Título: AFTER ALL
Autora: Samantha Tiger Blackthorn
Casal: Harry e Draco
Classificação: NC-17, Romance, Angst, Violência Física e Psicológica.
Resumo: Depois de tudo, o amor deles foi o caminho que Harry usou para trazê-lo de volta. Ele entendeu que é o Amor e não o tempo que cura todas as feridas.
Avisos: Essa estória é Slash, ou seja, mostra o amor entre dois homens. SE NÃO GOSTA, NÃO LEIA.
Beta: Lady Anúbis
Disclaimer: Essa história é baseada nos personagens e situações criadas e pertencentes a J.K. Rowling, várias editoras e Warner Bross. Não há nenhum lucro, nem violação de direitos autorais ou marca registrada.
Dedicatória: Essa fic foi escrita como presente de Aniversário para Meu Amor
FELTON BLACKTHORN, dia 21 de Fevereiro de 2007.
PARABÉNS!!!
AFTER ALL
CAPÍTULO 3 – Descendo ao Inferno
- SEVERUS! – Harry chamou assim que entrou, com um pergaminho nas mãos, sobressaltando Snape que estava concentrado numa poção.
- POTTER! Isso é jeito de entrar no meu laboratório? – O mestre de poções pergunta de varinha em riste. – Você perdeu a noção de perigo? Estou trabalhando numa poção delicada, qualquer melindre e o caldeirão vai pelos ares!
- Desculpe Severus... – O pedido foi automático. – Veja, consegui o que eu queria!
Severus examina o documento em mãos:
Londres, 27 de Maio de 2006.
À Direção de Azkaban.
Eu, Rufus Scrimgeour, atual Ministro da Magia, concedo a Harry James Potter, o livre acesso a qualquer prisioneiro de Azkaban para fins de interrogatório a qualquer hora e a qualquer tempo. Torno, portanto, esse documento mágico irrevogável, seja por mim ou qualquer outro Ministro que venha assumir o meu lugar.
Rufus Scrimgeour
- Como você conseguiu isso? – Severus estava surpreso com o conteúdo do pergaminho.
Harry ficou vermelho e baixou os olhos. Snape franziu as sobrancelhas e insistiu. As palavras soavam cáusticas nos lábios dele.
- Diga-me Potter. Como você conseguiu que aquele velho imbecil lhe desse um pergaminho desses? IRREVOGÁVEL!
- Digamos que tivemos um pequeno entendimento, relembrando passagens de antigas conversas nossas que não seriam lisonjeiras à imagem do nosso Ministro da Magia se por acaso aparecessem no Profeta Diário...
Desta vez as duas sobrancelhas de Severus se levantaram em espanto. Um brilho de sarcasmo e divertimento passou-lhe pelos olhos. Não conseguia acreditar que Potter fora capaz...
- Não acredito! CHANTAGEM!! Você chantageou o Ministro? – Snape não pensava que ele o faria realmente, que teria coragem de fazer qualquer coisa para chegar ao seu objetivo. Harry levantou os olhos verdes, brilhantes de fúria e determinação, encarando Severus de frente.
- Eu lhe disse. Nem que for para ir ao inferno e enfrentar o próprio diabo, vou lutar para trazer o Draco de volta. Ainda não sei quem fez e o que fez para deixá-lo desse jeito, mas eu juro: EU VOU DESCOBRIR.
- Continua o mesmo pirralho insolente de sempre! Potter, você sabe o que o espera? Não vai ser fácil. Vai ter que tentar manter a calma, não importa o que você veja naquelas mentes distorcidas. – Severus estava preocupado, pois não estava certo se Harry iria agüentar. – Lembre-se: Draco vai precisar muito de você, ele é sua responsabilidade agora.
- Para isso, conto com você lá... Para por "juízo na minha cabeça oca". Quero ir essa noite mesmo, quando voltar do hospital, pode ser?
- Não tenho escolha, sou obrigado a ir... Para o bem de Draco. – Snape faz uma pequena pausa, antes de tocar em outro assunto. – As outras providências sobre as quais já conversamos... Está quase tudo pronto.
