Ler o epílogo do "Verdade ou Desafio?" é meio que fundamental para entender o começo de "Siga o Mestre". Não é propaganda, acreditem em mim. Onegai?
Disclaimer: Card Captor Sakura e seus personagens pertencem ao CLAMP. Porém, todo o enredo é meu.
Siga o Mestre
Capítulo 5 - Expectativas
O primeiro ensaio para a peça foi marcado para a tarde seguinte, já que no dia em que receberam os papéis Sakura tinha treino de torcida e Tomoyo, coral.
Era uma terça-feira quente, e Tomoyo parou um pouco antes de tocar a campainha da casa de Eriol. Olhando para cima, ela se lembrou de alguns anos atrás, quando quase haviam perdido Yukito. A garota inconscientemente levou uma mão aos lábios, repassando a cena na sua cabeça.
Tomoyo sinceramente esperava que não precisassem ensaiar cenas com sacadas.
Antes que pudesse encostar o dedo indicador no botão da campainha, a porta se abriu e o rosto sorridente de Nakuru apareceu.
- Tomoyo!
- Nakuru. - a garota se inclinou educadamente, mas foi logo abraçada pela outra garota mais velha.
- Quanto tempo! Por que você não aparece mais por aqui?
- São as provas... - a corista se desculpou assim que conseguiu respirar - É o último ano.
- Ah, verdade. - Nakuru concordou, séria - Outro dia mesmo, Eriol dormiu enquanto estudava matemática. Vocês devem estar muito cansados.
- Sim. Nakuru, a Sakura ou o Shaoran já chegaram?
- A Sakura ainda não... - a jovem de cabelos castanhos negou com a cabeça, em seguida fazendo uma cara de súplica - Tomoyo, ela vai trazer o Touya?
- Eu não sei... Acho que não, ele não teria por que vir assistir a um ensaio, ne?
- Mas...
- Nakuru! Deixe Tomoyo entrar, por favor!
As duas garotas se viraram na direção da voz: Eriol. O jovem inglês sorriu calmamente e desceu as escadas da sua casa, parando ao lado da forma humana de Ruby Moon.
- Nakuru esqueceu de convidá-la para entrar, como sempre.
- Não esqueci! Estávamos conversando! - protestou Nakuru, fazendo bico.
- Tudo bem, Eriol. - Tomoyo sorriu, finalmente entrando - Tudo bem mesmo. Shaoran já está aqui?
- Ah, sim. - o inglês balançou a cabeça concordando - Ele chegou mais cedo para passar algumas cenas. Cláudio e Benedito têm várias cenas juntos.
- Verdade...
Nakuru havia desaparecido misteriosamente enquanto Tomoyo estranhava o fato de Shaoran estar ali antes de qualquer outra pessoa. Desde a primeira vez que haviam se visto, Shaoran e Eriol não haviam se dado bem. Não mesmo.
Então por que razão Li havia aparecido mais cedo agora?
Intrigada, Tomoyo seguiu Eriol escada acima, mal ouvindo o jovem mago ao seu lado. Quando chegaram no segundo andar, ela sentiu a mão do seu colega de classe no seu ombro.
- Tomoyo?
- Ah, me desculpe. Estava pensando.
As leves rugas de preocupação na testa do garoto inglês se desfizeram, e um pequeno sorriso iluminou seu rosto:
- Entendo. Vamos ensaiar aqui. - ele abriu uma porta que dava para o mesmíssimo cômodo onde a fatídica cena da sacada havia acontecido há anos - Espero que não tenha ressalvas?
- Nenhuma... Contanto que ninguém use a sacada. - a garota sorriu, vendo várias folhas de papel espalhadas pelo chão, mas o jovem chinês não estava na sala - Onde está Shaoran?
Eriol arrumou os óculos, claramente surpreso.
- Não sei. Ele estava aqui quando ouvi Nakuru discursar empolgada como sempre e decidi socorrer a vítima dessa vez... - Tomoyo riu do comentário - Prefere esperar por Shaoran para começarmos?
- Não precisa. - a garota sorriu amável, colocando sua bolsa em uma cadeira vazia e tirando as folhas do roteiro de dentro da mesma - Podemos pegar... Cenas do fim, então?
- Podemos.
Eriol se dirigiu ao centro da sala, onde estavam os seus papéis. Recolheu-os do chão, sentindo-se nervoso. Ele teria que conseguir uma confissão de Tomoyo, e o sumiço de Shaoran parecia dar a oportunidade perfeita para isso.
...Mas por qual motivo o chinês que agora detinha os poderes de Clow iria facilitar as coisas para ele? Não fazia muito sentido.
