N/A: Eu menti. 8D Este é o penúltimo capítulo da fic, que poderá ter ou não o acréscimo de um epílogo. Eu decidi aumentar um pouco a história, primeiro para não ficar forçado; segundo para compensar todo mundo que dedicou um pouquinho da atenção à história, ne?
Eu continuo dizendo que o epílogo de "Verdade ou Desafio?" deve ser lido para ninguém boiar no começo de "Siga o Mestre". Sério mesmo. Esse aqui é continuação do outro. :3

Disclaimer: Card Captor Sakura e seus personagens pertencem ao CLAMP. Porém, todo o enredo é meu.


Siga o Mestre
Capítulo 6 - Confissões


Eriol guiou Tomoyo para fora da sua imensa casa, seu braço servindo de apoio para o da garota gentilmente, como um verdadeiro cavalheiro agiria com sua dama. A jovem de cabelos negros notou o gesto e sorriu mais uma vez para o mago.
Do lado de fora, o herdeiro dos poderes de Clow, embora temporariamente sem eles, escolheu um dos bancos mais afastados da casa principal que havia, tentando fugir dos outros por alguns minutos. Talvez Tomoyo não percebesse o que estava acontecendo, mas Eriol tinha certeza que alguém tentaria segui-los. Sua dedução lógica nunca dependera de magia, portanto continuava intacta.
Assim que a garota se acomodou, Eriol sentou ao seu lado, deixando de segurar o braço de Tomoyo e apenas olhando-a por alguns minutos. Olhos ametistas encaravam a grama verde, e o mago achou melhor não perturbar o silêncio da amiga.
- Você já passou por isso antes, Eriol?
O garoto ponderou sobre a pergunta por alguns minutos.
- Não, Tomoyo.
- Entendo...
Ela se calou de novo e apreensão encheu o rosto de Eriol. Suspirando, ele se encostou no banco, olhando para a mesma relva que a garota parecia tão compenetrada em observar.
- Tomoyo... Talvez a sensação de perder alguém não seja tão ruim assim. Perder alguém significa que você já teve essa pessoa próxima de si tempo o bastante para considerá-la sua... E aí sim perdê-la. Melhor do que nunca ter tido ninguém por perto e desconhecer a sensação, na minha opinião.
Olhos ametista esqueceram da grama e se grudaram no jovem rapaz ao seu lado. Ligeiramente espantada com as palavras que havia acabado de ouvir, Tomoyo percebeu a grande dose de melancolia que tingia as mesmas, e notou o quão pouco sabia de Eriol, ou de sua vida.
- Eriol. Me desculpe, eu não...
- Não tem problema, Tomoyo. - ele ergueu a cabeça para fitar a amiga e sorriu - Você não me forçou a dizer isso. Não tem porque pedir desculpas.
A corista ficou em silêncio por alguns minutos, o vestígio de um sorriso no seu rosto ficando claro quando ela mudou de posição, tomando as mãos do jovem mago nas suas.
- Existe algo que você quer me contar, Eriol? Alguma coisa que eu possa fazer para ajudá-lo?
O jovem inglês sorriu. A sempre amável e amiga Tomoyo, pronta para ouvir e ajudar em qualquer hora. Sempre colocando os outros na sua frente, transferindo as suas prioridades para seus entes queridos.
Eriol sacudiu a cabeça negativamente.
- Tomoyo. Eu quero ajudar você agora. - ele falou enquanto movia os polegares pelas costas das mãos da garota suavemente - Você é a pessoa que está sofrendo aqui e eu quero ser útil. Uma vez na vida, pense em você mesma antes dos outros.
A garota corou de leve com a crítica velada e bem-intencionada de Eriol. Suspirando, seus lábios perderam qualquer traço do sorriso que tinham até então, ametistas brilhando por causa de lágrimas solitárias que haviam se formado.
Silenciosamente, Tomoyo colocou seu corpo mais para a frente e abraçou Eriol, chorando sem fazer nenhum barulho. Com a ausência dos soluços e tremores costumeiros que permitem que terceiros saibam quando alguém está chorando, o jovem inglês só sabia que lágrimas corriam pelo delicado rosto da senhorita Daidouji porque sua camisa estava ficando úmida aos poucos.

