Título: AFTER ALL

Autora: Samantha Tiger Blackthorn

Casal: Harry e Draco

Classificação: NC-17, Romance, Angst, Violência Física e Psicológica.

Resumo: Depois de tudo, o amor deles foi o caminho que Harry usou para trazê-lo de volta. Ele entendeu que é o Amor e não o tempo que cura todas as feridas.

Avisos: Essa estória é Slash, ou seja, mostra o amor entre dois homens. SE NÃO GOSTA, NÃO LEIA.

Beta: Lady Anúbis
Disclaimer: Essa história é baseada nos personagens e situações criadas e pertencentes a J.K. Rowling, várias editoras e Warner Bross. Não há nenhum lucro, nem violação de direitos autorais ou marca registrada.

Dedicatória: Essa fic foi escrita como presente de Aniversário para Meu Amor

FELTON BLACKTHORN, dia 21 de Fevereiro de 2007.

PARABÉNS!!!

AFTER ALL

CAPÍTULO 2 – O Calor da Ira

- POTTER! – Severus chamou mais uma vez o ex-aluno mais cabeça dura que já tivera. Já estava chamando pela terceira vez, era irritante a capacidade que o ex-grifinório tinha de se desligar. – Você sabe o que está prestes a fazer? Está certo que você sempre teve uma compulsão para quebrar as regras, sempre agiu temerariamente, mas agora está passando dos limites! – Severus estava muito irado. O tempo passava, mas Grifinórios eram sempre Grifinórios, impulsivos e passionais. – Isso é loucura, não posso compactuar com isso!

- Severus, já está decidido, eu vou fazer isso de um jeito ou de outro. Faço por Draco. Tenho que saber o que fizeram com ele, senão como vou poder ajudá-lo?

- O medibruxo já nos disse que é só paciência e calma. – Severus estava a ponto de perder a paciência com ele. – Por que você sempre tem de ser teimoso como seu pai? Veja o que aconteceu com ele... Você também não poderá ajudar Draco se continuar agindo assim e acontecer algo grave com você, como morrer, por exemplo.

- Meu pai estava certo. Defendia o que acreditava e morreu protegendo a família. Eu faria a mesma coisa se estivesse no lugar dele. VOCÊ FEZ a mesma coisa! É certo que me defendeu por obrigação, depois me ajudou em nome da causa, e no final, sei que foi apenas por mim mesmo.

- De onde você tirou uma idéia extravagante dessas? Fiz o que fiz por que era o meu dever. O tempo passa, mas nada muda não é? Você continua sendo um pirralho tolo e metido. Agora está ficando pior, por que além de tolo está sendo imprudente!

- E os canalhas que fizeram isso com ele vão ficar impunes? – Harry estava muito enraivecido para perceber que a paciência de Severus já estava chegando ao fim.

- Claro que não! Aliás, já estão sendo punidos! Os que não morreram no confronto final já estão trancafiados em Azkaban e devem ser condenados à prisão perpétua ou à morte. O que mais você quer? Vingança?

- Merlin me ajude, ele era só um garoto! Só de imaginar o que fizeram para deixá-lo como está... Minha indignação é tão grande e minha raiva tão profunda...! Começo a achar que Azkaban não é o suficiente e que a morte seria pouco diante de uma crueldade dessas!

- ... – Severus abriu a boca para retrucar, mas foi impedido por Harry que estava possesso.

- E não me venha dizer que estou sendo imprudente! Eu vou procurar os responsáveis por isso e arrancar deles o que foi que aconteceu, de um jeito ou de outro, com ou sem a sua ajuda. Com sua ajuda seria mais fácil, mas vou procurar os responsáveis mesmo que seja sozinho, nem que tenha que ir ao inferno e falar com o próprio diabo. Portanto, passar por cima do Ministério e de qualquer um que se coloque no meu caminho ou ir a Azkaban e confrontar ex-comensais da morte, é brincadeira de criança.

- POTTER!!! Você ESTÁ sendo passional demais! Isso É uma loucura! Você não está errado, eu até compreendo... – Vendo a determinação nos olhos verdes Severus se rendeu ao inevitável. – E eu sei que me arrependerei, mas vou com você! Deixá-lo ir sozinho seria ainda mais perigoso. Além do mais, alguém responsável tem que estar por perto para por juízo nessa sua cabeça oca e impedi-lo de fazer besteiras.

- Obrigado Sev... - Harry sorriu satisfeito. – Eu sabia que você não ia se recusar a me ajudar.

