N/A: Oláá! Vocês devem estar a pensar "Olha esta aqui já não actualiza a fic há 6 meses prái e ainda tem a lata de aparecer por aqui..." É verdade, podem ter vontade de me matar. Eu simplesmente abandonei a fic durante imensooo tempo! Contudo, estou a tentar retomá-la! Continuo com muitas ideias que espero que vocês amem :)
P.S. O nome do capítulo é "Revelações" uma vez que se vão descobrir coisas muito interessantes aqui (e vai acontecer também algo muito importante para o desenrolar da história HEHE).
Boa leituraaaaaa :b
Respondendo ao Review:
-Lalaias: Muito muito obrigada, quando vim aqui ao depois de milhões de meses de ausência eu nunca pensei que pudesse ter um review em "Upside Down". Ainda bem que estás a gostar da minha fic, fico assim muuuuito feliz :) É verdade, a Lily sofre demais, eu sou muito mazinha para ela muahah! Será? Será que vai melhorar? Eu espero que sim maaas nunca se sabe x) Uhm, talvez um capítulo mais prá frente... Talvez eu conte, depende do desenrolar da fic. É, já reparei x) Os meus já começaram e acabaram e agora é só época de testes... Ugh, mas já vai acabar e a seguir é Nataaal. Obrigada pelo review e muuitos beijinhos *
Upside Down
por Inês Potter
Capítulo 10 – Revelações
Tudo tinha finalmente voltado ao normal, se é que se pode dizer que a minha vida é normal… Alice estava de volta e parecia cada vez menos propensa a acreditar em coisas que não fazem – literalmente – sentido. Lene e Mary continuavam a tramar das suas enquanto esperavam que os seus amores platónicos dessem passos em frente no que toca às suas relações ou, pelo menos, de quem vê de fora é isso que parece já que nenhuma das duas cabeças duras decidiu admitir de quem gosta. Pelo contrário, Alice contou-nos que gosta de Frank (como se isso não fosse já óbvio) e eu estou neste momento com um pergaminho e uma pena à minha frente a ver se consigo arranjar um plano nfalível para os juntar. Faz parte de uma das vertentes da empresa que vou fundar aquela do cupido) fazer estratagemas para juntar os casais clientes por isso é melhor começar já a praticar. E assim, ainda faço três boas acções: junto os dois, a Al fica contente e o Fran também. Eu sou a maior!
–Hey, Lily! – chamou alguém. Levantei o meu olhar do pergaminho em branco que estava em cima da mesa e encontrei ao meu lado um rapaz.
–Olá Nick! Estás bom? – perguntei-lhe, sorrindo.
–Óptimo. – sussurrou, enquanto se sentava no banco.
–Humm… Tens a certeza? – Para uma pessoa que se sentia muito bem, ele parecia estar demasiado esverdeado e ao mesmo tempo pálido (se é que isso é possível). – Estás doente ou comeste alguma coisa estragada?
–Nenhuma das duas… - sussurrou, esboçando um ténue sorriso.
–Então… Problemas com raparigas? Podes falar comigo. Sabes que eu vou abrir uma empresa para juntar casais? – Oh yeah, publicidade gratuita. Por acaso, pensando nisso, até podia pôr cartazes no placar da sala comum ou enfeitiçar armaduras para cantarem uma música ou um slogan.
–Na realidade, eu vou fazer o teste para chaser às 9h e estou um bocadinho nervoso. – disse ele.
–És bom? – perguntei, sorrindo, enquanto tentava transmitir-lhe confiança. Eu sabia exactamente o que ele estava a passar, afinal, eu tinha mesmo quase chegado a vomitar depois de fazer o meu teste para entrar na equipa de Quidditch dos Gryffindor há alguns anos.
–Vais sair-te bem, confia em mim. – disse-lhe. – Eu também jogo como chaser, sabes? – perguntei-lhe. – Vamos passar a jogar juntos!
–Sim, eu sei. Fala-me lá da tua empresa. – pediu-me, estrategicamente mudando de assunto. Eu achei boa ideia, de qualquer forma, se eu lhe enchesse a cabeça de coisas que não envolvessem Quidditch, ele não pensaria nisso, certo?
