Respondendo ao review:

-Alexia Black Potter: Está aqui o capítulo... Claro que continuo, mas nisso não há duvidas xD Sim, o James é o máximo, querido, lindo! É... enfim, o James. Espero que gostes do capítulo. Beijiinhos*

E o capítulo...


Capítulo 6 – Dias de doidos

Já se tinha passado um semana desde que James me tinha encontrado naquela sala a cantar. Ele cumpriu a palavra dele tal como eu cumpri a minha. Alice ainda não me tinha voltado a falar. Aliás, ela agora passeava-se pelo castelo com Melanie e Katherine, o que eu levei muito a peito.

Mary e Lene faziam o que eu carinhosamente apelidava de 'turnos' para não me deixarem sozinha e ao mesmo tempo tentar incutir juízo na cabeça oca da Alice. Contudo, quem mais sofria no meio disto tudo era eu, obviamente e Frank, que fora apanhado no meio da confusão sem sequer saber como e ainda estremecia cada vez que Alice lhe mandava um olhar gelado. Frank continuava a sair com a Sophie Miller (pelo menos, não havia sinais que indicassem o contrário) e parecia estar um bocado alheio aos acontecimentos que se desenrolavam à sua volta.

Ocasionalmente apanhei Mary e Remus a estudarem juntos numa mesa da sala comum e sorri internamente, tendo quase a certeza de que as minhas suspeitas estavam confirmadas. Nesse instante surgiu-me a ideia de montar uma organização para juntar os casalinhos mais prováveis. Eu até já tinha adivinhado três deles! Porém há quem saiba sempre desmoralizar-me…

Sirius não conseguiu parar de rir durante os vinte minutos que eu tive paciência de contar (depois desisti) antes de poder dar uma resposta que se aproveitasse. O que na realidade é um feito porque encontrar alguma coisa que ele diga e que preste é complicado. Enfim…

-Ruivinha, que ideia mas estúpida. Tu nem sequer consegues arranjar um namorado para ti! – comentou.

Eu fiquei muito chateada com a afirmação dele. Agora levaria o meu plano muito mais a sério. Emburrei a cara e fui sentar-me noutro sofá, de costas para ele.

-Desculpa Lily – disse depois de vir atrás de mim. – Mas é que a ideia é mesmo ridícula. – ele ainda se estava a rir.

-Só para que saibas, a decisão de não ter namorado é inteiramente minha. – disse-lhe. Que grande mentira. Eu não tenho remédio! – E a ideia é maravilhosa. Se não queres participar, óptimo. Não preciso de ninguém com espírito negativo. Pessimista! – levantei-me e subi para o dormitório enquanto ouvia as gargalhadas estridentes de Sirius.

Estava já há alguns minutos a ler um livro que eu tinha trazido de casa este verão quando entra a Lene.

-O que é que se passa com o cachorro? – perguntou-me.

Eu levantei os olhos do livro com uma expressão confusa.

-O quê?

-O Black está lá em baixo a rir feito urso. – disse ela.

Eu bufei.

-Ele tem a mania de dar nas vistas, deve ser isso. – respondi.

-Ou então quer ser internado no tal hospício de St. Mungus…

-Muito provavelmente, pode ser qu—

A porta abriu-se e entrou Alice com as duas novas amigas de modo que me calei imediatamente. Durante os cinco minutos que estiveram lá dentro (a retocar a maquilhagem) mantive o olhar fixo no livro, apesar de não estar a ler nada.

Eu suspirei de alívio quando elas saíram pela porta e continuei a fingir que lia o livro. Senti Lene a sentar-se ao meu lado e passado um segundo ela tirava-mo das mãos.

Lancei-lhe um olhar irritado.

-Eu estava a ler, Lene – resmunguei.

-Sim, eu sei que sim. – ela estava a sorrir – Com o livro de pernas para o ar?

Eu corei.

-Ahh, pronto, se queres saber… Eu nem sei sobre o que é o livro – disse-lhe.

-É por causa da Alice que estás assim?

-Por causa de tudo – resmunguei enquanto afundava a minha cara na almofada.

Ela levantou-se e passado pouco tempo a porta fechou-se.

Adormeci enquanto pensava numa maneira de resolver a situação com a minha querida amiga.

Bocejei e levantei-me da cama para começar a vestir-me para as aulas mas só depois reparei que o sol já estava alto. Parecia até que já ia a meio da tarde. Fui buscar o meu relógio enquanto franzia o sobrolho e mandei um salto quando vi que já eram quatro da tarde.

Mas que raio?

Ainda estava a meio de um sonho. Só podia! Belisquei-me para ver se era mesmo real e acontece que me doeu bastante.

Ah, raios!

Raios.

RAIOS!

