Título: AFTER ALL
Autora: Samantha Tiger Blackthorn
Casal: Harry e Draco
Classificação: NC-17, Romance, Angst, Violência Física e Psicológica.
Resumo: Depois de tudo, o amor deles foi o caminho que Harry usou para trazê-lo de volta. Ele entendeu que é o Amor e não o tempo que cura todas as feridas.
Avisos: Essa estória é Slash, ou seja, mostra o amor entre dois homens. SE NÃO GOSTA, NÃO LEIA.
Beta: Lady Anúbis
Disclaimer: Essa história é baseada nos personagens e situações criadas e pertencentes a J.K. Rowling, várias editoras e Warner Bross. Não há nenhum lucro, nem violação de direitos autorais ou marca registrada.
Dedicatória: Essa fic foi escrita como presente de Aniversário para Meu Amor
FELTON BLACKTHORN, dia 21 de Fevereiro de 2007.
PARABÉNS!!!
AFTER ALL
CAPÍTULO 6 – Encarando o Demônio
- Potter... – Severus sabia que não conseguiria dizer não. – O que está por vir é muito pior que tudo. Eu conheço Nott muito bem... Você terá que ser mais do que forte... Por você e muito mais por ele. – Harry estava mergulhado em seus pensamentos, as palavras de Severus não saiam do seu pensamento.
E aquele blá, blá, blá do Ministro só estava conseguindo irritá-lo. Estava sendo polido e educado o máximo possível. Só o que queria era que ele lhe desse o desligamento formal para que pudesse se dedicar única e exclusivamente a Draco.
- Senhor Potter! – Rufus Scrimgeour estava decepcionado. Já estava há uma hora tentando fazer com que Harry Potter desistisse da exoneração do seu cargo como Líder do Esquadrão dos Aurors, mas não estava tendo nenhum progresso. O auror mais jovem de todos os tempos e o mais jovem a liderar um esquadrão, estava saindo do Ministério. Isso soaria como uma enorme perda de prestígio, mas o garoto estava muito firme em sua decisão. – O senhor não quer reconsiderar?
- Não. Senhor Ministro, eu já tomei minha decisão. Realmente preciso me afastar por tempo indeterminado, por assuntos pessoais.
- Poderia tirar uma licença e pensar melhor, talvez a situação mude ou se resolva e o senhor possa voltar a...
- Senhor Ministro... - Harry o interrompeu bruscamente. – Por favor, não quero ser grosseiro. Minha decisão é definitiva. Minhas prioridades mudaram e acho que depois de tudo, tenho o direito de viver a minha vida como bem me aprouver. Já dediquei tempo demais à comunidade bruxa, vocês não precisam mais de mim, já cumpri a minha missão e acho que foi mais do que suficiente.
- Claro, claro. Se realmente é isso o que quer, não me resta alternativa senão aceitar... Como Ministro da Magia declaro que o senhor está oficialmente desligado do Ministério – Com um meneio da varinha executou o feitiço no pergaminho, oficializando a exoneração.
- Obrigado senhor. Tenha um bom dia, passar bem. – Harry aperta a mão do Ministro pela última vez, toma o pergaminho que sela a sua liberdade, vira-se e sai da sala. Assim que se vê no corredor, Rony e Hermione vêm ao seu encontro.
- Como foi Harry? – Hermione estava ansiosa, sabia o quanto aquilo era importante para seu amigo.
- Ele concordou depois de insistir de todas as formas possíveis para eu mudar de idéia. Estou fora, até que enfim!
- Se é isso mesmo que você quer cara, meus parabéns, conseguiu. Se precisar de ajuda, sabe que pode sempre contar com a gente.
- Obrigado Ron... – Harry consulta o relógio. – Vou indo, gente. Daqui a pouco é hora do almoço e quero estar lá com ele.
oOo
Harry andava pelos corredores ansiosamente. Não via a hora de chegar e ver o seu loiro. Mas antes que chegasse ao quarto, viu que Anne o aguardava no corredor.
- Anne! Está tudo bem? Aconteceu alguma coisa?