- Se continuar me chamando assim, – Severus levantou a sobrancelha, o olhar enfurecido. – Eu mesmo faço uma besteira...

oOo

Harry andava pelos corredores a caminho do quarto de Draco na ala psiquiátrica do hospital, se lembrando da conversa que tivera nos aposentos de Severus, em Hogwarts, na noite anterior. Sorriu novamente. Conseguira arrancar dele o assentimento para ajudá-lo, não fora tão difícil quanto pensara. Estacou no corredor. Gritos vinham de uma porta mais adiante. O quarto de Draco... Apressou-se. Abriu a porta, entrou e assombrou-se. Uma bandeja com o que parecia ser o café da manhã estava sobre a mesa, intacto, e junto dela uma outra com o almoço. A enfermeira tentava se aproximar do rapaz que estava encolhido no canto do quarto, os braços protegendo a cabeça, o olhar aterrorizado preso na mulher que não queria assustá-lo ainda mais. Cada vez que tentava chegar mais perto ele gritava novamente. Harry chegou perto dela e pediu para falar-lhe em particular. Afastaram-se do rapaz até a porta, falando em voz baixa para não perturbá-lo ainda mais.

- O que está acontecendo? Por que ele está assim?

- Ele não deixa ninguém se aproximar. Nós estamos tentando fazê-lo comer, deve estar com fome, mas ainda não conseguimos alcançar o nosso objetivo, já que não comeu nada do que trouxemos pela manhã.

- E por quê? Por que será que ele não come?

- Nós ainda não descobrimos o motivo. Quando o paciente acorda, automaticamente a central de enfermagem é avisada. A cozinha também, que providencia a alimentação de acordo com as prescrições do medibruxo. No caso do Sr. Malfoy não há nenhuma restrição, então trouxemos alimentos de fácil digestão, leves, mas nutritivos, já que parece estar sem comer a dias. Nós temos monitoramento mágico aqui na ala psiquiátrica, em todos os quartos. Observamos que estava calmo, curioso, andou pelo quarto observando tudo de perto, mas não tocou em nada. Foi uma outra enfermeira que trouxe a bandeja com o café. Na papeleta dela está anotado que ele teve este mesmo comportamento pela manhã. Encolheu-se num canto aos gritos e ela não conseguiu se aproximar. Achamos que se o deixássemos à vontade, viria até a bandeja e se serviria...

- Mas não foi isso que aconteceu, não é? – Enquanto falava com ela observava o comportamento do loiro que continuava na mesma posição, nem piscava enquanto conversavam.

- Não, Senhor. Apesar de chegar perto da bandeja, ele não tocou em nada. Passou a maior parte do tempo sentado e encolhido no canto do quarto, olhando ora para a bandeja sobre a mesa, ora para a porta.

- Pode deixá-lo a sós comigo? Vou tentar ajudar de alguma forma.

- Tudo bem, o Senhor tem acesso livre a qualquer hora do dia ou da noite. O próprio doutor Augustus autorizou. Se precisar de algo, é só chamar. Vou precisar examiná-lo mais tarde. Senhor, se conseguir um meio de alimentá-lo, poderia tentar lhe dar essa poção para dormir? Se estiver dormindo fica mais fácil... – Ela se retirou, deixando a bandeja sobre a mesa.

Harry virou-se e caminhou bem lentamente, com bastante calma, até a mesa, sendo seguido pelo olhar cheio de medo do sonserino, que continuava do mesmo jeito, no mesmo lugar. Tirou a varinha do bolso da capa e colocou-a sobre a mesa. Reparou que Draco arregalou os olhos e gemendo baixinho tentava se encolher ainda mais no canto como se isso fosse possível. Ele o olhava de cima a baixo, para a capa negra que tinha sobre as vestes e para a varinha sobre a mesa. Uma intuição guiou o moreno para o que fez a seguir. Tirou a capa e jogou-a para o canto perto da porta. Tirou as vestes também, ficando apenas de calça e camisa. Colocou a varinha às costas, presa no cós da calça, como havia feito na tarde anterior. Notou que o loiro ficou um pouco mais sereno. Puxou a cadeira e sentou-se calmamente, pegando uma maçã na bandeja, mordeu, tirando um pedaço generoso dela, degustava a fruta, saboreando com prazer. Olhava de canto de olho para o loiro, já mais relaxado no canto e que ainda não tirava os olhos dele, seguindo cada movimento. Parecia estar faminto, então por que não comia? Sabia que Draco adorava maçãs e gostava da maioria das frutas que tinha na bandeja, não conseguia entender por que não tinha tocado em nada.