Arregalei os olhos e levantei-me enquanto pegava na minha mochila e corria como uma louca escadas abaixo até chegar à dama Gorda. Aposto que as pessoas que passavam pelos corredores ao mesmo tempo que eu só viam um vulto de cabelos vermelhos a correr descontroladamente.

-Lily! – gritou uma voz conhecida.

-Mary? – perguntei em resposta.

Olhei à volta e constatei que no fundo do corredor pelo qual tinha acabado de passar surgia um grupo de gente que ria e acenava para mim.

Caminhei até lá. Ainda estava confusa sobre o que se tinha acabado de passar.

-Estás um bocado atrasada, ruivinha – disse James.

Eu ignorei-o e perguntei ao Remus.

-Afinal que dia é hoje?

Ele olhou-me como se eu fosse maluca enquanto os outros davam risinhos como se estivessem incrédulos. Qual é? É assim tão mau não saber em que dia estamos?

-Terça-feira. – respondeu.

-Mas terça não foi ontem? – ai, raios! Nem o dia da semana sei!

O Sirius aproximou-se e pôs-me a mão na testa.

-O que é que lhe deram? – perguntou teatralmente.

Eles riram-se. Muito gostam eles de se rir à minha conta. Acontece que eu não sabia qual era a piada.

-Que horas são? – já estava desesperada.

-Humm… Quatro e cinco. – disse Lene. - Tu adormeceste quando te deixei no dormitório.

-O quê? Acabaram de ter aulas? E não me souberam acordar? – eu estava a olhar furiosa para Lene e Mary que sorriam inocentemente.

-Estavas a dormir tão bem que nem quisemos acordar-te.

-Pois, claro. Se não me engano já deste essa desculpa este mês. – resmunguei.

-Mas é verdade. – contrapôs.

-Os senhores têm o prazer de sair do caminho ou vou ter de lhes dar uma detenção? – perguntou Filch com um sorriso sádico enquanto passava com a sua gata, Mrs. Norris.

Era só o que me faltava agora. Uma detenção a limpar a sala dos troféus com o Filch.

Comecei automaticamente a andar e só naquele momento percebi o trânsito que estávamos a causar. Éramos apenas oito num corredor estreitinho. Os outros alunos dispersaram lentamente e nós prosseguimos o nosso caminho para a sala comum de onde tinha saído há apenas uns 10 minutos, acho.

Agora que paro para pensar. O meu horário biológico está muito desregulado… Tenho acordado sempre com os gritos de Mary a chamar-me porque já está tarde. Só tenho fome em alturas impróprias e durmo sestas enquanto devia estar nas aulas. Que coisa mais estranha. Na verdade… Não tanto, eu acho que sempre fui assim.

-Terra chama Lily Evans – uma voz que decerto não pertencia ao meu subconsciente perfurou a minha linha de pensamento.

Eu estava parada à frente do retrato da Dama Gorda a pensar no meu horário biológico compulsivo. Será que dá para eu ser mais normal?

-Calado, chato – pus a língua de fora a Sirius.

-A pensar no teu plano de cupido mágico? – perguntou.

-Não, a pensar numa forma de te estrangular – eu sorri maliciosamente e ele deu um passo atrás como se eu fosse uma psicopata louca. – Estava a brincar. – sorri.

Ele suspirou.

-Six, és tão maricas. – Ele emburrou a cara e olhou para mim enquanto exclamava:

-Será que puré de ruiva é bom?

Eu fugi enquanto ele corria atrás de mim mas entretanto aqui a esperta tropeçou numa mochila que se estava a atravessar no caminho. Sim, ela atravessou-se. Mexeu-se. Num segundo não estava lá e no outro a seguir estava a sorrir para mim como se pudesse adivinhar a confusão que se seguiu ao ocorrido. Eu, como já devem ter percebido tropecei na tal maquiavélica mochila e cai de rabo no chão. (Não sei como, já que eu tropecei virada de frente mas desde que vim para Hogwarts que acho que tudo é possível). O que interessa é que eu cai e o Six (que ainda corria atrás de mim) caiu-me em cima, obviamente. E pronto, essa é a triste história do meu dia. O Sirius Black em cima de mim e, bem, quando caiu ele acidentalmente, hum, beijou-me. Sem querer, obviamente.

Eu fiquei muito constrangida, não só pelo que tinha acabado de acontecer mas porque a sala comum inteira parou tudo o que estava a fazer e ficou a olhar atentamente para nós. Sabem o que é terem todos os santinhos que são da vossa equipa a olharem para vocês enquanto vocês se levantam totalmente vermelhos? Provavelmente não, mas eu sei. Eu faria aqui uma festa por saber algo que ninguém sabe mas o problema é que eu realmente preferia não saber. Mas eu sei. A questão é que eu sei! DROGA! Sirius ajudou-me a levantar enquanto ficava vermelho (sim, o Six vermelho) e eu corri até aos nossos amigos.

