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III.

- Bom dia – cantarolei e congelei.

- Bom dia Bella – Edward respondeu – belo pijama. – Ele continuou com um sorriso torto.

Um dia antes.

...

Eu pensava que perder o emprego seria o fim do mundo e que nada poderia ser pior. Depois eu achei que ter de voltar morar com os meus pais depois de ganhar a doce independência seria finalmente o pior, mas olha só eu errada novamente... O que me tranquiliza é que fracassar nas entrevistas de emprego aparentemente é o pior... Então sem mais surpresas do destino.

- E então... – Mike começou cauteloso quando eu entrei no carro.

Eu podia sentir o medo em sua voz. Covarde.

Dei um suspiro e contei rapidamente sobre o episódio do café.

- Tenho certeza que a próxima vai ser a certa! – ele disse com falsa animação. – Quem sabe 13 é o seu número da sorte?

Ah sim. O número azarado vai me dar sorte.

- Não Mike. Eu disse, se não fosse aqui...

- Mas Bella... Você tem certeza de que vai desistir assim?

- Não é como se eu fosse ficar dando aulas pelo resto da minha vida. É só por enquanto – suspirei. – Não posso viver as custas dos meus pais também.

Mike era legal, atencioso e legal... Um bom amigo. Sempre foi apaixonado por mim e um dia eu disse "sim". Não é como se eu não gostasse dele. Eu gosto, mas a cada dia eu me pergunto se o que está me fazendo manter o nosso relacionamento eram as caronas para as entrevistas, agora que eu estava sem carro e sem dinheiro para concertar.

- Você estava fazendo o que? – perguntei quebrando o silencio. – Demorou para chegar.

A entrevista foi em uma editora importante de Port Angeles, e Mike morava a 15 minutos do lugar. Diferente de mim, ele não morava em Forks com os pais.

- E-eu demorei... para me arrumar – ele gaguejou. – Pensei que poderíamos ir em algum restaurante para, hmm, almoçar. Para comemorar sabe? Ai fiquei na dúvida... Da roupa. – Ele terminou com um sorriso nervoso.

- E escolheu moletom e tênis? – perguntei enquanto descíamos do carro.

- Pensei que poderíamos pedir uma pizza... Seria mais... Intimo.

Entramos no elevador em silencio e continuamos até entrar no seu apartamento.

- Caramba. Você conseguiu bagunçar mais ainda esse lugar.

A sala estava em uma completa bagunça, roupas jogadas no chão, copos e restos de comida por toda parte. Até o sofá parecia torto.

- É... Sabe como é... – ele disse coçado a nuca. – Sou meio bagunceiro.

Ele saiu pegando algumas roupas no chão. Comecei pegando os copos e pratos. Estranho, tudo parecia em... Par. Dei mais uma olhada ao redor e algo chamou a minha atenção.

Coloquei a calcinha desconhecida – por mim pelo menos – No quadro de avisos que ficava na sala, junto com um bilhete e sai o mais rápido que meus pés permitiam sem que eu caísse. Por sorte um táxi estava passando naquele instante.

...

- O Sr. Mason insiste em continuar até sexta – o diretor dizia como se fosse algo sem sentido.

Decidi passar na Forks High School antes de ir para casa, resolver os termos do meu novo emprego.

- Então, eu começo segunda? – perguntei o obvio.

Charlie comentou logo depois da minha primeira entrevista, que o Sr. Mason estava se aposentando. Claro que eu não tinha boas lembranças do colegial e voltar seria a última coisa da minha lista, e por mais que dar aulas não fosse o meu sonho, eu já estava no fim da lista.

- Sim, tudo certo com os horários e as programações?

- Tudo certo – respondi tentando manter um sorriso confiante e feliz.

- Bem vinda a Forks High School – ele disse estendendo a mão.

Apertei sua mão e agradeci.

Resolvi voltar para casa andando sob a chuva fina que caia, não queria gastar novamente com táxi e andar ia me ajudar a refletir.

...

Assim que entrei na minha rua diminui a velocidade. Queria evitar ao máximo as perguntas e concelhos da minha mãe.

Foi quando um cachorrinho passou correndo para a nossa garagem. Ele não era familiar, mas a julgar pelas constantes reclamações do meu pai, esse deve ser o culpado.

Tudo aconteceu muito rápido. Em um segundo eu vi o cachorrinho deitado no chão e no outro o carro do meu pai muito próximo...

- Charlie não!

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