N/A: Primeiro capítulo postado aqui rapidinho. Até merecia mais um review, não?
Boa leitura =P
Upside Down
by Inês Potter
Capítulo 1 – Plano A.N.
Aqui estou eu para mais um ano lectivo. Ano este que promete ser um fracasso total como o que passou. Tudo porque a minha vida deu uma volta de trezentos e sessenta graus. Em casa os problemas são os mesmos, Petúnia continua a embirrar comigo e cada vez consegue ser mais antipática o que fez estas férias serem um desastre. Devia estar contente por regressar a Hogwarts mas não. Vou voltar a rever os meus amigos, isso é certo mas ao mesmo tempo sei que a pessoa de quem gosto não olha sequer para mim. James arranjou uma namorada, uma tal Melanie Smith. Isso mesmo, quando disse que a minha vida está do avesso tinha toda a razão, o ano passado percebi-me apaixonada por James Potter mas ele tinha deixado de me convidar para sair e mais tarde namorou com essa rapariga. Agora já percebo aquilo que ele sentia quando eu o rejeitava, só que para ele era pior por causa dos gritos. Agora sou apenas sua amiga e vou ter de me contentar com isso. Este ano decidi por um plano em acção, iria arranjar um namorado para de uma vez por todas esquecer James.
-Lily? Lily?
Alguém me abanou e eu decidi deixar de viajar.
O meu coração acelerou quando vi quem estava à minha frente, o idiota dos meus sonhos: James. Não consegui refrear o entusiasmo, mandei-me para cima dele e abracei-o.
-Lily, isso era tudo saudades? – perguntou ele a mexer no cabelo depois de o ter soltado.
Fiz uma careta e mandei-lhe a língua de fora.
-Hum, hum – pigarreou alguém?
-Jay, querido, eu vou ter com os meus amigos. Depois encontramo-nos, comportem-se! – disse a Melaniezinha, querida. Lancei-lhe um olhar de raiva enquanto ela saia.
-Então, durante as férias o ódio não passou? – perguntou-me James com um sorriso de troça.
Estreitei os olhos para ele.
-Não, isso nunca vai acontecer!
Já conversávamos sobre as nossas férias há algum tempo com ele a rir constantemente por causa das minhas complicações com Petúnia e a fazer comentários do género "E não a trancaste no quarto?" e "Podias tê-la transformado num porco" quando a porta se abre e entra o resto da malta toda.
À frente vinham Frank, Lene, depois Alice, Sirius, Remus e mais atrás com um bolo na mão estava Peter.
-Olá pombinhos, o que estavam a fazer aqui sozinhos? Nada que eu não fizesse, espero – comentou um Sirius risonho. – Estava a perguntar-me onde o Prongs se tinha metido e aqui está a razão.
Eu e James corámos e olhei para os meus pés, que de momento pareciam mais interessantes do que o habitual. Passado o momento de constrangimento, começaram as saudações, os gritos e abraços.
Levantei-me do banco onde estava e dei um grande abraço a Sirius enquanto gritava:
-Siiiiiiiiiiiiiix, não imaginas como tive saudades tuas e das tuas "ficantes" e fãs sempre a perseguirem-te. Isso claro sem sequer falar das tuas piadinhas sem graça e do teu caso com o Ranhoso. Isso mesmo, meninas – gritei lá para fora da carruagem - ele é gay e já tem o coração ocupado.
Ouve um ataque de riso geral enquanto as pessoas espreitavam na janela para verem o que estava a acontecer. Mais baixinho, ao ouvido dele disse:
-Sirius Orion Black, não voltes a fazer isso, sabes que eu não aguento!
E larguei-o enquanto ele fazia uns gestos esquisitos como se me quisesse estrangular.
-Sirius, cuidado, se te vêm assim ainda te internam no St. Mungus – disse Lene, ainda com uma crise de riso que depois se foi transformando num ataque de tosse quando Sirius lhe lançou um olhar irritado.
Eu troquei um olhar divertido com ela, que me piscou o olho. Mais tarde podíamos matar as saudades fazendo um grande estardalhaço no dormitório.