- Não, senhor, nada que não esteja de acordo com o quadro clínico. Eu queria somente alertá-lo antes que entrasse para vê-lo. Estivemos diminuindo durante esses últimos dias, a quantidade das poções. Principalmente a poção do sono sem sonhos, já que o hospital pretende dar alta no máximo até o final da semana que vem. Isso está se refletindo de modo cada vez mais intenso no comportamento dele.
- Compreendo. Notei que nos últimos dias ele parecia mais perturbado e hoje pela manhã estava ainda mais alheio do que o habitual.
- Ele teve um sono agitado, não chegou a acordar durante a madrugada, mas pela manhã os efeitos da noite mal dormida se manifestaram e agora está em depressão. Depois que o senhor saiu ele se deitou na cama e ficou lá a manhã inteira. Agora parece estar dormindo um pouco mais tranquilamente.
- Certo. Se eu estou entendendo, esse quadro tende a se agravar com a diminuição das poções. Lembro-me da explicação do seu marido: sono agitado, pesadelos, flashbacks, catatonia, depressão.
- O senhor entendeu perfeitamente. As reações tendem a ficar mais intensas também.
- Obrigado Anne. Eu vou lá vê-lo.
- Ok... Se precisar, não hesite em me chamar.
Harry abriu a porta do quarto e entrou silenciosamente. Chegou ao lado da cama e sentou-se, observando Draco enquanto este dormia. Mas a tranqüilidade durou pouco. Ele começou a agitar-se na cama... Debatia-se e gemia agoniado, preocupando o moreno que não sabia como agir. Lembrou-se então da recomendação do psiquiatra, de abraçá-lo para que se sentisse seguro, para fortalecer a confiança. Tocou em sua mão, segurando-a com força, e notou que o loiro se acalmou sensivelmente. Isso lhe deu coragem e então o abraçou...
Escuro... Frio... LUZ! Não... Luz não... Tenho medo... Sozinho... Tem alguém... – Ele se encolhe contra a parede, sobressaltado, olha à sua volta, sem saída. Olha em direção às grades. Vê um homem abrindo a grade, entrando, se aproximando... – Não! Vá embora... Me deixe... Não quero... - Olha para o homem, ele ri, ele fala... – Não entendo... Não consigo ouvir... Não... Sai... De perto... Dor... – Ele sente o rosto quente, a pele arder... Sente o rosto úmido... Sente a garganta doendo, não sabe se pelos gritos mudos que saem dela ou se por tentar segurar as lágrimas que teimam em escorrer-lhe pela face... O outro se afasta, larga algo no chão, aos seus pés. – Pão... Tenho fome... Tenho medo... – Pega o pão enquanto o outro lhe dá as costas... Esconde sob a roupa... O outro se vira de repente... Tem algo nas mãos... Apontando para ele... Ele ri... – Não... Pára... Dói... Muito... – Vira o rosto, mergulhado em dor, vê uma porta aparecendo na parede, está abrindo... Luz! Alguém está no meio dela... Estendeu a mão pra mim... Está muito longe, não dá pra alcançar... – Dói o corpo todo, não dá para se mexer... – Alguém se aproxima... – Ele se encolhe no chão em meio à dor, ao medo... Mas ele não parece chegar mais perto, apenas estende a mão em sua direção... – Olho nos seus olhos... São verdes... Ele fala... Não consigo ouvir... Não entendo... Está tão longe... Mas sinto... Bom... Toque... Meu rosto... Não... Toque dói... Não quero... Me solta...
Draco abriu os olhos. Sentiu o abraço e se debateu tentando afastar-se, mas os braços eram firmes, seguros, não o soltavam, não desistiam.
- Calma... Foi só um sonho ruim... Eu estou aqui... – Harry o segurou com firmeza, não o deixando se afastar, até que ele parou. – Não vou lhe fazer mal, nunca mais ninguém vai lhe fazer mal, eu não vou deixar. - Draco parara de se debater, mas Harry percebeu a respiração ofegante, a pulsação acelerada, o corpo rígido, o medo latente. Segurou-o forte contra si, até sentir que ele começou a relaxar o corpo. Acomodou-o no travesseiro e segurou sua mão.