- Draco... – Harry o chamou baixinho e com bastante ternura. O loiro pareceu reconhecer o próprio nome, por que o encarou diretamente nos olhos, prestando atenção no que dizia. – Sou eu... Lembra...? Harry... – O loiro não esboçava nenhuma menção de falar ou de reconhecimento. Apenas prestava atenção no que Harry dizia. – Hei, não está com fome? Não quer uma maçã? Você adora, lembra? É a sua fruta preferida. – Estendeu a mão que segurava uma maçã bem vermelha, bem madura. O loiro fixou o olhar na fruta, evidentemente estava com muita vontade de comê-la, mas não se mexeu do lugar.

Harry teve uma idéia. Não sabia se daria certo, mas não custava tentar. Colocou a maçã que estava comendo sobre a mesa e levantou-se da cadeira. Sentiu o outro ficar alerta. Assim que deu o primeiro passo em sua direção, quase se arrependeu, o loiro cobriu a cabeça com os braços e começou a gemer baixinho, parecendo um animal ferido. Condoeu-se dele. Queria abraçá-lo, acalentá-lo, protegê-lo, dizer-lhe que nunca mais ninguém lhe faria mal...

Draco... Não tenha medo... Não vou lhe fazer nada... – Caminhou lentamente com muita paciência e calma até o meio do caminho entre a mesa e o canto onde ele estava. Abaixou-se, chegando mais perto dele, colocando a maçã no chão, ao alcance de um braço de distância, refazendo o mesmo caminho de volta à sua cadeira. Sentou-se e aguardou. Assim que Draco se viu a salvo e que Harry não ia tentar tocá-lo, desviou os olhos do moreno e fixou-os na maçã colocada no chão ao seu alcance. Desencostou do canto da parece, olhando a reação do moreno, que fingia não perceber que ele estava se mexendo e continuava comendo a sua maçã placidamente. Inclinou-se, esticando o braço, pegando a maçã e voltando à posição anterior. As mangas se afastaram e Harry notou os pulsos ainda inchados, os hematomas aparentes por baixo dos braceletes ajustados. Olhou os tornozelos, que estavam no mesmo estado. Voltou o olhar para o rosto do loiro que o observava, com a maçã nas mãos. – Come Draco... Pode comer... É pra você, todas essas são pra você...

Ficou em expectativa, até o loiro morder a fruta, sempre olhando para ele. Esperou pacientemente o rapaz comer a fruta toda, o que não demorou muito, já que estava realmente faminto.

- Quer mais? – Draco o olhava como se concordasse. Refez o mesmo processo da maçã, agora com a bandeja, o loiro um pouco mais calmo, sabendo que Harry não ia tentar chegar perto. Ficou por ali um tempo considerável, observando-o comer, sempre receoso, como se temesse ser agredido a qualquer momento. Depois de se certificar que estava acabando de comer, resolveu sair para tomar mais algumas providências. Mas antes resolveu tentar lhe dar a poção. – Draco... Olhe para mim... – Os olhos prateados se fixaram nele. – Eu preciso... – Abaixou-se pondo o frasco com a poção ao lado da bandeja. – Preciso que você tome essa poção... Está me entendendo? É para poderem curar os seus machucados... Você confia em mim...?

Draco fixou o olhar nos olhos verdes por algum tempo. Depois olhou para o frasco e novamente para ele. Agiu do mesmo modo que com as frutas. Desencostou-se, e sem desviar o olhar, pegou o frasco, retornou para onde estava, destampou e bebeu tudo. Harry aguardou, enquanto a poção fazia efeito. Assim que o loiro dormiu, Harry foi até ele, o pegou nos braços e carregou até a cama. Ajeitou-o sobre os travesseiros, deu-lhe um leve beijo nos lábios e o deixou.

Procurou a enfermeira para lhe informar que o loiro comera quase todas as frutas, que tinha tomado a poção e já estava dormindo. Perguntou a que horas era servido o jantar, avisou que voltaria no fim da tarde para ficar com ele e acompanhá-lo durante o jantar. Pediu que no lugar da comida, providenciassem tortas, bolos salgados, pães recheados, alimentos fáceis para comer com as mãos e frutas, especialmente maçãs, que eram as preferidas de Draco. Também passou no consultório do medibruxo, para trocar algumas idéias e saber se eram viáveis.

oOo

Harry estava muito cansado. Andar pelos corredores do Ministério de sala em sala, era estafante. A sorte era que sua fama o precedia, dificilmente um pedido seu seria negado, mas ninguém queria lhe dar nada por escrito. Estivera em pelo menos meia dúzia de seções, tentando conseguir uma permissão formal do Ministério para entrevistar alguns Comensais da Morte. Na verdade, ele não precisava de permissão nenhuma, sendo auror estava no direito do seu cargo de entrevistar qualquer prisioneiro. Consultou seu relógio. O tempo tinha passado rapidamente, estava ficando tarde e ele queria estar com Draco um pouco antes de servirem o jantar. Mas antes iria passar pela seção dos Aurors e falar com Rony e Mione.