O vagão nunca tinha parecido tão pequeno como agora e Remus, depois de ter fechado a porta e dado um grande sorriso murmurou qualquer coisa e sentou-se num dos bancos que pareciam ter duplicado de tamanho. Alice já se tinha mandado para cima de mim a gritar "Lily, que saudades!" e sorri para Frank ao que ele me deu um abraço. Só Peter continuava sentadinho no banco a deliciar-se com o bolo e com os olhos do tamanho de duas bolas de golfe tal era a excitação.
Sirius e Potter sorriram um para o outro e de repente o bolo que tinha estado na mão de Peter andava a flutuar pela carruagem. Ele rapidamente empoleirou-se no tal banco e fez malabarismos para chegar ao bolo que ainda parecia voar. Para azar dele, escorregou e caiu de cara no chão.
Ao mesmo tempo que ria, Remus levantou a mão para o outro que continuava estatelado no chão e depois lançou um olhar reprovador para Sirius e James que riam descontroladamente.
A tarde passou-se naquele clima de brincadeira, saudades e animação à medida que nos aproximávamos de Hogwarts. Quando escureceu fizemos turnos para vestir o uniforme da escola mas enquanto as raparigas se vestiam só conseguia pensar que James estava ainda mais bonito que no ano passado. Balancei a cabeça quando percebi que pensava nele e pus em mente o plano "Arranjar namorado".
Chegámos ao castelo pelas carruagens conduzidas por thestrals e fomos para o salão nobre enquanto os novatos esperavam pela selecção. Nesse meio tempo Mary Macdonald, uma amiga nossa veio ter connosco. Aproveitei o tempo que faltava para a selecção começar e observei os rapazes da minha idade. Thomas Russel, da minha equipa, os Gryffindor, não era nem extremamente bonito nem feio, tinha um sentido de humor um pouco descontrolado e conseguia ser um chato de primeira. Fora. Nenhum dos outros Gryffindor poderia ser, uma vez que depois só restava Frank e os marotos. Eu queria era um tal maroto mas ele já não estava disponível… Despejei o meu raciocínio pelo ralo e voltei a tentar concentrar-me. Mais rapazes. William Parker dos Hufflepuff, um rapaz bonito mas demasiado egocêntrico para o meu gosto. Esse também vai fora. Jason Price, um Hufflepuff com um ar simpático mas que está sempre mal arranjado e dizem que cheira mal. Não me levem a mal, mas se vou escolher um namorado quero um que não me faça andar com uma mola no nariz. Seguinte, Matthew Roberts, é bonito, parece ser muito simpático e bem que podia ser um dos escolhidos! Agora, Amos Diggory, um rapaz dos Ravenclaw que parece ser um dos mais cobiçados logo a seguir a Sirius, James, Remus e Frank. Não me apetece andar com um clube de fãs a lançarem-me olhares maldosos e a fazer rasteiras de cada vez que desço as escadas, mas é uma boa hipótese.
Peguei num pergaminho e escrevi:
Plano A.N. (Arranjar Namorado)
Thomas Russel
William Parker
Matthew Roberts
Jason Price
Amos Diggory
Virei-me para ver quem era o ser inteligente que me tocava nas costas e dei de cara com Sirius.
-Lilyzinha, o que é isso que estás a fazer? – perguntou o ser inteligente.
Isto resultou em toda a gente olhar interrogativamente para mim e para o pergaminho que eu tinha em cima da mesa. Peguei nele consciente que tinha os olhares todos concentrados em cima de mim, meti-o na bolsa e disse:
-Sabem como é – clareei a garganta - Estava a escrever uma carta para a minha mãe.
-A escrever uma carta? Mal chegámos agora, o que poderás ter para lhe contar? – perguntou James, com sobrolho franzido.
-As mães são muito protectoras – pigarreei antes de inventar o resto de uma desculpa – E ela pediu-me para assim que chegasse lhe enviasse uma carta.
Eles continuaram desconfiados mas por fim acabaram por voltar a comer. Só Marlene, Alice e Mary ficaram a olhar para mim como quem diz "vais ter de me explicar isso mais tarde", sorri amarelo e tentei prestar atenção ao chapéu seleccionador que McGonagall tinha posto em cima de um banco.
Uma aba abriu-se e ele começou a cantar.