- A casa? Achou uma casa conveniente para nós?
- Não precisei nem procurar, Potter. A casa é minha, passava as férias de verão lá. Todas as proteções e feitiços que coloquei nela durante a guerra, ainda estão ativados, então só teremos que fazer com que elas os reconheçam. A casa é muito simples, mas bem confortável. Tem dois quartos com os respectivos banheiros para manter a privacidade de vocês, uma cozinha grande, uma sala espaçosa e um escritório. Tem um porão também, mas lá é meu laboratório, portanto mantenham-se longe. A lareira da casa está conectada somente com a dos meus aposentos, tem certeza que pode se arranjar à moda trouxa?
- Claro que sim, sei me virar muito bem. Tantos anos morando com os Dursley, tinham que servir para alguma coisa...
- E Draco...? Algum progresso?
- O Dr. Augustus acredita que sim. Pelo menos a aparência dele está mais parecida com a normal que eu conheço e a anemia está melhorando. Os ferimentos estão praticamente cicatrizados. Ele disse que Draco está mais tranqüilo, também. Ainda não deixa que ninguém se aproxime, mas o pânico diminuiu bastante.
- Como se ele soubesse o que está fazendo... – Severus bufou impaciente. – Você continua levando objetos do passado para ele ver?
- Sim. E os resultados foram bons, o Dr. Augustus aprovou.
- Potter, esse idiota aprovaria qualquer coisa que você sugerisse! Ele não sabe o que isso pode provocar nele. Lembre-se de onde e com quem Draco passou os últimos tempos! Sente verdadeiro pânico cada vez que qualquer um ou qualquer coisa chegue perto dele! Perdeu TODA a memória! NÃO fala! Deve haver um bom motivo para isso, você não acha?
- Sim, eu concordo, por isso ele achou bom quando eu sugeri que se estimulasse a memória dele...
- Claro! Por Merlin! Você é AUROR! Venceu e MATOU o maior Bruxo das Trevas de todos os tempos! Você é HARRY POTTER! Ele até lhe deu livre acesso ao quarto de Draco, a qualquer hora do dia ou da noite! – um arremedo de sorriso e ironia passeava pelos seus lábios. – Não sei como ele não lhe deu Draco embrulhado pra presente...
- Está sugerindo que ele fez isso só por causa da minha fama?
- CLARO QUE NÃO! ESTOU AFIRMANDO! Ele nem sabe o que está fazendo ou que reação pode provocar em Draco. – Voltou-se para o caldeirão – Não está na hora de você ir?
Harry nem se deu ao trabalho de responder, sabia que não adiantava ficar retrucando.
- Mais tarde eu volto, gostaria de começar as investigações ainda hoje.
Severus resmungou uma resposta qualquer. Viu Harry saindo, a ansiedade latente nele, a porta se fechando.
oOo
A rotina das visitas realmente tinha acalmado o loiro. Ele sabia e parecia que esperava a chegada de Harry. Todas as vezes que o moreno abria a porta do quarto, o loiro estava encolhido no canto usual com os olhos tomados pelo pavor pregados nela, que se abrandavam assim que miravam o semblante carinhoso de Harry.
Aquela noite não foi diferente. Harry se anunciou como sempre, com dois toques breves na porta e entrou. O loiro estava no mesmo lugar, a mesma atitude esquiva, contemplativa. Parecia que somente quando Harry chegava, ele relaxava, demonstrava se sentir seguro com sua presença.
- Oi, Draco. É tão bom ficar aqui com você... Se eu pudesse, eu não ia mais embora, ficava o tempo todo ao seu lado. – A lembrança do que ia fazer mais tarde naquela noite passou por sua cabeça. – Mas não posso, não enquanto eu não souber o que aconteceu e fazer com que os responsáveis paguem por tudo... – A raiva que o percorria cada vez que se lembrava dos relatórios médicos era tão forte, que sua aura emanava poder e perigo. – Harry voltou à consciência ao ouvir os choramingos temerosos do loiro. Sua expressão se suavizou instantaneamente.