–Ah, tudo começou porque eu estou constantemente a adivinhar prováveis casalinhos. Então, decidi ajudar as pessoas que têm problemas desse género.
–Tu vais fazer um programa de encontros aqui em Hogwarts? – perguntou-me com um tom de descrença implícito na voz.
–Não é bem isso. – retorqui, lembrando-me de repente das cartas que ainda tinha de responder para o plano AN. Mentalmente jurei que a resposta não podia passar de hoje, senão o Amos ainda encontrava outra rapariga e eu estava feita!
–Então é o quê? – perguntou-me.
–Ok, ok. É mais ou menos isso. – respondi. Ele sorriu-me. - E então? Tenho um cliente? Para ti é de graça, é melhor aproveitares. – disse, rindo, enquanto lhe piscava o olho.
–Humm, é melhor não. Acho que me desenrasco bem sozinho. – respondeu, e as suas bochechas ganharam um tom vermelho muito fofo.
–Oooh, estou a ver que temos pretendentes… Como é que ela se chama? – perguntei, tentando implicar com ele, que a cada momento ficava mais corado.
–Lily, fala mais baixo, por favor! Ela está mesmo ali. – sussurrou-me ao ouvido.
Como é óbvio, quando alguém nos diz algo deste tipo o que é que nós fazemos? Viramo-nos rapidamente e esquadrinhamos todo o local em que estamos com os olhos para ver de quem a pessoa está a falar, certo? Certo. O pior é quando fazemos isso e no final de tudo, com tantas voltas que demos, conseguimos cair de cara no chão. Isso, meus amigos, além de provar que há pessoas estúpidas, prova também que pessoas estúpidas fazem o impossível. Tal como eu.
–Lily, estás bem? – perguntou-me ele, enquanto fazia um esforço enorme para não se rir de mim e me ajudava a levantar.
–Não. Te. Rias. – murmurei, com um tom sério. – Eu esgano-te, Watson. Ele não conseguiu evitar e começou a rir descontroladamente.
–Tu és hilariante, Lily! – disse ele, enquanto se recompunha. – Como é que é possível haver uma pessoa tão destrambelhada e desajeitada como tu?
–Nem fazes ideia de quantas vezes ouço isso. Começa ser saturante, precisam de ter mais imaginação! – resmunguei, revirando os olhos. – Mas tu não vais fugir do assunto, mocinho, quem é a sortuda?
Ele ficou novamente corado e eu sorri. Meu Merlin, tinha arranjado um amigo tão fofo.
–Primeiro tens de me prometer uma coisa! – respondeu, depois de ponderar durante um bocado.
–Humm… O quê? – inquiri.
–Vais ter calma e não dar muito nas vistas, ok? – Uma coisa que o Nick provavelmente deveria saber de mim é que eu dou sempre nas vistas. Não porque queira, como é óbvio, mas as minhas capacidades de converter uma situação segura numa completamente perigosa tornam impossível que não o faça. E passar despercebida enquanto tento ver quem é uma pessoa, é uma daquelas coisas que nunca consegui fazer. Nunca mesmo.
–Ok, tudo bem. Negócio fechado. – exclamei, enquanto lhe puxava a mão e começava a dar passou-bens.
–É aquela rapariga loira que está na mesa dos Ravenclaw. – murmurou.
Eu olhei para trás de mim a fim de conseguir um bom ângulo de visão, já que ainda não tenho olhos nas costas e senti um pontapé forte na minha canela.
–Aii! – resmunguei, olhando para Nick com uma cara de raiva assassina. O rapaz tem força, bolas. – O que foi?
–Estás a olhar fixamente para ela, Lily! Ela não pode reparar em ti! – comentou, como se me estivesse a dar um sermão. Oh, por amor de Merlin, é claro que ela não tinha reparado! Só se, por acaso, ela fosse melhor que o resto das pessoas e tivesse os tais olhinhos nas costas que me teriam poupado deste pontapé ou se tivesse um sexto sentido muito apurado.