O céu negro tempestuoso
E os tempos de destruição
Tornam cada vez mais perigoso
Viver nesta nação
Este sábio e velho chapéu
Tem apenas um desejo
Que nos tornemos um só
E que todos juntos possamos triunfar
Contra o mal que há-de chegar
Em quatro equipas serão divididos
Gryffindor se possuis coragem e ousadia
E consideras a amizade o maior valor
Ravenclaw se presas a inteligência,
E queres chegar à excelência
Slytherin se para chegares ao que queres
Fazes tudo o que puderes
E finalmente Hufflepuff para quem ama
A todos sábia e igualmente
Em quatro equipas sereis divididos
Mas só ganhareis se estiverdes unidos.
Depois da canção terminar o chapéu voltou a calar-se e McGonagall começou a chamar os nomes para a selecção.
Ainda estava a pensar no que o chapéu puído tinha dito. A tragédia e maus tempos vão chegar. Será que ele fala de Voldemort? Dizem que tem vindo a ficar com mais poder e que anda a tramar alguma. Provavelmente esse rumor chegou ao chapéu, mas ele quer que estejamos unidos sobre que circunstâncias for? Com os Slytherin? Só com muito esforço, mesmo…
-Vocês ouviram o que o chapéu disse? – perguntou Remus.
-Claro que ouvimos, Moons, não somos surdos – respondeu James.
A sua namoradinha deu uma gargalhada e ele olhou para o lado, e deu-lhe um selinho. A cena não comovente meteu-me tanto nojo que me virei para o outro lado e fiz caretas a fingir que vomitava para Frank, Mary e Alice que tentaram conter o riso. Não era segredo nenhum que eu detestava aquela menina, o que eles não sabiam era porquê, apesar de eu possivelmente achar que começavam a desconfiar.
James riu e disse:
-Algum problema, Lily?
-Não, nada. – fingi que não se passava nada mas ele percebeu. Que pena! – De que é que vocês estavam a falar, mesmo?
-Eu estava a dizer antes de me interromperem, que o chapéu disse que este ano, apesar de estarmos divididos em equipas temos de nos unir porque algo mau vem a caminho. – Óptimo, parece que ele percebeu o mesmo que eu.
-Sim, e devia estar a referir-se ao Voldemort. – disse Mary.
-O quê? – reclamou Lene – Nunca me vou poder juntar aos Slytherin! Eles detestam-nos!
-Não tanto como nós a eles – contrapôs Sirius, com um sorriso de deboche.
-E todos sabem que eles são os maiores apoiantes do Quem-Nós-Sabemos – comentou Frank, enquanto Alice olhava para a selecção que ainda decorria.
Esta acabou após McGonagall chamar Watson, Nick que foi seleccionado para os Gryffindor.
Albus Dumbledore levantou-se e disse:
-Árvore, chuva, pena e bombom. Agora podemos comer. – e voltou a sentar-se.
-Parece que o nosso querido director voltou das férias ainda mais maluco do que já era – disse Lene.
Eu sorri involuntariamente ao imaginar Albus Dumbledore de calções de banho deitado numa espreguiçadeira num praia tropical do Hawai com a sua barba prateada a brilhar ao sol. Ri ainda mais quando o imaginei a fazer surf. Eu sou hilariante, ahaha.
-Loucura ainda não é crime, então podes continuar a sorrir estupidamente mas quero avisar-te que St. Mungus tem um óptimo hospício. – comentário do Sirius, obviamente.
-Six, não digas nada que isso serve também para ti – resmunguei.
Peter comia feito um louco, James e a outra estavam numa cena muito romântica (ele pegava no garfo e punha-lhe a comida na boca e vice-versa) que me fez revirar o estômago e querer bater nela. Para além de obviamente ficar enojada e parar de comer. Mesmo que algum dia, eventualmente, eu fosse namorada dele (é melhor eu encarar a realidade. Isso nunca vai acontecer) não faria estas figurinhas.
Ri muito quando Sirius os viu a fazerem isso e começou a encher o saco ao amigo. Os outros estavam a ter uma conversa que nem fiz questão em ouvir.
