, e levou um soco de Tsunade.

Tsunade: Nem pensar, Jiraya!

Orochimaru: Se você fizer isso, duvido que vá gostar do que faremos com você – Orochimaru sorriu maliciosamente, acompanhado de Tsunade. Jiraya tremeu.

Jiraya: Vo-Vocês ven-venceram...

Minato: Vamos logo – Minato rolou os olhos.

Minato usava uma blusa branca, com um cinto largo na cintura alta, puxando mais a blusa para cima. A calça era larga, e cinza-médio, assim como o colete. Levava um sobretudo cinza-escuro sobre o conjunto da obra.

Nagato, Orochimaru e Jiraya usavam smoking normais, negros, com exceção da camisa, que era, em Nagato, preta, em Orochimaru, verde-escuro, e em Jiraya, vermelho-escuro.

Tsunade usava um vestido longo e decotado, sem mangas e com luvas, e sapatos de salto alto e bico fino. Todas as peças que compunham o look de Tsunade eram de cor branca, e ela levava o cabelo preso em um coque alto.

Todos se dirigiram para a limusine de Nagato, e seguiram para a casa do noivo de Naruto. Olhando pela janela, Naruto podia ver pessoas pedindo esmola, outras passando por elas sem nem se importar, alguns namorando, outros oferecendo o próprio corpo em troca de dinheiro... Naruto mordeu o lábio inferior ao ver um beco cheio de mendigos, o que lhe apertou o coração.

Naruto: Papai... Por que o mundo é tão injusto? - Naruto não tirou os olhos da janela, mas sentiu como todos paravam com as conversas paralelas e olhavam para a janela – Enquanto eu estou aqui, sendo protegido e amado, aqueles ali, naquele beco, não têm quem os proteja – Orochimaru sentou-se ao lado de Naruto, e lhe abraçou.

Orochimaru: A vida não é justa, e muito menos o ser humano. Nós nascemos puros de coração, Naruto, mas somos viciados pelas expectativas dos outros e pelos ditames da própria sociedade. Ninguém vê além de si. Somos egoístas. Não naturalmente egoístas, e sim socialmente egoístas. Não queremos dividir.

Naruto: Eu quero!

Orochimaru: Porque você ainda não encarou o mundo, Naruto. Como você disse, você é protegido. Tanto que só soube o que aconteceria com você quando já estava quase na hora. Nós protegemos você, o mais que podemos. Mas as pessoas são sérias.

Naruto: Sérias? - Naruto sempre pensou que aquele fosse um adjetivo bom para caracterizar alguém.

Orochimaru: Existe uma disparidade enorme entre ser sério, e levar a vida a sério, Naruto. Homens sérios são o que? São aqueles que recebem as normas da sociedade, e respeitam à risca. Não mate, não roube, não corra com o carro a mais de 80 km/h, tome cuidado para morrer velhinho, faça o pré-escolar, mais 8 anos de ensino fundamental, 3 de ensino médio e mais a faculdade. Respeite seus pais e não conteste, eles estão sempre certos.

Naruto: Isso é ser sério?

Orochimaru: Homens sérios, em todo o mundo, são os respeitados. Eles ajudam o regime a se solidificar, e as massas a calarem a boca.

Naruto: Nossa...

Orochimaru: Na filosofia, a coisa complica. Você sabe o que é filosofia, Naruto?

Naruto: É um estudo sobre os filósofos antigos? Tipo, Platão?

Orochimaru: Ih, isso é bem mais. Filosofia vem de suas palavras gregas, uma é Filos, e outra é Sofia. Filos quer dizer amor, paixão, atração sexual, tesão, etc... e Sofia quer dizer sabedoria.

Naruto: Ou seja, amor pela sabedoria.

Orochimaru: Algo do tipo. Sabe, Filos pode ter muitas interpretações. Como, por exemplo, pedofilia. Mais duas palavras em grego, pedo e filos, que é o filia da frase. Pedo é criança, e filos, atração sexual, nesse caso. Então, atração sexual por criança. Pior que antigamente alguém pedófilo era considerado um benfeitor, porque ele era alguém que amava as crianças. Na verdade, nesta frase, o filia pode querer dizer amor. Antigamente um pedófilo era alguém que sentia muito amor por crianças, e era amado e respeitado por todos. Conforme os tempos passaram, a palavra foi distorcida e tomou este caráter pejorativo. Necrofilia é parecido, mas necro é cadáver, então, atração sexual por cadáveres, ou amor por um deles. Já filantropia muda um pouco. O fil é de filos, e o antropia vem de antropos, que é ser humano. Tipo, antropofagia, que é quem come carne humana. Então, filantropia, amor ao ser humano.

Naruto: Tá, e o objetivo da filosofia?

Orochimaru: Tá, por que a filosofia nasceu na Grécia? Como você viu, as palavras que compõem a própria filosofia são gregas. Ela nasceu na Grécia, porque a Grécia tinha duas religiões que contribuíram, uma com o pensamento, e outra por não atrapalhar. Sabe aquele negócio de Zeus, Atena, etc?

Naruto: Uhun.

Orochimaru: Essa é a Religião Pública, e eu ouvi falar de algo muito interessante sobre ela. Ela não têm dogmas.

Naruto: E o que é dogma? - Naruto se sentiu meio burro naquele momento. E notou, ao olhar de esguelha para os outros, que eles estavam ouvindo o que Orochimaru dizia, com a máxima atenção.

Orochimaru: Dogma é uma verdade absoluta da religião, Naruto. Por exemplo, a religião cristã. A verdade absoluta: Jesus é filho de Deus, e foi enviado dos céus para nos salvar. Quem não acredita nisso não é cristão.

Naruto: Ahh...

Orochimaru: E a Religião Pública não era assim. Tinha deuses, mas dizia: Acredite no que quiser, se quiser.

Naruto: E isso é religião?

Orochimaru: Sei lá. Essa religião não impedia a especulação filosófica, por isso deixou livre o pensamento. Você podia pensar o que quiser, e ninguém podia meter o bedelho.

Naruto: Legal.

Orochimaru: Mas a Religião Pública não era uma beleza não. Ao contrário do cristianismo, pregava o Naturalismo.

Naruto: Gostar da natureza?

Orochimaru: Não. Os deuses da Religião Pública eram mais poderosos que nós, mas tinham os mesmos sentimentos. Sentiam raiva, inveja, ódio, desejo de vingança, amor, apreensão, etc. Isso não acontece na religião católica, mesmo cristã ou judaica. Por sentir tudo o que os seres humanos, eles são chamados assim: 'Quantitativamente superiores, e qualitativamente iguais'. Eles tinham mais poder, mas em qualidade, iguais. E, por terem tantos defeitos quanto nós, não tinham moral nenhuma para dizer o que nós deveríamos fazer. Mas eles disseram que deveríamos seguir nossos instintos naturais. Daí o naturalismo, vem de seguir os instintos naturais. Na religião cristã, pede-se que lutemos contra estes instintos. Se alguém me bater, que eu mostre a outra face pronta para ser batida de novo. Na nossa sociedade, somos impregnados com o egocentrismo, e ele pedia que fôssemos humildes. A Religião Pública simplesmente dizia: 'Se alguém te bater, revide. Se alguém te ameaçar, e você tiver vontade de matá-lo, mate'. Os deuses faziam isso. Já viu a história de Hércules? A Hera, esposa de Zeus, perseguiu Hércules, tentando matá-lo, por muito tempo, irada por ter sido traída. Eles também eram antropomórficos, e essa e outra palavra grega. Antropos, ser humano. Morfos, forma. Ou seja, forma humana. Os deuses tinham forma humana, o que acentuava mais a idéia de igualdade de sentimentos. Era também hierofânica, o que maioria das religiões antigas eram. Hierofânica é a religião que aceita que todos os fenômenos naturais são manifestação divina. Se o mar se mexia muito, logo diziam: 'Posseidon está bravo, vamos fazer uma oferenda para que se acalme'. Portanto, sendo naturalista, a Religião Pública ajudou a filosofia, simplesmente não atrapalhando a manifestação do pensamento.

Naruto: E a religião em que nasceu o pensamento?

Orochimaru: Bom que está prestando atenção, meu caro. Essa é uma religião que poucos conhecem da Grécia. Parece que todo mundo prefere aquela religião que deixa você matar quem quiser. A religião que contribuiu com o pensamento era a dos mistérios. A Religião dos Mistérios tinha um ponto importantíssimo, e tinha dogmas. O maior ponto era: 'Reside no homem um demônio, unido ao corpo por uma culpa original' – Naruto olhou para todos, assustado.

