N/A: Eu decidi fazer a história terminar no próximo capítulo para ficar mais natural. ) A idéia era colocar somente este e um epílogo, mas eu quero o final da história entre o Eriol e a Tomoyo seja o mais perfeito possível, já que eu acho que eles juntos é realmente a epítome da perfeição. -se empolga-
E pela penúltima vez, eu peço que o epílogo de "Verdade ou Desafio?" seja lido antes de "Siga o Mestre". É importante. Esta história é uma seqüência da outra, ne. x3
Disclaimer: Card Captor Sakura e seus personagens pertencem ao CLAMP. Porém, todo o enredo é meu.
Siga o Mestre
Capítulo 7 - Declarações
Eriol tinha os olhos pregados no chão quando deixou o banheiro masculino, as palavras do seu colega chinês ecoando na sua cabeça de uma forma insistente; ele simplesmente não via o que o quê Sharoan havia tentado ilustrar com a sua última frase em tom de conselho.
De volta ao corredor, o jovem inglês não precisou dar mais do que três passos para esbarrar em alguém. Erguendo a cabeça, surpresa preencheu os olhos azuis de Eriol ao encontrar a figura da sua amiga corista parada, parecendo tão assustada quanto ele com o encontro acidental no meio do corredor.
- Tomoyo! Me desculpe, eu não vi você... Está tudo bem? - o herdeiro dos poderes de Clow questionou com preocupação na sua voz, observando a garota endireitar seu uniforme.
- Não, não. Está tudo bem Eriol, não se preocupe. - ela sorriu de leve, jogando os cabelos longos para trás dos seus ombros - Estava falando com Shaoran dentro do banheiro?
O mago mordeu o seu lábio inferior de maneira quase imperceptível, sem saber o que responder. Tomoyo era muito observadora e qualquer menção descuidada poderia ser perigosa; ele tinha quase certeza de que não poderia revelar o quê lhe estava perturbando. No desafio de Shaoran, Sakura nunca soubera o quê o seu namorado tinha em mente na época, e Eriol deduziu que as condições para ele deveriam ser iguais agora.
- Sim, estávamos conversando.
- Eriol... Seu problema é com Shaoran então? - a corista perguntou preocupada, estranhando de fato os encontros que os dois meninos pareciam ter; primeiro o jovem chinês havia chegado mais cedo na casa de Eriol para o ensaio da peça, e agora essa misteriosa conversa..
- Mais ou menos. - o mago sorriu - Mas não é com ele que eu tenho que resolver a parte mais grave do meu... Problema.
- Entendo. Essa parte mais séria... É com alguém que eu conheço?
Inconscientemente, o sorriso do estudante inglês se alargou um pouco:
- Sim, conhece sim, Tomoyo. Mas acho que não posso dizer mais que isso no momento.
- Não é nada envolvendo Sakura, é? - a garota perguntou com um tom repentinamente aflito na voz, seus olhos cor de ametista escurecendo com preocupação. Eriol sentiu ganas de fazer algo bem cruel de volta com Shaoran no momento, vendo Tomoyo torcer as mãos em um gesto clássico e evidente de ansiedade.
Gentilmente colocando uma das suas mãos no ombro da sua colega, Eriol balançou a cabeça negativamente, percebendo que o corpo inteiro da corista relaxara com aquela boa novidade. Ver uma das suas melhores amigas, senão sua melhor amiga sofrer daquele jeito por causa dele e dos seus problemas...
Tomoyo era realmente a garota mais doce que ele conhecia. Nem mesmo Shakespeare, o célebre autor que ele havia defendido outro dia em sala de aula, poderia conceber alguém com tantas qualidades encantadoras como a corista.
O sinal que indicava que o recreio havia terminado tocou, e assim que o barulho dos outros alunos voltando às salas de aula tomou o corredor, Eriol e Tomoyo separaram-se ligeiramente, interrompendo o delicado contato físico entre a mão do mago e o ombro da jovem. Como que por um acordo silencioso, os dois sorriram um para o outro e retornaram calmamente para a sala, sem mencionar novamente o problema que agora parecia afetar a ambos em proporções iguais.
O resto do dia passou depressa, embora internamente Eriol soubesse que aquilo era somente por causa da sua total desatenção às últimas aulas do dia. Nada que os professores falavam na frente da sala chegava aos seus ouvidos, e observando Tomoyo da sua posição privilegiada atrás dela, ele tinha quase certeza de que a aluna exemplar à sua frente também não havia prestado muita atenção.
Sakura e Shaoran arrumaram suas malas e se levantaram, a garota de olhos esmeralda rapidamente convidando a todos para tomar um sorvete. Eriol, no entanto, recusou dizendo que precisava retornar à sua casa para ajudar Nakuru em alguma tarefa. Tomoyo também declinou o convite da amiga, dizendo que tinha ensaio do coral naquela tarde.