O jantar terminou rapidamente e Dumbledore fez o seu discurso de inicio de ano em que disse quase as mesmas coisas que no ano passado, e à dois anos. Só mencionou que Voldemort estava a ficar mais forte e que uma forma dele ganhar poder era fazer, digamos 'amiguinhos' cá dentro. O que ele fez foi reforçar o que o chapéu disse. Não sei porque é que quase toda a gente ficou histérica quando ouviu isto. Quero dizer, em que mundo vivem eles? Até eu que durante as férias vou para casa de muggles sabia das notícias. Sinceramente acho que com pessoas com esta capacidade de raciocínio o mundo não anda para a frente.
Eu e James conduzimos os novos alunos para a torre dos Gryffindor. Ah, esqueci-me de dizer. Este ano vou passar mais tempo com James porque somos os dois delegados dos alunos. Isso é óptimo (não para o meu plano,…) mas não consigo perceber onde estava o director com a cabeça quando nomeou James e não Remus. Deve ter sido para o libertar de um cargo por causa da lua cheia.
Como eu estava a dizer, conduzimos os novos alunos para a torre dos Gryffindor (eles estavam tão excitados que quase faziam xixi nas cuecas! Ok, exagero meu.) e depois de desejar boa noite a todos, eu e as meninas subimos para o nosso dormitório que este ano tinha uma placa que dizia '7ºano'. Entrei a correr e mandei-me para cima da minha caminha de dossel. O meu malão e a minha coruja já lá estavam à minha espera. Arranjei-me para dormir e assim que ia entrar na cama Lene grita:
-Levicorpus – eu fui levantada pelo tornozelo até bater no tecto. Lancei um olhar ameaçador a Lene mas ela encolheu os ombros e continuou. – Não me lances esse olhar que eu não tenho medo de ti.
Fiquei à espera que ela se decidisse a soltar-me no chão mas parece que a minha amiguinha estava mais concentrada em explodir às gargalhadas. Bufei e cruzei os braços. As outras minhas duas pseudo-amigas apenas lançaram um olhar divertido a Lene e continuaram a preparar-se para ir dormir como se nada fosse.
Finalmente Lene decidiu-se a soltar-me e eu subi para cima da minha cama, onde lhe dei as costas. Tinha decidido ficar zangada com ela até ela me pedir desculpa e dizer o porquê da brincadeira.
-Mais devagar, mocinha – adivinhem quem disse isso? Um biscoito para quem pensou Lene. Eu poderia chamá-la de 'inferno pessoal' – Ainda vais ter de nos explicar o que foi aquela cena da carta para a tua mãe.
Sorri inocentemente e tentei, mesmo sabendo que não tinha qualquer hipótese:
-Foi mesmo uma carta para a minha mãe, até te mostrava mas já a enviei.
-E então porque é que a tua coruja está aqui? – perguntou Alice.
Nota mental: Matar a Alice ou pelo menos ensiná-la a não ser tão ingénua.
-Está aqui porque eu mandei por uma coruja da escola. Jim estava muito cansado por vos ter mandado todas aquelas cartas no Verão. – que desculpa mais esfarrapada. Pena que eu nunca soube mentir.
-Muito bem, passas por hoje mas amanhã quero saber do que se passa – disse Lene, com um olhar desconfiado.
Meti-me dentro dos lençóis e fechei as cortinas depois de lhes desejar uma boa noite.
Parecia que eram quatro da manhã quando Mary, me acordou aos gritos.
-Lilyyyyyyyy! Acorda senão chegas atrasada!
Eu resmunguei e pus a cabeça na almofada. Como viu que eu não fazia intenção de me levantar roubou-ma. Ela podia fazer tudo mas não podia roubar a almofada! Era sagrada. Mary pode parecer tímida e caladinha mas é a pior de todas. Chamei mentalmente a Merlin todos os nomes que consegui imaginar àquela hora da manhã e como já estava acordada arrastei-me para a casa de banho. Cheguei ao quarto já vestida, vi que ainda eram sete horas da manhã e encarei Mary com uma raiva assassina.
-Posso saber porque me acordaste às seis e meia da manhã de uma segunda-feira?
-Ora, porque é o primeiro dia de aulas do nosso último ano e tínhamos de nos preparar psicologicamente. – disse ela como se fosse a coisa mais natural do mundo.