Naruto: Eu tenho um demônio dentro de mim?!

Orochimaru: Não é isso. Esse 'demônio' vem do grego, e significa alma. Quando você topar com um demônio, pergunta se ele é grego ou latino. Se for latino, foge que nem louco, se for grego, pode relaxar – todos riram baixinho – Outro ponto importante era: 'Este demônio não morre com o corpo, mas deve reencarnar até expiar completamente a sua culpa'. Ele deve ficar no corpo, e reencarnar em vários corpos, até se livrar da culpa original, até a pagar.

Naruto: Então a vida é um castigo?

Orochimaru: Pra eles, sim. Depois, também dizem que se viver uma vida cheia de rituais de purificação, entre outras coisas, poderia acabar com o ciclo de reencarnações. E, caso consiga, após a morte alcançará a felicidade perfeita. Na Religião Pública, não tinha uma divisão de corpo e alma. E a religião encorajava a satisfação de qualquer desejo. Já a Religião dos Mistérios pregava a renúncia dos desejos, e uma visão dualista, de corpo e alma. Muitos tipos de ensinamentos, que geraram a filosofia, foram tirados da Religião dos Mistérios, até que a filosofia criasse pernas e andasse sozinha.

Naruto: E a filosofia nasceu na Grécia...

Orochimaru: Na verdade, não. A Grécia expandiu-se e teve colônias, e gregos foram aderidos a essas colônias. E os gregos das colônias começaram a influir no comércio entre a Grécia e as colônias. O comércio trouxe dinheiro, que foi utilizado em muitas coisas. Uma dessas coisas foi o conhecimento. Isso facilitou o crescimento da filosofia, e fez ela nascer, já que a Religião Pública não atrapalhava por não impedir a liberdade de expressão, e a dos Mistérios ajudava levemente. A filosofia nasceu nas colônias, e passou para a Grécia em si. Depois disso, foi abraçar o mundo.

Naruto: E ela era importante?

Orochimaru: Até a Idade Média, era essencial. Estudo era sinônimo de filosofia. De todas as matérias do mundo, a mais antiga é a filosofia, pelo meu ver. É que, antes da Idade Média, designava-se filosofia como todo conhecimento racional desenvolvido pelo homem. Ou seja, o que nós dizemos hoje 'Vou para a escola', é a mesma coisa que dizer na Grécia Antiga 'Vou pra aula de filosofia'. Antes da Idade Média, todas a matérias eram filosofia. Dentro da filosofia entravam matemática, física, astronomia, biologia, ética, etc. Todas as matérias que conhecemos, foram um dia filosofia. Depois, na Idade Média, uma matéria se desmembrou da filosofia. É a Teologia, ou, na tradução, 'o estudo de Deus'. Teo, deus, e logia é estudo. Por exemplo, biologia, é estudo da vida. Bios é vida.

Naruto: E como é que enrolaram tanto as coisas? Tudo era só uma matéria, agora é um monte!

Orochimaru: Anteriormente, tudo o que se precisava aprender se aprendia em filosofia. Na Idade Moderna que cortaram a filosofia e dividiram até separar em tantas matérias diferentes. Biologia, física, química, ciências biológicas, primeiros socorros, medicina, etc.

Naruto: Medicina? Então englobava também o ensino superior?

Orochimaru: Sim. Todo e qualquer conhecimento que tivesse sido elaborado pelo homem e pudesse ser passado adiante era ensinado em filosofia. De tanto extraírem coisas da filosofia, ela se restringiu a apenas algumas matérias. A busca da compreensão profunda de todos os seres. Sabe, não do que são constituídos, mas sim o que os faz andar, o que os impele a viver, qual é seu motor, etc. A reflexão sobre todos os conhecimentos desenvolvidos por todas as ciências, e aí entra a ética. A procura de respostas à finalidade, ao sentido e ao valor da vida e do mundo, ou seja, quem somos, porque estamos aqui, quem nos trouxe para cá, e muito mais, a vida tem valor, qual é o sentido da nossa vida, e muito mais. A filosofia tem uma parte muito importante nela: a ética. Por que os advogados têm que ser honestos e íntegros? Nas faculdades em que têm o curso de advocacia, esse curso tem que ter classe de ética. Assim como a medicina, e muitas outras matérias.

Naruto: E a filosofia é só isso?

Orochimaru: Digamos que muitos chamam a filosofia de ciência da destruição.

Naruto: Quê?

Orochimaru: É que um objetivo da filosofia é destruir o governo vigente, e as normas vigentes – Naruto olhou Orochimaru como se, repentinamente, ele tivesse adquiridos cachos, magicamente – Bem, deixa que eu explico. A filosofia é uma crítica contra tudo o que exista. Você deve se perguntar 'Mas se um governo é bom, pra quê destruir?'. Naruto, entenda que nada que saia das mãos do ser humano pode ser perfeito. Tudo está fadado a ter lacunas. A filosofia é um meio de crítica e pensamento. Na verdade, o pensamento atrás do pensamento, a pergunta da pergunta. Perguntar alguma coisa é algo normal, perguntar porque o ser humano pergunta é um ato filosófico. E quando você começa com pergunta atrás de pergunta, o círculo vicioso faz que você não pare.

Naruto: Não há uma resposta absoluta?

Orochimaru: Talvez, quem sabe. Eu sou cristão, Naruto. Acredito naquela célebre frase 'Há muito mais entre o céu e a terra do que sua vã filosofia pode imaginar'. Olha, chegamos! - Orochimaru apontou para a janela, e todos, que pareciam hipnotizados pelo momento de extremo pensamento filosófico, 'acordaram' do transe, olhando para a direção em que Orochimaru apontava, ou seja, a janela do carro.

Nunca sequer passou pela cabeça de Naruto que pudesse existir um lugar tão belo. Ele viu, ao longe, um castelo em estilo gótico, com pedras negras e mármore branca, contrastando de maneira bela, dando certa luminescência anormal ao local. O loiro viu, mesmo na noite, as begônias, flores-de-lis, rosas, petúnias, narcisas, copos-de-leite, violetas, entre outros lindos arranjos de flores, metodicamente colocados, com visível cuidado dispendido. E, certamente, aquela família não tinha somente um jardineiro, e sim muitos, porque os terrenos em volta do castelo eram enormes, e todos os mínimos detalhes muito bem feitos e cuidados. O loiro podia ver algumas plantas frutíferas, e outras com enormes copas, que dariam uma bela sombra nos dias de verão. Toda a divisa do castelo fora separada do exterior com um enorme muro, de cinco metros de altura, feito com pedras rústicas acizentadas. Naruto viu o enorme portão de entrada abrir, dando passo ao carro. Quando passou pelo portão, colocou a cabeça para fora da janela, e sentiu o vento bater em seu rosto, suavemente. Olhou para o portão, feito com aço negro, trabalhado com desenhos de lanças, círculos enroscados uns nos outros, entre outros arranjos. Mas Naruto prestou muito mais atenção no enorme 'U' no centro do portão, que se dividia em dois a cada vez que o portão se abria.

Naruto olhou para o lugar por onde o carro passava, e viu que a estrada era feita com pedras, meticulosamente encaixadas uma ao lado da outra, formando um caminho até a entrada do castelo. O loiro notou que haviam muitos carros por ali, e que o interior, iluminado, parecia abrigar uma festa. Voltou a olhar atentamente para o castelo, e viu que as partes de mármore eram esculturas finamente trabalhadas de pessoas, em tamanho natural, que pareciam estar observando quem chegava. Era uma fileira de pessoas de mármore, em tamanho natural, que estavam na fachada do castelo, na parte alta, sobre as janelas do quinto andar. Isto porque o castelo tinha seis andares. O sexto andar era composto por algumas janelas, que eram pausas entre as finas esculturas. Não parecia que alguém gostaria de viver naquele sexto andar, porque dava a impressão de que aquele andar, o sexto, fosse habitado pelas estranhas criaturas de mármore. Olhando mais detalhadamente, Naruto notou que cada uma das figuras levava junto a si um apetrecho de algum material valioso. Ouro, prata, bronze, diamantes, rubis, esmeraldas, e muitos outros. Todos vestiam roupas nobres, também de mármore, e pareciam fazer parte de um baile da mais alta nobreza da sociedade. Ao mesmo tempo, davam a impressão de lembrarem do passado, como se estivessem mortos, e dentro daquelas carapaças de mármore. O loiro notou que o sexto andar inteiro, ou as três paredes de fora dele, eram circundados por estes seres de pedra, porque notou dois outros homens, pertencentes às paredes dos lados, próximos ao primeiro e último seres da fachada frontal.

