Título: AFTER ALL

Autora: Samantha Tiger Blackthorn

Casal: Harry e Draco

Classificação: NC-17, Romance, Angst, Violência Física e Psicológica.

Resumo: Depois de tudo, o amor deles foi o caminho que Harry usou para trazê-lo de volta. Ele entendeu que é o Amor e não o tempo que cura todas as feridas.

Avisos: Essa estória é Slash, ou seja, mostra o amor entre dois homens. SE NÃO GOSTA, NÃO LEIA.

Beta: Lady Anúbis
Disclaimer: Essa história é baseada nos personagens e situações criadas e pertencentes a J.K. Rowling, várias editoras e Warner Bross. Não há nenhum lucro, nem violação de direitos autorais ou marca registrada.

Dedicatória: Essa fic foi escrita como presente de Aniversário para Meu Amor

FELTON BLACKTHORN, dia 21 de Fevereiro de 2007.

PARABÉNS!!!

AFTER ALL

CAPÍTULO 4 – Labirintos da Mente

- É realmente uma pena, mas por sua culpa vou perder o meu melhor servo... E você garoto arrogante, vai perder o papai. AVADA KEDAVRA!

- Não... Pai... – Era evidente o sofrimento na voz do garoto. Harry viu o desespero nos olhos cinza, o loiro parecendo não acreditar no que vira. Ele olhava para a mãe caída no chão. O choque fora tão grande que Narcissa desmaiara.

- Coloquem-nos em celas separadas. Limpem isso! – Apontou para Lucius morto. – Enterrem-no numa vala em algum lugar no jardim. Escolham um lugar Apropriado para o Patriarca da família.

Voldemort se retirou, mas antes de chegar às escadas voltou-se novamente para os comensais ainda paralisados pela surpresa.

Isto vai ficar somente entre os que estão presentes aqui, e para garantir que serei obedecido... – Ele fez um movimento com a varinha lançando um feitiço não verbal. Pela segunda vez naquela noite Voldemort sorriu... – Este feitiço só perderá seu efeito se eu morrer. Como essa possibilidade é inexistente...

Harry caiu de joelhos, exausto. Ele estava indignado, chocado, enjoado. Esperava por isso e imaginava o quanto mais iria descobrir, coisas ainda piores, mas ver sem poder fazer nada era frustrante... Era horrível!

- Potter, você está bem? – Severus estava realmente preocupado.

Harry teve uma reação imprevisível, começou a rir, gargalhar. Não conseguia parar, as lágrimas caindo de seus olhos enquanto ele ria, mas não podia se conter... Por alguns minutos essa cena deprimente se desenrolou, até que ele silenciou e só ficaram as lágrimas no seu rosto.

- Severus... – A voz saiu por entre os dentes cerrados pela raiva e soava tão baixa que quase não se podia ouvir. – Mande tirar esse verme daqui, antes que eu o mate.

- Não é necessário, vamos embora. Depois que sairmos os guardas vêm e o levam de volta à cela. Ele não pode sair daí mesmo... – Severus se aproximou de Harry e o ajudou a levantar-se.

Eles deixaram a sala, caminhando pelos corredores, rumo à saída. Ao se verem fora lançaram um último olhar para os portões que se fechavam, antes de acionarem a chave de portal.

oOo

Era muito cedo ainda, Severus bem que tentara impedi-lo, tentara convencê-lo a dormir em Hogwarts, mas Harry não concordara. Precisava ficar sozinho para digerir tudo o que vira. O canalha psicopata estava morto, mas só de imaginar o que ele fizera, não só com Draco, mas com tantas outras pessoas... Só de pensar no quanto mais ele ia descobrir nas lembranças dos comensais, se ele estivesse vivo... O mataria de novo e de novo, e dezenas de vezes se fosse preciso. Chegara à sua casa de madrugada e nem tentara dormir, não conseguiria. Estava sentado ali no sofá há horas e as imagens sinistras estavam impressas na sua retina, na sua mente, não saíam da sua frente, quer ele estivesse de olhos abertos ou fechados. Era terrível, o episódio se repetia na sua cabeça, e ele via, ouvia, e sentia. O ódio por não ter podido fazer nada crescia. A culpa, por não tê-lo impedido de ir para casa naquela noite, o castigava impiedosamente. Racionalmente sabia que não era responsabilidade sua, mas seu coração não se convencia disso.