- Você está seguro comigo, está tudo bem. – Harry mantinha a voz baixa e gentil. Bateram à porta, mas quando Harry tentou soltar a mão do loiro para ir atender, não conseguiu, ficou surpreso e então olhou para ele, percebendo pânico em seu olhar. – Está tudo bem... É só a Anne trazendo o nosso almoço. Entre! – A porta se abriu, a mulher entrou no quarto, o aperto em sua mão aumentou ainda mais. – Coloque aqui na cadeira ao meu lado, obrigado Anne...
A mulher deu um sorriso, e se retirou. O aperto na sua mão era tão forte que parecia que ia lhe quebrar os dedos. Só começou a afrouxar quando a enfermeira saiu e a porta se fechou, mas ainda assim não o soltou. Harry sorriu para o loiro e com dificuldade pegou a bandeja e colocou-a na cama ao lado deles. Havia dois pratos na bandeja, com carne assada e salada. Ao pedido de Harry, a cozinha tinha mandado tudo em pequenos pedaços para que Draco não precisasse de faca ou garfo. Harry pegou a colher e experimentou a comida.
- Coma Draco, está gostoso. – Sem soltar-se de Harry, Draco sentou-se na cama. Hesitante, pegou a colher e levou uma pequena porção à boca. Pareceu ter gostado, por que continuou comendo até não restar mais nada em seu prato. Harry ficou satisfeito. Retirou a bandeja da cama, colocando-a novamente na cadeira ao seu lado.
- Você está cansado, não é? A enfermeira me disse que você dormiu muito mal esta noite, que teve um sono muito agitado. São os pesadelos... Eu sei como é. Deite-se agora... – Esperou que ele se acomodasse na cama. – Feche os olhos... Tente dormir de novo... – Tentou se levantar, mas Draco não deixou. Segurava ainda em sua mão, nos olhos prateados um pedido eloqüente para que não o deixasse só. Então Harry acomodou-se melhor, na cadeira ao lado da cama. Pousou as mãos unidas sobre os lençóis e a cabeça morena sobre elas, mostrando ao loiro cuidado e confiança. Ficou junto dele até ouvir a respiração serena e ritmada, constatando que ele dormia calmamente. Suspirou relutante em deixá-lo, mas tinha assuntos a resolver e uma missão a cumprir.
oOo
- Potter! Você não acha que tem pouca coisa aqui não? – Severus bufava exasperado. – É só uma visita, ainda não é a mudança! – Severus estava perdido no meio de uma revolução de utensílios domésticos trouxas enfeitiçados, sem saber direito para que serviam.
- Mas Severus... – Harry tentava não sorrir, não queria irritá-lo ainda mais. – Tenho certeza que ela deve ser perfeita para o que pretendemos. – Harry encolheu todas as caixas e as colocou no bolso. – Sei o quanto você é exigente com segurança e o quanto está preocupado com a saúde e bem estar de Draco...
- Você é impossível! Vamos logo. – Severus pegou um pouco de pó de flu e Harry fez o mesmo. – Diga: Prince's House.
- Prince's House! – Harry saiu da lareira em uma sala ampla e iluminada. Severus apareceu ao seu lado em seguida. – Severus, ela é perfeita!
- Não exagere Potter! É só uma casa simples. Além do mais, você nem a viu ainda.
Harry deu uma volta pela sala ampla, janelas grandes e cortinas leves, as paredes de um claro tom creme, a porta-janela dupla que se abria para a varanda, com degraus descendo para o jardim. Severus começou a retirar os lençóis de cima dos móveis antigos e confortáveis, um sofá e duas poltronas, forrados de cetim, sobre um tapete diante da lareira; a um lado da sala havia uma parede coberta por estantes de livros do teto ao chão, uma escrivaninha grande, as cadeiras forradas de veludo verde; do outro lado, uma chaise-long para leitura sob uma das janelas, tendo um abajur de pé na cabeceira e um tabuleiro de xadrez bruxo ladeado por duas cadeiras. Na parede onde se localizava a lareira havia duas portas, uma em cada ponta. Uma levava a uma copa e cozinha, onde havia uma mesa de carvalho com seis cadeiras e um armário; a outra levava a um quarto grande com banheiro, simplesmente mobiliado, com uma cama de casal, duas mesinhas de cabeceira, uma poltrona de leitura, um guarda roupa e uma secretária. Num canto da sala uma escada em caracol de madeira levava ao andar superior com dois quartos e um banheiro, mobiliados no mesmo estilo do quarto de baixo.