- Nakuru! Não vá. - Suppi advertiu a garota.
Sakura balançou a cabeça afirmativamente, Shaoran logo atrás dela apenas suspirando e dando de ombros. A presença da forma humana de Ruby Moon perto demais dos outros dois não iria ser notada por meios mágicos, mas talvez fosse descoberta mesmo assim.
De qualquer maneira, era indiferente para o chinês. Quanto mais Eriol demorasse para conseguir arrancar a confissão de Tomoyo, mais tempo ele ficaria com os poderes do outro mago.
E a sensação era boa. Depois de tanto tempo lutando contra Eriol por causa da transformação das cartas, era como se fosse uma pequena revanche. Mais por essa época do que pelo desafio de tempos atrás. Afinal, ele se sentira humilhado, como se o herdeiro dos poderes de Clow houvesse feito-o de bobo de propósito.
- Nakuru, fique aqui, por favor! - Sakura ecoou o pedido da pequena criatura roxa que voava ao redor deles - Eles estão indo bem... Eu acho! - a garota sussurrou, ficando na ponta dos pés para olhar através de um pequeno vitral localizado na parte alta da porta.
- Ah, eles não vão perceber a minha presença!
Sorrindo para os outros três, Nakuru deslizou para fora da casa, se escondendo atrás de um carvalho. E de árvore em árvore foi se esgueirando até chegar próximo ao casal no banco.

Eriol usava uma das mãos para alisar o longo cabelo escuro de Tomoyo, em gestos repetidos e que se arrastavam, delicadamente separando os fios que às vezes se uniam a outros formando pequenos nós. A sua outra mão apoiava a garota no seu ombro, segurando-a firmemente na altura do pescoço, protegendo e trazendo-a contra o próprio corpo, passando uma sensação de conforto.
Tomoyo havia parado de chorar. O mago podia ter certeza disso pela respiração da garota, uniforme e calma agora. Ainda acariciando o cabelo da amiga, Eriol notou um dos arbustos se mexendo de forma esquisita por perto deles.
Erguendo uma sobrancelha elegantemente por detrás das lentes do óculos, Eriol suspirou baixinho. O arbusto se sacudiu sozinho e um pequeno gemido de dor se seguiu, e dessa vez, ele não tinha como errar sobre a presença de quem estava ali.
A garota sentiu o leve suspiro, estando tão próxima do jovem inglês. Piscando, ela se afastou um pouco o suficiente para olhar para o rosto de Eriol, sua própria face ainda ligeiramente marcada pelas lágrimas.
- O que aconteceu? - ela perguntou baixinho, olhando para os lados sem mover a cabeça.
- Temos uma visita, apenas. - ele comentou, secando o que restava das lágrimas com os polegares - Nakuru.
- Ah. - Tomoyo riu em voz baixa, sorrindo e sacudindo a cabeça - Devemos voltar, então?
- Não sei. - Eriol encarou-a de um jeito clínico - Vejamos, a senhorita se sente bem para voltar?
- Sim, eu estou bem, doutor. - ela respondeu, visivelmente bem-humorada e se levantando do banco, Eriol acompanhando seus movimentos logo em seguida. De braços dados, os dois caminharam de volta para a casa e o barulho de gente correndo para longe da porta quando eles voltaram foi indisfarçável.
Os dois jovens que até pouco estavam no jardim trocaram olhares divertidos, subindo as escadas sem pressa e voltando para a sala onde estavam ensaiando.