Consultou o relógio. Quase cinco e meia da manhã! Era melhor tomar um banho, trocar-se e tentar pôr algo em seu estômago, que ainda estava embrulhado. Depois iria vê-lo. Já não se importava se Draco se lembraria dele ou não. Sabia que nunca mais sairia do lado do loiro, cuidaria dele com toda a sua atenção e dedicação, com todo o seu amor. Agora entendia por que Severus dizia que tinham que tomar cuidado ao ativar as lembranças. Sabe-se lá o que ele iria lembrar, quais seriam as conseqüências dessas lembranças na saúde já tão frágil dele. Estava pronto. Só mais alguns minutos para chegar ao hospital, via flú, e estaria ao lado dele.

Estava quase chegando ao quarto, quando ouviu uma voz chamá-lo. Era a enfermeira daquela ala.

- Senhor Potter. Por favor, tem um minuto?

- Pois não. – Ele estava com pressa, mas não ia se negar a atender a enfermeira. Ela não o chamaria se não fosse algo importante.

- Desculpe por me meter senhor. Se fossem outros tempos, eu nem mencionaria isso. Mas graças ao senhor posso falar sobre esse assunto livremente. Sou casada com um trouxa. Ele é médico e trata desse tipo de caso do Senhor Malfoy. Ele é especialista na área. Ele é Psi... Psi...

- Psiquiatra?

- Isso. Psiquiatra. Comentei sobre o senhor e o caso do Senhor Malfoy. Ele se colocou à sua disposição para explicar o que está acontecendo e o orientar sobre como interagir com ele. Se o senhor se interessar, me procure e eu lhe darei o endereço do consultório.

- Obrigado, eu apreciarei muito a ajuda dele. Do jeito que as coisas estão, qualquer ajuda é bem-vinda. Mais tarde, antes de ir, eu procuro pela senhora.

A enfermeira concordou e voltou aos seus afazeres. Harry consultou o relógio mais uma vez. Não era ainda sete horas, ele devia estar dormindo. Entrou silenciosamente no quarto, sem bater para não atrapalhar o sono dele. O quarto estava na penumbra, as cortinas fechadas.

Estou tão sozinho... Não sei onde... Meu nome... Não lembro o meu nome... Aqui está muito escuro, mas não quero que fique claro... Quando clareia coisas acontecem... Ouço gritos... Meus gritos? Meus... Sinto frio... Sinto dor... Não quero chorar...

Harry chegou vagarosamente até ele, sentou-se na beirada da cama, pegou em suas mãos e as acariciou. Examinou os pulsos de perto, constatando que a cicatrização estava indo bem, que não estavam mais inchados e nem roxos. Levou uma das mãos aos cabelos claros e os acariciou como há muito tempo não o fazia. Era uma emoção imensurável... O movimento nas pálpebras indicava que Draco estava acordando... Harry continuava acariciando o loiro, mesmo correndo o risco dele se assustar, precisava mostrar que ser tocado não era ser machucado.

Quente... Sensação quente... Minha mão... Meu rosto, meu cabelo... Bom, tão bom... Um toque... Quente... Não... Não! Toque dói... Não quero... Não... Ahhh...

Ahhhh! – Draco abriu os olhos, assustando-se com o próprio grito, debatendo-se, tentando se livrar do que o tocava, se arrastando pela cama até encolher-se na cabeceira, os olhos fechados, apertados pelo pavor.

- Draco? – Harry se aproximou mais. – Draco sou eu... Abre os olhos...

Draco abriu os olhos vagarosamente ao ouvir a voz dele... Fitou os olhos verdes sentindo-se amedrontado, mas seguro. Era confuso. Harry chegou mais perto, o loiro em pânico, e com movimentos delicados e lentos inclinou-se e relou os dedos na pele do braço... Uma carícia bem suave... Mas Draco continuava tenso, paralisado pelo medo. Não adiantava, ainda não conseguia aceitar que o tocassem.

Harry afastou-se um pouco, o suficiente para encostar-se nos pés da cama, mas não saiu dali. Ficou falando, falando, sempre delicadamente e baixo, para que Draco se mantivesse calmo. Esperou pelo café da manhã junto dele. Comeram na cama, cada um numa ponta, mas isso já era bem mais próximo do que tinham ficado nos últimos dez dias.