- Oi... - Harry abriu a porta e saudou seus amigos.

- Harry! – Mione saiu de trás da mesa e apressou-se em abraçar o amigo. – Como ele está? Depois que o deixamos no hospital esperando pela avaliação do estado dele, não o vimos mais. Você está com a aparência cansada...

- E estou. Desde o relatório sobre a saúde dele ontem, não consegui dormir direito. Não sei o que é pior, ter pesadelos com o que eu achava que tinha acontecido, ou ter pesadelos com o pouco que eu sei que aconteceu.

- O que o medibruxo disse Harry? O que houve com Malfoy afinal?

- Além de estar anêmico ao extremo e de ter perdido a memória completamente? De tudo. Desde azarações, maldições imperdoáveis, surras, dando um passeio pelas torturas trouxas, até ser violado não sei quantas vezes durante os últimos dois anos.

- Cara, nem sei o que dizer.

- Tenho certeza que não foi simples assim! Fizeram alguma coisa que o deixou naquele estado permanente de pânico. Por isso vim aqui hoje. Queria uma autorização formal do Ministério, no meu nome, para interrogar os comensais da morte. – o espanto dos dois foi grande.

- Pra que, Harry? – Ron estava muito curioso. – Nós não precisamos de permissão. É só ir até a prisão e mandar trazer o prisioneiro até a sala de interrogatório...

- Além disso, – Hermione riu nervosa – ninguém seria louco o suficiente para lhe dar tal documento...

- Por que não? Eu notei mesmo que eles enrolam, enrolam e me mandam pra outra seção.

- É mesmo Mione, eu também fiquei curioso... Por que não?

- Vocês não pensam mesmo, hein? Garotos, não existem mais os dementadores para conter os bruxos, para enfraquecê-los, sugarem suas forças, arrefecerem suas vontades. Quem seria louco para dar uma permissão por escrito, com sua assinatura no ofício, para o maior herói do mundo bruxo, entrar na pior prisão, onde estão os comparsas do maior bruxo das trevas de todos os tempos, do qual, você, Harry, era o inimigo número um? É muito perigoso, e você ainda diz que quer ir lá para interrogar essa gente?

- Nossa cara, ela tem razão, sabe?

- Mas eu não quero ir sozinho, pedi a Severus para ir comigo...

- E o Sebosão concordou?

- Severus concordou em acompanhar você? – O espanto de Hermione fez com que Harry corasse com o embaraço.

- Bem, não concordou de boa vontade. Tentou me fazer desistir, discutimos, mas acabou concordando. Disse que era para tentar me colocar juízo na cabeça...

- Harry, por que você quer uma permissão formal? Rony tem razão, sendo auror podemos ir lá e mandar trazer qualquer prisioneiro.

- Eu sei disso... – Harry mordeu os lábios, criando coragem. – Eu vou abandonar a carreira, Mione, não é isso o que eu quero para mim.

- Mas Harry... – Rony estava chocado com a declaração. – Sempre pensei que você quisesse ser auror!

- Eu queria, enquanto o objetivo era derrotar Voldemort. Mas a guerra acabou, fiz minha parte e agora quero distância de tudo isso. Com essa permissão posso continuar investigando, mesmo não sendo auror.

- E o que você vai fazer agora, Harry? – Hermione tinha um sorriso de compreensão no rosto.

- Vou me retirar da sociedade bruxa e cuidar dele. Só Draco me interessa agora. – Consultou o relógio. – Preciso voltar ao hospital... A gente se vê.

Harry se foi, deixando os dois amigos perplexos.

- Você acha que ele está certo?

- Acho Ron. Ele finalmente está seguro do que quer. Deu tudo de si para chegar até aqui e agora tudo que ele quer está lá, naquele quarto de hospital. É justo que tenha o direito de abandonar tudo e viver a vida dele, ir cuidar do que acredita que realmente importa.

oOo

Harry apressava-se, tinha se atrasado ao passar pelo seu apartamento para pegar algumas coisas. Deu uma leve batidinha e abriu a porta devagar. Entrou e o encontrou no mesmo lugar de antes, no canto do quarto, sentado no chão, abraçado aos joelhos. Harry então foi também para o mesmo lugar de antes, a cadeira ao lado da mesa. Ele ainda não tinha levantado a cabeça, estava meio abatido, cabisbaixo, alheio ao que se passava ao seu redor.

