Cap. 5: Por ele.

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Eu só pensava em Kiba. E em como eu estraguei as coisas.

Não devia ter hesitado em falar que o amo, não devia ter temido perder sua amizade, pois já havia perdido. Ele não seria mais meu amigo como antes, então, já que está tudo fodido mesmo, por que não acabar com o resto?

- Desculpa Gaara, vou atrás do Kiba. – levantei.

Gaara me olhou com incompreensão, e com carinha de quem foi recusado.

- O cara acabou de entrar no banheiro com a Ino, e você ainda vai atrás?

Engoli em seco, pensar nisso doía meu coração.

- Eu acabei de estragar tudo com ele. Tenho que consertar até o final da noite.

- Por que até o final da noite?

- Porque, e se essa for a ultima noite da minha vida? Eu não vou querer morrer brigada com o Kiba, justo com o Kiba.

- Você o ama.

- Claro que sim. – sorri, eu tinha conseguido assumir.

- Então vá, Hina. – Gaara sorriu também, e eu fui em direção ao banheiro em que eles haviam entrado.

Dava passos lentos e descontínuos, mas não estava bêbada. Pelo contrário, estava mais lúcida que nunca.

Havia de tudo em meu coração: o medo, da desilusão, de ele estar agarrado com a Ino, de ele me recusar, de ele dizer que não quer mais me ver nem ser meu amigo; a ansiedade, de não saber direito como começar, eu tentava formar frases pra dizer daqui alguns segundos mas tudo parecia estranho e desconexo; o ciúme, ardendo como fogo dentro de mim, sabendo que ele já havia beijado tantas garotas mais bonitas que eu, melhores, menos complicadas, saber que ele abraçou forte algumas garotas do mesmo jeito que havia me abraçado a pouco. Mas acima de tudo, ia a minha frente o amor. Ele que me fazia continuar andando, estragar o esquema de uma amiga, arriscar uma amizade de anos, entrar no desconhecido.

Logo eu, que nunca havia sentido amor por ninguém além do pequeno Naruto, que procurava tanto achar alguém especial, e esse alguém estava bem ao meu lado, me esperando, me amando de longe, se contentando com poucos abraços, minhas crises de ciúmes suspeitas, um selinho. Sendo meu anjo da guarda.

De repente me dei conta do quanto Kiba era forte, eu não conseguiria suportar isso. Percebi o quanto era fácil amar aquele garoto, porque esse sentimento já estava em mim há anos.

Entrei no banheiro muito rápido, tudo parecia estar tremendo como minhas mãos. Kiba estava sentado no canto do banheiro, com os braços em volta das pernas e cabeça baixa. Ino estava encostada na parede que ficava de frente com ele, com pose superior, como se estivesse irritada.

Me viu entrando no banheiro e foi saindo, me disse:

- Cuide do seu amigo bêbado.

Eu fui correndo agachar na frente dele, olhei em seu rosto pálido.

- Você está passando mal?

Ele ergueu seus olhos vermelhos pra mim.

- O que você acha?

- Levanta, eu te ajudo.

- Não quero, meu estomago está doendo.

- Você quer vomitar?

- Não.

Eu ajoelhei no chão, ergui o seu rosto com o dedo indicador, para que ele pudesse olhar nos meus olhos e ver que eu estava dizendo a verdade.

- Kiba, eu queria dizer que... me desculpe. Por estragar tudo, machucar você todos esses anos.

- Tudo bem, eu faço porque eu quero.

Aproximei meu rosto do dele, sentindo sua respiração quente e convidativa. Ele me empurrou, e eu caí de bunda no chão sujo.

- De novo não, Hinata! Chega! Você acha que eu sou algum tipo de brinquedo seu? Que você pode aparecer me fazendo dizer que te amo, me fazendo de idiota? Acabou pra mim! Cansei! – e se levantou, me olhando no chão, completamente perplexa.

Como a perfeita idiota que eu sou, senti as malditas lágrimas me escapando. Olhando ele tão triste por mim, me senti um lixo. Como uma perfeita ladra, roubei sua vida e sua atenção por muitos anos. Levantei-me, com uma mão em sua nuca o puxei para mim e senti sua boca finalmente na minha. Finalmente. Meu coração dava pulos, eu sentia tudo ao mesmo tempo, e ainda arrepiava.

Nosso beijo foi no começo desesperado por minha parte, que estava ansiando esse dia em meu subconsciente por muito tempo, mas quando ele se deu conta e abraçou minha cintura carinhosamente, eu fui acalmando, e o beijo se tornou doce. O mais doce da minha vida, eu não queria abrir os olhos nem parar de beijá-lo. Era como se ele fosse feito para mim, sua boca se encaixava na minha, como eu sempre esperei. Como eu sempre quis. Nosso ritmo combinava. Sua língua, com sabor de chiclete de canela, passeava pela minha boca, como se precisasse saber de tudo antes que o sonho terminasse.

Era isso que eu sentia, como se tudo fosse tão perfeito que a qualquer momento eu fosse acordar.

Me separei dele com um ultimo selinho, encostei minha cabeça em seu pescoço quente, que cheirava a um perfume forte e doce, o cheiro mais familiar que eu conhecia.

- Você está bêbada, Hinata?

- Nunca estive tão lúcida. E você?

- Bêbado pra caralho. Mas isso não quer dizer que não a beijaria lúcido.