-Mary Macdonald, quando eu te puser as mãos em cima juro que te mato!
Pode parecer que eu sou uma psicopata assassina mas é só uma faceta. Juro.
Corremos feitas loucas pelo dormitório todo e pude concluir, com satisfação que apesar de não ter morto Mary conseguimos acordar a fofinha Melanie e a sua amiga Katherine. Mesmo assim isso não alterou muito o meu mau humor matinal que me fez descer as escadas para a sala comum com uma cara de raiva e sono misturados que afugentava qualquer um que se pusesse na minha frente.
-Quem morreu?
Foi a primeira coisa que ouvi quando pus cheguei ao pé dos rapazes. Olhei para Frank e respondi:
-Morreu o meu bom humor. E para que conste, estou de luto.
Eles riram-se. Porque é que tanto se riem de mim? Será que tenho cara de palhacinha?
-Pode ser que o pequeno almoço te ajude – interveio Mary, com um sorriso de deboche. Eu não digo que ela é a pior?
-Mary, nem uma palavra sobre isto. Tu sabes o que eu estava prestes a fazer contigo! – ela sorriu mas calou-se.
Fiquei extremamente espantada quando James desceu connosco para o salão Nobre em vez de ficar à espera do ser que ele chama namorada. Será que eles tinham brigado? Discutido? Quem sabe ele a tenha matado! Esqueçam, hoje ela estava bem vivinha no dormitório quando gritou connosco…
-James, o que aconteceu com o emplastro? – estava curiosa, aliás muito curiosa. Será que já não era necessário o meu plano maravilhoso?
-Ah, resolvi tomar o pequeno almoço com vocês para dar uns ares de mudança. – emburrei a cara outra vez e sentei-me na mesa ao lado de Lene e Alice.
-Hoje não escapas – sussurrou Alice, para que apenas eu, Lene e Mary ouvíssemos.
Boa, mais outra coisa para me preocupar! Óptimo!
Comi os meus ovos mexidos e o meu sumo de abóbora antes que o projecto de gente chegasse para não cuspir tudo na hora.
Remus foi ter com a professora McGonagall e trouxe-nos os horários. O ano passado tinha desistido de algumas disciplinas de modo que tinha um horário mais leve. A primeira aula era poções com os Slytherin com todos menos Peter que não tinha conseguido passar nos NPF's. Por falar em Peter, não o tenho visto por aqui! O que será que o rato anda a tramar? Não deu tempo para perguntar porque o demónio vinha na nossa direcção. Fugi dali e arrastei Frank comigo.
-Então, qual é o veredicto? – perguntei ainda a comer a minha torrada.
-Lily, come primeiro e fala depois, não percebi nada!
Ficámos em silêncio enquanto eu enfiava a torrada apressadamente na minha boca e a engolia.
-Qual é o veredicto? – perguntei novamente.
-De que raio estás a falar? – ele retribuiu a pergunta num tom confuso. Decidi adoptar outra táctica.
-Vi-te a olhar fixamente para Alice durante o pequeno almoço.
Ele corou fortemente e eu vi que a minha observação estava bem feita, ali havia qualquer coisa!
-Não sei do que estás a falar… - murmurou Frank, mas a sua cor avermelhada continuava a denunciá-lo.
-Frank, podes tentar mentir mas eu sei quando não dizes a verdade. – adoro quando tenho razão!
-E tu, Lily, o que se passa entre ti e o James? – Ok, essa foi bem colocada mas era extremamente e completamente desnecessária.
-Ok. Proponho um acordo: eu não digo a ninguém que tu gostas da Alice e tu não falas de mim e James.
-Combinado – e apertámos as mãos como se tivéssemos feito um contrato muito importante.
Parámos em frente à porta das masmorras à espera dos outros que tinham ficado muito para trás. Falámos de coisas banais como se aquele assunto, ou melhor, 'o' assunto não tivesse vindo à baila. Finalmente chegou a tropa toda (incluindo Melanie e Katherine), para quem mostrei uma cara de desgosto profundo e entrámos nas masmorras para mais uma aula de Poções.