Depois do café pegou uma sacola que tinha trazido consigo e que deixara ao lado da cama, onde colocara algumas coisas para ele. Trouxera chocolate, que sabia que gostava tanto, mas não trouxera os sapos, por que pulavam e Harry ficou receoso que ele se assustasse. Trouxe também o perfume preferido de Draco, poderia não lembrar, mas certamente lhe daria prazer, pois adorava aquela fragrância. E trouxera uma fotografia dele com os pais, uma que ele mantinha em seu quarto nos tempos da escola. Narcissa sentada em uma poltrona, segurando no colo um garotinho loiro de mais ou menos dois anos, com Lucius ao seu lado, o braço deste envolvendo os ombros dela. Na foto Lucius a trazia junto a si, beijava seus lábios e o topo da cabeça de seu filho. A foto era muito bonita, e revelava uma faceta surpreendente da relação dos pais com o filho: carinho. Não que o patriarca não fosse severo, frio e sistemático, mas amava o filho e a esposa com certeza.

Draco avançou logo nos chocolates, demonstrando que não esquecera essa particularidade, o que fez Harry rir bastante. Mas o que chamou muito a atenção do loiro, depois do chocolate é claro, foi um par de braceletes que Harry trazia no braço esquerdo. Depois de uma noite passada em claro, por conta da memória doentia do comensal da morte, Harry se vestira de um modo mais descontraído e confortável. Usava calça jeans e camiseta de gola pólo de mangas curtas, deixando evidentes as jóias em seu braço. Eram braceletes de ouro branco, com gravações em toda a volta, que somente quando juntos formavam uma frase completa. Ele não pareceu reconhecê-los, mas com certeza ficara fascinado pelas jóias, a ponto de se aproximar e chegar a estender a mão como se fosse tocá-las. Harry se lembrava do dia em que o loiro as trouxera.

Draco tinha um dos braceletes no seu braço e Harry comentara que o achara muito bonito. Nisso ele sorriu e lhe estendeu um saco de veludo negro, dentro uma jóia igual, mas as gravações à volta dela pareciam diferentes. Perguntou-lhe se tinham um significado específico...

- Claro Harry, estão gravadas em Gaélico, é um idioma Celta.

- E o que diz?

- O meu diz: "SOMOS DUAS METADES OPOSTAS QUE SE COMPLETAM..." e o seu: "QUE SE AMAM E FICARÃO UNIDAS PARA SEMPRE!" Só faz sentido se os dois estiverem juntos, assim como nós...

Harry ficara encantado com o presente.

Draco retirara o seu do braço, pouco antes de entrar na lareira.

- Não posso ir com ele... Guarde-o para mim até eu voltar.

E Harry guardara. Mais do que isso, não se separara mais dele, o usara junto com o seu para senti-lo mais perto de si.

- São bonitos, não são, Draco? Foi você quem mandou fazê-los para nós. – Tirou um deles do braço. – Este é o seu. Você me pediu para guardar para você. Quer usá-lo? – Draco fitou-o longamente, depois, com os olhos fixos no rosto de Harry, ainda receosos, estendeu a mão. Harry entregou-lhe a jóia e viu-o colocá-la no braço. O bracelete ajustou-se a ele no mesmo instante. Pegou o retrato dos pais.

- Você gostava muito desta foto... Lembro da primeira vez em que a vi no seu quarto, como me surpreendeu. Vou colocar junto da nossa aqui na mesinha de cabeceira. Vou ter que sair, mas volto para almoçar com você. – Harry despediu-se, deixou-o lá, admirando as fotos deles e dos pais.

Ao sair do quarto, Harry procurou pela enfermeira. Queria o endereço do Psiquiatra. Olhou o nome dela, escrito no crachá: Anne.

- Anne, acha que seu marido poderia me receber hoje?

- Ele não tinha consultas marcadas durante a manhã. O senhor quer que eu verifique se ele pode atendê-lo?

- Por favor. – Harry viu-a colocar a mão no bolso do uniforme e retirar dele um celular. A surpresa transpareceu em seu rosto, por que ela riu.

- Uma invenção trouxa muito útil. Com sua licença. – Ela afastou-se e ligou para o marido. Falou com ele durante alguns minutos, depois veio falar consigo. – Ele disse que pode atendê-lo agora pela manhã. Às dez horas estará bem para o senhor?