- Severus, sem exageros, ela é maravilhosa mesmo. Estou surpreso! Onde fica o laboratório?
- No porão Potter. Há uma escada no canto da cozinha que leva ao porão, mas a porta fica trancada sempre. Quer ir ver lá fora?
- Claro...
Severus abriu as portas da varanda, e eles desceram para o jardim. Estava meio selvagem, já que Severus quase não aparecia por ali. O terreno à volta da casa era grande, várias arvores com bancos à sua sombra, flores espalhadas por todo lugar.
- Draco vai gostar de ficar aqui fora. E você vai poder dar total liberdade a ele. O terreno tem um feitiço de limitação que não permite que se saia do perímetro da propriedade, por terra ou pelo ar. Da mesma forma que ninguém pode sair ninguém pode entrar. Também foi colocado um feitiço anti-aparatação como tem em Hogwarts e um outro que impede a localização da casa tornando a propriedade imapeável, por isso não dá para usar uma chave de portal para chegar até aqui. O único modo de entrar aqui é pela lareira dos meus aposentos em Hogwarts. Vocês estarão completamente seguros. – Enquanto Severus falava, eles andavam pela propriedade.
- O lugar é lindo Severus... Como você o encontrou?
- Recebi como herança. Era da família da minha mãe. Está quase tudo como ela deixou. A mobília e a decoração foram obras dela.
Eles entraram na casa e Severus o levou ao porão. Mostrou o laboratório que era quase tão completo quanto o dos aposentos dele em Hogwarts. Depois, enquanto Severus fazia uma revisão nos estoques do laboratório, Harry guardava os utensílios que tinha trazido e conferia uma lista com o que faltava trazer, além dos suprimentos. Precisaria também providenciar roupas para Draco, as que ele tinha do tempo de escola estavam largas por que ele tinha emagrecido muito e um pouco curtas. Poderia falar durante a semana com Madame Malkin... Também não podia se esquecer das roupas de cama, mesa e banho.
oOo
Assim que voltaram a Hogwarts, cada um se ocupou de suas obrigações. Não precisavam de pequenas sutilezas entre eles, e se sentiam confortáveis com isso.
Harry foi à Loja de Madame Malkin encomendar as roupas, depois à Londres trouxa encomendar lençóis e toalhas. Ao final da tarde voltou ao hospital. A situação estava na mesma. Draco não conseguia dormir direito, agitava-se muito, os pesadelos eram cada vez mais freqüentes e aumentavam na mesma proporção que as poções diminuíam. Harry precisou acordá-lo para jantar e ele estava cansado demais para reagir à sua presença. Quase não comeu, estava visivelmente cansado, com olheiras, os olhos ausentes, completamente apático. Foi assim que, quando Harry retirou a bandeja de sua frente, ele se deixou cair na cama, se encolhendo todo, fechando os olhos e adormecendo quase que instantaneamente. Vê-lo assim prostrado o afligia muito, por isso resolveu antecipar a nova visita à prisão. Nem foi para casa, voltou do hospital direto para Hogwarts. O estranho era que Severus não pareceu surpreso ao vê-lo de volta tão cedo. Na verdade parecia esperá-lo. Ainda assim fez questão de alertá-lo de que era a última vez que iria acompanhá-lo à Azkaban, qualquer que fosse o resultado daquela noite.
- Potter... – Harry se voltou, aturdido, espantado pelo tom suave na voz de Severus. – Não vou tentar dissuadi-lo de ir lá esta noite. Mas você tem que saber de algumas coisas antes de irmos. Lucius era o braço direito do Lorde, era cruel, e apesar de já não concordar com os métodos dele, era fiel à causa. Mas, era uma pessoa lúcida e apesar de não parecer tinha os seus princípios e era leal à família. Mas Nott não. Ele é a versão masculina de Bella. É a pura maldade, demente, quase tanto quanto o próprio Voldemort. Tenha cuidado.
