Olhei à minha volta, tentando reconhecer aquele lugar. Com certeza era dentro dos terrenos de Hogwarts e eu sabia que já havia passado por lá alguma vez na vida, só não lembrava que lugar era.

– Porque estamos na Floresta Proibida, Srta. Granger? – perguntou Snape, deitado sob minhas pernas, analisando tudo à sua volta. Então era este o lugar.

– Sinceramente, eu também gostaria de saber, professor, porque mentalizei a enfermaria... Não entendo porque não chegamos até lá... Enfim, vou dar um jeito de sairmos logo daqui. Este lugar já é perigoso por natureza, no meio desta guerra, então..

Mal as palavras saíram de minha boca, vários clarões de feitiços cruzavam os céus, e ao longe pude ver um pequeno amontoado de pessoas correndo em nossa direção. Puxei Severus para trás de uma árvore, afim de proteger–nos, pois quando o grupo se aproximou, percebi que eram centauros. Assim que eles se foram, virei para Severus, para ver como ele estava, e neste momento tive uma surpresa.

– Olha só o que temos aqui...

– Grayback! – eu cuspi as palavras

– O que uma sangue-ruim feito você está fazendo por aqui, com este mal-acabado do Snape?

– E é do seu interesse, por acaso, seu verme?

– Hermione! – bradou Severus, chamando minha atenção.

– Ora sua...

– Estupefaça! – eu bradei, mirando a varinha bem no peito do lobisomem, mas ele conseguiu desviar e avançou em mim.

Severus, mesmo estando em condições nada favoráveis para sua sobrevivência, tentou azarar Grayback, porém sem sucesso.

– Você me chamou de verme, não é mesmo sua sangue–ruim insolente? Pois então você vai ganhar de presente uma bela marquinha do verme aqui, pra você nunca mais se esquecer...

– NÃO! – gritou Snape, mas de nada adiantou.

No mesmo instante, o lobisomem já havia cravado suas presas em meu pescoço e eu já gritava agoniada de tanta dor.

– Me mate logo de uma vez, seu infeliz!

– Te matar seria fácil demais, e você não sofreria nem um pouco...

Severus estava cambaleando, mas conseguiu juntar forças suficientes para tomar uma atitude.

– Avada Kedavra! – ele exclamou, mirando em Grayback, o fazendo cair imóvel, morto.
Imediatamente, Severus veio em minha direção.
– Srta. Granger, vou buscar ajuda para nós, visto que nenhum dos dois está em condições de chegar até o castelo – ele disse, conjurando seu patrono para buscar ajuda.
– Professor, me perdoe, a culpa é minha... Acho que não estava concentrada o suficiente para aparatar, e por isso viemos parar aqui...
– Que bobagem, é claro que não foi culpa sua... Só estava nervosa.
Neste momento, Lupin e Tonks aparataram no local em que nos encontrávamos.
– O que houve aqui? – perguntou Remus
– Ela foi mordida por Grayback, precisamos leva–la logo pra enfermaria – respondeu Severus
– Mas e você? Vejo que também está machucado...
– Sim, eu sei, por isso os mandei chamar, porque estávamos sem condições de chegar até o castelo.
– Ok, vamos logo. Segurem–se em mim e em Tonks e vamos aparatar – Remus disse, pegando–me no colo, enquanto Severus pegava a mão de Tonks, mesmo que ela fizesse cara feia para ele.

Chegamos à enfermaria tão rápido quanto se possa imaginar, e logo Papoula apareceu, desesperada pra ver o que tinha acontecido.
– Céus, o que houve com vocês, dois?
– Poppy, calma... – Remus falava com ela – arranje–nos duas macas para colocarmos eles, estão muito feridos.
Sem pensar muito, Papoula colou–nos nas macas e começou a nos examinar. Primeiro a Severus, que estava a ponto de desmaiar.
– Mas o que foi isso aqui? Uma picada de cobra? – ela perguntou
– Sim, Poppy. Fui atacado por Nagini – Severus respondeu, num sussurro quase que inaudível.
– Que horror, Severus! Vou já buscar um antidoto. É um milagre você não ter morrido até agora.
– Ele é um homem muito valente, Poppy – eu disse, enquanto ela voltava para medica-lo – Já faz um bom tempo desde o ataque, e ele está resistindo muito bem ao efeito do veneno.
– Se não fosse a Srta, eu nem estaria aqui... Devo minha vida a ela, Poppy – Severus retrucou.
– Os dois foram muito valentes... mas me diga, Hermione, querida. E você, o que houve com seu pescoço? Também foi atacada por aquela maldita cobra?
– Não, Poppy... antes fosse... – eu respondi, aos prantos.
– Ora, não diga isso, querida! O que poderia ser pior do que uma picada de... Oh, Merlin! – ela hesitou por um momento – Não me diga que...
– Ela foi mordida por Grayback... – completou Remus.
– Oh, minha criança, eu sinto muito! – Poppy se lamentava e me abraçava forte, enquanto eu chorava copiosamente, relembrando o momento do qual eu não queria nunca mais me lembrar.
– Bom, querida, vou começar cuidando do ferimento... depois vamos ter que começar a pensar no seu tratamento com a poção Mata Cão.
Eu chorava muito, não conseguia imaginar a minha vida daquele jeito. Não conseguia entender porque o destino tinha feito isso comigo. Era um pesadelo só de pensar...