Eles riam das nossas caras e do nosso constrangimento mas Lene parecia um pouco chateada. Eu puxei-a pelo braço enquanto ainda me escondia dos olhares que as fãs do Six me lançavam.

-Lene, não fiques chateada comigo, por favor. – pedi-lhe.

-Lily, eu não iria ficar chateada contigo. – ela riu-se. – Eu vi tudo o que aconteceu. Bonita queda, a propósito. Digna de uma moça como tu! De qualquer forma valeu a pena ver o Black vermelho com um tomate! – gargalhou.

-Pensei que me ias estoirar. – confessei e ela continuou a rir.

-Afinal já deixaste de resistir aos marotos – e é assim que se muda de assunto. Olhei-a. – O Sirius… - contou pelos dedos. - E o James… Apesar do James já o ter feito há muito tempo.

-Vai passear o Six.

-Vai chatear o James.

Eu aceitei o pseudo-convite dela e sentei-me ao lado do James (que, por seu lado estava sentado ao lado da namorada dele). Normalmente iria afastar-me deles mas hoje não é um dia normal.

-Olá! – disse. Eles não em ligaram. Na verdade, duvido que tenham notado a minha presença de tão embrenhados estavam nos seus assuntos. Que nojo, blhac! Estava a ponderar uma entrada perfeita… Digamos que eu afastava os dois e me sentava no meio. O que acham? Talvez para a próxima…

-Então, James? – perguntei, para anunciar novamente a minha chegada. Interrompi um beijo. Ups, foi totalmente sem querer… Quem é que eu estou a enganar? Foi totalmente de propósito, isso sim!

-Olá – ele sorriu-me apesar de Melanie me lançar um olhar carrancudo e acusador. AH! Eu sou a maior… Que melhor passatempo poderia existir do que chatear aquele ser?

-Estou a pensar em montar um negócio.

Entretanto ele tinha voltado os beijos com a namorada mas ao ouvir isto virou-se para mim com a sobrancelha franzida.

-Como assim? – eu sei sempre como chamar a atenção! Bendito Merlin!

-Eu tenho tido umas ideias que têm provado estar extremamente certas, então achei que poderia dedicar-me ao negócio. Deve ser o meu ramo de sorte.

-Lily, eu não estou a perceber nada. Negócio de quê? – continuava a olhar para mim, confuso enquanto ela tentava chamá-lo para continuarem o que estavam a fazer antes de eu chegar.

-Dicas de amor, e esse tipo de coisas… Eu já acertei em três casalinhos! – sorri.

Ele revirou os olhos. Deve ter sido de estar tanto tempo comigo. Até já tinha apanhado alguns tiques…

-Estou a falar a sério. O Cupido que se vá reformar.

O meu plano de desviar a atenção dele estava a correr muito bem. Tanto até que a Melanie estava a bufar de tanta irritação. 1-0 para mim.

-E nós, achas que vai resultar? – perguntou-me enquanto apontava para ele e a namorada.

Eu sorri ironicamente enquanto respondia:

-Claro que não. Mas isso eu já sabia desde o começo! – ele riu-se enquanto ela punha um ar zangado e chateado ao mesmo tempo e se ia embora.

Já fiz a minha boa acção do dia! Livrar uma pessoa decente da companhia de uma reles. Posso passar a fazer de super-heroína, também! Essa já foi a brincar…

Ele ainda estava a rir mas olhava constantemente para o sítio onde estavam Katherine, Alice e Melanie.

-Tu não vais fazer isso pois não? – perguntou-me com um sorriso.

-Claro que vou, qual é a dúvida?

-Na verdade, nenhuma.

E fiquei a falar-lhe dos meus projectos até chegar a hora do jantar. Ele ria de qualquer coisa que eu dissesse, nem que fosse aleatória. Aposto que se tivesse dito 'Vou por um sapo vestido de cupido a cagar corações preso no tecto' ele riria na mesma. A sério, este rapaz tem um grave problema de alegria a mais. Não que eu me esteja a queixar, é claro. Mas às vezes assusta.

O jantar passou-se tranquilamente (apesar de eu não ter comido quase nada. Já mencionei o meu horário desregulado? Brincadeira…) e depois por muito estranho que pareça fui-me deitar. Já dei a desculpa da minha desregulação hormonal mas deitar-me às 21h00 da noite? Isso já é um caso estranho de uma doença daquelas que só aparecem nos jornais ou noticiários!

