Cap. 4: Hesitação

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Fácil dizer "chega de ácool", o difícil é esperar o efeito passar. Já eram 3:30 da manhã e as coisas e pessoas passavam por mim como cenas de um filme acelerado.

Parei um pouco no meio da pista de dança e respirei fundo. Senti uma mão agarrando a minha cintura, e um corpo me abraçando por trás. O homem disse no meu ouvido, com uma voz sombria e sussurrada:

- Que pernas encantadoras você tem.

Arregalei os olhos, me desprendi do corpo do rapaz e olhei seu rosto. Quase não acreditei.

- Sasuke?

- Hinata? Desculpe-me, eu... Não vi que era você.

- Você tá bêbado!

- Você também.

Ambos começamos a rir. Gaara chegou, como se tivesse se teletransportado, e disse:

- Cara, o que você tá fazendo aí? Arrumei um esquema.

- Bora, tchau Hinatinha. Mas suas pernas estão bonitas mesmo.

- Cala a boca, bêbado do inferno! – e Gaara empurrou a cabeça dele pra longe, enquanto ia levando-o pro meio da pista. Fez "não ligue" pra mim com a boca, e eu ri.

Nesse momento Kankuro passou por mim sendo carregado por Lee, todo machucado e cheio de hematomas.

- O que aconteceu com ele? – perguntei pra Lee.

- Levou umas surras.

- Apanhou? Não é o jeito ninja dele.

- Ah, ele nem teve tempo de reagir. Também, foi ele que começou, deu um soco no cara.

- Ele apertou a minha bunda, Hinata! Você acredita numa coisa assim? Minha bunda! – reclamou Kankuro, e Lee foi carregando ele, balançando a cabeça com descontentamento.

Me lembrei que Ino e Temari tinham travado uma aposta de que quem não conseguisse ficar com Shikamaru apertaria a bunda do Lee. Ri com a ideia, mas pelo menos seria uma mulher.

Shikamaru apareceu ao meu lado, falando no capeta e ele aparece.

- Hinata, vamos beber comigo? – disse, nervoso.

- Ah, desculpe, não vou beber mais. Mas posso te acompanhar. – sorri.

Então ele me puxou pelo pulso, e me levou até a cozinha, sem os guardas verem.

- Shikamaru, o que significa isso?

- É que o que eu vou te falar é algo meio... embaraçoso. E que deve ser mantido em segredo.

- OK, mas não precisa me levar atrás do freezer pra isso!

- Boa ideia. – me puxou para atrás do freezer, agachou e me fez fazer o mesmo.

- Onde está Temari?

- Não sei, você é quem devia saber. – ri.

- Não ria de mim, eu a perdi.

- Como assim a perdeu?

- Não achei mais ela.

- E o que tem isso?

- Bom, digamos que eu gosto dela. Realmente gosto.

- Sei.

- É sério. E eu largaria a vida de moleque biscate pra ficar com ela.

Comecei a rir.

- Ela é meio que, "livre pra voar", entende? Não sei se ela vai querer um relacionamento sério.

- É por isso que eu te chamei. Se eu souber que ela não quer nada comigo, nem vou gastar meu tempo, porque isso seria problemático.

- E como eu vou descobrir?

- Ligue para ela.

- Ok, eu ligo e depois te aviso. – fui levantando.

- Agora! – me puxou e eu caí sentada novamente.

Revirei os olhos, peguei o celular e disquei o número de Temari.

- Hey, Tema! Onde você está?

- Com um cara atrás do salão, por que?

Engoli seco.

- Bom, é verdade que você ficou com o Shikamaru, não é?

- Sim.

- E o que você sente por ele?

- Ah Hina, você sabe, eu sempre quis ficar com ele. Foi o melhor beijo de toda minha vida.

- E então por que fugiu dele e está com outro cara atrás do salão?

Shikamaru ergueu as sobrancelhas, mostrando incredulidade.

- Primeiro, quem está comigo aqui atrás é um AMIGO. Segundo, eu não fugi dele, ele que foi buscar bebida e demorou, então fui procurá-lo e não achei ninguém.

- Ah, entendi.

- Mas como você sabe disso?

- Bem, ele me disse, e estava um pouquinho triste...

- Hey! – exclamou Shikamaru, batendo no meu braço. Fiz sinal pra ele ficar quieto.

- Jura, Hina? Conversa com ele aí, vê se ele quer ficar comigo mais vezes...

- Vou ver, mas então você vai ficar só com ele?

- Obviamente, não vou jogar uma chance assim fora, amiga!

- Bem, então vou desligar. Estou na cozinha pegando vodka e os caras estão chegando. – menti.

- Tudo bem, tchau!

- Tchau.

- E então? – perguntou Shikamaru.

- Ela é louca por você e quer ficar contigo mais, e não vai ficar com mais ninguém.

- Wow! – me abraçou – obrigada Hina linda do meu coração! Se você precisar eu estou aqui pro que der e vier!

- Não foi nada Shika. – sorri.

- Ah, esqueci de te avisar, a Sakura convidou todos nós, os mais amigos, pra dormir em seu apartamento essa noite. Aí a gente sai daqui e já vai pra lá, ok?

- Ok!

Essa noite prometia.

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Saindo da cozinha com Shikamaru, esbarrei em Kiba e derrubei metade da sua bebida no chão.

- Kiba, foi mal!

- Não foi nada, Hina eu preciso falar com você um minutinho. – parecia um pouco tenso.

- Vamos lá fora então. – me despedi de Shikamaru e percebi um olhar feio lançado de Kiba para o Nara. Fomos indo pra fora.

- O que foi, Kiba? Você parece nervoso.

