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Boa leitura (;
Upside Down
by Inês Potter
Capítulo 7 – Desavenças
Nem esperei que todos os outros começassem a sair. Estava com medo que James continuasse com aquelas perguntas às quais eu não queria responder. Só na minha vida é que isto acontece.
Eu poderia, provavelmente entrar numa editora inglesa para criar histórias de telenovelas. A minha triste vida dava uma boa telenovela mexicana, daquelas em que acontece o possível e o impossível.
Como eu estava a dizer, andei (ou corri) para o castelo e sentei-me na mesa para puder comer e fugir novamente. Eu não sei, mas acho que o chapéu seleccionador me pôs na equipa errada. Que raio de Gryffindor é que foge assim dos problemas?
Hum… Eu. Só eu, acho.
Estava a comer as minhas costeletas com puré quando os outros chegam e se sentam à minha volta. Dei uma espiadela para averiguar em que sítio estava James e encontro-o no lado oposto da mesa.
Só de pensar que agora vou ter de fugir dele…
Andei a atirar pedras à cruz, por acaso, para nada me correr bem? Devo ter feito alguma coisa noutra vida, só pode.
-Lily? – senti alguém a abanar-me.
-Sim?
-Finalmente acordou! – disse Peter.
-Desculpem, estava a pensar noutra coisa… - eu corei. Porquê a mim?
-Pois, eu imagino que sim, Lily. – gargalhou Remus enquanto me deitava um olhar cheio de significados.
-Sabe alguma coisa que nós não, Sr. Lupin? – perguntou Six.
-Claro que não, Padfoot. – eu ri enquanto olhava para o sorriso inocente de Remus e as caras de quem estava a apanhar do ar do Peter e do Sirius.
-Não percebi… - concluiu Peter antes de voltar à comida.
Sirius ainda olhava de esguelha para nós como se quisesse descobrir algo que lhe estava a escapar por entre os dedos. Isto digo eu, que sei bem o que ele estava a perder…
-Mas a final porque é que me estavam a chamar? – perguntei.
-Ahhh, isso, já me tinha esquecido! As provas para a equipa de Quidditch são no sábado à tarde.
-Finalmente! Já estava a pensar que este ano não tínhamos equipa! – quase gritei, estava tão feliz! O Quidditch distraia-me tanto do mundo em redor!
Eles riram-se do meu entusiasmo.
-E vocês, vão participar? – perguntei.
-Mas que pergunta, Lilyzinha, assim até fico ofendido! – murmurou um Six escandalizado.
-Eu não… Nunca fui muito com o Quidditch, mesmo. – comentou Remus.
Peter apenas fez alguns acenos frenéticos com a cabeça como se estivesse a dizer que não. A boca estava demasiado ocupada a mastigar qualquer coisa…
-Mas devias, aquilo é mesmo divertido. Além disso este ano a equipa vai estar imensamente forte.
-Lily, Lily, realmente. Ainda não fizemos as provas, não podes dizer que vai ser forte.
-Mas nós vamos lá estar todos…
-Não sabes, não és tu que escolhes. Imagina que não ficavas na equipa este ano. – eu olhei para Sirius, que continuava a tagarelar sobre a minha possível saída da equipa porque tinha engordado e a vassoura já não aguentava comigo.
Eu cheguei perto do ouvido dele e gritei:
-SIRIUS, CHEGA !
E ele calou-se mas só depois de mandar um pulo, olhar assustado para todos os lados e entornar o sumo de abóbora na camisa. Óptimo.
Remus fazia um esforço imenso para não se rir mas Peter não conseguiu aguentar e mandou metade da comida cá para fora enquanto caia no chão de tanto gargalhar.
Six puxou-me por um braço para fora do salão Nobre e eu fiquei assustada com a expressão de raiva dele.
-Sirius, onde vamos?
-Vamos ao dormitório. – retorquiu.
-Fazer o quê?
-Trocar de roupa.
-Para quê? Estás tão cheiroso com o suminho aí.
Ele voltou ao olhar matador. Sabem aquela expressão de 'Se o olhar matasse'. Aqui aplicava-se inteiramente.
-Se estou assim tão cheiroso porque é que não te encostas a mim? – eu sorri ironicamente. Não interpretem de maneira errada. Perversos, tsc tsc.
Ele tentou abraçar-me mas eu escapuli-me por baixo do braço que ele tinha esticado. Uma vantagem de ser de altura mediana. Mediana, não baixa.
-Desculpa, Sirius, eu não quero mesmo nada ficar molhada. Mas eu sabia que estavas carente, sozinho e precisavas de carinho. Vai lá trocar de roupa que eu abraço-te quando desceres. – disse-lhe enquanto lhe apertava as bochechas como se ele fosse um bonequinho de peluche.