Voltando seus olhos para o primeiro andar, Naruto percebeu que o primeiro andar tinha o triplo de altura dos outros. A enorme porta de entrada para o interior do castelo era realmente enorme, mais ou menos do mesmo tamanho que a de entrada do terreno, ou seja, perto de seis metros de altura. O loiro se sentia pequeno diante de tal construção, que deveria levar uma enorme carga histórica. A porta de entrada era feita com madeira escura, e tinha um enorme 'U' entalhado nela, que se separava ao meio toda vez que se abria, como naquela ocasião. O loiro podia ver as duas partes do U, uma em cada parte da porta, que estavam fadadas a se unir novamente ao fechar da porta. O loiro notou o interior iluminado fortemente, e barulho de conversa vindo de dentro. Viu alguns homens e mulheres saindo do local, e notou que todos os homens estavam rigorosamente vestidos de preto, enquanto as mulheres estavam vestidas de branco. O estilo da roupa podia mudar, mas era sempre de caráter social, quase sempre vestidos longos brancos e smokings pretos. Naruto estranhou, mas notou que os que o acompanhavam no carro seguiam a mesma regra. Menos ele e seu pai doncel, que estavam de cinza. Naruto percebeu que o carro parou, e que seu pai, Nagato, abria a porta. Todos saíram do carro, e Naruto engoliu em seco. Era ali que tudo, ou melhorava, ou desandava de vez.

Nagato ofereceu um braço para Naruto, e outro para Minato. O loiro menor ficou no braço direito de Nagato, e Minato no esquerdo. Jiraya também ofereceu, e Tsunade ficou ao lado esquerdo, atrás de Minato, e Orochimaru ao lado esquerdo, atrás de Naruto. E Naruto lembrou fugazmente do direito masculino e esquerdo feminino, e notou que eles estavam seguindo tal critério. Quando chegaram em frente ao enorme portão, Naruto viu as pessoas dentro, conversando e rindo, e notou que todas as mulheres estavam de branco, e todos os homens de preto. Poucos outros estavam de cinza, e Naruto notou que todos eram doncéis. O loiro se assustou, e percebeu o que acontecia. Naquela festa, havia uma diferenciação de sexo por cor. Homens de preto, mulheres de branco e doncéis de cinza. Naruto, novamente, engoliu em seco. Pra que servia aquilo?

- Acredito que você seja o pequeno Naruto, não? - Naruto se virou bruscamente, e largou o braço de seu pai, olhando para o sujeito que estava atrás do grupo. Era um homem de idade em torno dos 30 anos, que tinha cabelo longo e negro, e um dos olhos, o esquerdo para ele, e direito para quem vê, estava tampado por sua longa franja. O outro olho, negro, o olhava com interesse.

Naruto: Eu sou Na-Naruto, s-sim... - o loiro ficou levemente aterrorizado. Aquele era seu prometido? O homem realmente não era feio, mas passava longe do que Naruto realmente desejava. Se bem que era bastante parecido com Itachi... Naruto balançou a cabeça, tentando esquecer do primo por um segundo.

Madara: Meu nome é Uchiha Madara, prazer em te reencontrar, Naru-chan. Faz uns bons 16 anos que eu não te vejo. Você era muito novo, nem se lembra de mim – Madara deu um meio sorriso – E hoje, quando te revejo, presencio o momento em que você terá um compromisso sério e irá futuramente se casar... Sasuke e Itachi devem estar felizes.

Naruto: Sasuke? - Naruto continuou nervoso, mas teve um breve alívio ao ver que Madara era somente seu tio.

Madara: Você não sabe quem é? É seu primo, irmão de Itachi e filho de Fugaku e Mikoto. Vai dizer que você também não conhece o Itachi? Está casando às cegas?

Naruto: Eu poderia dizer que agora um cego pode ver mais do que eu – Naruto olhou para as pedras sob seus pés, e corou de vergonha. Nem ao menos sabia da existência desse tal Sasuke. Será que era seu prometido?

Minato: Va-Vamos entrar? - Minato sorriu nervosamente.

Naruto: Hai – os Fuuma, Uchiha e Namikaze entraram no local.

A decoração era belíssima, e garçons passavam, entregando bebida e comida para os convidados. O salão estava apinhado de gente. Tudo parecia reluzir. As luzes que vinham do teto e do chão faziam com que o local parecesse brilhar mais ainda. O loiro podia ver, há uns três metros do chão, um corredor, grudado na parede, que circundava a parede direita, esquerda e oposta à porta de entrada, como se fosse uma espécie de segundo andar. Do corredor sobre o chão, grudado à parede, oposto à porta de entrada, saía uma linda escada com dois corrimões trabalhados minuciosamente. A escadaria era feita completamente de mármore branco. O chão era feito de mármore negro, contrastando com a escadaria e o piso do 'segundo andar', que eram brancos. No 'segundo andar, haviam três portas: uma que ficava de frente para a escada, e era feita de cristal, que levava para as escadarias que levariam para os outros andares. A da direita e da esquerda eram feitas de madeira escura, e aonde levavam era um mistério. No primeiro andar, sob o corredor suspenso haviam três portas, exatamente sob as do corredor. A da direita era enorme, e levava para a cozinha, de onde saíam e entravam a todo instante os garçons. A da esquerda era um mistério, assim como a sobre si. A que ficava escondida atrás da escada também era feita de cristal, e também levava para a escadaria.

Quando o grupo de Naruto chegou, acompanhado de Madara, a música, que era tocada por uma orquestra que estava perto da entrada da cozinha, parou, e todos pararam de conversar, olhando para Naruto. Naruto, pela terceira vez na noite, engoliu em seco, e percebeu que todos olhavam para si. E, por mais incrível que parecesse, todos pareciam maravilhados consigo, como se Naruto fosse uma verdadeira obra de arte andante. O loiro mordeu o lábio inferior, e viu Madara segurar sua mão de maneira firme, lhe passando segurança.

Madara: Peço, por gentileza, a atenção de todos. Este doncel, Uzumaki Naruto, é o futuro consorte de nosso tão amado anfitrião. Onde estão meus sobrinhos?

Itachi: Aqui, Madara! - todos voltaram seus olhos para o topo da escadaria, onde viram Itachi e Sasuke, imponentes como se fossem reis. Atrás deles, as portas de cristal estavam abertas, deixando a mostra uma parte da escadaria para os outros andares.

Sasuke: É um prazer recebê-los em nossa casa, para que presenciem uma parte importante da história da família Uchiha e Namikaze. Para aqueles que não me conhecem, e acho que são poucos, meu nome é Uchiha Sasuke, e este ao meu lado é meu irmão mais velho, Uchiha Itachi – o tal Sasuke descia as escadas, juntamente com seu irmão. Naruto tremeu ao ver que os dois Uchihas lhe olhavam com intensidade, e iam em direção a ele. Madara se adiantou, e levou Naruto para o centro do salão. Os dois irmãos não demoraram muito em lhes alcançar, e Sasuke colocou uma mão no queixo de Naruto, analizando o loiro – Itachi! Você não me disse que ele era tão belo! - Sasuke parecia genuinamente aborrecido, e Itachi sorriu brevemente. Naruto corou, e baixou a cabeça.

Itachi: E acha que eu te diria a parte mais interessante?

Sasuke: Eu nem acredito que eu...! Droga, você tinha visto ele por mim! Devia ter dito isto, eu teria...!

Naruto arregalou os olhos, e lembrou de tudo o que Itachi disse. Fazia sentindo o Uchiha falar de seu prometido com tanta convicção de que fosse bonito, entre outras qualidades. Era seu próprio irmão! Naruto teve vontade de se esconder em algum lugar bem isolado, para não ter que encarar Itachi. E seus pais tinham se enganado. Ele não tinha visto seu prometido. Seu prometido tinha mandado alguém para lhe avaliar. E pelo jeito, Itachi não tinha dito algo satisfatório.

Sasuke: Você disse que ele era horrível!