- Perfeito.

- O nome dele é Jonathan. – Ela então anotou o nome, o endereço e o telefone em um cartãozinho e o estendeu a Harry.

- Obrigado Anne. Estarei lá, às dez.

oOo

- Sim, doutor, ele já chegou, está à sua espera. – A secretária falou ao interfone. – Senhor Potter, já pode entrar. A secretária se adiantou abrindo a porta do consultório.

- Obrigado.

- Senhor Potter! É um grande prazer conhecê-lo pessoalmente. Estou surpreso de o senhor ser tão jovem.

- Pode me chamar de você. Já ouviu falar de mim, então?

- Muito! Sendo casado com Anne, convivo com os fatos do mundo bruxo diariamente. Eu lia o Profeta diário todos os dias. Acompanhei tudo pelos jornais. Quando nos conhecemos, o tal bruxo das trevas tinha voltado e tinha havido uma enorme confusão no Ministério de vocês.

- Ah! Eu ainda estava na escola. Por falar em escola, o rapaz do caso que a Anne comentou com o Senhor, era meu colega de escola. Estava desaparecido há bastante tempo.

- Talvez isso explique muita coisa. Anne me deu acesso à ficha do paciente e eu fiz uma avaliação.

- Ela me falou. Por isso vim aqui. Estou muito preocupado com ele, nós éramos muito ligados, entende?

- Bem, Anne me explicou como está sendo tratado e quais os medicamentos... Ahn, poções, é isso, que está tomando. Uma espécie de poção dos sonhos... Que está mais calmo, mais sociável. Disse-me que logo o hospital vai lhe dar alta.

- É a poção do sono sem sonhos. Um calmante que impede que a pessoa tenha qualquer sonho ou pesadelo. E é verdade, ele está calmo, aceita a minha presença por perto, os medibruxos o estão considerando apto a conviver com outras pessoas. Mas ninguém me diz o que tem ou quais as expectativas que posso ter.

- Vou tentar explicar em termos leigos, apesar de que, por ele ser bruxo, talvez o quadro clínico e psicológico tenha algumas variações. Seu amigo está sofrendo de Transtorno do Estresse pós Traumático, com alguns agravantes. Nunca vi um caso tão profundo! Teve perda total da memória. Fiquei imaginando por quanto tempo esteve sofrendo para estar nesse estado.

- Dois anos...

- Isso é muito tempo! Ele está calmo assim agora, por causa dessa tal poção. Ela mascara os outros sintomas que deveriam se apresentar. Na maior parte do tempo fica apático, alheio ao que acontece à sua volta, mas caso alguém ou algo se aproxime, que possa lembrá-lo do que passou, fica ansioso e em vários momentos tem ataques de pânico.

Harry o ouvia atento, seu coração se apertando a cada palavra, constatando o que estava vendo diariamente diante de si.

- Mas quando tiver alta, não vai ser assim. Vai parar de tomar a poção e aí os outros sintomas vão retornar, conseqüentemente o estado emocional dele vai piorar. O que me preocupa, é que talvez fique com a magia descontrolada novamente, por causa do descontrole emocional. Voltará a ter pesadelos ou pior, talvez tenha flashbacks durante o dia, delírios, se você quiser um termo mais comum, como se estivesse passando por tudo de novo. No entanto, depois de acalmada a crise, não se lembrará de nada. Quanto à fala. Levou um choque tão grande que não consegue mais falar. Simplesmente não percebe que não fala, o estado de apatia está muito profundo para perceber. A memória... Não sabemos até que ponto ela está comprometida. Pode ser que amanheça um dia e se lembre de tudo. Pode ser que, se sentindo seguro, recupere as memórias até logo antes do trauma, não sabemos o que desencadeou a amnésia. Pode ser também que lembre só da infância até a época da escola e aí vai parecer a ele que nem chegou a sair, como se o tempo não tivesse passado.

- Mas tem tratamento para isso? Ele pode melhorar? Mostrar objetos do passado podem fazê-lo se lembrar? Isso é bom?