–Tem lá calma, moço. Ela não reparou. – ele encolheu os ombros. - Como é que ela se chama?
–Izzy… - respondeu, com um ar sonhador. – Izzy Smith.
–Uau, o amor está no ar aqui deste lado. Só te falta suspirares corações, amigo. – gozei com ele enquanto este voltava a olhar para a tal rapariga. -E ela sabe que gostas dela, por acaso?
–Não necessariamente.
–Hora de mudar isso! – exclamei, levantando-me e começando a ir para a mesa onde ela terminava de tomar o pequeno-almoço.
–LILY! –gritou ele. Todas as pessoas do salão – incluindo Izzy – se viraram para nós e eu voltei a sentar-me quieta no mesmo lugar.
–Era a minha boa acção do dia.
–Parece que vais ter de arranjar outra.
–Elementar, caro Watson. Elementar… - respondi, imitando Sherlock Holmes.
O resto do pequeno-almoço passou de forma agradável, comigo a tentar enfiar comida dentro das goelas de Nick para que ele não tivesse um esgotamento antes de ir voar. Por fim, quando a minha tarefa foi concluída com sucesso, eu e o meu mais recente companheiro resolvemos descer para o campo de Quidditch onde se começavam a juntar pessoas para assistir à selecção dos jogadores.
Quidditch era o melhor desporto jamais inventado. Desde que cheguei a Hogwarts que me fascinei pelas pessoas a voar nas suas vassouras enquanto lançavam bolas umas às outras e desde cedo comecei a jogar. No 2º ano entrei para a equipa como chaser e desde aí que sempre fui "titular". Contudo, nos últimos tempos, pude concluir que o Quidditch também tem o seu lado mau. Infelizmente, de tão contente que estava por causa da época de desporto estar prestes a começar nem sequer me lembrei que o simples facto de jogar a isto punha à prova a minha sanidade mental. Especialmente quando este desporto
envolve o nosso lindo capitão metido naquele uniforme vermelho que lhe fica super bem.
–James? – chamei, quando cheguei perto dele e de Sirius. – Já começaram a selecção?
–Não. – respondeu Sirius, antes de James poder dizer sequer uma palavra. – A propósito, Lily, temos de falar. No outro dia deixámos uma conversa pendente.
–Ai sim? – disse, erguendo uma sobrancelha. De que conversa é que ele estava a falar?
–No dormitório. – sussurrou, sorrindo maquiavelicamente. Oh meu Merlin, ele lembrou-se disso! Até eu já me tinha esquecido!
–Não sei do que falas. – respondi, tentando ignorar o pânico que sentia. Ele não pode nem vai conseguir extorquir-me informações.
–Sei. – exclamou, balançando a cabeça negativamente.
Eu virei-lhe as costas e dirigi-me a James.
–Ahm, podes inscrever o Nick na selecção? – perguntei.
–Quem é o Nick? – inquiriu.
–É ele. – respondi, apontando para o rapaz que se encontrava ao meu lado.
–Nick quê? – perguntou.
–Nick Watson.
–Estás inscrito, Nick. Podes ir buscar a tua vassoura. – respondeu ele, com um tom de voz monocórdico.
–Obrigada. – respondeu. - Lily, eu vou equipar-me e buscar a minha vassoura, ok? Até já, e deseja-me boa sorte.
–Boa sorte, companheiro de equipa. – disse enquanto lhe despenteava o cabelo. – Vejo-te daqui a um bocado. – Ele sorriu e, virando costas, dirigiu-se ao balneário masculino.
–O que se passa, James? – perguntei, olhando para o rosto dele que naquele momento não estava a transmitir o habitual brilho e alegria. Os olhos dele pareciam simplesmente vazios e tinham olheiras à sua volta.
–Nada. – respondeu-me casualmente, como se estivéssemos a falar sobre o tempo.
