Bem...
BOA LEITURA (;
Upside Down
by Inês Potter
Capítulo 8 – O começo da mudança
No dia seguinte acordei bem cedo com os pássaros a cantar e a luz do dia a inundar o quarto. Levantei-me e arranjei-me, tendo consciência de que ainda era cedo demais para alguém se atrever a por um pé fora da cama. Contudo, hoje tinha planos muito importantes. Hoje ninguém conseguiria estragar o meu dia.
Saí pelo retrato da dama gorda, depois de ter descido para a sala comum e ter verificado que ninguém estava acordado. Corri para o salão nobre para tomar o pequeno-almoço e eis que estava já um rapaz sentado à mesa dos Gryffindor. Não sei o que é que me fez sentar ao pé dele, deve ter sido a minha recente ideia estúpida de me tornar mais sociável.
-Bom dia. – disse-lhe a sorrir.
-Bom dia, Evans. – retorquiu, dando também um sorriso.
-Não me chames Evans. – pedi-lhe enquanto fazia uma careta. Detesto que me chamem pelo apelido, tirando quando era o James… - Eu sou a Lily! – estendi-lhe a mão para dar um passou bem.
-Olá Lily, eu sou o Nick Watson – ele agarrou a minha mão e deu um aperto de mão, muito sério, como se fosse um advogado importante.
-Nick, eu nunca te vi aqui, és do primeiro ano? – percorri a minha memória tentando lembrar-me da cara dele ou de ter ouvido o seu nome.
-Não, eu sou do segundo ano. Ah, eu já te vi muitas vezes… no outro dia estava a passar num corredor e chocaste contra mim. – exclamou, rindo-se. Oh, coitado! Nem sequer o conhecia e já sofria por causa da minha falta de coordenação motora…
-Desculpa – pedi, com um sorriso amarelo. - Eu sou um bocado desastrada.
-Já reparei! Então, o que é que fazes aqui a tomar o pequeno-almoço a esta hora? – perguntou-me. – Ninguém normal se atreve a acordar assim tão cedo!
Peguei numa torrada e comecei a trincá-la, depois de encher o meu copo com sumo de abóbora.
-Ei, sinto-me ofendida! – exlamei, enquanto lhe dava uma belinha. Ele riu. – Mas sabes que também estás incluído nos anormais que se levantam cedo, certo?
-Sim, eu sei. Mas até é giro acordar a esta hora, está tudo mais calmo. É a primeira vez que acordo às seis da manhã, normalmente agora estou na cama.
-Pois, eu também não consegui adormecer por isso vim para cá. Além disso hoje tenho coisas para fazer.
-O quê? – perguntou-me.
-Humm… é segredo! Agora não tenho tempo para te explicar – disse, enquanto pegava num guardanapo e enrolava uma fatia de bolo nele. – Amanhã digo-te. Estás cá a esta hora? – perguntei-lhe.
-Sim, acho que sim. – respondeu-me.
-Então até amanhã, Nick. – acenei-lhe enquanto me ia embora, cruzando-me com uma rapariga que tinha acabado de entrar.
Corri rapidamente para o sétimo andar, seguindo cuidadosamente as instruções que o Remus me tinha dado para chegar àquela sala. Mesmo assim não pude deixar de me sentir estúpida quando cinco minutos depois passei três vezes à frente de uma parede vazia a pensar num sítio sossegado para falar com a Alice. Por isso fiquei bastante surpreendida quando uma porta se materializou mesmo à minha frente. Empurrei-a e entrei numa clareira que parecia ter sido tirada de uma daquelas histórias de encantar. Era rodeada por todos os lados por árvores e num dos cantos, formava-se um lago com a água que caia de uma cascata. As borboletas voavam, ouviam-se os pássaros a cantar e podia sentir-se o vento. Não poderia ser escolhido um sítio melhor para falar com ela. Como era ainda muito cedo deitei-me na relva e fiquei a ver as nuvens a passar no céu, que era o tecto da sala. Uma hora mais tarde presumi que seria melhor ir-me embora para a sala comum de maneira a pegar na mochila e ir para as aulinhas.
Saí da sala depois de espreitar para ver se o corredor estava vazio e corri até à sala comum onde encontrei o Remus junto à lareira.
-Remmie, estive agora mesmo naquela sala que me disseste! Aquilo é lindo, mesmo mesmo mesmo! A Alice vai adorar o sítio. – exclamei enquanto fazia uma dança de comemoração.
-Lily, pareces uma criancinha que recebeu um brinquedo novo… - ele estava a rir-se de mim.
Deitei-lhe a língua de fora.