Draco... – Harry chamou suavemente para não assustá-lo. Ele levantou o rosto fixando os olhos em Harry. Os olhos expressivos se iluminaram ao ver o moreno. – Você se lembra do seu nome, não é? – O loiro inclinou a cabeça, encostando-a na parede. A expressão vazia, não parecia lembrar realmente, mas era algo instintivo responder ao seu nome.

- Eu lembro de tanta coisa... Agora que você está aqui, começaram a surgir na memória lembranças boas, bonitas... Tenho saudade... – Harry sentou-se no chão, no mesmo nível que Draco, encostando-se na cama. – Lembro de você nas aulas de poções, concentrado em preparar os ingredientes, as mãos ágeis cortando, misturando, mexendo o caldeirão. Lembro de você voando, me desafiando a fazer manobras cada vez mais difíceis, do seu sorriso irônico me provocando... Lembro de nós dois deitados no chão da sala de astronomia, olhando o céu à noite, só fazendo companhia um ao outro... – Um nó se formou na garganta de Harry. - Lembro da noite em que você me deixou diante da lareira, na sala de Dumbledore, me beijou antes de ir, era véspera do seu aniversário... Lembro do nosso beijo... Do calor do seu abraço... Do seu riso, dizendo que voltava logo, que domingo estaria comigo... Do meu desespero quando você não voltou. – Harry levantou os olhos brilhantes das lágrimas contidas, se surpreendendo ao olhar no rosto do loiro, ao ver que uma lágrima solitária descia por sua face. O coração bateu mais rápido.

- Trouxe uma coisa pra você... – Harry puxou a sua capa para perto e colocou a mão no bolso interno, tirando dela um pequeno estojo. – Olhe, você adorava voar e nos últimos tempos nós gostávamos de competir pelo pomo, só eu e você... – Abriu o estojo, mostrando ao loiro a bolinha dourada, firmemente presa nele. Muito lentamente colocou o estojo diante do loiro, para que visse mais de perto, para que pudesse tocar... – Eu comprei pra você, era para dar quando você voltasse... Seu presente de aniversário.

Draco olhava para o estojo, para o pomo, para Harry. Estendeu os braços, tocando no estojo, hesitante, olhando para Harry como se pedisse permissão. Tão diferente daquele garoto seguro de si, arrogante e orgulhoso.

- Pode pegar nele Draco, ele é seu, eu dei a você. É um presente.

Draco pegou o estojo nas mãos, passou os dedos pela bolinha, reconhecendo através dela algo dentro de si. Neste momento batem à porta. O susto de Draco foi tão grande, que deixou a caixa cair de suas mãos, voltando a encostar-se no canto da parede, o pânico estampado em seu rosto.

- Calma Draco. – A suavidade estava sempre presente na voz do moreno. – Está tudo bem, nada de mal vai acontecer, eu juro. – Harry levantou-se indo abrir a porta. Era o jantar que chegava. Harry trouxe a bandeja para dentro, sentou-se no chão junto à cama e colocou a bandeja entre eles. – Viu? Era só a comida chegando. Estendeu a mão, pegando um pedaço da torta de frango e mordendo um pedaço, demonstrando na expressão facial que estava tudo bem, que a torta estava deliciosa. – Não quer comer, Draco? Olha só. Tem várias coisas que você gosta: torta de frango, croissant, maçãs, suco de abóbora...

O olhar do loiro era guloso, mas hesitava em pegar alguma coisa. Tinha medo estampado no olhar.

- Pega Draco... – Empurrou a bandeja mais para perto dele. – É para você, vim jantar com você, fazer companhia...

Draco olhava para ele, os ombros do loiro relaxando à medida que ouvia a voz baixa de Harry falando com ele. Os instintos do loiro estavam mais afiados que nunca. Ele podia não entender plenamente o sentido do que Harry falava, mas entendia a paciência, o carinho, a gentileza que o moreno lhe dedicava. Em pouco tempo, Draco comia tudo que era oferecido por Harry, sempre com um pouco de resistência no começo, mas cedendo facilmente depois. Foi assim por uma semana, Harry se dividindo entre o trabalho, aonde quase não ia; os aposentos de Severus, preparando-se para a investigação que queria fazer; tomando as providências para quando tirasse Draco do hospital, dentro de algumas semanas; e o hospital, onde passava nos horários das refeições, às vezes à noite, quando não conseguia dormir, só para velar o sono de Draco.