Escórpio levou a namorada até a varanda, ansiando um pouco de privacidade naquele local tão lotado. Já estava impaciente com a demora de seu avô e nervoso para tirar aquele fardo dos ombros, fosse qual fosse a reação dele.
— Será que seus pais gostaram de mim?
— Bem, se você tivesse babado um pouco mais na minha mãe ela teria te pedido em casamento, com certeza. — Respondeu divertido. — Mas, convenhamos, Rosa, você quase matou meu pai.
Ela franziu o cenho para o namorado.
— Não foi bem assim.
Ele riu.
— Não, você foi bem.
— Mas você não acha que teria sido melhor falar com seu avô antes? — Perguntou Rosa, ligeiramente nervosa.
— Não. — Respondeu com a voz resoluta. Ele teve muito tempo para meditar naquela possibilidade. — Meu avô não é um homem que costuma confrontar as pessoas, Rosa. Ainda mais em uma festa com tanta gente importante. Ele prefere dissimular, chantagear. Como meu pai.
Rosa assentiu, não muito convencida.
— Mas ele não vai tentar fazer nada, sabe?
Escórpio sorriu.
— Provavelmente ele vai te chamar de lado e oferecer dinheiro pra você se afastar de mim.
Ela abriu a boca, horrorizada.
— Ele não faria isso?
— Faria sim. — Respondeu, alargando o sorriso e continuando em um tom debochado. — Provavelmente uma boa quantia. Se eu fosse você pensava melhor no assunto.
A namorada emburrou.
— Muito engraçado, Escórpio. E ele não pode fazer nada contra você?
— Provavelmente ele vai tentar me oferecer dinheiro também.
— Certo.
— Eu vou aceitar, mas não vou terminar com você é claro. — Acrescentou rapidamente sob o olhar ameaçador da garota. — Depois ele com certeza vai me ameaçar com a deserção, tirando meu nome do testamento, da árvore genealógica, etc... — Continuou em um tom extremamente casual.
O queixo de Rosa caiu.
— Sério, Escórpio. Ele não vai fazer isso? — Questionou incrédula. — Quer dizer, isso é horrível! Ele não pode te excluir assim da família!
Escórpio fez um gesto displicente, se escorando no beiral da varanda.
— Ele não vai. — Respondeu confiante.
— Como você pode ter tanta certeza?
Ele fez um gesto amplo, mostrando a casa.
— Será que você não entendeu como a minha família é? O nome, as aparências, tudo isso conta muito Rosa. Eu sou o único herdeiro dos Malfoys, o único que pode dar continuidade ao nome da família! Ele não vai me deserdar, porque tanto meu avô como meu pai me conhecem. E eles sabem muito bem que eu não cederia.
Rosa assentiu, orgulhosa do namorado.
— Eu me casaria com você e mudaria meu nome para Weasley. — Zombou ele.
Ela riu, se aproximando de Escórpio com leveza, colocando a mão atrás do pescoço dele, num lugar que o fazia sentir leves arrepios na coluna.
— Sim, tenho certeza. — Respondeu cética. — Mas ele pode me azarar? — Acrescentou num sussurro suave.
Escórpio identificou no tom dela antigos preconceitos, mas não tinha porque ficar com raiva, o medo afinal não era tão infundado.
— Não se você não sair da minha vista. — Respondeu, meio debochado, olhando nos olhos da namorada.
— Pode deixar. Eu não pretendo sair nunca mais da sua vista. — Disse, devolvendo o olhar com intensidade, e inclinando-se para beija-lo.
Escórpio esperava que ela não saísse mesmo.