-Hoje vai ser um dia muuuuito feliz portanto não estragues tudo logo de manhã com essas parvoíces. – resmunguei. – Algum problema em estar contente, por acaso?
-Nenhum, nenhum. Só estava a constatar um facto. – continuou com aquele sorriso estúpido na cara.
-Mas já falaste com o Frank?
-Sim, ontem à noite falei com ele.
-E?
-E ele achou que era uma boa ideia, apesar de ainda estar magoado com o que a Alice lhe anda a fazer…
-Eu sei o que isso é, mas ela é mesmo assim… cabeça dura. Paciência! - de repente ele começou a rir tanto que se engasgou e eu perdi a piada, ou então ele é completamente maluco. E eu acho que é a segunda hipótese porque normalmente eu até percebo as coisas.
-PACIÊNCIA O QUÊ? – gritou James ao meu ouvido, fazendo-me dar um pulo e quase cair para trás.
-JAMES! Queres pôr-me surda por acaso?
-Não, não, Lilyzinha querida! Só estou curioso…
-Pois, sim. – resmunguei enquanto me virava. – Remus Lupin, e que tal teres-me avisado de que o idiota estava atrás de mim?
-Assim não tinha piada, Lils! De qualquer forma vou andando, para deixar os pombinhos sozinhos – piscou-me o olho e foi-se embora.
-REMUS! – exclamei.
-O que é que ele disse? – perguntou-me James.
-Nada, nada. – disse enquanto observava o Rem a ir ter com a Mary, que descia pelas escadas do dormitório das raparigas. AH-AH! O que ele quer sei eu! Disse que era para nos deixar sozinhos, mas aproveita e está com a Mary… Temos de ter uma conversinha.
-James, olha aqueles dois! – sussurrei enquanto apontava para o casal de pombinhos que se cumprimentava.
Ele sorriu para mim.
-Aposto que se vão entender demasiado bem… Hoje à noite falo com o Moony.
-Eu também vou tentar extorquir informações! Diz-me uma coisa, James, a melodramática víbora cuspidora chateou-te muito ontem à noite? Eu ouvi-a a perguntar-te coisas sobre o que te tinha dito e senti-me culpada… - sorri.
-Sim, realmente ela estava um bocadinho chata. – ele suspirou.
-Ela é chata. – ele deu um daqueles sorrisos que faz todas as raparigas suspirarem, incluindo eu, admito.
-Mas eu consigo calá-la muito facilmente. É só saber o truque certo!
-JAMEEEES! Sabes o truque e nunca me disseste? Que raio de amigo! – O truque para conseguir calar aquela rapariga! UAAAAU!
-Humm, acho que esse truque só resulta para mim…
-Então porquê? – eu realmente não percebo a cabeça do James. Porque é que pôr uma rolha na boca dela ou atá-la com fita-cola só serve para ele?
-Bem, eu resolvo o problema com uns beijinhos. Enquanto ela está ocupada não consegue falar. – disse ele com um sorriso presumido.
Aguentar com o James de manhã é absolutamente compatível com as minhas capacidades. Agora, aguentar com o James de manhã a falar sobre a Melanie idiota e o que fizeram ontem à noite não é algo que me apeteça aturar. Por isso virei-lhe as costas e saí pelo buraco do retrato.
Assim que o fiz, encontrei Frank que estava a passar por lá no momento e que parecia um pouco abatido.
-Fran? Fran? Frank? FRANK LONGBOTTOM! – gritei enquanto passava a minha mão repetidamente à frente da cara dele.
-Sim? – disse ele quando finalmente teve a honra de acordar.
-O que é que se passa contigo?
-Nada, está tudo bem. – encolheu os ombros.
-Pois. Vamos então rever uma conversa que tivemos há não sei quantos dias atrás. Tu disseste-me que eu não te conseguia enganar mesmo que quisesse. E eu digo-te a mesma coisa! A mim não me enganas, podes não me querer contar mas sabes que eu estou aqui, certo? – ele acenou com a cabeça. – Então e hoje à noite, já sabes de tudo?
-Sim, o Remus falou comigo e o James também.
-Vai ser o máximo! Já fui ver o sítio, é espectacular e tem-
De repente senti alguma coisa (ou alguém), talvez um ser meio atrofiado a puxar-me pelo corredor fora, tapando-me os olhos. Frank bem podia ajudar-me, mas pelos vistos a tal pessoa que me estava a sufocar não era tão perigosa assim.
Ouvi uma porta a fechar-se atrás de mim e a mão que tapava os meus olhos desimpediu-me a visão. Virei-me, com a intenção de dar um chuto a quem quer que tivesse tido a brilhante ideia de fazer aquela brincadeira e eis que encontro o James com um ar muito sério, o que me causou um arrepio na espinha, umas borboletas no estômago e vontade de desistir do pontapé que estava pronta a aplicar.