- Kiba, eu te amo como eu nunca amei ninguém, e só agora me dei conta disso. Sou tão idiota. – Solucei.

- Não diga isso – ele dizia enquanto fazia carinho em meus cabelos – você é a garota mais inteligente do mundo, eu me importo tanto com você, que você nem desconfia. – e me abraçou mais apertado.

Saímos do banheiro de mãos dadas pra não correr o risco de acabar com o sonho. Nossos amigos já estavam indo embora, pra casa da Sakura.

- Você vai? – apontei pro carro do Shino lotado de garotos bêbados indo pra casa da pobre aniversariante.

- Só se você for, amor. – abraçou minha cintura e encostou sua cabeça no meu ombro.

Meu Deus que fofo, parecia um bebezinho, que dependia de mim. Me senti sortuda.

Sorri. Vi Shikamaru fazendo sinal de aprovação pra mim.

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Fomos no carro da Temari, com Neji e Tenten de mãos dadas, Ino, Kiba e eu.

- Cadê o Shikamaru, Tema?

- Está indo no carro do Shino, Hina.

- Prima, por que você leva seu cachorrinho com você pra todo lugar? – brincou Neji.

- Me respeite, Neji. Agora eu sou seu primo também.

Neji engasgou. Temari, Tenten, Kiba e eu começamos a rir. Ino me lançava olhares irritados.

- É serio isso, Hinata?

- Sério, Neji. Nós ficamos.

- Não pode ser.

- Você acha que só você que pode namorar aqui? – Tenteu corou.

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A festa continuou na casa de Sakura. Tinha gente bêbada jogando Guitar Hero no Play 2, tinha gente bêbada se pegando nos cantos da casa, e também tinha casais trancados nos quartos. Tinha gente jogada nos colchões, desmaiados. Tinha gente fumando lá fora.

Tinha gente até brincando de pega-pega, juro.

Kiba entrou comigo como se nada tivesse acontecido, e de repente ele estava correndo comigo no colo. Ninguém se importava, todo mundo estava chapado mesmo.

Ás 5 da manhã só tinha os três mais chatos acordados: Naruto, Kankurou e Gaara. Que estavam acordando todo mundo, gritando, passando pasta de dente na cara de quem dormia.

Do nada Lee levantou desesperado, dizendo que alguém tinha apertado sua bunda; Ino, que estava deitada ao lado dele, gargalhava. Ela estava pagando a aposta.

Eu estava deitada num colchão de casal, no meio do bolo de colchões que estavam espalhados pela sala enorme. Kiba veio do banheiro com cara de sono, sorriu com cara de criança pra mim, e sentou ao meu lado.

- Posso dormir com você, gata?

- Só se ficar fazendo carinho nas minhas costas até eu dormir.

- Como quiser, madame.

Assim se deitou ao meu lado e eu virei de bruços, sorrindo. Ele fez carinho nas minhas costas e dava pequenos beijos na mesma, até eu dormir. Quando caí no sono, senti-o me abraçando, e assim nós dormimos.

Acordei antes dele, saindo do seu abraço. E fui escovar os dentes e me juntar aos outros que estavam acordados.

- Bom dia, senhorita Inuzuka! – berrou Naruto. Que energia aquele garoto tinha, foi o ultimo a dormir e o primeiro a acordar. E já estava bebendo de novo.

- Finalmente você pegou o Kiba, eu pensei que ia morrer antes de isso acontecer. – disse Kankurou.

Eu sorri, tudo estava indo muito bem, até Kiba acordar e se juntar a nós com cara de ressaca.

- Bom dia, galera.

- Que cara é essa?

- Uma puta dor de cabeça. Viu, alguém me esclarece, com quem eu dormi?

Todos se entreolharam e eu não entendi porque ele estava brincando com isso.

- É porque eu estava num colchão de casal, e não me lembro de nada que aconteceu ontem depois que eu fiquei com uma morena de olhos verdes aí.

Finalmente eu entendi. Não podia acreditar que isso estava acontecendo. Senti um nó na garganta.

- Hina, me ajuda! – me abraçou – o que eu fiz depois que te dei minha jaqueta, amiga linda?

Todos estavam tensos olhando pra nós. Eu me desfiz do abraço e passei ventando pela rodinha, indo me trancar no banheiro. Caí sentada na patente, que por sorte estava com a tampa fechada, e engoli em seco. Senti-me idiota; ele se lembrava da morena, mas não se lembrava de mim.

Ouvi-o perguntando "que foi que eu fiz pra ela?".

Senti raiva, de ter feito tudo aquilo por ele. Tudo em vão, tudo por ele. Ele nem ao menos se lembrava. Ou sequer se importava. Pra mim, foda-se; meu amor ele não teria de volta. Eu ia fingir que nada havia acontecido. O sonho havia acabado.

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Eu sei, ficou grande demais, como sempre. Haha

Aliás, eu fiquei em duvida entre terminar aqui, mas não teria graça.

Agora me ajudem, vocês querem um final triste ou feliz? Eu sinceramente acho que essa fic ficaria boa com um final triste. MUHAHA

Tomara que gostem desse cap., e desculpem a demora :/ é a escola e os vestibulares.

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Tashachan: Que liiiiiiinda, vocêee! *-* nossa, to feliz, brigada mesmo!

Eu tenho um talento excepcional? Que jeeeeito kkkkkk nem tenho.

Mas que bom que você ta amando! *-*

O que você prefere, final triste ou feliz?

beeeijos.