–Quem nada não se afoga. – repliquei, tentando fazê-lo rir. Não é preciso dizer que a minha tentativa fraca não produziu qualquer efeito, não é? Nem sei mesmo como é que pensei que iria servir para alguma coisa. Sou um pouquito idiota. Um pouquito, apenas. Ou não…
–James Potter, como é óbvio passa-se alguma coisa, portanto não sei porque é que insistes em dizer que nada se passou. Sabes que eu não vou acreditar. – retorqui, olhando depois para Sirius, para tentar perceber o que é que se passava. Contudo, este apenas deu um sorriso amarelo e meteu-se a caminho, deixando-nos sozinhos.
Ficámos em silêncio durante cinco minutos até que a minha fraca paciência se esgotou e eu tive de dizer alguma coisa.
–A sério! Nada? – perguntei. Ele continuou sem responder. - Não dizes nada? Pensava que confiavas em mim, mas parece que estava enganada. – comentei, lançando-lhe um olhar de incredulidade.
Naquele momento vi Nick a sair dos balneários e fui ter com ele, deixando James sozinho ao pé dos aros.
–Preparado? – perguntei-lhe, enquanto me tentava animar por saber que ia finalmente jogar Quidditch daí a alguns minutos.
–Acho que sim.
Eu pisquei-lhe o olho e fui também equipar-me rapidamente. Quando cheguei cá fora a selecção já começara e cerca de 30 pessoas de diversos anos encontravam-se a voar enquanto James se encontrava no chão com uma prancheta a anotar informações. Imediatamente pus-me em cima da vassoura e dei impulso para levantar voo.
–Atrasada, Evans. – disse ele, em tom de reprimenda.
Eu não fiz questão. Por mais que gostasse de James, ele conseguia ser um idiota quando estava de mau humor.
O primeiro exercício era voar à volta do campo. Por mais simples que isto pudesse parecer, houve imensa gente que foi posta de parte por nem sequer conseguir pôr-se em cima da vassoura sem que acontecesse algum desastre.
Por acaso é curioso o facto de eu em terra ser a pessoa mais desastrada que existe e enquanto voo conseguir coordenar-me bem, de tal forma que jogar Quidditch se torna fácil para mim.
–Terra chama Lily Evans. – ouvi uma voz dizer ao meu ouvido. Apanhei um susto horroroso, quase ia caindo da vassoura e o meu coração parou durante 5 segundos.
–Six, seu idiota! Podes, por amor de Merlin não me assustar enquanto voo em cima de uma vassoura numa área com criancinhas cujas habilidades para voar não são as melhores? Seguem-se efeitos potencialmente desastrosos.
Ele não me levou a sério e começou a rir-se. Revirei os olhos.
–Não era brincadeira. – resmunguei.
–Eu sei, por isso é que tem piada.
–Idiota.
–Convencido.
–Destravada.
–Egocêntrico.
–Teimosa.
–Não sou teimosa, sou persistente. – disse, pondo um ponto final na troca de ofensas. Isto era uma prática relativamente normal entre nós os dois. – O que é que se passa com o James?
–O Prongs acordou com os pés de fora. Metaforicamente e literalmente. – resmungou, depois de revirar os olhos. – Acho que foi minha culpa, digamos que ele não deve ter gostado de acordar já com o banho tomado. – e deu um sorriso sacana.
Eu olhei para ele e comecei a rir-me como uma perdida.
–Fizemos isso com a Lene no outro dia… - consegui dizer, no meio dos risos. – Ela pensou que estava a haver um incêndio.
–Lembra-me de não me meter contigo, Ruivinha temperamental.
–Igualmente, Sirius Ovelha Negra. – retorqui, rindo, enquanto ele esboçava um ar falsamente ofendido.
–Queres dizer ovelha branca? – perguntou.
–Ou isso! – exclamei.
–Hey, vocês os dois! – ouviu-se um grito lá de baixo cuja voz reconheci como a de James. – Querem fazer o exercício ou preferem ficar aí a conversar? Só se entra na equipa por mérito próprio.
–Lá vem o mal humorado… - resmunguei.
–Lily, sê mais branda com ele. Está de TPM. – comentou Sirius com um ar brincalhão, o que me fez rir novamente enquanto me virava e ia na direcção contrária à dele.
James dividiu-nos então por grupos: os que pretendiam o lugar de chaser, os que pretendiam o lugar de keeper e os que queriam ser beaters.