- Calma, está tudo bem. Olha o que eu trouxe para você... – Colocou perto do loiro um porta-retrato de madeira, entalhado a mão. – Você ficou maluco nesse dia, quando Denis nos flagrou naquele nosso cantinho do jardim. – Harry se perdia nas lembranças, enquanto o loiro pegava nas mãos o porta-retrato e admirava a si e a Harry na foto. Estavam sob um caramanchão abandonado. A trepadeira carregada de flores brancas e vermelhas tinha crescido desordenadamente, escondendo quase completamente os dois namorados dos olhares curiosos. Harry estava sentado na grama, as pernas encolhidas, com Draco deitado em seu colo, acariciando suavemente os cabelos platinados enquanto conversavam. Nisso o flash da máquina de Denis os tinha surpreendido e Draco ficara muito bravo. Não aceitava terem sido pegos em um momento tão vulnerável! Só se acalmara quando Denis prometera que a foto seria entregue a eles assim que estivesse pronta. Duas cópias, uma para Draco e uma para Harry. Era a única foto que tinha deles dois juntos.
Focou o olhar em Draco, que se encostara à parede e tinha o olhar perdido em um ponto qualquer. Mas mantinha o porta-retrato nas mãos, bem seguro junto a si. Não percebeu a leve batida na porta, a chegada da comida, nem que Harry se sentara um pouco mais perto dele, colocando a bandeja à sua frente, a não ser quando ouviu seu chamado. Harry só se foi depois de deixá-lo na cama, em sono profundo.
oOo
Harry entrou nos aposentos de Severus. Notou que o mestre de poções tinha encarnado o papel do comensal da morte mais uma vez e o aguardava na sala de estar.
- Sente-se Potter. Você vai mesmo fazer isso, não é?
- Pensei já ter deixado isso bem claro, nada me fará desistir.
- Garoto petulante! Já que não tem outro jeito... Você sabe muito bem como deve fazer. Demorou, mas consegui enfiar Oclumência e Legilimência na sua cabeça. Então, lembre-se de controlar seu temperamento impulsivo. Você sabe o que vai encontrar na lembrança dos comensais, não é novidade.
- Eu sei, partilhar da mente de Voldemort foi um excelente treinamento. Eu sei o que vou ver nas memórias doentias desses criminosos.
- Então, Potter, pelo bem de Draco, já que talvez mais nada consiga conter seus impulsos grifinórios... CONTROLE-SE! Vamos, o modo mais fácil é por chave de portal. – Pegou a varinha do bolso das vestes e apontou um abridor de cartas sobre a mesa. – Portus! – Pegou-o nas mãos e estendeu-o na direção de Harry. Ambos o tocaram...
oOo
Harry sentiu um puxão, uma tontura, e abriu os olhos para ver os portões e as muralhas de Azkaban. Aquele lugar era de dar arrepios em qualquer um. Mesmo sem os dementadores, entrar ali era deprimente. Os guardas vieram recepcioná-los no portão. Ao verem Harry, abriram os portões imediatamente. Um dos guardas aproximou-se, esperando por uma ordem.
- Estamos aqui para vermos esses prisioneiros. – Entregou um papel com o timbre do Ministério, com a lista de prisioneiros. – De preferência nessa ordem.
O guarda assentiu com a cabeça. Entrou na prisão, sendo seguido por Harry e Severus, conduzindo-os pelos corredores lúgubres e sombrios até a sala de interrogatório. A sala era pequena, tinha uma mesa, algumas cadeiras e uma cadeira específica para o prisioneiro. Lá, o cheiro de mofo e umidade era ainda maior, tinha ficado fechada por tempo considerável, já que não se notava vestígios de ter sido limpa recentemente. Quem estava em Azkaban era para ser esquecido, ninguém queria entrar lá, nem para interrogar um criminoso, a não ser Harry Potter.
