(To my valentine)
2.
Convicto, porém sem saber o que procurava exatamente, Sai ergueu a cabeça e voltou a caminhar. Ele tentou imaginar alguém a quem desejaria enviar um cartão e a imagem de apenas uma pessoa lhe vinha à mente...
Virando a esquina, Sai se deparou com Ino vindo na direção oposta. Ela estava distraída e radiante, admirando um buquê de girassóis que tinha nas mãos, sem parar de sorrir. Ao vê-lo, ela acenou efusivamente e desejou-lhe um "bom dia" mais simpático do que os outros. Ele acenou também, pensando nas flores e se seriam um acompanhamento adequado para o que pretendia dizer; a Yamanaka parecia ter gostado bastante delas.
Mais adiante, Sai viu Hinata se aproximar, de cabeça baixa e muito corada. Ela não parecia tão enlevada quanto Ino, mas ansiosa e esperançosa. Levava uma pequena cesta, da qual Sai sentiu que se desprendiam diversos aromas de guloseimas deliciosas. Ela também o cumprimentou com um sorriso ligeiro e continuou seu caminho. Conquistar pelo estômago?, Sai indagava; talvez Hinata tivesse experiência com este tipo de data.
Sai os ouviu à distância mesmo antes de vê-los. Discutiam porque ela não aceitava de maneira alguma um encontro romântico com ele. Mas isso não fazia o outro desistir. Sakura esbravejava como sempre e até dava socos e pontapés; realmente, o Fogo da Juventude era muito insistente. Implorar, Sai notou, poderia ser perigoso, ao mesmo tempo que poderia valer a pena.
Cansado, ele se sentou em um banco de praça. Metade do dia já havia se passado e ele ainda não tinha plano nenhum. Vira ainda outras pessoas trocando categorias variadas de presentes: doces, bichos de pelúcia, anéis. Nada parecia adequado ao que ele queria transmitir.
Frustrado e cabisbaixo, Sai buscou um pincel que trazia no bolso, com um pouco de tinta seca na ponta, e rabiscou um pequeno coração na mão.
– 'TTebayo, Sai! Finalmente te encontrei, tenho uma coisa pra você!
Surpreso, Sai fitou o companheiro de time extático. Naruto logo entregou-lhe um objeto e se explicou:
– Eu te vi lendo esse livro, achei que você fosse gostar.
Era o tal livro sobre os valentines, Sai reconheceu; então olhou de volta para Naruto e o viu sorrindo largamente, igual a quando o louro conquistava algum desafio.
– Naruto, você... faz isso pra todo mundo?
– O quê? – Naruto estranhou. – Mas esse não é o propósito do dia de hoje!
E riu docemente. Depois foi embora, enigmático, deixando Sai com apenas o eco de sua risada e em um estado de total apatia.
Ele ainda não compreendia. Flores, doces, promessas: tudo aquilo era o padrão do que via as pessoas se dando. Ele havia ficado com um livro. Resolveu lê-lo novamente, procurando algo que tivesse deixado escapar, algo que o ajudasse a lidar com o fato que a pessoa que ele quisera presentear foi quem lhe deu algo.
Logo nas primeiras páginas, Sai soube que havia encontrado a sua resposta. A dedicatória, escrita na letra grande e desleixada de Naruto confessava:
To my valentine!
N/A: pior que piolhos, mas não me culpem.