Uma semana se passou e Eriol estava ficando frustrado. O último ensaio havia sido constantemente atrapalhado por Shaoran, que parecia interferir no momento certo, sempre que Tomoyo parecia pronta a dizer alguma das linhas de Beatriz que poderia quebrar o encanto.
O mago obviamente não estava feliz com isso; quando fora a sua vez de administrar o jogo, ele havia sido muito mais fácil e bem mais gentil, oferecendo inclusive mais chances para o jovem chinês terminar seus desafios. Ele esperava um pouco de compreensão por parte de Li.
Suspirando na aula, ele se surpreendeu quando Tomoyo virou-se na carteira discretamente, apenas o necessário para perguntar se ele estava bem com os olhos. Piscando, o jovem inglês concordou rapidamente com a cabeça e a garota voltou-se para a frente novamente, mas não parecendo muito satisfeita com a resposta de Eriol.
A professora deu mais alguns avisos sobre a peça de teatro na frente da sala, mas o mago não ouviu. Ele conseguia sentir o olhar de Shaoran sobre si e, olhando para o lado, viu que o chinês o encarava de fato. Por meio de uma outra troca de olhares, eles combinaram de ficar para trás quando o sinal tocasse para o recreio, e foi o que aconteceu logo em seguida.
- Shaoran! Vamos? - Sakura perguntou, animada como sempre e sorrindo para o namorado em seguida. Tomoyo apenas observou o casal, seus lábios se curvando bem de leve em um gesto que teria passado desapercebido por muitos mas não por Eriol.
- Vamos... Eu só preciso passar no banheiro antes. - ele comentou e o mago soube o que fazer naquele instante, se levantando da sua carteira também. Quando Shaoran e Sakura já haviam saído da sala, uma mão delicada e pálida segurou o braço do herdeiro dos poderes de Clow no lugar.
- Eriol... Alguma coisa errada com Shaoran? Ainda aquele problema?
Olhos azuis se desviaram da garota; Eriol queria muito poder contar para a garota o que estava acontecendo, mas não podia. Tomando as mãos que pareciam frágeis nas suas, o mago falou resoluto:
- Está perto do fim disso tudo. Eu prometo.
Tomoyo piscou, ficando no mesmo lugar onde estava e apenas acompanhando a figura do jovem inglês que saía da sala na mesma direção para onde Shaoran e Sakura haviam ido.
A corista lembrava de poucos momentos onde havia visto tanta emoção nos olhos azuis do mago.

O semblante de Eriol era nada amigável quando ele entrou no banheiro e encontrou Shaoran já ali dentro. De volta ao lugar onde as conversas sérias entre os dois eram travadas, o inglês pensou.
- Shaoran. Eu gostaria que você jogasse do jeito justo.
- Eu não trapaceio, Eriol.
O jeito que o chinês respondeu calou momentaneamente o outro garoto. Brincar com a honra do outro menino não era uma atitude muito sábia.
- Você claramente impediu Tomoyo de dizer as linhas de Beatriz que poderiam acabar com esse jogo. - o mago insistiu.
- Sim.
Eriol arregalou os olhos com a admissão de Shaoran.
- Você está afirmando isso? Assim, sem desculpas?
- Estou. - o garoto de cabelos cor de chocolate suspirou e passou pelo mago, abrindo a porta - Você precisa entender que nem sempre a pessoa que está vivenciando a situação enxerga todas as possibilidades, Eriol.
Com um sorriso enigmático, o chinês se foi para o recreio, deixando o descendente de Clow com mais dúvidas ainda na cabeça. Porém, mais alguém tinha ouvido as palavras de Shaoran quando ele abrira a porta, e esse alguém tinha ficado no corredor, também tentando entendê-las.
Tomoyo.

Continua...

N/A²:
Eu estou achando que deveria mudar a classificação do gênero do fanfic de Humor/Romance para Drama/Romance. oov Eu juro que a intenção era fazer algo mais cômico como o "Verdade ou Desafio?", mas acho que toda a minha veia cômica está sendo utilizada em outro trabalho. xX Gomen.

Agradeço novamente pela paciência e pelas reviews de Mayabi Yoruno, D-chan69, littledark e Marine Ryuuzaki. Obrigado pelos comentários!

Falta pouco, falta muito pouco!
Mari-chan.