Sendo este fanfic continuação do "Verdade ou Desafio?", é muito importante que leiam o outro fanfic inteiro ou pelo menos seu epílogo, senão não dá para entender de onde veio "Siga o Mestre".
Sankyuu.
Disclaimer: Card Captor Sakura e seus personagens pertencem ao CLAMP. Porém, todo o enredo é meu.
Siga o Mestre
Capítulo 4 - Encenação
Andando calmamente, Shaoran encontrou Sakura parada do lado de fora do portão da escola, encostada no mesmo e olhando para o chão. Quando o jovem chinês se aproximou, ela ergueu o rosto e sorriu.
- Achei que não ia sair da escola.
- Desculpe. Podemos ir agora.
Shaoran já estava atravessando o portão e seguindo para a rua quando percebeu que Sakura não o estava acompanhando. Se deteve, virando para trás e encontrando olhos esmeralda estranhamente interrogativos.
- Onde está Eriol?
- Eriol?
- Sim, Eriol. Ele não estava com você?
Shaoran hesitou um pouco antes de responder:
- Estava, mas ele não veio comigo.
A garota cruzou os braços.
- Shaoran, eu estou sentindo a presença dele... E está muito perto. Na verdade, ela vem de você.
O jovem chinês engoliu em seco.
- Como assim?
- Shaoran... Por favor, não minta para mim. - Sakura se aproximou do seu namorado, tomando as suas mãos - Eu não havia notado nada até agora, apesar de Tomoyo ter comentado alguma coisa sobre Eriol estar estranho... Mas como eu posso estar sentindo a presença dele em você? Eu estou... Errada?
O jovem chinês virou o rosto para o lado, vendo a rua que se estendia até onde sua vista alcançava, sendo iluminada pelo resto de sol da tarde.
Suspirando, o jovem decidiu que era melhor abrir o jogo para Sakura, simplesmente porque ele não era bom com mentiras e também não achava que poderia mentir durante muito tempo para a sua namorada. Até porque parecia que demoraria muito tempo até que Eriol concluísse com sucesso a sua tarefa.
- Não, você não... Está errada. - Shaoran começou a andar, e Sakura o seguiu, os dois começando a fazer o caminho de volta para as suas respectivas casas - Eu estou com os poderes de Eriol.
- Está? - Sakura arregalou os olhos.
- Sim... Temporariamente. Quando Eriol concluir uma tarefa, ele os terá de volta, eu garanto.
- Mas por que, Shaoran? - a garota parou de andar, não exatamente gostando do que estava ouvindo - O que ele fez?
- Lembra do desafio?
- Desafio?
- Sim. Aquele feito na internet, depois cumprido no parque?
- Ah. - Sakura corou de leve, retomando a sua caminhada e dando a mão para Shaoran - Então é isso. Você está ajudando-o.
- Digamos... Que sim.
- E o quê Eriol tem que fazer?
Olhos chocolate se demoraram no chão antes de se fixarem em íris esmeralda:
- Conseguir que a Tomoyo se declare para ele.
- O quê? Como assim?
- Eriol deve conseguir que Tomoyo se declare.
- Shaoran... Você tem que ajudá-lo.
- Eu estou ajudando! - Shaoran protestou.
- Claro que não desse jeito! Isso não só envolve o Eriol, mas a Tomoyo também! Eu não quero que ela saia machucada disso...
- Nem eu, Sakura.
Os dois haviam chegado à casa dos Kinomoto, e pararam de andar. Sakura ainda parecia muito confusa com a revelação do seu namorado, sem saber se deveria ou não apoiar o que ele estava fazendo.
- Shaoran... Você lembra que Eriol e Tomoyo ajudaram você no parque, ne?
O garoto chinês puxou pela memória o que exatamente ela queria dizer com "ajuda", e lembrou-se de quando eles distraíram Hitomi para que ele se declarasse.
- Lembro.
- Então nós temos que retribuir o favor...
- Exatamente como?
A jovem inclinou levemente a cabeça, apoiando-a no seu punho fechado, indicando que estava pensando em uma maneira. De repente, ela sorriu:
- Já sei! Amanhã vai ser o sorteio dos papéis da peça de teatro do fim do ano, não vai?
- Vai. - Shaoran concordou, sem entender onde Sakura queria chegar.