Itachi: Você ainda lembra disto? Tinha somente oito anos – Itachi mordeu o lábio inferior, tentado a rir, mas se segurando. Naruto entendeu. Ele também tinha oito anos quando conheceu Itachi. Provavelmente o encontro foi premeditado, com o intuito do moreno contar para Sasuke tudo sobre Naruto.

Sasuke: Bem, você ainda pode reparar seu erro, já que sou bondoso. Ele vai dançar comigo agora – Sasuke puxou o corpo de Naruto contra o seu, e o abraçou firmemente. Alguns soltaram exclamações abafadas, outros sorriram com a petulância do menor – Música, por favor – a orquestra voltou a tocar, enquanto Sasuke e Naruto se mexiam levemente pelo salão, logo sendo acompanhados por outros casais.

Itachi voltou para o pé da escadaria, e se escorou no corrimão, apenas analisando a cena. Sasuke, há muito tempo, tinha desistido de Temari. Claro, era apenas um amor infantil. Mas será que o menor dos Uchihas iria querer seu direito de desposar Naruto? Naquele momento, Itachi se lembrou de algo que disse para Naruto. Disse que eliminaria qualquer um que se interpusesse entre ele e seu consorte. Aquilo não estava nada longe de ser verdade.

Sasuke sorria prepotente enquanto escorregava as mãos mais para baixo da cintura do loiro. Naruto corou fugazmente, e começou a tremer. Olhou para os presentes, querendo encontrar seus pais, para, quem sabe, pedir socorro. Somente achou mulheres e homens cochichando, enquanto os doncéis o olhavam com algo de orgulho e respeito. O loiro colocou as mãos no peito de Sasuke, pronto para afastá-lo. Já fazia 10 minutos que dançavam, e era o suficiente para ele. Quando o loiro empurrou levemente Sasuke, ficou com o rosto de frente para o dele, a escassos centímetros. Uma mulher, de aproximadamente 20 anos, que dançava com seu par atrás de Sasuke, levantou o pé e empurrou o Uchiha para a frente, fazendo com que tropeçasse e quase caísse sobre Naruto. Os dois acabaram, por causa do tropeço, se beijando. A mulher sorriu maldosamente, e continuou dançando com seu par, até desaparecer entre a multidão.

Naruto arregalou os olhos, assim como todos os outros presentes, à exceção de Sasuke. O garoto o segurou firmemente pela cintura e o atraiu para mais perto, aprofundando o beijo. Naruto fechou os olhos, desesperado, e deixou que o Uchiha lhe beijasse. Teria que se acostumar, já que seria seu marido. O loiro estava tão nervoso que nem ouvia os cochichos, e o olhar psicopata de Itachi, ou o riso de Madara. Somente ouviu algo quando uma voz imperativa cortou o barulho.

Fugaku: Mas que cena estranha. Acho que o senhor Namikaze deveria estar beijando outra pessoa, ou errou de noivo? - Uchiha Fugaku e Uchiha Mikoto estavam no topo da escadaria, descendo, de mãos dadas. Sasuke se afastou de Naruto meio que à contragosto.

Sasuke: Papai, mamãe... - Sasuke grunhiu. Tinham estragado seu momento.

Mikoto: Ora, se não é meu belíssimo genro? Vai querer casar com meu adorável filhinho mais novo?

Naruto: Err... - o loiro estava nervoso, e confuso. Como assim, errou de noivo?

Mikoto: Naru-chan, você está bem? Está meio pálido, quer alguma coisa? - enquanto Mikoto falava, Madara tentava controlar o riso, e Itachi se aproximava de Naruto, logo o afastando do seu irmão mais novo.

Itachi: Deixe que eu cuido do meu noivo. E, Sasuke, por favor, vá arrumar um noivo pra você e pare de dar em cima do meu – Itachi usou um tom de falso aborrecimento, fazendo alguns rirem e Naruto ficar cada vez mais confuso.

Mas Naruto, ao juntar algumas coisas, finalmente entendeu o que acontecera. Seu noivo não era Sasuke, era Itachi! Por isso que Itachi tinha tanta certeza de que seu noivo seria limpo, e Itachi esteve aquele tempo todo se elogiando! Naruto realmente conhecera seu noivo, e o doncel de que Itachi falava era o próprio Naruto. Sasuke provavelmente, em algum momento, fora noivo do loiro, mas desistiu porque Itachi fez alguma coisa. Naruto casaria com o filho de Uchiha Fugaku e Uchiha Mikoto, mas não havia notado que Itachi também era filho dos dois. Ele não seria cunhado de Itachi, seria marido. E era por isso que Sasuke o pediu 'emprestado' para Itachi. Itachi era o anfitrião, e não Sasuke.

Com a cabeça rodando de tantos pensamentos, Naruto viu-se alheio ao mundo, e nem ao menos notou quando ele e Itachi começaram a dançar juntos. Nem notou quando os casais em volta voltaram a dançar, e Mikoto e Fugaku, assim como Nagato e Minato, se uniram ao baile. Sasuke estava escorado na escada, sem par. O loiro voltou à realidade ao sentir o hálito do moreno no seu pescoço, lhe arrepiando os pêlos da nuca.

Itachi: Eu achei que você descobriria antes, com tantas indiretas que eu soltei – Itachi segurou o loiro pela cintura, e o atraiu para mais perto, sorrindo satisfeito. Naruto corou, e colocou as mãos nos ombros do Uchiha, tentando se manter centrado na realidade.

Naruto: Eu sou lerdo, pelo menos é o que todo mundo diz. Você poderia ter sido direto comigo.

Itachi: Não teria graça. Madara certamente se divertiu muito com a sua cara – Itachi riu baixinho no ouvido do loiro, que corou mais ainda.

Naruto: Você não acha que está grudado demais? - o loiro tremeu levemente, e não era de frio.

Itachi: Somos noivos, Naruto-kun. Não venha dar uma de moça virgem e santa. Aliás, você é virgem? Quero saber com o que vou me deparar na noite de núpcias – Itachi sorriu maldosamente ao sentir o corpo do outro ter uma convulsão de medo. Logo após, Naruto se afastou abruptamente.

Naruto: Você não vai encostar um dedo em mim! - o loiro falou alto o suficiente para que muitos em volta ouvissem, e logo arregalou os olhos ao ter sido descoberto.

Itachi: Duh, eu sei que você deve estar nervoso com isso de ter filhos, mas não vai doer tanto assim no parto. Bem, eu acho que não... - Itachi sorriu – Gente, ele está com medo de engravidar e doer muito na hora do parto – Naruto olhou com incredulidade para Itachi. O Uchiha era um mentiroso de classe e de cara-de-pau – Juro que faço a gravidez e o parto valerem a pena com o que vou fazer para provocá-los – Itachi riu maldosamente, sendo acompanhado por muitos dos presentes – Agora deixa de frescura e vem aqui – o Uchiha puxou Naruto pelo braço, e o abraçou com força – Seja mais discreto se quer dar seus showzinhos de moça recatada e pura. Desse baile depende o seu futuro e a sua vida. Não quero decepcionar meus tios e meus pais, que me confiaram a missão de te proteger. Se você quiser, isso pode ser só um casamento de fachada. Você sai com quem quiser, e namora com quem quiser – Itachi puxou Naruto pela mão, o levando para a escadaria.

Sasuke: A virgenzinha já deu seu show? - Sasuke sorriu maldosamente – Cuidado com a boca, donzela.

Naruto: Cala a boca, teme!

Sasuke: Ih, a virgem tem boca suja. Olha que você tá comprando produto de segunda linha, Itachi.

Itachi: Cala a boca, irmãozinho tolo e inútil.

Sasuke: E os dois se merecem...

Itachi: Inveja por ser tão estúpido e dispensar ele?

Sasuke: A culpa foi sua – Sasuke olhou Itachi com raiva, e o Uchiha maior só atinou a rir.

Naruto: Podem me explicar? Aperta a tecla SAP, por gentileza.