Os dois permaneceram em silêncio, olhando-se vez ou outra enquanto esperavam o primeiro comensal. Severus na sua postura fria e impassível. Harry ansioso e apreensivo. Sua atenção foi atraída pela breve batida na porta, que se abriu, deixando entrar o guarda trazendo o prisioneiro.
- Senhores, o prisioneiro: Avery. – Colocou-o na cadeira, que imediatamente prendeu-o pelos pulsos, tornozelos e pescoço, ficando totalmente à mercê dos inquisidores. Assim que o prisioneiro foi devidamente imobilizado, o guarda saiu da sala, fechando a porta atrás de si, deixando os três a sós.
- Bem, bem, bem... – Harry encostou-se à beirada da mesa, bem em frente ao Comensal da Morte. – Vamos aos fatos. Você era um comensal do círculo mais intimo de Voldemort. Devia estar por dentro de tudo o que estava acontecendo, onde e por que. – O comensal o olhava com ódio e desprezo. – Deve saber o que aconteceu com os outros comensais.
- ... – O comensal sorriu com escárnio, mas não abriu a boca.
- Vamos lá, Avery, a estada na prisão o deixou mudo? – Severus espicaçou o ex-colega – Não parece muito alquebrado, devem estar tratando você muito melhor do que merece.
- Você merecia estar morto seu traidor! Traiu a nossa causa, traiu o Lorde das Trevas! Sempre foi um traidor! – A voz do comensal saiu baixa e rouca pela falta de uso, mas ainda assim carregada de veneno, a raiva pontuando cada sílaba.
- Potter, eu lhe disse que interrogar esse imbecil era perda de tempo, deveríamos estar interrogando o comensal mais íntimo do Lorde das Trevas, que era Lucius Malfoy... Pena que não o pegamos, a esta altura provavelmente já deve estar longe daqui.
- Ah sim, aquele sim, era o comensal mais leal de Voldemort, ele deveria saber de todos os planos daquele verme.
- LEALDADE!!! AQUELE TRAIDOR ESTÁ MORTO! ASSIM COMO ESTE DEVERIA ESTAR TAMBÉM!
- Olhe Potter! Além da voz, acho que ele recuperou a lucidez e as memórias! Azkaban deve ter feito muito bem a ele...
- HÁ! MELHOR IMPOSSÍVEL, ACHO QUE VOCÊ TAMBÉM DEVERIA PASSAR UMA TEMPORADA AQUI, SEU MESTIÇO INSUPORTÁVEL!
- Silêncio! – Harry lança o feitiço, emudecendo o prisioneiro. – Chega. Isso não está levando a nada. – Avery continuava esbravejando e xingando, mesmo sem voz.
- Só tem uma forma de arrancar alguma coisa dessa laia, Potter. Eu lhe disse, mas você tem escrúpulos demais. Você acha repugnante, invasivo, mas se fosse ele no seu lugar... – Apontando o comensal que se retorcia todo na cadeira possuído pelo ódio – não hesitaria um minuto. Aponta a varinha para o prisioneiro – Imobulus! Pronto Potter, faça a sua parte.
- Eu só tentei dar uma chance a ele, mas se não tem outro jeito... – Harry encarou o comensal nos olhos, agora totalmente imobilizado, proferindo o feitiço: LEGILIMENS!
Harry estava numa sala suntuosamente mobiliada e decorada. Ao centro dela, uma poltrona antiga, com o próprio Voldemort acomodado nela. À volta dele, um grupo de mais ou menos dez Comensais da morte, à sua frente Lucius reverente sobre um dos joelhos e em pé atrás dele, Draco e Narcissa.
- Vejam senhores, esse é o meu seguidor mais Leal... Nunca questionei sua fidelidade. Você é leal a mim, não é, Lucius?
- Claro, meu Senhor. Sempre. – Lucius estava tenso, como se não fosse assim que ele esperava o desenrolar dos fatos daquela noite.
- Então faria qualquer coisa que eu lhe ordenasse, sem hesitar...
- Sim Meu Lorde, meu propósito é servi-lo. – Lucius não parecia estar gostando.