Deitei-me na minha caminha quentinha depois de vestir o pijama e pus-me a ler o tal livro de hoje à tarde. A única diferença é que agora estava mesmo a lê-lo. Era sobre uma rapariga que de tão confusa se confundia a ela e aos outros e que no meio de tudo perdia o amor da sua vida. Eu bufei, fechei o livro e atirei-o para o outro lado do quarto. Realmente, há coisas irónicas.

Tentei dormir mas por causa da sestazinha da tarde, a minha tarefa foi muito complicada. Tanto que às duas da manhã me levantei e fui para a sala comum. Estava na esperança que se ficasse algum tempo a olhar para o fogo pudesse finalmente dormir.

Mas mal cheguei à sala constatei que não era a única com problemas em adormecer. Remus estava sentado num cadeirão a olhar para a janela com um ar absorto.

-Remmie? – chamei-o.

Ele saltou e eu pedi desculpa por o ter assustado.

-O que fazes aqui a esta hora? – perguntamos os dois o mesmo tempo.

-Responde primeiro. – dissemos e começámos a rir.

Deve ser do meu estado de inconsciência, rir destes disparates.

-Não conseguia dormir… Foi a sesta de hoje à tarde. – eu ri.

Ele acenou com a cabeça.

-Problemas com a lua? – perguntei-lhe.

Ele arregalou os olhos.

-Sabes disso? – perguntou.

-Já há algum tempo… E isso não me importa. Não deixo de gostar de ti. – ele sorriu calmamente e depois voltou a olhar pela janela para a lua que brilhava.

-Sabes, às vezes acho que por ter este problema, por ser diferente, não posso viver uma vida normal. Eu não posso amar.

-De que é que estás a falar, Remus John Lupin? – ele que não se pusesse a pensar essas baboseiras.

-Eu não quero magoar as pessoas de quem gosto. – parecia convicto mas eu ganho sempre!

Claro que ganho. Menos ao James…

-Rem, é claro que podes amar. Teres esse problema não te impede de viveres uma vida normal. Todos gostamos de ti por quem és. E é claro que não te vamos deixar para trás só por causa disso.

-Eu sei mas, é que…

-Tu és igual a todos nós. E mereces ser feliz. – finalmente sorriu.

-Obrigado Lils.

-De nada! E vê lá se não te pões com essas coisas outra vez…

Ele não prometeu mas eu esperava que já tivesse compreendido.

-Então e contigo, Li? O que é que se passa?

-Comigo? Nada! – credo, será que é perseguição… Sou assim tão previsível, tão transparente ou toda a gente me conhece imensamente bem para saber que se passa não sei o quê comigo?

Frank, Alice, Mary, Lene, Remus…

Ai, isto só pode ser perseguição!

Ele colocou um daqueles olhares que só os marotos sabem fazer, o 'a mim não me enganas' e eu suspirei.

-Tu tens andado um bocadinho em baixo. – não era uma pergunta.

-É verdade. Tens andado muito observador. – sorri para ele ao que ele continuou com um olhar curioso. – É por causa de toda esta confusão… Da Alice e do James e—

Eu matei a minha boca. Prometo que nunca mais falo! Para quê, se cada vez que a abro só sai porcaria?

-O James? – inquiriu ele. Parecia que tinha chegado ao ponto da conversa que lhe interessava.

-E tu e a Mary? – desconversei.

-Lily, não mudes de assunto.

-O que tem eu e o James, afinal? – perguntei, levantando os olhos para o encarar.

-Não sei explicar mas há aí qualquer coisa que não está bem resolvida. – alguma coisa que não está bem resolvida? Estar até está. O James está com a Melanie e eu, eu estou com o vencedor do meu concurso!

-Está tudo bem. Não estamos zangados!

Ele revirou os olhos.

-Não é isso, Lily. Tu e ele, parecem perfeitos um para o outro… - Ora bolas! Eu a tentar esquecê-lo e o Remus a dizer que somos perfeitos. Força aí!

-Nós não somos perfeitos um para o outro. Nunca o fomos…

Ele ia argumentar pelo que eu continuei, afinal se tenho de falar, ao menos que diga tudo de uma vez.

-E nunca vamos ser. Será que ainda não perceberam que ela namora com a Melanie? Até eu já aceitei isso. Porque é que vocês não esquecem simplesmente?

-Espera, tu disseste que tinhas aceitado isso? Lily, eu preciso de te fazer esta pergunta. Desculpa. – pediu. – Tu gostas do James?

Ora bolas… Estou encurralada.

Entre a espada e a parede.

Entre a mentira e a verdade.

Oh, céus, vai-me dar um colapso nervoso.

-Eu gostei. – corrigi. – Agora estou na fase de esquecimento.

Ele deu um grande sorriso e eu juro que pude contar quantos dentes ele tinha na boca. (Acho que estavam todos… Ai, preciso de uma cama, já me estou a sentir cansada!)