- Amanhã, antes que o sorteio comece... - a jovem gesticulava rápido, empolgada - Eu vou usar a carta tempo. Quando eu parar o tempo, você corre até a lousa e coloca os nomes de Eriol e Tomoyo para os papéis de Cláudio e Hero!
Shaoran parou, olhando para o rosto entusiasmado da sua namorada.
- E isso vai ajudá-los?
- Claro que sim. Você especificou que Eriol deveria conseguir que Tomoyo se declare para ele, mas não disse que teria que ser de verdade. - ela piscou um olho, divertida.
O menino chinês ficou boquiaberto, olhando para Sakura, que estava a ponto de começar a pular de felicidade, tanto pela idéia que teve quanto pela idéia de ver dois de seus melhores amigos juntos.
- Droga.
- O que foi?
- Não tinha pensado nisso...
- Tudo bem. Assim vai ser mais fácil para Eriol, ne? - avançando um pouco, Sakura alcançou o rosto de Shaoran com os seus lábios, dando um beijo rápido na sua bochecha - Até amanhã, Shaoran.
- Até...
Coçando a cabeça no caminho de volta para casa, o jovem chinês encontrou-se frustrado. Ele não queria que Eriol recuperasse seus poderes tão rápido, ele queria que demorasse mais. Muito mais. Ficando como Cláudio e Hero, iria ser questão de dias que Tomoyo declarasse seu amor para Eriol em um ensaio, seguindo o texto dos personagens.
Foi então que Shaoran teve uma outra idéia.
Os alunos conversavam animadamente sobre a peça de teatro quando a voz do professor se elevou:
- Muito bem. Vamos sortear os papéis principais! Sentem-se todos, por favor.
A classe obedeceu às instruções, aguardando quase silenciosamente o sorteio. Sakura e Shoran se entreolharam, e o gesto foi percebido por Eriol. A reencarnação do mago Clow poderia estar temporariamente sem poderes, mas seu poder de observação ainda era o mesmo.
- Todos sabem que esse ano estaremos encenando a peça "Muito barulho por nada", de William Shakespeare. Os papéis principais são, portanto, Hero, Cláudio, Beatriz e Benedito. O papel de Hero será de... - o professor se aproximou do quadro negro coberto de papéis com os nomes dos personagens, que escondiam os nomes dos alunos por baixo - Kinomoto Sakura!
- O quê?
- Ah, Sakura! Você conseguiu o papel principal de novo, exatamente como na outra peça! - Tomoyo virou-se e cumprimentou a amiga. Sakura piscou, sem entender o que havia acontecido. Ela havia visto Shaoran trocar os papéis...
- Obrigada, Tomoyo. - ela devolveu um sorriso - Vamos ver o resto.
- E para Cláudio... - o professor continuou - Teremos... Li Shaoran! Ora, que escolha apropriada.
A classe deu risada, enquanto o casal enrubescia de leve. Depois de acalmados os ânimos, o sorteio continuou.
- Para o papel da prima de Hero, teremos... Daidouji Tomoyo como Beatriz!
Tomoyo pareceu sinceramente surpresa, e ouviu Naoko murmurar do seu lado que esse ano ela não poderia ficar nos bastidores. Logo depois, o professor prosseguiu com o sorteio, para tirar o último nome.
- E Hiiragizawa Eriol como Benedito. Parabéns para vocês, e espero que se esforcem nos seus papéis! Vamos continuar com o sorteio... Como Margarida, teremos...
Sakura não estava prestando mais atenção na escolha dos papéis, e olhou para trás, questionando Shaoran com o olhar. Para sua surpresa, viu o vestígio de um sorriso nos lábios dele.
A jovem virou-se novamente e deitou a cabeça na mesa. Shaoran havia trocado os papéis, mas para personagens que só se declarariam no final da peça. Bem no final.
Ela não sabia qual problema seu namorado tinha com o mago inglês, mas ele parecia bem sério. Ou então, deveria ser realmente divertido ficar com os poderes de Clow por um tempo.
Chiharu apareceu para parabenizar Tomoyo:
- Ah, Tomoyo! Você vai atuar esse ano!
- Sim. Eu fiquei surpresa.
- Mas foi uma boa escolha! Vai ser engraçado ver você e Eriol trocando farpas durante toda a peça. - comentou Rika, que havia acabado de chegar.