Honestamente, não fazia sentido nenhum.
Ele finalmente se ergueu do chão, encontrando Tomoyo com os cabelos presos. Eriol se deu um momento para admirar a sua colega de classe: ela realmente era bonita, e ele gostava quando seu cabelo ficava preso; ressaltava seus belos olhos ametista, além do conjunto harmônico das feições do seu rosto.
O jovem inglês quase corou ao perceber que olhava Tomoyo com uma intensidade quase invasiva. Ele rapidamente tirou os olhos da garota, segundos antes da mesma erguer a cabeça e sorrir.
- Bem, vamos? - ela deu alguns passos para a frente, chegando mais perto de Eriol - De qual cena? O início da parte vinte?
- Vinte está ótimo. Mas eu ainda não decorei, vou precisar ler. - avisou Eriol.
- Eu também não. - um sorriso igualmente cúmplice apareceu no rosto de Tomoyo, enquanto olhava as linhas rapidamente - Eu tenho que chorar nessa parte...
O jovem inglês deu a Tomoyo alguns minutos, e logo sua colega de classe chorava. Isso deixou Eriol positivamente boquiaberto.
- Como fez isso?
- Não é muito difícil pensar em coisas tristes na minha vida, Eriol.
O jovem inglês inconscientemente andou na direção de Tomoyo, que tinha um pequeno sorriso melancólico no rosto. Sem se dar conta de que seguia exatamente o seu texto, ele ergueu uma mão para perto do olho esquerdo da corista, enxugando uma lágrima timidamente - Você não deveria pensar nisso, Tomoyo...
O sorriso dela se alargou um pouquinho:
- Não consigo evitar...
- Ah! Vocês começaram o ensaio sem nós?
Os dois se separaram imediatamente, com uma fina linha vermelha nos seus rostos. Nenhum dos dois esperava a animada interrupção de Sakura, que veio até ambos para os cumprimentá-los.
- Começamos... Shaoran não estava aqui... - começou Tomoyo.
- Tudo bem. Eu tinha ido ao banheiro. - Shaoran justificou, seus olhos brilhando de um jeito não exatamente natural.
- Qual cena era aquela? - Sakura perguntou, virando apressadamente as folhas do seu roteiro - Ela não aparece aqui...
O inocente comentário da mestra das cartas só serviu para aumentar ainda mais o rubor dos outros dois. Shaoran comentou ocasionalmente ao lado da namorada:
- Não aparece porque só Beatriz e Benedito contracenam, Hero. - ele sorriu rapidamente, se referindo a Sakura como a personagem da peça.
- Ahhhh. - a jovem de olhos esmeralda concordou rapidamente com a cabeça, empolgada - Então continuem! Vou sentar para assistir!
- Não! - Tomoyo respondeu precipitadamente, em seguida vendo o olhar espantado no rosto de Eriol - Não. - repetiu com mais suavidade - Já que estamos todos aqui, vamos fazer outra cena... Eu e Eriol podemos ensaiar depois.
- Tudo bem. - comentou Sakura, parecendo ligeiramente desapontada - Qual, então?
- A cena do duelo. - opinou Shaoran.
- Mas precisamos de Dom Pedro para a cena... - lembrou a corista.
- Tudo bem, eu leio as falas de Dom Pedro. - Sakura exclamou, enquanto Tomoyo sentava-se em uma das poltronas - Vamos, vamos!
Os dois meninos sorriram ante o entusiasmo da jovem, por diferentes motivos.
Shaoran e Sakura ficaram lado a lado, já que a cena começava com Dom Pedro e Cláudio no jardim, conversando. Eriol saiu da sala e voltou para a mesma segundos depois, caminhando na direção dos dois com um olhar resoluto. Tomoyo se admirou da capacidade do colega encarnar um personagem.
- Boa tarde, meus senhores. - Eriol falou, começando sua encenação como Benedito.
- Boa tarde, senhor Benedito de Pádua. Por pouco não chegou a tempo de apartar uma briga. - Sakura leu a linha de Dom Pedro.
- Por pouco não tivemos os narizes arrancados por dois velhos desdentados! - Shaoran falou, um sorriso no seu rosto.
- Não há valor verdadeiro numa controvérsia injusta. Eu estava a procura dos senhores...
Eriol pronunciou a sua segunda fala com uma determinação tão forte que fez Tomoyo arregalar os olhos. O modo como o jovem inglês olhava por detrás do seus óculos era tão... Real. Quase como se houvesse mais alguma coisa acontecendo ali. Mais do que um simples ensaio.