-Eu sempre soube que ainda ias gostar dele. Mas… - ele parou um bocado e o sorriso diminuiu. - Acho que descobriste tarde demais…

-A sério, Remus? Quem diria… E eu que achava que poderíamos vir a namorar. – sarcasmo é bem bom! – Eu tenho consciência disso. Aliás, eu já comecei a tratar de tudo.

-O que é que vais tramar? – perguntou-me.

Eu pus o meu melhor ar de inocente.

-Eu? Nada…

-Lily… - ele gargalhou. – Só porque estou a ficar com sono não quer dizer que esteja vesgo, sem ofensa para o James, claro. – eu ri. – Vi muito bem esse arzinho de quem ia aprontar. Tu podias tornar-te uma marota, sabes? – piscou-me o olho.

-Ah, Remus… isso parece muita responsabilidade para uma pessoa só. Eu vou pensar no caso. Boa noite, gostei de falar contigo. – fui andando lentamente até às escadas e saltei degrau a degrau até chegar ao patamar.

Corri até à minha cama e tapei-me com os lençóis para não passar frio.

No dia seguinte acordei antes de todas as outras raparigas. O que é estranho é que eu não tinha acordado cedo, pelo contrário, normalmente àquela hora já Mary andava aos pulos pelo dormitório a cantarolar.

Pé ante pé caminhei até à cama dela e depois de a isolar acusticamente do resto do dormitório gritei:

-BOOOOOM DIAAAAAAA!

Ela saltou da cama, ao que eu ri muito.

-Como dormiste, amiguinha do coração?

Acho que Mary ainda não tinha percebido onde estava. Passei a mão à frente dos olhos dela e esta despertou do transe.

-Acordamos a Lene? – perguntei-lhe.

Ela acenou com a cabeça e esgueiramo-nos as duas da cama, indo para a que ficava do outro lado da minha. Abri as cortinas e sussurrei-lhe ao ouvido.

-Oh não, oh não. Fogo! – imitei uma voz em pânico.

-Lene, rápido, salva-te! – continuou Mary ainda com a voz rouca devido ao sono.

Lene levantou-se rapidamente.

-Não se preocupem comigo! FOGO! AJUDA! PRECISAMOS DE ÁGUA. RÁPIDO, IDIOTAS! – gritava ela. Eu ria muito. E é esta a melhor forma de acordar Marlene McKinnon! A ela e aos restantes Gryffindor que deviam ter apanhado um susto com a gritaria.

Ela finalmente deve ter percebido que não havia fogo nenhum, e muito enraivecida pegou na varinha e lançou-nos um jacto de água.

-Agora o fogo já está apagado, meninas. Já não há perigo.

Eu estava encharcada até aos ossos, toda despenteada e cheia de frio mas já tinha começado bem o dia. Lene podia molhar-nos mas não podia tirar-nos as recordações dela aos gritos.

Quero dizer, poder até podia mas é melhor não dar ideias.

Vesti o meu uniforme depois de me secar e descemos as três juntas para a sala comum.

Os rapazes desciam ao mesmo tempo que nós e eu dei por mim a rir ao lembrar-me da minha conversa com Remus do dia anterior.

-Bom dia! – disseram os quatro ao mesmo tempo (Peter não estava) e eu ri-me outra vez.

Será que o James me pegou essa doença grave do sorriso? Quero dizer, uma das minhas melhores amigas está chateada comigo. Será que eu não devia estar triste? Gosto do namorado da minha inimiga. Afinal, o que se passa comigo?

Ai, eu devia saber… Eu sou anormal.

Posso desculpar-me com as hormonas?

Por falar em hormonas… Acordei cheia de fome!

-Gente, podemos despacharmo-nos? Estou a morrer de fome! – e como para comprovar o meu estômago roncou.

Descemos todos para o pequeno-almoço menos James que decidiu esperar pela namorada. Eu sentei-me na mesa e comecei logo a atacar a comida. Como consequência da minha rapidez a tomar o pequeno-almoço fiquei à seca dez minutos à espera que eles acabassem. Mas como hoje estava totalmente irrequieta e não conseguia parar nem um minuto, comecei a fazer bolinhas de pergaminho e a mandar às pessoas que passavam por nós.

Por uma das vezes acertei no olho de um Slytherin que saia do salão. Fiz uma cara séria enquanto ele olhava para todos os lados com o intuito de apanhar quem lhe tinha feito aquilo. Acertei no sumo de abóbora do Sirius, mas ele não reparou e continuou a bebê-lo. Obviamente que comecei às gargalhadas e toda a mesa (sem exagero algum) me encarou como se eu fosse demente mental (O que eu não discordo totalmente). Quando Melanie se estava a sentar mandei-lhe uma bolinha para a camisa (que por acaso se enfiou pelo botão que ela tinha aberto) e esta fez uma dança esquisita para o conseguir tirar. James mantinha um sorriso divertido enquanto ela fazia aquilo e depois olhou para mim. Eu baixei a cabeça, totalmente inocente.