Tomoyo ponderou sobre isso durante alguns segundos. Era até bom que ela havia conseguido um papel que tinha muitas cenas com Eriol, porque desse jeito, ensaiariam mais e ela poderia descobrir o que andava errado com seu colega inglês.
- Verdade. - a herdeira do império Daidouji de brinquedos concordou, por fim - Mas quais são os seus papéis?
- Eu serei Úrsula. - confirma Rika - E Chiharu será Margarida!
- Serão as damas de companhia, então? Que bom, poderemos ensaiar juntas!
Nesse momento, as três foram interrompidas pela chegada de Yamazaki, que cutucou Chiharu no ombro:
- O professor está chamando vocês duas para pegarem seus textos.
- Ah, tudo bem. Até mais, Tomoyo!
- Até!
Yamazaki sorri e sai com as duas meninas, deixando a jovem coralista sentada na sua própria mesa. Virando-se para trás, encontra-se com o olhar ligeiramente fora de foco de Eriol.
- Eriol?
- Sim, Tomoyo? - responde o jovem inglês, voltando sua atenção para a garota à sua frente.
- Não está ansioso para receber seu texto?
- Eu...
O menino inglês parou para pensar, descobrindo-se verdadeiramente ansioso. Sem seus poderes, ele sentia como se tudo que estivesse para acontecer pudesse ser inesperado, como o sorteio. Antes ele tinha controle de tudo, e agora não tinha mais essa sensação. Sorrindo genuinamente, ele resolveu que sinceridade naquela hora era o mínimo que sua colega de classe merecia.
- E então? - Tomoyo pressionou.
- Eu estou ansioso, Tomoyo. - ele ofereceu um sorriso doce para a garota - Eu lembro de ouvir vocês contarem sobre a peça da quinta série, e parecia muito divertido.
Satisfeita com a resposta, a jovem de longos cabelos escuros devolveu o sorriso:
- Vamos nos empenhar ao máximo, certo? Até porque acho que nossos papéis são mais difíceis do que os de Sakura e Shaoran.
- Concordo. Shakespeare nunca cria personagens com importância menor, mesmo sendo secundários.
- Eu não disse isso.
- Eu sei. - Eriol sorriu divertido.
- Mas eu deveria esperar uma defesa perfeita de Shakespeare, principalmente vinda de um autêntico inglês.
Os dois sorriram, quando foram chamados por Sakura, na frente da sala, para irem pegar seus textos também. Os dois se levantaram e caminharam até a mesa do professor, recebendo as instruções adicionais de que precisavam, como personagens de maior destaque na trama.
Na hora da saída da escola, Shaoran, Sakura, Eriol e Tomoyo caminhavam lado a lado. As duas garotas já pensavam em agendar ensaios, visto que os quatro personagens que seriam representados por ele tinham muitas cenas juntos.
- Nós deveríamos chamar a Rika e a Chiharu também.
- Verdade. Elas também são importantes.
- Mas podemos começar com as nossas cenas separadas... - Tomoyo sugeriu, caminhado ao lado da amiga, mais para a frente do que os dois meninos - Mesmo que sejam as do fim.
- Boa idéia, Tomoyo. - acrescentou Sakura, virando-se para trás e dando um olhar específico para o seu namorado - Muito boa idéia!
Shaoran não escapou da pergunta em voz baixa que veio de Eriol, após presenciar o olhar que a jovem Kinomoto havia dirigido ao menino chinês ao seu lado.
- Shaoran... É impressão minha ou você tem alguma coisa a ver com o sorteio? Sakura pareceu desapontada.
- Impressão sua, Eriol. - o chinês sussurrou por entre dentes cerrados - Impressão.
Continua...
N/A²: Aew! Mais um capítulo que se encerra! Antes de mais nada, super desculpas para todos que estão acompanhando este fic e querem me matar pela minha demora. -bows- Eu sei que eu mereço uma boa bronca.
Mas espero que tenham gostado do desenvolvimento desse capítulo! A peça que eu mencionei, "Muito barulho por nada" ("Much ado about nothing"), realmente existe e é de autoria de Shakespeare. Se alguém não souber do que se trata, não se preocupe! A história vai ser explicada mais para frente.
Agradeço de coração pelo apoio de Natalia, Analu, Nathoca Malfoy, Amanda e Luana, Morgana the Witch e littledark. Amo todos vocês. :D
Kissu & até mais!
Mari-chan.