-Lily, és capaz de me explicar o que se passa contigo?
-Estás a falar do quê? – perguntei, franzindo a sobrancelha. Acho que o James andou a beber água da sanita, ou então está todo queimadinho.
-As tuas mudanças de humor! – comentou ele, ainda com um ar perplexo. – Não percebo, estavas a rir-te comigo e de repente vais-te embora. Disse alguma coisa?
-Não, James… Não disseste nada. – suspirei.
-Se eu não fiz nada, então porque é que estás assim?
-Assim como?
-Quero um sorriso. – pediu.
Eu sorri.
-Assim está bem melhor. Sabes que ainda temos de ter uma conversa sobre aquilo que viste naquela sala, não é?
Ora bem, vou fazer uma pausa e fazer uma lista de conversas que tenho de ter com as pessoas ou as conversas que essas pessoas me exigem. Porque parece que já são demasiadas para eu me lembrar de todas.
CONVERSAS:
James.
-Ele quer falar sobre o que aconteceu na sala.
-Eu quero dizer-lhe que o amo.
-Eu quero saber o que é que ele vê na Melanie.
Frank.
-Ele quer saber o que é que me aconteceu para eu ir parar à floresta com os olhos inchados no outro dia.
-Eu quero saber o que é que aconteceu hoje para ele estar completamente na lua.
-Perguntar sobre a Sophie Miller.
Alice.
-Eu quero entender o porquê dela estar zangada e quero resolver tudo.
-Ela quer, possivelmente, atirar-me com móveis e bolas de folhas de papéis.
Remus.
-Eu quero insultá-lo por ele fazer aqueles comentários inoportunos acerca de mim e do James quando este último está a ouvir.
-Eu quero exigir-lhe informações acerca da Mary.
-Ele quer divertir-se a continuar a fazer os tais comentários.
Mary.
-Informações sobre o Moony.
-E informações sobre o Moony – reunião de raparigas.
Lene.
-Reunião de raparigas com a Mary.
-Eu quero falar sobre o Sirius e os seus impactos na vida da Lene (apesar dela não perceber).
Sirius.
-Ele quer encurralar-me num sítio qualquer e extorquir-me informações acerca dos comentários inconvenientes do Remus.
-Eu quero dizer que ele é um idiota por não convidar a Lene para sair de uma vez por todas.
Peter.
-Nada a apresentar.
Melanie Frankenstein.
-Tenho de lhe dizer o quanto ela é egocêntrica, egoísta, fútil e fingida.
Nick Watson.
-Falar-lhe sobre o que fui fazer hoje de manhã.
-Eu quero aborrecê-lo logo às primeiras horas da manhã, ou então fazer-lhe companhia.
Amos Diggory.
-Falar-lhe acerca do nosso tão esperado encontro para partir à acção com o plano AN.
E portanto, voltando à realidade…
-O que é que queres saber? – rendi-me. Menos uma conversa que terei de ter.
-O que é que viste?
-Ora, James. Que pergunta idiota. Se vocês se estavam a beijar na sala, então foi isso que eu vi.
Ele acenou como quem diz que sim.
-O que é que foste lá fazer?
-Recuperar a minha mochila, que por acaso estava na tua posse.
-Incomodou-te?
-O quê? A mochila?
Ele revirou os olhos.
-Não, o que viste.
-Talvez.
-Talvez? – repetiu ele.
-Sim, talvez. Já estou farta do inquérito. Podemos ir embora por favor? – pedi.
-É melhor, vou ter com a Mel agora. – disse-me, enquanto olhava para mim.
Eu bufei e abri a porta, sendo seguida por ele.
-Podes-me só explicar porque é que foi o interrogatório?
-Porque eu preciso de respostas para as minhas perguntas.
-Muito poético, James. O que é que andas a ler? – perguntei.
-Nada, mas tu andas a ler aqueles romances idiotas em que o casalinho se separa por motivos maiores e depois no final como por milagre, conseguem juntar-se outra vez.
-Ei, algum problema com romances? E para que saibas, eu ainda não tinha chegado a essa parte do livro, idiota, acabaste de a contar.
-Oh, já devias saber que o final é assim, são todos. – disse ele enquanto se ria da minha cara de chateada por causa dele.
-Cala-te e continua a andar, parvinho.
Será que o livro acabava mesmo assim? E se a minha história de amor é tão parecida com aquele livro… Será que eu e James ficamos juntos no final?