O desânimo da card captor quase cortou o coração de Eriol, mas a sua desculpa falsa era necessária; ele não conseguiria passar muito tempo ao lado de Shaoran sem tentar algo assassino. Ele estava positivamente furioso com o garoto que detinha seus poderes temporariamente, e tinha total certeza de que o seu "desafio" estava sendo não só mais difícil como injusto. Injusto sobretudo com Tomoyo.
O casal de namorados deus as mãos e saiu da sala junto com outros alunos, mas o jovem chinês ainda encontrou tempo de virar para Eriol e lançar um olhar que o jovem inglês não entendeu.
Quando Eriol e Tomoyo finalmente alcançaram o corredor da escola, o mago olhou de soslaio para a garota ao seu lado e suspirou antes de fazer uma pergunta:
- Tomoyo... Por que você não quis sair com a Sakura e o Shaoran? Você não tem ensaio do coral hoje, não é?
Um sorriso claramente melancólico enfeitou o rosto da linda aluna, que balançou a cabeça em sentido afirmativo por duas vezes. Um sorriso cúmplice apareceu na face do próprio mago, que se surpreendeu com a afirmação feita pela corista:
- E Nakuru não precisa da sua ajuda hoje.
Os dois riram em seguida, parando na frente da sala de música da escola que estava vazia àquela hora. De repente, Eriol teve uma idéia que talvez pudesse animar um pouco o espírito de Tomoyo; ela não merecia viver triste e ele certamente faria tudo que estava ao seu alcance para fazê-la sorrir, nem que fosse apenas por alguns segundos.
O jovem inglês rapidamente tomou a mão da corista delicadamente com a sua, trazendo-a para dentro da sala de música. Os dois colocaram suas mochilas sobre o tampo de uma carteira, e Eriol fez seu caminho na direção do piano que estava na sala, erguendo a tampa que cobria o teclado do mesmo.
Tomoyo se aproximou devagar, uma leve contração nos seus lábios parecendo anunciar que um sorriso se seguiria em breve. E ele veio de fato, quando Eriol fechou seus olhos por detrás do seus óculos e tocou a introdução de Yoru no Uta: a canção que mais lembrava Tomoyo, na sua opinião.
O herdeiro dos poderes de Clow só reabriu os olhos quando sua amiga e colega começou a cantar. Os papéis haviam se invertido: quem tinha cerrado os olhos era Tomoyo, que entrelaçando as mãos como sempre fazia ao cantar, tinha uma expressão doce e um sorriso lindo no seu rosto.
Eriol permitiu-se observar atentamente aquela que estava sendo tão atormentada indiretamente pelos planos de Shaoran, seus dedos se movendo automaticamente pelo teclado e deixando que ele apreciasse a visão da corista exibindo seu maior dom: cantar.
Era provavelmente a primeira vez desde que os poderes de Eriol haviam sumido que os dois se entendiam tão bem e sem segredos; os dois alunos nutriam a mesma paixão pela música, e a conexão entre ambos costumava ser perfeita e sincera quando faziam duetos.
Ao final da música Tomoyo reabriu seus olhos, sorrindo brilhantemente para o mago antes de caminhar até onde ele se encontrava. Sorrindo também e feliz consigo mesmo por ter conseguido efetivamente melhorar o ânimo da garota de longos cabelos negros, ele rapidamente mudou de posição no banco amplo do piano para que a herdeira do império Daidouji de brinquedos pudesse se sentar ao seu lado.
- Obrigada, Eriol. - ela murmurou depois de algum tempo, deixando de olhar para as teclas do instrumento e fitando o garoto inglês depois de um tempo - Não me lembro da última vez que cantei essa música
- Pode fazer muito tempo, mas você cantou com a perfeição de sempre, Tomoyo. - o mago a elogiou abertamente, notando as faces cor de porcelana da jovem ficarem levemente vermelhas - Parabéns.
- Ah, você que merece as congratulações. Eu sei que você mal olhou para o teclado enquanto eu cantava.
Eriol ergueu uma sobrancelha elegantemente por detrás das lentes dos seus óculos, e Tomoyo riu, cobrindo a boca em seguida com a mão direita como se aquilo fizesse o seu riso parar.
- Eu senti os seus olhos em mim o tempo todo, Eriol. Você não poderia estar olhando para o piano.
Foi a vez do mago enrubescer suavemente.
- Me desculpe, Tomoyo.
- Não, não. - a garota balançou a cabeça negativamente e tomou as mãos do jovem inglês entre as suas - Não precisa se desculpar. É bom saber que você gostou.