Ele riu.
-Muita piada, ruiva. Estragaste agora também vens. – e o ser maluco que estava à minha frente arrastou-me pelas escadas acima e obrigou-me a passar pela porta do dormitório.
O dormitório dos rapazes não é tão mau assim. Tem alguma roupa espalhada e livros, pergaminhos mas não é a ilha do sumiço.
A cama que estava numa das pontas era a única que estava feita. O malão estava arrumado e os livros empilhados. Só podia ser de Remus. Aproximei-me da segunda e sentei-me. Tinha algumas fotos dos marotos e uma foto de James e Melanie. É claro que esta cama só poderia ser de James. A seguir era a de Sirius, uma vez que este se mandou para cima dela, a outra era a de Peter e a última de Frank.
-Já escolheste a tua cama preferida, Lily? – perguntou Six com um olhar malicioso.
-Ahh, só estava a ver de quem era.
-Sei,… - sussurrou ele, ainda com a mesma expressão.
-SIRIUS! – gritei e ele assustou-se.
-Qual é, Lil? És capaz de parar de me assustar? – perguntou.
-Hum… É que, sabes não há problema que tires a camisa à minha frente mas as calças já é um bocadinho demais.
-Ah, Lily. Até parece que nunca me viste de calções de banho.
-E não vi. – comentei.
-Pois mas um dia vais ver… - e piscou-me o olho. O que eu aturo… - E olha que até te vais arrepiar com a visão deliciosa que terás. – eu revirei os olhos.
Levantei-me da cama onde estava e dei-lhe um burro no braço.
-Lily.
-Sim?
-Estou sem boxers!
-O quê? Haaaaaaaaaaaaaaaaaaaah! – instintivamente pus as mãos nos olhos e virei-me de costas para ele.
Assim que fiz isto ele começou a gargalhar e eu fiquei sem perceber. Mas de maneira alguma iria tirar as mãos dos olhos. Quem sabe o que é que eu iria ver?
-Podes abrir os olhos, ruivinha.
-NÃO! Não te quero ver nu, Six.
-O que é bom é para se ver.
-Six! – repreendi-o enquanto lhe dava uma chapada no ombro.
-Eu estava a brincar… Estou de calças, maluca!
-Prova-o.
-E como é que esperas que eu faça isso?
-Ahhh… Não sei.
Entreabri os olhos ligeiramente e deixei escapar um suspiro de alívio porque ele estava vestido. O Sirius é bonito mas eu realmente prefiro não ver certas coisas.
-Ok, Six. Já paraste com as gracinhas, então vamos embora.
-Ahah, que piada ruiva! Agora quero saber o que tu e o Remus sabem e eu não.
Eu pisquei os olhos diversas vezes, atónita.
-Sim, porque o Pete pode ter caído mas eu sou inteligente! – elevou o peito, orgulhoso e eu revirei os olhos.
-É uma longa história…
-E e eu tenho muito tempo! – ele empurrou-me para cima da cama dele onde me fez sentar. Estou a ter um dejá vu. Eu, sentada na cama a contar às minhas amigas o que sentia por James. Há coisas que nunca mudam… Mas desta vez não iria dizer nada! Qualquer dia todo o mundo sabe que eu gosto dele. Onde vai parar o meu orgulho?
-Mas eu não quero contar! – fiz beicinho.
-Vá lá, Lils, não confias em mim? – perguntou, ficando subitamente sério.
-Eu… - ele olhou para mim como se não quisesse acreditar. – é claro que confio em ti, mas.. – suspirou de alívio.
-Há sempre um mas. – resmungou.
-Oh, Six, não faças fita. – ele fez beicinho. – O Rem só sabe porque calhou. Ele meio que me deixou sem opção…
-Lily, eu assim sinto-me deixado de parte. – ele fez a cara de cachorrinho abandonado.
Ah, assim não é justo!
-Não faças essa cara! – pedi-lhe.
-Lily!
-Sirius.
-Lils…
-Siix.
-Lil!
-Padfoot. – resmungou James quando entrou pelo quarto adentro.
Virei-me muito rapidamente para o ver a entrar pela porta do dormitório de tal forma que quase ia voando (literalmente) para o chão. Ah, salva pelo gongo! O pior é que James também quer retirar algumas informaçõezinhas de mim.
Vida de loucos. Vida de loucos. Vida de loucos. Merlin! Porquê eu?
-Que estavam a fazer aqui? – perguntou.
-Ah, o Six entornou sumo de abóbora na roupa toda e veio trocar-se.
Ele elevou uma das suas sobrancelhas.