Eu detesto quando fico a pensar demasiado tempo nas coisas, acabo por andar em círculos e não chegar a lado nenhum. Ou então descubro coisas que preferia não descobrir.
-É como quiseres, Lily. – retorquiu ele, dando um sorriso.
Entrámos novamente na sala comum através do retrato da Dama Gorda, que refilava com alguns alunos do primeiro ano porque estes não sabiam a senha e ficavam a ocupar o corredor, tentando usar todas as palavras que se lembravam como senha. James foi ter com a namorada, que estava a descer as escadas. Alice e Katherine vinham mais atrás. Sorri para a Alice quando passei por elas e por incrível que pareça ela retribuiu o sorriso. Talvez a conversa de hoje à noite não venha a ser tão longa. E talvez ela não esteja assim com tanta vontade de me atirar com móveis e bolas de papel. Ou então ela sorriu para alguém que estava atrás de mim. Virei-me à procura de alguém a quem ela pudesse ter sorrido e reparei que metade dos Gryffindor estavam na sala comum atrás de mim. Acho que nunca saberei.
Subi as escadas para o balneário feminino de modo a ver se encontrava as minhas amigas. Só Lene ainda lá estava de um lado para o outro a fazer mochila e portanto deduzi que a Mary ainda estivesse com o Remus.
Peguei na minha agenda e consultei o dia de amanhã. Porque eu sou uma rapariga com uma vida social muito ocupada e portanto tenho de me organizar. Agora a sério, reformulando o que eu disse. Peguei na minha agenda e consultei o dia de amanhã. Porque eu sou uma rapariga muito distraída e se não escrevesse lá as coisas provavelmente esquecia-me.
Sábado
-Selecção para a equipa de Quidditch, 9h00
-Reunião de Prefeitos e delegados dos alunos, 15h00
Fechei novamente o livrinho e fui ter com Lene, que lutava com uma luva que corria pelo dormitório como se os dedos fossem os seus pés. O que é muito comum aqui por Hogwarts.
-Lene? O que é que fizeste à coitada da luva? – perguntei-lhe enquanto ria por causa do seu stress.
-Nada, à bocado quando fui pegar no meu par de luvas para Herbologia aconteceu isto. Uma das luvas pôs-se a correr pelo dormitório. – exclamou ela.
-Calma Lene, eu ajudo-te. – ri-me. Peguei na minha varinha e comecei a correr com a Lene atrás da luva fofinha, gritando petrificus totallus, o que é um bocado deficiente.
Depois de 5 minutos naquela guerra, finalmente conseguimos agarrar a sacana da luva e pô-la dentro da mochila com o resto das coisas.
-Temos de ter uma conversa com a Mary.
-Porquê? – perguntou ela, com uma sobrancelha levantada.
-Hoje de manhã, o Remus estava comigo e com o James e saiu de ao pé de nós para ir ter com a Mary, quando ela desceu as o pretexto de me deixar a mim e ao James sozinho, claro.
-Aaah, tens razão, já tinha reparado nisso. E estão muitas vezes juntos a estudar lá na sala comum. – disse ela, com um ar pensativo.
-Será? – perguntei.
-Sabes… eu acho que sim! – exclamou ela enquanto dava saltinhos no meio do quarto. E eu, muito contente, pus-me a fazer a mesma coisa.
Depois deste nosso momento de esquisitice, descemos as duas as escadas para a sala comum e fomos ter com Sirius e Peter, que estavam ao pé da lareira da sala comum, a cochichar, como se estivessem a preparar novos planos, o que é bastante provável. Do lado oposto da sala comum estavam Melanie e James aos beijos, e nós sofás ao pé deles Katherine e Alice. Quando olhei para elas pareceu-me que a Alice desviou o olhar, então talvez ela estivesse a olhar para mim?
Depois de interromper os tais planos dos dois marotos que se encontravam à nossa frente, obrigámo-los a sair da sala comum e a ir para as aulas de Transfiguração, tal como era suposto.
Depois das aulas da manhã almoçámos alguma coisa no salão Nobre, apesar de eu nem me lembrar o que foi a comida e mais tarde ainda, depois das aulas da tarde reunimo-nos todos para preparar a conversa colectiva com a Alice, que de certeza que iria ser um grande sucesso. Tenho mesmo a certeza que sim!
N/A: Eu andei desaparecida nos últimos tempos... peço desculpa, se alguém anda a acompanhar a fic e eu deixei de postar e tals. Mas é que chegaram os testes e depois não parei quieta nas férias, e depois a pen onde estava o capítulo morreu e só consegui finalmente postar agora -.-
Portanto, espero que tenham gostado e vou tentar postar com mais frequência.
Beijinhos
Inês