Os dois ficaram em silêncio mais uma vez. De repente, o mago usou os dois braços para enlaçar a garota suavemente, deixando que ela apoiasse o rosto contra seu ombro.
A corista chorava silenciosamente no seu ombro, exatamente como havia ocorrido no jardim da sua própria casa antes. A música provavelmente havia alegrado Tomoyo, mas era possível que tivesse lembrado-a de memórias tristes ou dolorosas no momento. Passando a mão esquerda pelos longos fios cor de ébano da sua colega, Eriol se surpreendeu ao notar que a garota havia abraçado-o de volta, apertando seu corpo quase imperceptivelmente enquanto o pianista continuava com as leves carícias.
- Eriol...
- Sim?
- Você... Me promete que não vai me deixar? Jamais?
O mago separou-se levemente de Tomoyo, em seguida usando dois dedos da sua mão direita para erguer o rosto da jovem, sentindo uma profunda agonia no seu coração ao observar as duas lindas ametistas que faziam o papel de olhos no rosto da garota tão cheios de lágrimas.
Ela provavelmente estava sentindo a perda dolorosa de Sakura.
- Ao longo desses últimos dois anos, você se tornou uma pessoa importante para mim, Tomoyo. Você é talentosa, gentil, companheira, preocupada com todos... E devo dizer que é linda também. - Eriol apenas sorriu calmamente enquanto um rubor mais forte coloria o rosto de Tomoyo - E posso dizer que você é a melhor amiga que tenho. Eu não quero ver você sofrer e sempre farei tudo que puder por você. E isso inclui não abandoná-la jamais.
Eriol sentia-se estranhamente aliviado depois de dizer tudo aquilo. No final, eram coisas que ele já sentia há muito tempo, mas aquela confirmação por meio de palavras parecia ter convencido Tomoyo que, se o mago estava escondendo algo dela, era para o próprio bem de ambos. Sorrindo genuinamente, ela abraçou o jovem inglês com força, e dessa vez ele podia sentir o sorriso da garota nos seus braços contra o seu uniforme.
- Obrigada, Eriol. Por tudo...
- Não precisa agradecer, Tomoyo.
Os dois se separaram mais uma vez, a garota se levantando rapidamente e curvando seu corpo para frente em uma desculpa não-verbal.
- Meu Deus, Eriol. Minha mãe deve estar muito preocupada porque ainda não cheguei em casa... Obrigada de novo, mas eu realmente terei de ir agora.
O mago inglês apenas sorriu, sabendo que a corista não mentia; ele não precisa de poderes mágicos para descobrir essas coisas. Ele também se levantou e fechou a tampa do piano, e junto os dois apanharam novamente suas mochilas antes de deixarem a sala.
Caminharam lado a lado até o portão da escola, onde um carro preto estava esperando por Tomoyo há vários minutos. Ela rapidamente correu até o veículo e trocou algumas palavras com a motorista, retornando para o lado de Eriol logo a seguir:
- Me desculpe, mas realmente preciso ir. Mas quero que saiba que você é alguém que admiro e gosto muito, e também... - ela se interrompeu, corando de leve sem razão aparente e em seguida balançando a cabeça rapidamente - Bom, se eu puder fazer alguma coisa por você para resolver seu problema, me diga. Quero ver você feliz novamente, Eriol.
Os dois trocaram um último abraço e se separaram, o mago inglês somente se encaminhando para a sua casa quando o carro de Tomoyo já havia sumido. Suspirando pesadamente, Eriol percebeu que ele jamais conseguiria manipular a corista, principalmente depois das palavras totalmente sinceras que havia dito à garota mais cedo, na sala de música.
Ao chegar à sua casa, o mago havia decidido esperar pela confissão da personagem que Tomoyo interpretaria na peça; seus poderes valiam menos que a amizade da linda garota de olhos ametistas. Muito menos.
Foi Nakuru quem percebeu que o seu mestre entrara suspirando de um jeito que ela nunca havia visto. Sorrindo e saltitando, ela foi atrás de Spinnel, pronta para contar que Eriol estava com todos os sintomas de alguém apaixonado.
Continua...
N/A²: Como eu mencionei no último capítulo, eu realmente alterei o gênero da fic - ela agora é "Drama/Romance". Mas vai dar tudo certo no final! "Zettai daijoubu", como dizia a Sakura na série.
Agradeço pelo apoio de Mayabi Yoruno, analu, littledark, Yoruki Hiiragizawa, She Ryuuzaki, Musette Fujiwara, Yullie Black Uzumaki e Miseni-san no último capítulo e espero que non me matem pela demora.
Falta só mais um!
Mari-chan.