O teste dos chasers foi o primeiro. James lançou várias quaffles para os candidatos e fê-los passar as bolas entre eles, rematando de seguida aos aros. Ser chaser, para além de requerer perícia, também requer pontaria e muitos foram eliminados por não terem acertado sequer uma vez nos aros. No final os três chasers ficaram escolhidos: eu, Alice e Nick (que era surpreendentemente bom) mais Alan Mason e Jodie Martin como suplentes.
De seguida houve o teste para os keepers que consistia em colocá-los um por um em frente aos aros e estes tinham de defender os remates dos chasers escolhidos. Consegui marcar bastantes pontos, e no final como keeper ficou o Frank.
O teste dos beaters foi basicamente rebater as bludgers, defendendo a equipa escolhida em situação de jogo (faziam-no a pares). A dupla escolhida foi (ironicamente) Lene e Sirius.
A selecção acabou e os "derrotados" foram-se embora aos poucos enquanto os integrantes da equipa tiveram de ficar para ouvir o que James tinha a dizer sobre os treinos, a equipa em si e os jogos.
–Muito bem. – disse ele, enquanto andava em círculos na sala anexa aos balneários cinco minutos depois. – Este ano, pelo que pude ver temos uma equipa forte e teremos de tirar partido disso. – continuou, embora eu me tenha perdido completamente do raciocínio, ficando apenas a observá-lo e a sorrir como uma idiota.
–Lily, precisas de um babete? – inquiriu Lene, rindo-se enquanto me abanava.
Eu despertei do meu sonho e percebi que toda a gente me encarava, alguns sem perceber e outros (leia-se Sirius Orion Black) com um sorriso bem malicioso no rosto (o que me deu arrepios) a sussurrar a frase "Hoje vais-me contar isso tudo!". Desviei o olhar rapidamente e pude sentir o meu rosto cada vez mais quente. Apesar de não ter nenhum espelho no momento pude jurar que estava a corar.
Após esta infeliz falta de atenção, passei a ouvir atentamente tudo o que James disse, de modo que saí feliz e saltitante enquanto cantava para todo o mundo me ouvir que iríamos ter treino amanhã. Estava com um bom humor extremamente acentuado mas infelizmente nem sempre as coisas boas duram o tempo que deviam.
–Lily, podes parar de cantar, por favor? – James quase gritou ao meu ouvido. – Estou farto de te ouvir!
Eu emburrei a cara e afastei-me dele, indo para perto do Sirius. Contudo, rapidamente me lembrei que este queria que eu lhe desse informações demasiado pessoais e decidi fugir para me deitar à beira do lago descansar um bocado e pensar na vida. Aproveitei e fui buscar ao dormitório pergaminhos, uma pena, um tinteiro e as cartas a que tinha de responder e mal cheguei ao jardim pus-me a escrever.
Optei por deixar a carta mais complicada – e mais importante - para o fim, deixando por isso de lado o pergaminho que Amos usou para me responder. Abri uma das cartas.
"Desculpa.
Obrigado pela oportunidade que me deste mas eu já tenho namorada e estamos muito felizes. De qualquer forma se estiveres à procura de amigos não me importo.
Beijinhos."
"Querido Alex,
Obrigada por teres respondido. Fico contente que tenhas namorada e estejas feliz. Claro que sim, isso seria óptimo.
Beijinhos."
Acabei de a escrever e guardei-a na minha mochila entre os livros. Peguei noutra carta, a do Matthew e, pegando na pena comecei a responder.
"Eu já estou de olho em alguém por isso não vou responder ao
formulário mas fico contente que se tenham lembrado de mim."
"Querido Matthew,
Obrigada por teres respondido à carta que te foi enviada. Espero que essa pessoa também esteja "de olho em ti", mereces ser feliz.
Muitos beijinhos."
Coloquei a carta junto à outra e, por último, abri a de Amos. O vencedor do meu "concurso".
"Excelentíssimo Sr. Diggory,
Vimos por este meio informá-lo de que foi o vencedor da selecção a que respondeu por carta no outro dia. Sendo assim, gostaríamos que confirmasse a sua disponibilidade para sair com a rapariga que foi escolhida para si.