Ah, falando a sério… Esta é capaz de ser uma das coisas mais giras para se fazer de manhã.

Os tiros foram-se tornando mais constantes e quando nos fomos levantar para sair, já todos os meus amigos, de uma maneira ou outra, tinham provado a minha óptima pontaria.

A primeira aula seria de História da Magia, por isso fomos andando lentamente para a sala que ficava no 2º andar. A certa altura alguém me deu um encontrão e eu deixei cair o meu saco ao chão. Olhei para cima para ver quem seria o ser inteligente e encontrei Alice que passava com elas. Bufei e baixei-me para apanhar os meus livros, pergaminhos penas e tinteiros.

O meu azar é que o tinteiro preto se tinha partido em cima de tudo o que estava no saco. E quando digo 'tudo' não é exagero algum.

Murmurei 'tergeo' e rapidamente ficou tudo limpo. Sorte a da Alice, senão ia pagar-mas. Além de ficar zangada por uma coisa totalmente estúpida e improvável ainda anda aos encontrões comigo. Merlin, dá-me paciência.

Os meus amigos já tinham seguido caminho e deixado aqui a coitada sozinha no corredor. Continuei a andar e entrei pela sala, chegando a tempo de me sentar ao lado de Mary. Miraculosamente Lene havia desaparecido.

Como todos sabemos as aulas de História da Magia são totalmente para não prestar atenção, logo…

"L.E. – Onde está a Lene?

M.M. – Não faço a mínima ideia…

L.E. – Como não sabes? Ela estava atrás de ti.

M.M. – Num segundo estava lá, no outro evaporou-se.

L.E. – Oh, tudo bem, deve ter arranjado um pretendente por aí.

M.M. – É bem capaz…

L.E. – E então, Mary, como está o Remmie?

M.M. – Porque não lhe perguntas a ele? Está mesmo atrás de ti!

L.E. – Tens razão!

Remus Lupin – Lily, o que queres agora?

L.E. – Saber novidades.

R.L. – Importas-te de deixar de mandar o pergaminho para a minha cabeça? Estou a tentar prestar atenção!

L.E. – Oh, que fofinhos. Vocês são o par perfeito. A Mary disse exactamente a mesma coisa no outro dia. Ai, o amor!

M.M. – LILY!

R.L. – Lil, olha que eu sei muita coisa acerca de ti. Não comeces com idiotices.

L.E. – Que é isso, Remmie? Pensei que fosses mais simpático, agora chantagear uma amiga?

R.L. – Quando a necessidade chama.

L.E. – Ai é? Agora fiquei chateada, ingrato!

M.M. – Oi?

R.L. – Eu não sou ingrato, Lils, sou inteligente!

L.E. – Desde quando um ser inteligente presta atenção a História da Magia?

R.L. – Lá está. Neste momento não estou a prestar atenção e se bem me lembro, depois pedes-me os apontamentos, portanto…

M.M. – PESSOAL! Eu estou aqui!

L.E. – Olá Mary!

M.M. – Hunf.

R.L. – Mary, estavas aí? Desculpa…

M.M. – Não, Remus, estava ali!

L.E. – Podem ficar a conversar, crianças. Eu hoje tiro os apontamentos."

E foi assim que eu cedi o meu lugar da conversa ao Remus e ainda prestei atenção (o que foi um grande desafio) ao tédio que era aquela aula. Como troca, quando a aula acabou os meus dois amigos-pombinhos estavam muito contentes. Ao menos isso.

Teria um tempo livre até ao almoço, por isso decidi ir passear para a beira do lago. Infelizmente os meus amigos tinham-se inscrito noutras aulas que, extraordinariamente ocupavam o meu espaço livre de hoje de manhã. Todos menos Lene, que tinha desaparecido.

Levei os meus trabalhos de casa na esperança de poder adiantar alguma coisa deles, já que estava um pouco atrasada. No entanto, isto revelou-se completamente complicado já que James se sentou ao meu lado apenas alguns minutos depois de eu ter chegado. Já me tinha esquecido que ele tinha as minhas aulas que eu… Droga!

Estivemos a falar de assuntos de delegados dos alunos, horários de rondas para o próximo mês, tabelas de pontos e detenções. Não me lembro como mas a certa altura a inocente conversa atingiu pontos perigosos.

-Eu vi-te no outro dia. – comentou, absorto.

-Tu vês-me todos os dias, James.

Ele franziu o sobrolho.

-Lá, naquela sala. – continuei sem perceber.

