Enfim chegamos à Casa dos Gritos. E meu coração quase saia pela boca de tanta agonia. Por mais que eu soubesse que ele nunca seria meu, eu não aceitava a ideia de vê–lo morrer, ou já morto.
Graças a Merlin constatei que o pior ainda não havia acontecido, ao ouvir sua voz aveludada ecoando à distância pela casa. Ficamos escondidos, à espreita, eu, Harry e Rony, só ouvindo o que eles conversavam.

– Realizou extraordinária magia com esta varinha, milorde, só nas últimas horas.

– Não! – a voz ofídica de Voldemort bradou, me dando ânsias – Não, eu sou extraordinário, mas a varinha resiste a mim.

– Não existe varinha mais poderosa. O próprio Olivaras disse isso. Esta noite, quando o garoto vier, ela não falhará. Eu tenho certeza. Ela atende ao senhor, e somente ao senhor.

Não sei se foi impressão minha, mas juro ter visto os dedos de Severus se cruzarem ao colocar suas mão para trás. Mais um indício para a conclusão de que minhas suspeitas estavam certas, mas ainda assim, não eram concretas.

– É mesmo?

– Milorde? – percebi um certo medo na voz de Severus ao questionar seu mestre.

– A varinha realmente atende somente a mim? Você é um homem sábio, Severus. Certamente deve saber. A quem ela é realmente leal?

– Ao senhor – novamente percebi os dedos cruzados. Não podia ser minha imaginação, não mesmo – É claro, milorde.

– A Varinha das Varinhas não pode me servir direito porque não sou seu verdadeiro mestre. A Varinha das Varinhas pertence ao bruxo que matou seu último dono. Você matou Dumbledore, Severus. – eu não conseguia acreditar no que estava ouvindo, e também não pude conter as lágrimas que rolavam por meu rosto – Enquanto você viver, a Varinha não pode ser realmente minha.

Quase deixei–me ser levada por meus impulsos e sair correndo na direção daquele cara de cobra ridículo para impedi–lo de fazer mal ao homem da minha vida, mas Harry me impediu. Eu não aguentava ficar ali esperando o pior acontecer.

– Você tem sido um servo bom e leal, Severus – o infeliz ainda teve a ousadia de fazer um discurso antes de matá–lo, imundo! – Mas somente eu posso viver para sempre.–

Ah, se Harry não me impedisse, ele ia ver quem ia viver para sempre, aquele nojento, asqueroso... AH! Por mais que eu soubesse que era Harry quem deveria matá–lo, eu mesma poderia ter feito isso naquele momento.

– Milord... – meu coração parou ou ouvir o feitiço cortar o ar e atingir Severus. Estranhei por não ver o clarão verde, mas depois percebi que não tinha sido um Avada. Porém, o que veio a seguir foi bem pior...

– Nagini, mate! – ordenou Voldemort à sua cobra, tão asquerosa quanto o próprio, e a cobra atacou sua vítima. Cada bote dela era um pedaço de mim que morria. Era uma tortura ver aquela cena. A respiração dele diminuindo, o sangue escorrendo pela jugular, seu corpo se contorcendo de dor, e aquele terror seguiu por alguns minutos que pareciam nunca acabar. A agonia aumentando dentro de mim.

Finalmente Voldemort desaparatou e então pudemos ir até ele, ver se ainda estava vivo. Harry entrou, e eu e Rony o seguimos. Consegui suspirar aliviada ao ouvir a respiração de Severus. Harry foi até ele e tentou estancar o sangue que jorrava. Inultimente, porque não tínhamos nenhum tipo de pano ou algo assim, e logo a mão dele estava ensanguentada. Eu procurava enlouquecidamente por algo dentro d aminha bolsa que pudesse ajudá–lo, mas nada encontrei. Precisávamos agir rápido se quiséssemos salvá–lo.

Ao ver lágrimas escorrendo de seus olhos negros, percebi um sentimento muito puro nelas, para depois perceber que não eram meras lágrimas.

Eram lembranças.

– Leve–as – Severus dizia à Harry, apontando para os próprios olhos – Leve–as, por favor...

– Dê–me algo. Depressa! – Harry disse, esperando eu achar algo na minha bolsa – Um frasco, qualquer coisa.

Enfim achei uma pequena ampola e entreguei a ele, que recolheu as lembranças.

– Leve–as para a penseira – ordenou Severus

Harry ficou paralisado, olhando para o pequeno frasco, mas Severus chamou sua atenção.

– Olhe para mim. –os olhos verdes de Harry se voltaram aos negros de Severus – Você tem os olhos de sua mãe.

Harry se conteve e não deu a resposta de sempre. Aquele momento não era propício.

– Professor, preciso tirar o senhor daqui. Preciso levá–lo para a enfermaria, antes que o veneno se espalhe e...

– Não, Harry, você precisa ir até a penseira. Isto é uma ordem... – Severus interrompeu, quase sem ar.
– É, Harry, você tem que derrotar Voldemort – interrompi a conversa dos dois – Pode deixar que eu cuido do Professor. Vá com Rony, que eu me viro.

Harry e Rony olhavam espantados para mim.

– V–você vai cuidar do Snape? – perguntou Rony, com aquela cara de paspalho de sempre.

– Deixá–lo morrer é que não vou, Ronald! Vá com o Harry que eu me viro, já disse!

– Mas, Herm...

– Sem mais, Harry! Você não pode perder tempo, cada segundo é precioso. Andem logo!

Mesmo sem aceitar, eles foram. Desesperadamente, tirei meu agasalho e pus em volta do pescoço de Severus, para poder estancar o sangue.

– Srta. Gran...ger...

– Não se esforce, Professor. Isso só vai piorar sua situação.

– Mas... eu não... que...ro que você... me salve...

– Não interessa, não quero saber, vou cuidar de você e pronto! Você querendo ou não.

Peguei minha varinha e comecei a conjurar feitiços cicatrizantes sobre o corte e a mordida em seu pescoço.

– Srta...

– Já disse para não se esforçar, Severus! Fique quieto que eu vou aparatar nós dois até a enfermaria.

– Voc...

– Shiiiu, quietinho...– disse, ponto os dedos nos lábios dele.
Por mais teimoso que ele fosse, eu nunca o deixaria lá, morrendo aos poucos.

Aparatamos, porém, não foi na enfermaria que chegamos...


Me diz o que você achou! *u*