- Veja bem, vamos por partes. Em primeiro lugar. Tem tratamento sim. Não tenho os conhecimentos da medicação bruxa e não sei se seria bom dar-lhe os nossos remédios. Mas posso dizer como é preciso medicá-lo, para que vocês achem a poção equivalente. Tem que sair da depressão, da apatia, para isso precisaria de um antidepressivo. Converse bastante com ele, mesmo que não responda. Procure manter a alimentação leve e nutritiva, fazendo-o comer várias vezes ao dia. Segundo, terá pesadelos à noite, então é importante que ele saiba, mesmo que ainda tenha medo de ser tocado e que tente se afastar, que tem alguém para protegê-lo, para apoiá-lo. Por isso, abrace-o quando for acordá-lo, para passar a sensação de que abraço é segurança e não ameaça... Massagens podem ajudá-lo também. Terceiro, quanto a fazê-lo se lembrar, não force a memória. Cerque-o dos seus objetos pessoais, mas não dê sugestão nenhuma. Vai lembrar daquilo que não oferecer perigo. Faça-o sair ao ar livre, ao sol, tomar ar, conviver indiretamente com outras pessoas. Receba visitas, para que se acostume a ter gente por perto sem associá-las ao sofrimento. Precisará de atenção constante, por isso todo o tempo que você puder disponibilizar será de grande importância. O tempo fará o restante.

- Às vezes parece reconhecer o nome dele ou o meu, demonstra entender o que eu digo.

- E ele entende. Perdeu a memória, não lembra de quem é, mas entende. Tem dificuldade de se concentrar em alguma atividade ou algum pensamento, não consegue falar ou se lembrar, mas entende o que você diz. Já associou os nomes, o seu a você e o outro a ele. Você diz o nome dele quando fala com ele. Por isso é tão importante conversar, dizer o que você sente ou pensa. Isso vai aumentar a segurança e a confiança em você.

- Preciso ir, não quero mais tomar o seu tempo.

- Espero que tenha ajudado. Não o avaliei pessoalmente, mas procurei explicar o que está acontecendo e o que se pode fazer para melhorar. Se puder ajudar mais, me procure.

- Doutor, muito obrigado por tudo.

oOo

O dia foi estafante! – Encostou-se à porta do apartamento. – Isso sem contar que não dormi nada na noite anterior. As únicas horas do dia que realmente apreciei foram as que passei ao lado dele, durante o almoço e o jantar. – Tirou a capa e colocou-a no encosto da poltrona da sala. – Mesmo sem falar, mesmo sem lembrar, ainda é maravilhoso estar ao lado dele. Só ficar junto, admirando-o, olhando naqueles olhos prateados tão lindos, mesmo que estejam vazios de qualquer emoção que não seja o medo. – Entrou em seu quarto, se livrando das roupas. – Olhando a pele branca como porcelana, mesmo me lembrando do quanto foi ferida. E o que acho mais bonito, poder ver a luz do sol se refletir nos longos fios loiros... – Abriu a porta do guarda roupa. – Vê-lo vivo já é um milagre, então me agarrarei a esse milagre e serei feliz com ele. – Pegou uma toalha grande e felpuda. – Minha sorte é que meus amigos estão me dando toda a cobertura de que preciso. Não sei o que faria se não fossem Ron e Mione. – Abriu o chuveiro e entrou na água, deixando que ela levasse o seu cansaço ralo abaixo. – Não pude largar tudo ainda, mas estou tentando. – Ensaboou o corpo aspirando o perfume de seu sabonete favorito. – Nas poucas horas passadas com Rony e Hermione tenho procurado colocá-los a par de tudo que ainda tenho que fazer para meu desligamento. Eles têm me ajudado como podem e em poucos dias vou poder pedir a minha exoneração. – Desligou o chuveiro e pegou a toalha, secando-se vigorosamente. – Agora só preciso me preparar bem, por que vai começar outra seção dos horrores e eu tenho que estar bem centrado e controlado... – Vestiu-se formalmente. Totalmente de negro, como de costume quando saía em alguma missão. – Só faço isso por você Draco, só por você, não o faria por mais ninguém. – Colocou a capa sobre si e desaparatou para Hogsmead.

oOo

Entrou nos aposentos de Severus, já o encontrando à sua espera na sala, na poltrona diante da lareira.

- Potter! Achei que não viria mais. Esqueci-me que sensatez não faz parte do vocabulário dos Grifinórios.