Harry não prestou atenção em nada desta vez. Fez todo o caminho até a sala de interrogatório, pensando no que Severus havia lhe falado. Quando Nott entrou acompanhando o guarda, Harry começou a entender o que Severus queria dizer. Olhar para aqueles olhos dava medo. Era como olhar dentro da escuridão, como estar frente a frente com o próprio mal.
- Severus Snape e Harry Potter! Que dupla estranha...
- Olá Nott. Está apreciando sua estada aqui?
- Muito. É... Relaxante. Achei que vocês iriam acabar me procurando. – Nott sorriu e era arrepiante. – Sei o que você quer Potter. Esteja à vontade.
- Como pode saber o que eu quero?
- Por que meu filho era colega do jovem Malfoy. – Harry arregalou os olhos. – Não é possível que você ache que o seu caso com o Malfoy era segredo... A maioria da escola podia ignorar o fato, mas não a casa da Sonserina, onde quase todos sabiam e se indignavam com isso... Você precisava ver a cara de Lucius quando soube... Sem falar na expressão do rosto dele quando o filho concordou, e assumiu todas as implicações e conseqüências decorrentes disso...
- Então Potter, chega de enrolação... – Severus cortou o diálogo. – Quero acabar com essa conversa e voltar para casa o mais rápido possível. Tenho mais o que fazer.
- Isso Potter, venha logo. Estou ansioso!
- Não vai resistir?
- Pra que? Será um prazer! Eu quero isso. Finalmente vou poder realizar um dos desejos do meu Lorde.
- Que seja. Legilimens!
Harry viu-se em uma sala escura e com poucos móveis. Nott esperava alguém. A porta se abriu e de repente à sua frente estava Fenrir Greyback.
- Greyback...
- Nott. – O lobisomem sentou-se à frente do comensal. – Tenho pressa, diga-me logo o que quer. Hoje não é um bom dia para ter-me como companhia.
- É verdade... A Lua cheia... Mas é justamente por isso que estou aqui.
Harry ouviu horrorizado toda a conversa, o plano nojento de Nott. Era inimaginável. Ele não poderia estar pensando em fazer aquilo realmente com o loiro. Mas então, as palavras de Severus voltaram à sua memória... Era monstruoso!
- E então, você concorda? – Nott tinha um sorriso maquiavélico congelado no rosto.
- Claro! Terei profundo prazer nisso, ainda mais se é um desejo do Lorde das Trevas.
- Ele só tem duas ordens a lhe dar: não o mate e não o morda, está claro? De resto, pode fazer o que quiser... E nós sabemos o que você quer, não é? Sabemos muito bem das suas preferências. Então, estamos entendidos? – O lobisomem assentiu.
- Ótimo! Tome, beba isso, poção mata-cão da melhor qualidade. Fornecida pelo nosso Mestre de Poções Severus Snape. – Esperou que o lobisomem o obedecesse. Com a varinha conjurou uma jaula grande. – Entra aí... Que vamos todos apreciar o espetáculo.
As lembranças fluíam, Harry não estava acompanhando o que acontecia ao redor. O Lobisomem entrou na jaula, e deixou-se ser carregado até as masmorras. O próprio Voldemort estava presente. Mulciber estava presente também. Ele é quem foi buscar o loiro, que ficou horrorizado de ver aquela reunião.
O sol se pôs. A Lua começou a subir. E os gritos começaram logo se transformando em uivos. Os presentes não se mexiam, fascinados, apreciando o espetáculo macabro.
- Lembre-se... – Nott advertiu o monstro de modo que só o lobisomem o ouvisse. - Não o mate e nem o morda.
Afastou-se da jaula chegando bem perto do loiro, o prazer estampado em seu rosto, a maldade marcada em seus olhos. Encarou o garoto, tão parecido com o homem que desprezara e invejara por tanto tempo.
– Beba isso! – Estendeu-lhe um vidro. Draco hesita. – Se não beber, vou dá-lo a sua mãe e colocá-la no seu lugar... – O olhar de Draco era puro pânico. Não tinha saída, tinha que protegê-la, por isso bebeu. Nott voltou-se para os outros comensais... – Prendam-no na bancada.