(N/A: Caso tenha alguém que não saiba, a tecla SAP da televisão serve para pôr legenda nos programas ou filmes. Portanto, quando uma pessoa pede para outra 'apertar a tecla SAP', quer dizer que ela não entendeu nada, como se a pessoa estivessem falando em outra língua, e então o ouvinte pede a 'tradução', ou seja, uma versão mais simples. Eu de vez em quando peço pros professores, quando não entendo nada XD)

Sasuke: Até que é bem simples. Eu tinha 8 anos quando tiveram a idéia de me casar com você, mas eu não queria te ver. Então o Itachi foi te ver por mim – Naruto sorriu, não estava de todo errado no seu pensamento anterior – Mas ele chegou em casa e me disse que você era horrendo, e que ele faria o 'sacrifício' de se casar com você – Sasuke olhou feio para Itachi, que deu de ombros – Eu acreditei, e pedi para os meus pais colocarem ele de noivo no meu lugar. Ele, mais do que rápido, ligou para os meus tios, e aqui estamos – Sasuke sentenciou, e olhou Itachi com censura.

Itachi: Na nossa sociedade, não é o mais forte que ganha, e sim o mais esperto. E eu, além de ser o mais forte, também sou o mais esperto, e de quebra o mais bonito – Itachi deu um meio sorriso.

Sasuke: Convencido...

Naruto: Então foi por isso que a Mikoto-san perguntou se eu resolvi casar com você...

Sasuke: Isso.

Naruto: E se eu quisesse casar com você, em vez do Itachi? - Sasuke e Itachi congelaram, e alguém atrás de Naruto respondeu pelos irmãos.

Fugaku: Não é aconselhável. Já divulgamos na imprensa e jornais, e fizemos uma festa. Trocar de noivo nesse momento seria algo perto de um desastre. Além do mais, o Itachi é mais responsável do que o Sasuke.

Naruto: Fugaku-san, Mikoto-san! "Puts, esses Uchihas aparecem do nada! Parece que simplesmente aparecem no ar. Será teletransporte? Bem, isso não existe..."

Mikoto: Mas os nossos dois bebês juntos seriam tão lindos... - Mikoto olhava Naruto de uma maneira um tanto estranha, que assustava o pobre garoto.

Fugaku: Eles não são mais crianças, Mikoto...

Itachi: Nada de mudanças, e eu não vou levar fama de quem perdeu o noivo pro irmão menor – Itachi abraçou Naruto e mostrou a língua para Sasuke, que franziu o cenho, e devolveu o gesto.

Fugaku: OK, eles se parecem com crianças... - uma gota de suor descendeu pelo rosto do Uchiha mais velho.

Mikoto: Lindo! - Mikoto olhava os três de uma maneira até psicótica.

Itachi: Vamos para o ápice, Naruto-kun – Itachi segurou a mão de Naruto, e o guiou até o topo da escadaria – Por gentileza, um momento! - todos os presentes pararam de dançar, e a banda novamente parou de tocar – Eu, minha família, e a família do meu adorável noivo, agradecemos a presença de todos vocês. Como todos devem saber, hoje é um dia muito especial para as famílias Uchiha e Fuuma, já que seus herdeiros mais velhos irão contrair matrimônio – Naruto franziu o cenho ao notar o linguajar rebuscado do Uchiha – Eu mesmo estou muito feliz por ter todos aqui, e gostaria que fizessem algo de silêncio por uns minutos.

Itachi se ajoelhou no chão, e Naruto teve vontade de sair correndo. Olhou para a multidão, procurando algum sinal de seus pais, e os viu nos pés da escadaria. Fechou os olhos com força, e os abriu para focalizar Itachi.

Naruto: "Ele não vai fazer isto. Não na frente de todo mundo..." - Naruto corou furiosamente, e viu Itachi tirar duas caixinhas de veludo negro do bolso interno do paletó. Uma era retangular e muito longa, e fina. A outra era uma típica caixa de anel, quadrada - "Ele não vai me pedir em casamento... Droga, eu tô me sentindo uma donzela indefesa'ttebayooooo" - Naruto novamente fechou os olhos com força, e os abriu ao sentir a massa que se aglomerava aos seus pés se mexer. No caso, a 'massa' era Itachi.

Itachi: Naruto-kun, olhe pra mim! Como eu vou te pedir em casamento se você estiver com os olhos fechados? - alguns da platéia riram, principalmente as poucas crianças que lá existiam. Naruto abriu os olhos, e Itachi sorriu. Naruto desviou o olhar e corou, envergonhado, pensando no que anteriormente pensara. Ele pensara que, se fosse para casar com alguém, que casasse com Itachi – Bem, eu acho que isso é meio óbvio... Fuuma Naruto...

Naruto: "Droga... Droga... Droga... Eu devo estar parecendo um tomate..." - Naruto mordeu o lábio inferior, e ouviu um fraco 'A pobre donzela frágil e indefesa está tremendo como uma folha' vindo de Sasuke, e alguns risos em companhia da frase.

Itachi: Quer casar comigo? - Naruto tremeu violentamente – Você não vai me deixar plantado aqui esperando, não é? Se é assim agora, imagina como vai ser no altar... - todos riram. Itachi parecia querer fazer o mais engraçada possível aquela cena, para tirar o nervosismo de Naruto. O loiro sorriu ternamente ao entender as intenções do Uchiha.

Naruto: "Obrigado" - o loiro se ajoelhou no chão, para ficar no mesmo nível que Itachi – Claro – o loiro abraçou o Uchiha - "Realmente, acho que ele é o melhor pra mim..." - Naruto sentiu como algo gelado tocava em seu dedo, e notou que era um anel de ouro e com um único diamante, branco-tranparente, de 1 centímetro de meio, com um peculiar U.I escrito em prata dentro do diamante.

Itachi: É para todos saberem que você é casado comigo... - Naruto corou, imaginando o significado para a frase com algo parecido com 'É para todos saberem que você é meu' – Isso pode evitar alguns problemas daqui em diante. O U.I foi escrito com prata líquida no anel de ouro, antes do diamante ser incrustado. Como o diamante é meio transparente, dá para ver – o loiro franziu o cenho, vendo o real, decepcionante e nada romântico motivo do seu noivo. Itachi sussurrava, como se fosse um segredo o que contava – E tenho um bônus – o moreno abriu a caixa fina e retangular, e Naruto viu uma jóia que deveria valer mais do que aquele anel, muito mais.

Era um colar de diamantes branco-transparente, com uma pedra central como pingente. A pedra era um diamante azul, algo raríssimo, quase impossível de se achar. E não era pequeno, era um diamante azul de uns 5 centímetros de comprimento e 2 de largura, em forma de um hexágono longo nas extremidades norte e sul, imitando uma gota, mas com formas retas, e não arredondadas. Aquela pedra deveria valer muito, muito dinheiro, assim como o diamante do seu anel.

Naruto: Eu... Não posso...

Itachi: Antes que você diga que não pode aceitar, eu digo que você vai aceitar. Eu vou poder te mandar pra fogueira, então fique calado, sorria que nem bobo e aceite passivamente, sem dar chiliques de humildade – Itachi ficou sério, olhando de canto de olho para os convidados.

Os dois se levantaram, e Itachi ficou atrás de Naruto, colocando o colar no pescoço do Fuuma. Naruto olhou para seus pais, e viu maioria dos presentes arregalarem os olhos, assustados. Mikoto sorriu ternamente, enquanto o Uchiha abraçou Naruto por trás e beijou uma parte do pescoço à mostra.

Sasuke: Acabou o show?

Itachi: Sim, Sasuke, acabou o show... - Itachi apertou mais o abraço, e Naruto corou levemente, vendo todos batendo palmas e algumas garotas suspirando, embobadas – Mais uma vez, obrigado a todos, e aproveitem a festa! - Itachi se separou de Naruto, e o segurou pela mão, descendo as escadas lado a lado. Quando os noivos chegaram no último degrau, Madara entrou correndo pela porta de entrada.

Madara: OPUS DEI!!

Todos arregalaram os olhos, e alguns deixaram suas taças caírem ao chão. Todos começaram a correr, e Itachi se separou de Naruto e subiu no corrimão.

Itachi: CALMA!! EU VOU VER O QUE ELES QUEREM! - Itachi olhou para seus pais e seu irmão menor – Levem todos para a sala de conferências, menos os da lista. Vocês sabem quem são – o Uchiha desceu do corrimão e segurou com força a mão de Naruto, enquanto praticamente o arrastava para a saída. Naruto ouvia Sasuke e Mikoto guiarem maioria das pessoas para a escadaria atrás da porta de vidro, enquanto Nagato, Minato e Fugaku seguravam listas, retendo alguns dos convidados no saguão de entrada.