-E tu vieste trocar de roupa com ele, Lily? – continuou o interrogatório como se estivesse a falar comigo mas olhava para Sirius. Este apenas deu de ombros e o olhar de James voltou a incidir sobre mim.
-Não, eu não fiquei suja. Foi ele que entornou o sumo para cima dele!
-Então o que é que ela está aqui a fazer? Por acaso precisavas de ajuda para te despires? – perguntou ao Six.
-Eu tinha de falar com ela, por isso aproveitei. Não, eu não preciso de ajuda para me despir, obrigado pela oferta. – respondeu Sirius, irónico, enquanto olhava de uma forma estranha para o James. Como se ele fosse uma pêra com uma saia de hula a dançar o macarena.
-Sim? – interroguei. Não percebi para quê tanta pergunta.
-Não é mais do que isso?
Eu fiquei completamente vermelha quando ele disse isso.
-Como assim mais? – eu perguntei mesmo apesar de saber o que queria dizer.
-Saídas e beijos, tal como aquele lá no sala comum. – ele fitou-me atentamente enquanto esperava pela resposta. Eu fiquei ainda mais vermelha (se é que é possível).
-Aquilo não foi um beijo. Foi um acidente. – resmunguei. – E que eu saiba, James Potter, não tens nada a ver com a minha vida amorosa, portanto eu podia muito bem sair com o Six. Eu realmente não me importaria. – continuei enquanto olhava de Sirius para James, que parecia tentar disfarçar o espanto. – Mas sei que ele já anda de olho em alguém, por isso…
Dei um beijo na bochecha de Sirius e desci as escadas do dormitório para a sala comum.
O James não tinha direito de fazer uma fita daquelas, simplesmente não tinha. Eu não lhe era nada. E qual tinha sido o problema de ir para o dormitório com o Six? Que eu saiba não tínhamos feito nada de mal. Mas na cabeça de James deve haver algo impróprio em ir ao dormitório com o amigo dele.
Subi para o quarto das raparigas e fui buscar a minha mochila. Depois desci e fui caminhando para a sala onde teria as aulas da tarde, que começariam em 10 minutos.
Sentei-me numa carteira das do fundo e tirei um pergaminho da mochila, onde me pus a escrevinhar e a desenhar. E assim rapidamente se passou a aula embora eu não tivesse feito nada.
Quando nos dispensaram corri para Mary e Remus e fomos para a sala comum onde tínhamos combinado ficar a estudar. Já que não presto atenção nas aulas é melhor estudar um pouco e fazer os trabalhos de casa.
Já estávamos ali há uma boa meia hora quando entra Lene completamente vermelha e com ar de que ia rebentar com tudo o que lhe aparecesse à frente.
Eu soltei um gemido e escondi a cara.
-Aquela rapariga é a mais cabeça dura que eu alguma vez vi. – eu olhei interrogativamente para ela. – Alice. – respondeu ao meu olhar. – Ainda é pior que tu, Lily!
-Ei – ripostei. – Eu nunca faria uma coisa destas.
-Eu sei. – ela suspirou, tentado ficar mais calma (sem resultado) – eu estou mesmo muito irritada!
-O que se passou desta vez? – perguntou Mary, que até agora se tinha mantido calada.
-Ela recusou-se a falar comigo e quando eu disse que era importante e fiz questão de a puxar para longe das sanguessugas ela lançou-me um petrificus tottallus. Como eu nunca esperei que ela fizesse isso só reagi no último segundo e desviei o feitiço, que bateu numa armadura e a fez cair-me em cima.
Eu dei uma tossidela para acalmar o ataque de riso que se tinha apoderado de mim. Não seria bom começara gargalhar nesta situação que não era exactamente a melhor.
Ela tentava dar um jeito ao cabelo, que estava todo despenteado enquanto continuava:
-E depois apareceu o Black quem em vez de me ajudar, saiu do corredor a arrastar-se de tanto rir enquanto dizia 'eu sabia que eras maluca mas chocar com armaduras?'. E foi o que aconteceu. – exclamou com um brilhozinho de raiva nos olhos.
-O Padfoot nunca muda mas ao menos poderia ter sido mais simpático desta vez. É mesmo ao estilo dele gozar com quem está apaixonado – comentou Remus, fazendo-me lembrar que ele estava ali.
-Disseste alguma coisa, Rem? – perguntou Lene.
-Nadinha! – apressou-se ele a negar enquanto sorria amarelo, fazendo-me sorrir. A Lene e o Sirius mereciam-se. Tão cabeças duras quanto aos seus sentimentos que até faz impressão.
-Preciso de ajuda. – murmurei baixinho.
-Para quê? – sussurrou Mary.