A rapariga em questão chama-se Lílian Evans e é do 7ºano da equipa Gryffindor. Ela será também avisada por carta do processo que está a decorrer.
O primeiro encontro será no dia 4 de Outubro debaixo da amendoeira junto ao lago da lula gigante. Posteriormente, os participantes passarão a marcar as datas de livre e espontânea vontade.
Se tiver alguma dúvida é só mandar uma coruja.
Obrigada por colaborar connosco,
P.E.H. (Programa Encontros de Hogwarts)."
Estava a acabar de guardar a carta que tinha escrito há alguns minutos quando o James apareceu e se sentou ao meu lado. Eu guardei rapidamente as minhas coisas e levantei-me para ir embora para dentro do castelo.
–Lily! – chamou ele. – Espera um pouco. Preciso de falar contigo.
–Não estavas farto de me ouvir? Pois bem, então não falo mais contigo. – respondi, virando costas e continuando o caminho.
Idiota. Ele tem de deixar de exercer tanto efeito na minha vida, não me parece justo estar sempre a magoar-me e eu continuar a deixar que ele faça isso.
–Por favor, Lils. – murmurou.
–Não, James. Não quero. Tu desprezaste-me!
–Desculpa-me. Estou a ter um mau dia, todos podem ter um certo? – perguntou-me. – Queres saber o que aconteceu? Ok, eu digo-te. Eu e a Melanie discutimos. Por tua causa.
Eu virei-me totalmente em choque. Por minha causa porquê? Merlin, o que é que se passa?
–O que é que eu fiz? – perguntei, tentando disfarçar a surpresa na minha voz.
–Não foi o que tu fizeste. Foi o que ela fez. Ontem apanhei-a a lançar olhares de raiva para toda a gente, especialmente para ti. E depois também há aquilo que a Alice contou ao Frank na sala das Necessidades. Eu confrontei-a com isso tudo e ela disse que era tudo mentira, que eu devia confiar nela mas que obviamente não o fazia. – ele fez uma pausa e respirou fundo, olhando-me nos olhos de seguida. - Ela deu um tempo… Até eu confiar nela. – concluiu. Parecia realmente abatido e eu estava agora com vontade de esganar aquela hipócrita ou injectar um ácido qualquer no corpinho dela. Ninguém tem o direito de magoar o James!
–Lamento. – sussurrei. Voltei para trás e sentei-me perto dele. – Como estás?
–Mal… - respondeu, depois de suspirar.
–Ok, foi uma pergunta estúpida… - disse, sorrindo.
–Foi. Foi um bocado. – concordou. – Mas também, vindo de ti nada mais se poderia esperar…
–Hey! Tu és muito idiota, rapazinho! – resmunguei enquanto me mandava para cima dele e lhe fazia cócegas. A certa altura ele já estava a morrer de rir e implorava-me para eu parar. Infelizmente fiz o que ele me pediu e parei, o que se tornou numa decisão muito má para a minha sanidade mental. Ele rolou os nossos corpos, ficando por cima de mim e deixando-me presa na relva.
–E agora, o que é que vais fazer, Lily? Eu tenho o comando. – sussurrou ao meu ouvido, fazendo-me arrepiar.
–Aham… Fugir? – perguntei, tentando que o meu tom de voz fosse impassível.
–Difícil… - sussurrou.
Olhei para cima a fim de perscrutar a expressão dele e não sei como nem porquê, não consegui desviar os meus olhos. Ele foi-se aproximando cada vez mais de mim, os nossos narizes roçaram um no outro e um segundo depois os seus lábios encostaram-se aos meus. Aquele simples beijo não durou mais do que 3 segundos mas foi o suficiente para me provocar borboletas na barriga e para fazer a minha consciência gritar em altos berros no meu cérebro que aquilo não era correcto.
Afastei-me, mesmo contra a minha vontade e fiquei a olhar para James, que parecia estar tão confuso quanto eu. Alguns segundos depois comecei a corar como um tomate.