Como sempre Slughorn deu-me pontos por a minha poção ser a melhor e do outro lado da sala pude ver Snape vermelho como um tomate a sibilar as palavras imperdoáveis 'sangue de lama'. Já ouviram dizer que bocas vindas de baixo não me atingem? Foi isso que aconteceu. Como o Ranhoso – Seboso já está mais reles que lixo e fica bem abaixo de mim virei-lhe as costas sem dar importância alguma ao ocorrido.
As aulas da manhã passaram-se rápido, assim como a hora do almoço, em que para me livrar do vermezinho que vive colado ao James decidi comer nas cozinhas. As minhas melhores amigas apanharam-me pelo caminho e levaram para uma sala vazia. Ainda gritei por socorro mas parece que uma garota ruiva com cara de pânico que é agarrada por outras três não é nada de incomum e pelo corredor onde passámos (volto a repetir que eu fui obrigada, de muito má vontade) as pessoas encolhiam os ombros e continuavam a andar sem qualquer solidariedade para com a moça que iria ser torturada.
Lene e Alice puseram-me numa cadeira e eu olhei-lhes, com um humor péssimo enquanto Mary trancava a porta de modo a eu não poder fugir.
-E agora Lily, vais-nos contar?
-E se eu não quiser? – contrapus, muito confiante.
-Nós temos os nossos meios para descobrir as coisas – disse Lene, com um sorriso malicioso ao mesmo tempo que tirava um frasco com um líquido transparente da mochila.
-Isso não é… - eu ia continuar a falar mas Alice querida cortou-me a palavra.
-É veritaserum, sim Lily!
-Como é que conseguiram? – perguntei eu, atónita.
-Temos uns provedores de material maroto. – disse Mary, que ainda estava na porta.
Eu mato-os assim que sair daqui!
-Vais contar ou eu tenho de te pôr a beber isto? – perguntou Lene.
-Ok, eu conto, mas não é por terem pedido com jeitinho. – resmunguei.
Abri a mochila e tirei do estojo o tal papel.
-Eu arranjei um plano, o plano 'A.N.' que quer dizer 'Arranjar Namorado'. E esse papelinho é a lista dos rapazes disponíveis de que eu me lembrei ontem. – esperei que elas se começassem a rir.
-Que óptima ideia – comentou Alice. – Quem sabe eu também possa participar! – ela disse isso com os olhos a brilhar.
-Podemos ajudar, por favor? Adoro essas coisas todas de planos e quem sabe ainda podemos fazer de agentes secretos! – isso foi a reacção de Mary. As minhas amigas são totalmente loucas. Quem não sabe que o diga. Eu era normal, até as conhecer. Agora a loucura tornou-se parte de mim e o mais incrível é que me sinto orgulhosa disso.
-Menos, Mary. Não vai haver agentes secretos – eu ria enquanto dizia isto.
-Ohh… - ela lamentou-se.
Só Lene ainda não tinha dito nada. Olhei para ela, que tinha um sorriso malicioso. Fiquei com medo, muito medo.
-E posso ver o pergaminho? – ela perguntou.
Eu não percebi do que ela estava a falar.
-O quê?
Ela suspirou e disse:
-Lily, o pergaminho da lista!
-Ahh, esse. – ainda o tinha na mão. -Toma.
Ela leu e riu-se. As outras duas chegaram perto dela para poderem também ler os nomes.
-E aqui não está James Potter – comentou ela.
-Claro que não está, eu não saio com caras comprometidos. – resmunguei eu, apesar de sentir um enorme desgosto interno e externo (aposto que dava para perceber a desilusão na minha cara).
-Acho que teremos um novo plano para nos entretermos – disse a morena antes de sairmos da sala.
As minhas amigas são malucas, eu sei, que se há-de fazer. Maníacas, umas psicopatas loucas mas são as minhas melhores amigas. Como elas dizem às vezes "Eu sou louca e orgulho-me disso".
N/A: Eu acho sinceramente que a minha canção do chapéu ficou muito aquém. Nunca tive jeito para poemas e etcs... Mas acho que em geral até foi bom, não?
Só me resta pedir os mesmos reviews de sempre.
Não sei ainda quando vou postar porque a fic não está terminada mas peço que tenham paciência.
Beijinhos ^.^
