Capítulo 7 – Um novo começo?
POV Snape
Foi algo tão repentino que não tive tempo para raciocinar. Lábios tão doces quanto o mais puro mel selaram-se aos meus. Era estranho provar a doçura tão inocente que emanava de Hermione, e não pude resistir àquela sensação prazerosa. Deixei-me levar por meus sentidos, pelo menos por alguns segundos, pois logo em seguida fui bombardeado de perguntas que se formulavam em minha mente. O que era aquilo? A garota só poderia estar fora de si! Afinal, o que a levaria a beijar o professor mais odiado de Hogwarts? Ainda mais ela! A irritante-sabe-tudo! Por Merlin, aquilo era insanidade! Mas era deliciosamente insano provar dos lábios carnudos daquela menina-mulher que me irritava ao extremo. Eu queria desvencilhar-me de seu beijo, masa vontade de continuar era maior. Mas, de repente, ouvi a porta da Ala Hospitalar ranger e sobressaltei-me, o que fez com que parássemos de nos beijar. Olhei para a porta, a fim de ver se alguém entrara no recinto e presenciara a cena há pouco acontecida, mas não havia ninguém. Apenas a porta aberta. Mesmo assim, fui até lá, apenas para constatar se não havia alguém à espreita, e me tranquilizei ao ver que realmente estava tudo calmo. Fechei a porta e voltei para o lado de Hermione.
- Você acha que alguém nos viu? - ela perguntou, preocupada.
- Creio que não - respondi - E espero que isto não se repita. Você esta confundindo as coi...
- Não estou confundindo nada, Severus! - ela retrucou, me interrompendo e colocando seu dedo indicador em meus lábios - Não te beijei como forma de gratidão por ter me salvo... Nunca estive tão certa do sentimento que nutro por você!
- Você está completamente louca, garota! - esbravejei - Vou chamar seus amigos, e este assunto acaba aqui, ouviu bem? Saí sem dar a ela chance de prolongar aquela discussão ridícula. Avisaria Potter e Weasley e pronto!
Voltaria para meus aposentos e procuraria descansar. Ao fechar a porta da Ala Hospitalar, vi um envelope caído no chão, e reparei que estava endereçado a mim. Estranhei, mas o peguei e guardei em minhas vestes. Depois eu teria tempo para ler seu conteúdo. No momento eu estava mais preocupado em avisar os dois cabeças-ocas.
Marchei até o 7o andar e parei em frente ao quadro da Mulher Gorda. Qual era a senha mesmo?
- Meleca de trasgo - ouvi alguém atrás de mim dizer.
- Srta. Ritter! - exclamei, ao virar-me e identificar a garota - Vejo que as senhas dos Grifinórios são tão ridículas quanto os mesmos, não?
- Bom dia para o Sr. também, Professor! - a garota respondeu - O que o trás à Torre da Casa que mais odeia?
- Não sei por que isto é do seu interesse, Srta...
- Logo saberá Professor...
- O que disse garota?
- Nada... Bem, vou andando. Até mais, Professor.
Senti algo estranhamente ameaçador no tom de voz da garota, mas procurei ignorar e prosseguir com o que precisava fazer. Disse a senha ao quadro e, assim que ele se abriu, por sorte, Potter e Weasley estavam saindo.
- Professor Snape!? - exclamou Potter, confuso - O que faz aqui?
- Posso lhe garantir que não vim para bater um papo - respondi - Vim apenas informar-lhes que Hermione já despertou.
Sem mais questionar, os dois saíram em disparada. E como eu planejara, segui para meus aposentos.
POV Hermione
Definitivamente, os ventos não sopravam a meu favor nos últimos dias. Tudo de ruim acontecera comigo, e minha consciência só piorava as coisas, insistindo em obrigar-me a lembrar de toda desgraça que o destino despejara sobre minha vida. Não fosse o bastante, agora eu também estava sofrendo o desprezo por amar a pessoa mais improvável do mundo em sentir o mesmo por mim. Para a minha alegria, Harry e Ron apareceram na Ala Hospitalar no exato momento em que eu quase me entregava às lágrimas por causa da dor da rejeição que acabara de receber de Severus.
- Mione! - Ron exclamou, correndo em minha direção e me abraçando.
- Olá, meninos! Estou tão feliz em revê-los!
- Ficamos tão preocupados quando soubemos o que aconteceu com você, Mione... - Harry lamentou-se
- Tem sido um tanto complicado me acostumar à ideia de que...- o choro veio e não me deixou continuar a falar.
- Olha o que você fez Harry! - Ron exclamou, irritado - Mione, não fica assim, tá bem? Nós estaremos ao seu lado, como sempre foi...