Será que ele estava a falar da sala onde estive a cantar? É claro que me viu, ele até falou comigo.

-Explica-te melhor. Ainda não entendi do que estás a falar. – o que quer que fosse que ele estava para dizer, parecia complicado de sair.

-No dia em que foste parar à enfermaria. Bem, eu vi-te a entrar na sala onde eu estava com a Mel.

MERLIN!

Ele viu, ele viu, ELE VIU! Isso é horrível!

Um desastre!

Uma catástrofe!

UM… NEM CONSIGO EXPRESSAR-ME.

Somente esse único e aparentemente inútil facto pode mudar a minha singela vida para sempre. Ele pode descobrir que eu gosto dele, afastar-se e viver feliz para sempre enquanto o meu plano corre mal, eu fico sozinha e solteirona o resto da vida toda porque não encontro alguém que goste de mim. Baah, que drama!

-De que é que estás a falar? – tentei dizer calmamente para que as minhas emoções não me denunciassem.

Não poderia admitir que tinha sido eu. Ele saberia que o meu desaparecimento poderia eventualmente estar relacionado com aquilo!

-Lily! – parecia exasperado. – No dia em que foste parar à enfermaria.

-Continuo sem perceber! – isto chama-se fazer-me de difícil e impedi-lo de arruinar o meu futuro!

-Eu poderia dizer que tinha visto mal, e provavelmente até seria verdade, isto se não fosse o facto de que não existe mais nenhuma ruiva em Hogwarts.

E é agora que eu culpo Merlin por ter cabelos vermelhos, cor de fogo, acajus que sobressaem numa multidão. Chamei a Dumbledore todos os nomes que consegui inventar enquanto pensava numa solução para resolver tudo.

O que é que Dumbledore tem a ver? Bem, ele é o director da escola e não convidou mais nenhuma rapariga ruiva para vir para aqui. Sinto-me sozinha e inferiorizada e sem eventuais desculpas para o meu, aham… Pequeníssimo problema.

-James, eu gosto tanto de tii! Vamos embora antes que comece a chover! – levantei-me e comecei a andar rapidamente para o castelo.

Olhei para trás e vi o rapaz ainda sentado ao pé da árvore, com a sobrancelha franzida e olhando para mim com descrença.

Como eu compreendo a sua reacção. Hoje estava um magnífico dia de sol… As minhas ideias são mesmo ruins…

-Anda lá! – eu chamei-o novamente.

Este levantou-se e entrámos os dois no castelo ao mesmo tempo que todos os outros alunos saiam das aulas. Os corredores encheram rapidamente e eu perdi-me de James.

Cheguei à sala comum ainda sem encontrar ninguém conhecido (leia-se os meus amigos), fui buscar a minha mochila e dirigi-me para as estufas, onde teria a próxima aula.

A professora Sprout tinha chegado há já alguns minutos e nada de nenhum aluno aparecer. Nem um. Só eu, Lily Evans, na aula de Herbologia. Onde estão os nerds-alunos-perfeitos-que-nunca-se-atrasam? Por onde andam os meus ridículos amigos?

Eu já estava a desesperar quando finalmente vejo uma manada de gente a entrar nas estufas a por conversas em dia e a rir. E lá atrás, no final da avalanche de pessoas um grupinho chamado 'marotos e cia'. Esperei calmamente que estes chegassem ao pé de mim para os atacar com perguntas.

Infelizmente não foi possível porque assim que eles chegaram fez-se um silêncio sepulcral e a professora Sprout começou a dizer que hoje teríamos de transplantar umas tais plantinhas manhosas dela.

Depois de ter colocado as luvas e posto as protecções nos olhos tentei conversar com Sirius, que estava ao meu lado.

-O que aconteceu hoje? – perguntei.

-Nada, Lils. Porque?

-Vocês chegaram atrasados. Vocês e o resto da turma toda… - eu esquivei-me enquanto uma plantinha fofinha me tentava cegar.

-Lily, tu é que chegaste mais cedo. - ele revirou os olhos.

Ah, isso fazia sentido…

-Oh…

Uma rapariga dos Hufflepuff chamou Sirius para combinarem um encontro e eu virei para o outro lado com o intuito de interrogar Lene mas esta olhava para Sirius com um ar matador e eu tive medo de lhe perguntar o que quer que fosse.

-Agora vais ter de confessar, Lene. Qual foi o rapaz que esteve contigo hoje de manhã? – interrompi.

-Lily? De que estás a falar? – ela estava confusa.

-Ah, esquece. O que aconteceu hoje para desapareceres em História da Magia?

Ela corou antes de responder.

Eu fiquei muito curiosa. Muito mesmo! Não é todos os dias que se vê Marlene McKinnon a corar!

-Ah, bem…

-Sim? – incitei-a a continuar.