- Acataria qualquer atitude minha... – Voldemort brincava com a varinha, rolando-a entre os dedos.
- Procuro sempre fazer tudo de acordo com a vontade do Meu Lorde. – Lucius mantinha a cabeça baixa, numa atitude respeitosa e servil.
- Então concorda comigo que seu filho merece uma demonstração de lealdade e obediência... – Apontou a varinha para o loiro imóvel pelo espanto. – Incarcerous! – Cordas envolveram os pulsos de Draco Malfoy... – Levem-no para as masmorras. – Levantou-se da poltrona e saiu na frente sendo seguido por Lucius e Narcissa, que se entreolhavam preocupados, e por todo o séqüito presente na sala.
Harry também acompanhava, logo atrás de Avery, que era quem conduzia o garoto ainda mais pálido pelo medo. Desceram as escadarias que levavam ao subterrâneo, à sala principal das masmorras da mansão, o salão das torturas.
- Prenda-o pelas cordas no gancho da corrente. – Harry ouviu a ordem e reparou que bem no meio do salão havia uma corrente presa ao teto com um gancho na ponta. Assistiu ao comensal conduzir o garoto pelas cordas e praticamente pendurá-lo pelos pulsos. Draco tinha que se manter na ponta dos pés para não apoiar o peso do corpo nos pulsos delicados.
O Bruxo das Trevas não parecia ter nenhuma pressa, antes se deleitava com o pavor estampado nos olhos do garoto e com a preocupação nos olhos da mãe. Mas parecia realmente satisfeito com o olhar impassível do patriarca Malfoy.
- Bem Lucius, eu vou tentar não exagerar no castigo do seu filho, mas ele tem que aprender que um Comensal me deve obediência cega, eu não me contentaria com menos que isso. – Harry estava agoniado, sabendo que não podia intervir, que isso que presenciava era apenas uma lembrança. – Quero apenas quebrar o seu orgulho e fazê-lo aprender, por isso não vou usar a Cruciatus nele.
Conjurou uma poltrona para si, bem diante da cena que estava prestes a se desenrolar. Sentou-se confortavelmente e, usando de sua varinha novamente, virou o garoto de costas.
– Diffindo! – Deixou o loiro nu da cintura para cima. – Por isso, vou usar de um castigo trouxa para começar. – Conjurou um chicote longo – E para demonstrar como também sei ser justo, não vou pedir as 50 chibatadas que eu gostaria. – Harry quase se engasgou: Voldemort sorri! – ele ainda é um garoto. Vou pedir somente trinta, e vou deixar que você mesmo aplique o castigo Lucius, para que ele não se machuque mais que o necessário.
Voldemort ergueu o braço, estendendo o chicote na direção de Lucius, que estremeceu ao tocar no objeto e tomá-lo nas mãos. Nesse momento Narcissa se desesperou, prostrou-se diante do bruxo, implorando para que ele não fizesse isso.
- Por favor milorde, ele é só uma criança, deixe-me tomar o lugar dele...
- NÃO! Essa é uma lição que ele precisa aprender! Estou sendo benevolente o suficiente não entregando essa missão para qualquer um. Segure-a! – Ele ordenou a Avery, que não hesitou em obedecer. Virou-se para Lucius que parecia estar em transe. Harry ainda não acreditava que ele teria coragem de fazer isso ao próprio filho. – Vamos Lucius. Estou esperando.
Lucius desenrolou o chicote. Harry ouviu o estalo e, ainda sem acreditar, viu o vergão aparecer nas costas do loiro, o corpo cedendo com a dor, dando um forte repelão nos pulsos, ouvindo o grito e correndo para tentar impedir a próxima chicotada. Ele se revoltou ao ver que não podia fazer nada, afinal eram somente lembranças. Sentiu o estômago se retorcer, tendo que ouvir os estalos e os gritos... Lucius também não agüentava continuar. Depois da sétima chicotada, caiu de joelhos no chão.