- Quantas vezes eu vou ter que repetir que nada me fará desistir? Não importa como me sinta, nem quantas as vezes tenha que voltar naquela prisão imunda, nem quantas mentes devassas tenha que invadir, para descobrir tudo o que fizeram com ele.

- Descobrir o que fizeram pode ser muito pior! Já falamos sobre isso, eu vi como você ficou ontem e sei que o que está por vir vai ser pavoroso. Fui um Comensal e sei como funcionava a mente depravada do Lorde das trevas. PELOS DEUSES, POTTER! É um absurdo isso que está fazendo!

- E o farei com prazer, Severus, noite após noite, se isso puder me ajudar a resgatar uma vida decente para Draco. Eu sei que você está preocupado, mas meu único objetivo agora é cuidar dele e farei tudo o que estiver ao meu alcance para poder desempenhar o meu papel o melhor que puder.

Tocaram juntos na chave de portal, para ver os portões de Azkaban se abrirem para eles. Refizeram o mesmo caminho de antes. Esperaram na mesma sala suja e mofada. Tudo se repetiu como na noite anterior. Chegou o guarda com mais um bicho asqueroso, prendendo-o na cadeira de interrogatório e anunciando-o pelo nome.

- Senhores, o prisioneiro Mulciber. – E deixou-os a sós com o prisioneiro.

- Ora, ora. Então os boatos são verdadeiros. Harry Potter em pessoa veio à Azkaban...


N.A. - O problema psicológico do Draco foi baseado em um caso psiquiátrico verdadeiro. Conversei longamente sobre o tema com um Psiquiatra amigo meu. Foi feita uma pesquisa sobre o Transtorno do Estresse pós Traumático, que é o que ele tem. Os sintomas variantes e os problemas agravantes, foram acrescentados por ele ser bruxo e o trauma vivido por ele ser impossível no mundo real.


Muito obrigada a todos que além de ler, deixaram reviews:Tonks Black (Vai ter um por dia, sim. Fico contente que a estória tenha te tocado. Também acho esses dois encantadores.); Nanda Pretáh (Pode crer que não só o Potter, mas eu também queria degolar, destroçar e espancar os responsáveis pelo estado do Draco... Ainda mais, por que eu sei o que foi que o fez perder a memória...); Isabelle Malfou (Pode crer, os responsáveis pelo sofrimento dele não compartilham da sua opinião... E respondendo a sua pergunta, nem pensei no fato de Dumbledore estar vivo ou morto... Acho que vivo, senão Severus não poderia ter continuado no seu papel como agente duplo...); Tety Potter-Malfoy (Obrigada, também adoro Drarrys. Não costumo escrever finais trágicos, mas pra saber se o final vai ser feliz ou não, se vai acabar em tragédia ou no paraíso, rsrsrsrs, só lendo até o fim.); Regulus Black (Só sete, e não foi fácil acabar os sete em um mês e meio, sendo que comecei depois do Natal... Com o fechamento do mês e do ano lá no meu trabalho e a correria em casa... Mas deixa com o Harry que ele vai tentar resolver tudo do melhor modo para o loirinho.); Nicolle Snape (\o/ Nic! Pois é querida, o Voldie é perverso mesmo. Sam mordendo a língua para não soltar nenhum spoyler Além de matar o Lucius, ainda enfiou na cabeça do loiro que a culpa disso era dele...); Dryade (Oi querida. Te apresentei ao mundo slash de HP há poucos dias e já está viciada! RSRSRSRS Pelo Amor de Deus! Não dá essa idéia de comemorar o Aniversário várias vezes pro Fell! Ele é Slytherin, conhece meu ponto fraco e é capaz de querer comemorar todos os meses! Já pensou? Não ia mais ter folga! Aha-ham suspira e toma fôlego Respondendo: Justamente por ser doce, ele não consegue aceitar que possa existir alguém tão mau, perverso, injusto e insano quanto o Voldemort, e presenciar essas quatro "qualidades" do Lorde das Trevas agindo, tendo o seu loiro como vítima, é o fim da picada. Quanto à chantagem: "no amor e na guerra vale tudo" e nesse caso "os fins justificam os meios" e convenhamos que esse Ministro merece ser chantageado, né? Obrigada pelos elogios, Bela, adorei.).

Meus agradecimentos também a todos os que leram e por qualquer motivo não deixaram review, espero que continuem acompanhando a estória.