Itachi e Naruto chegaram à saída e passaram pelo enorme portão, enquanto sentiam que a conversa ficava cada vez mais baixa às suas costas. Os dois andavam apressados, de encontro à saída do terreno dos Uchiha, direto para o portão de entrada, para se encontrarem com carros de polícia, que tocavam suas sirenes irritantes. Junto aos carros de polícia estavam alguns carros de luxo, que pertenciam a alguém provavelmente muito rico. Itachi andava cada vez mais apressado, enquanto ouvia os carros buzinarem cada vez mais alto e prolongadamente.

Naruto: Quem são eles?

Itachi: Esses caras são da Opus Dei. Eu acho que já falei deles para você. São uma prelazia do Vaticano que-

Naruto: Conheço. Meus pais falaram deles para mim. Eles querem fazer as mulheres voltarem a ser escravas e os doncéis serem tratados como aberrações. São conhecidos pelo fato de seus membros parecerem sofrer algum tipo de lavagem cerebral.

Itachi: Informado, ein?

Naruto: Faço o que posso – o loiro sorriu – Mas o que eles querem aqui?

Itachi: Eles certamente não poderiam faltar no maior casamento da história em relação a doncéis – Naruto arregalou os olhos, e perdeu o fôlego momentaneamente – Você não sabia, Naruto? Nosso casamento equivale muito mais do que a sua vida. Ele mostra que é possível um doncel fazer parte da mais alta sociedade, e se casar com alguém prestigiado. Sabe, modéstia parte, eu sou considerado um gênio. Ser curador do Louvre com 13 anos não é algo que já tenha acontecido antes. E, incrivelmente, eu dei conta do recado. Sou bem famoso, até. Estamos mudando a história, Naruto. Por esse motivo que este casamento tem que acontecer. O seu pai doncel e minha mãe não concordam em nos usar assim, por isso querem te casar com o Sasuke. Já meu pai e seu pai... Bem, eles pensam em muita gente, além de nós.

Naruto: Então este casamento tem que acontecer, e vai ajudar muita gente, não é? Então terei o imenso prazer em ajudar – Naruto acelerou o passo, e passou a andar ao lado de Itachi. Os dois demoraram mais algum tempo, em um silêncio confortável, e finalmente chegaram ao portão.

Itachi: Boa noite, em que posso ajudar? - Itachi e Naruto viram as portas dos carros se abrirem, e uma série de pessoas saindo dos carros. Dos carros de polícia saíam guardas policiais franceses, e dos carros de luxo homens de terno e alguns usando vestes de padres e bispos.

Guarda: Desculpe, senhor, mas temos a denúncia de que há algo ilegal acontecendo aqui – o guarda falava em francês, o que dificultava um pouco o entendimento de Naruto, que estava nervoso demais para traduzir corretamente as palavras do guarda judicial.

Itachi: E o que seria? - o Uchiha estava sendo calmo e frio, enquanto Naruto tentava ao máximo se controlar. Não era mais só sua vida que estava em jogo, e sim a de muitos de sua 'raça'.

Guarda: Há uma denúncia muito séria de que aqui está estabelecida a 'Rosa', uma seita secreta e criminosa, além de que está havendo um encontro neste exato momento, que alberga em seu interior doncéis ilegais, maiores de 18 anos, que ainda não contraíram matrimônio. Crime contra a cartilha universal dos direitos e deveres doncelianos, sob o protocolo 33 de punição da mesma cartilha.

Naruto: Protocolo 33? - Naruto falou num francês japonesado, tentando soar o mais francês possível, falhando miseravelmente.

Itachi: Morte aos doncéis, e prisão e julgamento aos outros envolvidos – Itachi sussurrou no ouvido do loiro, em japonês, sorrindo levemente – Odeio o protocolo 33 – Itachi comentou, aproveitando para dar um beijo furtivo numa parte do pescoço do loiro, sobre a jugular, que estava exposto aos seus lábios.

Naruto: Ahhh... - o loiro fingiu que estivesse acostumado com tal violência nas leis, e com a insolência de Itachi. Riu baixinho ao sentir o beijo no pescoço, e viu o guarda franzir o cenho em desaprovamento.

Guarda: Os senhores poderiam...?

Itachi: Ouça, senhor – Itachi puxou Naruto para perto dele, pela cintura, e o abraçou protetoralmente – Eu estou pacificamente com meu doncel comemorando nosso noivado e futuro casamento. Isto é por um acaso um crime? - Itachi arqueou uma sobrancelha – Ele é menor de idade, e eu e ele não estamos fazendo nada indevido. É uma falta de respeito que vocês interrompam minha festa de noivado para me acusarem de algo que eu simplesmente não fiz. E ainda por cima tendo o desplante de me recriminar por beijar o pescoço do meu noivo. Por acaso agora é crime demonstrar afeto por alguém? - Itachi rosnou baixo, num tom de francês muito rápido, que Naruto por pouco não entendeu.

Guarda: Desculpe, senhor, mas...

Itachi: Não admito que me distratem na minha própria casa. Eu vou deixar que passem e vejam a casa, mas vocês não me incomodarão pelo resto da noite, entendido? Até porque depois eu não desejarei ser interrompido – Itachi deu um meio sorriso para Naruto, que corou levemente, entendendo a indireta. O guarda ficou sem jeito.

Guarda: Tudo bem, senhor.

Itachi e Naruto seguiram o guarda policial, e os três entraram na viatura de polícia que liderava o comboio de carros. Todos os carros se dirigiram para o castelo da família Uchiha, e pararam relativamente perto da porta. Itachi saiu do carro primeiro, e estendeu a mão de maneira cavalheiresca para Naruto. O loiro aceitou a mão, e sorriu para Itachi, vendo de esguelha os que saíam dos carros os olhando com repugnância. Incrivelmente, aquilo, que anteriormente machucaria Naruto, naquele momento o divertiu profundamente. Tanto que o Uzumaki plantou um beijo na bochecha de Itachi. Os dois estavam se divertindo juntos, fazendo os homofóbicos fazerem caras de asco. Riam internamente, achando aqueles homens muito estúpidos.

Itachi envolveu a cintura de Naruto com uma mão, e o beijou fugazmente. O loiro arregalou os olhos, e sentiu seu coração quase sair pela boca de tanto susto. Foi apenas um selinho, que rapidamente foi cortado. Itachi sorriu, e pousou uma mão na cintura de Naruto.

Itachi: Desculpem-me, senhores. Não resisti. Ele é tããão lindo que não me aguento. Se vocês não tivessem chegado, ahhhh... Eu já estaria com ele no meu quarto. Claro, muitos já devem ser casados, mas me desculpem os religiosos – Itachi sorriu com burla, o que acentuou a expressão de fúria de muitos dos presentes, e a vergonha de Naruto.

Naruto: Deu, já perdeu a graça – Naruto sussurrou, em japonês, no ouvido do Uchiha, que sorriu maldosamente.

Itachi: Não perdeu não. Não esqueça que a casa é minha. Se eu quiser te jogar na parede e fazer sexo com você na frente desses caras, eu posso. São eles que não podem fazer de tudo por aqui, e não o contrário – Itachi falou em japonês, e começou a andar, abraçado em Naruto. O loiro corou com o pensamento da cena que Itachi descrevera brevemente.

Naruto: Cale a boca e se comporte, idiota. Eles podem ser uns estúpidos por terem a idéia idiota de homofobia, mas não significa que não mereçam respeito.

Itachi: Se querem respeito, que mostrem respeito por nós, Naruto. Eu não estou disposto a demonstrar respeito por gente que me menospreza.

Naruto: Não seja tolo. Você é igual a eles nisso. Você também os despreza, assim como eles te desprezam. É como um círculo vicioso. Tem que quebrar em alguma parte, e você poderia ser essa parte, não?

Itachi: Chega de discussões. Estamos juntos nessa, temos que nos manter unidos.

Naruto: Ok, mas depois eu quero que me explique sobre essa tal de 'Rosa'.

Itachi: Acho que você vai se impressionar com ela – num acordo silencioso, ambos resolveram desde o começo falar entre si em japonês, para que os outros não entendessem.

Guarda: Senhor, poderia parar de falar em...

Itachi: Japonês? - Itachi respondeu em francês, sorrindo maldosamente – Mas meu futuro marido é japonês, e não entende muito de francês. Sabe, línguas oriundas de diferentes lugares, muita diferença. Lá os kanji...