- Obrigada... - respondi, abraçando os dois - Não sei o que seria de mim sem vocês!
- Nós é que não sabemos Mi - retrucou Harry - Você sempre foi a cabeça deste grupo. Sem você, não seríamos nada.
Parecia que a felicidade retomara a minha vida quando eles entraram na Ala Hospitalar, pois passamos a tarde toda conversando e, ao lado deles, todos os meus problemas foram jogados para um canto.
POV Snape
O gosto dos lábios de Hermione não saíam dos meus, e muito menos a lembrança daquela cena. Desde o momento em que eu entrara em meus aposentos, esta era a única coisa na qual em conseguia pensar. Mas eu precisava esquecer, era loucura demais!
Decidi que precisava de um banho para desanuviar a mente. Comecei a me despir e vi algo caindo de dentro de um dos bolsos de minhas vestes. Era a carta que eu havia apanhado na entrada da Ala Hospitalar. Minha mente ficou tão concentrada em lembrar-me de cada detalhe do beijo de Hermione que eu já havia me esquecido. Peguei a carta e analisei a caligrafia. A princípio, pensei ser de Dumbledore, mas depois percebi que eu já havia visto aquela letra em alguma de minhas provas, logo era de algum cabeça-oca para o qual eu lecionava.
Bem, minhas suspeitas se confirmaram quando abri a carta e li o seguinte texto:
Querido Professor,
Eu até diria tudo o que desejo lhe dizer por meio desta carta, mas resolvi lhe informar apenas o que, provavelmente eu creio, seja do seu interesse. Na tarde de hoje, eu precisei ir até a Ala Hospitalar, para entregar algumas poções à Madame Pomfrey. Não sei se o Sr. Sabe, mas sou auxiliar dela... Bem, mas isto não vêm ao caso. A questão é que fui para cumprir minhas tarefas, mas acabei por não finalizá-las, pois me deparei com uma cena um tanto quanto incomum, na qual envolvia o Sr. E Hermione Granger.
Confesso que fiquei um tanto quanto abismada, mas também gostei de presenciar algo assim. Creio que estava no lugar certo e na hora mais oportuna possível!
Enfim, me encontre amanhã, depois das aulas, na Casa dos Gritos, se quiser que seu segredo fique bem guardado. Caso contrário, teremos uma ótima manchete estampada em letras garrafais na primeira página do "Profeta Diário" daqui a alguns dias.
Com carinho,
Patrícia C. Ritter
- FEDELHA MALDITA! – esbravejei aos quatro cantos – Já não bastasse uma irritante-sabe-tudo grifana, agora eu tenho uma irritante-hipócrita grifana no meu pé! Por mil diabretes da cornualha, isso só pode ser meu castigo por todos estes anos de comensalismo, não é possível!
Agora, mais do que nunca, eu precisava urgentemente de um banho, pois sentia uma enxaqueca terrível se formando em minha cabeça. Mas isto não ficaria assim. Eu não deixaria uma criança me chantagear, afinal, sou Severo Snape!
POV Hermione
Meu dia já começara bem com a visita de Ron e Harry, mas agora ficara melhor ainda com a notícia que Poppy acabava de me dar:
- Você já pode ir para seus aposentos, minha querida!
- Graças a Morgana! Você não poderia me dar notícia melhor, Poppy!
- Mas não se esqueça que você ainda precisa de cuidados, ouviu mocinha? – a medibruxa advertiu
- Sim, eu sei...
- Nós cuidaremos dela, Madame Pomfrey – respondeu Harry
- Eu tenho certeza que sim, Sr. Potter. E o Professor Snape também.
- O que aquele seboso tem a ver com a história? – resmungou Ron
- Rony! – chamei a atenção dele – Ele salvou a minha vida!
- Isso sem contar que é o único alquimista que sabe fazer decentemente a poção do Mata Cão – cochichou Poppy – sim, eu confesso que nem eu mesma consigo fazê-la com êxito.
- Ok, ok, já entendi... – respondeu Ron, dando-se por vencido – Mas quero que saibam que eu ainda não consigo confiar nele.
- Bobeira, Ron... Você aprenderá, eu sei. – respondi.
- Essa eu pago pra ver, Mione! – Harry zombou
O fato era que, querendo ou não, todos aprenderiam a conviver e aceitar Severus Snape. Passaram tanto tempo acostumados a vê-lo como um bruxo das trevas que eu tinha plena ciência de que seria custoso para todos aprenderem a aceitá-lo como um deles.
Porém, comigo ao seu lado, seria algo mais fácil. E será.
NA: O que será que a Ritter vai querer em troca do segredo? *u* Deixem seus achismos!
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