- Vocês estão loucos!!! O que estão fazendo? Não podem fazer isso! – Ele estava preso de bruços, os braços acima da cabeça, o tronco sobre a mesa de pedra. As pernas encostadas ao longo das paredes da bancada, uma de cada lado, presas pelos tornozelos, deixando-o vulnerável... Era impossível se mexer, muito menos escapar.
- Soltem o Lobisomem... – Os olhos de Nott refulgiram perversamente... – Feliz Aniversário, Jovem Malfoy!
A porta da jaula foi aberta e a fera solta farejou o ar, sentindo o cheiro do pavor... A besta avançou na direção de Draco, que se debatia inutilmente, preso, em pânico e à mercê da fera.
- Espero que o meu presente seja apreciado por você, rapaz. – Nott sorria, principalmente por perceber que Voldemort estava deliciado com o que via. – A poção que eu lhe dei vai mantê-lo consciente a despeito do que quer que lhe aconteça. Tudo isso, é para que você desfrute bastante da noite do seu aniversário...
O Lobisomem aproximou-se de Draco. As unhas afiadas fizeram a túnica maltrapilha que ele usava em pedaços, arranhando e expondo a pele branca e macia às suas garras. Draco estava paralisado e emudecido pelo medo. O lobisomem debruçou-se sobre o garoto, sentindo o cheiro do suor, a língua passou por toda coluna vertebral do loiro, provando o sabor salgado do terror. Isso, somado à beleza do rapaz, excitaram o lobisomem que se posicionou sobre o garoto, para horror de Harry que estava paralisado... A visão era grotesca! O requinte da crueldade, da dor! Seu Draco sendo invadido, o corpo e a alma profanados por um ser das trevas! Era o sangue de um garoto sendo derramado de modo brutal diante de si, manchando a pele branca, maculando sua alma pura, destroçando sua inocência... Harry não conseguia fechar os olhos... Era como se ele pudesse apoiá-lo se mantendo ali por inteiro. Os gritos enlouquecidos do loiro, os gemidos de dor e humilhação misturavam-se aos sons nojentos dos arquejos da fera. O cheiro de sangue e suor estava ficando insuportável... Draco ficava cada vez mais pálido, os olhos que vertiam lágrimas foram se tornando perdidos, ausentes, distantes... Harry não sabia por quanto tempo se obrigou a presenciar aquela violência, mas ficou lá, assistindo aquele espetáculo tétrico, até a criatura urrar em um êxtase horrendo e desabar sobre o corpo dilacerado do loiro. A dor, a revolta, o ódio eram demais para o coração do moreno suportar. Harry não queria deixá-lo, mas não agüentou mais. Saiu da mente insana...
Sentiu-se desfalecer, sendo amparado por alguém que estava consigo. Perdeu a noção de onde estava, inclinou-se para frente e vomitou violentamente, tudo à sua volta então girou, e ele desmaiou.
Muito obrigada a todos que além de ler, deixaram reviews: Regulus Black (É revoltante, eu sei,as ele quer descobrir o que foi que eles fizeram que fez com que o Draco perdesse a memória... O Harry vai fazer tudo o que puder para ajudar.); Hanna Snape (Lindinha, não sou eu quem está maltratando o Draco, são os comensais e o Voldemort. E as lembranças dos comensais são os motivos que levaram Draco a ficar desse jeito. Mas enfim você é quem sabe se deve ler ou não.); Tonks Black (Eu fico feliz que você esteja apreciando tanto a minha fic, eu também sofri com o Draco e me revoltei com o Harry enquanto escrevia a fic... E por favor, fala isso baixo! Sam sussurrando Não deixa o Fell ouvir isso! Sam olhando pros lados pra ver se o Fell não está ouvindo Se ele gostar da idéia nunca mais tenho sossego. Ele é o Slytherin mais manhoso e chantagista e lindo e... Aham... menos Sam Mais manhoso e chantagista que eu conheço e sabe do meu ponto fraco. Eu não consigo negar nenhum pedido dele...)
Meus agradecimentos também a todos os que leram e por qualquer motivo não deixaram review, espero que continuem acompanhando a estória.