-Para fazer entrar algumas coisas na cabeça da Alice. Se não vai a bem, vai a mal. – parei. – Alguma ideia?
-Não podemos obrigá-la senão ela não vem. Temos de a fazer ir ter a um sítio sem saber que fomos nós que a chamámos. – disse Remus.
-Parece-me uma boa ideia. Mas onde? – perguntou Lene.
-Não sei… - disse Mary, pensativa.
-Mas eu sei! – exclamou Rem fazendo-nos olhar para ele.
-Onde? – perguntei.
-Há uma sala no 7ºandar que quase ninguém conhece. Eu e os marotos descobrimo-la uma vez por acaso. Chama-se sala das necessidades.
-A mim parece-me bem. Só temos de arranjar uma forma de a levar até lá. – conclui. – E eu tenho uma ideia para isso. – disse enquanto tirava um pergaminho da mochila.
"Alice,
Sei que estás zangada comigo e é por isso mesmo que preciso de falar contigo, quero dizer-te a verdade. Podes encontrar-te comigo amanhã às 21h no 7ºandar?
É urgente.
Do teu amigo,
Frank."
-Feito! – exclamei depois de escrevermos o final da carta. – Temos é de falar com o Frank para que ele venha connosco e entre no esquema.
-Essa é a parte mais fácil! - concluiu Lene.
Fui jantar com a consciência bem mais leve, afinal amanhã iria resolver tudo com a Alice. Já estava com saudades dela e das suas manias de que vivemos todos num conto de fadas. Às vezes pode ser irritante mas só depois dela se zangar comigo é que percebi o quanto me é importante.
Já estava a subir para o dormitório quando ouço alguém a chamar-me. Virei-me para trás e vi James encostado às escadas das raparigas a olhar para mim.
-James? – perguntei, ainda de mau humor por causa do que tinha acontecido no dormitório.
-Queria pedir-te desculpa. Eu não tinha o direito de te dizer aquilo nem de fazer aquelas perguntas… - comentou, olhando para os pés.
-Sim, é verdade.
Ele olhou para cima e eu perdi as defesas. Lá se vai a minha maldade…
-Tudo bem, desde que prometas que não te vais meter na minha vida, pelo menos no que tenha a ver com namorados! – eu tenho que impor as minhas condições! Se o James continuar a fazer isto lá se vai o meu plano AN por água abaixo.
-Eu prometo. – desci as escadas aos pulos e fizemos o nosso cumprimento secreto que mais ninguém sabe (uh, é secreto…).
-Já estava a ver que íamos ficar chateados. – disse ele.
-Não, para pessoas complicadas basta a Alice. – ele acenou com a cabeça e eu fiz uma pausa. – Já sabes do nosso plano para falarmos com ela sem que ela nos mate?
Ele acenou negativamente com a cabeça e eu comecei a explicar-lhe o que iríamos fazer amanhã à noite.
-O que é que se passa aqui? – ouviu-se um guincho estridente. Olhei para o lado e vi a Melanie a olhar para mim.
-Estamos a conversar. Algum problema? – perguntei-lhe.
-Claro que há. Ele é o meu namorado! – guinchou.
-Mas o teu namorado também pode ter amigas, certo? – pronunciei cada sílaba como se ela fosse atrasada. O que até era… - Ou está proibido de falar com outras raparigas?
-Não… - disse ela. 2-0 para mim já que ficou sem resposta! Sou a maior!
-Bem me parecia. – fiz-lhe uma careta. – Boa noite Jay. – disse eu, de forma a provocá-la, e para ajudar ainda mais mandei-me para cima dele e dei-lhe um abraço.
-Olha que ela estoira-te. – comentou ele ao meu ouvido.
-E eu cheia de medo. Ela não vale uma de mim no meu pior dia. – sussurrei de volta.
Ele riu-se.
Subi as escadas muito lentamente e pude ouvir o James a rir-se novamente. Quando cheguei à porta virei-me para trás e gritei, interrompendo um beijo:
-Não te esqueças de dizer aquilo ao Frank.
E pude ouvir ainda, antes de fechar a porta a namoradinha dele a perguntar:
-Do que é que ela está a falar?
N/A: Peço imensa desculpa pelo atraso! Estou a sentir-me mesmo mal e ainda por cima este capítulo ficou pequenino... Prometo que vou tentar compensar e postar o mais rápido que conseguir..
Mas desta vez também não houve reviews =(
Quanto ao capitulo:
Eu gosto mesmo de enrolar, ainda não foi agora que a Lily falou com a Alice!
Este capítulo foi mais Lily/James/Sirius, o próximo não sei bem o que vai acontecer =O
Bem, e é isso! Vou pedir os habituais reviews... Então, reviews?
Beijinhos*