- Que coincidência! - Shaoran continuou como Cláudio, ciente que Eriol falava com ele não como Benedito, mas como Hiiragizawa Eriol também - Nós também o procuramos por todos os lados... Por onde andou o dia todo?
O diálogo continuou entres os dois, e Sakura olhou para Tomoyo durante uma brecha que teve. Ela também parecia espantada com o "empenho" de ambos no papéis.
- Intervalo! Trouxe biscoitos!
Atrás de Nakuru, entrou Suppi, carregando o que parecia uma pesada jarra de suco. Sakura olhou para Eriol com uma cara de ponto de interrogação.
- Não se preocupe, não é tão pesado quanto parece.
As duas criaturas mágicas pousaram as coisas em uma mesa e trouxerem cadeiras para perto, deixando os quatro jovens à sós. Eriol olhou para o prato de biscoitos.
- Nakuru andou se aventurando na cozinha novamente. Cuidado.
- ERIOL! EU OUVI ISSO.
Os quatro sorriram. Comeram rapidamente, sem ter qualquer problema com os cookies de Nakuru; alguns minutos depois, as duas garotas decidiram descer com os pratos e copos.
No meio da escada, Sakura parou de andar, e a amiga fez o mesmo. A dona das cartas respirou fundo, antes de fixar os olhos cor de esmeralda na outra garota.
- Tomoyo... Você acha que tem alguma coisa acontecendo entre o Shaoran e o Eriol?
- Não sei... - a garota de longos cabelos pretos fez uma pausa, pensando - Eu acho que eles não se gostam muito. Mas...
- Tem alguma coisa diferente.
- Tem.
- E entre você e o Eriol?
- Acho que... O quê? - Tomoyo ergueu a cabeça, não se lembrando de ter baixado - Como assim?
Sakura sorriu inocentemente.
- Nada.
- Sakura... - a corista incitou a amiga a falar - O que é? Diga!
- Não é nada. - e continuou descendo as escadas.
- Assim não é justo, Sakura!
- Tomoyo, não sou eu quem tenho que perceber essas coisas, ne?
A frase da amiga fez a garota de longos cabelos negros parar de andar. Piscando, ela nem notou a dona das cartas se afastar e entrar na cozinha, ficando sozinha ao pé da escada. Durante o ensaio, ela havia quase chorado, porque problemas e decepções não faltavam na sua vida.
A cada segundo, ela sentia que Sakura se afastava mais e mais dela. Não culpava a amiga, afinal, ela e Shaoran se amavam. Mas mesmo assim, ela sentia falta dos dias de aventura, dos tempos em que ela e Sakura eram confidentes e compartilhavam todos os segredos. O que havia se passado agora na escada só confirmava suas suspeitas: a amizade delas estava enfraquecendo.
- Tomoyo?
A jovem ergueu o rosto e encontrou Eriol no alto da escada. Por detrás das lentes do óculos, ele desceu os degraus rapidamente, parando ao lado dela.
- Está tudo bem?
A preocupação era evidente na voz dele, e a jovem sorriu um pouco.
- Acho... Que sim.
O garoto inglês retirou a bandeja das mãos delicadas da herdeira do império Daidouji de brinquedos, deixando-a sobre um móvel. Com um olhar resoluto, acrescentou:
- Você precisa descansar um pouco. Venha comigo.
Um sorriso grato iluminou o rosto da jovem, que acompanhou o dono da casa para um dos jardins. Quando os dois haviam saído, Sakura espiou da cozinha, encontrando Shaoran no alto da escada, com um olhar não exatamente feliz.
- Isto está sendo cruel com a Tomoyo... - murmurou a garota de olhos esmeralda, torcendo as mãos. Nakuru saiu de trás dela da cozinha, saltitando.
- Vai acabar logo. - Shaoran disse - Eu espero. - ele acrescentou baixinho.
- Eu vou segui-los e tentar ouvir a conversa deles!
Um suspiro exasperado de Suppi se seguiu.
Continua...
N/A²: O fic se encaminha para o final. n.n Eu sei que demoro eras para produzir qualquer coisa aqui no site, e peço desculpas novamente. Bom, não sei se serve de consolo, mas a minha próxima idéia para CCS me deixou tão empolgada que mal posso esperar para começar. -grins-
Obrigada pelas reviews de coração! Nathoca Malfoy, littledark, Mayabi Yoruno, analu, Srta. Kinomoto, MaRiNe e Dri, arigatou! Obrigada a Marseille e Linne Hiiragizawa, que comentaram o primeiro capítulo também.
Está chegando no fim. :D
Mari-chan.