- Por favor milorde, nunca hesitei diante de uma ordem sua, mas não posso fazer isso, ele é meu filho, sangue do meu sangue, nunca encostei um dedo nele.
- Ah, Lucius, é uma pena eu ter que fazer isso. Mas você vai cumprir a minha ordem, até o fim. – O prazer de Voldemot era evidente no tom de sua voz – Imperius! – Harry assistiu horrorizado Lucius se levantar e se posicionar novamente. – Agora, Lucius cumpra a minha ordem! Termine o que você começou!
E Harry, desesperado, continuou ali, assistindo passivamente o loiro chegar à inconsciência, pendurado pelos pulsos frágeis, a pele fina e branca como porcelana ficar cheia de vergões e depois abrir em cortes que deixariam as marcas que ele vira. Ao estalo da ultima chicotada, Lucius ficou livre da maldição apenas para constatar horrorizado o que fizera. Lágrimas furtivas escorreram pelo seu rosto.
Um frêmito de ódio o percorreu, virou-se já de varinha na mão, pronto para tudo. Mas o Lorde das Trevas já imaginara essa reação.
- IMPEDIMENTA! – Lucius Malfoy foi lançado longe, ficando desacordado no chão. – Ah! Traidor! – Prendam os dois, Lucius e Narcissa, nos grilhões presos à parede!
Tendo sido obedecido, aproximou-se do garoto, virou-o de frente para si, e acordou-o.
- Enervate! – Draco abriu os olhos e foi assaltado pela dor por todo o corpo, nos pulsos, luxados pelos trancos levados por causa do peso sobre eles, nas costas, lanhadas por causa das chibatadas. – Agora, moleque, você vai ver o que eu faço com quem me trai. Tenha sempre na lembrança que tudo isso é culpa sua e somente sua.
Afastou-se de Draco a passos lentos e comedidos, afinal não tinha pressa nenhuma. Chegando próximo à Lucius ordenou que o acordassem. No que foi prontamente obedecido por um dos comensais.
– Veja Draco, como os traidores devem ser tratados... Crucius! – Harry viu Draco assistir ao pai se contorcendo na sua frente... – Crucius! – Sofrendo uma maldição atrás da outra... – Crucius! – A mãe chorando, desesperada, tentando chegar perto, ela protegeria o marido com o próprio corpo se pudesse.
Subitamente as maldições pararam. Voldemort voltou o rosto para Draco.
- É realmente uma pena, mas por sua culpa vou perder o meu melhor servo... E você, garoto arrogante, vai perder o papai. AVADA KEDAVRA!
Essa fic é diferente do que eu costumo escrever. Vi um comentário do Felton dizendo que gostava de Angst e resolvi encarar um desafio. Quero agradecer aqui a todos os que estão acompanhando essa estória que escrevi especialmente para comemorar o Aniversário do Meu Fell. Planejei uma semana de comemoração, por isso vou postar um capítulo por dia. Serão sete capítulos, o último postado no dia do Aniversário dele.
Muito obrigada a todos que além de ler, deixaram reviews: Regulus Black (É verdade, os traumas do Draco foram muitos, a ponto dele apagar a memória, e o Harry, bem ele é louco pelo Draco e é Grifinório, né? Acho que isso diz tudo...); Felton (Tocante, Envolvente! Ah, Paixão! É uma emoção saber que você mergulhou tão fundo na estória, a ponto de sofrer com o Draco e se indignar junto com o Harry... Fico feliz que esteja gostando, afinal você é a minha inspiração e o objetivo dessa fic é te agradar e mimar, ADORO VOCÊ!); Nanda Pretáh (Só de deixar três elogios, já é um grande incentivo); Lady Anúbis (Ah, querida amiga e beta, você sabe o quanto é importante pra mim? O quanto me ajudou e incentivou nesse desafio? Seus comentários foram mais que importantes, foram fundamentais para que essa fic fosse escrita. Te adoro, Amiga).
Meus agradecimentos também a todos os que leram e por qualquer motivo não deixaram review, espero que continuem acompanhando a estória.