Guarda: Limite-se a falar em francês, e, pelo que notei, seu 'namorado' – o guarda cuspiu a nomeação com nojo – também sabe falar, nem que seja pouco, o francês.

Itachi: Olhe como fala com ele, que eu te chuto daqui em dois tempos! - o Uchiha afilou os olhos, e Naruto tocou gentilmente em seu braço.

Naruto: Vamos falar francês, senhores – o loiro lançou a Itachi um olhar que não permitia contradição.

Itachi: Hunf...

Guarda: Vejo que seu doncel tem mais austeridade que o senhor, senhor Uchiha.

Itachi: Claro, joga a placenta na mesa... - (Essa expressão eu vi no seriado 'Eu, a patroa e as crianças', que o Michael, quando a Jay diz que merece mais consideração por ter parido seus filhos, diz 'claro, Joga a placenta na mesa!', é muito engraçado como ele fala XD) Itachi bufou, como uma criança, e Naruto lhe deu um tapa na nuca, que projetou sua cabeça com força para a frente – Ei!

Naruto: Pare de agir como uma criança'ttebayo! - Naruto respondeu em japonês, vociferando.

Guarda: Senhores...

Naruto: Já sei! - o loiro voltou a falar em francês, irritado – E não é só porque eu posso gerar filhos que eu sou mais austero! É você que é um idiota, hunf! Poderia ser mais austero que eu, se deixasse de ter essa cabeça dura.

Itachi: Ai ai, doeu... - o moreno choramingou, e os outros viram a cena com algo de estranheza – Vêem, ele me violenta!

Guarda: O senhor o está acusando? - os outros dois congelaram.

Itachi: Não é isso não! Eu acho que sou até meio masoquista, sabe – Itachi dava voltas ao assunto, e então finalmente parara de fazer cena, para verem o saguão de entrada. Estava cheio de pessoas, mas os que vestiam cinza – doncéis – sumiram misteriosamente.

Guarda: Mas não tem nenhum...!

Itachi: Isso. Além do meu noivo, não tem nenhum doncel. Pronto? Já viram o que queriam?

Guarda: Un... Não... Temos que revistar a casa.

Itachi: Vocês sabem que eu poderia chutá-los daqui e pedir por um mandado judicial, não é?

Guarda: Nós temos um, senhor – o homem passou alguns papéis para o Uchiha, que leu atentamente, e devolveu para o outro – Podemos?

Itachi: Claro, eu estou sendo obrigado, não é? Mas se vocês não acharem nada, podem começar a tremer - ele olhou para os 'convidados' que vinham junto com o guarda – Eu vou acabar com cada um de vocês – Naruto apertou seu braço, suspirando pesadamente.

Naruto: Podem revistar rápido, por favor? Se não perceberam, estão nos atrapalhando...

Guarda: Tomaremos o tempo necessário – o guarda, que parecia ser o líder dos policiais daquele esquadrão, acenou para seus subordinados, para começarem a procura.

Itachi sentou no corrimão da escada principal, e Naruto se escorou no corrimão. Os dois esperaram, em silêncio, o fim da revista. Os convidados cochichavam sobre o disparate que era aquela situação, e os religiosos e homens de aparente influência, recorriam com o olhar a sala, como se procurassem algo. Itachi rolou os olhos, enquanto Naruto se apoiava nele e fechava lentamente os olhos. O loiro sentiu sono, e viu, com os olhos semicerrados, seus pais e os pais de Itachi, conversando baixo. Fechou completamente os olhos, e abraçou o braço que estava ao seu alcance. Sentiu a dormência usual do sono, e a perda lenta da consciência... Até que foi cutucado violentamente.

Sasuke: Acorda, pirralho.

E quem mais poderia ter lhe estorvado, se não fosse o próprio Uchiha-bastardo não-me-descabela-nem-o-vento?

Naruto: Teme – o loiro fez bico, e mostrou a língua – Que bom que não vou casar com você dattebayo!

Sasuke: Ugh, se eu casasse com você, te mandava para a fogueira.

Guarda: Estão falando sobre fogueira? - aquele homem parecia que aparecia do nada. Aquilo estava irritando imensamente Naruto.

Itachi: Estávamos falando sobre como eu e o Naru-chan vamos mandar o Sasuke para a fogueira se ele não parar de nos estorvar.

Guarda: Ele também é doncel?

Itachi: Não, é varão. O único doncel daqui é o Naruto mesmo – o Uchiha suspirou – Podem ir embora, ou gostaram tanto da decoração da minha casa que querem ficar mais um pouco? - o Uchiha falou sarcasticamente – Acharam alguma coisa?

Guarda: Não senhor – o homem desviou o olhar, para não ver o sorriso satisfeito no rosto do Uchiha.

Itachi: E isso me dá o direito de processá-los, não é? Já que estragaram minha festa de noivado...

Naruto: E ele vai querer prolongar ainda mais isso... - o loiro bocejou, de puro tédio.

Itachi: Ok, caiam fora da minha casa antes que eu decida os pôr pra fora – as visitas saíram da casa, silenciosamente enfurecidas – E o pior é que os idiotas da religião ainda traem o próprio Deus deles.

Naruto: Como?

Itachi: Amar o irmão como a ti mesmo, e, ao receber um tapa, oferecer a outra face. Ser humilde, etc. Eles desprezam os próprios irmãos, são arrogantes, se acham superiores aos outros, e, enquanto nos perseguem, tem muita gente morrendo por aí, seja de fome ou de doenças fáceis de curar. Em vez de tentar matar seus irmãos, por que não ouvem por uma vez na vida a voz do seu próprio Deus, e não vão ajudar o próximo?

Naruto: Mas, na Igreja católica...

Itachi: Sim, existem muitos que não se sujam, mas em tudo há exceções, até na igreja, que é onde não deveria existir. Mesmo assim, o pior é que eles não são os únicos.

Naruto: Hun?

Itachi: Você acha que os principais estariam aqui? Nem pensar. Eles se escondem atrás dessa corja que veio aqui. Você nem sabe quem são, não é? Eles são algo como um novo e melhorado Santo Oficio.

Naruto: O que ajudou na queima das bruxas? - o loiro arregalou os olhos.

Itachi: Isso mesmo. E não foram só as bruxas. Naquele tempo, qualquer um podia ser queimado em fogueira, pelos mais diversos motivos. Tinha os que eram queimado por adorar um deus diferente, ou por serem 'bruxas', ou por praticarem sodomia, etc.

Naruto: Então os gays...

Itachi: Eram uns dos preferidos. E às vezes nem eram gays mesmo. Geralmente quem tivesse algo de dinheiro era acusado, até injustamente. Porque, quando este morria, seja como morresse, tinha seu dinheiro recolhido pelo Santo Ofício. Era bem rentável esse Santo Ofício. Os Templários também foram queimados na fogueira, vários deles. Existem relatos do que eles diziam enquanto morriam.

Naruto: E o que eles fizeram?

Itachi: Acusados de sodomia, orgias, e adoração de uma cabeça de pedra, que era um homem-bode, com chifres. Diziam que era o demônio, mas era Baphomet, o deus da fertilidade. A sodomia e orgias provavelmente não era verdade, só um bônus para escandalizar a população. Sabe, eles não encaravam o sexo como nós encaramos agora. E, por incrível que pareça, nós ainda encaramos o sexo com algo de reticência.

Naruto: Credo. Bem, o que é essa 'Rosa'?

Itachi: Você vai conhecê-la agora – o Uchiha sorriu, e olhou para os convidados, que sorriram também. Naruto piscou, sem entender – Vamos agora para a nossa sala, meus caros!

Itachi foi para as escadas que ficavam atrás da escadaria de entrada, sendo seguido por Naruto e os outros convidados, indo até a frente da escadaria em espiral, que levava aos outros andares. Ele tirou o tapete que estava em frente à escadaria, e Naruto viu um alçapão. Itachi o abriu, e desceu pelas escadas que se revelaram sob o alçapão. Naruto foi o segundo, e, demorando alguns minutos, a sala se esvaziava, enquanto os convidados desciam as escadas outrora ocultas.

Naruto: Foi por isso que não acharam os doncéis – o corpo de Naruto tremeu ao ver o que havia ali embaixo.