–Humm, James… Estás a magoar-me. Podes, por favor… - pedi, baixando a cabeça para não o olhar nos olhos.
–Ahh, claro, claro. – respondeu, levantando-se de repente como se tivesse levado um choque eléctrico.
Levantei-me também, desajeitadamente, tropecei num ramo que estava no chão e teria caído se James não o tivesse impedido, segurando-me. O seu toque provocou um formigueiro no meu corpo e eu afastei-me consciente da minha batalha interna.
Eu queria beijá-lo novamente e dizer-lhe que o amava mas ele gostava da Melanie e não ia deixar de o fazer de um momento para o outro. O meu coração dizia para eu arriscar e preocupar-me com as consequências depois mas a minha cabeça, sempre tão racional, controlou o meu corpo e impediu-me de fazer asneira.
–James, eu vou para dentro. – murmurei, ainda sem olhar para ele. – Hã, trabalhos de casa.
–Tudo bem. – respondeu.
Eu afastei-me do lago e rumei ao castelo ainda sem conseguir processar tudo o que tinha acabado de se passar. Antes de entrar pela porta olhei para trás e pude ver ao longe o James sentado onde eu tinha estado há cinco minutos com a cabeça sobre os joelhos. Dirigi-me à sala comum onde me sentei em frente à lareira a ver as chamas consumirem os troncos enquanto tentava não pensar em nada. Deve ter passado pelo menos meia hora até eu sentir alguém a sentar-se ao meu lado.
–Olá Lily. Por aqui num sábado tão bonito? – perguntou Nick.
–É verdade Nick, é o que dá ser uma pessoa muito anti-social. – respondi, enquanto me ria. – E os meus amigos abandonaram-me todos… - fingi que uma lágrima me escapava do olho.
–Hey, e eu sou o quê? – respondeu, falsamente indignado.
–Tu não és meu amigo, és o meu irmãozinho mais novo! – respondi. Ele sorriu largamente.
–Não sei se devo ficar ultrajado ou lisonjeado… - disse, fingindo ponderar o assunto.
–Ora, devias ficar ultrajado como é óbvio! – respondi. Ele riu-se novamente.
–Lily, posso falar-te sobre a Izzy? És a única que sabe…
–A sério? Uau, sou assim tão importante?
–Não, não tanto assim. – eu dei-lhe uma belinha e ele riu-se. - Mas és uma rapariga e és mais velha, logo não vais dar aqueles conselhos estúpidos que os meus amigos dariam. – explicou, como se fosse extremamente óbvio.
–Humm… realmente! – comentei. - Diz.
–Queria que soubesses mais sobre ela. Ela tem uma irmã, sabes?
–Ai sim? De que equipa? – perguntei, ficando curiosa.
–Dos Gryffindor. – respondeu.
–Uau, a sério? Quem é? Será que posso vir a ser amiga da irmã da namorada do meu "irmãozinho"? – perguntei, sorrindo da cara que ele fez ao ouvir a palavra namorada.
–Ela não é minha namorada. – murmurou ele ao meu ouvido, depois de se certificar de que ninguém estava a ouvir a nossa conversa. – E creio que não vais gostar muito da irmã dela, acho que vocês não se dão muito bem.
–Oh, pára de enrolar e diz lá quem é… - pedi, fazendo beicinho.
–Ok, ok. É a Melanie. – respondeu. Eu congelei. Não pode ser, não pode ser! – Melanie Smith. – repetiu ele. Oh Merlin, e não é que é mesmo? Bela cunhada que ele foi arranjar.
N/A: E então, que me dizem? Continuo/Não continuo? :o
E O QUE ACHARAM DO BEIJO DELES?
Muahahah, ainda vai haver muita confusão a partir daqui, como é óbvio!
Prometo actualizar mais rapidamente a partir daqui, se receber reviews, se não talvez considere apagar a fic, já que ela não está a ser lida e tal...
Boom, e é só... Muitos beijinhos :) E mandem reviews, por favor *.*
P.S. Vou repostar os capítulos porque quando li a fic de novo encontrei alguns erros, ok?
Beijinhos, Inês Potter