-Eu e o Sirius beijámo-nos.

-O QUÊ? TU E O SIX? – eu ri. – EU SABIA, EU SABIA! OBRIGADO MERLIN! Só uma coisa… Ele não estava na aula?

-LILY! Não quero que todo o mundo saiba. – eu sorri amarelo. -Não, ele não estava na aula. Ele disse que queria falar comigo e fechou-nos numa sala. E depois beijou-me. Sempre muito romântico, o sacana.

Olhei para Six, que ainda conversava com a tal rapariga dos Hufflepuff. Ele não podia, simplesmente! Sirius não podia beijar Lene e depois sair com outra.

-Foram só beijos. Ele não vai deixar de ser um garanhão presumido com um ego enorme e muito menos vai gostar de alguém de verdade. – ela suspirou.

-Mas Lene, tu gostas dele não é? – perguntei-lhe.

-Não! – apressou-se a responder. – O Black? Há tantos rapazes decentes em Hogwarts, porque é que me haveria de apaixonar por esse? – parecia que ela estava a tentar convencer-se a si mesma.

Virei-me para o lado ainda a tempo de ver Sirius a sorrir à tal rapariga.

-Não tens vergonha? – sussurrei-lhe ao ouvido.

-De seres minha amiga, Pimentinha? Ter até tenho. Desde quando é que já se viu um maroto amiga de uma delegada dos alunos certinha?

Eu fechei a cara e respondi de mau humor:

-Não, Black. – ele deixou de sorrir. – De beijares a Lene e logo a seguir combinares um encontro com uma perua?

-Ah, disso. – ele estava constrangido.

-Vocês podiam namorar, casar-se e ter filhos lindos. E depois eu poderia ser madrinha deles, mas não. Preferes arruinar tudo antes mesmo de ter começado.

-Lily, eu nunca disse à Lene que queria mais do que beijos. Sirius Black não se apaixona. Ele é de todas. Eu gosto de ser livre.

-Sirius! – exclamei.

Ele deu o famoso sorriso dele que derrete todas os habitantes do sexo feminino do castelo.

-Tu ainda te vais arrepender disso. Eu sei que sim.

-Nem sempre estás certa, ruiva.

Não pude contestar as baboseiras que ele disse porque de repente senti algo a puxar-me para cima. Olhei para o lado e vi uma das plantas que devíamos estar a transplantar com o seu tentáculo parecido com o da lula gigante a segurar-me a alguns metros do chão.

Eu nem tenho medo das altura mas estar presa a uma planta-diabo que a cada momento te aperta mais não é propriamente agradável.

-Pimentinha, tem calma. – gritou Sirius.

De repente toda a turma ficou a olhar para mim, enquanto eu era arrastada pelo vegetal gigante.

-E fazerem alguma coisa? – gritei.

Rapidamente a professora Sprout mandou um feitiço que fez a planta ficar estática e os tentáculos dela desenrolarem-se de mim. Eu estava livre mas o problema era que à medida que ela me libertava, eu ia escorregando e a certa altura cai.

Sabem quando os segundos parecem que passam em câmara lenta? Foi mas ao menos isso. Fechei os olhos, cheia de medo e à espera do impacto de cair no chão.

No entanto, em vez de cair no chão, cai num sítio fofinho. Olhei para cima e vi uns olhos castanhos a fitarem-me atentamente como se quisessem fazer um exame para ver se estava tudo bem.

É óbvio que reconheci aqueles olhos. Eram os olhos por quem eu me havia apaixonado. James. Alguns segundos depois do meu reconhecimento ele soltou-me no chão com cuidado, como se estivesse com medo que eu caísse.

-Obrigado, James.

Ele sorriu.

-O prazer foi todo meu. Estás bem?

-Sim, óptima. Graças a ti. Fico a dever-te um favor.

-Então será que já podes dizer-me o que fazias a espreitar à porta da sala?

Eu aproveitei que a aula tinha acabado e fugi sem responder à pergunta. Óptimo. Mesmo bom. Agora teria também de fugir de James!


N/A: Boas tardes!

Peço mil desculpas pelo grande atraso do capítulo, eu já o tinha escrito mas começou a época de testes e tive de estudar todos os santos dias... Baah!

Vou tentar postar mais rápido mas ainda só escrevi 3 páginas word do próximo capítulo e este fim-de-semana vou acampar -'

Lá para quinta da próxima semana vou tentar postar o próximo!

E quanto a este capítulo... Ainda não foi agora que a Lily confrontou a Alice (isto, se isso acontecer, clar =P ) e o James sempre viu a Lily na porta da sala... huhuhu, sim, sempre pode piorar!

Muitos beiijinhos e mandem reviews, por favor

motiva muito, mesmo, mesmo, muitoo!