Era algo como uma gruta, de paredes de pedra amarronzada, e enorme, ovalada. As paredes eram iluminadas por tochas pregadas á elas, tremeluzindo conforme o vento, leve e calmo, passava por elas. No entanto, o que mais impressionou o loiro foi a enorme mesa que se encontrava justo ao centro daquela caverna. A mesa ia de uma à outra ponta da gruta, e tinha várias cadeiras junto à ela. Sentados nelas estavam os doncéis da festa, junto com seus pares. Reconheceu Madara junto à um loiro, que tinha a franja cobrindo um olho. Os dois pareciam bem íntimos, e o loiro era doncel, pela coloração das roupas.

O loiro corou ao ver todos os olhares sobre ele novamente, como se esperassem que ele fizesse algo incrível.

Itachi: Calma, senhores, não é como se ele fosse criar asas e sair voando por aí. Eu sei que olhar não tira pedaço, mas já estou ficando incômodo com tanta gente olhando pro meu noivo. Olha que eu fico com ciúme! - alguns riram, outros seguraram o riso.

Sasuke: E se eu tocar, hun?

Itachi: Daí as suas mãos vão ser um belo enfeite do lado da minha penteadeira – desta vez, o riso foi quase geral.

Mikoto: Ai que lindo! - a mulher parecia emocionada com a cena – Por que não casam os três? - ela sorriu ternamente, pensando em algo com certeza indevido, já que algo de saliva escapou dos seus lábios.

Itachi: Talvez porque não dê pra casar de três, mãe – os irmãos rolaram os olhos, e Naruto sorriu para a sogra. Estava gostando dela. Quem disse que não se pode gostar da sogra?

Naruto: Acho que não aguentaria esses dois no meu pé. Um já é o suficiente, e já excede até – o loiro sorriu para a mulher, que riu baixinho.

Mikoto: Pena. E eu achando que podia me livrar dos dois ao mesmo tempo... Você acha que eu aguento esses dois? E ainda tenho que aturar o Fugaku!

Fugaku: Obrigado pela parte que me toca.

Mikoto: Por nada – ela sorriu radiante, e alguns balançaram a cabeça, enquanto outros conversavam, e alguns riam.

Sasuke: Ok, não viemos aqui para servirmos de entretenimento para os convidados, não é? Vamos aos negócios.

Naruto: Negócios?

Itachi: Errr... Bem... - Naruto se assustou. Nunca vira Itachi gaguejar daquele jeito, como se estivesse nervoso.

Naruto: Fala logo, homem!

Mikoto: Bem-vindo à Rosa, Naruto-kun! - a morena foi até o menor, e o abraçou efusivamente.

Naruto quase teve uma parada cardíaca.

Ali era a Rosa?!

Continua...

Gente, foi um suplício me achar no meio de tanta review de gente querendo me matar XD e ainda que eu não sabia que review era desse cap, e qual era do outro X.x mas me achei, finalmente \o/

#Reviews#

Kanya

- Dá uma voadeira no Hidan – Cala a boca ù.ú huhu, pode falar sobre o cap, vai que eu não sei e.e e nós paramos um pouco de conversar no msn, né? e.e e não, não tivemos um hieros gamos, pelo menos por enquanto e.e mas o cap foi enorme, pô! Tenho pena da kyuubi, e ao mesmo tempo, não XD pode ficar com a raposa, não me interessa no mínimo, mas o Itachi e o Naruto são MEUS!! è.é kissus

Rock's Leely

Gosto mesmo de ler n.n Dan Brown é realmente um mestre, e eu não li anjos e demônios, só mesmo o Código Da Vinci n.n também não recuso Harry Potter, principalmente quando o Draco aparece n;;n minha memória me salvou bastante, principalmente nas provas pras quais eu não estudava e, milagrosamente, tirava boas notas XD gostou do reencontro? n.n

Schne Hissi

Eu vou fazer um orange itanaru, é só acabar essa e achar a inspiração e o tempo \o/ kissus

Mr Moon

Eu só espremi um pouco do que eu lembrava e.e nem sei muito, mas certamente você deve saber – nem sabe direito aquele negócio das pedras da tal Mica – quem é Mica? 8D ela é legal? n.n eu gosto de explicar as coisas e.e ficou legal? Acha que o Itachi ficou parecido com a gente? Até pode ser, vai que foi algo inconsciente da minha parte e.e realmente, de vez em quando me dá vontade de bater com a cabeça na parede. Eu sempre machuco o Naru-chan i.i o próximo cap deve ter, não esse e.e é que a fic ficou meio grande... Eu não quero conhecer Atlântida, pelo menos não desse jeito O.O aqui o reencontro, e o presente eu amei, kissus n.n

lúcia almeida martins

Primeira review:

Mary: Aqui, prontinho o.o7

Lúcia: Que pronto o que.. Tá faltando o lemon, pô è.é

Mary: - encolhe no canto – Tu-tudo bem, eu escrevo, mas vai pro próximo cap e.e

Lúcia: Tá ù.ú

Mary: Arigato pelo review, e por me livrar dos perseguidores e.e kissus, Lu-chan. Posso chamar de Lu-chan? n.n kissus

Segunda review:

Mary: Já saí da sua casa e fui escrever a fic n.n

Inner: Bom mesmo è.é

Mary: i.i

Inner: Demoro pra postar, hein... ù.ú

Mary: É que eu tava com problema de tempo, mas o cap foi enorme \o/ kissus

Inu

É, não atualizaram mais aquela fic i.i eu também quero ver continuar... mas a fic em espanhol é bem mais sádica e.e pra vir o de Arquivo morto, eu tenho que ver algum cap, e acabar esse three-shot e.e arigato por gostar das minhas fics, mesmo com os meus xiliques n.n também te adoro \o/

Vick-chan

Fico honrada por você ter gostado tanto – faz uma reverência – continua imperfeita, já que a continuação não é perfeita e.e eu gostei da rima i.i espero que você tenha gostado desse cap tanto quanto o outro! Kissus \o/

Anjo Setsuna

Ah, sei, não dá pra um membro mandar suas reviews no mesmo cap, sendo logado X.x q coisa estúpida 8D realmente, eu também adorei ler O Código da Vinci, porque eu amo coisas de simbologia, sabe e.e esse cap foi mais livre das minhas teorias malucas, prezando mais pelo sentimental do Naruto, mas ainda teve a parte do Orochimaru, cheia de filosofia até entupir XD realmente, Ita-san é o professor mais sexy do mundo, e ele vai aparecer de professor de novo, acho n.n realmente, posso fazer um blog, mas eu não sei como – cora envergonhada – eu não sou muito feliz com coisas do gênero, e se eu fizer um blog, eu não vou conseguir manter muito o , se bem que eu já não mantenho muito bem X.x arigato, kissus \o/

AnaBella Black's

Leu tudo? XD deve estar intoxicada de tanto sasunaru e itanaru XD q bom q gosta de como eu escrevo, sinto-me honrada \n.n7 Oro-chan de faxineiro foi uma doideira da minha cabeça que apareceu do nada XD quando eu cheguei na parte dali, eu pensei no filch e as fics de harry potter que eu via do draco/harry que o filch quase pegava os dois XD daí eu pensei, do nada, no orochi-chan n.n Sasuke nasceu pra infernizar o Naruto XD Também não gosto da Sakura, mas sou indiferente à Ino, e como o Shikamaru fica de vez em quando com o Chouji... Ino sobre XD e com o Gaara eu não boto de jeito nenhum è.é então vai com a Sakura mesmo, e fica até bunitin n.n haha, more, Itachi de uke é um dos meus fetiches favoritos! Leia minhas fics, e, uma hora, você vai se deparar com algo do gênero XD vou te contar um segredo: Red Moon vai começar a entrar no primeiro conflito verdadeiro próximo capítulo, e aí que as coisas vão esquentar XD e lá vai ter itachi uke n.n mas pode deixar, eu vou colocar uma introdução para não chocar ninguém. Sabe, preparar o terreno n.n não viajou nadinha, foi mais ou menos o que eu pensei! Mas com o Draco no lugar do Snape, já que eu amo Sirius/Snape – sim, Snape uke rula \o/ - não viajou, repito XD tb sou louca por HP n.n – não a impressora XD – kissus \o/

Srta.Kinomoto

Aqui a continuação \o/ o encontro foi estranho XD elaborei bem? #.# arigatoooooooooo i.i – chorando de EMOção – ti adolo i.i vou ver se sou mais rápida pra postar a próxima e.e kissus \o/

Espero review! Se não mandarem, eu não posto o prox cap ù.ú kissus, mores \o/