- Qual é o lance entre você e o Nara ali? – perguntou bravo, se encostando em uma parede. Percebi que estava bêbado, enquanto eu ia recobrando minha lucidez rapidamente.

- Ei, vamos com calma nisso. – disse, tirando o copo de suas mãos enquanto ele ia beber.

- Que foi? Você quer?

Tomei um golinho pra tentar criar coragem de falar o que eu sentia.

- Eu e o Shika não temos nada.

- Shika? Que intimidade...

- Deixe de ser ciumento, cãozinho – peguei em sua mão – ele só foi me falar que estava afim da Temari.

- Serio? – incrível como ele mudou totalmente seu tom de voz depois dessa informação, ficando mais amigável em questão de segundos.

- Aham, e aonde estão suas biscatinhas?

Ele riu.

- Você é a mais linda da festa, sabia? Tenho muita sorte de te ter como amiga. – e apertou minha mão, me olhando profundamente com aqueles olhos intensos.

- Kiba, posso te perguntar uma coisa sem compromissos nem nada?

- Claro.

- O que você sente por mim no momento?

Ele hesitou.

- Diga a verdade. – insisti.

- Sinto... olha, eu te amo muito.

Cheguei mais perto, ele ficou vermelho.

- Amo como amiga, entende?

- Eu também te amo como amigo. – sorri.

- Eu sei, e é por isso que passei a te amar como amiga. Você sabe disso.

- Sim, eu sei.

Fiquei alguns minutos sem ter o que falar, só observando seus olhos, e de vez em quando sua boca, eu confesso. Com sua mão quentinha segurando a minha. Ele enlaçou minha cintura e colocou uma mecha de cabelo atrás de minha orelha. Muito perto.

Estava quente, suas mãos firmes em minhas costas me fizeram arrepiar.

- Você acha que é a hora de mudarmos isso? – disse ele, aproximando o rosto.

- Bem, não sei ao certo.

- Se você disser que me ama, eu prometo ser um cara comportadinho, não fico com mais ninguém. Eu só preciso de você, e você só precisa dizer que me ama.

Me senti pressionada. Queria falar que o amava, que queria seu abraço todos os dias, queria sentir o gosto do seu beijo. Mas o medo de sofrer me impediu, talvez você ache isso idiota, mas eu havia sofrido demais por amor. E se o beijo dele não fosse tão doce assim? E se ele se tornasse chato e frio como meu pai? Eu perderia meu melhor amigo, será que compensava esse risco?

- Kiba, eu... não posso dizer que te amo.

Ele me soltou bruscamente.

- Merda, Hinata! Eu escondo esse sentimento de mim mesmo por anos, pra ser seu amigo, pra não te perder. Aí você aparece fazendo eu confessar o que sentia com que objetivo? Apenas pra me machucar?

- Kiba, me desculpe, eu apenas tenho...

- Não, não desculpo! Você estragou tudo! E duvido que agora vou conseguir suprimir esse sentimento de novo, eu vou ficar louco, eu juro! Você nem vai querer ser minha amiga, porque vai ser impossível eu ficar ao seu lado sem te dizer que eu te amo.

- Você me ama?

- Eu preciso repetir? – disse isso, e saiu violentamente de perto de mim, levando sua jaqueta.

Senti uma onda de frio, um nó na garganta. Ele tinha razão, eu estraguei tudo de novo. Como fui tola, achar que conseguia falar que o amava, engolir o orgulho e a vergonha. Sentia-me como 5 anos atrás, o medo nublando tudo. O amor me escapando pelos dedos.

Uma lágrima solitária escapou de meus olhos, e eu segurei firme a barra de meu vestido. Não chorava como antes, quando estava aqui fora com Naruto. Agora eu chorava reprimindo tudo, deixando só o excesso vazar pelos cantinhos dos olhos, encostei na parede e olhei pro céu.

- Hey, moça!

Assustei, dando de cara com Gaara.

- Oi Gaara.

- Ah, é você, Hinatinha. Por que está chorando?

Limpei a lágrima solitária.

- Já passou. – sorri.

Nessa hora escutei uma voz de mulher dizendo "vem me pegar, cachorrinho!". Ambos viramos para olhar.

Vi Ino entrando no banheiro, puxando Kiba pelo braço. Ele se permitiu me fitar com rancor, e foi atrás dela.

- O que foi aquilo? – Gaara me perguntou.

Como Kiba podia fazer isso? Depois de termos brigado ele já havia se atracado de novo com Ino.

- Preliminares. Aposto que agora já estão fazendo sexo. – disse, séria. Gaara riu.

- Hina, deixe isso pra lá, vamos beber.

- Claro.

Pensando bem, o que eu faria no lugar dele? Foi rejeitado por mim novamente, depois de tudo. Devia estar se sentindo um lixo, bem pior que eu. Me deixei ser levada pela cintura por Gaara até o balcão das bebidas, é claro que não ia beber muito, mas queria dispersar um pouco. Até perceber que Gaara estava dando em cima de mim.

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Poxa vida, eu alonguei a fanfic, né? Ainda vou escrever a noite na casa da Sakura! AHSHSIUA foi mal gente.

Desculpem a demora, eu fiquei lotada de coisas da escola pra fazer. :/

Bom, o capítulo ta pronto, espero que gostem! (:

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Stoplight: Éee, coitada da Hina UHSUISHA mas ainda tem bastante gente agarrando ela, né, ela que é boba e não pega ninguém ASUHASI, ok, eu também sou assim.

O Kiba é foda, e eu faria a mesma coisa no lugar dele, UASH principalmente nesse cap.

Espero que goste *-*

Beijos!

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Catherine3: Pode deixar que ela vai atacar o Kiba, quem sabe no próximo cap. MUHAHAHA